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Morte de família chocou todo o estado.
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NotíciasTranscrição
00:00Agora a gente fala da morte da família de Vila Velha, o caso do estudante de medicina suspeito de matar
00:06o pai e a mãe e em seguida se matar.
00:09A Polícia Civil disse que as investigações correm sob sigilo e que não pode divulgar novos detalhes do caso para
00:17preservar a apuração dos fatos.
00:19Mas confirmou que familiares estiveram no Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa e prestaram depoimento.
00:28Os corpos continuam aqui no DML de Vitória.
00:33A polícia não descarta, gente, nenhuma hipótese, mas tudo realmente indica que Guilherme Erigen realmente matou os pais.
00:40Ele teria, inclusive, confessado o crime a um parente antes de tirar a própria vida.
00:46Diante disso, a pergunta que fica é, será que essa tragédia poderia ter sido evitada?
00:52Então, bora bater um papo aqui com o psicólogo, o doutor Eliseu Borlotti.
00:56Obrigada pela sua presença aqui no Fala Espírito Santo, doutor.
00:59Eu é que agradeço a oportunidade, Roberta.
01:02Uma pena que é para a gente falar sobre esse crime tão triste que pegou todos os capixabas aí de
01:09surpresa na manhã de ontem, né?
01:12Mas poderia ter sido uma tragédia evitada?
01:16Poderia ter sido evitada essa tragédia?
01:18Então, o primeiro ponto que a gente tem que pensar é que nem todo caso de esquizofrenia ou de transtorno
01:24mental desemboca num desfecho tão trágico e tão triste quanto esse.
01:28Então, é importante ter a clareza de que esse é um caso extremo, né?
01:33Então, a gente tem que pensar o seguinte, todo transtorno mental, todos nós estamos sujeitos a ter algum tipo de
01:40transtorno mental.
01:41Isso depende de três fatores.
01:43Primeiro, a vulnerabilidade biológica, né?
01:45Então, esse rapaz, ele possivelmente tinha uma vulnerabilidade biológica que precisa ser investigada, né?
01:52Possivelmente, ele estava vivendo uma situação muito estressante, né?
01:56Que também tem que ser investigada, que situação era essa?
01:59E a habilidade de enfrentar situações estressantes.
02:03Então, se a gente tem uma vulnerabilidade biológica e se a gente vive uma situação estressante e tem condição de
02:10enfrentar essa situação estressante,
02:13a crise ou o transtorno pode não ser provável de ocorrer, né?
02:17Então, é importante entender esses fatores na questão da prevenção.
02:21Por quê?
02:22Porque por trás de todo transtorno existe uma desregulação de emoções.
02:26E aí, o trabalho profissional, tanto com a psicoterapia quanto com a farmacoterapia, visa equilibrar as emoções, aprender a lidar
02:35com, por exemplo, transtornos delirantes, sintomas delirantes.
02:40Possivelmente, o caso indica um tipo de delírio, né?
02:44Que é uma condição em que o indivíduo verbaliza uma situação que não condiz com a realidade.
02:50Então, ele cria uma situação que não bate, não é congruente com a contingência vivida por ele naquela situação.
02:58E ele tende a achar que aquilo é real e agir a se comportar, sentir a pensar de acordo com
03:04essa realidade criada no delírio.
03:06Os sinais que foram encontrados dentro do apartamento indicam isso?
03:11Indicam claramente uma situação de delírio, né?
03:14E um segmento da regra relacionado a como ele configurou esse mundo dele a partir desse delírio.
03:22Então, é importante, nesse caso, o que a gente chama de uma biópsia psicológica,
03:26que é uma ferramenta da psicologia forense,
03:28para descrever como eram as relações, como ele estabelecia relações.
03:33Se houve casos, por exemplo, que se há uma desregulação emocional,
03:37se houve casos que precipitam a desregulação emocional,
03:41por exemplo, o abuso psicológico, pressão para um desempenho, uma pressão muito extrema, né?
03:48Então, o caso indica que precisa investigar melhor as relações parentais,
03:54as relações intergeracionais, para verificar se houve algum tipo de situação que precipitou o estresse, né?
04:01E também a exacerbação dos sintomas a partir, por exemplo, do uso de drogas
04:08ou da combinação de medicamentos com outras drogas.
04:11Agora, quem olha as redes sociais do Guilherme,
04:13até mesmo ouvindo relatos de quem conhecia ele,
04:17falaram que era uma pessoa normal, né?
04:20A gente vê nas redes sociais, tem um pai médico, uma mãe presente.
04:24O que que leva, né? O que que pode ter acontecido?
04:27Porque as pessoas, até então, relatam ele como uma pessoa tranquila, né?
04:32Usaram até essa palavra, ele era uma pessoa tranquila, não aparentava, não dava nenhum sinais.
04:37Então, nesses casos, o que pode ocorrer é uma indução de sintomas psicóticos a partir do uso de substâncias.
04:45Seria uma das possibilidades dessa aparição supostamente do nada, né?
04:51Então, novamente, tem que investigar melhor, tem que ver tanto a questão presente,
04:57quando a condição pregressa, né?
05:00Porque, às vezes, é muito comum na desregulação emocional,
05:05é abuso psicológico no sentido da pressão para a execução, pressão de desempenho.
05:11Então, tem que avaliar.
05:12Como é um caso já pós-morte, a ferramenta possível é a biópsia psicológica, a autópsia psicológica.
05:19Que aí é possível, através da perícia, saber identificar realmente se houve o consumo de alguma droga.
05:25Sim, e aí é a investigação médica toxicológica também, né?
05:30Eu falo de relações também, para verificar se realmente era essa vida aparentemente normal,
05:38se realmente condizia com a intimidade, né?
05:41A vulnerabilidade da intimidade.
05:43É importante acessar mais as relações mais íntimas, mais profundas,
05:48para esclarecer melhor esse caso, para garantir uma prevenção segura.
05:52Porque é importante, por exemplo, casos ligados a esses tipos de tragédias,
05:56às vezes tem componente de abuso psicológico conhecido, por exemplo, como bullying, né?
06:02Então, às vezes, tem resquícios de histórico de bullying,
06:06que é desencadeado, por exemplo, por gatilhos vividos no momento presente.
06:10E que pode levar...
06:11Sim, e o uso de drogas pode fazer isso.
06:14Tanto o uso de drogas isolado, quanto a combinação com algum tipo de medicamento
06:19que a pessoa estava tomando por ventura para tratar um transtorno prévio.
06:23E agora, a gente também convida aqui para participar do nosso bate-papo
06:27com a psiquiatra Letícia Mameri.
06:30Ela vai participar com a gente pela internet.
06:32Doutora, muito obrigada, viu, pela sua presença aqui,
06:34a sua participação no Fala Espírito Santo.
06:37Fala pra gente, o que pode ter acontecido com esse jovem?
06:40Você, como médica, psiquiatra, com essa experiência, o que pode ter acontecido com ele?
06:46Primeiramente, quero agradecer, Roberta.
06:48É sempre um prazer estar aqui com vocês, conversar com esses telespectadores maravilhosos.
06:54Infelizmente, é um tema muito triste, né?
06:57A gente ficou muito chocado.
06:59E a fala do doutor Bolotti foi muito boa.
07:04É realmente isso, né?
07:06É muito difícil esses casos serem completamente do nada.
07:13Então, a primeira coisa que a gente sempre tem que descartar é o uso de substâncias.
07:18Lembrando que, às vezes, uma coisa que a gente acha que é simples,
07:22infelizmente, muitas pessoas estão tendo essa falsa ideia, por exemplo, da maconha,
07:27que é uma coisa simples.
07:28E não é.
07:29A maconha pode aumentar em 360 vezes a abertura de quadros psicóticos em quem tem predisposição.
07:35Não estou falando que é o caso dele, mas estou alertando, né?
07:39Então, é uma situação complicada.
07:42Além do uso de substâncias, a gente tem que afastar a causa orgânica,
07:46que também é muito importante.
07:49E depois disso, pensar nesses outros transtornos, nessas outras patologias.
07:57Mas gostaria de frisar a fala do doutor Bolotti muito bem colocada.
08:00Isso é um caso extremo, tá, gente?
08:03Então, é uma coisa preocupante, às vezes, a gente achar que todos os transtornos psiquiátricos
08:09vão comunar nisso, podem evoluir para isso.
08:15E isso não é verdade.
08:17E aí, dessa forma, se a gente pensa desse jeito,
08:21pode ser que a gente comece a aumentar o preconceito com as pessoas que se tratam.
08:27E é o contrário, né?
08:28Para a gente prevenir, a gente precisa que as pessoas procurem tratamento,
08:33a gente precisa que as pessoas se tratem e não que se afastem.
08:38O que a gente pode dizer é que ele teve um surto.
08:41É isso, doutora?
08:44Tem indícios, né?
08:46Como é um caso pós-morte, eu não tenho como falar exatamente.
08:52Mas ali é muito claro para a gente, como profissional,
08:58que a cena do crime, o desfecho, é uma cena bem característica de um surto psicótico, né?
09:07Quando a gente fala de surto, tá, gente?
09:10Para deixar mais claro, o nome surto, ele é muito usado,
09:15e a maior parte das vezes ele é usado de forma errada.
09:18Então, o surto é uma coisa muito séria, é uma coisa específica
09:22que o diagnóstico tem que ser feito por um médico.
09:25Então, a maior parte das vezes, o que a gente acaba chamando de surto,
09:28ah, fulano surtova, não é o surto que a gente está falando aqui, tá?
09:33No programa, a gente está falando efetivamente de um surto psicótico,
09:37uma situação grave, séria, uma emergência psiquiátrica
09:42que tem que ser atendido num pronto-socorro psiquiátrico,
09:47com médicos especializados.
09:48Por que que fica muito, muito claro para a gente
09:53que provavelmente foi um surto psicótico?
09:55Porque mostra a questão do delírio, né, presente,
10:01tanto o delírio quanto as possíveis alucinações, né,
10:04quando ele coloca algumas coisas escritas ali,
10:07dá a entender que tem alguma voz de comando,
10:09comandando as atitudes dele, e essas questões do delírio
10:15e das alucinações, a pessoa não tem controle sobre isso, tá?
10:20Tem alguns estudos que mostram que as áreas do cérebro
10:25que são estimuladas são as mesmas.
10:29Então, por exemplo, eu estou aqui falando com vocês,
10:31e se eu chegasse e falasse, olha, a doutora Letícia,
10:34outra pessoa, né, a doutora Letícia, ela não existe,
10:37ela não está falando com você, você ia falar,
10:39não, eu tenho certeza absoluta que ela está falando comigo.
10:42Então, no caso da alucinação, é dessa forma,
10:46e o delírio é aquela ideia que ninguém tira da cabeça,
10:49e que não vai tirar, e que é uma coisa completamente irreal.
10:54Parece ser o caso, tá, Roberta?
10:56Doutora, você tocou num ponto muito importante,
10:58porque quando a gente está em casa, no nosso momento, no dia a dia, né,
11:03é costume, nossa, a gente utilizar a expressão, ah, fulano surtou.
11:06Então, não é esse tipo de surto que a gente está falando.
11:11Doutora Elizeu, fala pra gente o que passa na cabeça da pessoa,
11:14como que funciona o momento de surto, o que passa na cabeça da pessoa?
11:19Eu acho que a colega poderia falar melhor,
11:21mas é esse ápice da questão da realidade e do delírio,
11:27no caso, quando a gente está falando de transtornos positivos,
11:30positivos no sentido de que são exacerbados, né?
11:33E aí você tem o delírio, a alucinação,
11:36e a pessoa começa a se comportar no ambiente como se aquilo fosse a realidade.
11:42Então, ela acha que pode voar e, às vezes, pula da janela, né?
11:47Ou, às vezes, ela acha que está sendo comandada por uma entidade.
11:51E, muitas vezes, esse comando externo,
11:54às vezes, é uma esquiva da impossibilidade da pessoa viver aquele conflito,
11:59de fazer um comportamento que poderia levar à punição,
12:02e aí ela entra numa ambivalência emocional
12:06e ela acaba permitindo que outra pessoa, entre aspas,
12:10ou outra entidade ou alguém, um personagem do delírio,
12:14se comporte por ela naquela situação.
12:17E dá pra gente perceber, dá pra observar sinais
12:21de que a pessoa vai ter um surto, doutora?
12:26Assim, o surto por uso de substância, não.
12:29Por isso que é o que tem esse relato dele ser muito normal,
12:34dele ser ótimo e tudo, nunca ter apresentado nada.
12:38A gente pensa num surto psicótico por uso de substância,
12:43que é o que acontece assim.
12:45A pessoa está tudo bem, usa a substância e, realmente,
12:49tem um surto psicótico.
12:51Agora, fala dos outros transtornos psiquiátricos,
12:56normalmente, ele é gradativo.
13:00Então, é um processo que vai acontecendo.
13:03Quais são os sinais, Antônio Eliseu?
13:05Ele tem, geralmente, um gatilho, né?
13:08Uma situação que está relacionada, em geral,
13:11a um processo traumático.
13:12Então, a pessoa vivencia uma situação hoje, no presente,
13:16e isso tem uma associação com algo vivido na história de vida dela.
13:22Então, essa progressão que a doutora fala, ela é observada.
13:26Então, em termos de prevenção em transtornos mentais graves,
13:30é importante identificar, por exemplo, sinais de isolamento,
13:35sinais de um exagero, de uma fala, de uma verbalização,
13:40que impede o compartilhamento de informações.
13:44Tudo isso são sinais que indicam que a gente precisa interagir mais,
13:50favorecer a comunicação, né?
13:52Excetuando esses casos de indução por substâncias, como a doutora falou.
13:57Agora, o que chama atenção nesse caso é que o Guilherme era um rapaz jovem,
14:00apenas 22 anos.
14:02Existe alguma idade que esses quadros se abrem mais?
14:08Então, desde criança e início da adolescência, os sintomas começam a aparecer bem de leve.
14:14Os sintomas da esquizofrenia e do transtorno mental desse tipo.
14:18Isso vai progressivamente aumentando, se não houver controle.
14:23Então, é um caso em que a combinação da psicofarmacologia com a psicoterapia
14:30é um dos casos mais indicados, que é o tipo de transtorno em que há mais dados, né?
14:36Sobre origem, sobre essa questão das comorbidades e sobre o fator hereditário na manifestação do transtorno.
14:46Então, geralmente, a gente observa se a família tem algum caso, né?
14:50Pode ser, então, um fator genético?
14:52Sim, pode ser.
14:54É a questão do fator de risco.
14:56O que é fator de risco?
14:57Fator de risco não é uma coisa que vai ocorrer necessariamente aquele efeito esperado.
15:03Fator de risco fala de probabilidade.
15:05Então, se eu tenho um fator genético como um fator de risco,
15:09isso vai ser disparado a partir, por exemplo, de estressores do ambiente, como eu falei inicialmente.
15:15Então, se eu vivo uma situação muito estressora e eu tenho um fator de risco genético,
15:19eu tenho uma alta probabilidade de desenvolver um transtorno.
15:22Agora, o transtorno vai ser leve, moderado ou grave, dependendo da minha habilidade,
15:29aí é estratégias de enfrentamento daquela situação estressante.
15:33Por isso que é importante as estratégias preventivas nesse sentido.
15:36Em escolas, né?
15:38O governo agora, com os programas anti-bullying nas escolas,
15:42para ensinar os alunos, por exemplo, habilidades sociais, habilidades assertivas,
15:48enfrentamento de conflitos, né?
15:50Mediação de conflitos.
15:51Porque se a pessoa não desenvolve essas habilidades,
15:55ela está aumentando o risco nesse terceiro fator de combinação com a predisposição biológica
16:02e com os fatores de risco de estresse do ambiente.
16:06Olha aí, a importância de cuidar desde a infância com esses programas, né?
16:10A importância disso tudo, como que realmente mexe com o ser humano, né?
16:14O caso do bullying, que foi o exemplo que o senhor disse.
16:16Aqui no Facebook, olha, temos a participação de vários telespectadores.
16:20A Rita de Castro fala, triste ver uma família, um profissional da saúde renomado,
16:24serem destruídos tão brutalmente, misericórdia.
16:27A Patrícia Nascimento, ela abriu um pouquinho da intimidade dela
16:31e relatou aqui que poucos meses atrás, ela passou por um momento assim com o marido.
16:37E foi horrível, está sendo bem sofrido.
16:40A vontade, infelizmente, ela fala assim, a vontade, gente, é triste demais.
16:45E aí, eu perguntei até aqui durante o bate-papo com a Patrícia,
16:48ela falou, perguntei quais são os sintomas que o marido dela vem apresentando.
16:51Ela falou que está sem sono, só tristeza, lembranças do passado
16:54e está fazendo o uso de medicação forte.
16:58Então, você que está em casa, que também pode ser que você esteja apresentando algum quadro,
17:06presta bem atenção agora aqui nessa dica que os nossos especialistas estão dando no Fala Espírito Santo.
17:12Doutor, como que a gente pode prevenir?
17:15O que a pessoa que está tendo um quadro de surto,
17:17eu também deixo até a pergunta para a doutora Letícia,
17:19o que a pessoa deve fazer imediatamente?
17:21Então, a gente tem, como a doutora Letícia comentou,
17:24vencer o preconceito em relação à saúde mental,
17:27o tratamento de saúde mental.
17:28Todos nós temos algum tipo de vulnerabilidade
17:31que nos predispõe a desenvolver algum tipo de transtorno,
17:35seja leve, moderado ou grave.
17:37Esse caso, volto a repetir, foi um caso extremo.
17:41Então, a gente tem que ter uma certa compaixão,
17:44uma certa solidariedade com quem sofre de transtorno mental
17:48e pensar em atividades diversificadas.
17:52Por exemplo, no Espírito Santo a gente não tem,
17:54mas existem no Brasil grupos de ajuda para os ouvidores de vozes.
17:59É um grupo em que as pessoas se reúnem
18:01para possibilitar a aprendizagem do que é real
18:05e do que é uma voz ouvida, que pode ser pensamento.
18:10Uma alucinação.
18:11Isso, a pessoa tem que aprender a diferenciar o que é o próprio pensamento
18:16do que é um estímulo auditivo que ela está ouvindo
18:19como se fosse uma coisa estranha ao próprio comportamento dela.
18:23Os medicamentos ajudam, né?
18:25E a psicoterapia também ajuda no treinamento de habilidades sociais,
18:30por exemplo, que é muito comum o embotamento social.
18:33Isso acaba favorecendo o distanciamento das outras pessoas,
18:37da pessoa com transtorno.
18:39Então, há uma série de questões no nível da prevenção
18:43que podem ser feitas.
18:44Dentre elas, a psicoterapia breve, né?
18:47Que é um processo estruturado, focal,
18:49para lidar com transtornos leves a moderados,
18:52para impedir que isso se progrida, né?
18:54Numa severidade que pode ser complicado
18:58depois de tratar o mais difícil.
19:00A Rayane Soares fala,
19:02eu já tive alucinações,
19:03então imagina como é que é a pessoa passar por isso
19:06e depois voltar para si.
19:08Para a gente finalizar, doutora Letícia,
19:10quem está tendo um quadro de surto,
19:12o que fazer com essa pessoa?
19:13Para onde levar?
19:16Isso que eu acho que é importante, né?
19:18A pessoa que está em surto,
19:20como eu falei para vocês anteriormente,
19:22não adianta tentar explicar para ela
19:24que aquilo ali não existe.
19:27Você não vai conseguir.
19:29Não dá.
19:30O cérebro dela está funcionando de outra maneira.
19:34Então não tem como conversar.
19:36Ela está em surto.
19:37Como eu disse para vocês,
19:38é uma emergência psiquiátrica.
19:41Emergência, a gente leva para o pronto-socorro.
19:44Igual as outras partes do nosso corpo.
19:47Só que a gente precisa de um profissional especializado.
19:50Então nós precisamos de um pronto-socorro psiquiátrico.
19:53Então está em surto o pronto-socorro psiquiátrico.
19:56Gente, mas como eu vou levar essa pessoa assim?
19:59Liga para o SAMU, liga para a Polícia Militar.
20:03Eles fazem esse transporte.
20:05E aqui na Grande Vitória, eles vão levar para o EAC,
20:09que é o pronto-socorro psiquiátrico estadual
20:12que a gente tem com excelentes profissionais.
20:15Saiu do surto, não adianta esperar o próximo surto.
20:19Até porque cada vez o surto pode ficar pior.
20:22Então saiu do surto, tem que fazer o acompanhamento
20:25com psiquiatra, com medicação, com psicoterapia.
20:29Tem que fazer o acompanhamento de treinamento de habilidades,
20:32igual o doutor Borlotti falou.
20:34Então são fases.
20:36Não adianta a gente querer conversar com a pessoa que está em surto
20:40e não tem razão para a gente levar no pronto-socorro
20:43quem não está em surto.
20:45Exatamente, que é o que o doutor Eliseu falou aqui,
20:48que essa pessoa precisa de atenção.
20:51E lembrando para você também de casa...
20:53Primeiramente, doutora Letícia,
20:54obrigada pela sua participação aqui no Fale Espírito Santo.
20:57Eu que agradeço.
20:58É sempre um prazer recebê-la.
21:00Doutora Eliseu, também, obrigada pela sua participação
21:03com essas palavras que eu tenho certeza
21:05que foram muito importantes para as pessoas que estão em casa.
21:08E só lembrando também, gente,
21:10que aqui a gente tem o CVV, que é o número 188.
21:13Você pode ligar.
21:14São pessoas que estão prontamente abertas a te ouvir,
21:17a conversar, a te orientar.
21:19Isso é muito importante, né, doutor?
21:21Para que a coisa não progrida, né?
21:23Para um transtorno dissociativo ou um sintoma dissociativo,
21:26que é possivelmente o que ocorreu nesse caso.
21:29Tá certo.
21:30Obrigada pela sua participação.
21:32É um prazer também recebê-la aqui no Fale Espírito Santo.
21:35Viu?
21:35Obrigado, viu?
21:35Eu que agradeço.
21:36Depois de ver, você vai fazer isso.
21:37E aí, gente.