- há 18 horas
No primeiro programa "Desafios municipais: o que cobrar de prefeitos e vereadores?", da Rádio Pan News, a comentarista de política, Gabriela Cuzzuol, chamou atenção para o desafio de gerar receita e depender menos dos recursos do Estado e da União. Para isso, o prefeito e os vereadores precisam buscar formas de diminuir os gastos e gerar desenvolvimento econômico, de acordo com as características de cada município.
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00:07Boa tarde para você sintonizado aqui na 90.5 todas as quartas e sextas-feiras você vai acompanhar aqui uma
00:14série especial desafios da gestão municipal o que cobrar dos prefeitos e vereadores eu sou Patrícia Scalzer e dividindo a
00:22bancada comigo está o editor de política da rede Vitória o Edu Copernic boa tarde Edu.
00:26Oi boa tarde Patrícia Gabriela Cuzuol nossa comentarista de política também boa tarde Gabi boa tarde ouvinte da PAN News
00:33leitor do Folha Vitória um prazer estar com vocês mais uma vez.
00:37Pois aí hoje nós vamos falar sobre os desafios municipais com relação à gestão de recursos o que os municípios
00:43precisam fazer para não ficar tão dependentes dos recursos dos governos estadual e federal.
00:51Então primeiro em primeiro lugar eu acho que a gente precisa considerar a questão arrecadatória né o aumento da arrecadação
00:58não como uma finalidade em si mesmo o ministro Paulo Guedes declarou recentemente quanto mais dinheiro se colocar na mão
01:04do Estado mais despesas o Estado irá realizar né.
01:09Então a gente precisa ter aí um modelo de governança municipal eficiente no sentido que se aumente a arrecadação até
01:17um limite da prestação de serviço público à população com total padrão de eficiência.
01:22O que isso significa? Você vai ter estruturas por exemplo da gestão municipal reduzidas né com a qualidade de serviço
01:29prestada prestado é periodicamente mensurada você vai ter avaliação de processos reconfiguração desses processos né.
01:37Eu acho que a palavra é essa utilização eficiente do recurso público para que a despesa caia e você também
01:44vai aumentar a arrecadação da única forma possível né da forma como as únicas experiências mundialmente comprovadas atestam que é
01:54melhorar o ambiente de negócios né.
01:57Você precisa construir municípios cidades empreendedoras e para isso o que o município pode fazer é trabalhar nesse sentido.
02:05E qual é o papel do gestor? Esse que o eleitor vai à urna agora escolher o prefeito e também
02:12da Câmara de Vereadores qual o papel dessas pessoas nessa engrenagem?
02:16Como é que o gestor pode fazer para tornar a cidade autossustentável?
02:21Conseguir geração de riqueza suficiente para não ter que depender de... sempre vai depender, mas para não ter que depender
02:28de Estado e Governo Federal?
02:30Bem, em primeiro lugar Edu, a gente precisa entender que a dependência do recurso do Estado e da União né,
02:38é a praxe no Brasil.
02:4170% dos municípios brasileiros dependem de recursos externos na ordem de até 80%, né.
02:48Então via de regra é assim que funciona né.
02:50Precisamos entender também que os recursos é... que os recursos municipais, eles constituem uma parcela bastante pequena da arrecadação federal,
03:00que é de cerca de 1,3 trilhões de reais, né.
03:02Algo em torno de 6% dos impostos, né, saem do município.
03:07Em relação a isso, o que o gestor pode fazer?
03:10Além de otimizar a estrutura municipal para que custe menos, né, e para que o contribuinte não tenha que pagar
03:17imposto cada vez maior,
03:18propor, né, no caso do gestor, do prefeito, implementar e os vereadores aprovarem e fiscalizarem processos de fomento ao empreendedorismo.
03:28Como? Desburocratizando, desregulamentando, capacitando mão de obra e fornecendo também algum nível de estrutura básica.
03:37Por partes. O que que significa isso na prática? Desburocratizar, desregulamentar.
03:44Duas palavras que são bem difíceis da gente entender.
03:46Bem complicadas, né, pois é, e que o ouvinte, o leitor, a pessoa que está conosco tem uma certa dificuldade
03:52de entender.
03:53Todos nós temos, eu também tenho.
03:55Eu também, mas enfim, desburocratizar, simplificar processos, né, informação.
04:02Vou dar um exemplo. A Prefeitura de Vitória tem um centro, eles têm uma secretaria, tem um centro de apoio
04:08ao empreendedor,
04:09onde as informações estão disponibilizadas de forma muito simples.
04:12Outros municípios no Brasil que estão aí na linha de frente das cidades empreendedoras também.
04:17Então você concede a informação.
04:20Que tipo de informação?
04:21Que tipo de informação? Acerca de pagamento de tributos, acerca de licenças, acerca de alvarás.
04:26Que tipo de atividade precisa de licenças, que tipo de atividade precisa de alvará, que tipo de atividade recolhe qual
04:32imposto,
04:33aquilo tem que ser pago quanto, atividades que vão receber a isenção, que não vão, esse tipo de coisa.
04:38Então a informatização é bastante importante, né.
04:42O que que é desburocratização?
04:45Facilitação desses processos.
04:47Por exemplo, né, em algumas cidades, na verdade, a média de tempo no Brasil que uma empresa leva para ser
04:53aberta é de 62 dias, né.
04:55Nessas cidades que estão aí na linha de frente do empreendedorismo, essas cidades empreendedoras,
05:00em algumas atividades que não dependem de licenças e alvarás, você pode ter abertura aí de um pequeno negócio em
05:06até dois dias, né.
05:08Isso é desburocratização, isso facilita a vida do empreendedor, a geração de renda, de emprego.
05:14E aí, um empresário, um pequeno empresário, ele vai olhar o município A e o município B.
05:19O que for mais fácil para ele, ele vai para lá.
05:22E essa é a capacidade, então, de tentar atrair...
05:24Exatamente. O que for mais fácil, eu acho que a palavra certa é propício.
05:28O que for mais propício, né, por exemplo, mão de obra qualificada.
05:33Várias prefeituras, hoje em dia, têm investido muito na parte de formação.
05:37E não é o que a gente pensa, muitas vezes, apenas a formação em nível universitário.
05:41Até porque quem toma conta das universidades é a União.
05:44Agora, hoje em dia, se trabalha a formação empreendedora, muitas vezes, desde o primeiro grau, né.
05:50A cidade de Vitória, por exemplo, está desenvolvendo agora, na fábrica de ideias, né,
05:55uma espécie de espaço maker que vai trabalhar essas iniciativas empreendedoras junto a alunos, né.
06:00Outras prefeituras também, como Joinville, já têm atividades assim.
06:04Aliás, Joinville é um caso bastante interessante.
06:06Vocês sabiam que eles ocupavam o IDH, a posição 74 no IDH, e eles pularam para a terceira.
06:13A partir disso, do incentivo, da potencialização do empreendedorismo,
06:18Joinville está na lista das cinco cidades mais empreendedoras do Brasil.
06:22E a população deve ver esse salto de índice de desenvolvimento humano
06:24por meio da atração de investimento, geração de emprego e renda.
06:27Em quanto tempo?
06:28Oi?
06:29Em quanto tempo?
06:30Salvo engano, dez anos.
06:32Porque não é um processo que ocorra da noite para o dia.
06:35Isso é muito importante salientar.
06:36Se uma cidade começa a investir no empreendedorismo hoje,
06:39você não vai ter resultado semana que vem, né.
06:41Mas, Gabriela, no Espírito Santo, a gente tem cidades pequenas.
06:46São 78 municípios.
06:47A gente tem cidades pequenas, cidades que são dependentes,
06:50até acima de 90% da receita, são fontes externas.
06:56Como é que você fala para um gestor de uma cidade dessa o que ele pode fazer?
07:01Sem recursos para trabalhar, às vezes, os funcionários, os servidores públicos da cidade
07:07é que fazem a economia gerar com os salários que eles recebem, de tão pequena que é a cidade.
07:11E, às vezes, tem uma atividade agrícola que também não é muito pungente,
07:16como a gente sabe que há municípios do Estado que tem.
07:19Como é que esse gestor tem que trabalhar?
07:21E o que o eleitor deve procurar de perfil para essa pessoa que vai gerir uma cidade com esse nível
07:28de dificuldade?
07:29Então, na verdade, não é apenas o Espírito Santo.
07:3249% dos municípios no Brasil, numa pesquisa realizada pelo IBGE em 2019,
07:38revelou que tem aí nas instituições públicas o maior empregador.
07:45Então, essa é uma realidade.
07:47E uma realidade que precisa ser superada.
07:49Por quê?
07:49Porque a máquina pública é financiada pela atividade produtiva.
07:53Então, no caso desse gestor, Edu, que você está colocando,
07:56do que está ali envolvido numa cidade, com ambiente de negócio que não é muito propício,
08:00com despesas altas, pouco recurso, ele precisa otimizar os poucos recursos que tem.
08:05Ele pode, por exemplo, fazer alguns investimentos modestos em tecnologia,
08:11na própria estrutura da gestão municipal.
08:13Ele pode rever, por exemplo, os contratos, tentar otimizar aqueles funcionários que ele tem
08:19e tentar tomar algumas medidas de incentivo ao empreendedorismo com os recursos disponíveis.
08:25Talvez, talvez, se ele não possa, ele não tenha condição, por exemplo, de fazer um evento grande,
08:30mas um pequeno evento, para que se estimule os cidadãos a utilizarem o comércio local.
08:37Pequenas atividades de formação, para qualificar ali, inicialmente, de forma simples, a mão de obra.
08:43De repente, combinar com um gestor de uma cidade vizinha,
08:48de que eles façam aí um evento em conjunto, até formação conjunta.
08:52Algo que custaria pouco, essa coisa do acesso à informação.
08:56Aliás, até em parceria com o governo do Estado, com o SEBRAE,
09:00com instituições que já prestam esse tipo de serviço.
09:03Há várias formas.
09:04Algo que eu acho muito importante que a gente informe é o seguinte,
09:09tomar cuidado com gestores que prometem o que não podem cumprir.
09:12Por exemplo, regulamentação trabalhista.
09:15A gente está falando aqui de aumento de renda.
09:16Isso está diretamente ligado à situação de geração de emprego,
09:20de oportunidade de emprego.
09:22Legislação trabalhista.
09:24Gestor que fala, eu vou revogar a reforma trabalhista.
09:28Não, gente, não.
09:30Reforma trabalhista foi uma medida aprovada no Congresso Nacional,
09:34que regulamenta gestão federal.
09:37Quer dizer, eu sou muito cautelosa,
09:42temo bastante gestores que prometem o que não podem cumprir.
09:44A parte estrutural, por exemplo.
09:46A parte estrutural aí tem divisão tripartite.
09:50Município, Estado e União.
09:52Em relação à questão trabalhista, por exemplo,
09:54o que prefeituras podem fazer?
09:57Prefeituras podem melhorar o ambiente de negócios
09:59para que, uma vez mais atrativas,
10:02cidades ofereçam mais oportunidades.
10:04Não apenas para os cidadãos que ali vivem,
10:06mas, inclusive, para outros.
10:08Vitória tinha, por volta de 2005,
10:12uma tradição de formar profissionais muito qualificados,
10:15porém exportá-los.
10:16Quando eu fiz faculdade, o sonho era que você conseguisse se formar bem
10:20para ir para fora, para o exterior ou para outro estado.
10:23Cada vez mais, as iniciativas públicas têm sido o sentido
10:26de manter esse profissional aqui.
10:28Profissional que tem uma boa formação.
10:30E como que se faz isso?
10:31Se tornando Vitória uma cidade competitiva.
10:34Aliás, não só Vitória.
10:35Nós temos aí no ranking da Doing Business,
10:37que é um ranking internacional de cidades empreendedoras,
10:40São Paulo, Florianópolis, Vitória, Curitiba e Joinville.
10:44São municípios que têm se destacado
10:45por atrair investimentos, por atrair empresas.
10:51E se nós fizermos uma correlação,
10:54esses municípios também estão muito bem posicionados no IDH,
10:57no ITS de desenvolvimento humano,
10:59depois de um certo prazo, porque não é da noite para o dia.
11:01É claro, e aí o gestor pode investir em qualidade de vida
11:05ali na cidade, que ele também vai atrair investimentos.
11:08Claro, claro.
11:09Quem financia a máquina pública,
11:11quem financia todo tipo de investimento e despesa pública,
11:15porque eu separo, é atividade produtiva.
11:18Então, tendo uma atividade produtiva mais pulsante,
11:21você consegue investir mais.
11:22E outra coisa também, a atividade produtiva,
11:25ela vai conferir por si só qualidade.
11:29Você tendo mais opção, você pode fazer escolhas.
11:31Se eu tenho três escolas no local,
11:33eu vou poder escolher para o meu filho,
11:34é o que eu acho melhor, que tem o melhor custo-benefício.
11:37Se eu tenho uma, numa determinada distância,
11:41eu tenho que me aderir com aquela.
11:42Então, eu acho que a gente precisa pensar nisso também.
11:45O gestor municipal, o gestor público,
11:47ele tem esse papel de fomentar.
11:50Agora, a simples existência da atividade produtiva
11:53em situação de concorrência,
11:56já melhora a qualidade de vida da população.
11:58E qual o perfil que o gestor público precisa ter
12:02para fazer tudo isso andar no município?
12:05Para olhar o município com esses olhos
12:09de gerar riqueza, gerar renda,
12:12fazer com que o município seja cada vez mais independente
12:16em relação a recursos externos?
12:19Eu acho que isso que você descreveu, Edu,
12:21por si só já é um olhar,
12:23já é uma forma de compreender a gestão pública.
12:25O nome disso é governança eficiente.
12:27Então, nós precisamos de gestores
12:29que tenham propostas de governança municipal,
12:32propostas de governanças municipais eficientes,
12:36que tenham essa responsabilidade
12:38de entregar aos cidadãos
12:40cidades que possibilitem maior geração de emprego,
12:44renda, maior capacidade de criação,
12:46desenvolvimento e potencialidade.
12:48Porque o trabalho também é um instrumento
12:49de desenvolvimento de potencialidades.
12:51Acho fundamental também que ele se acessore
12:55de pessoas qualificadas, né?
12:57Contratem boas equipes.
12:59E equipe técnica, né?
13:01Totalmente técnicas, né?
13:03Formadas por pessoas qualificadas
13:05que propõem projetos não só interessantes,
13:08como também viáveis, né?
13:09Às vezes você propõe um projeto de fomento
13:12ao empreendedorismo incrível,
13:13mas que não cabe a realidade daquela situação.
13:16O Edu pontuou muito bem aqui,
13:17às vezes, uma cidade do interior menor
13:19que tem ali suas particularidades.
13:21Então, uma equipe com perfil técnico,
13:24qualificado, vai poder responder exatamente
13:26às demandas daquela cidade,
13:28daquela realidade, daquela população.
13:30Eu acho que o dinheiro também não é tudo.
13:32Nós estamos falando aí de arrecadação, né?
13:34De recursos federais, recursos próprios.
13:36Mas nós temos exemplos de cidades
13:38aqui no interior do Estado,
13:39que são cidades riquíssimas,
13:41com uma arrecadação enorme,
13:42e que tem o IDH abaixo,
13:44que tem problemas estruturantes.
13:46Exatamente.
13:46Por isso que a primeira parte da minha fala
13:48foi que a arrecadação não é uma finalidade em si mesma, né?
13:51Sobretudo, você precisa ter uma boa governança,
13:54uma noção de gestão eficiente, né?
13:56Afinal de contas, a gestão pública serve a quê?
13:59Ao cidadão.
14:00Para que serve o Estado,
14:02se não para prestar serviços com qualidade ao cidadão?
14:05Então, é muito interessante isso que você colocou, Patrícia,
14:08porque os números, os dados que nós estamos consultando,
14:11revelam merança política brasileira
14:15no sentido da sanha arrecadatória, né?
14:19Nós temos aqui, se não me salvo engano,
14:21cerca de 76% da arrecadação da União
14:24é investida em quê?
14:25Folha de pagamento, previdência e juros da dívida.
14:27O que sobra para investir?
14:29O que sobra para prover à população
14:31serviços muitas vezes essenciais,
14:33como na saúde, na educação, né?
14:35E quando a gente fala do município,
14:37é fundamental porque é na cidade
14:39que a vida acontece.
14:41O dia a dia da nossa vida,
14:42as nossas famílias,
14:44quem a gente ama,
14:44o que a gente desenvolve,
14:45ocorre aqui.
14:46Então, nós precisamos de gestores, né?
14:49Que façam propostas cabíveis
14:51para que se desenvolvam possibilidades para a gente.
14:53Então, assim,
14:54cuidado com o gestor que promete
14:56que não pode cumprir.
14:56Cuidado com o gestor que diz
14:58que vai mudar a legislação trabalhista.
15:00A gente vai resolver o problema de esgoto.
15:04Sim, o município tem alguma responsabilidade
15:05sobre o problema de esgoto,
15:06mas cuidado, né?
15:09Tenham cuidado, né?
15:10Foquem no que é possível.
15:12Eu sei que você analisou,
15:14se não todos,
15:15eu acho que grande parte
15:16dos planos de governo dos candidatos
15:18que a gente tem colocados aqui no Estado.
15:21Pelo que você viu,
15:23qual é a dica que você dá para o eleitor?
15:25O que ele precisa observar no candidato
15:29que ele sabe que o candidato
15:31tem pelo menos propostas
15:32para ir nesse sentido?
15:34De otimizar a máquina,
15:36de melhorar a arrecadação,
15:37de melhorar a geração de riquezas no município?
15:41Essa é uma pergunta bastante interessante.
15:43Sobretudo,
15:46grande parte dos candidatos,
15:49especialmente aos cargos de prefeitos,
15:52são figuras tradicionais da vida política.
15:55São figuras que já tiveram cargos,
15:57já foram eleitos,
15:58já exerceram função de secretaria.
16:00Então, a dica que eu dou para o nosso ouvinte,
16:03para o nosso espectador do Folha Vitória,
16:05é pesquise.
16:06Dê uma olhadinha no plano,
16:08se interessou,
16:09viu um programa dele eleitoral,
16:12acha que ele tem uma proposta interessante
16:14no sentido de geração de emprego e renda?
16:16Pesquisa.
16:17Olha o que ele já fez.
16:19Uma dica que eu sempre dou, Edu,
16:20que na verdade é o que eu aplico,
16:22sempre apliquei,
16:22desde antes de trabalhar com política,
16:24é fique cauteloso em relação a quem promete demais.
16:28Por conta disso,
16:29é o que nós estamos colocando aqui.
16:31Há muitas coisas,
16:32sobretudo em relação à questão fiscal,
16:35de geração de emprego e renda,
16:36que não são da alçada da prefeitura.
16:39Então, eu olho,
16:39pô, esse candidato parece legal,
16:41me interessei pelas propostas dele.
16:43Será que?
16:44Dá um Googlezinho,
16:45pesquisa,
16:45manda pergunta para o candidato.
16:48É isso.
16:49E analisar também o que eles já entregaram,
16:51o que eles já realizaram.
16:53Gabriela, você acha que,
16:55enxugando a máquina,
16:56por exemplo,
16:57revendo a questão de cargos comissionados,
17:00de empregos de designação temporária,
17:03isso também seria uma proposta a ser avaliada?
17:06Tem algum candidato que está propondo isso?
17:09Alguns.
17:10E é muito importante,
17:11porque como eu coloquei,
17:12em relação aos impostos da União,
17:13mais de 70% são gastos com esses três pilares.
17:16Então, se você tem uma máquina pública inchada,
17:19ainda mais no Brasil,
17:20em que pesquisas comprovam que a população
17:22não tem uma percepção da qualidade do serviço público tão alta.
17:26Não estou desmerecendo,
17:27apenas deixando claro.
17:28Eu estou dizendo,
17:29é uma pesquisa que eu li recentemente no site UOL,
17:32diria que a população não tem essa percepção,
17:35não existe essa correlação.
17:38É muito importante que o candidato otimize a estrutura da máquina pública,
17:44reduzindo o número de comissionados até o limite da eficiência.
17:48Importante deixar claro também que reduzir não significa que vai deixar de existir,
17:51ou que tem que tirar de 100 para 5.
17:55Reduzir até o limite da prestação de um bom serviço.
17:59Nós temos, na minha análise,
18:02de acordo com a minha forma de ver,
18:04nós temos estruturas públicas em demasia,
18:07inchadas, muitas vezes inchadas,
18:09muitas vezes com profissionais demais,
18:10até subaproveitados.
18:12Nós escutamos isso de alguns funcionários públicos,
18:16que até não têm tanta condição de progredir na carreira,
18:19que fica ali naquela função subaproveitado.
18:21Não é uma regra, mas acontece.
18:24Então, você trabalhar com uma boa governança pública é isso,
18:28é você conseguir otimizar processos de gestão
18:31para prover ao cidadão melhor eficiência.
18:34Há, sim, vários candidatos com proposta
18:36de prover eficiência no serviço público,
18:40otimizar a máquina.
18:41São propostas muito interessantes.
18:43Do Congresso Nacional,
18:44um grupo de parlamentares que tem agido nesse sentido,
18:48tem adquirido algum destaque.
18:51Enfim, até por conta da situação que vivenciamos.
18:54A pandemia, o Brasil registrou em agosto
18:5513 milhões de desempregados.
18:57São esses desempregados que bancam uma máquina.
18:59Então, nada mais justo de que essa máquina seja eficiente.
19:05Mas, como...
19:06Porque cortar privilégios,
19:08cortar cargos comissionados,
19:10enxugar a máquina,
19:11vai deixar muita gente insatisfeita.
19:13Sim.
19:14E alguns municípios,
19:16eu falo pelos menores municípios,
19:18a população mais carente
19:21tem uma dependência muito grande
19:23de auxílios de governo,
19:24auxílio desses municípios,
19:26prestação de serviço desses municípios.
19:29Isso não pode acarretar,
19:32enxugar a máquina desse jeito
19:34e ter que cortar algum desses benefícios.
19:38Isso não pode ser prejudicial para a população.
19:41Como é que o gestor equilibra
19:44corte de benefícios
19:45com gestão,
19:47com enxugamento de máquina?
19:49Como é que faz para equilibrar isso tudo?
19:51Porque a gente sabe que,
19:52para alguns municípios,
19:54todo o dinheiro economizado
19:55vai fazer muita diferença lá na frente,
19:57justamente porque tem pouquíssima arrecadação.
20:00Edu,
20:01a pergunta que você fez é bastante interessante.
20:03E aí eu acho que a gente precisa pontuar
20:05a diferença entre o privilégio
20:09e o recurso investido
20:11na prestação de um bom serviço.
20:13Vamos dividir a sua pergunta.
20:15Eu acho que causar
20:16uma queda de popularidade
20:18para alguns agentes políticos, talvez.
20:21Em segundo lugar,
20:22você repensar a estrutura da máquina pública
20:25não significa desassistir.
20:27Justamente por isso,
20:28eu propus o conceito de eficiência.
20:29O que é o conceito de eficiência?
20:30Você produzir mais com o mínimo
20:33de recursos viáveis, possíveis.
20:35A eficiência não significa aniquilação.
20:38Então, por exemplo,
20:40você enxugar a máquina pública,
20:41o auxílio.
20:42Nesse momento,
20:43o auxílio é fundamental.
20:45Nós estamos passando por um período atípico.
20:47A União está endividada
20:50na escala de mais de 700 bilhões
20:52porque é preciso que se assista as pessoas.
20:54A prioridade de qualquer gestão
20:56é gente, são as pessoas.
20:58Agora, o assistencialismo
21:02que perpassa a política brasileira,
21:04ele não pode se tornar
21:07uma forma política de eterno
21:09para o próprio prejuízo da população.
21:12Então, gradativamente,
21:14e à medida que se tomem medidas
21:15pró-desenvolvimento,
21:16é preciso que isso vá sendo retirado.
21:18Aliás, é preciso não.
21:20Isso já ocorre.
21:21A taxa de usuários
21:24que deixam o programa Bolsa Família,
21:25por exemplo, é altíssima.
21:27O que comprova o quê?
21:28À medida que você concede às pessoas
21:31possibilidades de desenvolvimento,
21:33elas vão desistindo da assistência.
21:35Ninguém quer ficar recebendo a vida inteira.
21:38A pessoa quer ter acesso ao emprego
21:40para poder fazer escolhas,
21:42para poder ter opções,
21:43para poder chegar...
21:45Não sei se vocês sabem,
21:46mas o Bolsa Família,
21:48uma das maiores críticas ao Fome Zero
21:49era isso.
21:50O governo provinha a cesta básica
21:52e o trabalhador queria poder escolher
21:54o que ele ia comer.
21:56Então,
21:57isso de que o trabalhador
22:00fica dependente ad eternum
22:01é uma falácia.
22:02O auxílio,
22:03as assistências devem ser concedidas
22:06enquanto se tomam medidas
22:07que possibilitem o desenvolvimento
22:08das pessoas.
22:09A partir daí,
22:10vai sendo retirado.
22:12E, em relação
22:13à retirada de privilégios,
22:15desagradar certos atores
22:17da cena política,
22:18isso é claro,
22:20isso é óbvio,
22:21e é algo que,
22:22em algum momento,
22:23precisará ser enfrentado
22:25em todas as instâncias,
22:27na União,
22:27nos estados e municípios,
22:29nos poderes executivos,
22:32legislativos e judiciários.
22:34Ou a gente enfrenta isso,
22:35ou nós teremos eternamente
22:37um Estado insustentável.
22:40Não tem jeito.
22:41Da forma como o Estado brasileiro
22:42hoje está estruturado,
22:44a gente não consegue,
22:46a gente não consegue manter.
22:48Nós vamos estar sempre
22:49aumentando despesa,
22:50aumentando despesa,
22:51criando formas,
22:53sendo criativos
22:53no sentido de gerar receita.
22:56Precisamos aí mencionar
22:57que estamos à beira
22:58de um novo imposto.
22:59A CPMF,
23:00a nova CPMF,
23:01o Imposto sobre Transações Financeiras,
23:03vem aí com essa contraproposta
23:04de zonerar a folha,
23:05mas, a princípio,
23:07aumenta a arrecadação
23:08e nós vamos sempre
23:09estar fazendo contabilidade criativa
23:12para gerar receita
23:14que nunca será suficiente,
23:16porque mais dinheiro
23:17na mão do Estado,
23:18mais despesa.
23:19Então, a gente precisa
23:20encontrar um equilíbrio.
23:21E o nome do equilíbrio
23:22se chama
23:23gestões públicas eficientes,
23:26sobretudo nos municípios.
23:29Chegamos ao fim, então,
23:30desse programa especial de hoje.
23:32Sexta-feira,
23:33nesse mesmo horário,
23:34estaremos aqui, então,
23:35debatendo os desafios
23:36dos municípios,
23:38dos futuros prefeitos
23:39e vereadores, né, Edu?
23:40É importante a gente debater.
23:41São temas que foram escolhidos
23:44minuciosamente
23:44para mostrar para o eleitor
23:46e mostrar para o cidadão também
23:47que o que ele precisa observar
23:50para fazer boas escolhas.
23:52O que ele precisa observar
23:53para que o município dele
23:54seja melhor para ele.
23:56Então, é importante,
23:57vai ajudar na decisão de votar,
23:59vai ajudar na decisão de escolher
24:01quem são os melhores gestores
24:03e, como a Gabriela falou,
24:05que não são aqueles gestores
24:06que prometem demais,
24:07que desses a gente tem que desconfiar.
24:09a gente não precisa nem estudar
24:11para saber isso, né?
24:12Quem promete demais
24:13a gente tem que desconfiar.
24:14Mas é lógico que,
24:17abordando temas
24:18como a gente está abordando
24:19e falando sobre temas específicos,
24:21o eleitor pode ter mais clareza
24:23do que o gestor tem que fazer
24:25para ajudar o município.
24:26Claro.
24:26Boa tarde, Gabi.
24:28Boa tarde, Patrícia.
24:29Boa tarde, Edu.
24:30Um prazer estar com vocês
24:31mais uma vez.
24:32Boa tarde.
24:39Boa tarde.
24:39Legenda por Sônia Ruberti