- há 3 semanas
Quem tem criança em casa conhece bem as doenças mais comuns da infância, mês sim o outro também: é gripe, resfriado, faringite, pneumonia, bronquiolite, rinite, sinusite... que chegam a acometer as crianças cerca de 10x ao ano.
Vamos tirar todas dúvidas sobre esse tema com os especialistas: a pediatra e alergista Dra Juliana Salim e Dr Giuliano Ruschi, otorrinolaringologista.
Vamos tirar todas dúvidas sobre esse tema com os especialistas: a pediatra e alergista Dra Juliana Salim e Dr Giuliano Ruschi, otorrinolaringologista.
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00:08Olá, sejam bem-vindos ao Checkup Saúde. Eu sou a Alice Sarcinelli e essa é a sua conexão com os
00:14maiores especialistas em saúde do estado, pela Pan News e pelo Folha Vitória. Gente, o nosso assunto
00:21de hoje, quem tem criança tem que ouvir, porque é meio sim o outro também, criança em casa tossindo,
00:28com o nariz escorrendo. Dizem que são cerca de 10 infecções respiratórias por ano, por criança,
00:36acho que na faixa etária até 5 anos. A gente vai entender um pouco melhor sobre esse assunto com
00:41os nossos especialistas de hoje. Sejam bem-vindos, doutor Juliano Luque, doutora Juliana Salim, Juliana
00:49Pediatra, doutor Juliano Otorrino. A gente tem muita dúvida, né? Eu sou mãe também nessa faixa etária
00:56de 3 anos, de 6 anos. É um universo de informação para a gente passar hoje aqui.
01:04Doutora, vamos começar entendendo. É verdade esse dado? São cerca de 10 infecções respiratórias por ano
01:11que uma criança pode ter quase todo mês.
01:13Isso aí, Alice. Primeiro, obrigada pelo convite e é isso mesmo. Então, cerca de 8 a 12 infecções por ano,
01:24infecções respiratórias por ano uma criança pode ter. Então, se a gente calcular mais ou menos
01:29de 7 a 14 dias de sintoma, a criança vai ficar com resfriado, congestão nasal, secreção, tosse, metade do ano.
01:41É muita coisa assim, mas isso é o esperado. Isso ainda não quer dizer que é um sinal de imunidade
01:48baixa.
01:49Essa é uma dúvida muito frequente no consultório, mas isso não quer dizer que é um sinal de imunidade baixa.
01:54Isso é o esperado. Agora, tem os sinais de alerta para imunodeficiência primária ou erro inato da imunidade,
02:01que é o que acontece quando tem com frequências maiores, mais graves.
02:07Eu desconfio, então a gente coloca uma média e todo mês vai ter lá ou uma tosse ou um narizinho
02:13escorrendo.
02:14Mas se ficar muito frequente o tempo todo, a gente fala uma vez por mês, mas dura quanto tempo?
02:19É isso aí, de 7 a 14 dias, dependendo do quadro viral, como é que é.
02:24Mas os sinais de alerta mesmo são, por ano, 4 otites, 2 pneumonia.
02:32Dor de ouvido, né?
02:33Isso aí, otite e dor de ouvido, 2 pneumonia, abscesso de repetição, estomatite recorrente,
02:42infecções graves que precisam de internação, como meningite, sepse, osteoartrite.
02:48Então, são outros sinais para a imunodeficiência.
02:52Sim, porque a gente ouve muito, né? O que o pediatra passa, o que o otorrino passa, o médico.
02:58Às vezes a mãe já tem aquele SOS em casa, o pai já sabe o que fazer, a criança começa
03:03a tossir
03:04e aí já entra com a medicação, né?
03:06Então, às vezes a gente nem percebe quanto tempo a criança ficou ou esses intervalos.
03:12Vamos conversar um pouquinho sobre essa questão da medicação.
03:16Entrar com xarope é mesmo inofensivo?
03:18A gente pode ter esse SOS em casa ou todo esse mês que a criança adoece, a gente tem que
03:24procurar um médico.
03:25O ideal mesmo é a gente saber a causa dessa tosse, ao invés de dar xarope desordenadamente.
03:32Por quê?
03:33Essa tosse, a tosse é o quê?
03:35É o organismo que está colocando para fora, está dando um jeito de colocar para fora essa secreção,
03:41para evitar o acúmulo, né?
03:42Então, se a gente der um xarope sem saber a causa da tosse, a gente está tratando as cegas.
03:48Porque essa tosse, ela pode não ser só uma infecção viral, igual nós estamos falando.
03:53Ela pode ser em decorrência de uma crise de asma, em decorrência de uma rinite exacerbada,
03:59que está fazendo um gotejamento pós-nasal.
04:01Não é sempre a mesma tosse.
04:03Exatamente.
04:03Ela pode parecer igual e eu entrar com a mesma medicação e não ser o correto.
04:09Exatamente.
04:10E, gente, a gente tem que lembrar que os xaropes, toda medicação para a criança,
04:14geralmente ela vai conter açúcar.
04:16E o vilão da medicação pode estar sendo o próprio açúcar, inclusive para os dentes da criança.
04:23Então, o ideal é a gente dar a medicação que o médico prescreveu e logo depois fazer a escovação.
04:29Porque, às vezes, a gente faz toda a rotina, né, doutora?
04:31Coloca a criança na cama e depois vai administrar ali o remédio que é em forma de xarope.
04:38Mas nem todo remédio que é em formato de xarope, ele é inofensivo, é isso?
04:43Exatamente, exatamente.
04:45Vamos aproveitar e trazer a dúvida de uma ouvinte?
04:48Vamos começar entendendo o que a população aí trouxe para a gente de dúvida sobre esse tema.
04:54Oi, pessoal, bom dia.
04:55Eu tenho uma dúvida, talvez a dúvida de muitas mães e pais também.
05:01O pediatra sempre pede para a gente sempre lavar o nariz da criança com soro fisiológico várias vezes ao dia.
05:07Mas mesmo lavando várias vezes ao dia, no outro dia a criança está cheia de secreção de novo.
05:13Eu não sei se realmente limpa ou se funciona.
05:18Qual é a função do soro fisiológico?
05:20Se faz algum mal, a criança realmente fica muito irritada ou se dá só agonia.
05:26Eu não sei, assim, eu queria que alguém me explicasse qual é a função do soro fisiológico, se ele realmente
05:31faz bem.
05:33Por que a gente não pode usar água?
05:35Enfim, eu tenho muitas dúvidas.
05:38Doutor Juliano, o senhor pode esclarecer para o nosso ouvinte?
05:42Claro, Alice, vamos lá.
05:43Obrigado primeiro pelo convite, é um prazer estar aqui com vocês para discutir um assunto tão legal, tão presente no
05:49dia a dia das famílias, né?
05:51Bom, a dúvida dela é sobre a lavagem com soro fisiológico, o uso do soro fisiológico nas fossas nasais.
05:57É uma situação que deve ser estimulada principalmente em crianças hipersecretivas, como ela coloca.
06:03Ah, eu lavo o nariz do meu filho, mas no dia seguinte tem secreção novamente.
06:07Mas a lavagem foi benéfica.
06:09A função do soro fisiológico, basicamente, vai ser hidratar a mucosa nasal, facilitar a saída dessa secreção, porque ativa o
06:18batimento dos cílios.
06:19Então, é realmente muito legal fazer, é importante fazer, ajuda a criança, evita que essa secreção fique estagnada e, porventura,
06:28possa gerar uma infecção.
06:30Ela tem uma dúvida, por que fazer com soro e não com água, né?
06:34O soro é mais indicado realmente, principalmente a água da torneira, água tratada, tem cloro, que pode ser um fator
06:41de irritação para a mucosa nasal.
06:43Pode piorar, então?
06:44Pode piorar, pode desencadear uma situação de hiperreatividade na mucosa se usar água.
06:49Então, sempre deve usar soro fisiológico mesmo.
06:51Mesmo adulto?
06:52Mesmo adulto, sempre o adulto.
06:54Uma situação importante, ela falou, ah, incomoda a criança.
06:58É como fazer, né?
07:00Na maioria das vezes, os pais acham que vão tirar a secreção colocando pressão na lavagem.
07:05Isso, às vezes, é uma situação equivocada, é um erro.
07:08A gente deve colocar soro em alto volume para encharcar o nariz, mas sem colocar muita pressão.
07:15Até, inclusive, colocar pressão pode dar problema até no ouvido.
07:18Então, a gente deve ter esse cuidado.
07:20Na verdade, aquele soro, ele pode empurrar a secreção e causar realmente uma infecção no ouvido?
07:27Pode.
07:28Se a gente colocar muita pressão, o soro normalmente não é um malefício.
07:32O malefício é a pressão que a gente coloca.
07:35Pode haver refluxo de secreção contaminada dessa região para dentro do ouvido, atrás do tímpano.
07:40Causar uma otite média, que é uma inflamação que cursa com dor, com febre.
07:44Então, pode ser originada pelo equívoco de colocar muita pressão.
07:48A gente sempre estimula a utilizar o soro fisiológico na fossa nasal, mas sempre com baixa pressão.
07:53Quanto mais volume e menor pressão, melhor, mais benéfico vai ser.
07:58E qual a posição da criança?
07:59A gente deve mesmo colocar a cabeça dela mais para frente?
08:02Eu posso fazer com ela deitada?
08:04Qual é a melhor posição para a gente lavar o nariz dessa criança?
08:08Sim, o ideal é colocar ela com o corpo inclinado para frente e a cabeça na posição normal.
08:12Se a gente inclina para trás ou levanta, ela pode engasgar com o soro, o que vai passar para a
08:18garganta.
08:19Então, se ela faz dessa maneira, a gente tem mais segurança de fazer a lavagem na situação correta,
08:25sem ter muito risco da criança engasgar, se afogar com o soro.
08:27Porque muitas vezes é na marra, né?
08:29A gente praticamente amarra a criança ali que não está colaborando.
08:33É uma missão difícil.
08:34Coloca ela para frente, chama aí quem estiver na casa para poder ajudar, segurar, conter, né gente?
08:40Com carinho, sem violência, acreditando no benefício, né?
08:45Tem algumas coisas que são prescritas para os nossos filhos que eles não gostam de fazer,
08:50mas que são necessárias.
08:52Escovar os dentes, às vezes tem pai também que reclama.
08:55A criança chora.
08:56Isso não traumatiza.
08:57O que traumatiza uma criança é você mentir, é você provocar dor.
09:01Então, explique para a criança, né?
09:04Procure dizer para ela daquele benefício.
09:06Mesmo as crianças pequenas, elas estão preparadas para já entender o que vai acontecer.
09:11Não quer dizer que elas irão colaborar, mas a gente tem que fazer independente da colaboração delas, né?
09:18É, explicar por que está fazendo é muito importante para ela entender por que está passando por aquele momento ali.
09:24Por que tem aquele desconforto, né?
09:25Tem que explicar.
09:26É para o bem, é para a sua saúde e vai melhorar.
09:29Aí ela cria um hábito saudável.
09:30Tem criança até que já pega, né?
09:32A garrafinha, já lava sozinho, já segue aí no hábito mesmo que vira parte da higiene.
09:39Sim.
09:39Mas se não tiver consecreção, precisa lavar também?
09:43Só no caso de uma criança com mucosa de viária superior hiperreativa.
09:48Isso vai ajudar a tirar, a fazer uma limpeza mecânica da mucosa e tirar aquelas substâncias em suspensão,
09:55aquelas partículas em suspensão que a gente respira,
09:57e que pode causar uma reação alérgica, uma reação inflamatória local na mucosa.
10:02Quando a gente lava com soro, também é feita uma limpeza mecânica da mucosa.
10:06Lavar não faz mal.
10:08Se eu também optar por lavar todo dia, mal não vai fazer, do jeito certo.
10:12É um hábito super saudável.
10:14Ótimo.
10:15Tem criança que a gente mesmo lavando não consegue, né?
10:18Eliminar toda a secreção.
10:20E existe a fisioterapia respiratória.
10:23A gente convidou uma fisioterapeuta respiratória, doutora Tatiana,
10:27para explicar para a gente como que funciona essa manobra.
10:30Que tratamento é esse?
10:32Oi, Alice.
10:33Primeiro, gostaria de agradecer o convite e dizer que é um prazer estar aqui com você hoje.
10:38O nosso assunto é fisioterapia respiratória e como ela pode ajudar nas infecções respiratórias em crianças.
10:45Bom, a fisioterapia respiratória é uma especialidade dentro da fisioterapia,
10:50onde nós atuamos em hospitais, clínicas e também no ambiente domiciliar.
10:55Temos o objetivo de prevenir e tratar complicações respiratórias decorrentes de alergias, vírus e bactérias.
11:05Em especial nessa época do ano, onde nós temos uma incidência maior de doenças respiratórias,
11:10devido à queda brusca da temperatura no outono e inverno.
11:14Então, a fisioterapia, ela vai atuar de forma efetiva nas principais doenças,
11:19como pneumonia, asma, bronquiolite, sinusite, nos casos de gripe, nos casos de covid com sintomas respiratórios
11:30e no pós-covid com as sequelas respiratórias.
11:32A fisioterapia, ela ajuda no processo de desobstrução pulmonar, desobstrução das vias aéreas superiores.
11:40A gente melhora a oxigenação e a ventilação dos pulmões, garantindo também um conforto respiratório para o paciente.
11:51Lembrando que a fisioterapia tem um trabalho também preventivo nas crianças crônicas,
11:56principalmente as crianças com lesão neurológica, que tem uma tendência a permanecer maior do tempo deitadas
12:03e as complicações, elas podem vir com maior frequência.
12:06Então, a fisioterapia tem um trabalho primordial para garantir qualidade de vida para esse paciente.
12:12Realizamos o trabalho em parceria com a equipe médica que acompanha a criança,
12:16que é o pediatra e o pneumologista pediátrico, para garantir sempre uma melhor evolução do quadro da criança.
12:25Doutora Juliana, que criança é essa que a gente encaminha para a fisioterapia respiratória?
12:29Quando que é a hora de procurar a fisioterapia respiratória de fato?
12:33Essas crianças que são mais secretivas. Geralmente, a gente estava falando da tosse,
12:40o principal segredo da tosse é fluidificar essa secreção.
12:44Essa secreção tem que ser fluidificada. Então, seja...
12:47Mesmo a tosse seca.
12:49Mesmo a tosse seca.
12:50Na verdade, a gente tem que saber a causa da tosse.
12:53Nós estamos falando agora de uma tosse que pode ser por infecção viral.
12:56Então, aí sim, nós vamos fluidificar, hidratar bastante essa criança, lavagem nasal, que a gente acabou de falar,
13:02nebulização com soro fisiológico, elevação da cabeceira, isso tudo faz melhorar.
13:07E essa criança muito secretiva, a gente encaminha para a fisioterapia respiratória para diminuir essa secreção.
13:14E aí eles vão açugar mesmo, não é isso?
13:16Fazer algumas manobras no corpo da criança, para soltar e às vezes ter que sugar quando é muito bebezinho, né?
13:23Isso aí.
13:24E a senhora indica?
13:25Indico, indico.
13:27E é verdade que vira o tempo, as crianças pioram mesmo? Ou isso é um mito?
13:32Não, não é mito. Tem um perfil de criança, geralmente as crianças mais atópicas, elas têm mesmo essa...
13:38Quando tem a variação de tempo, o aparelho respiratório é mais hiperreativo, digamos assim.
13:46Então, a mucosa bronquica, a mucosa nasal, alterou o tempo, aquela mucosa é mais reativa, ela vai reagir.
13:54Ela vai reagir.
13:55Mas lembrando, a alteração climática, ela não é a causa, ela é um agravante.
14:00Normalmente essas crianças têm uma patologia de base.
14:02E tomar um banho gelado também?
14:05Por exemplo, ah, não fica na piscina, no vento. O próprio vento, ele pode, no dia a dia, num dia
14:10de sol, trazer malefício para a criança?
14:13Não trazer malefício, mas para essas crianças que são hiperreativas, a gente vê.
14:17E por isso que fica aqueles conselhos de avó.
14:20Hiperreativa é aquela que toda hora tem...
14:21Toda hora tem, porque a mucosa, ela é inflamada.
14:24Ela não faz o tratamento, muitas das vezes, não faz o acompanhamento e a mucosa, ela é inflamada.
14:31Então, qualquer agente externo, seja alteração de temperatura, que ela não esteja acostumada, ela vai ter sintoma.
14:37E as crianças mais novas, elas são mais suscetíveis?
14:40São mais suscetíveis por conta da imaturidade imunológica.
14:43Até que idade?
14:44Em média, dois anos e meio a três.
14:46Depois dos três, a gente começa a dormir melhor.
14:49Depois dos cinco, a gente começa a dormir melhor.
14:52Doutor Juliano, a gente vive numa cidade, né? Vitória.
14:56Parece que toda família tem alguém com rinite.
14:58Eu, particularmente, assim, quando a gente pergunta no consultório, é muita gente, é uma frequência muito alta.
15:05E às vezes a gente ouve pessoas falando que não moravam em Vitória, mudaram para Vitória e passam a ter
15:10rinite.
15:11E pessoas que vão morar em Pedra Azul e falam, nossa, curei minha rinite, não tenho mais rinite.
15:16É verdade? A gente tem uma frequência maior de rinite em Vitória? O que explicaria isso?
15:22Então, a rinite é uma condição perene, né?
15:26A rinopatia alérgica é uma condição que o paciente tem aquilo ali.
15:29E a gente precisa aprender a conviver com essa situação e, de certa forma, controlar.
15:36Para evitar que haja o estímulo, como a Juliana acabou de falar, e a hiperreatividade da mucosa.
15:42O que vai levar a uma condição inflamatória e ela vai entrar em crise.
15:45Então, as pessoas que vivem em grandes centros urbanos, elas estão mais expostas a partículas de suspensão no ar,
15:53gases provenientes de veículos, de fábricas.
15:56Toda aquela situação do ambiente urbano, ela pode facilitar a manifestação dessa doença.
16:03E, eventualmente, se essa pessoa que tem hiperreatividade vai morar num ambiente mais rural,
16:08com um ar com menos partículas em suspensão, ela vai ter menos crise, vai ter menos eventos inflamatórios.
16:15Então, realmente, uma pessoa que vem para um centro urbano, seja Vitória ou seja qualquer outro,
16:20ela vai perceber mais a manifestação dessa doença.
16:24É uma doença de caráter familiar, inclusive.
16:27Então, se os pais são alérgicos, a chance dos filhos serem alérgicos é muito grande.
16:31E a gente tem que buscar não só o local onde mora, mas principalmente o local que dorme e que
16:36trabalha.
16:37O ambiente domiciliar...
16:40Se tem cortina, se tem tapete, se tem urso de pelúcia, né?
16:44Fazer o que a gente chama...
16:46O tipo de travesseiro...
16:47Isso.
16:47Fazer o que a gente chama de higiene ambiental.
16:49Ou seja, tratar o ambiente que ele vai dormir, tratar o ambiente que ele passa a maior parte do dia,
16:54para afastar esses fatores que levam à hiperreatividade, que levam à inflamação da mucosa e à manifestação da crise.
17:03Dessa maneira, essa pessoa vai ter uma vida mais confortável.
17:05E aí, às vezes, vai no médico e ele passa um corticoide nasal, né?
17:09Um jato ali, para poder aplicar por um longo período.
17:13Existe, na mentalidade da população, a ideia de que o corticoide faz mal e usar esse corticoide por muito tempo.
17:20São longos os tratamentos para rinite?
17:22Se você lida com esses fatores externos e tem que entrar com a medicação,
17:26é um tratamento realmente comum ter que usar o corticoide por muito tempo?
17:30O corticoide é uma droga que pode ser administrada sistemicamente, quando a gente toma um xarope, por exemplo,
17:37ou topicamente, quando é só local, passar uma pomada na pele ou o spray nasal.
17:42Os efeitos colaterais do corticoide, eles são ligados normalmente ao tempo de uso.
17:47Então, a gente tem como orientação técnica utilizar o menor tempo possível para ter o benefício.
17:53Isso vai variar de paciente para paciente.
17:56A regra é que a gente busca como tratamento ideal aquela situação em que ele tenha menos crises,
18:02crises menos intensas, que precisem de menos droga.
18:06Aí tem um paciente que só precisa de tratar o ambiente,
18:08tem um paciente que vai precisar usar a medicação de vez em quando na crise,
18:12tem um paciente que utiliza uma medicação de maneira mais perene,
18:15eventualmente em estações mais frias do ano,
18:17mas aí a gente seleciona qual droga é segura para isso,
18:20e tem um paciente que pode fazer uma imunoterapia,
18:23um tratamento para dessensibilizar o organismo e evitar que ele tenha muitas crises.
18:28Perfeito.
18:29Doutora Juliana, às vezes a gente ouve as pessoas confundirem um pouco os termos, né?
18:34Explica para a gente a diferença entre a gripe e o resfriado,
18:38e muitas vezes o paciente já chega falando que o que ele tem é alergia, né?
18:43Então, está com o nariz escorrendo,
18:44não, não se preocupe, não é covid, é alergia.
18:47Ou, ah, é porque ele está gripado.
18:49Qual a diferença, assim, como que o leigo no dia a dia pode identificar as diferenças entre essas doenças?
18:56Pois é, isso foi um problema que a gente teve na covid, né?
18:59Todo mundo que chegava falava, não, mas eu tenho rinite, isso é crise de rinite.
19:02A gente, naquela época, ainda estamos tendo, mas não tanto, é difícil da gente saber, né?
19:08Porque o paciente tinha o sintoma, mas eu tenho rinite.
19:11Será que não é isso? Calma.
19:12Vamos lá, então, observar, febre é muito importante, o estado geral, a dor no corpo,
19:20se o quadro é só nasal ou se tem outros acometimentos,
19:25isso tudo vai classificando para a gente se é rinite, se o paciente é atópico, se não é atópico,
19:30se teve algum fator deflagrador, se teve alguma razão para ele estar daquela forma, né?
19:36Se entrou em contato com o ambiente, com ácaro, com poeira,
19:39e o paciente que tem rinite, normalmente, ele sabe que tem rinite, né?
19:43Nem todos tratam, igual a gente estava conversando agora sobre o corticóide nasal,
19:47mas a rinite, o importante da gente saber é que ela não tem cura, ela tem controle, né?
19:52Então, volta e meia esse paciente, melhora, ele suspende a medicação,
19:57aí depois piora de novo e assim vai.
19:59Então, a gente saber identificar quando é cada um não é fácil,
20:04mas a gente tem que olhar o paciente como um todo,
20:07se tem febre, se tem outros sintomas associados, secreção, que cor que é a secreção,
20:13tem quanto tempo de início, melhora com o quê, piora com o quê, teve contato com o quê?
20:17É o especialista para poder fazer essa diferenciação.
20:21Exatamente.
20:22Na dúvida tem que ser o especialista também.
20:23Na dúvida é procurar o especialista.
20:25Doutor Juliano, e tem muita criança com otite de repetição, muita dor de ouvido,
20:29nessa primeira infância, e algumas recebem, então, um diagnóstico cirúrgico.
20:35Colocar, por exemplo, o carretel.
20:37Explica um pouco para a gente, o que leva a essa indicação cirúrgica
20:42a partir de repetições de infecção no ouvido?
20:46A criança, principalmente, por questões anatômicas, pelo tamanho da cabeça,
20:51posição de algumas estruturas, ela tem uma facilidade de contaminação do ouvido,
20:56da orelha média, em função de infecções respiratórias superiores.
21:02Então, via de regra, quando tem muita infecção de repetição,
21:06ela pode ter essa complicação.
21:08E, às vezes, isso é difícil de controlar clinicamente,
21:11e a literatura médica orienta a fazer o tratamento cirúrgico,
21:15que é a colocação do carretel, tecnicamente, é o tubo de ventilação.
21:19É um procedimento relativamente simples de ser feito,
21:23a gente não precisa acessar as estruturas nobres do ouvido do paciente,
21:28mas precisa de ser feito em centro cirúrgico, sob anestesia,
21:31onde a gente posiciona um carretel no tímpano do paciente.
21:35Ele tem, basicamente, duas funções, evitar o acúmulo de secreção atrás do tímpano
21:39e ventilar essa orelha para a mucosa ficar mais saudável.
21:43E os resultados publicados na literatura médica mostram que a colocação do carretel
21:47tem um impacto muito positivo naquelas crianças que,
21:51clinicamente, não têm controle das otites de repetição.
21:55Perfeito. Gente, a gente aqui também tem sempre um compromisso com a saúde pública
21:59em explicar para você como acessar o tratamento das diferentes doenças
22:04que a gente traz aqui pelo Sistema Único de Saúde.
22:07A porta de entrada no SUS para tratar a infecção respiratória,
22:12prioritariamente, deve ser a unidade básica de saúde.
22:14Então, você deve procurar a unidade básica do seu bairro,
22:18o médico que estará lá, que pode ou não ser um pediatra.
22:21A gente também tem o médico da estratégia de saúde da família, o clínico.
22:25E, em caso de necessidade, ele vai encaminhar para o especialista.
22:29Então, no SUS, você não busca direto o alergista, o otorrino,
22:34até mesmo o pediatra, muitas vezes, não vai estar disponível na unidade de saúde,
22:39mas a porta de entrada é sempre a unidade.
22:42Doutora Juliana, quando que a gente deve ir direto para o pronto atendimento
22:47ao invés de ir para a unidade de saúde?
22:49Quando tiver febre associada a esse quadro, um quadro prolongado,
22:54a criança com falta de ar, prostração, mesmo sem febre,
22:58que eu costumo dizer muito sobre isso, né?
23:00Que a criança, quando está com febre, ela está prostrada.
23:03Mas, nos intervalos, ela tem que estar bem.
23:05Ela está com febre, mas está ali muito parado.
23:09É sinal de alerta.
23:10Exatamente.
23:10É um sinal de alerta, além da febre, tosse persistente por mais de duas semanas,
23:14falta de ar.
23:17Ótimo, gente.
23:18Esse foi o nosso Check-Up Saúde de hoje.
23:20Estamos chegando ao fim.
23:22Tenho certeza que tem muita dúvida ainda,
23:24por isso vocês podem acessar no Folha Vitória,
23:27no meu Instagram também,
23:28arroba doutora Alice Sarsinelli.
23:30Me coloco à disposição de vocês para trazer mais vezes os nossos especialistas.
23:35Queria agradecer, doutor Juliano Luque, doutora Juliana Sarsinelli.
23:40Obrigado, Alice.
23:41Foi um prazer estar aqui com vocês, discutir um assunto tão importante.
23:44Espero que a gente tenha ajudado bastante gente.
23:47Isso aí.
23:47Muito obrigada pelo convite.
23:49Estamos aí para as próximas.
23:51Obrigada.
23:52Eles também são nossos colunistas,
23:54e vocês podem acompanhar o melhor conteúdo de saúde
23:57pela coluna Vida Saudável, no Folha Vitória.
24:01Até semana que vem.