- há 3 semanas
Casos de atropelamento recentes acendem o alerta para a necessidade de um cuidado maior.
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00:00Vamos dar um pouquinho de assunto? Olha só, só esse ano, gente, 110 pessoas morreram atropeladas aqui no nosso estado.
00:0831% das vítimas tinham mais de 60 anos. Esses números são do Instituto Jones dos Santos Neves.
00:15E em ontem, olha só que notícia triste, na Avenida Reta da Penha, o seu Antônio Pelé do Leão Borges
00:22foi atropelado
00:23quando tentava atravessar a pista e infelizmente não resistiu.
00:28Testemunhas contaram que o sinal estava aberto para os carros e aí ele foi atingido em cheio por um veículo.
00:35Segundo a Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, a motorista do carro, uma mulher de 37 anos, parou para prestar
00:43socorro à vítima,
00:44mas o senhor não resistiu aos ferimentos.
00:47A realidade em todo o país também é essa, viu, gente?
00:50Os idosos são as principais vítimas dos atropelamentos, por isso a gente precisa conversar com eles, com os nossos avós,
00:58com os nossos pais.
01:00A gente precisa ter todos os cuidados, não só dentro de casa, mas também na rua, no trânsito.
01:06Vem cá, que a gente vai bater um papo sobre isso.
01:08Já liga para o pai, já liga para a mãe, para o avô, para a avó, para o tio, para
01:11a tia.
01:11Liga aí, não fale Espírito Santo, porque aqui eu recebo a psicóloga Daniela Sampaio.
01:16Dani, obrigada mais uma vez pela sua participação com a gente e também a dona Neide Silva, aposentada.
01:24Já vi a senhora andando pelas calçadas aqui no centro de Vitória, caminhando numa tarde gostosa.
01:32Boa tarde, viu, dona Neide?
01:33Boa tarde, é um prazer estar aqui com você novamente.
01:36Novamente, seja bem-vinda.
01:37E aí, nesses momentos que volta e meia, seja para fazer e comprar algo ali embaixo, seja para passear,
01:45como que você, como pedestre, como que você se relaciona com o trânsito? Como é que é?
01:52Olha, eu sou muito cautelosa, porque é o seguinte, a gente vê que mesmo com o sinal fechado, o motorista
01:59não respeita.
01:59O sinal fecha, você tem que ficar parada, esperando o carro parar totalmente para você atravessar.
02:04Porque, às vezes, você bota o pé acima e vem um carro rápido, é um carro, é uma moto.
02:08E eu já tive caso que aconteceu com a minha mãe.
02:11Ela aí achou que desce para atravessar, porque você não tem noção quando o carro vem, né?
02:16Você acha que o carro está distante e não está.
02:18Diz que ela atravessou a rua e foi atropelada.
02:21Isso já tem muitos anos, mas, graças a Deus, nada aconteceu com ela, só quebrou o óculos.
02:25Olha isso, foi um livramento, hein?
02:27Foi um livramento, foi lá no Rio de Janeiro.
02:29Foi tentando atravessar a rua.
02:30Atravessar a rua, porque a gente que é pedestre, eu acho que a gente não tem noção da distância dos
02:35carros.
02:35Às vezes, você acha que o carro está bem distante e não está.
02:38Ele vem com a velocidade, porque às vezes, também, não tem nem tanta necessidade no centro.
02:43Em qualquer rodovia, você dirigir com tanta rapidez, né?
02:47Porque não adianta você correr, chegar ali na frente, o sinal fecha e vai parar, né?
02:51Que é o que acontece muito.
02:52A gente que mora aqui no centro, nessa principal aqui, às vezes, você quer atravessar, você espera.
02:58Aí, o carro vem, o sinal fechou.
02:59Ele atravessa correndo, quando chega lá na frente, o sinal está fechado para ele.
03:02Não dá para entender por que tanta pressa, né?
03:05Porque, como diz o ditado, a pressa é a inimiga da perfeição.
03:09Verdade.
03:10Dani, explica para a gente, né?
03:12Não só dentro de casa, que a gente está falando em relação aos idosos, para termos mais cuidado.
03:16Já falamos muito aqui, viu?
03:18Que não pode subir no banquinho, que tem que tomar cuidado com a escada.
03:21Mas, na rua, principalmente, o idoso também tem que ter muita atenção, né?
03:25Boa tarde.
03:26Boa tarde, Roberta.
03:27Verdade.
03:28E eu penso que é importante a gente falar sobre os dois lados, assim.
03:31Sobre a pessoa idosa e sobre o cuidado que a família tem que ter.
03:35Qual que é a importância que eu vejo, assim, trabalhando com pessoa idosa?
03:38A gente tem que falar com essa pessoa, a gente usa uma expressão assim,
03:42meu Deus, eu já falei mil vezes, eu brinco, sim, a gente vai falar mil vezes.
03:45E a gente vai falar de formas diferentes.
03:48Então, um dia a gente fala mais calmo, num dia a gente fala na hora do café,
03:52no outro dia a gente fala na hora de dormir.
03:54Mas, sim, essa expressão funciona muito não é só para a pessoa idosa, não.
03:57De modo geral, a gente tem que falar várias vezes, né?
03:59Reforçar.
04:00Reforçar.
04:00E aí, eu percebo também, Roberta, como às vezes as pessoas, elas querem impor.
04:05Ser humano não se dá bem com a imposição.
04:07Não é só a pessoa idosa.
04:09Então, assim, é mostrar qual é o problema, né?
04:12De se fazer.
04:13Então, bom, se eu estou te dizendo, digamos, que tem que tomar cuidado na rua,
04:16eu preciso explicar o motivo e não impor, né?
04:18Porque as pessoas não vão lidar bem com a imposição.
04:21E aí, o que é mais importante que eu percebo é assim,
04:24a pessoa idosa, ela passa, a gente já falou sobre isso aqui uma vez,
04:27a gente passa, a pessoa idosa passa de cuidador para ser cuidado.
04:31Então, ela, por vezes, não vai receber bem mesmo, né?
04:34Poxa, eu que tinha que estar cuidando de você e você está aqui me falando isso?
04:36Então, a gente tem que ir com carinho, com jeitinho,
04:39mostrar que a gente se preocupa com essa pessoa, eu acho que é o mais importante.
04:43Olha só, agora a gente vai bater um papo aqui com o doutor Rony,
04:46que ele é geriata, doutor Rony Mucamal,
04:48e a gente vai entender o que acontece no cérebro da gente
04:51quando a gente vai envelhecendo.
04:52E por que a gente tem que ter mais cuidado ainda no trânsito.
04:57Doutor, obrigada pela sua participação mais uma vez aqui no Fale o Espírito Santo.
05:00Explica pra gente, hein?
05:02E, Roberta, boa tarde, boa tarde a todos, né?
05:06Realmente, o envelhecimento, ele vai trazer algumas alterações,
05:11tanto nos órgãos sensoriais, que é a visão,
05:15então a gente pode ter algumas alterações no campo visual, né?
05:19Na audição, a gente pode ter algumas alterações também na percepção do som,
05:24nos nossos reflexos.
05:26Então, tudo isso vai tornar o idoso um pouco mais vulnerável ao acidente, né?
05:35Fora os problemas de saúde que são muito comuns na população idosa, né?
05:39Esses problemas como catarata, tem vários problemas visuais que vão dificultar a visão,
05:44os problemas auditivos aí com a acusia, que é a surdez, a artrose,
05:50todos esses problemas vão realmente trazer um indivíduo mais vulnerável.
05:54Só que eu entendo que, para uma sociedade estar preparada para o envelhecimento,
06:01a gente tem que cuidar do nosso idoso.
06:04A gente não pode cobrar dele uma exigência de atenção redobrada.
06:10A sociedade tem que estar preparada para o número de idosos que estão tendo.
06:15Um respeito máximo, né?
06:17Faixa sinalizando, respeito de toda a sociedade,
06:20calçadas muito bem preparadas para receber o idoso.
06:24E não é só o idoso também, são os deficientes, né?
06:29Sinalizações específicas, luz, né?
06:31Ambientes escuros, da noite.
06:34E o respeito de todos, né?
06:36Para que a gente se cuide.
06:38A gente espera isso para ter uma sociedade digna,
06:42que respeite o idoso,
06:45porque a gente vai ser idoso.
06:46Então, tem esses aspectos do próprio idoso,
06:49que vão torná-lo vulnerável,
06:50mas tem o aspecto da sociedade,
06:52que a gente precisa realmente mudar um pouco o nosso comportamento.
06:57E com o passar dos anos, doutor,
06:59a gente vai diminuindo o nosso reflexo,
07:02a nossa mobilidade.
07:03Isso acontece?
07:06Sim, a gente vai ficando um pouco mais lento nos nossos reflexos.
07:10Óbvio que isso é muito individual,
07:12tem idosos que vão envelhecer bem,
07:15outros piores.
07:16Mas a gente vai tendo mais artrose,
07:19então a nossa velocidade vai ficar mais lenta.
07:22A gente perde, às vezes,
07:24a capacidade do reflexo de botar o braço quando a gente cai.
07:27Então, às vezes, a gente cai de mau jeito
07:29e predispõe a fraturas.
07:31Tem a questão da osteoporose também.
07:34Então, as quedas são sempre perigosas para a população idosa
07:38por causa da fratura,
07:40fratura de feno, fratura de antebraço.
07:44Então, realmente, o idoso está vulnerável à queda.
07:49Então, realmente, o reflexo diminui com a idade, sim.
07:53Tá certo, doutor Rony.
07:55Obrigada pela sua participação aqui com a gente,
07:57explicando o que acontece no nosso cérebro,
08:00no nosso organismo, com o passar dos anos.
08:03Vai chegando aí a terceira idade,
08:04a gente precisa redobrar os cuidados,
08:07principalmente na rua.
08:08Um abraço para o senhor, um abençoado final de semana.
08:11Obrigada, viu?
08:12Fique bem, obrigada.
08:13Obrigada, doutor.
08:14Doutor, dessas características que o doutor Rony foi falando,
08:17você já percebeu com o passar dos anos?
08:20Estou te chamando, pelo amor de Deus,
08:21eu percebo que você é super ativa, hein?
08:23Mas eu também, assim, assim como a gente vai percebendo
08:26modificações no nosso organismo, no nosso corpo,
08:28que eu já percebo, em mim, estou quase chegando aos 40,
08:31você percebe?
08:33Claro que sim, eu já estou com 66, né?
08:36Maravilhosa, viu?
08:36Mas percebe sim, a gente sente que, por exemplo,
08:39eu gosto muito de descer escada,
08:40aí o joelho começa a doer, mas eu sou meio insistente, né?
08:43Desço escada, às vezes subo também,
08:45também por motivo de exercício.
08:47Claro que mesmo os ossos vão ficando mais frágeis,
08:50tem que cuidar, como ele falou, cuidar mesmo, né?
08:52A gente tem que ter mais cuidado,
08:56observar mais onde você anda, onde você pisa,
08:59porque qualquer queda, eu sou propensa a cair.
09:03Você tem um imã com queda, então?
09:05Com queda, é comigo.
09:05Cai muito na rua também?
09:07Na rua já caí, até quando, aqui mesmo,
09:10não fizeram reforma, quando fizeram reforma ali
09:12naquele armazém de vocês ali, não tem?
09:14Do moinho, a calçada nesse mês.
09:17Aí eu percebi, o sinal fechou,
09:19nisso que eu fui atravessar, tropecei e caí.
09:22Tá vendo?
09:22Mas só foi uma que eu só arranhei o joelho.
09:24Então, são coisas que a gente não contabiliza,
09:28vamos supor, essa queda na rua,
09:29você imagina correndo, né,
09:31para atravessar a rua no sinal,
09:33são coisas que a gente não contabiliza.
09:34Será que vai dar tempo, não vai dar tempo?
09:35Não contabilizou, pode cair, pode ser fatal, né, Dani?
09:38Ô, Roberta, e sabe o que é muito importante, assim,
09:40do que o médico falou?
09:42Essas alterações, né, sensoriais, enfim,
09:44que a gente vai perdendo,
09:45eu costumo fazer uma comparação, por exemplo,
09:46quando a gente ganha peso.
09:48Por vezes, a gente não percebe, né?
09:49Quando a gente percebe, a gente já fala,
09:50nossa, já engordei tanto assim,
09:52e a gente não se dá conta.
09:53Não é de um dia para o outro,
09:55mas, psicologicamente falando, é como se fosse.
09:58A gente não se dá conta,
09:59porque as alterações vão acontecendo aos poucos,
10:01e quando a gente vê e a pessoa idosa acontece isso.
10:04Essas alterações sensoriais,
10:05essas alterações que são naturais do ser humano,
10:08a gente não percebe.
10:09Quando percebe, ela já está bem alterada.
10:11Então, assim, aí por vezes a gente pensa,
10:13não, dá tempo de eu atravessar a rua?
10:14Sempre atravessei.
10:15Aí, quando você se dá conta, você fala,
10:17hum, não dá tempo mais, já não consigo.
10:19Então, a gente tem que ter atenção,
10:20porque acontece aos poucos,
10:22mas, psicologicamente falando,
10:24é como se fosse um estalo, assim,
10:25é como se fosse do nada.
10:26Ué, gente, mas ontem eu fazia?
10:28Então, tem que ter cuidado por conta disso na rua.
10:30E aí que está o perigo, né?
10:31Mas ontem eu fazia,
10:32e vai querer fazer de novo,
10:33e já não tem mais aquela mesma capacidade.
10:36E olha só, gente, em maio desse ano,
10:38uma idosa de 82 anos morreu
10:41depois de ser atropelada em uma faixa de pedestres.
10:43Isso aconteceu em Vila Velha.
10:45A dona Nélia Freitas chegou a ser socorrida,
10:48ficou internada na UTI,
10:50mas não resistiu aos ferimentos.
10:52Nesse caso, gente,
10:53o motociclista estava totalmente errado.
10:57E ele ainda fugiu do local depois do acidente,
11:00depois de atropelar a idosa.
11:01Segundo os moradores,
11:02o local do atropelamento,
11:04apesar de sinalizado,
11:06é muito perigoso, gente.
11:08Eu vou bater um papo agora pela internet,
11:10vou conversar com a Rose.
11:12A mãe dela foi atropelada,
11:14e ela vai contar pra gente como é que foi.
11:16Foi recente também, né, Rose?
11:17Obrigada pela sua participação.
11:19Boa tarde.
11:21Boa tarde, Renatinha.
11:23Boa tarde a todos que estão lá assistindo
11:25esse programa de grande audiência
11:27e muito prestativo.
11:30Maravilhosa.
11:31Obrigada pelo carinho com a gente.
11:33Conta o que aconteceu com a sua mãe.
11:36Então, Renatinha,
11:37a minha mãe,
11:38ela saiu no sábado
11:40pra ir na farmácia.
11:42Pela manhã,
11:43atravessou a Lindenberg,
11:45ele estava na calçada.
11:46Ela andando na calçada,
11:48veio um rapaz de bicicleta
11:50e atropelou de bicicleta.
11:54Fazendo isso,
11:55o que ele fez,
11:56ele não teve a capacidade
11:58de descer da bicicleta
11:59e ajudou a minha mãe
12:00a se levantar.
12:02Deixou a minha mãe lá
12:03caída no chão,
12:04teve que vir pessoas
12:06que estavam passando
12:07na calçada
12:08pra poder acudir
12:09a minha mãe.
12:11O que acontece?
12:13Ele atropelou,
12:14deixou ela lá jogada
12:15como se fosse um saco de lixo
12:17ou um bicho morto.
12:19Entendeu?
12:19E não é assim
12:21que acontecem as coisas,
12:22não é assim
12:22que se faz as coisas.
12:24A minha mãe
12:24é uma senhora idosa
12:26de 76 anos.
12:28Devido a essa queda,
12:30a esse atropelamento,
12:31ela quebrou o quadril
12:32em dois lugares.
12:35E a gente está com ela
12:36ainda internada
12:37no Antônio Bezerra de Faria,
12:39se encadeou
12:40um monte de problema.
12:41Aí foi fazer cirurgia nela,
12:43ela teve duas paradas cardíacas,
12:45tiveram que cancelar a cirurgia
12:47e dali se encadeou
12:49um monte de problema.
12:50Deu problema no coração,
12:51coisa que ela não tinha.
12:53Entendeu?
12:53A pressão dela
12:55está se assim,
12:56acumulando uma coisa
12:57atrás da outra.
12:59Porque a minha mãe
12:59nunca teve problema de saúde.
13:01O problema de saúde
13:01da minha mãe
13:02é, como todos nós,
13:04idosos,
13:05e até eu,
13:06que sou mais jovem do que ela,
13:08problema de pressão alta.
13:10Então, minha mãe
13:11está lutando contra a vida
13:13no Antônio Bezerra de Farias.
13:15Minha mãe está em coma.
13:19Misericórdia.
13:20A vida de vocês
13:21virou de cabeça para baixo
13:23desde então.
13:25A minha vida
13:26virou de cabeça para baixo.
13:28Porque a falta de amor
13:31ao próximo.
13:32Entendeu?
13:33Gente, calçada
13:35não é lugar
13:35de andar de bicicleta.
13:37Ali na Carlos Lindenberg,
13:39naquele trevo,
13:40aqui naquele cruzamento
13:41que dá para a rua
13:41da feira do Arimiri.
13:43Você passa ali,
13:44até eu passo.
13:45No caso,
13:46eles veem
13:47em alta velocidade
13:47como se eles estivessem
13:49num rally
13:49de bicicleta.
13:51Gente, calçada
13:52é lugar de pedestre,
13:53não é lugar
13:54de andar de bicicleta.
13:55Entendeu?
13:56Agora, minha mãe
13:57está lutando
13:58contra a morte,
14:00entendeu?
14:00em coma.
14:01É uma coisa
14:02atrás da outra.
14:03Agora,
14:03ele teve que fazer,
14:05colocar aquele tubinho
14:06aqui na garganta
14:07para poder respirar melhor.
14:09Entendeu?
14:10Agora,
14:11se encanteou uma coisa
14:12atrás da outra.
14:13Eu peço,
14:14pelo amor de Deus,
14:16que tenha mais compaixão
14:17pelo próximo,
14:18principalmente com idosos.
14:20Eu,
14:20às vezes,
14:21quando eu estou no ponto
14:22que eu vejo
14:22que alguém vai atravessar,
14:24principalmente o idoso,
14:25porque o pessoal
14:25quer andar desesperadamente
14:27pela rua,
14:28sem pensar no próximo,
14:29que eu tenho que parar
14:30os carros,
14:31entendeu?
14:32Na frente,
14:33na principal da rua,
14:36para poder atravessar
14:37o idoso.
14:39Entendeu?
14:40Isso é muito triste,
14:42porque leva-se a óbito,
14:44quando não morre,
14:45fica paralítico,
14:46em cima de uma cama,
14:47sem andar.
14:48Isso é muito triste.
14:50Eu estou sofrendo isso,
14:52minha família está sofrendo isso,
14:53porque minha mãe
14:54está lutando contra a morte,
14:56entendeu?
14:56Por causa de um erro absurdo
14:58de uma pessoa.
14:59Em cima de uma calçada,
15:00ela estava na calçada,
15:02e o cara atropelou ela
15:03de bicicleta
15:04e deixou ela lá caída
15:05como se fosse
15:06um pedaço de entulho.
15:07E a gente está falando
15:08de uma idosa,
15:10uma pessoa que já tem dificuldade,
15:12já vai perdendo
15:13a capacidade que a gente tem
15:15daqueles passos mais acelerados.
15:17Há somente uma vida ativa, Rose?
15:20Sim,
15:20ela sempre andou,
15:22ela sempre andou.
15:23Apesar que a pessoa,
15:24quando chega a certa idade,
15:25vai perder na visão,
15:27ela perdeu uma visão
15:28por causa do glaucoma,
15:30e a outra está também
15:31quase perdida.
15:32Mas não é por causa disso,
15:34eu acho que a pessoa
15:35não tem que andar de bicicleta
15:37em cima de uma calçada
15:38sabendo que tem pedestres ali.
15:40Andar de bicicleta,
15:41andar de alta velocidade,
15:42pelo que você está falando,
15:44não prestar socorro,
15:46é um absurdo.
15:47Rose,
15:48continua com a gente,
15:49eu já volto a falar com você
15:50que eu quero trazer aqui
15:51para a Dani,
15:51a psicóloga que está com a gente
15:53aqui no nosso estúdio,
15:53dá uma acalmada,
15:54toma uma água,
15:55respira, amiga.
15:56Dani,
15:57está faltando empatia,
16:00principalmente com os nossos idosos,
16:02gente,
16:03eu quando eu vejo o idoso
16:04na rua,
16:04dá vontade até de abraçar,
16:06de tão fofo que eu acho,
16:08por quê?
16:08Será que a sociedade
16:09não está preparada
16:11para esse envelhecimento,
16:12para a gente cuidar
16:13com mais amor,
16:14com mais carinho
16:15dos nossos idosos?
16:16Eu acho,
16:17e eu acho que o idoso de hoje
16:18é um idoso diferente,
16:19a gente não está acostumado
16:21a ver essa pessoa idosa
16:22na rua,
16:23antigamente a pessoa idosa
16:24tinha que ficar em casa,
16:25fazendo crochê,
16:26então ainda tem isso
16:27no imaginário,
16:28o que você está fazendo na rua
16:29se o lugar não é aqui?
16:30Quando na verdade
16:31a gente sabe que não é isso,
16:32o lugar da pessoa idosa
16:33é onde ela quiser,
16:34e aí a gente tem sim
16:35que se colocar
16:37no lugar dessa pessoa,
16:38porque se tudo der certo,
16:39eu brinco,
16:39que se tudo der certo
16:41a gente vai chegar lá,
16:42então hoje é ele,
16:44mas vai ser eu também,
16:45se tudo der certo
16:46eu vou chegar lá
16:47e aí eu vou precisar
16:48dessa ajuda.
16:48Papai sempre fala para mim,
16:49só fica velho quem vive,
16:51né?
16:52Então a gente tem esse privilégio,
16:54se tudo der certo
16:55é um privilégio.
16:56Olha só o comentário
16:57aqui da Línia,
16:58ela até pede,
16:59deveria voltar os guardas
17:00de trânsito nas ruas,
17:01porque antigamente
17:02quando tinha os guardas
17:04de trânsito,
17:04a polícia militar
17:05até ajudava as pessoas
17:06a atravessar as ruas,
17:08hoje, enfim,
17:09ela fala que a realidade
17:09não é mais assim.
17:11Você sente falta,
17:12por exemplo,
17:13você tem dificuldades,
17:14às vezes num sinal
17:15que está dando problema,
17:17que está ali piscando
17:18naquele dia
17:19e ninguém para,
17:20você fica ali um tempo,
17:22um tempo esperando
17:22para atravessar,
17:23sente falta dessa empatia,
17:25alguém ajudando?
17:25É muito difícil,
17:26o motorista não respeita
17:28o pedestre,
17:29não respeita,
17:30parece que eles nunca andaram,
17:31nunca estiveram fora
17:32de um carro,
17:33não respeitam de jeito nenhum,
17:35tanto como tem faixa,
17:36tem faixa que não tem sinal,
17:38ele é obrigado a parar,
17:39mas é muito difícil
17:40que para e não tem,
17:42não tem ninguém
17:42para socorrer,
17:43não tem não,
17:44às vezes quando acontece
17:45que problema de falta de energia,
17:47o sinal fica piscando,
17:48se não tiver o guarda,
17:49o motorista não está nem aí,
17:51fica a maior dificuldade
17:52para se atravessar.
17:53E ninguém para
17:54para pensar no tempo
17:55que você está ali aguardando.
17:56Não para,
17:56não tem interesse,
17:57parece que só vive com pressa,
17:59a pressa deles é mais
18:00do que a do outro.
18:01Agora,
18:02falta de empatia,
18:03falta de respeito,
18:04falta de amor,
18:05é falta de amor,
18:06hoje em dia o amor não,
18:07se colocar no lugar do próprio,
18:08se colocar no lugar do próprio,
18:09falta de empatia,
18:10não tem,
18:11não coloca no lugar do outro,
18:12não vai pensar,
18:13amanhã eu posso,
18:14eu tenho uma mãe em casa,
18:15eu tenho uma avó,
18:16quer dizer,
18:16não pensa no outro,
18:17não pensa de jeito nenhum,
18:18a minha mãe tem 95 anos,
18:19hoje em dia ela não sai mais,
18:21não anda,
18:22ela anda dentro de casa
18:22com muita dificuldade
18:23porque ela tem muito medo de cair.
18:25Esse é o medo dela?
18:26Esse é o medo dela,
18:27tem medo de cair,
18:28então ela anda com bastante dificuldade,
18:29bem devagarzinho,
18:30que ela tem medo de cair,
18:31porque tem as irmãs também,
18:32já caíram muito,
18:34outra caiu,
18:34então ela tem um medo,
18:36outra já está na cadeia de rodas,
18:37então ela tem muito medo,
18:3895 anos,
18:39ela não vai na rua mais,
18:40só fica dentro de casa,
18:42andando,
18:42viaja,
18:43a gente viaja,
18:45viajar a gente viaja.
18:45Mas é precaução,
18:46mas é precaução,
18:47mas está sempre de carro,
18:48quando sai,
18:49viajar de carro,
18:50porque não aguenta mais,
18:52tem muito medo de cair,
18:54porque é perigoso,
18:55como o doutor falou,
18:56é quebrar um fêmur e aí.
18:58Olha o que está acontecendo com a Rosa.
18:59O que acontece?
18:59É isso que acontece,
19:00às vezes você está muito bem,
19:01aí você acontece,
19:02qualquer coisa que acontece com o idoso,
19:04vai desencadear outras coisas,
19:05porque estão ali guardadinhas,
19:06vai aparecer tudo.
19:08Então,
19:08aí dali pode gerar um transtorno,
19:11e isso muda completamente a rotina da família,
19:14que é o caso da Rose.
19:16A gente sentiu o drama na fala dela,
19:18isso desestabiliza a família,
19:21olha o que a mãe dela está enfrentando no hospital,
19:24e a família que tem custo com isso,
19:27isso aumenta,
19:28é um custo inesperado,
19:29algo que não está ali no orçamento da família,
19:31o vai e volta no ônibus,
19:32tem que ir lá no hospital,
19:33lá na Serra,
19:34enfim,
19:35muda tudo,
19:35é melhor então a gente o quê?
19:37Prevenir.
19:38Mas como que a gente também faz esse alerta,
19:40Dani,
19:41aos nossos pais,
19:42aos nossos avós,
19:43de que a gente também precisa contribuir
19:46para um trânsito mais seguro?
19:47Mãe,
19:48não atravessa a rua com pressa.
19:50Eu estava ontem no trânsito,
19:51tive que chamar na buzina um senhorzinho arriscando a vida,
19:56eu, por favor,
19:57baixei o vidro,
19:58falei,
19:58não faz isso, senhor,
19:59e é por aí, né?
20:01E Roberta,
20:02vocês já devem ter reparado,
20:03assim,
20:03a pessoa quando vai atravessar,
20:05é impressionante,
20:05o motorista ele não para,
20:06ele só dá uma reduzida,
20:08como quem diz,
20:08passa rápido,
20:09que eu estou só reduzindo,
20:11e aí faz com que às vezes a pessoa corra e caia, né?
20:13Enfim,
20:14eu acho que o alerta,
20:15como a gente falou no início,
20:16tem que ser feito com muito amor,
20:18com muito carinho,
20:18mas a gente precisa fazer isso todos os dias na nossa casa,
20:21assim,
20:21a gente precisa conversar com as pessoas idosas,
20:23a gente precisa mostrar para elas,
20:25como eu já disse aqui,
20:26por vezes na cabeça dela ainda está a impressão de que ela vai conseguir,
20:29é atravessar naquele tempo que ela conseguia antes,
20:32então a gente precisa contar para ela,
20:34mostrar, explicar,
20:35mas a gente precisa falar sobre isso todos os dias,
20:37não adianta pensar assim,
20:38ah, mas eu já falei,
20:39sabe?
20:39A gente precisa falar,
20:40porque eles precisam ter a noção e a dimensão de que coisas como essa
20:43vêm acontecendo muito, né?
20:45Às vezes as pessoas não têm noção ainda da quantidade,
20:47da frequência que vem acontecendo esses acidentes.
20:49Vamos fazer um outro alerta também,
20:51eu estou observando aqui,
20:52a dona Neide está com o sapato rasteirinha,
20:54mas eu vejo muita mulher maravilhosa,
20:57idosa,
20:58mas naquele salto altão,
21:00com uma bolsa poderosa também,
21:03esses acessórios,
21:04podem também atrapalhar essa segurança,
21:07Dani?
21:08Podem,
21:08mas é difícil, né, Roberta?
21:10É o que a gente está falando.
21:11Deixar com a vaidade é mais complicado, né?
21:13Porque assim,
21:14a pessoa quer se sentir bonita,
21:16e cada um se sente bonito de uma forma,
21:18então assim,
21:18se a pessoa se sente bonita usando um salto,
21:20e aí a gente precisa falar para esse idoso,
21:22que não é para ele usar,
21:24a gente precisa explicar,
21:25mostrar,
21:25de repente procurar algo que a pessoa goste,
21:27também,
21:28mas assim,
21:29sandália de salto,
21:30bolsa pesada,
21:32supermercado,
21:32tem que tomar cuidado,
21:33a gente tem falado muito de atravessar a rua,
21:35mas tem inúmeras outras possibilidades,
21:37no dia a dia,
21:37que a gente precisa ter atenção, né?
21:39Cozinha,
21:40então,
21:41o jeito que vai acender um fogo,
21:42de repente,
21:43porque a mobilidade não é a mesma,
21:45e ela reduz drasticamente,
21:46dependendo da idade,
21:47e dependendo do que aquela pessoa tem também.
21:49Então,
21:50a gente precisa contar para essa pessoa,
21:51mostrar para ela,
21:52as dificuldades que ela pode vir a passar,
21:54mas tudo com muito amor,
21:56porque as pessoas idosas,
21:57por vezes,
21:58elas reclamam que,
21:59elas falam assim,
21:59ó,
22:00você não pode usar isso, tá?
22:01Por que não?
22:01Porque eu estou falando que não pode,
22:02e não é assim, né?
22:03E me obedece,
22:04não é por aí,
22:05muito amor,
22:06muito carinho com os mais velhos.
22:08Eles ensinaram,
22:09ensinam tanto para a gente, né?
22:11Vamos retribuir do jeito mais carinhoso possível.
22:14Dani,
22:15obrigada,
22:16uma abençoada sexta-feira para a gente,
22:18para você também,
22:18Dona Neide,
22:19obrigada.
22:20Volte para casa com segurança,
22:21com atenção,
22:22cuidado,
22:23e se precisar,
22:23liga para a gente,
22:24tá bom?
22:25Obrigada.