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  • há 18 horas
No programa especial sobre as Eleições 2020, a comentarista política Gabriela Cuzzuol e o sócio-diretor da Futura José Luiz Orrico, analisaram os resultados da primeira pesquisa eleitoral para prefeito de Guarapari. Veja como foi!

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00:07Olá, seja muito bem-vinda, seja bem-vindo, começa agora o programa especial Eleições 2020 aqui no
00:14Folha Vitória. Hoje a gente vai conversar sobre as pesquisas de intenção de voto em Guarapari.
00:19A pesquisa Rede Vitória Futura aponta uma vantagem do atual prefeito sob o segundo colocado,
00:24o deputado estadual Carlos Vom. E com a gente aqui, a comentarista de política, Gabriela Cusol.
00:30Tudo bom, Gabriela? Bom dia. Bom dia, Edu. Bom dia, espectador do Folha Vitória. Um prazer estar aqui com vocês
00:36mais uma vez.
00:36A gente conversa também aqui no estúdio com a gente, o José Luiz Orrico, representante da Futura,
00:42sócio-diretor da Futura, responsável pela pesquisa. Tudo bom, José Luiz? Tudo bem. Bom dia. Bom dia para todo mundo.
00:47Legal. Então, lembrando que a reportagem com os dados da pesquisa está disponível no folhavitoria.com.br.
00:55Vamos direto para a pesquisa, então. Na tela, a primeira pesquisa de intenção espontânea de voto que pergunta
01:01se a eleição fosse hoje, em quem você votaria para prefeito de Guarapari?
01:06O atual prefeito Edson Magalhães, do PSDB, aparece em primeiro com 21,5%.
01:11O deputado estadual Carlos Vond, do Avante, aparece com 12,8%.
01:16Depois vem Gédson Merizio, do PSB, com 3,8%.
01:21Oziel de Souza, 1,8%.
01:24Fernanda Mazelli, do Republicanos, 1%.
01:28Maria Helena, do PP, 1%.
01:30Coronel Ferrari, do PSD, 0,5%.
01:34Bárbara Hora, do PT, 0,3%.
01:38E aí a gente tem, não sabe, não respondeu, indecisos, 42,5%.
01:43Ninguém branco e nulo, 14,8%.
01:46Outro, 0,3%.
01:49José Luiz, mais uma vez, o atual prefeito na frente, a gente mostrou isso, um cenário parecido como esse lá
01:55em Linhares.
01:56Como é que você avalia essa pesquisa?
02:00Essa frente está muito grande, não está muito grande? Como é que você avalia?
02:03Tem uma diferença...
02:05Considerável.
02:06Considerável, né?
02:07Em Linhares você tinha uma folga, na espontânea, de mais de 20%, né?
02:13Mais de 25%.
02:14Aqui a folga é menor que 10%.
02:17Isso.
02:18Uma eleição, aparentemente, uma eleição que pode ficar competitiva, né?
02:26A gente tem que esperar aí um pouco o seguimento desse processo para ver como é que os outros candidatos
02:31vão se colocar.
02:32Mas o que a intenção espontânea mostra é que, neste momento, nós temos uma disputa entre o Edson e o
02:39Vaughan.
02:40Isso que eu ia te perguntar, nessa intenção espontânea, eles dois estão descolados e essa é a tendência a continuar
02:46ou você acha que tem muita...
02:47Eu acho que nós estamos abrindo a eleição, então acho que tem que esperar um pouco para ver se essa
02:53tendência vai se consolidar ou se algum outro candidato com intenção de voto menor, ao passar a ser conhecido.
03:01Porque o início da eleição tem essa diferença, as pessoas não sabem quem são todos os candidatos.
03:09Isso explica um pouco esse número de decisão, né?
03:11Isso explica exatamente a decisão.
03:12E lembrando que Guarapari tem TV.
03:14Então, Guarapari pode ser... pode haver uma mudança em função da campanha que começou semana passada na TV.
03:24Pode ser que com 10 dias, 15 dias, esse quadro não se sustente.
03:29Ou então, com 10 dias, quando pode se consolidar.
03:31Exatamente. É assim que você avalia, Gabriela?
03:34Minha análise é bastante parecida.
03:36Eu vejo uma tendência de crescimento do candidato Gerson Merizio, que é apoiado pelo governador Renato Casagrande, que é muito
03:42bem aprovado na região e vem em uma coligação bastante interessante com o vice do PSL.
03:48O PSB, o partido de centro-esquerda, o PSL é um partido de direita, uma direita bastante identificada, uma direita
03:56bastante posicionada,
03:58nacionalmente, né?
04:00Estão em polos opostos.
04:01São essas as contradições regionais que a gente vê.
04:03São as contradições regionais da política, né?
04:06Inclusive, o jornalismo de bastidores dá conta de que essa coligação, essa união entre PSB e PSL se deu por
04:14intermédio desse diálogo do governador Renato Casagrande,
04:18que já manifestou apoio ao candidato Merizio.
04:20Então, vejo alguma tendência de crescimento.
04:22Penso que o Carlos Vom possa, sim, ter chance, porque foi um deputado muito bem votado, o deputado melhor votado
04:30no município, né?
04:31Teve mais de 14 mil votos, foi a... está atualmente no quinto mandato.
04:36É uma liderança conhecida, né?
04:37E, então, e mais pra frente falarei mais sobre isso.
04:40É, aproveitando...
04:42Cedo ainda pra desenhar cenários, né?
04:43Etapa inicial da eleição, como o José Luiz tão bem apontou, agora parei a tempo de TV, mas eu vejo
04:48sim possibilidade.
04:49É, como você falou, é bom colocar também que essa aliança PSB-PSL, o presidente do PSL, que é o
04:58deputado coronel Quintino, deputado estadual,
05:01ele tem uma relação muito próxima com o governador, embora sejam partidos de ideologias teoricamente opostas ou bem divergentes, eles
05:11são bem próximos os dois.
05:12Eles têm, exatamente, um diálogo bastante direto.
05:14O PSB não é um partido de extrema-esquerda, né?
05:17É um partido de centro-esquerda.
05:18Então, existe uma oposição muito consistente, muito bem posicionada, mas não seria, por exemplo, como você ter uma coligação do
05:27PT com o PSL, né?
05:28Não seria uma oposição ideológica tão marcante.
05:32O que seria mais absurdo ainda, porque a gente vive no país hoje de polarização.
05:36Em alguns municípios no Brasil parece que aconteceu.
05:38É, estamos no Brasil, né?
05:40É, mas aqui no Estado, o PSB se posiciona no centro-esquerda, o governador Casagrande tem esse diálogo, aliás, com
05:46inúmeras siglas partidárias,
05:49e costurou esse acordo, que eu acredito que possa vir a fortalecer o candidato Meridio.
05:53Vamos ver como é que esses números aparecem agora na pesquisa, na intenção estimulada.
05:59Na intenção estimulada, só para lembrar, o pesquisador, o entrevistador, ele aponta, mostra para os eleitores quem são os candidatos
06:07disputando.
06:08Então, e a pergunta é essa, se os candidatos fossem estes, em quem você votaria para prefeito de Guarapari?
06:14Mais uma vez, o atual prefeito Edson Magalhães aparece em primeiro com 29,3% das intenções de voto.
06:21Em seguida vem Carlos Vom, 22,3%, Jadson Merizio, 8%, Oziel de Souza, 3,8%,
06:30Fernanda Mazelli, 3,5%, Coronel Ferrari, 2%, Maria Helena, 1,5%, Cláudio Paiva, 0,8%, Bárbara Hora, 0,5%.
06:42Não sabe, não respondeu, indecisos, 14,5%.
06:46Ninguém, branco e nulo, 14%.
06:48A intenção estimulada aponta a tendência da intenção espontânea, não é isso?
06:54Mas se você pegar, lançar proporcionalmente, o Edson cresceu menos de 50%, o Carlos Vom cresce mais de 80%
07:06e o Jadson multiplica por mais de 3 dos seus votos.
07:09Quer dizer, do ponto de vista proporcional, é lógico que eleição não é proporcional, eleição é pelo resultado final,
07:17mas pelo ponto de vista proporcional, o Jadson e o Vom, teoricamente, tiveram um potencial de crescimento maior do que
07:26o do Edson,
07:27apesar da intenção de voto do Edson ser a maior e ele liderar o processo.
07:34Se a gente considera aqui, mais de erro aqui, mais de erro ali, você pode tornar essa eleição competitiva.
07:41Nesse momento, ainda não parece ser uma eleição competitiva, mas ela pode virar uma eleição competitiva
07:48a depender de como caminhem esses votos, como serão conduzidos esses votos.
07:55Gabriela, a gente tem falado com frequência aqui sobre a influência da administração municipal sobre as pessoas,
08:02principalmente nessa época de pandemia.
08:04As pessoas precisam mais do poder do Estado, precisam mais da assistência do município.
08:09Você acha que isso pode explicar um pouco essa frente do Edson Magalhães nesse momento?
08:15E como é que você vê essa possibilidade de dança das cadeiras aí com esse crescimento,
08:21pelo menos projetado, pelo menos esperado, a partir de agora aí com a campanha na rua?
08:26Não tenho dúvida de que neste momento de pandemia, em que as pessoas percebem a atuação do Estado
08:31de forma muito próxima e clara, isso influencia diretamente a aprovação do atual prefeito.
08:38Até porque, conforme já falamos neste debate em outras ocasiões, uma prefeitura é uma máquina constante de propaganda.
08:46Equipes de comunicação de prefeitura estão sempre divulgando as entregas à população.
08:51Não tem nada de errado nisso, inclusive.
08:53É o papel da prefeitura, inclusive, fazer isso.
08:55Claro que não, divulgar os feitos.
08:57Eu acho bastante interessante, na intenção estimulada, confirma a minha previsão, a minha análise
09:05de que teremos uma eleição bastante competitiva.
09:07Por quê?
09:07Uma vez apresentados os candidatos, o segundo colocado está bastante próximo do prefeito, né?
09:13A margem de aceitação dele pelas pessoas aumenta bastante.
09:17E outros candidatos que têm apoios importantes, como, por exemplo, a candidata Fernanda Merisi,
09:23que é apoiada por Amaro Neto.
09:26Amaro Neto é um fenômeno de popularidade.
09:29Foi um deputado eleito com mais de 180 mil votos, né?
09:31Ela aparece com um índice de aprovação bem inferior ao do segundo colocado.
09:39Coronel Ferrari...
09:40É Fernanda Mazelli, né?
09:41Que é do Republicanos, é o mesmo partido do Amaro, não é isso?
09:44Exatamente.
09:44A Fernanda Mazelli, do Republicano, Amaro Neto, já declarou apoio.
09:48Amaro Neto foi bem votado na região de Guarapari também, declarou apoio.
09:51Ela aparece com 3,5%.
09:52Coronel Ferrari, que atuou no governo Paulo Artung, tem o apoio de Paulo Artung,
09:58que também é uma liderança bastante importante, aparece com 2%.
10:00E o deputado Carlos Vond, que tentou inúmeras eleições até ser eleito, né?
10:07Até ter conseguido se eleger deputado, aparece com 22,3%.
10:12É uma diferença bastante substancial entre candidatos que também tem apoios muito importantes, né?
10:19Só para citar o Carlos Vond que você citou, só para posicionar, ele foi eleito deputado estadual
10:26com uma votação bastante expressiva, como você citou no começo.
10:30Mais de 14 mil votos.
10:31E também tem feito oposição desde que entrou na Assembleia.
10:35Exatamente.
10:36Faz oposição, inclusive, ao governador Renato Casagrande.
10:38Um outro dado é o fato dele ter perdido o último pleito à prefeitura de Guarapari
10:44por uma diferença muito pequena, ser um pouco mais de 200 votos.
10:47Ele disputou com o atual prefeito, Edson Magalhães, né?
10:50E perdeu por uma margem bem pequena.
10:52Então, com base em todos esses detalhes, eu acredito que possamos sim vir a ter uma eleição competitiva
10:58em médio prazo.
11:00Mais do que nunca, cada voto conta em Guarapari.
11:02Cada voto conta.
11:03É, o Edson Merizio, ele faz uma oposição bastante consistente, né?
11:07O jornalismo de bastidores revela que houve aí, que pensou, sim, que em algum momento
11:15que se pensou em coligação, em um vir como prefeito, outro como vice, né?
11:20Algo que não foi à frente, provavelmente, porque o Carlos Von é uma oposição consistente
11:24ao governador Renato Casagrande e o Edson Merizio é do partido, apoiado, né?
11:28Pelo governador.
11:28Vamos lá para a próxima parte da pesquisa, rejeição estimulada.
11:33A pergunta dos entrevistadores foi, e em qual desses você não votaria em nenhuma hipótese?
11:39Lembrando que a soma pode dar mais de 100%, porque cada uma das pessoas que respondeu
11:43poderia responder mais de um candidato.
11:46Edson Magalhães aparece com 27,3% de rejeição.
11:50Logo depois vem o Carlos Von com 9,5%.
11:53Oziel de Souza, 7%.
11:56Coronel Ferrari, 6,5%.
11:58Bárbara Hora, 6,3%.
12:01Fernanda Mazelli, 6%.
12:04Gédson Merizio, 5,8%.
12:07Maria Helena, 4%.
12:09Cláudio Paiva, 4%.
12:11Fredson, 3,5%.
12:13Rejeita todos.
12:156,8%.
12:16Não rejeita nenhum.
12:1728% não sabe, não respondeu.
12:2013,5%.
12:21O que a gente pode ver aqui, José Luiz, é que a rejeição do Edson Magalhães está muito
12:27à frente dos outros candidatos, não é isso?
12:29A gente tem um meio que embolado os outros candidatos de acordo com a margem de erro.
12:33Ele está mais exposto, da mesma forma que ajuda positivamente a exposição dele, também
12:40acaba, tem o ônus de estar muito exposto.
12:43O que nós temos que ver, normalmente o processo eleitoral, principalmente onde você tem televisão,
12:51é a oportunidade que quem está na situação mostrar o que tem feito e quem está na oposição
12:58mostrar o que não tem sido feito.
13:00Então, o processo pode aumentar ou diminuir a rejeição de todos eles, mas especialmente
13:08de quem está atuando na função de prefeito.
13:11Então, o que eu acho que é preciso ver se a eleição vai ficar competitiva ou não,
13:15é se a campanha vai aumentar ou diminuir a rejeição do prefeito Edson.
13:21Várias campanhas que nós já acompanhamos, tem prefeitos que são candidatos à reeleição
13:28que conseguem, durante o processo, diminuir a sua rejeição, porque a comunicação que
13:35ele fez durante o mandato não expôs as coisas que ele tinha feito.
13:40E quando ele foi para a campanha e mostrou na campanha as coisas que ele tinha feito,
13:44a rejeição dele diminuiu e a intenção aumentou.
13:48Como também nós já tivemos campanha ao contrário, que a rejeição do candidato aumenta à medida
13:53que a campanha vai acontecendo.
13:55Agora, você acha que pode ser sintomático também o candidato Edson Merizio, que está
13:59em terceiro nas intenções de voto, aparecer com rejeição mais baixa do que os concorrentes?
14:04Embora a gente trabalhe com a margem de erro, a gente está vendo um percentual mais baixo.
14:08O que mostra que ele tem um potencial provável de crescimento.
14:15Por que eu vejo uma certa vantagem para o prefeito?
14:18Porque tem o prefeito e os outros, os outros, teoricamente, são todos oposição.
14:23O prefeito está lá com 30% de voto, você tem 70% de voto para disputar, em torno de
14:3010% a 20% fica entre branco, nulo e abstenção.
14:36Então, você aí já tratou de 50% de voto, você tem 50% de voto, onde um candidato
14:42precisa alcançar os 30%, que o prefeito já tem.
14:46Entendo.
14:47Então, esse é o...
14:48Vão ter que remar muito mais os candidatos.
14:50Vão ter que remar, vão ter que remar.
14:51Não é impossível, já vimos isso várias vezes, mas é um trabalho árduo a ser feito,
14:57principalmente quando você tem esse volume de candidaturas.
15:02E se você tiver dois candidatos entre esses aí, que comecem a polarizar entre si, fica
15:09mais fácil ainda para quem está na prefeitura.
15:13Gabriela, aproveitando essa coisa de ter que remar mais, a gente sabe que a figura do
15:18governador, do Estado, é uma figura influente e tem muito peso nas eleições.
15:23Embora o governador já tivesse dito, já tenha dito, que não vai se envolver diretamente
15:28em algumas campanhas, de repente vai escolher uma ou outra campanha que sejam mais estratégicas,
15:32mas levar o nome do governador, pode ajudar o Gerson Merizio nessa escalada aí de, de
15:39repente, ganhar mais volume, ganhar mais musculatura durante a campanha?
15:43Não tenho dúvida, não tenho dúvida.
15:46Não apenas levar o nome do governador Renato Casagrande, que é bem avaliado na região,
15:50mais de 60% entre bom, ótimo e regular, a aprovação dele é superior a 60%, como fato
15:57de já ter aprovação baixa.
15:58Há um aspecto em relação à rejeição, na verdade, dois.
16:02O primeiro, nós temos aí, depois do candidato na dianteira, o atual prefeito, uma série de
16:08candidatos com rejeição abaixo de 10% e temos 28% que não rejeita nenhum, ou seja, é
16:13aí que tem que remar, tem que tentar conquistar esse eleitor que não rejeita ninguém, aí
16:17todos vão disputar entre si.
16:1927% não é uma rejeição impeditiva, não, o José Luiz já apontou aqui.
16:24Estamos aprendendo com ele.
16:25É, não é algo preocupante.
16:31Então, eu vejo, sim, potencial de crescimento em relação à rejeição.
16:35Eu tive acesso a uma pesquisa do Antônio Almeida, na semana passada, que colocava o seguinte,
16:40quando a situação econômica não é favorável, existe uma tendência da população a optar
16:46por troca de gestão.
16:47Essa é uma eleição diferente, tem o fator pandemia, as campanhas corpo a corpo são
16:51muito mais difíceis, a máquina de comunicação ganha um peso inigualável.
17:00Agora, eu acho que com base nisso, no fato das pessoas tenderem a trocar quando a situação
17:07econômica é desfavorável, o Espírito Santo teve perda de PIB de cerca de 12% relatada
17:13em agosto desse ano, Guarapari é uma cidade que tem como uma das principais atividades
17:17o turismo, né?
17:18Que foi altamente impactado.
17:20Altamente impactado, né?
17:22Se não um dos setores mais impactados, ou seja, está sofrendo com indicadores econômicos
17:28bastante negativos, né?
17:29Os candidatos de oposição todos têm explorado isso.
17:32Então, eu acredito que a gente possa ter uma eleição bastante competitiva nesse sentido.
17:37Legal, vamos para a próxima tela agora, vamos falar dos cruzamentos agora, as informações
17:42que os entrevistadores coletam quando estão fazendo a pesquisa.
17:46Bom, intenção espontânea de voto, a gente analisa aqui os votos de acordo com a classe
17:52social.
17:52O que me chamou a atenção aqui, José Luiz, foi que o Edson Magalhães, ele tem mais eleitores
17:59na classe AB e ao mesmo tempo, que são as pessoas que ganham mais de 5 salários mínimos
18:06e na classe DE, que são os dois extremos da tabela, né?
18:10E no meio...
18:11Eu te diria, Edu, que na verdade ele está equilibrado, né?
18:15Porque 19,2 na classe C, 22 e 23.
18:19Ou seja, os votos dele estão mais, se você pegar a média, 21, todas as classes estão mais
18:25ou menos parecidas com o voto dele.
18:27A grande diferença que você pode ver aí é o VON, que empata com ele na classe AB.
18:33Exatamente.
18:34E aí o VON, sim, o VON, a diferença é muito maior.
18:37Você vê que a diferença do VON, ele tem muito mais voto na classe AB do que a média
18:41de voto que ele vai ter lá no final, que é 12,8.
18:44E a classe C, ele tem menos voto e também tem voto na classe DE, né?
18:49Então, é até normalmente o candidato de oposição, é natural que as classes mais altas
18:57normalmente tenham...
18:59É o que a gente tem comentado com as outras pesquisas também.
19:02Com as outras pesquisas, né?
19:03É natural que ele tenha mais eleitores nas classes AB, né?
19:06E o VON tem essa coisa de ter mais na DE do que na C, né?
19:12Aí tinha que procurar entender um pouco o que que faz o VON ter essa diferença.
19:20Talvez a estimulada mostre um pouco mais de equilíbrio.
19:23Daqui a pouquinho a gente vai ver a estimulada, mas aí a gente aproveita, Gabriela, e fala
19:26mais uma vez dessa coisa da atuação do Estado, do poder do Estado, né?
19:30Da prefeitura, do município, da máquina, por causa da pandemia, a gente vê a DE com
19:3523% do atual prefeito.
19:37Definitivamente.
19:38Apenas trazendo um dado para o nosso espectador, o Guarapari tem cerca de 33% da população
19:44com renda per capita, né?
19:46De cerca...
19:47Abaixo de meio salário mínimo.
19:49Então, existe uma massa de vulneráveis muito grandes na cidade, né?
19:53Ou seja, pode ser um fator... um indicativo.
19:57Dois... duas questões.
19:58A primeira, em relação a candidatos de oposição serem melhor votados tradicionalmente no Brasil
20:03em municipais nas classes AB, acredito que tem a ver também com acesso à informação.
20:07Quanto mais você sabe acerca de uma gestão, maior a possibilidade que você tem de criticar,
20:12né?
20:12Em relação ao candidato Carlos VON ser muito bem avaliado, né?
20:17De existir uma diferença grande de avaliação entre as classes AB e C, eu acredito ao fato dele,
20:23da gestão dele como deputado, ser muito focada na questão de incentivo ao empreendedorismo,
20:29desburocratização, pautas que via de regra são caras a essas classes, né?
20:35De extrato social mais elevado e também maior índice de escolaridade, empresariado.
20:40Então, acredito que ele esteja bem alinhado.
20:42Uma única e terceira informação para fechar, indecisos, 42,5% de indecisos em todas as classes
20:48sociais.
20:48Então, um terreno aí bastante consistente para os candidatos disputados.
20:53É bom lembrar também que a gente pensa Guarapari como uma cidade balneário, né?
20:57A gente pensa Guarapari perto do mar, mas a gente sabe também que Guarapari tem uma periferia
21:02que cresce muito, né?
21:04A gente vê problemas relativos à periferia que a gente vê em qualquer parte do Brasil.
21:09A gente vê aqui no Espírito Santo que é aumento da violência, falta de desemprego,
21:14uma série de fatores que isso também pode, de repente, mostra a necessidade do gestor
21:21ou do futuro gestor olhar para essas regiões com um olhar diferente, né?
21:27Com uma preocupação diferente.
21:29Exato, Edu.
21:30A taxa de cidadãos ocupados em Guarapari, Guarapari ocupa a posição 21 entre 78 municípios
21:35do Espírito Santo.
21:36Quer dizer, não é uma boa avaliação.
21:38A avaliação em educação também não é positiva, né?
21:42São indicadores preocupantes e que em período de pandemia se agravam.
21:46Então, os candidatos, a oposição tem sido muito consistente no sentido de criticar
21:51a gestão em relação a isso.
21:53Vamos para o próximo cruzamento?
21:55Edu, só para lembrar, né?
21:57Em Chieta tem a Samarco.
22:00Que está parado.
22:01Guarapari, basicamente, era o local onde as pessoas da Samarco moravam.
22:07Ah, sim.
22:08Exatamente.
22:09E tinha toda uma interlândia lá com empresas que trabalhavam em torno da Samarco, que estão
22:16paradas aí há cinco anos, né?
22:18Tem uma expectativa de volta, mas a gente não sabe...
22:20Deve voltar agora no final do ano, quer dizer, tem um incremento econômico melhor na cidade
22:24e na região.
22:25Mas não vai ser uma coisa instantânea também, vai demorar um pouco para engrenar, volta com
22:29uma parte da capacidade só para depois ir aumentando.
22:32Para voltar para a capacidade toda vai demorar um pouco.
22:35Exatamente.
22:35Vamos lá para o próximo cruzamento.
22:38Intenção espontânea é escolaridade.
22:41E aí a gente vê o que pode acompanhar um pouco esse raciocínio nosso.
22:48O Edson Magalhães, entre os entrevistados, eleitores que têm o ensino fundamental, 24,8%
22:55disseram que vão votar no Edson Magalhães.
22:58Ensino superior, 21,1%.
23:00Ensino médio, 18,9%.
23:05Embaixo, um pouquinho mais descolado o ensino fundamental, mas mais ou menos a mesma média, né?
23:09O Carlos Vão também segue uma média entre os três com mais eleitores no ensino superior,
23:1614,1%.
23:19A gente segue essa linha aí da questão social.
23:22O que mostra aí, falando nos três primeiros candidatos, mas pode falar em todos os outros
23:27também, é que aqueles menos escolarizados, possivelmente que tenham menos informações,
23:32que não sabem quem são os candidatos, eles estão na média para o primeiro e para o segundo.
23:37Mas para os outros, por exemplo, o Gerson tem 1% e os outros, só Maria Helena e Coronel
23:46Ferrari, que tem 0,7%.
23:48Ou seja, a classe D não sabe que essas pessoas provavelmente sejam candidatos.
23:53Então, como o grosso do eleitorado está nessa classe, quer dizer, tem um potencial para
23:59esses candidatos crescerem aí junto desses menos, um pouco menos informados, né?
24:05E aí, parte a campanha para cima dessas informações, Gabriel.
24:09Exatamente.
24:10Em primeiro lugar, é a pesquisa espontânea, né?
24:12Em que o eleitor precisa lembrar o candidato em quem ele teria a intenção de votar.
24:18Estimulada, que é aquela em que são apresentados os nomes dos candidatos, a gente tem uma avaliação
24:23diferente.
24:24Há um fator interessante também, né?
24:26Pesquisas recentemente realizadas comprovam que existe uma tendência do eleitor,
24:31sobretudo com o nível de escolaridade mais baixa, de associar os auxílios à gestão
24:36pública.
24:37Então, por exemplo, muitos eleitores acreditam o auxílio emergencial, por exemplo, né?
24:42Concedido pelo governo federal ao prefeito.
24:45Fazem esse tipo de associação.
24:48Está mais perto, né?
24:49A administração municipal está mais perto.
24:50A administração municipal está mais perto.
24:52Então, em muitos casos, sobretudo quando o índice de escolaridade é menor, existe
24:56uma associação do recebimento dos benefícios que são tão importantes nesse período de
25:02pandemia, que chegaram a favorecer 67 milhões de brasileiros, né?
25:08A gestão mais próxima.
25:10Então, acredito que os prefeitos em mandato se beneficiem também disso.
25:18Vamos para o próximo cruzamento.
25:23E aí, a gente vê uma diferença grande na faixa etária para o Edson Magalhães.
25:2910,6% de 16 a 24 e aí vai uma escadinha, né?
25:34Vai subindo até chegar...
25:35Vai crescendo à medida que a pessoa é mais velha.
25:38Exatamente.
25:39E a pessoa fica um pouco mais conservadora.
25:42É natural isso, né?
25:43E aí quer manter o prefeito que está lá.
25:44Eu conheci poucas pessoas, apesar de ter conhecido, que envelheceram e saíram de conservadores
25:51para um pouco mais radicais e até progressistas, né?
25:55O normal é o contrário.
25:57O Edson faz isso, o Vom um pouco isso também e o Gerson é que não tem essa...
26:05O Gerson você não pode muito explicar por isso.
26:08E os outros candidatos não têm voto em 60 anos ou mais.
26:11Ou seja, muito possivelmente, as pessoas não sabem que essas pessoas são candidatas.
26:17Não conhecem, né?
26:19Guarapari tem a vantagem de ter a TV.
26:22A TV auxilia a chegada dos candidatos ao eleitor.
26:29Eu sempre achei que a TV não tinha tanta importância assim.
26:33Nessa eleição da pandemia, eu acho que ela vai ter uma importância muito maior do que já teve.
26:39Até porque a internet que tem, as redes sociais que tem uma importância muito grande,
26:45eu não acredito que elas terão a mesma importância.
26:47Porque essa coisa da fake news, todo mundo já sabe.
26:51Então, essa coisa vai diminuindo a importância desse tipo de campanha de comunicação.
26:57Então, eu imagino que a TV em Guarapari volte a ter alguma importância.
27:02Nós já fizemos acompanhamento de algumas eleições em Guarapari.
27:07E a TV Guarapari, nos programas eleitorais, ela tem uma audiência razoável.
27:13Principalmente no início e no final do processo.
27:16Então, pode ser que a campanha via televisão mude esse quadro e faça, efetivamente,
27:22a campanha ficar, de alguma forma, mais competitiva.
27:26Mas aí, colocando um questionamento nessa sua fala, aproveitando e chamando a Gabriela para o debate.
27:30A gente tem o candidato, teoricamente, do governador, sem menções no público de 16 a 24 anos, espontâneo.
27:39Mas é o público que é mais antenado, é mais digital, é mais de redes sociais.
27:45Então, será que isso...
27:46Mas é menos politizado.
27:48Mas, então, não pode ser uma oportunidade para trazer esse eleitor dessa forma?
27:53Será que a campanha não é, de repente, trazer o governador, de alguma forma, que é o candidato do governador,
27:59e usar justamente isso das redes sociais?
28:03Porque a gente viu, a gente ouviu muitos especialistas, alguns especialistas do país,
28:07falando que, em virtude da pandemia, dessa coisa de não poder sair, não poder ter o corpo a corpo,
28:13que as redes sociais e o meio digital fariam uma diferença muito grande.
28:17Não estou dizendo que eles não farão diferença.
28:20O que eu estou dizendo é que a TV volta a ter uma importância que não tinha.
28:23Com certeza.
28:24Não, nem em 2018.
28:25Sobretudo em 2018, a TV perde importância, né?
28:28Nós tivemos um candidato eleito para o Executivo Federal que não participou de debate.
28:33Isso, há 20 anos atrás, seria intensável.
28:35Não tinha tempo de TV, né?
28:37Com certeza.
28:38Então, assim, o que acontece é que a TV volta a ter importância diante do que se configurou em 2018.
28:43Eu concordo plenamente com o Zé Luiz.
28:46Eu acho que a TV volta, sim, a ter uma importância, até por dois fatores.
28:51O primeiro é o fato de que a maioria dos candidatos já está fazendo campanha em rede social informalmente.
28:59As candidaturas estão postas aí há meses, né?
29:02Esse pessoal está batalhando audiência, contato com as bases nas redes sociais.
29:05Em segundo lugar, uma certa saturação.
29:09As pessoas ficaram meses em casa.
29:11E durante aquele período inicial do isolamento, em que sair era praticamente impossível, né?
29:17A atividade eram as redes sociais.
29:19As lives no Instagram atingiam picos.
29:22A gente sequer conseguia assistir, às vezes, né?
29:24De tantas lives que estavam ocorrendo simultaneamente.
29:26Hoje em dia não é mais assim, né?
29:28O índice de lives diminuiu muito.
29:30Então, eu penso, sim, que a TV vai fazer uma diferença nesse momento, né?
29:34Ia fazer a mesma colocação, o mesmo apontamento que você já propôs.
29:38Acredito que os candidatos de lideranças muito importantes não estão conseguindo capitalizar politicamente,
29:43transformar esses apoios, né?
29:45Em algo declarado.
29:47Eu destacaria também a Fernanda Mazelli, que é a candidata do Amaro Neto, que é um fenômeno de popularidade, né?
29:53Parece que eles têm até um vídeo juntos, ou fotografias, coisas assim.
29:57Mesmo assim, ela sequer é citada nessa faixa etária da juventude.
30:02O Coronel Ferrari também é ligado ao ex-governador Paulo Artung, né?
30:06Que é uma liderança que tem ali um eleitorado fiel.
30:08E também está com um índice de aprovação, que tem um espaço grande para crescer.
30:14Só que gostaria de chamar atenção para a dificuldade na captação desse voto jovem.
30:19Como eu já coloquei em outras análises, o Tribunal Superior Eleitoral indicou que entre 16 e 18 anos,
30:26apenas um em cada cinco jovens tirou título.
30:29Há vários cientistas políticos, como Carlos Couto, que tem chamado a atenção para o desencanto, né?
30:34Para a desilusão, sobretudo essa faixa etária que está começando a ter atuação política formal agora,
30:38para a atividade política e, sobretudo, para o sistema político partidário.
30:41Então, eu penso que aí é um voto muito difícil, né?
30:46Como especialistas têm apontado, mas existe um terreno grande para crescer.
30:50Esse é 66%.
30:51Se você olhar exatamente, é onde a faixa tem menos decisão de voto.
30:57E essa coisa de rede social, eles usam a rede social?
31:00Usam, mas não para a política.
31:03Isso é uma coisa que o mundo vai ter que resolver,
31:06que é o mundo está ficando despolitizado.
31:09A política está ficando uma coisa suja, né?
31:13As pessoas, às vezes, falam com nojo da política sem compreender
31:17que o processo político é o processo do avanço da humanidade.
31:22Não tem...
31:23Necessário.
31:23É necessário, é obrigatório.
31:25Nós precisamos nos envolver com política.
31:28A política é fundamental, sabe?
31:31Então, à medida que as pessoas não se envolvem com política
31:35e ficam achando que a política é uma coisa suja,
31:37que só entra quem não deve,
31:40esse é um defeito enorme da sociedade.
31:43A sociedade precisa compreender que ela precisa de participar politicamente,
31:47que ela precisa ser protagonista do que é feito para ela.
31:51Não adianta a gente achar que vai aparecer o pai,
31:54vai aparecer um pai que vai resolver os problemas do mundo,
31:57que não resolverá.
31:58Deus, se existe, é lá, não é aqui.
32:01Sabe, ele pode...
32:03Tem gente que acredita em Deus,
32:05acho que Deus tem um...
32:08Nada contra,
32:09mas ele está lá fora.
32:10Aqui quem tem que resolver somos nós.
32:13Se ele existe, ele nos dá a condição de resolver
32:15e nós temos que participar,
32:17temos que estar presentes.
32:18As pessoas têm que participar da política.
32:21Mas aí todo mundo é uma acomodação danada,
32:23todo mundo quer se acomodar,
32:25ninguém quer ter trabalho.
32:27A vida dá trabalho, gente.
32:29Qualquer coisa.
32:30Então, para conseguir, a gente tem que trabalhar.
32:32A gente tem que participar do processo político.
32:34E eu fico muito assim, incomodado,
32:36quando eu vejo 66% de jovens
32:39que estão aqui como indecisos,
32:41se você somar com ninguém branco e nulo,
32:43você chega a 80% dos jovens.
32:4680% dos jovens,
32:47provavelmente, não estão nem procurando
32:50quem são os candidatos,
32:51apesar da rede social poder fazer.
32:53O que eu estou dizendo, a rede social não vai ajudar tanto
32:58quanto já ajudou.
32:59Eu acho que a TV tem um processo mais importante,
33:03apesar de que a TV não alcança essa turma de 16 a 24.
33:07Os candidatos têm que saber como é que vão alcançar esse pessoal.
33:10Vamos lá para o próximo cruzamento.
33:12Agora a gente vai para a intenção estimulada
33:14e a gente avalia classe social.
33:17O prefeito tem um certo equilíbrio,
33:22mas na D e E, mais uma vez,
33:24a gente vê um pouco a distância, né?
33:27Quase 10 pontos de distância em relação
33:29às classes A, B e a classe C.
33:32E a gente vê também
33:34o inverso, que a gente já falou também,
33:37dentro do universo do Carlos Vom,
33:38que tem mais eleitores
33:40que se declararam eleitores dele,
33:43dentro da classe A, B.
33:45Isso corrobora o que a gente está discutindo aqui,
33:48não é isso, Gabriela?
33:50Definitivamente, definitivamente.
33:52Inclusive, a questão da presença
33:55muito marcante do Estado
33:56nesse período de pandemia, né?
33:58A aprovação robusta do atual prefeito
34:01nas classes D e E
34:03deixa isso bastante claro.
34:05Chama atenção, mais uma vez,
34:07Coronel Ferrari, por exemplo,
34:09não tem aprovação,
34:12o Coronel Ferrari,
34:13que é ligado ao ex-governador Paulo Artung,
34:14que sempre foi bem votado
34:15em classes AD, né?
34:17E que tem um público muito fiel.
34:18Não tem aprovação.
34:19Jetson Merizio também não tem
34:21nas classes AD.
34:22Então, eu penso que seja
34:26um campo para crescimento.
34:28Eu queria aproveitar a fala da Gabriela
34:30e botar um negócio aqui em discussão.
34:32Vamos lá.
34:32que é a importância do governador,
34:36do Amar, do Paulo Artung.
34:37Nós lá, pela experiência que nós temos,
34:40pelo tempo que nós temos já fazendo pesquisa,
34:43a gente compreende que no século passado
34:46essas figuras tinham importância
34:48no processo eleitoral.
34:51Atualmente, é lógico que é bom
34:53a pessoa saber que você conta
34:54com o apoio do governador,
34:56mas ele é pouco para a decisão de voto.
34:59Como ele, e eu estou pegando a figura
35:02do governador, que para mim é a figura
35:03mais importante que você poderia ter
35:06no processo eleitoral municipal, né?
35:09Mas ele é pouco para ele definir o voto.
35:12O voto é definido em cima do candidato.
35:16Por exemplo, o Amaro pode ajudar a Fernanda?
35:18Pode.
35:19Mas ele só vai ajudar a Fernanda
35:21se a Fernanda ficar em pé.
35:23Se a Fernanda tiver musculatura
35:25para disputar a eleição.
35:27Idem para o Jadson,
35:29idem para o Coronel Ferrari.
35:30Nenhum deles vai se eleger
35:32porque...
35:33Só por causa do apoio.
35:34Só por causa do apoio.
35:35Muito pelo contrário.
35:36O apoio pode ajudar?
35:37Pode.
35:38Mas o apoio ajuda
35:39aquele candidato que tem musculatura,
35:41que está em pé,
35:42que a pessoa...
35:43Que é viado, né?
35:43É, eu voto é no Edu.
35:45Eu não voto no amigo do Edu
35:46que está pedindo para eu votar nele.
35:48Sobretudo em municipais.
35:49Entende?
35:50É, isso é uma coisa
35:51que a gente precisa considerar.
35:53É, a gente...
35:53Lá, eu me lembro a eleição,
35:55se eu não me engano,
35:56foi de 96.
35:58Foi de 96.
35:59Que o Maluf elegeu o Pita.
36:04Aqui o Paulo Artung elegeu o Luiz Paulo.
36:08E aí você teve isso
36:10em vários municípios brasileiros.
36:12O prefeito ou o governador,
36:14que era muito bem avaliado,
36:16tinha capacidade de fazer o seu sucessor.
36:19Ou até o seu sucessor ou o seu indicado.
36:22Hoje isso não existe mais.
36:24É lógico que não...
36:26Não estou dizendo que o governador não é importante,
36:28nem que o presidente,
36:30nem que o Amaro.
36:31Não é isso.
36:31Eles são importantes.
36:33Só que eu não voto em quem é amigo deles.
36:36Eu voto em alguém que eu conheça,
36:38que eu tenho informação,
36:39que eu acredite,
36:40que eu acredite nas propostas.
36:42A eleição municipal,
36:44eu até discuto muito essa coisa de ideologia.
36:47Ideologia no Brasil é um negócio muito complicado.
36:50A gente vê agora praticamente o seguinte,
36:52o eleitor do Nordeste,
36:53que votava no Lula,
36:55está mudando para o Bolsonaro.
36:58A ideologia no país,
37:00se tem,
37:00é em 10, 15% do eleitor.
37:03Os outros 85% querem saber
37:05o que vai melhorar a vida pessoal dele.
37:08independente se o cara é de esquerda,
37:09direita, de centro.
37:11Isso conta para nós,
37:13que vivemos aqui,
37:14que vivemos na política.
37:15Para a maioria do eleitorado,
37:17o que conta é a vida pessoal dele.
37:19O que esse cara pode melhorar na minha vida?
37:22E essa proposta que ele está fazendo,
37:24é crível,
37:25eu acredito,
37:26eu acho,
37:26ele tem competência para fazer isso,
37:29ele tem carisma,
37:30ele me convence.
37:33É isso que a gente tem que pensar um pouco,
37:36as eleições municipais não são ideológicas.
37:40Tanto é que aqui,
37:41aqui em Vitória,
37:42nós temos um candidato do PT na frente.
37:45Por quê?
37:45Porque foi um bom prefeito.
37:47É isso que as pessoas têm que,
37:49isso que os candidatos precisam considerar.
37:52Agora eu vou continuar o debate com a Gabriela,
37:55mas antes eu vou discordar um pouquinho de você,
37:57pelo seguinte.
37:59Mas só um pouquinho,
38:01e chamar a atenção para uma informação
38:04que a gente vai ver acontecendo as eleições.
38:06A gente tem, por exemplo,
38:08na Serra,
38:09o prefeito que não pode se reeleger,
38:11já está cumprindo o segundo mandato,
38:12e tem um candidato.
38:13E a gente tem em Viana,
38:15o prefeito que não pode se reeleger,
38:16e está apoiando um candidato.
38:18Então a gente vê se a gente,
38:20se essa realidade pode mudar um pouco, né?
38:23Se a gente pode ter um gestor bem avaliado.
38:25Edu, eu só vou dizer o seguinte,
38:26o Aldifas só reelege o candidato dele,
38:29se o candidato dele ficar em pé.
38:31Tudo bem.
38:31Se o candidato dele não ficar em pé,
38:32o Aldifas não elege.
38:33E a gente comenta sobre o Aldifas
38:35lá na sexta-feira,
38:36quando sair a pesquisa da Serra.
38:38Não vamos antecipar,
38:39vamos continuar aqui em Guarapari.
38:40Mas assim,
38:41só para colocar uma lenha na fogueira,
38:42também lembrar que a ex-presidente Dilma
38:45foi eleita na esteira do ex-presidente Lula,
38:47que foi muito bem avaliado.
38:49Duas vezes ela foi eleita e reeleita.
38:52E a gente sabe que teve...
38:53Reeleita já foi imagem dela que fez a campanha, né?
38:55Mas sempre atrelada muito...
38:57Mas é uma discussão aí para a mesa de barra.
38:58Eu acho que é uma discussão
38:59e eu contesto bastante.
39:01Acho que foi bastante na esteira.
39:03Não penso que seja determinante, né?
39:05Como ele colocou.
39:06Não é.
39:07Acho que os números comprovam.
39:08Agora, influencia sim.
39:10Porque as pessoas associam projetos
39:13a algo que já foi entregue.
39:14Como temos colocado aqui,
39:16eleições municipais são disputas
39:19sobre entregas realizadas na cidade, né?
39:21A pessoa quer saber o que foi entregue.
39:23E eu vou colocar uma lenha na fogueira também
39:25em relação à questão da concepção ideológica, né?
39:29Os partidos, ok, você tem aí um hibridismo,
39:32você tem uma mistura, né?
39:34Você tem aí coligações pouco prováveis
39:37como essa que temos aqui.
39:38PSD, PSL.
39:40PSD e PSL, bastante poucos prováveis.
39:42Agora, ideologia, né?
39:45Embora no princípio tenha escrito ali
39:47ideia, não se restringe apenas ao campo filosófico.
39:49A forma como os políticos fazem entregas,
39:53a forma como os serviços são prestados,
39:56via de regra varia.
39:57É por isso que eu faço referência
39:59àquela pesquisa que eu já citei
40:00da Universidade de Oxford,
40:01em que eles falam que um bairro
40:04que votou, por exemplo, no PT,
40:07dificilmente na eleição seguinte,
40:08esse cara tabulou pesquisas entre 94 e 2018,
40:12dificilmente na eleição seguinte
40:14aquele mesmo bairro vai escolher o PSL.
40:16Então, assim, a pessoa nas municipais,
40:18ela vai escolher em quem votar
40:20apenas porque o governador apoia
40:22ou apenas porque o Bolsonaro disse
40:24nominalmente que vai apoiar aquele candidato?
40:26Claro que não.
40:27Eleições municipais são dos detalhes,
40:30das entregas na cidade, da vida diária.
40:32Porém, o recorte ideológico é um pouco mais profundo
40:37do que a gente apenas pensar,
40:38essa dicotomia entre direita e esquerda,
40:40que está, sim, um pouco mais confusa,
40:41e os apoios, sobretudo locais,
40:43embora não sustentem,
40:46eu acredito que influenciem, sim,
40:47em um determinado nível.
40:49Vamos continuar a discussão,
40:50mas aqui na tabela de rejeição agora.
40:52Vamos lá.
40:53Rejeição estimulada à classe social.
40:55Aí a gente vê o Edson Magalhães
40:56com 44,4% dos entrevistados da classe AB
41:01disseram que rejeitam o prefeito,
41:05o atual prefeito.
41:06Como é que você vê essa...
41:07Eu vejo que se a maioria do eleitorado
41:10de Guaraparei fosse a B,
41:11o Edson não se reelegeria.
41:13Não teria nenhuma chance.
41:15Acho até que nem seria candidato.
41:17Mas?
41:17Mas, como a percentual da classe AB
41:20é muito pequena,
41:21quando você vai, você vê lá,
41:22ele tem 27,3% no total.
41:25Isso.
41:26E a única baixa é a D.E.,
41:27que está com 25.
41:28É quase que puxa para a média.
41:30A D.E. em Guaraparei,
41:32ela é tão substancial
41:34que as médias ficam todas próximas dela.
41:37E a gente pode ver nesse número, né?
41:38Que faz muita diferença, né?
41:40Exatamente.
41:40Exatamente, faz muita diferença.
41:42E aí você tem o Edson
41:44com uma rejeição mais forte na classe AB,
41:47mas o Von também com uma rejeição mais forte
41:50na classe AB.
41:52Você vê que a rejeição do Von também cai.
41:55Também é por questão de conhecimento,
41:57é por questão de informação,
41:58que as pessoas estão mais informadas.
42:01Depois a gente pode voltar,
42:03tem outras,
42:04essa discussão ideológica,
42:05mas essa discussão ideológica no Brasil,
42:07ela cabe muito pouco,
42:09porque no Brasil tem um, dois, três partidos
42:12que efetivamente são reconhecidos
42:14com ideologia,
42:15que seguem a ideologia.
42:17O resto é tudo muito misturado.
42:19Nós temos uma sopa de letrinha no Brasil,
42:21ninguém sabe quem é quem,
42:23por exemplo, o PSL.
42:24Ah, o PSL é de direita.
42:26Será que todo mundo que faz parte do PSL,
42:29o PSL tem um estatuto que é efetivo de direita?
42:32Nós temos algum partido no Brasil
42:35que tenha um estatuto de direita?
42:37Porque, na verdade, nós temos valores,
42:41nós temos partido que tem valores de direita
42:43e economia de esquerda,
42:45e temos partido que tem valores de esquerda
42:46e economia de direita.
42:47Isso, eu acho, é uma coisa que no mundo
42:50está sendo atropelada.
42:52Essa coisa da ideologia,
42:54você tem lá,
42:55nos Estados Unidos, você tem dois partidos.
42:57Ah, tudo bem.
42:58Tem dois partidos, você escolhe um ou outro.
43:01Cada um ideologicamente é reconhecido.
43:04Agora, você pegar um candidato aqui
43:07que se diz de direita e achar
43:08que ele vai atuar com os princípios,
43:11com os valores de direita,
43:13não necessariamente é verdade.
43:15Nós aqui temos uma mistura ideológica
43:17muito grande.
43:18Não estou dizendo que a ideologia
43:19não é importante.
43:20É lógico, você tem pessoas...
43:23Pessoas de esquerda são reconhecidas
43:25por terem, teoricamente,
43:27uma ação mais voltada para o social
43:29e de direita para a economia.
43:32O Bolsonaro é de direita?
43:35Economicamente, ele não é de direita.
43:36Pega as votações que ele teve
43:38na Câmara dos Deputados,
43:40nos sete mandatos dele,
43:42ele votou com o PT o tempo todo.
43:44O Bolsonaro se apropriou
43:46de uma demanda que a população tinha
43:49e muito inteligentemente
43:50se encaixou
43:52numa proposta de direita.
43:54Agora, os valores dele são de direita,
43:56mas economicamente ele não é de direita.
43:59Gabriel?
44:00Eu acho que depende de como você entende
44:01direita e esquerda.
44:02Se você fala, por exemplo,
44:03de uma direita ligada ao campo do liberalismo,
44:05e aí cabe uma discussão filosófica
44:07em minha análise,
44:08um pouco mais aprofundada,
44:09talvez realmente o Bolsonaro
44:11não seja um partido de direita.
44:12Agora, no campo dos costumes, por exemplo,
44:13é, e é bastante identificado
44:15como direita.
44:16Quando você fala em PSL
44:17para a população que tem algum nível
44:19de informação sobre o sistema partidário,
44:21PSL é sim um partido de direito,
44:22o que não significa
44:24que no campo da direita
44:25não caiba nenhum tipo
44:26de intervencionismo nenhum.
44:27Eu não acho que a dicotomia
44:29direita e esquerda
44:30seja inexistente
44:32e também não acho que seja identificável.
44:34Eu penso que não é majoritária.
44:36No Brasil, nós não temos aí
44:37uma majoritariedade de siglas
44:40capazes de serem de identificação.
44:41Agora, via de regra,
44:43direita e esquerda,
44:43desde a Revolução Francesa,
44:45tem aí alguns parâmetros basilares,
44:47e na forma de entregar,
44:50existem diferenças sim.
44:51Em relação à identificação das esquerdas
44:54com foco mais social,
44:55eu também divirjo,
44:56eu acho que são formas
44:57de fazer entregas sociais distintas.
44:59No meu entendimento,
45:00as esquerdas estão mais associadas
45:02à discussão por uma perspectiva coletivista,
45:06e à direita,
45:07à geração de emprego e renda
45:09pelo viés econômico.
45:10Então, eu tenho alguns conceitos
45:12um pouco diferentes do José Luiz.
45:14Repito, não acho que eleições municipais
45:16seja um parâmetro basilar,
45:17seja algo prioritário.
45:18Eu penso que a população
45:19se importa mais com entregas,
45:22com a forma como medidas
45:24que, no entendimento dela,
45:26beneficiam,
45:27e aí também cabe uma discussão.
45:28Às vezes, você vai ter,
45:29no bairro simples,
45:30uma medida que beneficia,
45:31mas aquilo vai ter um custo enorme,
45:33que o município vai ficar endividado,
45:35e essa mesma população mais simples,
45:37que no Brasil paga muitos impostos,
45:39até porque o Brasil,
45:40o taxa de consumo,
45:41vai ser impactada.
45:43Então, eu vejo assim,
45:44não acho que não influencia,
45:45acho que influencia sim,
45:46mas que não seja prioritário.
45:48Em relação aos apoios,
45:49também não acho que definam,
45:51mas que são importantes sim.
45:53Sobre a rejeição na classe AD,
45:54apenas finalizando,
45:55que já estou falando bastante,
45:58eu sigo,
45:59acompanho a análise do José Luiz,
46:01e acredito que esteja relacionada
46:04à questão da disponibilização de formação.
46:06Quanto mais você sabe sobre uma gestão,
46:07mais você tem condição de criticar.
46:09Mas, como em município nenhum,
46:11a classe AD é bem minoritária,
46:14então não compromete,
46:16não acho que essa taxa de rejeição
46:17comprometa a eleição,
46:19a não ser por conta do suporte
46:21de setores produtivos importantes.
46:22Eu acho que esse é um detalhe significativo também.
46:25O apoio de setores produtivos em municipais
46:27tem aí uma certa importância.
46:29Bom, muito obrigado, José Luiz Orrico.
46:32Muito obrigado, Gabriela.
46:33Hoje a gente teve uma discussão
46:34bastante interessante.
46:37Agora a gente vai ver,
46:39a gente vai ver na prática
46:41como é que isso vai funcionar
46:42no resultado das eleições, obviamente.
46:45Se os apoios vão fazer muita diferença,
46:47se não vão fazer,
46:48como cada candidato,
46:49independente do vencedor ou não,
46:51como cada candidato vai sair das eleições.
46:53A gente vai ver o peso disso.
46:55O Amaro pode entrar na eleição
46:57de peito aberto.
46:58O governador não pode.
47:00O governador, ele pode,
47:02é lógico que ele vai atuar,
47:03ele quer que o candidato dele vença,
47:05mas ele não pode
47:07se expor a disputar a eleição.
47:09Um ou outro caso pode ser,
47:11mas na maioria dos casos,
47:12acho difícil que o governador se exponha.
47:14A seguir, cenas dos próximos capítulos.
47:17Vamos ver no resultado das eleições
47:18e vamos ver nas outras pesquisas
47:20que vêm por aí.
47:21Bom, dia, Gabriela.
47:23Um prazer estar com vocês mais uma vez.
47:25Obrigada, Edu.
47:26Obrigada, José Luiz.
47:27E até amanhã.
47:28Legal.
47:29Muito obrigado a vocês dois.
47:30Amanhã a gente está junto de novo.
47:31Amanhã a gente tem pesquisa de...
47:33Vila Velha.
47:33Vila Velha.
47:35Amanhã, eu acho que vai ter mais discussão ainda,
47:37mas vamos ver.
47:38Bom, muito obrigado pela presença de vocês.
47:40E a você que nos acompanhou também.
47:41A gente fica por aqui.
47:42Daqui a pouco, 10h30,
47:43a Gabriela comenta a pesquisa de Guarapari
47:45na Rádio Jovem Pan News.
47:47E amanhã a gente volta para falar
47:49sobre a pesquisa de Vila Velha.
47:51Se você quiser saber mais sobre a pesquisa de Guarapari
47:53e todas as pesquisas que nós divulgamos até agora,
47:57é só acessar o Folha Vitória.
47:59O conteúdo está todo lá disponível
48:01e de graça para você.
48:03Muito obrigado pela sua companhia.
48:04Até a próxima.
48:05Tchau.

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