Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 minutos
Tudo aconteceu em um ponto de ônibus e por conta do fechamento total elas não conseguiram registrar BO na delegacia e se revoltaram com o atendimento recebido.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00A oração estampada na roupa é a prece da técnica de enfermagem para enfrentar plantões difíceis no hospital em que
00:08trabalha.
00:09Mais difícil ainda quando é assaltada, como aconteceu na manhã deste domingo no centro de Vila Velha.
00:15Esse grupo de funcionárias do Hospital Antônio Bezerra de Faria foi assaltado após deixar mais um plantão.
00:21As mulheres haviam acabado de sair de um plantão intenso.
00:26Estamos enfrentando uma pandemia e nos hospitais há muito trabalho.
00:31Elas estavam cansadas, largaram por volta das sete da manhã, trabalham aqui no Bezerra de Faria, que fica na rua
00:37de trás,
00:38e vieram caminhando até aqui, ao ponto de ônibus, e chegando aqui, se depararam com os três bandidos de bicicleta.
00:46A gente estava em cinco pessoas no ponto de ônibus, aí apareceu três delinquentes armados e assaltou a gente.
00:53O que eles falavam para vocês?
00:54Passa o celular, passa o celular.
00:57Eles vieram, os três de bicicleta, e já foram logo falando, passa, passa tudo, e começou a xingar e falou
01:03que era um assalto, que era para passar.
01:05Os bandidos foram agressivos.
01:07Eu fiquei em choque no momento, no primeiro momento.
01:10Aí eu me lembrei que eu tinha um celular, passei para ele, e a outra menina teve uma reação mais
01:17forte, não quis, aí a gente, ela passou, e é isso aí.
01:22Aí ele pegou e falou, passa, passa, passa, ele ia atirar nela, entendeu?
01:26Foi quando ela pegou e a outra colega falou, entrega, entrega, ela entregou, eles pegaram e saíram.
01:31Porque eu estou sonolenta, então eu vi ele falando, mas eu não estava assimilando o que ele estava falando.
01:39Aí foi quando a colega virou e bateu na minha mão e falou assim, entrega, porque ele já estava levantando
01:44a blusa com a arma já.
01:46Aí foi onde eu peguei e entreguei o telefone.
01:50Aí eles pegaram e saíram.
01:52Ele ia atirar, sem dúvida, porque ele botou a mão muito rápido para puxar a arma.
01:57Não fez só aquela ameaça que geralmente eles põem a mão, ele levantou a blusa e tirou a arma.
02:02Logo em seguida, o ônibus passou e o motorista parou para as mulheres.
02:07O motorista do ônibus, vendo o desespero das vítimas, resolveu ajudá-las.
02:12Ele mudou o trajeto do coletivo para poder deixar as mulheres perto da delegacia, para elas registrarem o boletim de
02:20ocorrência.
02:21Só que quando elas estavam dentro do ônibus, passando exatamente por aqui,
02:25elas viram o exato momento em que os mesmos três bandidos estavam passando aqui tranquilamente de bicicleta.
02:31Desesperadas, elas já prosseguiram ao DPJ, que fica bem aqui pertinho, para poder avisar a polícia.
02:39A revolta em trabalhar tanto para depois ser assaltada ficou ainda maior,
02:44quando elas chegaram na porta do DPJ de Vila Velha e não conseguiram registrar o boletim.
02:50E muito frustrante para nós, que trabalhamos em plantão de 12 horas, cansado, querendo chegar em casa, num banho, dormir
02:56e descansar,
02:57e chegar onde as pessoas que poderiam atender a gente e não fomos atendidos.
03:02Falta de respeito total, total, entendeu?
03:06Eu acho assim, se você tem um local que você possa procurar para você registrar o seu boletim de ocorrência,
03:13a obrigação deles é atender.
03:14Não tem que esse negócio que é pandemia, não, entendeu?
03:18E ainda por cima, deixaram a gente ali do lado de fora, não falaram nem nada.
03:22Como que eu vou registrar online se eu não tenho nem o telefone para ligar para alguém,
03:26para comunicar o que aconteceu comigo?
03:29Conversamos com uma policial civil que estava de plantão.
03:32Ela disse que por conta do fechamento total,
03:35o local só atende presencialmente crimes de estupro, furto e roubo de veículo e homicídio.
03:41Fora isso, tem que ser tudo online.
03:43As vítimas alegam que, além de não serem atendidas, não foram nem orientadas.
03:49Fica difícil, você vem no lugar que você tem que ser atendido,
03:53porque é um lugar essencial, tem que estar funcionando,
03:57ninguém te dá uma orientação, te explica nada e te deixa aqui fora simplesmente.
04:04Como se a gente não fosse nada e nem ninguém.
04:06As mulheres não conseguiram militares que fossem atrás dos criminosos,
04:11que elas acreditavam ainda estar por perto.
04:14O celular novo da Tainara, que foi levado e ela ainda nem acabou de pagar as parcelas, ainda chamava.
04:21Da hora que a gente ligou, a viatura demorou muito para chegar.
04:23E eles ainda ficaram circulando na avenida de bicicleta.
04:27Se tivesse passado uma viatura na hora, tinha pegado.
04:29Eu não tenho esperança de encontrar meu celular.
04:31As mulheres desabafam porque se sentem abandonadas.
04:35Enquanto lutam dentro de um hospital para amenizar a saúde colapsada com a pandemia,
04:41não são respeitadas do lado de fora quando precisam do poder público.
04:46Chega lá todo baleado, todo escagutado lá no hospital,
04:50a gente ainda por cima fica com dó pelo modo que eles são tratados para chegar e fazer isso aí.
04:57É um absurdo.
04:58Muito revoltante.
05:00Porque eu estou ali brigando por vidas.
05:04Você está no ponto para poder ir para casa, poder tomar um banho, tomar um café,
05:08e você passa por uma situação dessa?
05:11É muito constrangedor.
05:12Obrigado.

Recomendado