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  • há 3 semanas
O perigo da queda para pessoas idosas

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Transcrição
00:00E esse vai ser o assunto de agora no nosso quadro E aí, doutor, já convido você aí de casa
00:05a mandar pra gente suas dúvidas, suas perguntas,
00:08porque aqui no nosso estúdio eu recebo a geriatra, a doutora Yara Nipes e também a psicóloga Elza Leite.
00:15Sejam bem-vindas, viu? Boa tarde.
00:18Boa tarde.
00:19A primeira pergunta que a gente já começa, doutora, acho que todo mundo tem esse medo, né, com os pais,
00:24com os avós.
00:25Dá pra evitar que essas cenas aconteçam com os nossos pais, com os nossos avós, nossos vovós em geral?
00:32Dá pra evitar. E na verdade, antes de falar como evitar, eu acho importante a gente falar o que é
00:38queda, né?
00:40Porque a gente tem a ideia de que queda é cair ao chão.
00:44E todo deslocamento de uma superfície superior pra uma inferior, sem a intenção, é queda.
00:52Então, cair, se escorar na cama, é queda.
00:56Cair no sofá e alguém a parar, é queda.
01:00E é tão importante, tão necessária a avaliação quanto aquela que vai ao chão.
01:05E como prevenir com que isso aconteça, né?
01:09Queda é uma conversa muito longa do médico geriatra com o seu idoso, da família, né, com o geriatra, com
01:19a família.
01:19Porque a gente tem causas intrínsecas relacionadas ao envelhecimento e as causas extrínsecas, as dentro de casa.
01:28Então, como uma causa intrínseca, por exemplo, é nossa obrigação, enquanto médico do idoso, enquanto familiar,
01:37ter certeza que esse idoso, igual a reportagem falou, tá tomando água da forma adequada, não tá desidratado,
01:44que as doenças estão compensadas, que esse idoso é um idoso ativo, porque é normal do envelhecimento perder força, perder
01:54massa muscular.
01:57Então, a gente tem que garantir com que esse idoso continue ativo, continue mantendo força, né, e massa muscular.
02:04Avaliar frequentemente as medicações, excesso de medicação ou medicações tomadas de forma adequada,
02:11são fatores de risco para queda.
02:13Então, queda é uma história.
02:15E como fator extrínseco, por exemplo, como organizar uma casa.
02:19Então, a gente consegue prevenir isso tudo que a gente viu, ou pelo menos tentar prevenir isso tudo que a
02:25gente viu,
02:27organizando uma casa, adaptando-a para o idoso.
02:30Segura essa resposta, que vai ser a próxima pergunta que eu quero que você já contue.
02:35Quais são os principais vilões que estão ali no ambiente do idoso e que, às vezes, o filho ou a
02:42filha, os netos,
02:44não perceberam e podem contribuir para aquele escorregão, para aquela queda do vovô e da vovó.
02:49Mas antes, a doutora Yara apontou muito bem a importância da família.
02:54A família tem um papel fundamental no envelhecimento desse idoso, né, Elza?
03:00Sim, é fundamental porque o isolamento provoca depressão.
03:05Quanto mais deprimido esse idoso ficar, menos ativo ele vai estar e mais doente também,
03:12do ponto de vista físico, ele vai estar.
03:14Então, a companhia da família, o agrado da família, o elogio da família, o acolhimento da família,
03:23a compreensão desse lugar de envelhecimento da família é primordial para que o envelhecimento seja saudável, né?
03:33Às vezes, a gente vê os filhos também podando demais, o pai não pode, o pai não pode, mãe podando
03:40demais e tira deles essa autonomia também.
03:44E aí, a gente se pergunta até que ponto que a gente pode liberar ou não.
03:47Papai, não para de subir para trocar a lâmpada.
03:49Papai, mamãe, não para de fazer isso ou aquilo.
03:52É desse jeito, né?
03:53A gente tem que ter muito cuidado ao roubar do idoso a autonomia dele.
03:57Por quê?
03:58Quando você perde a sua autonomia, você perde a sua identidade, você perde o seu pertencimento, você perde a sua
04:05dignidade, você adoece emocionalmente.
04:08A gente tem que ter muito cuidado também, Roberta, para não ficar infantilizando esse idoso com o diminutivo, tratando ele
04:15como criança,
04:16porque, embora o comportamento dele seja muito parecido, ele não é uma criança.
04:22E se ele se sentir tratado como tal, ele vai se sentir bem ofendido.
04:27Então, uma relação respeitosa vai muito da comunicação.
04:31A gente tem que falar para o idoso, se fazer entender, perguntando para ele, porque às vezes a gente fala
04:37um monte de coisa.
04:38Você tem que tomar banho, depois a gente vai tomar café, olha, você não sobe aí não, senão você vai
04:42cair.
04:42Fala uma coisa de cada vez, olhando nos olhos, na mesma altura, igual a gente faz com o filho, faça
04:48com ele também.
04:49Mas fale uma coisa de cada vez, porque a cognição já não é mais a mesma.
04:55O cérebro do idoso, ele é como se fosse um disco rígido.
04:58Ele demora a processar a informação.
05:01Então, se a gente acumular multitarefas, múltiplas coisas para esse idoso, ele não vai compreender.
05:07Fala, pergunta se ele entendeu.
05:09Depois que você perceber que ele entendeu, aí você vai entender que aquela relação, a chance dele fazer o que
05:15você está pedindo, é muito maior.
05:17Vamos fazer o seguinte?
05:19Vamos convidar a dona Sônia, presta atenção, ela vai participar com a gente aqui desse bate-papo.
05:23A mãe e o marido dela têm sofrido bastante com quedas, não é isso, dona Sônia?
05:28Como é que eles ficam?
05:30Conta para a gente, primeiro de tudo, quero saber como é que está agora.
05:32Está tudo bem nesse exato momento?
05:34E aí, Roberta?
05:35Está me ouvindo, Roberta?
05:37Perfeitamente, Sônia.
05:40Ei!
05:41Eu te ouço, pode contar para a gente.
05:43Essa daí é a sua mãe, não é isso?
05:45Ela caiu recentemente?
05:46Essa é a minha mãe, Maria Carmela, já é conhecida da TV Vitória.
05:51Ela já fez várias entrevistas, está com quase 99 anos.
05:58Graças a Deus, está aqui firme, lúcida e a gente com todos os cuidados com ela, né?
06:05Porque ela é muito levadinha, sabe?
06:06Falar para a doutora que ela é muito levadinha.
06:09A gente tem que sempre estar atrás, mamãe, cuidado, porque ela não quer usar bengala, ela não quer usar andador.
06:18Quem tem me ajudado muito nesse sentido é a fisioterapeuta dela domiciliar, a doutora da Cristina Martins.
06:26Ela está até nos ajudando na filmagem.
06:28Olha aqui a doutora Cristina.
06:30Sim, gente.
06:31Boa tarde.
06:33Que arraso.
06:33Ela tem nos ajudado bastante.
06:35Eu quero dizer que você está cuidando muito bem, né?
06:36Tanto da sua mãe, quanto do seu esposo também.
06:39Conta para a gente.
06:40Ela teve uma queda recente, Sônia?
06:42A doutora Cristina tem me dado todas as orientações.
06:48Ela tem também boa alimentação, a mamãe.
06:52E a gente não descuida dela, porque ela é muito importante para nós.
06:58Então, nós temos todos os cuidados com ela, sabe?
07:01E ela está aqui, firme e forte.
07:04E se Deus quiser, o ano que vem, vai completar 100 anos muito firme.
07:10Amém, amém.
07:11Sônia, olha só.
07:13Daqui a pouquinho você vai me contar da queda recente que ela teve.
07:17Mas você focou num ponto importante que eu quero trazer para a geriatra que está aqui no estúdio.
07:21Ela disse, não quer usar a bengala, está levada.
07:25Como que a gente convence, né?
07:27A importância dessas ferramentas.
07:29Uma coisa que a Alza falou que é extremamente importante é que o idoso, ele é um adulto.
07:34E a gente tem que conversar com o idoso como sendo um adulto, né?
07:39Então, o que a gente precisa de mostrar para ele?
07:41Que a autonomia e independência é algo que a gente vai prezar em todo momento.
07:47Até 99, 100, a gente quer que o nosso paciente tenha autonomia e independência.
07:53De forma segura.
07:56Porque a queda, ela pode ser só um esbarrado, como pode ser um mecanismo de uma fratura, de uma imobilização
08:04e desfechos desfavoráveis, que a gente fala, para o tempo de vida desse paciente.
08:10Então, o que a gente precisa é explicar para ele sobre a segurança do como conduzir dentro de casa.
08:20O andador, não é incomum o idoso contar que veio de bengala ou de andador para consulta, mas dentro de
08:27casa não usa.
08:28E é dentro de casa onde mais cai.
08:30Então, a gente precisa de mostrar essa possibilidade de segurança a mais no ambiente onde ele vive, para obviamente evitar
08:38quedas, né?
08:40E as complicações advindas de uma queda.
08:43E, Elza, como que faz esse convencimento?
08:48Convencer é uma coisa muito difícil, tá?
08:51Por quê?
08:52A gente precisa entender o ponto de vista psicológico desse idoso.
08:55Ele é uma autoridade, ele tem muito mais sabedoria e experiência do que a gente.
09:01Então, ele pensa assim, eu sei das coisas, essa pessoa acabou de nascer, ele está tentando me ensinar a viver.
09:07Então, de certa forma, ele está ali protegendo a personalidade dele, o temperamento dele, a identidade dele, a sabedoria dele.
09:14Então, ele pode resistir se ele perceber que você está disputando com ele poder e autoridade.
09:21Quando a gente entra nesse lugar, inclusive o nosso tom de voz, às vezes, comunica isso.
09:26A chance dele resistir a você ou de qualquer comando que seja para o bem dele é muito grande.
09:33Então, prestar atenção no tom, fazer uma conversa, promovendo assim, papai, mamãe, você ficou sabendo de um caso de fulano
09:42de tal que caiu?
09:43O que você acha?
09:44Olha, a gente tem que pensar nos perigos, promover um diálogo mesmo, do ponto de vista para ele mesmo trazer
09:50a resposta, porque ele tem essa resposta, porque ele já ensinou os filhos a fazer isso uma vez.
09:55Então, a gente tem que ter muito cuidado de como vai abordar esse idoso, porque quando a gente está nesse
10:01lugar de disputa, de imposição, sem fazer os combinados, a comunicação não vai funcionar.
10:10Então, outra coisa que é legal a gente fazer com eles é assim, o que você quer fazer?
10:16Me fale, deixa ele dar opinião, deixa ele ter vez, deixa ele ter voz, deixa ele expressar os sentimentos, as
10:22emoções, as vontades, os gostos e até as resistências.
10:27Às vezes, a gente pensa que o idoso está resistindo porque ele está perseguindo a gente.
10:31Não, às vezes a cognição dele já está diminuída, tem um processo de demência instalado, tem remédio sendo dado errado,
10:40está desidratado.
10:41Então, cuidado para a gente não julgar esse idoso achando que ele é perracenta, ele está fazendo para me perseguir.
10:47Nem sempre é isso, né?
10:48Agora eu consigo então voltar com a Sônia?
10:50A gente quer saber o que aconteceu recente, tanto com a mãe quanto com o marido.
10:54Os dois caíram, Sônia?
10:56Não, ela caiu.
10:57Vou até mostrar ele aqui um pouquinho.
10:59É o Ariton, olha aqui.
11:02Olha aqui.
11:03É a Roberta, eu te conheci, ó.
11:06Ó, um galã.
11:07Foi o seguinte, é bonito, né?
11:12Ela é muito demosinha, né?
11:15Então, o que acontece?
11:16Ela resolveu sair da casa e vir aqui para fora, onde nós estamos.
11:21E eu encontrei ela caída.
11:23Aí foi um desespero, né?
11:25Ela não voltava e até que eu tive que levá-la para o hospital.
11:30Mas ela não lembra desse fato.
11:34Ela é lúcida, mas ela não lembra desse momento.
11:38Ela acordou praticamente no hospital.
11:41E ela não teve, assim, um corte tão grande que ela bateu com a cabeça.
11:46Ela não teve um machucado grande, nada.
11:49Não quebrou nada fisicamente.
11:50Mas, na hora, ela não voltava.
11:54E ela não se lembra do que aconteceu com ela.
11:58Ela não lembra de todas as atitudes que eu tive no momento.
12:02Eu a levantei e eu comecei a lavar a cabecinha dela, falando com ela,
12:09chamando até que nós fomos levar ela no hospital.
12:12Lá, ela acordou ótima e não lembrava do que aconteceu.
12:17Então, agora, o que está acontecendo agora com ela?
12:21A mamãe ficou um pouco com síndrome do pânico,
12:24porque agora ela tem medo de cair.
12:27Ela acha, não, eu não vou cair, porque eu não sei se eu vou voltar.
12:31Então, agora, ela está levando mais a sério tudo que eu tenho falado para ela.
12:37Todos os cuidados que eu tenho tido com ela.
12:41Chamam de ela estar, ela não pode vir aqui fora mais sozinha.
12:46Enquanto não aconteceu uma coisa mais séria com ela,
12:50ela não viu que ela agora, o corpo dela está mais fraco,
12:55a mente maravilhosa.
12:57Porque mamãe é lúcida.
12:59Mamãe é maravilhosa.
13:01Mamãe lembra de tudo, mas esse fato trouxe para a mamãe
13:06uma espécie de um trauma.
13:08Agora, ela vê que quando eu falo, eu tenho razão.
13:11Aí, olha só, espera um pouquinho,
13:14que eu quero aproveitar o nosso tempo e trazer essa pergunta
13:17aqui para a doutora Iara.
13:18A minha avó, também, há um tempo atrás, caiu e não lembrava.
13:21Isso é comum, doutora?
13:23Não, não, isso não é comum.
13:26Então, esse é principalmente um tipo de queda
13:29que há necessidade de uma avaliação médica naquele momento.
13:33Pode acontecer algum mecanismo relacionado ao trauma
13:36que faz com que o idoso esqueça do que aconteceu,
13:39mas causas cardiológicas e neurológicas
13:42também podem causar esse tipo de queda.
13:44Simplesmente esquecer como aconteceu.
13:47E aí, sim, há necessidade de uma avaliação médica
13:49assim como ela teve naquele momento.
13:53Olha só o comentário da Helena Mendes.
13:54Ela falou que tem 63 anos, no dia 13 de maio,
13:58caiu saindo do banheiro e bateu com a face do lado esquerdo
14:02na porta e quebrou o osso no rosto.
14:06Passou por uma cirurgia e até hoje não se recuperou.
14:09Abre a boca bem pouco, tem muita dificuldade para mastigar.
14:13Ela quer saber se ela tem chance de se recuperar 100%.
14:16E aproveita e fala então para a gente quais são os vilões da casa.
14:19Ela já até falou do ambiente do banheiro.
14:21Nem imagino eu que sim, aconteceu agora.
14:24Então, certamente, ela está em um período ainda de recuperação, reabilitação.
14:30Existem vários mecanismos, vários fatores de riscos extrínsecos
14:35que a gente fala, que são os vilões para a queda no idoso.
14:39E aí a gente tem que pensar vilões.
14:41Idoso com ele mesmo, idoso com o ambiente.
14:44Idoso com ele mesmo, por exemplo, chinelo.
14:48Chinelo é um vilão que a gente esquece que ele está ali.
14:51Não é tão recomendável que o idoso use aqueles chinelos de plástico, como a gente vê, né?
14:56É melhor que ele use sapatos mais fechados, tênis, aqueles que passam por detrás do calcanhar,
15:02que vai dar de fato segurança ao pisar.
15:04E quando está em casa, né, o idoso com o ambiente, é muito comum ter tapete na nossa casa,
15:11mas a gente tem que ter noção de que o tapete de forma segura na casa do idoso
15:15tem que ter fita adesiva em volta dos quatro lados, porque tapete é vilão para a queda.
15:23Fios em volta da casa, em volta da sala, onde o idoso passa normalmente, não está certo.
15:29Ter fios por onde ele vai passar, nem se o fio estiver debaixo do tapete.
15:34Ele também é mecanismo, causa extrínseca que a gente fala para queda, né?
15:39Falta de iluminação.
15:41Uma casa que é pouco iluminada é um tremendo fator de risco para quedas.
15:46E, por exemplo, no banheiro, aquele banheiro que é pouco adaptado, né,
15:50que não tem barras, barras de apoio, tapetes antiderrapantes ou escada,
15:57é legal que a escada tenha também, né, os tapetes, as faixas antiderrapantes,
16:03que tenha luz no início da escada e no final da escada,
16:07porque são todos esses os fatores de risco, os extrínsecos que podem fazer com que esse idoso caia.
16:13Aí, depois de todas essas dicas, Elza, a gente vê que não é simplesmente,
16:17ah, papai e mamãe estão envelhecendo, mas a casa, a família precisa se preparar para isso.
16:21Sim. O ambiente tem que estar adaptado, né, de forma segura.
16:26E a compreensão, a paciência desse lugar, né, de envelhecimento precisa acontecer por parte do cuidador.
16:34O cuidador, ele tem um desafio imenso ao cuidar, principalmente porque tem uma troca de papel, né?
16:41Eu estou cuidando de quem cuidou de mim. E quem vai cuidar de quem cuida?
16:45Muitas vezes o cuidador, ele adoece nesse processo, porque ele se anula.
16:50Então, é muito difícil exercer toda essa paciência, essa compreensão com o idoso.
16:55Por isso que é muito importante todas as figuras de cuidado com o idoso se cuidarem também.
17:01Tá certo. Obrigada, gente, pela participação de vocês.
17:04Mandar um beijo também para a dona Sônia, que está junto com a mãe dela maravilhosa, o maridão também.
17:10Obrigada pela participação, contribuição de vocês, viu, gente?
17:13Uma boa tarde, tá? Tchau.
17:16Boa tarde, querida.
17:17Boa tarde, querida.

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