- há 3 semanas
Especialistas debatem o crime que acontece praticamente todos os dias.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Agora mudando de assunto, gente, vamos falar sobre a prisão de um homem que assaltava passageiros dentro do transporte coletivo.
00:07As câmeras de segurança dos ônibus filmaram tudo.
00:10Em uma das ações, esse homem aparece sentado no chão do coletivo, de camisa branca e mochila nas costas.
00:17Quando se levanta, olha aí, já anuncia rapidamente o assalto.
00:21Graças às imagens, olha a importância das câmeras de segurança, hein?
00:26A polícia conseguiu prender Carlos Costa Ramos.
00:29Os roubos aconteceram em maio, mas só agora o suspeito foi preso.
00:34Pois é, gente.
00:35Só esse ano foram registrados pela Secretaria de Segurança Pública quase 2.300 roubos e furtos dentro do transporte coletivo.
00:45Tem uma queda no número, tá?
00:47Tem uma queda aí nesses números em relação a 2021.
00:50Mas só que mesmo assim, ainda são muitos casos.
00:54São casos que assustam a população, deixam a gente com medo de usar aquilo que a gente tem direito.
01:00Vamos falar sobre esse assunto?
01:02Vem cá.
01:02Olha só, aqui no nosso estúdio eu recebo especialista em segurança pública, Rusle Medeiros.
01:08Também recebo Letícia Santana.
01:10Ela é psicóloga.
01:11E também Maria Auxiliadora.
01:13Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
01:16E você já passou por essa situação, não é isso?
01:18Falei.
01:18Conta pra gente o que aconteceu.
01:21É terrível, né?
01:22A gente que depende do ônibus todo dia.
01:24Você entra no ônibus, eu já entro assustado.
01:27Então, qualquer um é suspeito, né?
01:30Então, assim, você se sente coagido porque você não tem pra onde fugir, que o cara te pressiona na cadeira.
01:38E você vai gritar, você vai sair.
01:40E eu ainda me arrisquei de me alterar com o rapaz, que quando eu olhei pra trás tinha um outro
01:47com a faca, que eu não tinha visto, né?
01:49Então, assim, o risco que a gente corre, eu poderia estar morta hoje.
01:53Você estava indo de onde pra onde?
01:55Eu, assim, eu estava sem carro na época, né?
01:58Então, eu sou corretora, eu trabalho na Praia do Canto.
02:01Então, aí era oito horas, eu estava vindo atender uma cliente no centro de Vitória.
02:06Então, aí, quando eu peguei o terminal de Santo Orquato, que eu não vou esquecer nunca, o ônibus do 522,
02:12que ele vem de Campo Grande.
02:15Ele é Campo Grande, passa no Santo Orquato e quando chegou, quando passou na rodoviária de Vitória, que eu ia
02:23assaltar no centro de Vitória, né?
02:25Aqui no mercado.
02:26Aí o rapaz, ele pegou, anunciou o assalto, o que estava na frente, ele falou, passa o celular.
02:32Aí eu falei, eu não vou dar, eu falei, pô, você vai levar o meu instrumento de trabalho.
02:36Aí ele pegou, puxou da minha bolsa, né?
02:39Que eu botei dentro da bolsa, ele puxou da minha bolsa.
02:42E quando eu olhei pra trás, aí o outro estava com a faca assaltando os homens.
02:47Na hora, qual foi a sua reação?
02:49O que aconteceu dentro de você quando esse assalto foi anunciado?
02:53Muita revolta, assim, porque uma que estava levando meu celular e eu, assim, eu ia atender o cliente, estava me
02:58aguardando.
02:59E o celular, assim, hoje faz parte da nossa vida porque minha agenda fica tudo lá.
03:05Então, aí depois você fala assim, cara, você fica perdido.
03:09Aonde, você vai ligar pra quem?
03:10Aí a única coisa que eu lembrava era o telefone do meu marido, né?
03:14Que aí você vai pedir celular emprestado pro outro pra ligar.
03:17Aí me deu um desespero que eu comecei a gritar dentro do ônibus.
03:20Pega ladrão, ainda eu gritei.
03:22Com eles lá dentro ainda?
03:24Não, assim, depois que assaltaram com eles lá dentro, eu falei que eu não ia dar o celular.
03:30Aí ele puxou de dentro da minha bolsa.
03:32Olha só, daqui a pouquinho eu quero que a Letícia comente sobre essa nossa atitude que muitas das vezes é
03:36inesperada, né?
03:37A gente não sabe qual reação que a gente vai ter diante de um assalto.
03:40Mas, Rusla, eu queria que antes você comentasse com a gente por que que ocorrem tantos assaltos assim nos coletivos.
03:47Se a gente parar pra pensar, toda semana o nosso jornalismo tem feito uma reportagem de assalto nos coletivos.
03:54Boa tarde.
03:54Boa tarde, Roberta. Boa tarde a todos que nos acompanham aqui no Fala Espírito Santo.
03:58É verdade, Roberta.
03:59Infelizmente, a gente tem visto, né, embora os dados demonstram essa redução,
04:04mas a gente tem que lembrar que o ano passado a gente ainda estava no ápice da pandemia, né?
04:09Então, por conta disso, o transporte também, houve uma diminuição do fluxo de pessoas.
04:13Mas a grande questão, Roberta, claro que não é uma resposta fácil, né?
04:17Mas a grande questão é, primeiro, nós temos uma legislação que facilita a atividade desses grupos criminosos, né?
04:23Então, eles se sentem aí fortalecidos porque ou não serão presos.
04:28Então, a gente tem essa situação também, tá, Roberta?
04:30Então, as pessoas, né, você mesmo noticiou, né, os crimes aconteceram em maio, né?
04:35E agora que foram, né, descobertos e identificadas as pessoas.
04:39Então, essa demora também gera uma sensação de impunidade.
04:42Então, quantos crimes foram praticados durante esse tempo de identificação desse criminoso, né?
04:47Então, a legislação falha é um dos índices e, claro, né, as políticas públicas, né,
04:52isso a médio e a longo prazo também influenciam para que as pessoas entrem, ingressem nesse mundo criminoso
04:58e pratiquem esses tipos de crime.
05:00Mas a grande questão em relação ao crime realizado dentro dos coletivos é, sim, a facilidade, né?
05:08Então, os indivíduos, eles conseguem entrar mais fácil dentro desses ônibus, sair em pontos estratégicos, né?
05:15E conseguirem, aí, escapar das atividades e das ações da polícia.
05:19Agora, o que chama atenção nesse caso que a gente abriu o programa mostrando é que nem com as câmeras
05:23de segurança
05:25eles, né, eles não ficam inibidos.
05:27Pelo contrário, não estão nem aí.
05:29Não ficam inibidos em uma das situações, Roberto, é justamente essa ideia de que eles têm da impunidade, né?
05:34Então, eles sabem que eles serão, né, ou não serão encontrados, né, não serão identificados,
05:39porque a gente sabe que existe um delay, né, uma demora aí no processo de investigação, né,
05:44pela estrutura, pela falta de efetivo da polícia civil, né, e seja também pela questão da própria impunidade, né,
05:51de saber que se ele for pego vai ficar muito pouco tempo preso, né?
05:54Hoje, o tempo médio, Roberta, de uma sentença de um crime de roubo realizado dentro dos coletivos
06:00está com base de 5 anos e 4 meses.
06:03Desse período de 5 anos e 4 meses, ele vai passar aí um ano e 6 meses, no máximo 2
06:08anos,
06:09a depender de todas as situações do indivíduo, na prisão, né, em regime fechado.
06:15Então, a gente tem, infelizmente, essas situações que facilitam, né, e colaboram para o aumento da criminalidade.
06:21E vamos parar para pensar ali nos passageiros?
06:22Eles vão fazer o quê? Eles vão fugir? Já aconteceu.
06:26Já teve casos que a gente mostrou aqui, de passageiro tentando pular, que pulou mesmo a janela do ônibus,
06:31a gente já até entrevistou esse passageiro, mas ainda assim a gente sabe que é um ou outro, as pessoas
06:35não têm o que fazer.
06:36Não tem, né, e às vezes, né, a gente tem situações também que a pessoa fica tão impotente que...
06:41E perceba, quem anda de ônibus o dia todo vai fazer o quê?
06:44Né? Todos os dias tem que pegar aquele coletivo, tem que ingressar no transporte público,
06:49e aí ele fica completamente à mercê dessa situação.
06:52Eu já passei por as situações, né, de ser assaltado dentro de ônibus,
06:55e a gente realmente fica completamente com a sensação de impotência, né,
06:59porque não tem para onde fugir.
07:00Essa é a grande diferença.
07:01Quando você está num imóvel, quando você está numa zona comercial ou na rua,
07:05né, o bandido, ele vai olhar assim e sabe que a pessoa tem para onde fugir, tem para onde correr,
07:09né?
07:10Dentro do coletivo, não.
07:11Né? Então, a gente tem alguns tipos de crimes também, Roberto.
07:14Então, a gente tem aquele de oportunidade.
07:15Sabe aquela pessoa que fica nos degraus do ônibus, né,
07:18e quando para no ponto, né, o bandido vai lá e puxa o celular e sai correndo, né,
07:23porque ele sabe que o ônibus vai fechar, não vai dar tempo de alcançar.
07:26E tem também os arrastões.
07:27A gente tem visto um aumento também dessa prática dos arrastões dentro dos ônibus.
07:32E aí, realmente, leva os pertences de todos aqueles que se encontram dentro dos ônibus.
07:36Isso só mostra que esse tipo de crime está sendo cada vez mais, assim, desenvolvido pelos criminosos.
07:42Mas, Letícia, boa tarde. Seja bem-vinda também ao Fálio Espírito Santo.
07:46Obrigada.
07:46A gente já viu aqui como é que foi a reação da Maria Auxiliadora, né?
07:50Ela jamais esperava, assim, que ela fosse até mesmo quase bater boca mesmo com o bandido.
07:54Como é que a gente faz para manter a calma, a tranquilidade nesses momentos?
07:58Não deve ser uma tarefa fácil.
07:59Não, não é fácil. E é muito desafiador, né?
08:03Porque existe aqui um lugar que a gente precisa buscar entre a hipervigilância e você ficar totalmente tranquilo ali,
08:12apática da situação.
08:13Porque se você também fica hipervigilante, você traz para você uma situação de ansiedade constante.
08:19Mas se você também fica ali tranquilo, olhando o celular, ouvindo uma música,
08:24e não fica atento ao que está acontecendo, você também fica numa situação de vulnerabilidade
08:29e, diante de um assalto, corre-se o risco de agir de forma impulsiva.
08:34Porque mesmo que o Ruzer coloque muito bem esse sentimento de impunidade,
08:38muitas vezes faz com que o cidadão comum ache que depende dele a resolver aquela situação.
08:46Mas não cabe a nós, cidadãos, resolvermos isso.
08:49Isso é um trabalho da segurança pública.
08:52Então, quando nós queremos, de repente, agir com as nossas próprias mãos,
08:56a gente coloca a nossa vida em risco.
08:57Então, querendo ou não, a gente precisa, assim, buscar a tranquilidade.
09:00Como?
09:01Eu acho que o primeiro ponto é ficar atento ao que você está fazendo ali,
09:05às pessoas que estão ao seu redor, sem ficar com muita ansiedade ou hipervigilante.
09:10Mas ficar atento aos acontecimentos, ficar à par da situação,
09:13ou ficar ali olhando um celular e não vendo quem entra, quem sai,
09:16também não é bom porque te deixa numa situação de vulnerabilidade.
09:19E, num momento de assalto, o assalto aconteceu.
09:23A gente precisa aceitar.
09:24Então, assim, não tem muito o que se fazer.
09:26A gente precisa aceitar, buscar respirar fundo,
09:29não deixar que a impulsividade tome conta,
09:33para que você não coloque a sua vida em risco.
09:35O depoimento aqui foi muito claro.
09:36Quando ela viu, tinha uma outra pessoa com a faca.
09:39Então, é preciso, sim, manter a calma, buscando a respiração,
09:42buscando estar atenta aos movimentos
09:44e confiando no serviço público, confiando realmente na segurança pública,
09:50porque é deles a responsabilidade, não é do cidadão.
09:53E olha só, gente, no começo do mês, nós mostramos o caso de um assalto a um coletivo na Serra.
09:59A linha 855, que faz o trajeto entre o terminal de Carapina e o bairro Planalto Serrano,
10:05foi alvo dos bandidos.
10:07De acordo com as vítimas, quatro indivíduos embarcaram no terminal
10:11e aí, quando o ônibus passava pela BR, eles anunciaram o assalto.
10:17Um dos bandidos estava armado.
10:19E aí, sob a mira do revólver, os passageiros foram obrigados a entregar os pertences.
10:24Foram levados celulares, mochilas, carteiras, bolsas.
10:27No ponto seguinte, o que aconteceu?
10:29Os criminosos desceram do ônibus e fugiram, gente.
10:33A gente, inclusive, vai conversar agora, por telefone, com um desses passageiros.
10:40Ele estava lá, né?
10:42Aliás, perdão, do próximo caso que eu vou contar agora,
10:44desse caso que aconteceu em julho desse ano,
10:47que foi um caso revoltante de um assalto também dentro de um ônibus.
10:50E aí, esse assalto aconteceu em André Carlone, também na Serra.
10:54Os passageiros chegaram a pedir para o motorista não parar.
10:57Não para não, motorista, porque eles ficaram desconfiados dos homens que estavam no ponto.
11:02Só que o motorista fez o trabalho dele, ele parou.
11:05E aí, os bandidos entraram e roubaram todo mundo.
11:08Agora sim, né?
11:09A gente vai conversar com uma das vítimas que estava ali no ônibus, que foi um mecânico.
11:14Ele foi assaltado, gente, escuta só.
11:17Duas vezes dentro de um ônibus em apenas um mês.
11:21Você não ouviu errado.
11:24Ele perdeu dois celulares em 30 dias.
11:27Obrigada pela sua participação aqui com a gente.
11:30Esse homem ainda tem muito medo de conversar, de se expor.
11:33Então, a gente vai conversar com ele por telefone, sem se identificar.
11:36Obrigada pela sua participação aqui com a gente, viu?
11:39Boa tarde.
11:40Queria que você relatasse um pouquinho do sentimento que foi ser assaltado duas vezes
11:45dentro do mesmo ônibus, né?
11:47Que estavam fazendo ali o seu trajeto de trabalho em menos de 30 dias.
11:55Oi, boa tarde.
11:57Eu posso falar?
11:57Pode.
11:58Está todo mundo te ouvindo.
12:00O que acontece?
12:02Eles entraram no ônibus.
12:07O que acontece?
12:08E estava na cara deles, que foi a segunda vez que eu tinha sido roubado, no mesmo trajeto.
12:18E, tipo assim, eu acho que, às vezes, a gente pensa até que o motorista está coligado
12:23com esses caras.
12:25Por quê?
12:26Porque estava na cara deles que eles iam roubar e ele parou o ônibus ainda.
12:31E eles pegaram, sacaram a arma logo na entrada.
12:36Um rendeu o motorista, outro entrou dentro do ônibus, outro ficou do lado de fora vigiando
12:44e o outro ficou pegando as coisas dos pertences das pessoas.
12:53E pegaram as coisas de todo mundo.
12:55Quem não queria dar, eles eram agressivos, com ignorância, com as pessoas, violentos,
13:00entendeu?
13:00Então, tem que...
13:04A gente, primeiramente, a gente não pode afirmar, né?
13:07A gente não está aqui para isso, para julgar ninguém.
13:09Aqui, o motorista estava sendo conivente.
13:11Ele estava ali realizando o trabalho dele, mas que é revoltante, né?
13:15Você ser assaltado duas vezes em menos de 30 dias e é sempre no mesmo trajeto.
13:23Sempre no mesmo trajeto.
13:25E eles...
13:27E, tipo assim, muita gente reclamou, eu estava num ônibus comigo, que não é a primeira
13:33vez.
13:33Só eu fui duas vezes seguida.
13:35Imagine as outras pessoas que trabalham, que a gente lidar, que a gente da mesma idade
13:39que eu, que a gente velha, assim, mais velha, entendeu?
13:43É uma falta de respeito da nada.
13:45Tem que ter mais segurança, né?
13:46E aí, nessa história, você até me relatou nos bastidores que o primeiro celular, você
13:53tinha acabado de pagar, aí comprou o segundo, que te levaram sem você terminar de pagar,
13:59foi isso?
13:59Nem terminou de...
14:00Nem foi terminado de pagar ainda.
14:03Entendeu?
14:04O celular estava novinho, ou seja, os dois estavam zero, zero.
14:08Entendeu?
14:09E como é que fica o sentimento, né?
14:12Além da perda dos pertences, o medo, o trauma, o que você deixou de fazer depois que isso
14:17aconteceu?
14:19É, a gente...
14:20Eu fiquei, na verdade, eu fiquei, tipo assim, sem vontade de nem andar na rua mais.
14:26Então, assim, porque o senhor não pode ter nada hoje em dia mais.
14:31Aí você passou a mudar sua rota, mudar seu meio de transporte?
14:34Eu passei a mudar a minha linha de trajeto, minha rota, eu passei, porque...
14:38E sem...
14:42Na verdade, eu não queria nem mais andar na rua mais.
14:46Eu fiquei um tempo assim, entendeu?
14:48Meu Deus, imagina, né?
14:50Então, a pessoa trabalha, junta o dinheiro, compra um celular, que a gente sabe que hoje
14:54o celular não é futilidade, é um bem essencial.
14:58É uma necessidade.
14:59É uma necessidade até mesmo para a gente trabalhar, né?
15:02Isso aí.
15:04Continua com a gente daqui a pouco e eu volto a falar com você, porque eu estou vendo
15:07aqui, a Maria Soliadora também tem uma fala para complementar.
15:10Já complementar.
15:11E depois que eu fui assaltada, o que ele está falando aí é muito interessante do
15:16motorista, porque eu também, eu já vi, assim, depois que eu comecei, que eu fui
15:20assaltada, eu vi dois caras em Santo Orquato que eu sabia que eles iam assaltar e eu gritei
15:26para o motorista.
15:27Motorista, pelo amor de Deus, não para que esses dois caras vão assaltar o ônibus.
15:31O motorista não parou.
15:33Então, esse sentimento que ele está falando aí, eu também passei por isso.
15:37E sabe quantas vezes eu já saltei do ônibus achando que eu vi alguém que ia assaltar o
15:43ônibus?
15:44Eu não sei se ia assaltar ou não.
15:46Umas dez vezes.
15:47Eu pegava o ônibus, aí eu fico olhando para todo mundo.
15:51Aí eu vou falar assim, não.
15:52Aí quando entra três, quatro caras de vez, que está na roleta, eu salto do ônibus.
15:57Olha só, Letícia.
15:58Isso aí.
15:59De que forma que você avalia esse comportamento da pessoa que acaba fazendo até mesmo julgamentos,
16:05né?
16:06Com medo.
16:07E assim, a pessoa não tem o que fazer.
16:08O sentimento que só ela passou, só quem passou por isso sabe o medo que é.
16:13E ela acaba falando assim, olha, na dúvida entre ser assaltado ou não, eu vou descer.
16:16Sim, eu acho que são dois exemplos clássicos de como a insegurança pública produz uma
16:22sociedade adoecida.
16:24Então, o nosso adoecimento é fruto dessa falta de insegurança.
16:28Então, o medo, a revolta, a desconfiança, muitas vezes até o preconceito como uma forma
16:34de preservação faz com que a gente comece a emitir comportamentos que, de repente, nem
16:39são justificados, né?
16:40Por exemplo, como descer do ônibus quando alguém entra.
16:42Mas isso é, sim, a consequência de uma sociedade desamparada do setor público, né,
16:48Alberto?
16:48Agora, Rusla, igual o caso desse senhor que participou com a gente aqui por telefone, né?
16:54Foi no mesmo trajeto.
16:56E a gente também noticia que os casos, né, que acontecem, ele sabe o momento ideal de
17:02anunciar o assalto.
17:03Por que que nesses pontos, né?
17:05Por que que a gente não vê medidas sendo adotadas exatamente nesses locais, naquele
17:11momento, a gente continua vendo a falta de iluminação pública, a gente continua vendo
17:15um matagal alto que facilita, né, com que o bandido depois desça do ônibus e pique
17:20a mula, saia correndo, né?
17:22O que que falta?
17:23Roberto, eu poderia te falar situações, né, bonitas, né?
17:27Mas o que tem faltado é vontade do poder público, né?
17:30Essa é a realidade, né?
17:32Não adianta você fazer operações no centro, em vias muito movimentadas, parando ônibus
17:37e entrando, né, dentro dos coletivos, porque isso não vai surtir efeito, porque o assalto
17:42não vai acontecer ali.
17:44Claro que essas medidas também são importantes, mas não são eficazes a ponto de diminuir.
17:50Geralmente, os crimes, eles acontecem, né, a partir do momento em que o ônibus sai desse
17:55trajeto mais movimentado e vai para essas áreas, né, com baixa iluminação, né, que
18:00tem um mato mais alto.
18:01Então, é aí que devem entrar as forças de segurança, né?
18:05Então, a gente tem um serviço público caro como é, né?
18:09Então, a gente precisa, por exemplo, garantir que sejam feitas ações internas nos coletivos,
18:15né?
18:15Então, colocar a guarda municipal, né, tendo em vista que é um serviço prestado pelo
18:20município, embora aqui no estado, na Grande Vitória, seja o estado que controle,
18:24mais é de competência do município.
18:26Então, as guardas municipais, né, a polícia militar, não apenas fazendo aquelas abordagens
18:31pontuais, mas também dentro do coletivo, né, ingressando no coletivo para que comece
18:37a trazer isso que o Letícia falou, essa ideia de uma sensação de segurança um pouco melhor
18:42para que, de alguma forma, a gente consiga diminuir um pouquinho essa sensação de medo,
18:48de descer do ônibus quando avisa um determinado grupo, uma determinada pessoa.
18:52E é claro, Roberta, investimento no processo de investigação, né?
18:57Se a gente não juntar esses elos, a curto prazo, nós não vamos conseguir estancar esse
19:03tipo de crimes e vamos continuar formando pessoas com medo e pessoas com medo, como
19:09Letícia bem disse, traz aí uma sociedade doente.
19:13E uma sociedade doente coloca todos nós aí nesse processo de insegurança.
19:18E olha só, o que que eu fiz? Eu fui até um ponto de ônibus aqui no centro da nossa
19:21capital para ouvir os passageiros. E a gente vai ver agora o que que eles disseram sobre
19:26essa questão da segurança nos ônibus. Acompanhe.
19:30Tô vendo aqui, ó, que você tá com a mochila pra frente. É uma das medidas de segurança
19:34que você procura adotar?
19:36É, eu prefiro carregar na frente. Medo que eu tenho, né, de roubar meu dinheirinho que
19:40eu vou pagar as contas, né?
19:41Tô vendo que você vai pegar ônibus. Você se sente insegura de pegar ônibus?
19:45Sim, sim. Por quê?
19:48Muito assalto, né?
19:49A gente já olha, vai olhando dos lados, observando as pessoas que realmente segurança tem bastante
19:54dentro do ônibus também.
19:55Pelo menos eu tenho uma valência maior, que eu sou vendedor ambulante e eles não
19:59assaltam quando o vendedor ambulante tá em um ônibus. Mas quantas vezes eu já subi,
20:03acabou de ser assaltado, já desci, cheguei no terminal, o ônibus que você tava foi assaltado,
20:08você desceu, acabou de ser assaltado demais.
20:11É 10 anos fazendo isso aqui, ó. E mais de 20 assaltos eu já vi acontecer assim, ó.
20:16Andamento, foi um negócio feio, mano.
20:18Eu mesmo já fui assaltado dentro do ônibus uma vez.
20:21Como é que foi?
20:22Voltando da faculdade, eram umas 10 horas da noite.
20:26Entraram, sentaram lá no final, esperaram passar por uma rua mais escura, sem movimento,
20:31anunciaram o assalto e levaram o celular de todo mundo.
20:35E o que que eu percebi com as pessoas ali que eu entrevistei aqui no ponto de ônibus
20:40no centro de Vitória, né?
20:41Eu queria que você desse essas dicas pra gente.
20:43A gente vê que as pessoas estavam com o celular na mão ali no ponto de ônibus,
20:46tinha gente com fone de ouvido, pessoas com bolsa, Rusley.
20:51Isso daqui faz parte, a gente tá falando de algo que faz parte da rotina de todo mundo, né?
20:56Quem hoje não pega ônibus um dia, já pegou uma hora, pode precisar pegar também novamente, né?
21:02O coletivo.
21:03Queria que você desse dicas de como que a gente deve usar esses itens, né?
21:08Já que a gente se sente tão inseguro.
21:09Inseguros, né?
21:11Roberta, a Letícia falou uma coisa muito interessante, né?
21:14Primeira coisa é prestar atenção, né?
21:15Claro, não trazendo essa ideia de hipervigilância, porque isso causa também,
21:20mas essa ideia de realmente entender o ambiente em que você está.
21:23As primeiras dicas que a gente consegue dar é,
21:26dentro dessa ideia desses crimes um pouco mais leves, né?
21:30Esses crimes de oportunidade, então a bolsa sempre à frente, né?
21:34Do homem, da mulher, então nunca no fundo, né?
21:37Nunca colocando entre as pernas, abaixo, escondido, não.
21:41Sempre à frente, isso aí, Roberta, sempre à frente, tá?
21:45Dessa forma.
21:46E o interessante, Roberta, que a gente também pode colocar
21:49sempre as nossas mãos à frente da bolsa, tá?
21:53Principalmente, a gente sabe que a gente cochila dentro do ônibus, né?
21:56Isso é normal, né?
21:57Então o que a gente faz?
21:58Coloque as mãos sempre fechando ali o acesso a esse tipo de bolsa.
22:03Por quê?
22:04E aí, eventualmente, numa oportunidade, ele vai tentar abrir.
22:07Então você fechando assim, você vai acordar.
22:09Então essa é a primeira dica que a gente dá.
22:12Mochilas, nunca andando nas costas, sempre na frente também.
22:16Igual aquela senhora, né?
22:17Igual aquela senhora.
22:17Ela estava usando aqui para frente.
22:19Então a bolsa, gente, para frente, coloca a mão assim.
22:22Já é uma forma da gente mostrar que a gente está atento.
22:25Que está atento.
22:26Isso aí.
22:26Se tiver alguém ali querendo, que está ali na dúvida, e aí, assalto ou não assalto,
22:30isso ajuda a gente?
22:31Ajuda.
22:32Aqueles crimes de oportunidade, a rastão é difícil, né?
22:34Mas naqueles crimes de oportunidade que a gente vê acontecendo bastante, isso vai
22:38ajudar e muito.
22:40Por quê?
22:40Porque o bandido, ele quer a facilidade.
22:42Então se ele encontrou ali uma situação que evita, né?
22:46Que é um pouco mais dificultosa para ele executar a ação, ele vai então se afastar.
22:51E é claro, usar fone de ouvido é uma situação que gera muita, mas muita falta de percepção
22:59da realidade.
22:59Não só dentro daquela situação que a Letícia disse para a gente, né?
23:03De garantir que a sua atuação seja uma atuação adequada, mas essa ideia do fone
23:08de ouvido é principal.
23:10Porque isso vai trazer, se você estiver com os dois ainda, você está desligado dentro
23:15daquele coletivo.
23:16Então as pessoas vão entrar, vão...
23:18A gente já viu situações, Roberta, de pessoas que o ônibus está sendo assaltado, as pessoas
23:25estão com os dois fones de ouvido e não percebem que o ônibus está sendo assaltado, né?
23:30Porque está completamente desligado.
23:33Então se vai usar o fone de ouvido, infelizmente a gente vive uma sociedade caótica no sentido
23:38de segurança pública.
23:39O aconselhado é, não usa aparelho celular dentro do coletivo porque isso chama atenção, né?
23:45Então, não usar fone de ouvido, não usar e não mexer no aparelho celular são as dicas,
23:51infelizmente, que a gente tem que dar.
23:53Agora, se você quer utilizar, utilize apenas um fone de ouvido com um fone baixo para que
23:58você consiga perceber o ambiente, verificar quem está entrando e quem está saindo.
24:03E um outro ponto interessante também, Roberta, é o local em que você vai sentar dentro
24:08do ônibus, tá?
24:10Então se você vai pegar um ônibus que está cheio, aí você não tem como escolher.
24:13Agora, se você está pegando o ônibus naqueles horários, né, que tem menos gente dentro
24:18do coletivo, o ideal é que sempre você sente, como a gente não tem mais a figura do cobrador
24:23aqui no Espírito Santo, o ideal é que você sempre sente mais próximo ao motorista e onde
24:29a iluminação do ônibus é melhor, tá?
24:32Nunca muito próximo da porta, tá?
24:35Então se você puder evitar ficar muito próximo da porta, por quê?
24:39Esses crimes de oportunidade é mais fácil, ele vai puxar o celular, vai puxar a sua bolsa
24:44e vai sair do coletivo, tá?
24:47Então é interessante que você não fique muito próximo da porta e se você puder, segure
24:52a sua bolsa, esconda o seu celular, não use os dois fones de ouvido, porque isso vai
24:57dificultar aqueles crimes de oportunidade.
24:59E nunca, obviamente, Roberto, que a gente sempre fala aqui, né, nunca reaja, tá?
25:05Nunca reaja a nenhum tipo desses crimes cometidos, porque raramente são situações em que eles
25:12estão sozinhos.
25:13É muito raro crimes cometidos dentro dos coletivos em que os indivíduos estão sozinhos, né?
25:18Às vezes eles não estão armados com arma de fogo, mas estão com faca, né?
25:22Então você pode sofrer algum tipo de lesão ali.
25:25E a gente sabe que eles não têm nada a perder.
25:26Não.
25:26Gente, se deixasse, a gente ficava aqui até amanhã batendo um papo sobre isso, porque
25:30de fato a gente vê aqui, ó, a interação dos nossos telespectadores, isso aqui faz parte
25:35do nosso dia a dia, né?
25:37É um direito nosso de ir e vir, a gente paga por esse serviço, né?
25:41Não é um serviço barato e a gente também tem cobrado às autoridades, mas providências
25:45que não dá mais para aceitar isso.
25:47Obrigada pela participação de todos vocês, viu?
25:49Uma pena que o nosso tempo acabou.
25:50Obrigada, tá?