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  • há 5 semanas
Saiba os sintomas, causas e formas de tratamento.

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Transcrição
00:00Aqui no nosso estúdio, eu recebo ele, gente, doutor Marcelo Coraça, muito obrigada.
00:05Cirurgião vascular, obrigada pela sua presença mais uma vez aqui no Fala Espírito Santo.
00:10Doutor, o que deve ter de gente agora em casa preocupado com esse assunto?
00:14Já vamos começar falando então sobre os sintomas.
00:16Como que a gente pode identificar possíveis casos de trombose? Boa tarde.
00:21Boa tarde. O sintoma mais importante da trombose é dor.
00:25A gente está conversando agora há pouco, ele teve uma cãibra, é muito parecido.
00:29Você tem uma dor com muita frequência, mas em panturrilha, que é o lugar mais da trombose.
00:36Então, o sintoma mais importante é dor, dor aguda, que não passa com nada, e isso aí você tem que
00:43ficar atento.
00:44E no caso, como ele falou, da embolia pulmonar, é a dor no peito, a falta de ar.
00:49Porque um trombo desse pode soltar, parar no pulmão, e no caso daquela moça ali,
00:53parece que ela deve ter um defeito no coração, que ela também fez uma embolia cerebral.
00:59Então, às vezes o trombo vem de só ir para o pulmão, ele pode migrar e fazer um fluxo para
01:04a cérebro, para outro lugar.
01:06Mas essa dor, então, ela até se conhecida, pelo que você me falou, como uma cãibra, é isso?
01:11Vamos dizer que seria uma cãibra, realmente é uma coisa muito forte, que te incomoda.
01:17E ela não passa, doutor?
01:18Passa com analgésico.
01:21Dependendo do tamanho da extensão dessa trombose, ela pode passar por um analgésico e você, às vezes, fica...
01:27Ah, eu vou deixar para lá e não procura um atendimento.
01:30Infelizmente, a gente não tem um atendimento tão ágil.
01:34Às vezes, a pessoa deixa para lá e vai tomando um analgésico.
01:38Às vezes, esse trombo para ali, mas às vezes ele pode progredir, aumentar, comprometer todo o membro,
01:44ou então fazer embolia pulmonar.
01:45E olha só, eu vou convidar aqui para o nosso bate-papo, gente, o João Henrique, tá?
01:49Ele já teve duas tromboses, né?
01:52Trombose duas vezes.
01:53E vai contar para a gente o que ele sentiu, como que ele descobriu.
01:55Boa tarde, João.
01:57Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo, viu?
02:00Tudo bom?
02:01Tudo joia.
02:03Boa tarde, boa tarde, doutor, aí também.
02:06Na verdade, a primeira vez que eu tive trombose, eu tinha 27 anos, né?
02:10Foi em 2013.
02:12Igual o doutor falou, eu senti uma cãibra, sim.
02:15Muito, muito forte a cãibra mesmo, na época que eu tive.
02:20Para você ter ideia, eu achava que eu tinha me machucado.
02:24E a primeira coisa que eu fui procurar foi um ortopedista.
02:27E aí, pelo ortopedista, eu segui o caminho que ele indicou para poder fazer os exames
02:33e identificar que tinha sido a trombose.
02:3727 anos, é isso?
02:3927 anos.
02:41Peraí, continua com a gente, doutor.
02:43O que que explica, né?
02:4327 anos, um rapaz jovem.
02:46É, como naquela moça, o que ela falou é exatamente isso.
02:49Existem pessoas, ou existem famílias, que tem o que a gente chama de trombofilia,
02:54quer dizer, uma alteração dos fatores de coagulação que podem aumentar o risco de trombose.
02:59Então, você tem que ficar muito atento se na sua família, exatamente, começou a ter
03:03muitos parentes, irmãos, primos, que tiveram trombose em idade precoce, para você procurar
03:10para fazer uma pesquisa de trombofilia.
03:12É o seu caso, João?
03:14Ah, na verdade, o meu caso...
03:16O meu caso foi que eu que estou servindo como exemplo, né?
03:21Assim, a minha avó, ela até teve, mas ela teve depois já idosa, ela fez uma cirurgia, né?
03:27Veio até a falecer depois disso, mas já sendo idosa, eu não tinha, pelo menos de conhecimento
03:33meu anterior, eu não sabia disso, sobre alguém da minha família que tivesse tido.
03:38e pelo que eu vi, eu que estou sendo, eu que passei a ser a pessoa da família a ser
03:45observada
03:45em relação a isso.
03:47E aí, como eu te falei, eu tive ano passado de novo, só que do ano passado, pelo fato de
03:56eu já ter tido da primeira vez, eu consegui identificar ela muito mais rápido.
04:00Então, eu não cheguei a ter dor intensa, nem nada, já corri para o médico e foi um tratamento
04:06até que eu fiz em casa mesmo.
04:08Agora, vem cá, vamos voltar na primeira.
04:12Você ficou internado quanto tempo?
04:15Fiquei 33 dias internado.
04:1733 dias, e você sentia dor nesse período?
04:20Muita dor?
04:21Como é que era?
04:22Quando eu fiquei internado, eu já não sentia mais dor, porque a gente tomava medicação,
04:27né?
04:27Todo dia eu tomava um monte de injeção e tal, tomava...
04:30Na época, se eu não me engano, eu acho que era o Marevan.
04:33Então, assim, ele já vinha tratando e eu já não sentia mais dor quando eu estava
04:37internado.
04:38Antes de internar, assim, a dor é uma coisa, assim, absurda, pelo menos para mim.
04:43Continua com a gente, daqui a pouquinho eu volto a falar com você, João.
04:46Doutor, o que que explica, né?
04:48Não só uma vez, a pessoa que teve a primeira vez pode ter mais vezes, como foi o caso do
04:53João?
04:53Além da trombofilia, como eu falei, você tem, às vezes, um somatório de fatores.
04:59Obesidade, sedentarismo, tabagismo, às vezes você ficar muito tempo numa posição só e
05:06não beber muito líquido, então tudo isso você soma.
05:09Obesidade, sedentarismo, desidratação, tabagismo, tudo isso você começa a somar fatores que
05:15podem realmente desenvolver uma trombose.
05:17No caso de mulheres, eu já fiquei até preocupada.
05:19A gente viu ali o depoimento, né, daquela mulher lá em São Paulo, que ela foi com
05:24o uso também do anticoncepcional.
05:26Eu falei, gente, eu estou tomando tão direitinho, estou tão despreocupada com o assunto, mas
05:31aí agora acende o alerta para outro?
05:33Quando você tem relacionado o anticoncepcional, é muito comum que seja no começo do tratamento.
05:40Tanto que hoje já não se suspende mais muito o anticoncepcional em cirurgias longas,
05:45porque quando a pessoa vai voltar a tomar o anticoncepcional, também vai coincidir com
05:49um período ainda de recuperação da cirurgia, aí você soma dois fatores.
05:53Então, normalmente, a pessoa que evoluiu um ano sem qualquer complicação com o anticoncepcional
05:59ou com o hormônio, a chance dela ter uma trombose seria menor.
06:03Aí você tem que somar outros fatores.
06:06Por exemplo, você vai fazer uma cirurgia, uma imobilidade prolongada, obesidade, tudo isso
06:11você... é uma somatória de fatores, né?
06:14Você, quando tem trombose, é uma tríade.
06:16Você tem alteração de coagulação, alteração de fluxo, no caso da imobilidade,
06:22e principalmente, no caso de varízea, alteração da parede da V.
06:25Doutor, se prepara que aqui está chovendo dúvidas.
06:28Aqui no nosso Facebook, a Duda Silva até pediu, por favor, leia a minha pergunta.
06:33Boa tarde, eu faço tratamento hormonal há um ano e dois meses.
06:36A minha endócrina não me informou disso, porém, estou sentindo muita dor no peito
06:40e, às vezes, fraqueza.
06:41O que o doutor sugere para nós mulheres trans, né?
06:44Fazer tratamento hormonal sem um risco grande?
06:48Aí você tem que avaliar, realmente, a história pessoal e a história familiar.
06:51Não é que o tratamento vai gerar isso, mas se você tem uma história familiar,
06:56você tem que ficar muito mais atento a isso.
06:59Olha aqui o comentário da Carmelita Luz, olha aí, ó.
07:02Falou que fica sentada, às vezes, é isso?
07:05Quatro horas, crochetando, fazendo crochê.
07:08Dona Carmelita, pode isso, doutor?
07:10Quatro horas seguidas, assim, sentada?
07:12Nessas quatro horas, eu te garanto que ela não se mexe, ela não bebe água,
07:16ela fica crochetando ali.
07:17Você começa a somar os fatores de risco, como eu falei.
07:19Olha aqui, o comentário da Dola também, boa tarde, eu sinto umas queimações,
07:24uma dor na veia do pescoço, do lado esquerdo, com também uma dor no peito.
07:29Isso seria um possível sinal de trombose?
07:31Não.
07:32Aquilo que eu te falei, trombose é uma coisa aguda, né?
07:35Você não fica tendo episódios, episódios.
07:37Você tem episódios de trombose.
07:39O fato da dor pode ser uma compressão da veia que distende um pouquinho.
07:45Normalmente, as pessoas têm problema de coluna, de postura.
07:48Então, toda essa dor, normalmente muscular, eles acham muito que é infarto, que é trombose, que é embolia.
07:55Olha aqui, tem um comentário também.
07:56Anjo, Soledade, participa com a gente.
07:58Boa tarde.
07:59Eu tive que fazer acompanhamento de 4 em 4 meses devido ao anticoncepcional.
08:03Tenho uma dúvida sobre esses medicamentos.
08:06Faço uso direto.
08:07Tenho medo dos riscos, pois ouço muita gente falando.
08:10Eu sempre procuro a medicina, mas gostaria de saber se o uso contínuo, né?
08:15Pessoas, mulheres que emendam cartelas.
08:17Isso também é para mim, hein?
08:18Se a gente tem algum risco maior e se ela deveria até mesmo trocar o anticoncepcional.
08:23E de quanto em quanto tempo, doutor?
08:25Cada dia eles lançam anticoncepcionais com menos risco, tá?
08:29Já saiu até agora, prometem um anticoncepcional sem risco nenhum de trombose.
08:35Eu não vi isso ainda não, ouvi falar essa semana.
08:38Mas, normalmente, aquilo que eu te falei, quando você tem complicação com anticoncepcional,
08:43é no começo do tratamento.
08:44Mas se você usa prolongado e você soma outros fatores de risco,
08:49aí você pode vir até a trombose, por quê?
08:51Você começa a somar um mais um, é dois.
08:53Não é mais um só.
08:54Então, se tem fatores de risco, é bom também relatar isso ao médico,
08:58que faz o acompanhamento.
09:00Agora a gente vai ver, gente, o caso da Helena.
09:02Ela faz um tratamento por causa de uma trombose que teve quando estava internada.
09:06Acompanhe.
09:08Eu trato trombose há quatro anos.
09:11Quando eu fiquei internada por AVC, né?
09:14Eu tive AVC, fiquei internada.
09:16Então, quando eu estive internada, eu fui diagnosticada com trombose.
09:20E a minha trombose, segundo os médicos vasculares, eles me informaram que a minha trombose foi uma das mais agressivas,
09:30né?
09:31Na veia femoral ilíaca, na perna esquerda.
09:34Então, eu tenho trombose na perna esquerda.
09:37E ela foi tão agressiva que ela veio até ao umbigo.
09:42No processo que eu estava internada, foi descoberto que eu tinha trombose, que eu tinha uma febre que não sedia.
09:48E a minha perna era muito quente.
09:50Era muito quente e a batata da perna muito dura.
09:53Dura, dura, dura mesmo.
09:54Então, foi toda essa complicação, né?
09:59Durante o processo de internação.
10:01Então, graças a Deus, quando fui diagnosticada com trombose, também eu fui logo, né?
10:07Foram inseridos os filtros de veia cava para evitar um problema maior.
10:14Obrigada, Helena, pela sua participação.
10:17Um beijo pra você, espero que você esteja bem.
10:18Agora, ela trouxe pra gente esse outro sintoma, doutor, também.
10:22Essa temperatura da perna, né?
10:24Da perna quente.
10:26Às vezes não fica nem quente, às vezes fica fria, né?
10:29Porque dependendo da extensão da trombose, você tem até risco de perder essa perna.
10:34Hoje, num caso desse aqui, você parte para um tratamento cirúrgico.
10:38Você entra com catéter, com fibrinolítico, que vai dissolver esse trombo e às vezes bota um filtro de veia cava.
10:45Então, dependendo da extensão da trombose, o tratamento é cirúrgico.
10:48Deixa eu voltar a falar com o João, que participa com a gente por ligação de vídeo.
10:52João, e você, também teve esse sintoma, igual a Helena relatou agora pra gente?
10:56Perna quente, a batata também bem dura, bem enrijecida.
10:59Você sentiu isso ou o contrário, igual o doutor falou aqui?
11:02Fria?
11:03É, não.
11:04O contrário eu não senti, não.
11:05Eu senti exatamente o que ela falou aí.
11:07Minha perna ficou muito quente, muito vermelha.
11:10E a batata da perna ficava bem dura mesmo.
11:13Você podia levantar a perna, balançar a batata, porque ela estava bem dura.
11:16E o principal foi a dor, né?
11:18Eu tive uma dor, assim, insuportável.
11:20Você tem medo, João, já que aconteceram dois episódios com você?
11:23Você tem medo?
11:24Você já é uma pessoa que agora, quando começa a perceber algum momento da sua vida,
11:30isso já te acende, um alerta?
11:34É, o que eu posso falar, assim, ô, Roberto, é pra quem teve a primeira vez, que espero
11:39que não tenha, que fique bem atento.
11:41Porque quando eu tive a primeira vez que eu me tratei e que eu passei por isso, eu achava
11:46que eu nunca mais passaria.
11:47E vi a passar de novo.
11:49Então, assim, a gente não se cura disso.
11:51Isso pode vir e acontecer novamente, assim como eu estava pensando, já tinha me livrado,
11:56aconteceu de novo.
11:57Então, assim, medo eu tenho o tempo todo, entendeu?
12:00E não tem jeito.
12:01Ainda mais que eu estou agora procurando saber se eu tenho, de fato, a trombofilia ou não.
12:05Então, assim, já é, por ter tido a segunda vez, então já é uma preocupação ainda maior.
12:10Tá certo.
12:10Ó, investiga, viu, João?
12:12Obrigada pela sua participação, viu?
12:14Se cuida.
12:15Um abraço, um abraço na família.
12:16Tchau.
12:17Doutor, pra gente finalizar, né, ele trouxe esse ponto importante.
12:21Então, quem teve a primeira vez, qual é a chance de ter mais vezes?
12:24Bom, se você teve uma vez, é porque você tem algum fator de risco.
12:28Se esse fator de risco for excluído, a chance de você vir a ter de novo é menor.
12:33Agora, no caso dele, que ele teve dois episódios, possivelmente ele está anticoagulado perênio.
12:38Quando você tem um paciente com trombose, você trata ele de seis meses a um ano.
12:44Esse de voo, você, às vezes, trata indefinidamente.
12:48Principalmente hoje, que você tem novos anticoagulantes que estão com preço bem menor,
12:52porque eram mais caros e muito mais seguros.
12:55Na época que ele usou o Marevan, que ele ficou 33 dias internado,
12:59porque era difícil você controlar o remédio, né?
13:02Ele é veneno de rato.
13:04E hoje você tem anticoagulantes mais modernos, que vocês são muito mais seguros,
13:09que você pode usar a vida inteira se for necessário.
13:11Ó, um beijo pro Biel, que tá acompanhando o programa lá de Moçambique.
13:16Tá vendo a audiência internacional.
13:18Agora, doutor, pra gente finalizar, agora sim a gente finaliza, vamos falar de prevenção.
13:24Prevenção.
13:25Primeira coisa, não ficar parado.
13:27A maior causa de trombose é sedentarismo, é imobilidade.
13:32Tanto que você viu que ela teve uma trombose quando ela estava internada.
13:34Quer dizer, ela estava no AVC, ela estava deitada.
13:38Você, num paciente desse, você ser anticoagula direto.
13:41O paciente ficou mais de um dia internado, você já anticoagula.
13:43Então, prevenção, controlar peso, hidratação, sempre estar se movendo alguma coisa, né?
13:53E se você for viajar, procurar pra usar uma meia, alguma coisa desse tipo.
13:57Porque o grande problema é as pessoas que vão viajar, aí tomam um remedinho aqui e vão acordar lá em
14:01Paris.
14:02Às vezes não acordam.
14:03Por quê?
14:04Ele não bebe água, ele não se mexe.
14:06Quando acorda lá, você vê de vez em quando o pessoal sai do avião e cai, morre no aeroporto,
14:12aquilo ali é embolia pulmonar.
14:14Aquele trombo está fresquinho, a pessoa começa a andar, aumenta o fluxo, o trombo solta, faz embolia pulmonar,
14:19e às vezes a pessoa morre ali.
14:20Já teve um caso de uma capixaba, né?
14:22De um capixaba, exatamente assim, depois de uma viagem.
14:25Obrigada, doutor, pela sua participação aqui no Fale-se do Santo.
14:28Obrigado a vocês pela oportunidade de esclarecer, pessoal.
14:30Volte sempre.
14:31Você é muito bem-vindo, muito querido, viu?

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