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Especialista em segurança comenta casos de pessoas que reagiram a ações criminosas
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NotíciasTranscrição
00:00Pela lei, bater em alguém, mesmo que essa pessoa tenha cometido um delito, é crime.
00:05Para fazer o alerta, recebo aqui no estúdio o especialista em segurança pública, Rafael Pereira.
00:11Boa tarde, Rafael. Bem-vindo ao Fala Espírito Santo.
00:13Boa tarde, Juliana. É um prazer estar de novo aqui com você.
00:15A gente tem uma situação que é realmente muito difícil, né?
00:19A violência é presente na sociedade, não é de hoje.
00:23Há muito tempo que a gente vê casos de violência, pessoas sendo assaltadas,
00:28pessoas sendo estupradas, agressões, e aí a população, muitas vezes revoltada,
00:34acaba fazendo o mesmo, ou seja, partindo para cima de quem comete algum crime.
00:38Perfeito. Infelizmente, né, esse quadro de violência, ele é não limitado ao nosso Estado,
00:43mas é um problema nacional, verificado em todo o país, né?
00:48E, infelizmente, há um crescimento em alguns tipos de crime,
00:51embora nós tenhamos observado a redução em crimes como homicídio, por exemplo.
00:55Porém, pela legislação penal brasileira, essa prática de justiça com as próprias mãos
01:00configura-se, no mínimo, um crime, um crime de exercício arbitrário das próprias razões,
01:05salvo se não for uma coisa mais grave.
01:07Como esse caso aí, em que há uma agressão, em que há a lesão corporal,
01:11é possível, sim, um enquadramento em um crime mais gravoso.
01:13Então, infelizmente, há uma consequência negativa desse crescimento da violência,
01:18dessa violência presente na sociedade,
01:20mas a população tem que ter a ciência que o poder de punir é exclusivo do Estado, através de seus
01:25agentes.
01:26Ou seja, quem agride alguém, mesmo que seja um criminoso, está se tornando um criminoso também.
01:33Perfeita colocação.
01:34É isso mesmo, Juliana.
01:34À luz do direito penal pátrio, nós temos que, em situações em que você age em legítima defesa,
01:41ou em estado de necessidade, ou no exercício regular de um direito,
01:45aquelas chamadas excludentes da ilicitude,
01:48desde que haja uma razoabilidade, uma proporcionalidade.
01:51Vou dar um exemplo.
01:51Você está sendo agredido, ou vai sofrer uma agressão iminente.
01:55Você pode agir de forma a repelir essa agressão,
01:58porém, de forma razoável e proporcional.
02:01Tudo aquilo que é feito além, tudo aquilo que é excesso,
02:04configura-se, assim, na prática de um crime.
02:05A reação por parte da vítima deve ser evitada.
02:09É claro que há situações pontuais em que há um risco maior, por exemplo,
02:13de ser ceifada a vida e a pessoa, efetivamente, não tem outro modo se não reagir.
02:18Mas não é o aconselhável.
02:19No caso, desse caso específico, dessa enfermeira que perseguiu o assaltante,
02:25se ele viesse a ter alguma lesão, em razão da atitude dela de reação,
02:30ela estaria, efetivamente, acobertada por uma daquelas excludentes que eu disse agora há pouco.
02:33Porque faz parte, o direito penal, ele entende que é possível a reação da vítima
02:38ou a atitude que até lesione um bem de terceiro,
02:41desde que haja sempre moderação, razoabilidade e proporcionalidade.
02:46O que não pode ocorrer, o que a lei não admite, é o excesso.
02:48Como ficou demonstrado a posteriori, que esse indivíduo foi espancado.
02:52Aí não. Qual seria a atitude?
02:54Render esse indivíduo e acionar a polícia.
02:57Ou seja, a pessoa, assim, que você já tocou aqui, que é perigoso, né, no ponto.
03:00É perigoso a gente reagir a um assalto.
03:03Mas a gente, na hora, não sabe também, né, o que faz, sobe o sangue na cabeça ali.
03:08Às vezes a gente tem um impulso e reage.
03:11Reagiu, ok, a lei entende como isso, uma ação e uma reação, né,
03:14ou seja, você foi assaltado e você reagiu e foi pra cima da pessoa.
03:18Aí, ok.
03:19A partir do momento que, por exemplo, chegam outras pessoas
03:22e que a violência se torna um pouco mais exagerada,
03:26ou você mesmo, vítima, você bate, bate, bate, sem parar,
03:30essa pessoa paga e você continua batendo,
03:32aí já se configura um crime.
03:34Já se excedeu a ação.
03:36Perfeito.
03:37Porque a lei, ela é muito clara.
03:38No caso específico da legítima defesa,
03:41que é o mais comum nesses casos em que há crimes contra o patrimônio,
03:44a própria lei diz que age em legítima defesa
03:48quem, utilizantes dos meios necessários,
03:51repele agressão injusta e iminente.
03:53Ou seja, a violência, vamos dizer assim,
03:56praticada pela vítima contra o seu agressor
03:59deve limitar-se a quê?
04:00A cessação daquela agressão.
04:03Tudo aquilo que vier além de você cessar,
04:06de você evitar a agressão ou uma outra atitude mais nociva,
04:11pode efetivamente configurar-se em excesso
04:13e o indivíduo vir a responder,
04:15inclusive até por crime de homicídio, né,
04:17essa situação.
04:18Então, por isso, cuidado.
04:19Pois é, de vítima, às vezes, de vítima vira um criminoso, né?
04:21Pode virar um criminoso.
04:22E pior ainda, Juliana,
04:23quando terceiros que interferem naquela situação,
04:26e muitas vezes nós temos exemplos aí
04:27de indivíduos que já estão ali detidos,
04:32já não esboçam nenhuma reação
04:34e continua essa agressão.
04:35Você já está preso, já está algemar, já está amarrado.
04:37E esses indivíduos que pratiquem esse tipo de atitude
04:39podem vir a responder à luz do código penal.
04:42E, ó, a gente está aqui com participações
04:43na nossa transmissão.
04:44Denise Amâncio,
04:45eu não sou a favor de espancar uma pessoa,
04:48mas, olha, quando eu presenciei
04:49minha sobrinha no ponto de ônibus,
04:51em frente à minha casa,
04:52ser assaltada,
04:53dá vontade de dar vários tiros no bandido.
04:56Gilberto Jesus aqui também.
04:58Juliana, adoro o seu programa.
04:59Obrigada, tá, Gilberto?
05:00Ele falou agora,
05:01eu sou contra bater,
05:02mas que dá raiva, dá.
05:04Então, claro que dá.
05:05Isso aí é muito comum,
05:06isso é da natureza humana,
05:07do psicológico,
05:08mas é importante que as pessoas
05:09façam essa separação, né,
05:12entre o sentimento
05:13e entre o que deve ser feito.
05:15É por isso que nós vemos
05:16num Estado de direito
05:16em que há uma Constituição Federal,
05:18em que há uma legislação penal,
05:20tanto o Código Penal,
05:21o Código de Processo,
05:21a legislação extravagante,
05:23que vem justamente a delimitar
05:25até onde o indivíduo pode agir,
05:27não só o indivíduo,
05:28o Estado também encontra esses limites
05:30no próprio direito.
05:31Então, se nós não tivermos
05:32essa regulação e essa delimitação
05:34nas reações,
05:35nós possivelmente encaramos
05:38uma situação de caos social
05:39que se torna muito mais gravoso
05:40do que já vem ocorrendo.
05:41E olha, está aí mais uma situação, né?
05:44E aí, qual a análise neste caso, Rafael?
05:47Bom, Juliana, perfeito.
05:48Nesse caso, o filho da vítima,
05:50que por sinal é um agente
05:51de segurança pública,
05:52se não me engano um agente
05:53da Guarda Civil Municipal,
05:54agiu da forma correta.
05:56Fez a abordagem,
05:57rendeu efetivamente o criminoso,
05:59ali percebe que não há mais
06:00nenhum risco de violência
06:02ou prática de mais alguma
06:04atitude lesiva por parte
06:05daquele criminoso.
06:06Em seguida, ele fez o acionamento
06:08da Polícia Militar,
06:09o indivíduo foi encaminhado
06:10até a Delegacia de Polícia Civil,
06:11onde foi feita a autuação
06:13pelo crime de roubo.
06:14Então, essa é a atitude perfeita.
06:16Ressaltando que, nesse caso,
06:18o filho da vítima
06:19é um agente de segurança pública.
06:20Então, é alguém que está preparado
06:21para lidar com aquela situação.
06:22O risco é de quem não é,
06:25pessoas que não atuam
06:26na segurança pública,
06:27agir dessa forma
06:28e, eventualmente,
06:29o quadro se desdobrar
06:30para algo mais grave,
06:31inclusive até um homicídio.
06:33A gente, você falando assim,
06:35me fez lembrar
06:36essas histórias
06:37que a gente vê, às vezes,
06:38teve uma aí também
06:38nos Estados Unidos
06:39que chamou,
06:40que criou protestos enormes, né,
06:43de um policial
06:44que foi imobilizar e imobilizar
06:46um cara e acabou matando.
06:48A gente já viu cenas assim
06:49em estabelecimentos comerciais,
06:51em lojas também,
06:52do segurança imobilizar
06:53uma pessoa
06:54e acabar matando
06:56essa pessoa.
06:57Realmente existe,
06:58isso acontece, né,
06:59e desespera, gente,
07:00é bandido,
07:01mas, enfim,
07:02é uma pessoa também, né.
07:04Vamos ler aqui
07:05as participações?
07:06O Roger Campos
07:07está falando,
07:08o criminoso pode cometer
07:09tal crime e ser liberado?
07:11Evandro Araújo,
07:12bandido tem muito direito,
07:14roubam, matam
07:15e vai lá,
07:16passa pela famosa
07:17audiência de custódia
07:18e sai.
07:19População não aguenta mais,
07:21está aqui um desabafo
07:22do Evandro.
07:23Rosângela Damascena
07:24contou um pouquinho
07:25da história dela.
07:26Existe o crime de agressão,
07:28mas não existe a lei.
07:29Fui agredida
07:30e tive que prestar
07:31serviço comunitário
07:32junto com a agressora.
07:34Quem é o criminoso?
07:35Ela pergunta.
07:36É, Juliana,
07:37são situações diversas, né,
07:39e quando fala, assim,
07:41em prática de crimes,
07:43tudo tem que ser avaliado
07:44à luz do caso concreto, né.
07:47O que nós temos
07:48no direito penal, por exemplo,
07:49que é diferente
07:49do direito civil,
07:50é que não há
07:51uma compensação de culpas, né.
07:53Então, no direito civil,
07:54por exemplo,
07:54se eu devo a você 100 reais,
07:56se você me deve 100 reais,
07:57a situação está resolvida.
07:58A luz do direito penal
07:59e do processo penal
08:00é diferente.
08:01Você pode, ao mesmo tempo,
08:02ser vítima,
08:03no caso, vamos dizer,
08:04de uma lesão corporal leve,
08:05mas se você reage
08:07ou se você também pratica
08:09uma agressão em contrapartida,
08:11você pode responder também.
08:12Então, no direito penal,
08:13não há essa compensação.
08:13Você pode ser vítima
08:14e criminoso ao mesmo tempo.
08:16Esse é o primeiro ponto.
08:17Com relação ao segundo comentário
08:19feito e muito pertinente,
08:22infelizmente,
08:22a legislação brasileira,
08:24ela traz muitas situações,
08:27principalmente para crimes
08:28que são considerados
08:28os crimes de menor potencial ofensivo,
08:30em que o indivíduo
08:31não chega nem a ser processado.
08:33Nós temos uma substituição
08:34do inquérito policial
08:35por um termo circunstanciado
08:36e o indivíduo,
08:37antes de ser efetivamente
08:39denunciado pelo Ministério Público,
08:41ele pode aceitar
08:43uma transação penal,
08:45o que vai impedir,
08:46inclusive,
08:46um processo.
08:47Então, eu verifico,
08:49Juliano,
08:49que o grande problema
08:50não reside efetivamente
08:51na atuação do Estado,
08:52na atuação preventiva do Estado
08:54ou repressiva do Estado,
08:55mas sim
08:56num sistema processual
08:59ilegal
08:59que acaba permitindo isso aí.
09:00É claro.
09:01Ou seja,
09:02para a gente falar assim,
09:03bem claro para entender,
09:05pode-se entender,
09:06existe uma falha na lei.
09:08O senhor explicaria dessa forma?
09:10Eu penso que não,
09:11falha é um termo
09:12que acaba sendo atécnico.
09:14O que existe são
09:15situações em que a lei,
09:17ela traz a possibilidade
09:19de você substituir
09:21a prisão,
09:21o cárcere,
09:22por medidas cautelares
09:24diversas,
09:24como a prestação de serviço
09:26à comunidade,
09:27que muitas vezes é válido.
09:28O problema é que nós temos
09:29indivíduos que são reincidentes,
09:31indivíduos que são
09:32contumazes na prática de crime,
09:33como praticam crimes leves,
09:34acabam sim sendo colocados
09:36novamente na rua
09:37e muitas vezes
09:38o próprio juiz
09:39fica adstrito à lei,
09:40porque o juiz está preso à lei,
09:42o juiz não faz a lei.
09:42Ele fica preso à lei
09:43e acaba tendo que colocar
09:44o indivíduo na rua.
09:45Pois é, tem um exemplo
09:45que o Pablo Rocha
09:46deu aqui
09:47de uma pessoa
09:48que foi detida duas vezes
09:50cometendo o mesmo assalto.
09:51Já já eu vou ler o comentário,
09:52mas já que a gente falou
09:53aqui sobre a lei,
09:54gente, a lei permite
09:55que qualquer cidadão
09:57dê voz de prisão
09:58para criminosos
09:59em flagrante,
10:00mas ele deve
10:01imediatamente
10:02acionar a polícia.
10:03O delegado
10:03Fábio Pedrotto
10:04teve entrevista
10:05recentemente
10:06para a nossa equipe
10:06falando exatamente
10:07sobre isso.
10:09Agredir qualquer pessoa
10:10em situações assim
10:11é crime
10:12e a pena
10:13pode chegar
10:13a 12 anos de prisão.
10:16A sociedade
10:16não deve se colocar
10:18na condição
10:18de julgadora
10:20substituindo o Estado
10:21na solução
10:22dos conflitos sociais.
10:24Cabe somente
10:25ao Estado
10:25através do Poder Judiciário
10:27julgar
10:28as demandas
10:29que lhe são apresentadas
10:30e aí sim
10:32determinar
10:33uma pena adequada.
10:35E quando a sociedade
10:36se coloca
10:37na condição
10:38de julgadora
10:39exercendo arbitrariamente
10:41suas razões
10:42pode incorrer
10:43em sérios equívocos
10:45em sérias injustiças
10:46ainda que a pretexto
10:48de realizar justiça.
10:50Tivemos exemplos
10:51aqui no Estado
10:52de pessoas
10:52que foram inchadas
10:53até a morte
10:54e depois descobriu-se
10:55que eram inocentes.
10:57Portanto,
10:57essas condutas
10:58devem ser repelidas
11:00desestimuladas
11:01geralmente são
11:03periféricos
11:04negros
11:05pessoas pobres
11:06que são vítimas
11:07desse tipo
11:08de violência social.
11:11Então tá aí, né?
11:12Existe punição também
11:13que é o que a gente
11:14vinha falando, né, Rafael?
11:16Deixa eu ler aqui
11:17o comentário
11:17do Pablo Rocha
11:19pra gente falar
11:20um pouquinho sobre isso.
11:21Pablo diz o seguinte
11:21o que conseguimos sentir
11:23é que o errado é certo
11:24e o certo é errado
11:25visto o caso
11:26do ladrão
11:27que no mesmo dia
11:28roubou duas vezes
11:29o mesmo estabelecimento.
11:31Se o dono mata
11:32ele ainda vai estar errado.
11:33E aí o Pablo
11:34complementa aqui
11:35também fala de outro caso
11:36o caso do médico
11:37que reagiu ao assalto
11:38dentro da sua casa.
11:39ele matou o bandido
11:40e ainda teve
11:41que pagar a fiança
11:41no dia.
11:42Viver no Brasil
11:43não é pra amadora
11:44ele resume aqui.
11:47Bom, Juliana
11:47eu sou muito sensível
11:48a esses comentários
11:51retrato efetivamente
11:52o sentimento
11:52da população
11:54principalmente
11:55de pessoas
11:56que estão
11:56fora da área
11:58do direito
11:59pessoas que
12:00não são juízes
12:01que não estão
12:01ligadas ao direito
12:02mas infelizmente
12:05nós não devemos
12:06pontuar situações
12:08que são singulares
12:09e transformá-las
12:11em situações
12:11genéricas
12:12esse é o risco
12:13porque efetivamente
12:14nós temos uma legislação
12:15que deve ser respeitada
12:16nós temos sim
12:17algumas situações
12:18que o legislador
12:19optou por não
12:21imprimir uma carga
12:22punitiva
12:23tão extremada
12:24então o que permite
12:25que indivíduos
12:26sejam colocados
12:27em liberdade
12:27após a prática de crimes
12:28como o caso do furto
12:29que ele deve ter citado aí
12:30o furto é um crime
12:31de pena de reclusão
12:32de um a quatro anos
12:33é um crime sem violência
12:34sem grave ameaça
12:35à pessoa
12:35que acaba por permitir
12:36alguns benefícios penais
12:38isso acaba gerando
12:38essa sensação
12:39pois é
12:39não a gente teve um caso
12:40eu não me lembro
12:41qual que era o estabelecimento
12:42mas eu vi
12:43essa notícia
12:44o camarada foi
12:44assaltar
12:45sei lá
12:45digamos um consultório
12:47entrou lá
12:47no consultório
12:48assaltou o consultório
12:49de manhã
12:49foi preso
12:50foi preso
12:50pela delegacia
12:51soltaram ele
12:52mas no mesmo dia
12:53ele voltou
12:53no mesmo estabelecimento
12:54no mesmo consultório
12:55para roubar de novo
12:56e aí foi preso
12:57mais uma vez
12:57perfeito
12:58isso nos faz
13:00refletir
13:00sobre o atual sistema
13:02né
13:02e a única forma
13:03de se alterar isso
13:04é efetivamente
13:05através da lei
13:06através da legislação
13:07e como alterar a legislação
13:09através do processo
13:10legislativo
13:11através dos nossos
13:12representantes
13:13né
13:13através de deputados
13:14senadores
13:15né
13:15da república
13:16que podem rever
13:17e fazer essa alteração
13:18é claro que nós temos
13:19exemplos do direito
13:20estrangeiro
13:20por exemplo
13:21os Estados Unidos
13:21possuem em alguns
13:23estados
13:23a previsão
13:24do terceiro crime
13:26por exemplo
13:26se o indivíduo
13:27pratica o crime
13:27uma vez
13:28na segunda vez
13:29a pena jamais é gravada
13:30e na terceira vez
13:31a carga punitiva
13:32do Estado
13:33é extremada
13:33então por que não
13:34pensar em outras
13:35soluções
13:36o que não se pode
13:37é se desviar
13:38do que a lei
13:39prevê
13:40então se a lei
13:41não está
13:42atendendo ao fato social
13:43infelizmente no Brasil
13:44a lei ela vem a reboca
13:44do fato social
13:45o que tem-se a fazer
13:46é discutir
13:48uma reforma
13:49discutir uma alteração
13:50em alguns pontos
13:50tem mais um comentário
13:52que resume bem
13:53as vezes essa sensação
13:55a revolta
13:56uma sensação de impunidade
13:57que pessoas de bem
13:58não são ouvidas
14:00da forma que deveriam
14:01ela fala o seguinte
14:02parece que só tem lei
14:03nesse país
14:03para proteger bandido
14:05os trabalhadores
14:06são assaltados
14:06não dá em nada
14:07para eles
14:09a polícia
14:09prende
14:10e os delegados
14:10soltam
14:11fica se enxugando gelo
14:13eles não ficam
14:1412 anos
14:15quando matam
14:16matam pessoas de bem
14:18mas as pessoas de bem
14:19tem que ter uma lei
14:21para ficar 12 anos
14:22fala sério
14:23ela ainda complementa aqui
14:24é uma sensação
14:25realmente de desalento
14:27com algumas posturas
14:29e algumas atitudes
14:30que o Estado
14:30vem a tomar
14:31mas lembrando
14:32Juliana
14:33que nós temos
14:34uma mudança
14:34de postura
14:35tanto legislativa
14:36quanto de atuação
14:38punitiva do Estado
14:39nos últimos anos
14:40nós temos pessoas
14:42efetivamente
14:43que antes eram tidas
14:44como inacessíveis
14:45pela justiça penal
14:46estão sendo presas
14:47crimes do colarinho branco
14:49hoje
14:49com muita repressão
14:51mas é claro que
14:51muita coisa tem que ser
14:52feita ainda
14:53o que há
14:54na verdade
14:55é uma necessidade
14:57de se adequar
14:58o que a lei
14:59prevê
15:00e o que a sociedade
15:01demanda
15:01é claro que isso
15:02não é um encaixe
15:03tão perfeito
15:04isso aí demanda
15:05sim
15:05uma revisão
15:08do que se tem hoje
15:09de legislação
15:10processual penal
15:11de legislação penal
15:12uma própria revisão
15:14do sistema de segurança
15:14pública
15:15mas claro
15:16o que tem que ficar claro
15:17é que o Estado
15:18é o único detentor
15:19do poder de punir
15:20como o delegado
15:22Fábio
15:22sempre muito
15:23preciso em suas palavras
15:25colocou
15:26a população
15:27não pode agir
15:28de forma aleatória
15:29é claro que o Código
15:30de Processo Penal
15:30prevê o chamado
15:31flagrante facultativo
15:32em seu artigo 301
15:34e qualquer pessoa
15:34do povo pode
15:35agora é um risco
15:36como a gente falou
15:37a população
15:38pode ter voz
15:39de olha
15:40está preso
15:40você está preso
15:43e vou te amarrar
15:44que vou te prender
15:45e aguarda
15:46até o órgão estatal
15:48sim
15:48isso é válido
15:50isso aí configura-se
15:51até num exercício
15:52regular de um direito
15:53todo cidadão
15:53não responde
15:54por crime
15:55se assim fizer
15:56agora o problema
15:56é que tem que entender
15:57o que é o flagrante
15:58não são conceitos
15:58tão simplórios
15:59são conceitos jurídicos
16:00aprofundados
16:01nós temos por exemplo
16:02no direito brasileiro
16:03hoje nove espécies
16:03flagranciais
16:04algumas ilegais
16:05e algumas que são legais
16:07então fica sempre a dica
16:09se não for possível
16:10agir de outra forma
16:11que faça efetivamente
16:12essa prisão
16:14essa detenção
16:15mas de forma razoável
16:16e proporcional
16:17acionando sempre
16:18os órgãos de segurança
16:19pública
16:19para que haja
16:20uma efetiva formalização
16:21disso aí
16:21e que não incorra
16:22na prática de um crime
16:23como o exercício
16:23habilitado das próprias razões
16:24pois é
16:25olha a gente
16:25a gente sempre escuta
16:27a população fala
16:28justiça com as próprias mãos
16:30isso é até errado
16:31da gente falar
16:32porque isso não é
16:33fazer justiça
16:34é até um erro
16:35quando a gente
16:35é uma forma popular
16:37que a gente chama
16:38de quando a população
16:39se revolta
16:40e bate num criminoso
16:41que estava cometendo assalto
16:42estava tentando estuprar
16:43uma pessoa
16:44mas isso
16:45pela própria lei
16:46não é fazer justiça
16:47porque
16:47pelo que o senhor está explicando
16:49aqui pra gente
16:49a lei existe
16:50pune também
16:51quem comete
16:52esse ato
16:53é bom a gente reforçar
16:54por mais raiva
16:56que dê
16:56porque dá sim
16:57seria hipocrisia
16:59a gente falar
16:59que não dá raiva
17:00de ver uma pessoa
17:01sendo assaltada
17:01imagina você ver
17:02uma pessoa
17:03mesmo que você nem conheça
17:04um cara tentando
17:05agarrar a mulher
17:06tentando estuprar
17:07é revoltante
17:08a primeira coisa
17:09que a gente pensa
17:10é ir lá
17:10e fazer também
17:11cometer algum tipo
17:12de violência
17:13porque é nosso
17:15do humano
17:15mas isso está errado
17:16existe lei
17:17existe lei
17:18para todo mundo
17:18por mais que o bandido
17:19não fique preso
17:20a verdade é essa
17:21né doutor Rafael
17:21muito bem colocado
17:22é bom a gente
17:24destacar isso
17:25porque a gente não quer
17:26se tornar um criminoso
17:27como outra pessoa
17:28muito bem colocado
17:29e essa expressão
17:30justiça
17:31com as próprias mãos
17:32acaba sendo uma
17:33interpretação
17:34contraditória
17:35porque afastaria
17:36certamente do conceito
17:37de justiça
17:38a justiça
17:39ela advém
17:40de todo o sistema
17:40e advém
17:41através do estado
17:42que é o legítimo
17:43detentor
17:44de uma violência
17:44legítima
17:45né
17:46essa violência
17:47também por parte
17:47do estado
17:48é limitada
17:48também
17:49pela lei
17:50se os agentes
17:51de segurança
17:51pública
17:52estão limitados
17:53no utilizar
17:55dessa violência
17:56muito mais
17:56aquele cidadão
17:57comum
17:58que não tem
17:59qualquer ligação
18:00com o estado
18:00e olha aqui
18:01os exemplos
18:02desse sentimento
18:04de cansaço
18:05mesmo
18:06da população
18:06que a gente
18:07está vendo
18:07olha
18:07a audiceia
18:09teixeira
18:09esperar a polícia
18:10chegar
18:10você já está
18:11morto
18:11a marina
18:12peniche
18:13a população
18:13já está
18:13cansada
18:14de levar
18:15prejuízo
18:16a audiceia
18:18falando
18:19polícia
18:19não é
18:21onipresente
18:21a população
18:23quer reagir
18:23porque não tem
18:24resposta rápida
18:25da polícia
18:25você liga
18:26para o 190
18:26muitas vezes
18:27os policiais
18:28nem aparecem
18:29no local
18:29alegam que tiveram
18:30muitas ocorrências
18:32aí o
18:33Valdelício
18:34aqui
18:34Viegas
18:35tem que
18:36quebrar
18:36quebrar
18:37no pau
18:38pois na hora
18:39bandidos
18:39estão
18:40pois toda hora
18:40os bandidos
18:41estão
18:41as soltas
18:42quem paga
18:43a conta
18:44é a população
18:45Bom, Diana
18:46mais uma vez
18:47isso demonstra
18:48o sentimento
18:49de insatisfação
18:50da população
18:50e isso é
18:52isso é natural
18:52isso é entendido
18:54pelo Estado
18:54porém
18:55deve ser passada
18:56novamente
18:57a mensagem
18:58de que existe
18:58uma legislação
18:59existe um Estado
19:00atuante
19:01existem os órgãos
19:02de repressão
19:03os órgãos
19:03de segurança pública
19:04que atuam
19:05ainda que com dificuldades
19:07em todo o território
19:08nacional
19:08seja de pessoal
19:09seja de instrumento
19:11mas a polícia
19:11está aí
19:12ela não é
19:12onipresente
19:13então isso demonstra
19:14que a forma
19:15da população
19:15participada
19:16da segurança pública
19:17é através
19:18dos órgãos formais
19:19nós temos
19:19o Disque Denúncia
19:20por exemplo
19:20que é extremamente
19:21importante
19:21para a prevenção
19:23e a solução
19:23de crimes
19:24então dessa forma
19:25a população
19:25pode sim
19:26participar
19:28é claro que é um problema
19:29que ele envolve
19:30inúmeras soluções
19:33inúmeros projetos
19:34a serem avaliados
19:35mas que fique claro
19:36que agir
19:38em desacordo
19:39com a lei
19:40transforma você
19:41coloca você também
19:41as margens
19:42da lei
19:43coloca você também
19:44passível
19:44de ser responsabilizado
19:45criminalmente
19:46e ser colocado
19:47no mesmo patamar
19:48daquele criminoso
19:49devemos sempre
19:49separar
19:50o sentimento
19:51daquilo que é legal
19:52nem sempre
19:53esses dois
19:54estão ali
19:55andam ali lado a lado
19:56perfeito
19:56perfeito
19:57Rafael
19:57eu queria agradecer
19:58muito o seu bate-papo
19:59segue aqui os comentários
20:00depois acho que a gente
20:01pode voltar
20:02a discutir
20:03e falar mais sobre isso
20:04uma ótima tarde
20:06que é uma ótima tarde
20:06que é uma ótima tarde