- há 2 dias
Pai fala sobre os 20 anos da morte do filho.
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NotíciasTranscrição
00:00A morte do juiz Alexandre Martins completa nesta sexta-feira 20 anos.
00:05A morte do juiz causou comoção em todo o país.
00:09Alexandre Martins foi assassinado com três tiros ao chegar em uma academia em Vila Velha.
00:14O juiz fazia parte de uma missão especial federal que investigava a participação de autoridades
00:20na atuação do crime organizado em presídios do Espírito Santo.
00:25Dez pessoas foram acusadas pelo crime.
00:28O juiz aposentado compulsoriamente, Antônio Leopoldo Ferreira, apontado como um dos mandantes,
00:35ainda espera pelo julgamento.
00:36Já o coronel Ferreira, também apontado como mandante, foi condenado a 23 anos de prisão,
00:43mas teve a pena reduzida para 16 anos e está preso desde 2017.
00:49E olha só, gente, o pai do juiz Alexandre Martins fez da morte dele, fez da morte do filho,
00:55uma grande bandeira contra a impunidade.
00:58Mas até hoje, esse pai espera pela punição de todos os envolvidos.
01:03E a gente recebe ele aqui no nosso estúdio.
01:06Muito obrigada pela participação do senhor aqui com a gente.
01:09Fico imensamente grata pela sua presença.
01:11Boa tarde, seja bem-vindo.
01:13Boa tarde a seus telespectadores.
01:15E a gente também recebe aqui, só estendeu boa tarde,
01:18ao advogado criminalista Carlos Bermudes, que vai explicar para a gente já, já, né?
01:24Por que tanta amorosidade?
01:2620 anos.
01:28A gente primeiro quer saber como é que fica o sentimento do senhor.
01:32Qual é a sensação que o senhor tem ao olhar para trás e ver que se passaram 20 anos
01:39e até hoje o principal suspeito como mandante do crime está solto?
01:4520 anos é uma eternidade, né?
01:48Se nós tirarmos 20 anos da nossa idade, eu volto a ser adolescente e vou ser recém-nascida.
01:55De forma que esse trabalho que a imprensa faz, de relembrar o fato,
02:01de fazer com que as pessoas continuem falando sobre isso,
02:07permite que aqueles que eram pequenos hoje saibam.
02:12E qual é o meu sentimento nisso tudo?
02:18Saudade, um pouco de tristeza, mas, acima de tudo, um orgulho muito grande
02:23por saber que o meu filho, embora prematuramente assassinado,
02:29deixou um legado muito importante para esse Estado.
02:33Mudou a página, virou a história do Estado.
02:37Antes, nós tínhamos o crime organizado totalmente articulado no poder legislativo.
02:44O presidente da Assembleia foi preso.
02:46No poder judiciário, os embargadores foram presos.
02:49No executivo, o governador foi afastado.
02:52Enfim, era um crime muito articulado, uma trama muito grande e o Alexandre enfrentou de frente.
03:00O senhor tocou numa palavra que a gente até conversou aqui anteriormente nos bastidores.
03:05Eu me coloquei no lugar do senhor e falei assim, imagina o sentimento de orgulho
03:09de ter um filho que cresceu, que foi educado, sabendo o que é certo, o que é errado,
03:16e estava ali, prestando um grande serviço para toda a sociedade de combater a corrupção.
03:22Então, a gente se coloca no seu lugar.
03:24Imagina o orgulho que o senhor tem de ter um filho e que estava ali, pronto para combater a corrupção.
03:34Na verdade, o orgulho que eu tenho por ele é até maior do que a tristeza que eu tenho por
03:42não tê-lo mais comigo.
03:44E como é que fica equilibrar o sentimento de impunidade ao mesmo tempo com tanto orgulho que o senhor tem?
03:53Essa sensação de impunidade, ela se dá não é só porque um dos acusados não foi julgado.
04:03Isso aí é um exemplo clássico de impunidade.
04:07Mas, principalmente, pela pequena quantidade de cumprimento de pena dos outros.
04:15E isso decorre, não é do Código Penal, do Código Penal, decorre da Lei de Execução Penal.
04:21Por quê?
04:23Com um sexto do cumprimento da pena, a pessoa muda de regime.
04:28Então, se a pessoa for condenada a 30 anos, depois de 6 anos, teoricamente, ela pode passar por um regime
04:36semiaberto.
04:37Além disso, antes desse tempo todo, tem aquelas medidas para ressocialização.
04:46Visita íntima, saída temporária em Natal e Ano Novo para passar com a família.
04:53É claro que a família da vítima não tem a vítima para ficar com ela, mas o criminoso sai.
04:59Então, o sistema de cumprimento de pena é muito paternalista.
05:06Primeiro, então, vamos tocar a respeito, doutor Carlos Bermúdez, dessa morosidade que o principal suspeito ainda não foi julgado.
05:16E depois a gente também quer entender o que explica, como que explica essa redução de pena de alguns casos
05:21que a gente até tem como exemplo.
05:24Mas, especificamente, o principal mandante, o principal suspeito.
05:28O que explica isso, essa morosidade de 20 anos?
05:31Boa tarde, Roberta. Boa tarde a quem nos assiste.
05:34Para o pessoal de casa entender a razão pela qual há uma demora exacerbada em processos dessa natureza,
05:39antes de qualquer coisa, a gente tem que entender que esse processo específico, eles tinham 10 réus.
05:44Então, por si só, a quantidade de réus já é um fator complicador.
05:49Somado a isso, nós temos isso de conhecimento notório.
05:53O doutor Alexandre está aqui do meu lado, que não me deixa mentir.
05:55Isso não é de hoje, já de há muito tempo.
05:57O Poder Judiciário, ele é moroso.
05:58Ele funciona mal e funciona tardiamente.
06:03Então, a gente tem esse problema.
06:04Então, temos esses dois fatores de complexidade nesse caso.
06:08Um processo extremamente complexo, que envolvia diversas pessoas, uma investigação absurdamente complexa.
06:14Além disso, a legislação prevê vários recursos.
06:17E o problema não são os recursos em si, mas a forma como o Judiciário dá prosseguimento a esse processo,
06:23a demora no julgamento.
06:24Porque recurso é um direito de qualquer pessoa que responda ao processo, é um direito meu, seu, de qualquer pessoa.
06:28O problema é a demora que o Poder Judiciário tem para apreciar.
06:32Então, a discussão é muito mais ampla do ponto de vista legislativo.
06:35Então, os recursos foram interpostos e esses indivíduos foram pronunciados, enfim, as defesas recorreram.
06:44Foram, então, a júri popular, houve condenações de alguns, outros foram absolvidos.
06:50E a grande crítica que se faz é, por que, então, que apesar de condenado a uma pena alta,
06:57depois de quatro anos recluso, voltou à liberdade?
06:59A gente tem que lembrar também que os indivíduos, aqui no Brasil, a legislação determina que quem ficou preso preventivamente,
07:05como foi o caso de alguns desses investigados e acusados por esse crime, ficaram presos antes da sentença coordenatória.
07:11Então, quando eles são coordenados, esse tempo que eles ficaram presos preventivamente, ele é detraído,
07:16ele é, então, diminuído da pena final.
07:18E aí, então, faz ali um cálculo de detração e a progressão se dá em cima da pena que resta.
07:25Por isso, então, muitos deles progrediram de regime, enfim, e essa é a situação da nossa legislação brasileira.
07:30O fato de um dos réus ser um juiz, você acha que isso também contribui para essa amorosidade?
07:39Sim, sem dúvida, porque ele, sendo juiz e juiz criminal, ele conhece os meandros da lei.
07:45Como o doutor Bermúdez falou aqui, o recurso é o direito de qualquer um.
07:51Eu sou advogado também e sei interpor o recurso.
07:55O problema é que um recurso que poderia ser julgado em um mês leva um ano.
08:00E o que é mais grave ainda, esse acusado, ele já interpôs mais de 20 recursos, por mínimas coisas.
08:13Eu acho que o tribunal, hoje em dia, a tecnologia permite isso.
08:17O computador pode acusar.
08:20Depois de um certo número de recursos, o mesmo réu do mesmo processo,
08:24era para ser julgado em 24 horas.
08:26Chegou e falou, ó, esse aqui é o zero e o zero em recursos.
08:30Vamos ver o recurso dele aqui, analisar logo e analisar na hora.
08:33Mas cada recurso que ele faz, ele ganha no mínimo seis meses.
08:39Então, se você somar 20 processos de recursos,
08:44e se levar em média seis meses, ele já ganhou 12 anos aí.
08:48Só estratégias, né?
08:49Só de estratégias.
08:50E como é que fica o sentimento de pai nessas horas, a cada vez que o juiz aceita esse recurso?
08:57Eu fico indignado.
08:59Indignado porque, afinal de contas, eu estudei direito, eu ensinei direito.
09:07Eu ensinei, mas um direito ético.
09:10Um direito que proteja a sociedade.
09:13E não um direito que proteja especificamente um acusado.
09:21Doutor Carlos Bermudes, eu queria que o senhor explicasse para a gente, né?
09:24Como que se configura, o que caracteriza um crime que é cometido por uma organização criminosa?
09:33Como que ele se configura?
09:35Desde 2013, nós temos uma lei específica sobre isso no Brasil.
09:38É a Lei 12.850, né?
09:40Ela caracteriza e tipifica o crime de organização criminosa.
09:43E esse crime, ele se constitui quando eu tenho quatro ou mais sujeitos
09:46que, de forma organizada e com divisão de tarefas, mantendo, então, uma permanência e continuidade,
09:53se reúnem para a prática de crime ou para proveito de crime.
09:56Esse crime, a pena tem que ser superior a quatro anos
09:59ou crime que tenha um aspecto de transnacionalidade,
10:03ou seja, crimes que envolva organizações criminosas de mais de um país, por exemplo.
10:07A pena para o crime de organização criminosa, ela é de três a oito anos.
10:12Somado, obviamente, aos crimes que, eventualmente, possam cometer.
10:15Então, um exemplo pessoal de casa é entender.
10:18Vamos supor que uma organização criminosa organize e planeje um assalto a banco.
10:23Então, além do crime de organização criminosa, eles responderão também por esse crime de furto ou roubo,
10:32a depender das circunstâncias, né?
10:33Então, vai ser um somado à pena.
10:36Então, temos o crime de associação, além dele, temos o crime que, eventualmente,
10:40essa organização criminosa possa vir a cometer.
10:44E olha só, gente, há anos o crime organizado mata, ameaça e intimida autoridades.
10:51O caso mais recente é o do senador Sérgio Moro, nesta semana.
10:55A Polícia Federal descobriu um plano do Primeiro Comando Vermelho,
10:58mais conhecido como PCC, para matar Moro e um promotor de justiça.
11:03Os criminosos monitoravam Moro desde antes das eleições e tinham acesso a dados sigilosos.
11:11Vamos conferir.
11:12O documento sigiloso da investigação do Ministério Público mostra que a facção criminosa PCC
11:18já havia conseguido detalhes da vida pessoal do senador Sérgio Moro, do União Brasil, e da família dele.
11:25Segundo os promotores, os criminosos começaram a monitorar a vida do ex-juiz no dia 27 de janeiro.
11:31E acompanhavam de perto a rotina de todos.
11:34A investigação descobriu anotações em um caderno.
11:38Em uma das folhas estava o endereço de Moro,
11:41registros de bens do senador, como dois apartamentos em Curitiba e um carro.
11:46Também havia o registro do veículo da esposa do ex-juiz.
11:50A facção ainda tinha o e-mail da filha dele e o telefone da empresa de Júlia Moro.
11:55O plano do PCC foi desarticulado pela Polícia Federal na quarta-feira.
12:00Polícia Federal! Polícia Federal!
12:03A ação foi realizada em quatro estados e no Distrito Federal.
12:07Os agentes prenderam nove pessoas.
12:09Entre elas, Jané Ferson Aparecido Mariano, o Nefo, um dos líderes do PCC.
12:14Para chegar até um dos esconderijos da facção criminosa, em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba,
12:20os policiais tiveram que quebrar uma parede.
12:23Um ex-integrante do PCC foi quem entregou o plano da facção criminosa para o Ministério Público.
12:29A testemunha estaria jurada de morte e procurou os promotores para pedir proteção em troca de informações.
12:36O delator passou quatro números de telefone e e-mails de pessoas próximas a Jané Ferson.
12:41A partir daí, os procuradores deram início à investigação.
12:45As provas obtidas pelo Ministério Público revelam planilhas de contabilidade da facção.
12:50Só com o monitoramento e sequestro de Moro e dos familiares dele, a quadrilha estimava um gasto de quase 210
12:57mil reais.
12:59A investigação mostra que o plano para atacar Moro seria uma vingança.
13:03Ele foi o responsável pelo pedido de transferência dos chefes do PCC de penitenciárias do interior de São Paulo
13:10para presídios federais de segurança máxima em 2019.
13:13Os investigadores descobriram ainda códigos usados pelos criminosos para se comunicarem.
13:20A polícia conseguiu identificar os investigados e pedir a prisão deles por causa de um print de uma conversa entre
13:26Jané Ferson e a suposta amante, Aline Ferri.
13:30Os promotores encontraram imagens que revelam que os criminosos tinham acesso a informações sigilosas
13:35que permitiriam a facção identificar viaturas descaracterizadas da polícia e dados de integrantes do PCC.
13:43O advogado de Jané Ferson e Aline, Jason Ramos Jr., disse que só teve acesso a parte das investigações,
13:50mas repudia as acusações contra os clientes dele.
13:57Só fazendo uma correção, gente, que a gente disse agora há pouco,
14:00que a Polícia Federal descobriu um plano do PCC, Primeiro Comando da Capital,
14:06que estava armando ali contra Moro e também um promotor.
14:09E aí a gente se pergunta, né?
14:11Até mesmo o Sérgio Moro, essa semana, deu um discurso, citou o nome do Alexandre Martins
14:17e perguntou até quando a gente vai ver casos assim acontecendo.
14:23Mais de 50% dos juízes já receberam ameaças de morte.
14:28As nossas autoridades vêm sofrendo isso.
14:31Algo que aconteceu há 20 anos com o filho do doutor Alexandre Martins
14:35e algo que a gente relata até hoje.
14:38O que o Estado precisa fazer?
14:41Quais são as armas do Estado para combater esse tipo de crime, Carlos Bermúdez?
14:45O crime organizado, diferente dos crimes comuns, vamos dizer assim,
14:51ele demanda uma expertise de investigação muito diferenciada.
14:55E aqui o combate que tem que ser feito é um combate de inteligência.
14:59Diferente dos crimes comuns em que eu tenho a cidade de um policiamento ostensivo, enfim,
15:04aqui eu preciso de um serviço de inteligência muito apurado.
15:08Por quê?
15:09O que vai determinar ou não o sucesso do combate ao crime organizado
15:13é o desmantelamento dessa organização e inviabilizando principalmente o funcionamento delas,
15:18atacando a raiz do problema financeiro.
15:21Então, quando eu consigo desarticular uma organização criminosa,
15:24encontrando os chefões, os cabeças e aqueles que financiam essa organização,
15:29eu consigo, então, estagnar.
15:31Eu consigo, então, fazer com que essa organização fique inviabilizada de agir.
15:37Então, demanda, então, primeiro, o fortalecimento das instituições,
15:41fortalecimento da Polícia Federal, fortalecimento em independência,
15:46investimento em novas tecnologias, para que, então, nós tenhamos um aparato policial,
15:51um aparato estatal pronto e com as ferramentas necessárias para combater essa criminalidade.
15:56Como digo e repito, demanda um serviço de inteligência e um trabalho prévio,
16:01e não um trabalho posterior ao cometimento de crimes.
16:05Então, é necessário um serviço de inteligência prévio para combater a organização criminosa.
16:11Agora, é muito abuso, né?
16:12Planejar a morte do então ministro, que era o caso do Sérgio Moro, né?
16:16Exatamente.
16:17E isso demonstra para nós o poderio dessas organizações.
16:23Porque, percebam, para eu poder investigar e saber o dia a dia de uma pessoa,
16:27de tanto a notoriedade como o Moro,
16:29isso demanda uma organização requinte muito diferenciada.
16:34Então, isso demanda dinheiro.
16:37Então, ali, a reportagem, por exemplo, trouxe informações de que eram pagos passagens,
16:41as pessoas ficavam de campana, investigando.
16:44Então, existe uma divisão de tarefas.
16:47O modus operandi, ele é muito sofisticado.
16:49Então, daí a importância de desmantelar essas organizações a partir da origem dela,
16:54que é o financiamento.
16:55Então, a gente encontrar os cabeças, os líderes,
16:58e atacar, inviabilizar o funcionamento financeiro dessas organizações,
17:02no meu entendimento, é um bom início de se combater as organizações criminosas.
17:08E para o senhor, o que precisa acontecer com as nossas leis
17:10para que a gente não veja mais casos como o senhor sofre até hoje?
17:15O que eu acho que deveria endurecer o cumprimento da pena,
17:23de uma forma tal que desestimulasse a pessoa a cometer esse tipo de crime,
17:29que não é uma coisa assim tão antiga.
17:33Isso é da década de 90 para cá.
17:36Só para relembrar, você deve conhecer bem esse caso.
17:41No crime do meu filho, os intermediários, aqueles dois sargentos, Valência e Ranilson,
17:48alugaram um apartamento próximo ao apartamento do meu filho,
17:53que tinha visão direta do apartamento dele.
17:56Então, eles sabiam a hora que ele chegava, a hora que ele saía.
17:59Houve uma notícia de que o telefone dele tinha sido grampeado.
18:03Então, quando ele saiu de casa para ir para a academia,
18:07ele foi apanhado lá na academia.
18:09E os dois sargentos estavam no local.
18:13Por isso que eles foram presos.
18:15Não só descobriu por causa disso, né?
18:16Eu descobri, alguém me informou que eles tinham alugado um apartamento,
18:22me deram a cópia do contrato,
18:25e com aquela cópia do contrato, lá fomos em cima dele.
18:27E depois, as fotografias da hora do crime, mostraram os dois sargentos lá.
18:34Ou seja, tem todo um planejamento, né?
18:36Isso mostra.
18:37Exatamente.
18:37Tudo arquitetado.
18:39O doutor, a pergunta se fala.
18:40Tem que ter uma expertise toda especial,
18:42que não é um crime comum,
18:44um camarada que aponta uma arma e leva a bolsa de alguém.
18:48Não é isso.
18:48É um crime que, às vezes, leva meses sendo elaborado.
18:53E o seu filho, em que momento que ele veio te trazer essa informação,
18:58que estava tendo ameaças, que estava sendo ameaçado?
19:01Ele sempre falava isso, né?
19:03Agora, quando ele e o doutor Carlos Eduardo denunciaram o Leopoldo ao tribunal,
19:12de que resultou a aposentadoria compulsória por corrupção, do Leopoldo,
19:20ali as ameaças começaram a aparecer.
19:25Não só telefonema, mas cartas, telegramas, fax.
19:30De diversas formas.
19:32De diversas formas.
19:33Só que, no fundo, ele não acreditava que fosse acontecer.
19:39Ele achava que ninguém teria essa audácia de matar um juiz.
19:45Mas, quando aquele juiz de São Paulo foi assassinado,
19:49eu tornei a alertar ele.
19:50Olha, viu como é que...
19:52Ele mata juízes, mas não matam dois juízes.
19:55Ainda brincou com ele.
19:56O raio não caiu duas vezes no mesmo lugar, mas caiu.
19:58O senhor, como pai, tinha medo?
20:01E não só como pai, como um profissional da área.
20:06Eu tinha...
20:07Não é medo, eu tinha uma preocupação muito grande.
20:10Eu alertava ele e dizia, olha, que eu estava aqui no Estado.
20:14Nós somos carioca, mas eu estava aqui no Estado há mais tempo, né?
20:17Olha, o Espírito Santo não é igual ao Rio de Janeiro.
20:20Porque no Rio de Janeiro tem bala perdida.
20:23E aqui tinha bala endereçada.
20:25É diferente.
20:27Então, eu falei assim, toma cuidado.
20:28E ele, na véspera do fato, né?
20:33Foi um domingo à noite.
20:35Conversei com ele com o telefone longamente e tal.
20:37Olha, cuidado.
20:38Ele falou, não, não vai acontecer nada não.
20:40Se preocupa com isso não.
20:41O que ia acontecer?
20:45Porque, no fundo, ele não acreditava que houvesse uma audácia a esse ponto.
20:52Porque, Roberta, isso é uma audácia.
20:55Não é que uma pessoa seja melhor que a outra.
21:00Mas o cargo que a pessoa ocupa é um cargo de importância.
21:05É um representante do Estado.
21:06Uma autoridade.
21:07Uma autoridade do Estado.
21:08Está ali cumprindo o seu papel.
21:09Está ali cumprindo o seu papel e bem.
21:13Essa autoridade tem que ser preservada.
21:16Ela não pode ser abatida.
21:19Doutor Carlos Bermudes, qual é a mensagem que tudo isso passa para a sociedade?
21:25Essa audácia, esses 20 anos sem o julgamento do principal suspeito e que ainda pode ser prescrita.
21:36Qual é a mensagem que isso passa para a sociedade?
21:39Obviamente que nós, que somos operadores do direito, a gente precisa ter muita cautela
21:44até para analisar casos e processos que nós não temos conhecimento.
21:49O meu exemplo, eu não tenho conhecimento dos autos do processo.
21:52O doutor Alexandre, como pessoa diretamente interessada, obviamente ele tem acesso, teve contato a todos os detalhes.
21:58Eu não tenho, não posso dizer com detalhes a razão pela qual esse processo demorou tanto.
22:04Mas uma coisa é fato, a justiça tardia, ela se torna injustiça.
22:09Então, o sentimento que a sociedade, e não só a sociedade, todos nós temos, é literalmente de impunidade.
22:17E eu me recordo de quando eu estava na faculdade, eu ainda era estudante, na graduação,
22:23porque nós ficamos sabendo da morte do doutor Alexandre.
22:25E isso, na ocasião, foi assunto de conversas, de professores, enfim.
22:31Então, foi um assunto de grande relevância.
22:33E, de fato, como o doutor Alexandre bem disse, o filho dele ficou para a história.
22:37Ele é referência para todos nós que lutamos, que sejam advogados, promotores, juízes.
22:42Então, eles estão em referência.
22:43Inclusive, vários centros acadêmicos de várias faculdades levam o nome do doutor Alexandre.
22:47Então, ele é homenageado até hoje.
22:48E a memória dele será sempre vivenciada por todos nós, sem dúvida.
22:53E a gente está aqui.
22:54Conte sempre com o nosso espaço, com o nosso jornalismo, aqui na TV Vitória,
22:59até que a gente veja, para que o senhor consiga ter essa resposta no fundo do seu coração,
23:05que, como o pai, o senhor espera que justiça seja feita, viu?
23:09O que eu espero é que a sociedade veja nisso um exemplo de que a gente deve sempre perseguir o
23:16bem.
23:17e não deve se intimidar.
23:21E se eu pudesse dar um recado para o meu filho, se ele voltasse,
23:27eu me disse, faça exatamente o que você fez.
23:30Só não morra.
23:31Obrigada pela sua participação, viu?
23:34Conte sempre com a gente.
23:35Muito obrigado, Fabiá.
23:36E olha só, gente.
23:37Doutor Bermúdez, muito obrigado.
23:38Obrigada, doutor Carlos Bermúdez.
23:39Também, mais uma vez, pela sua parceria aqui com o Fala Espírito Santo, viu?