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  • há 1 hora
O comportamento dos pais é diretamente ligado aos dos filhos pequenos.

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Transcrição
00:00As cenas que nós vamos mostrar agora são absurdas.
00:05As imagens são do final do jogo, da final do jogo entre Caxias e Internacional pelo Campeonato Gaúcho.
00:11O jogo foi para os pênaltis e, imagina, teve aquela briga entre os jogadores, o que já é um erro,
00:18né?
00:18Aí, os torcedores invadiram o campo.
00:22Entre eles, estava um homem com uma criança no colo.
00:26Gente, olha essa imagem, uma garotinha.
00:30Ele entrou no campo para brigar, segurando a menina no colo.
00:34Olha isso que absurdo e ainda deu um chute por trás em um dos atletas do Caxias.
00:41E ele só parou, observa aí nas imagens, porque ele foi contido pelos funcionários da Federação Gaúcha de Futebol.
00:49Aí, a gente se pergunta, que tipo de exemplo nós estamos dando para as nossas crianças?
00:57Meu Deus, depois não adianta reclamar.
00:59Ah, que é uma geração agressiva, é uma geração violenta.
01:04O bom exemplo vem de onde?
01:06Vem de dentro de casa.
01:07Então, vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:10Aqui no nosso estúdio, eu recebo o psicólogo Alexandre Brito.
01:13Obrigada, Alexandre, pela sua participação.
01:15Camila Dias, que é advogada, vai falar também daqui a pouquinho para a gente.
01:20A gente imagina que esse homem não vai ficar impune, né?
01:24Alguma coisa tem que acontecer, né, Camila?
01:26E a gente também recebe aqui o Ivan Machado, que é pai da Helena, não é isso, Ivan?
01:31Isso aí.
01:31E já passou por situações na vida em que se você não tivesse aquele controle emocional,
01:39a Helena estava ali do seu lado, ela poderia ver algo que condiz com a idade dela, Ivan?
01:45Isso aí.
01:45Boa tarde a todos.
01:46Boa tarde.
01:47Boa tarde, Roberto.
01:47Obrigado por me receber aqui.
01:49E vou falar uma situação que aconteceu com a Helena, ela tem um ano e meio.
01:53E só teve uma situação complicada que eu fiquei assim, ainda bem que eu respirei fundo,
01:57que eu não percebi que eu tinha fechado um motoqueiro de carro.
02:01E brincando com ela, ela estava atrás, né, na cadeirinha e tal, estou continuando andando
02:04e tal, parei o sinal.
02:05Quando eu parei o sinal, leva ela para casa depois da escola, e a mãe dela não estava,
02:10estava só eu e ela, né?
02:11Brinco ela assim de vez em quando, quando para, o motoqueiro para com o capacete e bate
02:14no vidro assim, forte.
02:16Eu olho e ele bate de novo no vidro forte.
02:18Eu pensei, deve ser aquele cara que estava ali, que passou correndo, buzinou, reclamou
02:22de alguma coisa.
02:23Aí eu respirei, pedi a Deus serenidade, sabedoria e consegui ir embora e não deu nada.
02:27Mas deu vontade de abrir a janela, de ir para cima, de fazer alguma coisa, só que graças
02:32a Deus eu consegui respirar e tal.
02:34Mas hoje o dia está muito, o nosso emocional está muito abalado hoje em dia.
02:38Se a gente deixar qualquer coisinha, a gente tem uma atitude como essa que ele teve ali
02:42que não foi feliz.
02:43Então, o exemplo vem de casa, a gente tem que tomar muito cuidado com isso.
02:46Eu tenho pedido a Deus, muita sabedoria, porque eu sou um cara sanguíneo.
02:49Então, assim, evito de estar em lugares públicos com ela, passar por situações que
02:52possam me deixar com o ânimo alterado, porque é complicado.
02:56Você fez isso principalmente por ela?
02:59Por causa dela.
03:00Talvez se ela não tivesse, eu teria tido outra reação.
03:02O que a gente também já falou sobre esse assunto, né?
03:05Que como você bem trouxe já, às vezes a gente está com o ânimo muito exaltado, ainda
03:09mais tratando de trânsito, mas independentemente do ambiente.
03:13A gente tem que ser exemplo, né, Alexandre?
03:15E é aí que fica a pergunta.
03:16Um homem como esse, que exemplo que ele está dando para aquela criança?
03:20Boa tarde.
03:31Faz o seguinte, Camila, por gentileza, empresta o microfone para o Alexandre.
03:35Isso, pronto, resolvido.
03:36Vamos de novo, então?
03:37Isso, vamos lá.
03:38A gente vê naquela cena ali que ele está agindo como um torcedor, um torcedor que não
03:43sabe torcer, não sabe perder, não sabe lidar com situações de estresse, de conflito,
03:49mas ele está sendo torcedor e não está sendo pai.
03:52Ele está sendo torcedor e não foi pai de modo algum naquele momento.
03:56Então, ele deixou as suas funções paternas de lado para ali demonstrar a violência, a
04:03agressividade.
04:04E, de fato, quando a gente fala em educação, a educação necessariamente é por meio de
04:10gestos, por meio de exemplos.
04:12Não é só a palavra que você diz, mas também a forma como você lida com determinada situação,
04:18pois não podemos subestimar as crianças.
04:21Elas prestam atenção nos detalhes e elas entendem.
04:25Elas entendem e, muitas vezes, acabam ficando igual.
04:29Porque, muitas vezes, veja bem, ao invés da criança sentir raiva do pai, ela fica igual
04:34ao pai.
04:35É uma forma, vamos dizer assim, psíquica da criança lidar com uma situação que ela
04:41não compreende tão bem.
04:43Então, ao invés de ficar com raiva, nossa, o meu pai é violento, a criança fica violenta.
04:48Essa é a grande questão.
04:49Acaba desenvolvendo nela até mesmo aquele instinto, né, de tipo, ah, é meu pai, tem
04:53que defendê-lo.
04:54Isso.
04:55Entre desaprovar o pai e ficar igual, em geral, a gente vê na clínica que a criança fica
05:01igual.
05:02Então, a educação que a gente fala é isso, porque elas têm os pais como a principal
05:07referência, principal laço, vínculo, a confiança principal é com os pais.
05:13Então, ali, a gente percebe que ele deixa de ser pai para ser um torcedor que não sabe
05:18torcer muito bem.
05:19E aí, a criança acaba tendo também...
05:21Aliás, a criança acaba tendo também exposição ao risco, porque ele colocou a criança em
05:27situações de violência.
05:28Certo.
05:29E aí, Camila, a gente se pergunta, né?
05:32Não dá para banalizar isso.
05:34Não dá para achar uma cena dessa normal.
05:36Qual é o entendimento da justiça?
05:38Ainda mais que existe uma prova ali.
05:40Ninguém está falando, não surgiu uma história, um boato.
05:43Existe uma imagem clara ali.
05:46Qual é o entendimento da justiça?
05:47Então, ele expôs ao risco, né?
05:51Graças a Deus, essa criança não chegou a ser violentada, mas ele levou a criança para
05:56correr esse risco.
05:57Estavam como um escudo ali naquela confusão toda.
06:01E foi por pouco, né?
06:02Que ela não foi violentada.
06:03Muito pouco.
06:04E até isso poderia acontecer até de uma forma involuntária ali, naqueles barras,
06:08barras, né?
06:09Todo entre os jogadores, enfim, os torcedores.
06:12Mas, Roberta, a gente ouviu muito, eu não sei aí, também já deve estar chegando dos
06:16seus telespectadores, a respeito da perda da guarda.
06:19Ah, esse pai tem que perder a guarda, perder a guarda.
06:21O que que vem a ser isso?
06:23Na verdade, seria o poder familiar, que a gente chama, né?
06:26Não dá para isolar um fato e esse fato chegar à conclusão de que uma guarda, um poder,
06:33vai ser tirado de um pai por conta de uma situação desconexa a outras, né?
06:39Então, assim, a perda do poder familiar, que vulgarmente a gente chama da guarda, ela
06:45é muito grave.
06:46É você tirar toda a responsabilidade paterna, como se a criança não fosse mais para a justiça
06:52filho daquela pessoa.
06:54Então, ao ver externo, não seria para chegar a esse ponto, mas outras imputações, sim.
07:01Quais, por exemplo?
07:02Então, por exemplo, o próprio clube ou a confederação, né, pode estar impedindo
07:08ele de frequentar os estádios por um bom tempo, ser banido, né?
07:12Hoje, depois que modificou aí algumas questões após essas violências todas comprovadas em
07:17estádio, ele pode ser, pode ser entrada também com agressão física, né?
07:23Isso daí ele vai, eu já li alguma coisa aí na internet falando que ele vai ser imputado
07:27também, vão entrar contra ele.
07:29Essa exposição à criança, ela fere o ECA, porque a responsabilidade de qualquer
07:34responsável está zelando pela integridade física de uma criança.
07:38Então, o Ministério Público é quem responde por essa criança, pode estar vindo também
07:41a vir uma investigação, né?
07:43A gente não sabe se a mãe, ela é mãe juntamente com ele na questão conjugal, mas se tiver
07:50uma guarda específica ou uma moradia alternada, uma coisa, ela pode também estar entrando aí
07:55com um pedido para estar modificando isso, impedindo, né, em alguma cláusula dessa criança
08:01estar frequentando esse tipo de ambiente, onde, infelizmente, o futebol, que era um lugar
08:05para ser um lazer, para você levar seu filho para participar, né, de uma festa, está se
08:10tornado um octógono, né?
08:12Então, assim, ao invés de a gente levar as crianças para estar celebrando com a gente,
08:17é uma alegria, né?
08:18Elas estão sendo expostas ao risco até mesmo de vida.
08:21Pois é, tem até um comentário aqui da Marina Peninche, ela diz, cadê a mãe também,
08:24né, a pergunta que a gente se faz nessas horas, que deixou essa criança no campo de futebol
08:29e ela é muito pequena para estar só ali com o pai, ali não é lugar para essa menina.
08:33Eu voltei ao tempo, o meu pai, ele foi por muitos anos jogador de futebol, eu ia aos
08:41estádios com o meu pai, eu ia ao campo de futebol com o meu pai, meu pai me levava, eu
08:46ia
08:46tanto para torcer quanto para assistir o meu pai e isso não é problema.
08:50A questão toda é envolver essa criança numa briga, é essa consciência que a gente
08:57tem que ter, até porque, infelizmente, qualquer lugar hoje em dia pode estar se tornando um
09:02risco para a criança, mas aí vai da sabedoria do pai e da mãe, né, Alexandre?
09:06É, com certeza tem ali, nesse caso pontual, né, aparece, né, fica pra gente o quê?
09:16Que a criança, ela, vamos dizer assim, poderia não estar em risco, poderia estar só ela e o
09:23pai no estádio, informações que eu não tenho pelo menos, mas a gente compreende que ela
09:28foi levada a uma situação, né, de possibilidades de ter algum dano.
09:35Ali a gente vê uma sequência de erros, né, uma briga entre os jogadores e torcedores
09:40se envolvem e uma criança se envolve, é uma sequência.
09:44É, e eu acho que o que fica mais evidente é justamente isso, né, ter uma criança na
09:47cena e ela ainda levanta esse debate, né, o que é interessante que acaba levantando
09:52esse debate, porque tem ali uma pessoa que precisa de proteção e é colocada justamente
09:57numa situação de possível agressão.
10:00Ivan, qual é o seu sentimento de pai quando você vê uma cena como essa?
10:04É, eu fico preocupado em ver que as pessoas estão despreparadas às vezes pra sair.
10:08Todos nós, quando a gente acorda de manhã, eu acho que tem que entregar a nossa vida,
10:13a nossa família, a nossa filha a Deus, da forma como a gente entende, né, como você
10:17acredita.
10:18E eu sempre quando eu saio com a minha filha, eu redobro a atenção, o meu estado de humor,
10:23até pra dirigir, em todas as situações, levar em lugares que evite problemas.
10:28Então, assim, você vê que ela tá num espaço que é de adulto, pode levar a criança, mas
10:32tem que estar preparado pra não se envolver, não comprar briga que não é sua, como torcedor,
10:37ali você não dá pra isso, você tá ali pra com sua filha, proteger ela.
10:39Foi o que ele falou, o doutor falou.
10:41Ele deixou de ser pai pra ser torcedor, ele deixou a emoção tomar conta dele.
10:45Ele foi lá, vou lá.
10:46Um torcedor irresponsável também, né?
10:47Muito irresponsável, muito irresponsável.
10:48Porque independente de estar com a filha ou não, não existe, nada é motivo pra agredir
10:52ninguém, né?
10:53Então, assim, é controlar suas emoções, mas às vezes as emoções nossas que um psicólogo
10:58pode cuidar, às vezes tá na área espiritual, a pessoa tem que estar em oração o tempo
11:01todo, falar com Deus como ela entende, porque ela consegue controlar um pouco o sentimento
11:06dela nessas situações, eu acho que é o mais importante.
11:08Teve uma fala sua, Alexandre, que me chamou a atenção, que é até um dos pontos que eu
11:12coloquei aqui pra gente debater, quando você disse, ela tava ali absorvendo tudo.
11:15Que tem gente que pensa assim, ah, gente, que ela é uma criança.
11:18Ela tem dois anos, três, quatro, não entende, não sabe o que que é acontecendo.
11:22Chegou em casa, ficou tudo bem, né?
11:24De que forma que uma criança absorve isso?
11:28A gente vê, é porque ali é claro, pra preservar a imagem dessa criança, a gente borrou o rostinho
11:33dela, mas dá pra ver claramente uma expressão até mesmo de assustada.
11:37É, com certeza.
11:39O Freud é um psicanalista, ele tem uma teoria que eu acho muito interessante, que ele diz
11:43que toda experiência que você vive, ela de alguma forma é indestrutível.
11:47Ela permanece em você.
11:49Não importa a idade, ela continua exercendo influência em você.
11:54Então, uma criança de dois, três, quatro anos, não importa a experiência que ela viva,
11:59ela vai ter, de alguma forma, ainda, consequências dessa experiência que ela pode levar pra uma
12:05pré-adolescência, pra uma adolescência, pra uma vida adulta.
12:08Então, afeta de várias formas.
12:11Pode afetar a criança, por exemplo, sentindo medo.
12:14Ela pode ter medo, inclusive, daquela pessoa que ela teria confiança.
12:19Porque a pessoa que você confiaria pra cuidar de você, te coloca numa situação em que você
12:24acaba sendo esquecida naquele momento, pra que ele acabe ali, de alguma forma, tentando
12:31entrar como torcedor pra fazer algo que pode colocar o filho em risco.
12:35Então, a criança, não só ela vive a experiência, como de alguma forma ela acaba compreendendo
12:42essa experiência e podendo também, o risco maior é de como essa experiência pode fazer
12:48com que ela depois repita isso.
12:50Repetir a experiência, ou como o pai, uma espécie de imitação, ou tendo medo diante
12:57das pessoas que ela deveria confiar.
13:00É claro que são, a gente tá falando muito por alto, mas mostrando o quê?
13:04Que qualquer experiência que a criança vive, não podemos, de modo algum, subestimar como
13:11a criança pode assimilar isso, tá, pessoal?
13:14Então, é de grande importância.
13:16Então, o seu gesto, o que você fala pra criança faz diferença.
13:20Muitas vezes, você pede pra criança te contar a verdade, ela te conta a verdade, aí você
13:24briga com ela.
13:25Ela aprende que contar a verdade não vale a pena.
13:28Então, essas coisas vão afetando.
13:31Então, é muito importante que a gente saiba como vai lidar com essas situações, porque
13:37isso, de alguma forma, ela acaba imitando e aprendendo com os seus gestos, principalmente.
13:43Olha só, no começo do ano, a gente viu, circulando nas redes sociais, a imagem de um homem que
13:49ele tá discutindo com a mulher, e isso, na frente dos filhos.
13:53Gente, esse vídeo ganhou uma repercussão em todo o país, tá?
13:57A briga aconteceu em um hotel no Rio Grande do Norte.
14:00Esse homem grita com a esposa na frente dos filhos.
14:04O filho mais velho chora muito.
14:07Ele pede pro pai parar, enquanto o homem agride verbalmente a mulher, outras pessoas entram
14:13no meio com o objetivo, é claro, de defender as crianças, de tentar defender também, né,
14:19essa mulher e chamam esse homem de covarde.
14:22Uma das hóspedes ainda diz, aqui as mulheres vão defender ela e as crianças.
14:27O homem não gosta e ainda intimida, falando que podem chamar a polícia pra ele.
14:33Camila, num caso como esse, por exemplo, e também tem o caso do estádio.
14:40No estádio, a gente sabe que tem polícia, né?
14:42Qual é a nossa atitude onde não tem?
14:45Isso, a atitude ali dos hóspedes foi correta, né?
14:48Já que a mulher também não estava conseguindo conter ali a situação, né?
14:52Poderia até chegar a vias de fato, que não é só isso, a violência, a gente sabe bem.
14:57Mas chamar a força policial, sim, alguém pra representar ali, pra poder auxiliar.
15:00Primeiro, quem está ali dá pra resolver de alguma forma.
15:03Um homem, infelizmente, a gente nessa hora, enquanto mulher, a gente está numa situação aquém, né?
15:08A gente não consegue resolver muitas coisas sozinhas.
15:10Mas, suponhamos que essa mulher entrasse até com uma medida protetiva contra ele,
15:14dependendo ali da situação, essa medida poderia alcançar as crianças.
15:18Elas também serem impedidas, eles serem impedidos de ter contato com os filhos.
15:22Porque uma pessoa que não consegue se controlar, até mesmo na frente da esposa,
15:26num local público, isso em quatro paredes pode ser algo muito pior, né?
15:29Então, assim, a gente está aqui trazendo todo dia pautas a respeito disso,
15:33de como essa violência doméstica, porque isso aí é um caso de violência,
15:37ela alcança os filhos, então, assim, quem estiver perto, tome medida mesmo,
15:42meta a colher, porque pela mulher, mas também ali pelos vulneráveis.
15:47Porque uma criança, ela não consegue fazer algo ali.
15:49A mulher, ela poderia chegar pra lá, virar as costas.
15:51Agora, os filhos, porque eles estão numa posição em que eles veem o pai
15:55como alguém de proteção.
15:57Foi o que o psicólogo falou e o pai está aqui também.
15:59Imagina, então, elas querem defender o pai,
16:02até mesmo das pessoas que estão ali contra o pai, né?
16:05Então, é muito grave, isso é lamentável a gente acompanhar isso.
16:08Que mundo é esse que a gente está deixando pra essas crianças?
16:11A gente está querendo que as próximas gerações sejam melhores que as nossas, né?
16:15Mas, assim, não está fácil.
16:16E, assim, não podemos deixar isso pra lá.
16:19Se a gente liga, se eles ligam, se eles tomam uma medida,
16:21a polícia pode intervir nessa hora mesmo.
16:23Ele poderia ser detido e responder aí o que vier a ser comprovado dali em diante.
16:30Tem uma frase que diz, faça o que eu falo, não faça o que eu faço, né?
16:36Só que com as crianças, a gente sabe que não é assim que funciona, né?
16:40Elas absorvem tudo.
16:41As crianças, dizem que pela imagem, a sinapse neural, né?
16:44Dos 0 aos 7 anos, ela cria as crenças dela.
16:47Então, tudo que ela está vendo, ela está absorvendo, ela é esponjinha.
16:49E é pela imagem que ela absorve as coisas.
16:51Isso te influencia?
16:53Pensar nessa frase, te influencia na educação da sua filha?
16:57Influencia bastante.
16:58Por quê?
16:59A gente não adianta falar que não tem problemas no cotidiano do dia a dia.
17:03Que tem.
17:03Casais têm problemas.
17:05E, mesmo assim, a gente busca, a gente ora, pede a Deus, faz cursos casados para sempre,
17:09faz curso educando o filho e lê matéria sobre isso e fala sobre isso.
17:12E, mesmo assim, existe problemas.
17:14Claro, nós somos seres humanos, né?
17:15Isso aí, não tem como falar que não tem problemas.
17:18Agora, saber separar a hora, já aconteceu uma situação engraçada.
17:20A gente começou a discutir, a gente viu que estava alterando o humor, falei assim,
17:23Thaís, vamos no WhatsApp, discussão.
17:27Vamos pro WhatsApp.
17:28A gente já combinou isso já.
17:29Porque se começou a discutir, para alterar o humor, vamos pro WhatsApp,
17:32porque lá no WhatsApp não tem o tom de voz, não tem nada.
17:34Então, a gente parte para esse lado.
17:36Ou vamos conversar depois.
17:38Porque tem que arrumar uma maneira de não passar isso para a criança, é muito difícil.
17:41Eu já me peguei nessa situação e já vi a minha filha querendo falar num tom de voz,
17:46que ela chamasse mais atenção.
17:49Mãe, pai, mãe, mãe.
17:50Eu dedinho, né?
17:51Eu dedinho.
17:51Do que eu falei, ó, aqui é a sua de adulto, peraí.
17:54Mas é difícil.
17:55E aí, Alexandre?
17:57Aconteceu.
17:58Brigamos, né?
17:59Aquela desavença que a gente sabe, dentro dos limites, na frente de uma criança.
18:04Independentemente das circunstâncias, tá?
18:05Seja no trânsito, como ele disse, seja no estádio de futebol, seja dentro de casa,
18:09como desembarassar isso, sem que a criança também não pense assim,
18:13opa, isso é um teatro do papai e da mamãe.
18:15Então, não precisa também só ficar assim, tentar resolver no segredo ou me afastando
18:22da criança ou tentando evitar o contato com ela.
18:25Muitas vezes, e é inevitável que a criança veja adultos brigando, porque a gente tenta
18:29dividir mundo dos adultos, mundo das crianças, porque tem coisas no mundo dos adultos que
18:34não interessam e nem devem interessar as crianças, né?
18:36Então, o que é importante, Roberto, é pensar o seguinte, alguns adultos acham que aconteceu
18:43alguma coisa, situação, os pais, às vezes, acham que aconteceu alguma situação que
18:47é irreversível, no sentido de, pena que aconteceu, agora não tem mais o que fazer.
18:53Esse exemplo mesmo que a gente está vendo de uma pessoa se envolver em briga com a filha
18:57no colo.
18:58Mas, muitas vezes, você pode educar, inclusive, os seus filhos para os sentimentos, falando
19:05de como vocês estavam sentindo naquele momento, em que ela presenciou uma briga, em que ela
19:10presenciou esse descontrole, esse descontrole emocional.
19:15Então, não tem problema.
19:17Seu filho vê que você se descontrola, às vezes, não necessariamente algo ruim, desde
19:22que você consiga falar sobre isso com ele depois, ter essa humildade, dar um passo para
19:27trás para ela também entender que você também perde o controle, mas é algo, é preciso
19:32fazer algo com isso.
19:34Então, você pode explicar para ela e, muitas vezes, dizer literalmente, olha, agora não
19:39vamos conversar porque eu não estou bem, o adulto falando para a criança, eu não estou
19:42bem para conversar sobre isso nesse momento.
19:45E aí, você educa a criança também a não explodir e aprender a lidar com isso.
19:49Tá certo.
19:50Gente, obrigada pela participação de vocês aqui no nosso Facebook.
19:52o assunto rendeu e teve até um comentário aqui, a Isabel fala, a frase é, faça o que
19:57eu digo, mas não faça o que eu faço.
20:00Obrigada pela participação de vocês e uma boa tarde.

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