- há 3 semanas
Muitas vezes as ruas podem representar risco de acidentes
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NotíciasTranscrição
00:00Olha só, todo mundo acompanhou aí o drama vivido pelo delegado aposentado de 93 anos que se perdeu em uma
00:07área de mata fechada.
00:09E essa história, graças a Deus, gente, teve um final feliz.
00:13O senhor José Durval da Silva foi encontrado com vida em um local de difícil acesso, viu, caída em uma
00:19pedra com parte do corpo ali dentro de um córrego.
00:23E ele foi resgatado pelo helicóptero do Notaer e trazido para um hospital de Vitória, onde continua internado.
00:30O aposentado estava desaparecido desde a última segunda-feira, quando saiu de casa pela manhã, ele ia para o sítio
00:38da família, ali no interior, na área rural de Viana.
00:41O carro dele foi encontrado na terça e, a partir daí, as buscas foram concentradas na região onde o idoso
00:49foi encontrado.
00:50E a gente sabe, né, minha amiga? Né, meu amigo?
00:53Que os casos de idosos que se perdem, que saem de casa e, às vezes, não sabem voltar, que isso
01:00acontece com muita frequência.
01:03E a gente sabe, tem um ditado aí que diz que idoso é teimoso, ele insiste em sair sozinho, em
01:10ser totalmente independente.
01:12Por isso, a gente tem que conversar com os nossos pais, com os nossos avós, quando é a hora de
01:20ter essa conversa.
01:21Vem cá.
01:22Quem vai explicar para a gente é o geriatra, o doutor Rafael Costa.
01:26Muito obrigada pela sua participação, doutor.
01:28Seja bem-vindo.
01:29Obrigado.
01:29E a gente também recebe aqui Gisele Martins, que é psicóloga, agradeço muito a sua participação.
01:35E a Lenir, gente, Lenir Bonifácio, que ela tem a mamãe viva, graças a Deus.
01:41E você é super cuidadosa com a sua mãe.
01:45Cuidadosa e cuidadora ao mesmo tempo, né?
01:47Conta para a gente, a sua mãe se enquadra nessa frase que idoso é teimoso?
01:54Até os 65, sim.
01:57Mas a partir daí, quando ela começou a observar que ela estava saindo muito, ela gosta muito de ir para
02:03a igreja,
02:03e ela começou a passar mal no meio da rua, e ela ama viver, então ela percebeu que a partir
02:10dali ela não poderia mais teimar.
02:13O que ela fazia antes e que hoje vocês passaram a ter um pouco mais de preocupação, cuidado, e ela
02:20teve essa consciência?
02:21Dá um exemplo.
02:22Ela gostava muito de sair.
02:25Andar sozinha na rua?
02:26Isso, andar sozinha.
02:28Ela gostava de visitar os familiares, seja longe, seja perto, e fazer serviço.
02:36Muito serviço, ela não queria parar.
02:39Não.
02:40Não.
02:40Essas questões, não.
02:42Qual tipo de serviço?
02:42Era mais passear mesmo.
02:44Serviço é todo serviço de casa, lavar, cozinhar, todo serviço.
02:49Então, quando ela percebeu que ela amava viver, ela começou a ter a consciência que ela não poderia mais teimar.
03:02Então, ela vive e agradece a Deus todo dia.
03:07Vocês chegaram a ter uma conversa com ela, falar assim, mãe, olha, a partir de agora a gente precisa que
03:13a senhora concorde com a ajuda, que a senhora aceite ajuda.
03:16Sim.
03:16Aí nós sentamos com ela e falamos, não dá mais para a senhora morar sozinha e ela teimando, que há
03:22minhas coisas, minha casa.
03:25Eu falei, mãe, a senhora gosta de viver, então vamos fazer o seguinte, vamos, eu vou separar um andar da
03:32minha casa, né?
03:33E a senhora vai levar as coisas, vai morar lá na casa, eu vou morar em cima, a senhora embaixo.
03:38Então, ela concordou e a partir daí ela parou de teimar.
03:43Que bom, que bom, porque é difícil, doutor Rafael, é muito difícil a gente conseguir convencer os nossos pais e
03:51avós, né?
03:52A gente sabe que essas situações são mais comuns do que a gente imagina, né?
03:56É isso mesmo, né?
03:58É muito comum, né?
03:59O idoso, ele está ambientado durante 20, 30 anos a morar sozinho, né?
04:04Na própria casa.
04:05E ele tem uma, quando a gente vai envelhecendo, a gente tem algumas doenças, né?
04:10Principalmente os quadros de demência e os quadros de doenças mais complexas.
04:15A gente pode ter uma dificuldade de perceber a nossa perda de funcionalidade.
04:19Então, a gente pode ir perdendo essa função, ter uma dificuldade de subir escada, uma dificuldade de carregar peso.
04:25E a gente não consegue perceber, tem uma dificuldade para perceber essa perda de função e falar, né?
04:31Não estou conseguindo, estou precisando de ajuda.
04:33Então, de fato, a família precisa estar atenta à perda da função que o idoso vem promovendo ao longo dos
04:38anos para ajudá-lo nessas questões.
04:40E muito interessante essa fala, porque nem sempre o idoso consegue ter essa percepção dessa perda.
04:47E é aí que entra o papel da família, Gi.
04:50Mas a gente sabe que também, às vezes, entra por um ouvido e sai pelo outro, né?
04:54Por que é tão difícil, assim, convencê-los?
04:56É, o idoso, ele acaba sendo ali um pouquinho mais resistente, porque ele tem o seu cantinho, ele tem a
05:05sua rotina, ele tem os seus utensílios, sabe, Roberta?
05:09Então, às vezes, o pai, a mãe, o vovô, a vovó, ele tem ali o seu pratinho que ele gosta,
05:16ele tem o seu copo, ele tem a sua roupa, o fogão que ele sabe mexer.
05:21Então, quando você diz para o idoso que você, olha, você não vai mais fazer isso, você não vai mais
05:27mexer com isso, a partir de agora você vai vir morar comigo, isso é um choque para o idoso.
05:32Então, a família precisa conversar.
05:35Ah, mas eu já conversei com meu pai, já conversei com a minha avó e ela não aceita.
05:40Não tem jeito.
05:42Precisa conversar, precisa psicoeducar a necessidade de dizer, olha, pai, olha, mãe, sozinho não dá para você ficar.
05:51A gente precisa estar junto com você agora nessa nova fase da vida.
05:55Porque é muito perigoso, Roberta, as funções cognitivas do idoso, elas vão sendo prejudicadas, o doutor Rafael colocou aqui, né?
06:04Então, às vezes, as demências começam a chegar e a família nem percebe.
06:09Você quer ver uma coisa interessante?
06:11Às vezes, o idoso começa assim, oi, florzinha, oi, querida, oi, minha pretinha.
06:18Isso pode ser um indício de demência, porque ele já não está lembrando mais do nome.
06:26E aí ele fala, oi, meu amorzinho, oi, minha querida.
06:30Mas quem vai desconfiar que isso pode ser um sinal de demência?
06:35Pode ser porque, ah, o meu pai está sendo carinhoso comigo, a minha avó está sendo delicada comigo.
06:41Mas isso já pode ser ali um indício de que a função cognitiva da memória já está sendo prejudicada.
06:50Então, comece a perceber se o seu idoso já está esquecendo o nome.
06:55E aí ele começou a usar uma estratégia compensatória com esses apelidos queridos.
07:02Mas isso já é um sinal de que a memória já está começando a ficar prejudicada.
07:08Que nem o nome dos seus, daqueles que estão ali mais próximos, ele está conseguindo lembrar.
07:16Então, você imagina pegar um ônibus, imagina ir para um local distante, para um médico visitar um parente longe.
07:24Pode ser que ele não consiga voltar.
07:26E fora esses fatores, né, memória, né, doutor?
07:30A gente também sabe que tem os fatores físicos também, as chances de queda.
07:34Então, a Gisele trouxe para a gente o exemplo.
07:35Ele vai pegar um ônibus para ir ao médico, as chances de queda.
07:38Esse calorão que estava fazendo aqui, por exemplo, essa semana.
07:42Hoje tudo bem que mudou um pouco, mas a gente sabe que de agora em diante tende a ser maior.
07:46Então, passa mal na rua, tem uma queda de pressão.
07:49Quais são os outros sinais que a família precisa perceber para que a gente aumente essa rede de apoio que
07:56o idoso precisa?
07:57É. Então, a gente tem essas duas, esses dois campos que o idoso precisa para que a gente fale que
08:03ele consegue morar sozinho e ter uma vida totalmente independente.
08:07Ele tem a capacidade de autonomia, ou seja, ele consegue decidir o que ele quer fazer da vida, tomada de
08:12decisão.
08:13E a independência, ele consegue decidir e fazer aquilo que ele decide.
08:16Então, os quadros de demência, alterações de memória, eles vão ter essa perda dessa autonomia.
08:21O idoso não consegue decidir o que ele quer fazer, julgar, se coloca em situações de risco.
08:27E as outras doenças, por exemplo, a insuficiência cardíaca, sarcopenia, que é a perda da massa muscular,
08:33alguns quadros de pressão baixa, de hipoglicemia, de diabetes, eles podem trazer essa perda de independência.
08:40Então, é muito comum no envelhecimento, quando a gente não cuida desse idoso, ele vai perdendo massa muscular e ele
08:47aumenta o risco de cair.
08:48Então, um fator de risco muito grande na velhice é o idoso que caiu no último ano.
08:54E principalmente se ele caiu dentro de casa.
08:57A gente se preocupa mais quando o idoso cai na rua, quando ele sofre algum tipo de acidente na rua,
09:02mas a queda principal, a queda mais importante que a gente tem que tomar mais cuidado é a queda que
09:06cai dentro de casa
09:08e quando o idoso tem uma dificuldade maior ainda de conseguir levantar sozinho.
09:12Então, a queda que um paciente que cai dentro de casa, ele é um paciente que tem um risco maior
09:18de sofrer mais agravos de saúde.
09:20Então, a queda, a perda de função, aquele idoso que antes ele conseguia tomar os comprimidos direito, agora ele precisa
09:28de ajuda.
09:29A gente sempre tem aquela avó que fazia as receitas da família.
09:33Então, você consegue, começa a perceber que ela não tem mais aquela capacidade de fazer as receitas,
09:38começa a queimar o arroz, uma coisa que uma costureira, por exemplo, que fazia, bordava e fazia coisas maravilhosas,
09:45ela começa a ter uma dificuldade.
09:47Então, a perda dessa funcionalidade é uma coisa que tem que chamar a nossa atenção.
09:52E a perda de força muscular, quedas frequentes.
09:56O paciente que sente muita tontura também tem que investigar.
09:59A tontura não é só ir na farmácia e tomar um remédio para labirintite.
10:03A tontura na velhice tem várias causas e a gente precisa investigar.
10:07Né, dona Lili? Minha avó Lili está assistindo a gente, hein, vó?
10:10Beijo, hein?
10:11Olha só o comentário aqui.
10:14Lourdes Andrezem fala, minha mãe tem demência, eu e meu marido viemos morar com ela na casa dela, tá vendo?
10:20Aí acaba que a família muda toda a rotina pensando justamente no melhor da pessoa que a gente ama.
10:28Tem um comentário aqui da Viviane Vicentes, ela diz, minha avó tem 100 anos, não aceita morar com ninguém.
10:37Olha isso.
10:37Maricê da Borges diz, eu sou um pouco teimosa, tá?
10:40Mas ao mesmo tempo, tenho muito cuidado o tempo todo.
10:45Graças a Deus, pelos meus 70 anos, eu estou muito bem.
10:47Só faço aquilo que eu tenho condições realmente de fazer.
10:51Mas, ó, é muito interessante, tem alguma idade, a partir de alguma idade, além dessas percepções, doutor,
10:59que a gente também, por exemplo, a Lenir diz, a partir dos 65 anos ela chamou a mãe para conversar.
11:06Tem alguma idade que a gente precisa ter essa atenção ainda mais especial?
11:11Então, aqui no Brasil a gente define um envelhecimento, os pacientes idosos acima dos 60 anos, né?
11:19Mas não necessariamente a gente não leva muito em conta a idade na geriatria, né?
11:24Porque você tem pacientes com 80 anos que estão correndo uma maratona e tem pacientes com 80 anos que já
11:30estão acamados.
11:31Então é muito mais a funcionalidade, então mais o que esse paciente consegue fazer sozinho do que propriamente a idade,
11:39né?
11:39É claro que essas doenças, essas perdas de função, elas vão aparecer após os 60, 65 anos, mas é principalmente
11:47a perda de função, né?
11:49Você perceber que meu pai fazia determinada coisa e ele parou de fazer determinada coisa.
11:55Ele está com dificuldade de fazer as coisas sozinho, é isso que tem que acender o alerta.
11:59Lenir, o que especificamente aconteceu com a sua mãe que fez com que vocês sentassem para ter essa conversa com
12:06ela?
12:06Ela saía para passear e ela começou a sentir fraqueza, caía assim na rua, aí já aos 70 ela já
12:15não conseguia mais andar, não estava conseguindo.
12:19Então aí quando começou a levar ela para o médico, ela estava com diabetes, parada cardíaca, ela estava dando, infartando.
12:27E apareceu um monte de problemas, glaucoma, que ocasionou ela ficar cega das duas vistas, depois de 15 dias ela
12:39voltou a enxergar de uma.
12:40E assim, então eu procurei, falei com meus irmãos, com as minhas tias, que não dava mais para ela ficar
12:47num local onde tem doce, refrigerante, alimentos, que não dava mais para ela comer.
12:52Porque tudo isso também influencia.
12:56Agora, olha que interessante, você disse que, ah, vão levar a mamãe ao médico, né, levaram, fizeram vários exames.
13:01Até isso, até isso, Gi, é uma dificuldade para muitas pessoas, a gente marca médico e ele não vai.
13:09E aí quando vê, às vezes saiu, está na rua passeando, né, até isso precisa de um convencimento também.
13:17Precisa, precisa convencer.
13:18Ela concordou, viu?
13:19Leny vive isso, né, todos os dias.
13:22É necessário conversar com esse idoso.
13:25Não trate o idoso como se ele não raciocinasse mais, como se ele não tivesse a sua dignidade também preservada.
13:35O idoso também tem os seus gostos, as suas vontades.
13:39Dentro de uma funcionalidade, é necessário respeitar isso.
13:44Não é simplesmente dizer, pai, mãe, daqui a pouco tem médico.
13:49O idoso não funciona assim.
13:52Fala com uma certa, um certo prazo.
13:55Olha, amanhã, depois da manhã, eu marquei médico para você, vai ser importante, eu estou vendo que você não está
14:02se sentindo bem.
14:04Converse com esse idoso, preserve a dignidade dele, porque ele não é um boneco.
14:09Ele não é um monte de carne humana sobre os ossos.
14:13Ele pensa, ele tem ainda os sentidos funcionando.
14:17E o idoso, Robertinha, ele sente isso.
14:20Eu tenho pacientes que são idosos e alguns deles relatam para mim, dizem, Gisele, a minha família não me respeita.
14:28A minha família não me ouve.
14:31Aí, às vezes, alguns expressam assim, eu não estou maluco.
14:34Eu sei o que eu quero.
14:36Mas qual pode ser, então, a saída?
14:39Como conciliar?
14:40Olha só os comentários que eu tenho recebido muito aqui no Facebook.
14:43A Elane diz, Elane Moreira, eu vivo chamando minha mãe para morar comigo,
14:47mas ela tem uma vida muito ativa.
14:49Todos os dias antes de vir para o trabalho, eu passo na casa dela para saber se está tudo bem.
14:53Ou seja, a mãe não aceita morar com a filha.
14:56Tem mais comentários nesse sentido.
14:58Josefa, Josefa Ferreira, minha mãe tem 98 anos, é muito temosa.
15:03Quer fazer comida, café, colocar roupa para lavar.
15:06Como que a gente concilia?
15:07Estou te respeitando, estou te dando autonomia, mas...
15:11Tem que ter uma supervisão.
15:13O doutor Rafael está colocando aqui a questão da autonomia.
15:16É muito importante a família preservar e observar
15:20até que ponto esse idoso tem se demonstrado ali ir autônomo.
15:27Então, tirar todas as funções do idoso,
15:30se ele ainda consegue ter uma certa funcionalidade,
15:33é muito ruim e pode ser preditivo de depressão.
15:37Então, a nossa telespectadora falou,
15:39minha mãe quer colocar roupa para lavar, quer fazer um café.
15:42Se você pode, fica perto ali da sua mãe e da sua avó.
15:46Mãe, você vai fazer o café?
15:48Então, faz um cafezinho para nós, mas fica ali do lado.
15:51Se ela mora sozinha?
15:53Então.
15:54Porque ela não aceita vir para a casa da filha.
15:56Então, o idoso que quer morar sozinho,
15:59Roberto, esse é um tema às vezes polêmico.
16:01A família, por uma questão de operacional,
16:05ela quer que o idoso venha morar na sua casa.
16:08Mas o ideal, do ponto de vista até psicológico,
16:12e para preservar esse intelecto,
16:14seria ideal, não estou dizendo que é o que acontece,
16:19mas seria ideal se os filhos, os parentes,
16:23pudessem se revezar em estar na casa desse idoso.
16:27Porque, como eu disse anteriormente,
16:29é a casa dele, é o cantinho dele.
16:32Então, o idoso costuma ter um certo apego, sabe, Roberta?
16:36É a geladeira dele, é o fogão dele.
16:39Se ele vai para a casa do filho,
16:41ele já entende assim, aqui não é a minha casa.
16:44Ele se sente acuado.
16:47Ai, será que eu posso abrir a geladeira?
16:48Por mais que o filho diga,
16:50papai, mamãe, aqui você está em casa.
16:53Mas não é assim que o idoso pensa.
16:57Você usou uma palavra importante, um revezamento.
16:59Leninha, acontece esse revezamento na sua casa?
17:01Não.
17:03Quantos filhos?
17:04Agora nós estamos em oito.
17:06Em oito.
17:06Eu perdi uma irmã há pouco tempo.
17:08E acaba sobrando mais para quem?
17:11É tudo para mim, né?
17:12E a gente sabe que essa é uma realidade também,
17:15essa sobrecarga, às vezes, especificamente,
17:18para um dos filhos, né?
17:20É uma realidade.
17:21E aqui a gente precisa dizer, famílias,
17:24conversem.
17:25Não é saudável que fique só para um irmão cuidar,
17:31para um filho cuidar.
17:32Ah, mas eu trabalho, eu também, eu também, eu também.
17:37Precisa conversar.
17:38Precisamos montar uma escala,
17:41precisamos ver até que ponto.
17:42Quem pode um pouco mais, faz um pouco mais.
17:45Quem pode um pouco menos, faz um pouco menos.
17:48Mas é importante que todos possam revezar.
17:52Afinal de contas, aquele idoso cuidou de muita gente, né, Roberta?
17:55Com certeza.
17:56A gente está aqui lembrando, às vezes, é o seu pai, a sua mãe.
18:00Quantas vezes o seu pai trocou a sua fralda,
18:03cuidou de você doente,
18:05esperou você na madrugada chegar da festa.
18:08Então, agora, nada mais justo
18:10que você cuide do seu pai,
18:12cuide da sua mãe,
18:13não como uma obrigação,
18:15mas com carinho, com amor,
18:18como uma forma de retribuição,
18:20todo o cuidado que ele ou ela tiveram com você
18:24enquanto você esteve sob os cuidados dele.
18:27Perfeito.
18:28Agora, eles precisam também aceitar esses cuidados.
18:32Olha só, Creuza Alves fala,
18:34boa tarde, Roberta, eu cuido de uma senhora
18:36que ela tem Alzheimer
18:37e tem que ficar de olho nela o tempo inteiro.
18:40Senão, ela não pode ver um portão aberto
18:42porque ela quer sair
18:43ou então subir na cadeira.
18:45Isso porque ela tem 90 anos, hein?
18:47Teve um comentário também muito interessante aqui
18:50que eu vi de uma idosa,
18:53vou tentar achar aqui,
18:54que está vendendo as coisas da casa dela.
18:58Doutor, isso também é comum?
18:59É, principalmente nos quadros de demência,
19:02a gente pode ter essas alterações comportamentais, né?
19:05É muito interessante também a gente perceber
19:07não só essa perda de função,
19:09mas alterações de comportamento também.
19:11Aquela paciente que era mais religiosa,
19:14ela mais quieta, do nada, né?
19:16De repente, ela começa a xingar,
19:18a tirar roupa no meio da rua
19:19ou a vender as coisas que tem, né?
19:22Aquele paciente que sempre era muito regrado
19:24nas finanças e começa a vender as coisas,
19:27tomar empréstimos desnecessários,
19:29fazer grandes compras.
19:30Isso também pode ser um indício de demência,
19:33alteração de comportamento aguda, né?
19:35Perfeito.
19:36Agora, teve um outro comentário aqui
19:37do Gilberto Marcelino.
19:38Ele diz,
19:39A minha tia de Bela Aurora tem 82 anos,
19:43faz de tudo, é ativa.
19:45É por isso que a gente também não pode
19:47colocar uma idade específica, né?
19:49Porque isso vai dar autonomia de cada um, doutor.
19:51Exatamente, né?
19:52O que a gente estava falando não é uma idade específica,
19:55mas é o que acontece.
19:57Como a Alenita falou,
19:58é muito legal na geriatria o evento sentinela, né?
20:02A ponta do iceberg.
20:03No caso, foi a queda,
20:05foi que sua mãe caiu na rua, né?
20:09E dessa queda foi descoberta diabetes,
20:11hipertensão, insuficiência cardíaca, glaucoma.
20:14Então, a queda é um fenômeno sentinela, né?
20:17Que geralmente os idosos, eles apresentam um sintoma
20:20e desse sintoma, ele aparece uma diversidade
20:23de doenças que a gente precisa tratar.
20:26Tácia Martins, olha que depoimento mais lindo.
20:29Ela diz,
20:29meu pai tem 63 anos, vai ao médico regularmente,
20:34ele próprio fala que se ele não se cuidar,
20:37quem vai cuidar dele, né?
20:38E ainda anda de bicicleta e ainda é namorador, tá?
20:43Tácia, por favor, manda pra gente seu contato,
20:46eu quero um dia receber seu pai aqui no estúdio, né?
20:48É isso que a família tem que perceber
20:50e dando essa liberdade, né?
20:52Se precisa de ajuda, de cuidado, tem que estar perto.
20:55Mas se ele também transmite essa certa autonomia,
20:57não tem problema nenhum, Gi?
20:59Não, muito pelo contrário.
21:01Se o idoso demonstra essa autonomia,
21:03essa longevidade ali ativa,
21:06deixa ele agir.
21:07Porque também tem famílias, né, Roberta,
21:09que às vezes querem cercar ali o idoso.
21:11Não, não sai.
21:12Não, não vai na padaria.
21:13Não vai ao médico.
21:14Eu vou com você.
21:15Mas se ele está conseguindo
21:17e ele demonstra ali as funções cognitivas preservadas,
21:21o raciocínio, ele está lúcido, está orientado,
21:25como o doutor Rafael colocou, ele não caiu,
21:28ele ainda não demonstrou ali perda da mobilidade.
21:32Deixa esse idoso fazer as coisas que ele gosta,
21:35ir na pracinha, jogar o xadrez que ele gosta,
21:38jogar o dominó que ele gosta,
21:40ir ao médico, às vezes comprar o pão numa padaria mais distante,
21:45visitar um familiar mais distante.
21:47Porque, Roberta, o idoso,
21:50quando ele é tolido dessas coisas,
21:52como eu disse antes,
21:53é preditivo para depressão.
21:55Ah, eu não posso fazer mais nada.
21:57Imagina o idoso que antes fazia todas essas coisas
21:59e, de repente, a família diz,
22:01não, agora você vai morar comigo,
22:03agora você não vai sair,
22:05eu vou te levar, eu te levo de carro,
22:06eu te levo de Uber.
22:07Ele se sente muito mal com isso.
22:10Então, uma supervisão ali,
22:12um vigia, um pouquinho mais à distância,
22:15só para ver se está tudo certo,
22:17é muito bem-vindo.
22:19Mas se o idoso demonstra essa funcionalidade preservada,
22:22deixa ele viver, deixa ele fazer.
22:24Mas tem idoso também que quando você vê, ele já fez.
22:27Tem.
22:27Ele nem avisa o que vai fazer,
22:29ele nem avisa,
22:30ah, eu vou ali comprar pão.
22:31Quando você vê, cadê papai, cadê mamãe?
22:33Já está na rua comprando pão, cadê?
22:35E aí fica aquela preocupação, né?
22:37Fica, sempre fica uma preocupação.
22:38Eu estava até comentando com você antes, né?
22:40Eu tinha um tio, ele faleceu,
22:43ele morava em Santana, Cariacica,
22:45e ele ia comprar tempero na Vila Rubim.
22:48E ele era surdo.
22:50Assim, quando a família via,
22:51ele já tinha ido e já tinha voltado.
22:54E aí, às vezes, as pessoas olham e falam,
22:56mas não tem ninguém para olhar esse idoso?
22:59Ninguém sabe que esse idoso saiu?
23:01Cadê a família?
23:02Não é tão simples assim.
23:04Às vezes, o idoso sai,
23:06quando a gente pensa que não, ele já até voltou.
23:08Então, é uma supervisão ali vigiada
23:12para observar até que ponto ele não tem problema de memória,
23:16ele vai saber ir, ele vai saber voltar,
23:18ele lembra o número do ônibus,
23:21ele sabe direitinho ler ali o letreiro do ônibus
23:24para saber voltar.
23:26Isso é uma questão que a família vai observando
23:28e vendo se isso está sendo preservado no dia a dia.
23:33Então, é importante estar ali de olho naquele idoso.
23:38A Angélica mandou um recado para a gente,
23:39disse que a mãe dela tem 97 anos,
23:41é super teimosa,
23:42inclusive está acompanhando o Fala Espírito Santo.
23:45Esse programa é para a senhora também, viu?
23:47Agora, Aleni, de que forma, né?
23:50Como que isso mudou a sua relação com a sua mãe
23:53quando a partir do momento que ela aceitou essa ajuda?
23:56Isso facilitou a relação de vocês duas?
24:01Facilitou, porque obedecendo, né?
24:04Ela está adquirindo mais saúde para ela.
24:07Então, eu ajudo ela, ela me ajuda
24:10e às vezes ela mesmo me lembra
24:12que tem que ir no médico,
24:13que tem que tomar medicação.
24:15Se eu durmo um pouquinho a mais, eu perco a hora.
24:17Eu chego lá perto, ela já colocou os remédios,
24:20já tomou, ela consegue tomar tudo sozinha
24:22e eu observo ela muito.
24:24Em tudo, tudo, tudo. Eu observo.
24:26Isso vale para a gente também,
24:27que se Deus quiser, um dia a gente vai chegar lá,
24:31que às vezes a gente pensa assim,
24:32a gente está mentalizando o quê?
24:34O pai, a mãe, o avô e o avó na entrevista,
24:37mas a gente também já precisa se preparar
24:41para, se Deus quiser, para a nossa avenida também, né, Gi?
24:43Sim, nós esperamos chegar lá.
24:46Isso aí.
24:46E que nós não sejamos assim, tão teimosos, né?
24:49Você aí que está nos assistindo,
24:51que já passou, como o Dr. Rafael colocou,
24:53dos 60 anos, se deixe ser cuidado,
24:57é tão bom receber carinho,
24:59é tão bom receber atenção,
25:01deixa a família cuidar de você.
25:02Perfeito.
25:03Dr. Rafael, muitíssimo obrigada pela sua participação,
25:05volte sempre.
25:06Gisele Martins, sempre maravilhosa,
25:08inclusive te elogiar aqui no Facebook.
25:09Boa noite.