- há 14 horas
No programa especial "Desafios municipais: o que cobrar de prefeitos e vereadores?", da Rádio Pan News Vitória, a comentarista de política, Gabriela Cuzzuol fala sobre como o gestor deve conduzir as pautas de saúde da cidade. Ela afirma que é preciso ter um diagnóstico e com base nisso fazer um planejamento para atender a população da melhor forma possível. Além disso, opções de parcerias com a iniciativa privada e com outros municípios próximos podem fazer a diferença na gestão da saúde.
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00:08Boa tarde, ouvinte aqui da Pan News. Você acompanha agora mais um programa especial da série Desafios da Gestão Municipal,
00:15o que cobrar dos prefeitos e vereadores.
00:18Eu sou Patrícia Schauser e aqui comigo também está o Edu Copernic. Boa tarde, Edu.
00:22Oi, Patrícia, tudo bom?
00:24Tudo ótimo. Gabriela Cusual, nossa comentarista de política, também está aqui. Boa tarde, Gabi.
00:30Boa tarde, Patrícia. Boa tarde, Edu. É um prazer estar com vocês em mais estes Desafios da Gestão Municipal.
00:36Hoje nós vamos falar sobre saúde, direito garantido pela Constituição.
00:41Direito garantido pela Constituição fundamental, né? O que somos nós sem saúde?
00:47Que tipo de qualidade de vida tem uma pessoa que não tem acesso a tratamento e prevenção adequada de saúde?
00:54Direito fundamental garantido pelo artigo 6º da Constituição, né? Está descrito lá.
01:00São direitos sociais, educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia e tantos outros fundamentais para a nossa qualidade de vida.
01:07E qual é a responsabilidade do gestor municipal em relação à saúde, Gabriela?
01:13A responsabilidade do gestor municipal é fundamental.
01:15A parte de mão na massa, a parte de execução de políticas públicas relativas aos limites da municipalidade e, repetindo,
01:24é na cidade que a vida acontece.
01:26É na cidade que o nosso dia a dia se desenvolve.
01:29E a responsabilidade pela execução de saúde está nas mãos do gestor municipal.
01:34Isso significa o quê?
01:36Que a União cabem as diretrizes das políticas públicas, né?
01:41Em termos mais gerais e financiamento.
01:44A União precisa investir em políticas públicas.
01:47É o orçamento do ano anterior corrigido pela inflação.
01:50Aos estados cabem também a definição de políticas públicas de saúde em âmbito estadual
01:56e também investimentos de cerca de 12% da arrecadação.
02:00E aos municípios cabe investimento de cerca de 15% da arrecadação e a execução.
02:07Contratação de profissionais, as construções e manutenção das unidades básicas de saúde, de inúmeros pronto-atendimentos, né?
02:15E aí a gente precisa falar da importância do atendimento preventivo e básico da saúde da família.
02:23É, porque tendo acesso a esse tratamento lá na unidade de saúde,
02:28isso evita, por exemplo, uma superlotação num pronto-atendimento.
02:32Isso, Patrícia, vai além.
02:34Isso concede qualidade de vida ao cidadão.
02:36A grande maioria dos problemas de saúde se dá por questões muito básicas,
02:41muito fundamentais, de cunho preventivo ou até de orientação, né?
02:45Até de orientar aquela família, né?
02:48Em relação a algumas situações sobre saúde, né?
02:52Alimentação adequada, prevenção, esse tipo de coisa.
02:54Por isso que o atendimento é familiar nas unidades básicas de saúde, né?
03:01Regularmente verificado pela municipalidade é muito importante.
03:06Agora, Gabriela, a gente fala, eu falo por experiência,
03:10há um tempo atrás eu fiz uma matéria sobre alguns abusos de vereadores em um município da Grande Vitória.
03:17Os vereadores conseguiam, com o conhecimento que se diz que eles têm,
03:25eles conseguiam antecipar consultas em algumas unidades de saúde desse município.
03:31Consultas que eram muito difíceis de serem, de conseguir porque falta profissional, né?
03:35A gente sabe que na realidade do município e das unidades de saúde básicas
03:39ou unidades ligadas ao Estado, faltam profissionais às vezes.
03:43E ele conseguia antecipar isso.
03:46Como é que o cidadão deve reagir em relação a isso?
03:49E qual é que deve ser o pensamento do cidadão?
03:51Porque o cidadão está esperando uma consulta com um especialista, por exemplo.
03:55E aí vem um vereador e consegue uma consulta para ele, consegue, entre aspas, né?
03:59Ele consegue burlar essa fila, consegue entrar na frente, na fila.
04:04Como é que o gestor deve conduzir os atendimentos de saúde do município?
04:10E como o cidadão deve fugir dessas armadilhas de ter uma consulta em troca de voto?
04:18Ou, ó, te ajudei na consulta, então lá na frente você vota em mim.
04:21Como é que isso deve...
04:22Essa situação que você relata é fundamental de ser trazida ao debate público,
04:26sobretudo nesse período eleitoral, né?
04:28Bem, como o cidadão deve reagir?
04:31Denunciando e caso não queira se expor, né?
04:34Caso não queira gastar uma energia denunciando, afinal de contas, né?
04:37Trata-se de um ilícito, você não pode abrir mão de um procedimento democrático, né?
04:44Para favorecer quem quer que seja.
04:46Caso ele não queira aí fazer uma denúncia daquele agente público,
04:49ele deve, né, optar por outros candidatos, por outras pessoas.
04:53Por quê?
04:54Hoje, quem estará sendo favorecido é ele.
04:57Amanhã será outra pessoa.
04:58E o que é fundamental pensar, Edu?
05:02Nas unidades básicas de saúde, a marcação de consultas, né?
05:06Ela se dá via classificação de risco, via critério de prioridades, né?
05:13O paciente passa pelo atendimento geral,
05:16o clínico geral vai indicar para o atendimento das especialidades, né?
05:21E aquela marcação de consulta se dará de acordo com a disponibilidade, né?
05:26De fato, Edu, inúmeras pesquisas relatam que a dificuldade, né,
05:30para a marcação de consulta, que resulta, às vezes, em longas esperas,
05:34se dá em grande parte porque os próprios pacientes faltam às consultas e não desmarcam, né?
05:39Então, uma campanha de conscientização e, sobretudo, de integração,
05:43de sistemas de marcação de consulta, né, integrando estados e municípios pode ser muito eficiente, né?
05:50No sentido de prevenir esse tipo de situação, né?
05:54Agora, nós precisamos pensar, sobretudo, naqueles municípios do interior, né?
05:58Onde essa coisa do conhecimento ainda funciona, né?
06:01Eu adjetivaria como clientelismo você propor aí uma troca de favores, né?
06:07A gente precisa pensar que, se hoje eu estou sendo favorecida, amanhã será outra pessoa
06:12e eu serei prejudicado como hoje outra pessoa está sendo prejudicada.
06:15Em relação, por exemplo, aos pronto-atendimentos, às urgências e emergências, né?
06:20A entrada no hospital se dá por classificação de risco.
06:23Aquele paciente que se encontra em estado mais grave tem o atendimento prioritário.
06:27Então, às vezes, o meu problema não é tão sério, mas eu passo na frente
06:30porque eu não posso aguardar um pouco, mas o que eu estou prejudicando é a vida de uma outra pessoa.
06:34É a vida de um outro cidadão que, às vezes, ficará em risco
06:38porque eu utilizei ali uma artimanha questionável para me favorecer.
06:43Isso é muito sério, isso é muito grave.
06:45Nós temos aqui também, no Espírito Santo, nos municípios,
06:49as pessoas que precisam ir para a fila durante a madrugada,
06:52às vezes passam a noite inteira para conseguir uma consulta aí com o clínico geral,
06:56uma consulta com o pediatra.
06:58Você acha que faltam médicos nos municípios ou o problema mesmo é a gestão?
07:03Sobretudo, falta gestão.
07:05É você tornar a função ali no município atraente para profissionais.
07:11E não faltam oportunidades, boas oportunidades em cidades do interior,
07:18sobretudo no que se refere à saúde da família.
07:22Patrícia, é bastante interessante porque, às vezes,
07:26essa situação de filas, de espera, de pouca disponibilidade,
07:30de atendimento em especialidades, esse tipo de situação transmite uma imagem
07:37de que o Sistema Único de Saúde é ineficiente e não é.
07:40O modelo do Sistema Único de Saúde brasileiro,
07:44de prover o atendimento universal e restrito, integral,
07:48sem custo direto ao cidadão, é mundialmente premiado.
07:52O SUS é um case estudado em universidades de ponta, internacionais, inclusive.
07:56A grande questão é a gestão e, sobretudo, a execução na ponta.
08:01O que é a ponta? O município.
08:03Sobre gestão, aproveitando a pergunta da Patrícia,
08:06também por experiência de fazer muitas reportagens na rua,
08:10a gente vê, e não só no interior, na Grande Vitória também,
08:15unidades de saúde um pouco mais isoladas com problemas sérios
08:18para contratar profissionais.
08:19Porque o profissional não se dispõe a ir para a unidade de saúde mais isolada
08:25porque não recebe o que acha suficiente para fazer aquele trabalho.
08:30A gente sabe que os salários de médicos no nosso estado,
08:34no nosso país, de uma forma geral,
08:36são muito acima das médias de salários de outras profissões.
08:40Estou falando que são bons salários nem salários ruins.
08:43Mas são muito acima da média de outros salários.
08:46Como é que o gestor faz para ter esse jogo de cintura
08:50e conseguir suprir as unidades de saúde com profissionais?
08:56Porque, às vezes, o profissional não quer ir para a unidade de saúde
08:58porque acha que vai pagar muito pouco para ele lá.
09:01Ou é muito longe de onde ele mora.
09:03Ou é perigoso.
09:03Ou é perigoso.
09:04O local tem um índice de violência muito alto.
09:07E tem episódios de violência, de ameaça de pacientes a médicos,
09:12ameaça a profissionais de saúde.
09:13A gente vê isso acontecendo com frequência.
09:16Como é que o...
09:17Que tipo de jogo de cintura o gestor precisa ter para fazer isso?
09:20Edu, existe uma mentalidade de que se há uma dificuldade
09:24para atrair profissionais, a solução é pagar mais.
09:28Nem sempre isso é possível.
09:29Nós temos analisado aqui no nosso programa, reiteradamente,
09:33que municípios no Espírito Santo, que é disso que temos tratado,
09:37têm arrecadação muito inferior às receitas.
09:41Nós estamos falando de 50%, 60%, 70%, né?
09:45Então, é preciso lidar com a situação que se apresenta.
09:47Não tem como a gente simplesmente sugerir.
09:50Dobre o salário, triplique o salário, se os recursos não existem.
09:53Então, eu retorno.
09:55Mais uma vez, a questão é a gestão.
09:58Ah, ok.
09:59Existem cinco médicos?
10:01Esses cinco médicos são insuficientes?
10:03Será que realmente são?
10:05Será que está sendo feita a verificação dos serviços prestados por esses profissionais?
10:10Será que não está ocorrendo a questão da marcação de consultas e sucessivas faltas?
10:15Será que não é possível realocar ou criar oportunidades em áreas da saúde
10:21que atrairiam interesses desses profissionais?
10:23Pesquisas também indicam que existe contratação de interesses de profissionais
10:28em determinadas áreas da saúde mais do que em outras.
10:32Então, será que não é possível trabalhar nesse sentido?
10:34E, novamente, será também que não existe a possibilidade do estabelecimento de parcerias?
10:39De repente, com o governo do Estado, para que se ofereçam alguns serviços ali
10:43ou até parceria com universidades da rede privada.
10:46Talvez não existam recursos para contratação de médicos,
10:49mas seja um pouco mais em conta.
10:52Você fazer a contratação de vagas em outros hospitais.
10:57Estou tratando de hospitais.
10:59Ou, de repente, você ter atendimentos conjuntos com outros municípios
11:05no período inicial, enquanto não existe o recurso
11:07para a construção de uma unidade básica de saúde.
11:10Então, assim, é claro que na impossibilidade de investimento,
11:14a gestão não resolve tudo.
11:15Existe o mínimo de investimento necessário
11:17para que o sistema possa funcionar com o nível mínimo de qualidade.
11:21Agora, boas ideias de gestão, estratégias eficientes e criatividade
11:27resolvem muitas coisas.
11:29Nós tivemos um exemplo recente na história nacional
11:33em que na impossibilidade de contratar médicos brasileiros
11:35foi aberta concursos para médicos estrangeiros
11:39e vagas foram preenchidas.
11:41E, num segundo momento, quando você já tinha essa demanda suprida,
11:45essa opção foi pensada de uma outra forma.
11:47Então, é preciso que se trabalhem com estratégias criativas
11:51visando eficiência e tendo em vista o que se apresenta no momento.
11:55Eu não posso simplesmente pensar, não,
11:56ou eu triplico o salário ou eu não vou ter médico,
11:58se o recurso não existe.
12:01É, e é pensar em saúde
12:03num âmbito bem maior do que só mesmo a saúde.
12:06Por exemplo, de investir em tecnologia.
12:08O paciente vai numa unidade de saúde e precisa de um exame.
12:12É o Estado que vai ter que marcar esse exame.
12:14Mas aí esse pedido vai para a Secretaria Municipal.
12:17Lá fica um tempo para depois ir para a Central de Regulação de Vagas
12:20para poder marcar essa consulta.
12:23Então, também, os municípios precisam pensar em formatizar o sistema.
12:26Estamos no século XXI e há municípios que trabalham
12:29de forma como se fosse há 10 anos.
12:32Patrícia, o São Paulo teve um exemplo bastante interessante
12:35de integração, por exemplo, das listas de marcação de consultas.
12:39Eles conseguiram identificar que, muitas vezes,
12:41as pessoas marcavam a consulta no município e no Estado
12:44aguardando onde ela conseguiria antes, entendeu?
12:47A consulta ou o exame, por exemplo.
12:51Onde ela conseguisse antes, ela iria e, às vezes, nem iria desmarcar
12:54numa outra instituição.
12:57Então, realmente, você conseguir utilizar tecnologia,
13:01você conseguir utilizar inteligência, possibilita a otimização de processos.
13:06Ah, Gabriela, mas é caro usar tecnologia.
13:08Sim, mas o município não precisa fazer sozinho.
13:11Um município não precisa fazer sozinho.
13:13Pode propor parcerias ao Estado.
13:15O Estado tem competência para isso, né?
13:18Pela Constituição, a gestão do sistema de saúde é tripartite.
13:21É município, Estado e União.
13:24E outra coisa, municípios muito pequenos, muito próximos,
13:27ou talvez nem tão pequenos, né?
13:29Mas aí, com uma certa proximidade,
13:30podem, em um momento inicial, ou em situação de escassez de recursos,
13:36propor algumas estratégias integradas.
13:37Não precisa, como nós vemos constantemente, né?
13:41Como nós percebemos constantemente, né?
13:44Para todo tipo de situação, manda para a capital.
13:48Coloca o munícipe em um transporte e realoque para a capital.
13:54É o que acontece.
13:55Tem pessoas que viajam toda madrugada para vir consultar no hospital das clínicas.
13:58Exato.
13:59E, na verdade, muitas vezes acontece porque você realmente só vai ter um hospital de referência na capital.
14:04Mas isso pode ser repensado.
14:05A Alemanha tem um caso muito interessante, né?
14:08De descentralização do país em todos os aspectos, né?
14:13Não só, mas também em saúde.
14:15Eles têm alguns centros de referência, né?
14:18Isso pode ser trabalhado em nível estadual, né?
14:21Aí, ah, mas sim, mas aí não vai ser competência...
14:25Não é mais competência municipal.
14:27Definitivamente, não é mais competência municipal.
14:29Hospitais passam por Estado e União, né?
14:33Sobretudo porque demandam grandes volumes de investimento.
14:36Porém, quem compõe o Estado e a União, quem são os habitantes, quem financia, quem demanda, né?
14:47Somos nós.
14:48Então, a gente tem que cobrar.
14:50Aproveitando e falando nisso, que é a chamada ambulância ou terapia, né?
14:54Alguns municípios, principalmente no interior, compram ambulâncias, muitas ambulâncias, justamente para fazer esse transporte do cidadão, das cidades do interior,
15:04para virem se tratar na Grande Vitória.
15:07E a gente vê isso muito acontecer aqui no Espírito Santo, é a nossa realidade.
15:12O que o gestor tem que fazer?
15:13É procurar parceria, como você falou, reivindicar, ter o poder de reivindicar com o governo do Estado a criação de
15:20centros de tratamento.
15:22Mas, na prática, o que ele pode fazer?
15:24Como é que ele pode desafogar isso?
15:26Du, primeiramente, ele precisa fazer um planejamento.
15:28A gente não pode vir aqui dar receitas se nós não conhecemos a situação de cada município.
15:33O município, como Vitória, tem uma situação muito diferente da Serra, que tem uma situação diferente de Santa Maria de
15:38Etibá, que tem uma situação diferente de Linhares, né?
15:40Então, municípios têm, obrigatoriamente, secretarias de saúde.
15:44Primeira coisa é diagnosticar.
15:46Onde estão os gargalos?
15:48Onde estão os principais problemas?
15:50De quanto nós dispomos em recurso?
15:52Qual é o planejamento de recurso para os próximos quatro anos?
15:55Uma vez com diagnósticos em mão, como está a situação da prevenção?
16:00Eu não sei se vocês sabem que cerca de 80% dos problemas de saúde poderiam ser resolvidos com estratégias
16:07de prevenção.
16:08Se o Brasil aplicasse medidas preventivas eficientes, nós teríamos ocorrências 80% inferiores em situações de saúde.
16:20Isso significaria o quê?
16:21Redução de marcação de consultas em especialidades, hospitais menos lotados, desenvolvimento de situações agravadas.
16:29Agravadas, muito menor.
16:31E o custo da medida preventiva é infinitamente inferior ao do tratamento.
16:38Então, esse é o tipo de coisa que o gestor municipal pode fazer.
16:42Ah, Gabriela, mas o que você propõe em termos práticos?
16:45Em primeiro lugar, assumiu o mandato no início do ano que vem?
16:50Diagnóstico.
16:50Como está a saúde da população?
16:53Como estão as saúdes das famílias?
16:55Como está a situação da infância?
16:59Indicadores de saúde, você tem aí mortalidade infantil, indicadores por diarreia, por exemplo.
17:06São os dois principais indicadores de saúde.
17:09E aí você precisa, por exemplo, ter interface com outras áreas da gestão municipal.
17:15Você vai precisar ter interface com saneamento.
17:19Você vai precisar ter aí a questão nutricional, que também está associada à saúde bem resolvida.
17:25Educação.
17:26Educação, definitivamente.
17:29Esporte.
17:30Então, assim, diagnosticou como está a saúde da infância, da população adulta, dos idosos.
17:36E aí nós já falamos aqui, quando abordamos, por exemplo, patrimônio.
17:40Como está a situação do lazer, da saúde mental.
17:43Então, assumiu, diagnosticou, naqueles primeiros 90 dias de diagnóstico, tem um panorama.
17:50A partir disso, e com dados claros sobre os recursos disponíveis, o gestor vai saber o que fazer.
17:56Ah, os recursos serão ineficientes, sobretudo no interior.
18:00Provavelmente, recursos, via de regra, são ineficientes.
18:03A partir disso, faça propostas.
18:06Procure o governo do Estado que dispõe de mais recursos.
18:10E que pode contar também com recursos da União.
18:13Proponha parcerias.
18:15Otimize o que tem.
18:16Verifique a qualidade do trabalho dos profissionais de saúde, dos médicos, dos enfermeiros, dos técnicos.
18:24Isso é muito importante.
18:25É suficiente?
18:26Não.
18:27São precisos recursos.
18:28Mas, uma notícia positiva é que no Espírito Santo, por exemplo,
18:32a alocação de recursos, os investimentos não são tão baixos.
18:37Por exemplo, de acordo com o Tribunal de Contas do Espírito Santo, na Grande Vitória,
18:43a Serra investiu proporcionalmente, entre 2019 e 2020, 22,92% em saúde,
18:51Vila Velha, 21,23%, Cariacica, 18% e Vitória, 17,43%.
18:57Ou seja, os cinco municípios da Grande Vitória investiram mais do que é a determinação constitucional,
19:03do que a lei exige.
19:05Ou seja, se o cidadão não está recebendo os serviços merecidos e necessários,
19:11falta o quê?
19:12Cobrar.
19:12Porque me parece que está faltando gestão.
19:15Gabriela, e como é que você vê essa questão de terceirizar o sistema de saúde nas unidades?
19:22Por exemplo, poderia ser um caminho para otimizar, para melhorar, agilizar esse sistema?
19:27Já acontece, né, Patrícia?
19:29Cerca de 50% dos atendimentos no SUS hoje, eles ocorrem via algum tipo de relação terceirizada.
19:38Mas nas unidades de saúde você acha que resolveria?
19:41Nas unidades básicas de saúde não, e por isso foi a polêmica envolvendo o presidente
19:47Bolsonaro, que de fato não falou em terceirização.
19:52O decreto que o presidente Bolsonaro assinou e posteriormente revogou não falava em privatização,
19:56falava em estudos para possibilitação de parcerias para a construção das quase 4 mil
20:03unidades básicas de saúde no Brasil que aguardam serem finalizadas.
20:08É muito importante, Patrícia, essa é uma excelente oportunidade para a gente poder esclarecer
20:12o nosso ouvinte, né, esclarecer o seguinte, as parcerias, né, públicas, público-privado
20:20ou as parcerias públicas para investimento, que tem uma diferençazinha, né, e que foram
20:24inclusive sancionadas em 2003 pelo governo Lula, não significam, né, que haverá uma
20:30cobrança direta ao usuário final do serviço, de forma alguma.
20:34significa que serão captados recursos, né, para que algo seja desenvolvido e que se
20:41estabelecerá uma parceria por um período de tempo.
20:44No caso da construção das unidades básicas de saúde, isso é, estou apenas tendo uma
20:51ideia aqui, imaginando, não estava escrito isso no decreto, o decreto falava apenas da
20:55possibilidade de realização de estudos, mas enfim, você poderia contar com recursos
20:59privados para construção, né, e posteriormente o SUS utilizar aquelas vagas e pagar, né, a
21:08empresa que faria posteriormente a gestão, né, pelos atendimentos, né, aliás, como
21:14acontece, muitas vezes você tem o serviço público comprando vagas, né, de internação
21:21em hospitais ou exames, utilizando máquinas ociosas da iniciativa privada, né, eu acho
21:26que depende da situação, né, que se estabelece no momento, né, e de que seja feita uma relação
21:36entre custo-benefício do serviço público e do serviço privado.
21:40E do serviço privado, uma coisa que é muito interessante esclarecer para o nosso ouvinte
21:43é que o serviço de saúde pública que recebemos não é gratuito, não é, ele é pago pelos
21:51nossos impostos e é um serviço custoso, eu não estou dizendo que ele não vale o que
21:57custa, essa é uma outra discussão, o que eu estou dizendo é que ele tem um custo anual
22:02de cerca de 122 bilhões de reais, é bastante dinheiro, né, e o que a Constituição deixa
22:11claro, né, em dois artigos é que o Estado tem a obrigação de fornecer o serviço, não
22:19deixa claro em momento nenhum que este serviço tem de ser executado pelo ente estatal, né,
22:28existe um exemplo muito interessante que é o modelo holandês, né, ele tinha uma
22:33configuração muito parecida com o nosso sistema único de saúde e em 2006 ele foi
22:39reformado. O governo passou a obrigar o cidadão holandês a contratar um seguro
22:45saúde, né, que pode prover o serviço, ele pode fornecer o serviço ou ele pode
22:52subcontratar. E se o cidadão não tem condição de pagar pelo serviço, o governo
22:59fará essa contratação, né, irá arcar com custo integralmente. Mas o que é muito
23:05interessante é a possibilidade do cidadão escolher, porque o que isso gerou? Isso
23:11gerou competição. Hoje em dia, os fornecedores do serviço de saúde, Patrícia, batalham
23:17pela preferência do cidadão holandês, né. Eu não estou dizendo, bem, esse serviço de
23:23saúde foi premiado em 2017, né, foi eleito pelo National Health, pelo European Council of Health,
23:32como o melhor sistema de saúde da Europa no ano de 2017. Então, me parece um modelo
23:38eficiente. Não acho que seja um único. Existem inúmeros outros serviços que
23:42funcionam, como, por exemplo, o inglês, que é estatal. É um serviço bastante eficiente, né.
23:46O que eu penso é o seguinte, um sistema eficiente em qualquer área tem de prover
23:52serviços com qualidade e a preço justo. Não importa se é o Estado que executa ou se
23:58subcontrata. Gabriela, obrigada pela sua participação mais uma vez. Até sexta.
24:03Eu que agradeço. É um prazer estar com vocês. Estes estaremos aqui com o último
24:08programa de desafios da gestão municipal. Foi um prazer.
24:11Edu, obrigada.
24:11Valeu, até sexta.
24:12E aí
24:15E aí
24:17E aí
24:18E aí
24:21Obrigado.