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O EM Minas, programa da TV Alterosa em parceria com o Portal Uai e o jornal Estado de Minas, entrevista neste sábado (3) o empreendedor e especialista em café Leonardo Montesanto.

Imagens: TV Alterosa
Apresentação: Carolina Saraiva
Foto: Marcos Vieiral/EM/D.A Press

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Transcrição
00:13Olá, sejam muito bem-vindos a mais um programa em Minas.
00:18O nosso convidado de hoje, Leonardo Montessanto, empresário, empreendedor, especialista em café.
00:25Leonardo, seja muito bem-vindo.
00:27Obrigado pelos elogios.
00:28Não, isso faz parte do seu currículo e eu te vejo assim tão jovem.
00:32Já começo te perguntando, porque você, como empreendedor da área de café, me conta uma coisa.
00:37O mineiro, o brasileiro, ele está tomando café melhor ou ele está só pagando mais caro pelo mesmo café?
00:46Bom, existe hoje um grande esforço que está sendo feito não só por mim, mas tem um exército de pessoas
00:54aí com cafeterias e cafés especiais.
00:57Pequenas torrefações de café que estão fazendo o serviço de ensinar sobre café para o brasileiro que, infelizmente, não sabe.
01:09E quando a gente fala desse valor ou preço que você mencionou, existe um negócio que é uma frase que
01:16eu gosto de dizer, é o seguinte,
01:16que a principal diferença entre preço e valor é que valor não tem preço.
01:21Quando a gente fala de uma matéria-prima de altíssimo nível, que são os cafés especiais, que é o que
01:28está sendo introduzido por brasileiro,
01:30que quem é, de fato, deveria conhecer antes de qualquer outra pessoa,
01:35se você olhar hoje quanto que os gringos pagam por esse café numa xícara, num pacotinho lá fora, aqui no
01:41Brasil é até de graça.
01:43Sim. Me conta uma coisa, você acha que está tendo uma mudança cultural na forma de consumir o café,
01:47que as pessoas estão se interessando mais por variedade, por forma de fazer ou ainda não?
01:53Olha, eu tenho uma gratidão muito grande com duas coisas, nutricionistas e a canetinha, porque...
02:02Uai, ajuda ou não ajuda? Muito? Conta pra gente.
02:05Uai, a nutricionista, por quê? Está fazendo a parte dela de incentivar as pessoas a se alimentarem melhor, né?
02:11E quando a gente fala de café tradicional, existe um sério problema de queimação no estômago e azia,
02:17por causa de o que está ali dentro é um monte de coisa, menos café.
02:23E quando a gente vai pra canetinha, que as pessoas estão querendo emagrecer,
02:28consequentemente, está se consumindo menos e o que elas estão escolhendo consumir estão sendo produtos de qualidade.
02:36Como, por exemplo, o café especial.
02:38Ok. E aí, nisso, entra, por exemplo, a gente passou por isso com o vinho, com a cerveja artesanal,
02:45das pessoas pesquisarem, procurarem saber um pouco mais sobre uvas, sobre safra, sobre a cerveja, a forma de fazer.
02:53Você acha que o café está passando por isso?
02:54Eu tenho um nome pra isso que chama a vinificação do café.
02:58É o que de fato está acontecendo, né?
03:00A gente antes falava só de me dar um pretinho, né?
03:04Hoje não.
03:05Hoje a gente está querendo saber de onde vem aquele café.
03:07Quando eu falo de onde vem, não é o produtor em si, é da região, quais são os atributos sensoriais
03:12daquele café
03:13e harmonizações que aquele café pode até fazer com doces e sobremesas, por exemplo.
03:19Então, não é sobre a gente ir porque todo mundo está falando que tem que ir.
03:27As pessoas estão fazendo uma escolha consciente.
03:29Isso é muito diferente.
03:31E passa pelo conhecer, né?
03:33Isso.
03:33Também.
03:33Agora me conta uma coisa.
03:35O café, hoje, ele ainda pesa bastante no bolso do consumidor, independentemente de qual seja.
03:42Ao que a gente pode atrelar hoje esse alto custo do café na mesa do mineiro?
03:49É safra, é produção?
03:51Eu estou falando independentemente de situação política.
03:53O que acontece que o café está vindo mais caro para a mesa da gente?
03:56A parte política, ela interfere zero em café.
04:00Nada.
04:01São questões climáticas e oferta e demanda.
04:05Existe uma parte especulativa em café?
04:08Existe.
04:08Por que essa parte especulativa?
04:11Se você parar para pensar, o café só é produzido em países de terceiro mundo,
04:15na linha do Equador para baixo, e os grandes consumidores são na linha do Equador para cima,
04:19que são os países ricos.
04:21Apesar disso, o café é a segunda commodity mais negociada do mundo, em bolsa de valores.
04:28Ela só perde para petróleo.
04:30Então, você entende que tem uma parte especulativa em café que ninguém entende o que acontece.
04:34Temos a parte climática?
04:36Temos, mas é uma conjunção de fatores.
04:40Quando a gente fala agora de um café normal, hoje um café tradicional,
04:45se vende em média, ou mais ou menos, R$ 60, R$ 70 o quilo.
04:51E um quilo de café faz aproximadamente 100 doses.
04:54Então, a dose de um café tradicional custa em média R$ 0,60.
04:57Quando a gente vai para um café especial, a gente está falando aqui de um café de R$ 130,
05:03R$ 150 o quilo.
05:05Só que o quilo desse café também faz 100 doses.
05:08Então, a dose de um café especial custa R$ 1,30.
05:11Olha só para você ver.
05:13Um R$ 0,70 a mais...
05:15A mais, você tem um café...
05:16Qual é o produto no mundo que você vai consumir,
05:21que te dá uma diferença de qualidade tão absurda, por apenas R$ 0,70.
05:25Então, eu afirmo que o café especial é o luxo mais barato que qualquer brasileiro pode ter.
05:30Pois é. Agora, quando a gente fala de café especial, inevitavelmente as pessoas ainda atrelam isso a um café sofisticado,
05:38um café caro, de difícil acesso.
05:41O café especial, ele ainda é um café de nicho ou ele é um café...
05:44Você explicou aqui que tem uma possibilidade.
05:47A diferença de preço é pouca.
05:48Então, você acha que falta conhecimento das pessoas de entenderem que é um café acessível?
05:52É isso?
05:53Já que a diferença está pouca.
05:54E no supermercado?
05:55Quando eu decidi montar a Coffee Mais, foi justamente porque o propósito dessa empresa era democratizar o café especial para
06:04o brasileiro.
06:05Então, hoje, se você voltar cinco anos atrás, era muito difícil você achar um supermercado que tivesse uma pratilha de
06:13café especial.
06:15Hoje, você tem gôndola de café especial em supermercado que você encontra café especial com preços muito acessíveis.
06:23Obviamente que ainda existe uma falta de conhecimento do consumidor, porque o consumidor brasileiro, de uma forma geral, foi ensinado
06:32que
06:32vou comprar este produto gourmet, que o gourmet é o melhor.
06:37No café especial, não.
06:39O gourmet é uma categoria, há duas categorias de qualidade abaixo de um café especial ou de um café super
06:47especial.
06:47Então, a distância de um café gourmet para um coffee mais, por exemplo, é como se você pegasse uma viagem
06:54de São Paulo a Manaus, de tão distância que é a matéria-prima da outra.
06:58Agora, você falou aí sobre a questão do clima, sobre tudo aquilo que influencia.
07:02Tirando a questão de uma geada ou uma chuva fora de época, vamos deixar um pouquinho de lado.
07:08O que que hoje é o principal desafio de quem trabalha com café?
07:13Você fala o que? O produtor?
07:14O produtor.
07:15Bom, na minha opinião, é um pouco de falta de informação.
07:19Eu já fiz algumas palestras muito focadas na segunda geração.
07:26Por quê?
07:27Você pega um menino de 5 anos de idade, que cresce com o pai dentro da roça, dirigindo trator, olhando
07:31café, colhendo café.
07:33Ele se apaixona por aquilo.
07:34Quando faz 18 anos, ele quer estudar o quê? Agronomia.
07:38Parte para fazer economia.
07:39Quando ele volta com 23 anos, o que que acontece com a maioria dos jovens?
07:44É muita vontade e pouco cérebro, né?
07:45Porque eles querem achar que o que aprendem na faculdade, na realidade vão aplicar tudo ali e vai dar certo.
07:50Então, eles se empolgam.
07:53O que que o pai faz?
07:55Erroneamente.
07:56Corta as asinhas do filho e fala, olha, o meu avô fazia assim, meu pai fazia assim, eu faço assim.
08:01Quem é você?
08:01Eu falo, amigo, eu tenho que fazer diferente.
08:02O que que o filho faz?
08:03Vai embora.
08:05Ao invés do pai virar e falar assim, meu filho, papai tem 100 hectares aqui, eu vou te dar um.
08:10Faz o que você quiser.
08:11Erra lá.
08:12E se você acertar, a gente vai multiplicando juntos.
08:14Então, hoje, a grande dificuldade para mim do produtor de café é manter essa geração no campo.
08:20Por quê?
08:21A gente fala muito em aumento de produção de café no Brasil.
08:25Eu não sou contra aumentar a produção.
08:27Eu sou primeiro a favor de aumentar a produtividade.
08:30Exemplo, nas minhas fazendas, que são irrigadas, a gente consegue em 10 safras, isso é importante esse detalhe, ter 45
08:40sacas de produtividade média.
08:43Contra a produtividade média do Brasil, são 32 sacas.
08:46Se a gente aumenta 10% na produtividade média do Brasil, estou falando de quase 5 milhões de sacas de
08:53café.
08:54Aumentar o consumo global em 5 milhões de sacas de café é isso aqui que a gente tem que fazer.
08:59Em contrapartida, hoje, você plantar um café hoje custa, em média, 60 a 80 mil reais por hectare.
09:06É um investimento muito alto.
09:08E você só pega o retorno dele três anos depois.
09:10Três anos para poder pegar o retorno.
09:12A gente sabe que Minas Gerais tem uma expressividade muito grande mundialmente por conta do café,
09:18mas o que falta ainda para Minas ter um reconhecimento maior com relação ao café?
09:25Boa pergunta.
09:27Eu tive uma vez com um governador aqui de Minas, eu estava numa palestra,
09:32e aquilo que eu te falei sobre o café, eu falei para ele, principalmente falando de Minas Gerais.
09:38E aí ele me perguntou o que faltava para Minas Gerais brilhar em café.
09:45E eu falei, dinheiro.
09:47Ele disse, para que dinheiro?
09:48Ele falou assim, o governador, eu vou te falar uma coisa que eu vou te falar.
09:51Interessante.
09:53Nós somos o maior produtor de café do mundo, Estado de Minas Gerais.
09:56Não somos?
09:57E como é que você vai no palácio do governo, o senhor recebe tantas autoridades, tantas visitas,
10:03e o senhor serve café de licitação?
10:05Por que você não serve um café especial mineiro para você mostrar a riqueza do seu Estado para quem te
10:11visita?
10:12Porque se você for na Colômbia, eu te garanto que o presidente e o governador de lá vai te servir
10:17um café especial colombiano.
10:20Eu acho que a gente não começar desde casa.
10:22Então tem que começar daqui de dentro, nós mesmos valorizando o nosso próprio café.
10:26Leonardo, a gente vai para um rápido intervalo.
10:28Na volta a gente continua falando sobre café, sobre a empresa do Leonardo,
10:32e sobre a história dele e da família com a produção de café.
10:36É já, já. Não saia daí.
10:52Estamos de volta com o programa em Minas, que hoje recebe Leonardo Montesanto,
10:58empreendedor especialista em café.
11:01Agora, Leonardo, eu quero entrar um pouquinho na história da sua família.
11:04Como é que o café entrou na sua vida?
11:07Como é que você transformou isso em uma empresa hoje, mas vem lá de trás, né?
11:12De gerações passadas da sua família, é isso?
11:15É.
11:16Esse ano a gente completa 73 anos com o café.
11:20Conta para a gente um pouquinho dessa história.
11:21Essa história começa com meu avô.
11:30Meu avô era um pequeno comerciante lá e comprava café de pequenos produtores
11:35e fornecia para algumas indústrias.
11:38Uma dessas indústrias se chama Café das Corações,
11:41que naquela época era uma indústria tão pequena que era uma indústria até de bairro,
11:46não era nem municipal.
11:48Porém, em outubro de 1983, o proprietário ia pedir falência
11:56e para o meu avô não quebrar junto, o meu avô negociou com ele,
11:59porque ele devia muito dinheiro do meu avô, de café que o meu avô vendia para ele.
12:03Meu avô assume o Café das Corações no dia 12 de março de 1984.
12:08Isso foi dez dias antes de eu nascer.
12:09E eu passei a minha infância inteira lá dentro, até porque o meu avô,
12:15a partir dos meus seis anos de idade,
12:18toda sexta-feira ele mandava o motorista me buscar na escola,
12:20eu ia almoçar lá com ele.
12:23E toda sexta-feira que eu chegava lá, eu tinha uma missão, né?
12:27Eu tinha um isopor de chup-chup ou de picolé.
12:30Ele falou assim, ó, tem 20 chup-chup aqui dentro.
12:31Você tinha que vender?
12:32Custou um real, você vende por dois, volta aqui e paga meu real.
12:36Então, aos seis anos de idade, ele já estava me ensinando a fazer comércio.
12:42E o que eu mais ouvia dentro daquela turma lá toda lá era que,
12:46ô, Léo, o seu pai é foda, o seu avô, então, você nem imagina, né?
12:51E eu cresci ouvindo aquelas histórias do meu pai e do meu avô,
12:55eu pensei assim, como que eu vou brilhar no meio do café sendo o filho neto de quem eu sou?
13:00Tô bem raiva de café.
13:01Pavor.
13:02Quando eu tinha 16 anos, eu falei pro meu pai que no dia que ele morresse,
13:05eu ia vender tudo que jamais na minha vida eu ia trabalhar com café.
13:09E, como o meu avô já tinha me ensinado muito cedo a gostar de ganhar dinheiro,
13:14aos 16 anos, eu já havia meu primeiro negócio aqui em Belo Horizonte,
13:17lá no bairro Luxemburgo, era um lava-jato.
13:21Bom, fiquei lá uns dois anos, trabalhava lá, estudava de manhã, trabalhava de tarde,
13:25e sábado.
13:26E sábado era o meu melhor dia.
13:30Ninguém tinha disposição pra lavar chassi, motor, dia de semana, que era muito corrido,
13:34mas no sábado meu ticket médio subia.
13:36Era o dia que eu mais trabalhava.
13:38E teve um dia, um sábado abençoado, meu avô foi lá no meu lava-jato,
13:42ficou lá me observando, e aquele sábado foi abençoado porque o meu aspirador de pó tinha estragado,
13:48e eu tava ajoelhado no chão, assim, com aquelas escovinhas de sapato,
13:51tirando poeira do carro dos outros.
13:54Suando, ele me chamou e falou assim,
13:55meu filho, eu não te criei pra mexer com o suco não, rapaz.
14:00O seu pai tá abrindo uma indústria de suco lá no Espírito Santo,
14:02você não quer transportar suco?
14:04Eu olhei pra trás, assim, olhei pra ele,
14:07e falei assim, o senhor, eu tenho certeza que esse trem é melhor que esse negócio aqui,
14:09que diga alguma messa.
14:11E eu gostava muito de estudar, né?
14:14Eu tava na Fumec.
14:19Eu tava fazendo o segundo semestre de administração,
14:23devendo todas as matérias do primeiro,
14:26de tanto que eu amava.
14:27Então, aí eu larguei a faculdade e mudei pra Linhar, no Espírito Santo.
14:31Fiquei morando lá dois anos.
14:33Depois de lá eu mudei pra Santos,
14:36com 23, mais ou menos.
14:38Trabalhando com área de logística,
14:40transporte.
14:41Fora do café.
14:41Sem mexer com café.
14:43Cheguei em Santos com a mão na frente, eu tô atrás.
14:46Cinco anos depois, eu saí de lá,
14:49eu tinha 100 caminhões,
14:51eu tinha um terminal de 20 meias quadernas do Porto,
14:54eu era o maior transportador de café do Brasil.
14:57Transportando café pra exportação.
15:00Vendo a transportadora, volto pra Belo Horizonte
15:02e assumo as fazendas do grupo.
15:06Naquela época, a gente era um produtor muito grande,
15:08a gente tinha mais de 3 mil hectares de café.
15:11Eu tinha 800 funcionários em dois estados diferentes.
15:14E aí, logo quando eu assumo as fazendas,
15:18eu entendi que fazenda de café é exatamente igual a uma vinícola.
15:20Porque a gente fala de terroir,
15:22a gente fala de variedade de café,
15:24processo de pós-colheita, pessoas, enfim.
15:28E eu visitei mais de 40 produtores de café
15:33pra aprender com eles
15:34o que eles estavam fazendo de milhão em cada fazenda deles.
15:36pra eu poder adaptar a minha realidade e trazer pro meu negócio.
15:40Porque fazenda de café é 40% igual,
15:4360% cada produtor faz de um jeito.
15:45Então é uma loucura,
15:45você não consegue fazer um benchmark com todo mundo, né?
15:51Bom,
15:52dois anos depois,
15:53que eu já havia aplicado tudo que eu tinha aprendido,
15:55e os processos estavam redondinhos,
15:58eu fui começar a aprender pós-colheita.
16:00Que é o que a gente faz com a fruta,
16:01depois que a gente colhe.
16:02pra me aprender isso durante,
16:06em três anos,
16:08eu fui mais de dez vezes na América Central,
16:10conheço todos os países da América Central,
16:11e fui atrás dos cinco melhores produtores de cada país
16:13pra fazer uma simples pergunta.
16:15O que você faz com a fruta,
16:16depois que você colhe.
16:18Quando foi em 2018,
16:20eu ganho o prêmio do Cup of Exxas,
16:23que foi o café mais pontuado do mundo em 2018.
16:26Entre todos os países produtores do mundo,
16:28eu estou falando aqui mais de 40 países produtores de café.
16:31em 2019 fica o segundo lugar.
16:34E aí,
16:35esse café campeão foi vendido pro Japão.
16:38Um leilão eletrônico,
16:39por 19 mil dólares a saca.
16:42Em dólar,
16:42é o café mais caro já vendido na história do Brasil.
16:46Bom,
16:47voltar um pouco na história.
16:48Quando eu estava lá no Café Tais Corações,
16:50além de vender chup-chup e colé,
16:52eu tinha uma rotina de encostar com meu avô pra torrar café.
16:55E uma vez ele virou pra mim,
16:57ele só falou essa frase pra mim uma única vez,
16:59eu tinha seis anos.
17:00Meu filho,
17:01o sonho da minha vida
17:02é ver o brasileiro tomar o café que sempre foi exportado.
17:06Eu não sei por que,
17:07que essa frase voltou na minha cabeça 30 anos depois,
17:11eu tinha ganhado todos os preços que eu podia ganhar como produtor de café,
17:14eu decido sair das fazendas,
17:16porque eu queria abrir uma empresa que fosse fazer o brasileiro tomar o café que ele merece.
17:21Aí entra a expressão democratizar o café.
17:25E o que você tem feito pra que esse café especial,
17:28nessa expressão de democratizar,
17:30ele chegue cada vez mais à xícara de mais mineiros e brasileiros?
17:34Olha,
17:35pelo pouco de experiência que eu tenho a nível Brasil,
17:38e hoje a gente já vende mais de 18 estados,
17:41é muito difícil
17:42você achar hoje
17:44um café especial na gonda do supermercado,
17:48coerente com a nossa matéria-prima,
17:50cuja a qual não esteja de 10 a 20% mais barato que todo mundo.
17:54O que você acha que precisa mudar no mercado
17:56pra que as pessoas então consumam mais café?
17:58Conhecimento.
17:59As pessoas precisam entender o que elas estão consumindo.
18:02Porque,
18:03quando a gente fala o seguinte,
18:05você conhece alguém que já teve queimação no estômago,
18:08ou azia,
18:09e parou de tomar café por causa disso?
18:11Ah, sim.
18:11Eu falei,
18:12pois é,
18:12esse é o café tradicional,
18:13com o meu café você não tem.
18:15Outra coisa,
18:16por que você põe açúcar no seu café?
18:17Porque o seu café é amargo, né?
18:18O café não é uma fruta doce,
18:20não precisa ser amargo,
18:21então o meu café também não precisa de açúcar.
18:22Olha a quantidade de benefício,
18:24eu sem falar que meu café é gostoso de beber,
18:28eu só falei de benefício pra sua saúde.
18:29Agora,
18:30falando de desconhecimento das pessoas,
18:32vamos entrar um pouquinho mais nisso?
18:34O café,
18:34então ele deve ser tomado sem açúcar, é isso?
18:37Não,
18:38porque na verdade é assim,
18:39pra mim quem toma café tradicional sem açúcar
18:41é só o Rambo.
18:44É só se for café especial.
18:46Não precisa de açúcar,
18:48porque é muito gostoso,
18:50não é amargo.
18:51Então o café,
18:52ele deve ser apreciado sem precisar adoçar, né?
18:57Pra você ter uma ideia,
18:57uma vez no meu Instagram particular,
19:00eu fiz um desafio,
19:01falei assim,
19:02você vai comprar meu café,
19:03você vai tomar só meu café,
19:05durante três dias sem açúcar.
19:07Se no quarto dia,
19:08você conseguir colocar açúcar no meu café,
19:11eu devolvo o seu dinheiro.
19:12Não foi o desafio,
19:14tá gravado aqui,
19:14o vídeo tá lá,
19:15pra quem quiser ver.
19:17Olha,
19:18eu já fiz isso com mais de três mil pessoas.
19:21Eu não sei se deu certo,
19:23ou as pessoas ficarem com vergonha de me ligar,
19:25porque ninguém nunca me ligou, sabe?
19:26Então pronto,
19:27deu certo.
19:28Falando sobre Minas Gerais,
19:29nós temos várias regiões que são boas pro grão de café,
19:32não temos?
19:33Sul de Minas...
19:35Minas Gerais,
19:36hoje,
19:37a gente fala que...
19:39Tem umas salinas,
19:41taiobeiras.
19:43É o melhor cinturão de café do mundo hoje.
19:47Então, taiobeiras,
19:48maior cinturão,
19:48mas a gente tem outras regiões.
19:50Melhor.
19:50Isso,
19:50aí tem sul de Minas,
19:51tem vários microterrois lá dentro.
19:53Você tem a zona da mata,
19:55que tem o Caparaó,
19:56por exemplo,
19:57onde fica o Pico da Bandeira.
19:58Cerrado.
19:59Cerrado.
20:00Manhuaçu,
20:00quer café?
20:01Ó,
20:01meu diretor tá aqui me soprando.
20:03Deixa eu te contar uma coisa
20:04pra gente poder fechar
20:05essa entrevista maravilhosa.
20:06Como é que você espera
20:07que o mineiro,
20:08seja a relação do mineiro com o café,
20:09no futuro?
20:11Eu gostaria muito
20:12que ele entendesse
20:14e se sentisse orgulhoso
20:16do que a gente produz.
20:17Do tanto que ele é foda.
20:18Do que a gente produz.
20:19Leonardo,
20:20muito obrigada pela entrevista.
20:22Volte sempre.
20:22Muito sucesso
20:23no nosso ramo de café,
20:25que é o nosso orgulho
20:26de Minas Gerais.
20:26A você que esteve com a gente
20:27até aqui,
20:28nós recebemos hoje
20:29Leonardo Montessanto,
20:30empreendedor especialista em café.
20:32Essa entrevista fica por aqui.
20:33Muito obrigada.
20:34Obrigado.
20:35Pra você que segue com a gente,
20:36eu te convido
20:36pra vir pro nosso bloco exclusivo
20:38que segue agora
20:39esse bate-papo
20:39no YouTube do Portal Uai.
20:41A íntegra da entrevista,
20:43segunda-feira
20:43no Jornal Estado de Minas.
20:44Obrigada pela companhia, pessoal.
20:46Tchau.
21:00Estamos de volta
21:01com o programa em Minas,
21:02agora com esse bloco exclusivo
21:04pra você que nos acompanha
21:05aqui no YouTube
21:06do Portal Uai.
21:07Nosso entrevistado hoje,
21:09Leonardo Montessanto,
21:10especialista em café,
21:11empreendedor.
21:12Leonardo,
21:13vamos fazer aqui
21:13um bate-bola
21:15bem rapidinho.
21:15e a primeira coisa que eu quero
21:16saber de você
21:17é se você toma um café
21:19simples, qualquer,
21:21ou simplesmente
21:21porque ele está ali
21:22ou se você faz
21:23toda uma análise
21:24do café que você está bebendo.
21:25Como é que é a sua relação
21:26hoje com o café?
21:27Eu só tomo o café
21:28que eu mereço.
21:29Então você só toma
21:30o seu café, é isso?
21:31Fala pra mim.
21:32Bom,
21:34hoje está muito simples
21:35levar café, né?
21:35A gente tem um drip coffee, né?
21:36Que você,
21:37quem quiser tomar café ruim
21:39hoje está tomando
21:39porque quer, né?
21:40A gente só pode levar
21:40e pedir água quente
21:41pro hotel, restaurante,
21:43dentro do avião,
21:44em qualquer lugar que você for.
21:45Por isso que eu sou tão
21:48enjoado.
21:48Enjoado com o café.
21:49Então a gente recebeu o Leonardo
21:51aqui, não é o café
21:53da sua empresa ainda,
21:54então você não passou
21:54nem perto do café, né?
21:55De jeito nenhum.
21:56E em lugar nenhum,
21:57se você chega na casa
21:57de uma pessoa,
21:58você também não toma o café?
21:59Estou não.
21:59Só o seu café.
22:01Você leva o seu café
22:01no bolso?
22:02Lógico.
22:03Hoje você não trouxe o seu café.
22:04Eu já tomei muito
22:05antes de chegar aqui.
22:06Você saiu bem.
22:08Agora me conta uma coisa,
22:10qual foi o café
22:11que você tomou
22:12dentre desses
22:13que você produz,
22:14porque você disse que hoje
22:14você só toma o seu,
22:15o que mais te surpreendeu?
22:16O Geisha,
22:18safra 2018.
22:19Foi esse que foi premiado?
22:20Café com 93,89 pontos
22:23entre 20 juízes
22:25internacionais
22:25no campo of excellence.
22:26E explica pra gente
22:27o que é esse Geisha?
22:29Só pra quem está...
22:29Geisha é uma variedade
22:30de café.
22:32A explicação do vinho, né?
22:34Uva roxa, cabernet,
22:35chihra, merlot e pinot noir
22:36são vinhos diferentes
22:37apesar de serem uvas roxas
22:39porque são variedades
22:40de uva.
22:41A minha uva roxa
22:42é o café arábica.
22:44Geisha, arara,
22:45pacamara,
22:45laurine, bourbon
22:46são variedades
22:47de café diferente.
22:48Por isso que
22:49a gente tem hoje
22:50na Coffee Mais
22:5111 cafés
22:51completamente diferentes
22:52entre si.
22:54O Geisha
22:54é uma dessas variedades
22:56e ela foi descoberta
22:57na década de 50
22:58no pequeno vilarejo
22:59de Geisha, na Etiópia.
23:00Por isso que eu tenho
23:01esse nome de Geisha.
23:02E ele é o café
23:03mais delicado
23:04que eu já vi.
23:05Ele é um café
23:05que tem notas florais
23:06de jasmin
23:07com acidez cítrica
23:08de limão taitinho.
23:09Gente, sensacional.
23:10Preciso conhecer esse café.
23:11Ele é diferenciado.
23:12Agora me conta uma coisa
23:13pra quem está em casa
23:14e continua acompanhando
23:15a nossa entrevista,
23:16esse bate-papo
23:17e a pessoa quer fazer
23:18uma mudança de hábito
23:19e começar a consumir
23:20um café especial
23:21sem ter que comprar
23:22uma máquina cara.
23:22Eu não sei como é
23:23que funciona isso.
23:23qual seria a dica
23:24que você daria
23:25pra essa mudança?
23:25Você pode comprar
23:26um coffee mais mesmo.
23:27Moído.
23:30Moído.
23:31Que vende no supermercado.
23:32E vende no supermercado.
23:33Tem vários supermercados
23:34no Brasil inteiro.
23:36Ou se não quiser
23:36achar no supermercado
23:37na sua cidade,
23:38você pode comprar
23:38pelo nosso site
23:39ou pelo marketplace.
23:41E fazer do jeito
23:43que você faz.
23:43Não muda nada.
23:44Você só está melhorando
23:45a matéria-prima.
23:46A única coisa
23:47que eu peço
23:48para as pessoas é
23:49não dá pra você
23:51colocar o café
23:52naquela garrafa
23:53que você estava fazendo
23:54o café tradicional
23:55antes.
23:55Porque a garrafa
23:56está na caatinga
23:57na nada.
23:57Então vai caatingar
23:58meu café também.
23:59Então faz direto
23:59na caneca
24:00só pra você experimentar.
24:01Direto na caneca.
24:01Eu ia te perguntar isso.
24:02Qual é o erro mais comum
24:03que as pessoas cometem
24:04em casa
24:04na hora de passar
24:05o cafezinho?
24:06Você tem alguma dica
24:06especial pro café
24:07ficar um pouquinho melhor?
24:08Olha, todo mundo
24:09faz essa pergunta
24:10pra mim.
24:11Ele fala assim,
24:12olha o pano.
24:12Se é um filtro de papel,
24:13um filtro de tecido,
24:15de pano,
24:16direto na xícara?
24:17Como é que faz?
24:17A única coisa
24:18que eu abomino,
24:19mas é uma questão
24:20higiênica minha,
24:21é o filtro de pano.
24:23O resto
24:24não muda nada.
24:25É porque o que acontece?
24:27As pessoas me perguntam,
24:28Léo, mas qual que é
24:29a medida certa?
24:30E eu falo,
24:30eu não sei,
24:31eu não conheço a boca.
24:32A medida que você gosta.
24:33Então você tem que testar.
24:35Faz com 10,
24:36com 20,
24:37com 30,
24:37você vai achar
24:38o meio do caminho
24:39e vai se identificar.
24:40Ó, achei o jeito
24:41que eu gosto.
24:42Entendi.
24:42Se você pudesse voltar lá atrás,
24:44você falou que a Coffee Mais
24:45está fazendo aí em 6 anos,
24:46né?
24:46Para o Leonardo
24:47que começou com a empresa,
24:48teria alguma coisa
24:49que você faria diferente
24:50ou que você mudaria
24:51ou você está satisfeito
24:52com o caminho do café
24:54que está seguindo hoje?
24:54Tem uma coisa
24:55que eu teria feito
24:56muito mais rápido.
25:00Eu, esse ano,
25:02eu já peguei
25:03mais de 80 voos
25:05e eu rodo o Brasil inteiro.
25:07No ano passado,
25:07eu fechei com 123.
25:10Meu pai chegou para mim
25:11no começo desse ano
25:12e falou assim,
25:12meu filho,
25:13Coffee Mais já andou
25:14um bocadinho,
25:15vamos contratar
25:16uma pesquisa de mercado?
25:17Eu falei,
25:17pesquisa de mercado
25:18para quê, pai?
25:18Se você perguntar para mim,
25:19eu falei,
25:20como assim?
25:21Ué, pai,
25:21só no ano de 2025
25:22de norte a sul do Brasil
25:24eu entrevistei
25:243 mil pessoas
25:26na gonda do supermercado.
25:28Então,
25:28o que eu faria
25:28de diferente?
25:30Eu teria começado
25:31a entrevistar pessoas
25:33com 50 dias de empresa,
25:35não com um ano e meio.
25:38Agora,
25:38para a gente encerrar,
25:39tá?
25:39Essa entrevista,
25:40porque,
25:40infelizmente,
25:41a gente vai chegar
25:41para o fim,
25:42se você pudesse
25:43sentar,
25:44servir uma xícara
25:45de café,
25:46por exemplo,
25:46para o seu avô,
25:48a Prígio Tavares,
25:50é isso?
25:50A Prígio Tavares Jr.,
25:52se você pudesse
25:52sentar com ele
25:53e servir uma xícara
25:54para ele do seu café,
25:55o que você diria
25:55para ele?
25:57pergunta se você está orgulhoso
25:58de mim?
25:59É.
26:00É isso.
26:01Você tem dúvida disso?
26:03Nunca falou.
26:05Não deu tempo.
26:06Não deu tempo,
26:07mas eu tenho certeza
26:07que ele está muito orgulhoso
26:08de você,
26:08porque começou lá atrás,
26:09desde há tanto tempo,
26:11tantas histórias
26:11que você nos contou
26:12ao longo desses dois blocos
26:13e agora nesse bloco exclusivo,
26:15de toda essa história
26:16que envolve o café
26:17na sua família,
26:18a volta que você deu
26:19e estar de novo hoje,
26:21empreendendo na área do café,
26:23eu tenho certeza
26:23que tem muito orgulho por aí.
26:24Espero que sim.
26:25Obrigada pela entrevista.
26:26Obrigada a você.
26:27Pode mandar um coffee
26:28mais para a gente,
26:28pode mandar,
26:29não vou fazer muita propaganda,
26:30manda um dripezinho aí
26:32para a gente experimentar,
26:32mas eu quero aquele
26:33com notas de jasmin,
26:34porque esse aí,
26:35deu água na boca.
26:36Você sabe o que eu falo?
26:37Gueixa comigo.
26:38Gueixa comigo.
26:39São quantas variedades
26:41vocês têm?
26:41Me fala aqui uma quantidade.
26:4211 variedades de café.
26:43Léo, muito obrigada
26:44pela entrevista.
26:45Tá bom?
26:46As portas estão abertas.
26:47Muito sucesso para você.
26:48Para você que está em casa
26:49e nos acompanhou até aqui,
26:50conhecemos um pouquinho
26:51mais de café,
26:51um pouquinho mais da história
26:53da família do Léo,
26:54da história dele como empreendedor.
26:56Um cara que você não tem
26:57um curso superior, né, Léo?
26:58Não.
26:59Oitava série.
27:00Parei lá.
27:01E está aí.
27:02Sucesso.
27:02Basta buscar, trabalhar.
27:04Nada vence a força do trabalho.
27:06É isso aí.
27:07Obrigada pela companhia, pessoal.
27:09Lembrando,
27:09a íntegra desta entrevista
27:10você acompanha no Jornal
27:11Estado de Minas
27:12da próxima segunda-feira.
27:13Até o próximo programa.
27:14Tchau.
27:17Obrigada.
27:34Legenda Adriana Zanotto
27:34Obrigado.

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