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  • há 22 minutos
Além de todos os números, dados e entrevistas que noticiamos todos os dias, também têm as histórias de quem sente na pele a pandemia. Hoje vamos contar a história do seu Hélio, no caso dele, a doença começou como se fosse uma gripe.

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Transcrição
00:00Uma doença traiçoeira, que num piscar de óculos te leva ao hospital, podendo até matar.
00:15Para mim foi um desespero, caí num pranto no hospital, que para mim foi um desespero,
00:22porque eu tinha esperança, sempre tive que ele ia voltar para casa.
00:27Eu sempre tive essa esperança, ele vai voltar, ele vai voltar.
00:32A emoção é reflexo da saudade, saudade de alguém muito especial.
00:39Eu era uma pessoa muito feliz, me fez muito feliz, muito alegre, sabe?
00:47Eu era uma pessoa constantemente sorrindo, alegre, feliz.
00:51Então só me trouxe a minha paz, a minha filha, a família.
00:55Foram 67 anos de convivência, 15 só de namoro e 52 anos de casados.
01:04Foi assim a vida de Marli e Hélio.
01:08Às vezes eu estou assim, fico só dentro de casa, né?
01:12Um monte de fotos dele, olho assim, falei, meu Deus do céu.
01:18O que me faz mais é a falta, que ele era uma pessoa muito, muito assim, dedicada à família, muito
01:26alegre, sabe?
01:27Até que a Covid-19 tirou o aposentado Hélio Silva, primeiro da presença da família.
01:35Tudo teve início com uma, digamos, gripe.
01:39Ele pegou assim uma gripe, ficou gripado e dessa gripe ele foi tomando remédio, tomando remédio.
01:47Anderson, o filho único do casal, foi quem acompanhou o tratamento do pai.
01:52Ele conta que foram 15 dias no quarto.
01:55Aí eu achava assim, ah, papai, fica aqui uma semana e vai voltar pra casa, né?
01:59Até que a situação ficou crítica e Hélio precisou de cuidados mais intensos.
02:05Falaram, olha, ele vai ficar entubado.
02:07Então ele teve alguns problemas quando estava entubado.
02:10E nessa época aí eu fiquei muito, assim, revoltado.
02:15Com a doença, com tudo que traz, ele não aceitava por que ele estava daquele jeito, né?
02:23Enquanto isso, dona Marli, com o coração apertado, acompanhava tudo de longe.
02:29Eu mandava a carta pra ele, as netas, mandava a carta pra ele, tudo lá no hospital.
02:35Um dia que eu fui, ele já estava entubado.
02:40A primeira vez que eu fiz, ele já estava entubado.
02:42Entre altos e baixos no tratamento, Hélio não aguentou.
02:48Foram 43 dias no hospital, lutando pela vida.
02:53Foram 43 dias muito difíceis.
02:55Eu sempre falo com as pessoas, assim, que eu tive um luto de 43 dias.
02:58Seu Hélio morou cerca de 15 anos lá no centro de Vitória, no centro histórico da capital.
03:04Depois, resolveu buscar um lugar um pouco mais tranquilo, pra poder viver junto com a esposa e o único filho,
03:12o Anderson.
03:13Resolveu vir, então, aqui pra região de Jardim da Penha, na capital.
03:18Aqui, ele viveu cerca de 30 anos com a família.
03:24Apaixonado por jogo de botão, também era alucinado e fanático pelo Botafogo.
03:31Time esse, ele defendia com unhas e dentes.
03:35A gente jogava botão, né?
03:37A gente estava jogando botão lá no Álvares Cabral, que é um clube lá, academia.
03:40Na última conversa que a gente teve, o que eu fui, tinha uma pessoa que conversou com ele, foi eu.
03:44Ele até falou assim, ó, você ainda vai ser campeão ainda.
03:46Eu falei, não, eu vou ser campeão, mas você que vai me entregar o troféu, rapaz.
03:49Não vai, não vai tirando o seu garreto, não.
03:52Você vai ficar comigo aqui, tá?
03:54A gente ficou conversando até o final sobre isso.
03:55Eu acho que ele foi o campeão nacional mais velho da categoria dele.
04:00A família do Hélio agora tenta seguir em frente, mesmo sabendo que ele não vai mais voltar.
04:07O que ele veio fazer aqui, ele fez bem, e a gente tem que seguir em frente, né, mãe?
04:13Tentamos fazer isso, porque agora eu tenho que cuidar dela.
04:16Entendeu? Ele tá lá em cima olhando por nós, agora eu tenho que olhar por ela aqui.
04:19A dor é grande, a dor é muito grande.
04:23Só quem perde é que sabe.

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