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No Estado, o número de casos está em fase de estabilização, mas números de contaminações no interior chama atenção
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00:00Estou recebendo no estúdio a médica pneumologista, a doutora Jéssica Poles.
00:04Boa tarde, doutora Jéssica. Bem-vinda ao Fala Espírito Santo.
00:07Bem, a gente viu aí uma fala do secretário com a preocupação do aumento de casos.
00:12Isso está acontecendo, a gente vê aí diariamente, vamos acompanhando os números.
00:16E esses casos estão subindo agora no interior.
00:19Uma situação que mudou, né?
00:21Antes a gente via concentração de casos na Grande Vitória e agora já passou para o interior do Estado.
00:26Sim, à medida que a população vai se contaminando, que é o que aconteceu aqui na Grande Vitória,
00:33os casos começam a se estabilizar.
00:36Então, apesar de ainda aumentando, tem uma tendência a não aumentar.
00:43Enquanto isso, os casos vão avançando para o interior.
00:46Isso está acontecendo em todo o Brasil.
00:48Então, São Paulo, isso está acontecendo muito claramente.
00:50Os casos na Grande São Paulo começam a diminuir, mas no Estado, o interior ainda mantém um número elevado aí
00:58de contaminados e de óbitos.
01:00Isso acontece em todo o país, né?
01:03Está acontecendo em todo o país.
01:03Então, esse é um processo natural mesmo, do avanço da doença, né?
01:08E aí a gente continua com números elevados de óbitos, de pessoas contaminadas,
01:12porque numa região começa a ficar controlado, mas isso avança para outras regiões.
01:18É o esperado mesmo.
01:19Pois é, inclusive, nesta semana, gente, nós tivemos aí, falamos aqui no Fala Espírito Santo,
01:24em toda a programação da TV Vitória, sobre o recorde de casos confirmados por dia desde o início da pandemia.
01:31Foram quase 2 mil num dia.
01:32Mas aí, atualmente, a Secretaria de Saúde, ela dá um número geral, ela não divide por região.
01:39Então, a gente não pode dizer, olha, a maioria das confirmações de agora estão vindo do interior do Estado.
01:44Acredita-se que seja isso que esteja acontecendo, né?
01:46Também. A gente também tinha um atraso nos resultados.
01:51Então, agora, isso também não está acontecendo mais.
01:54A gente tem aí os exames sorológicos chegando com muita força.
01:58Isso vem ajudando muito na gente ter mais diagnósticos.
02:03Essa é que é a verdade.
02:04Então, dá aquela impressão, ah, está aumentando muito.
02:07Não é bem assim.
02:08Os casos já estavam altos, só que agora a gente consegue numerá-los, né?
02:13Consegue colocar eles para dentro como números reais.
02:16E olha, a gente, vamos conferir mais um trecho do pronunciamento do secretário estadual de saúde.
02:21Ele disse que a grande vitória vive uma fase de estabilização de casos.
02:26Nós, de fato, consolidamos a percepção de que o platô, a estabilização ocorreu, de fato, na grande vitória,
02:36com um destaque especial para o município da vitória.
02:39Nós qualificamos muito a capacidade de testagem do Espírito Santo.
02:44Isso se reflete na quantidade de casos positivos que estão sendo informados diariamente no nosso painel,
02:50que refletem tanto a qualificação da testagem do LACEM,
02:54que já não tem mais as dificuldades de extração, de reação, como nós tivemos em um momento anterior.
03:01O nosso laboratório central já está tendo o reconhecimento dos pacientes,
03:06o reconhecimento dos municípios capixabas, dos hospitais,
03:09para melhorar o desempenho dele na liberação dos resultados.
03:13Então, olha, está aí mais um trechinho do que disse hoje o secretário Nézio Fernandes,
03:17secretário estadual de saúde, reforçando exatamente o que a senhora acabou de falar,
03:21essa coisa da testagem, né?
03:22Sim. Agora a gente consegue fazer, através dos testes serológicos,
03:27a gente consegue fazer mais diagnósticos, coisa que a gente não podia.
03:30O LACEM também, no início, estava muito sobrecarregado
03:33e isso parece que foi, com o tempo, isso foi melhorado e hoje já tem um serviço melhor.
03:40Então, muitos que não estavam sendo notificados, agora estão notificados.
03:46E o bom, eu considero bom, é que a gente parece que atingiu realmente um platô.
03:51A gente não vê mais, pelo menos aqui na Grande Vitória, esses números tão discrepantes.
03:56Realmente, há uma interiorização da doença nesse momento.
03:59Pois é, e vamos entender exatamente como é que são esses cálculos, né?
04:03Esse platô da doença, que é essa estabilização que o secretário falou agora,
04:08a doutora Jéssica também explicando um pouquinho pra gente.
04:11Vou colocar aqui na nossa conversa o professor do Departamento de Matemática da UFIS,
04:15o Eteréldes Gonçalves Júnior, que também é integrante do Núcleo de Assessoramento Técnico
04:21ao Governo do Estado nos assuntos relacionados à Covid-19.
04:25Boa tarde, professor. Obrigada por atender a nossa equipe, viu?
04:29Boa tarde, Liana.
04:31Bem, professor, a gente teve aí...
04:34A gente teve uma fala que chamou a atenção do secretário hoje, explicando sobre o platô.
04:40Grande Vitória estaria entrando numa estabilização da doença.
04:45Mas como é que isso é calculado?
04:47Como entender esses números, já que a gente vê que os casos ainda estão aumentando no nosso estado?
04:55Então, Juliana, é bom explicar direito o que significa esse conceito, porque uma hora se fala em pico,
05:02outra hora se fala em platô e o pessoal talvez não entenda bem o que significa isso.
05:08Quando a gente fala em casos confirmados, diariamente, óbitos confirmados também,
05:15a curva só vai aumentando, porque só vai subindo, porque você só vai acrescentando números novos na curva,
05:22nos casos, então ela só vai subindo.
05:25Então, o platô significa quando ele sobe numa velocidade menor,
05:29começa a ladeira ficar menos íngreme,
05:33começa a ficar mais horizontal a curva.
05:37Aí chama-se o platô.
05:40Como é que a gente observa isso?
05:41Quando os números de casos novos vão caindo comparado com o passado,
05:46eles vão diminuindo.
05:49Isso é o platô da curva de casos confirmados.
05:52E de óbitos, a mesma coisa.
05:54Quando os óbitos novos, os óbitos diários vão diminuindo comparando com o passado.
06:01Então, aí a gente consegue ter uma ideia, entender um pouco a evolução da doença aqui no estado.
06:09Então, a gente realmente começa a chegar nessa estabilização,
06:13mas não quer dizer que os casos não estão aumentando.
06:16É só a curva, porque a gente estava vendo uma curva bem, que estava crescente, né?
06:20Era uma curva que ia subindo.
06:21Agora ela continua subindo, mas de uma outra forma, de uma forma mais lenta.
06:27Isso, a ladeira está menos íngreme, né?
06:30A subida está mais suave.
06:31A gente pode dizer assim, a subida vai ficando mais suave.
06:34O pessoal entender melhor em casa.
06:37A gente teve uma fase muito aguda da doença no final de maio, início de junho.
06:43E nessa fase muito aguda, que a gente tinha velocidade de contágio aí acima de 1,8.
06:49Então, a ladeira estava muito íngreme, subindo muito rápido.
06:54Principalmente por conta da Grande Vitória.
06:57E agora a Grande Vitória parece que já tem um platô sustentado.
07:03Ela já está numa ladeira bem quase horizontal.
07:07Sustentado não significa que você tem poucos casos, né?
07:11Porque você está no alto da montanha, então ele está lá, como é que eu vou dizer, estável, mas não
07:20estável em um patamar muito alto, né?
07:23Pois é, o governo...
07:23Então a gente tem aí...
07:26Pode falar, desculpa.
07:27Professor, o governo, ele vem falando, na região metropolitana, ele já tocou, até inclusive o secretário já esteve aqui no
07:34estúdio,
07:35falou um pouquinho sobre isso, que Vitória e Serra estariam com os casos mais estabilizados na região metropolitana.
07:42Aí no núcleo, na UFES, vocês têm acompanhado esses números, vêm registrando esses resultados.
07:48Como é que está a situação da Grande Vitória?
07:52Então, a gente, para chegar a uma conclusão mais segura, né, de que de fato a gente está numa situação
07:58mais amena, né, já passou pela fase mais aguda,
08:01e é também importante dizer que essa fase mais aguda é daquela população que estava exposta ao vírus, né,
08:07porque a gente tem uma população confinada há mais de 100 dias, que a gente precisa mensurar,
08:13porque quando a gente abrir as escolas, por exemplo, essa população vai ser exposta ao vírus,
08:19então a gente deve ter um novo pico de contágio.
08:26Mas da população exposta, a gente percebe que tem um decaimento já sustentável dos casos novos na Grande Vitória.
08:33E a gente faz isso analisando vários fatores, né, a gente olha para a curva de óbitos,
08:40a gente olha para a curva de casos confirmados e a gente olha para a curva de casos ativos.
08:46Então, as três curvas têm que dizer a mesma coisa.
08:49A curva de casos confirmados, ela tem que ter uma subida muito mais suave,
08:55e está dizendo que está entrando na fase de platô.
08:58A curva de casos ativos, que são os casos novos, né, as pessoas vão se curando,
09:02então vai diminuindo os casos ativos.
09:05Então, a curva de casos ativos tem que ter atingido um pico há um tempo atrás,
09:10assim, a gente espera que tenha ocorrido há 12, 14 dias atrás.
09:16E a curva de óbitos também agora está começando a descer na região metropolitana da Grande Vitória.
09:23Então, essas três coisas juntas significam que a fase mais aguda dessa população que está exposta já está passando.
09:34Porque, professor, a gente falando exatamente, né, sobre essa estabilização de casos,
09:38que a gente começa a entrar na Grande Vitória, mas também temos um pico para agosto.
09:44Fica difícil da gente entender, mas está estabilizado, mas o pico não chegou.
09:48É bom explicar também esse conceito do pico, o que significa o pico da doença, que tanto se fala por
09:55aí.
09:56O pico é o pico de casos ativos.
10:00Então, assim, é no momento em que você teve mais casos novos da doença, por exemplo,
10:05depois só diminuiu o número de casos novos.
10:07Isso é o pico.
10:08Então, você não pode olhar para o pico da curva de casos confirmados, porque ela não tem pico.
10:13Ela só sobe e chega uma hora que ela fica horizontal, que ela para de subir, porque não tem mais
10:19nenhum caso novo.
10:20Aí ela fica reta horizontal.
10:22Então, essa curva não tem pico.
10:23A curva que tem pico é a curva de casos ativos, ou a curva de casos novos diários.
10:28Entendeu?
10:29Essa curva tem um pico.
10:31Então, a gente, no Brasil, não chegou nessa fase ainda.
10:34E no Espírito Santo também não.
10:37Por quê?
10:37Porque no Espírito Santo a gente tem duas regiões muito bem delimitadas, e que uma já passou por essa fase
10:44mais aguda e a outra ainda está subindo.
10:46Então, quando você soma as duas populações que vai dar ao Espírito Santo inteiro, uma está caindo e a outra
10:52está subindo.
10:53Então, o que você percebe é uma espécie de estabilização na soma.
10:58Mas se você separar as duas regiões, você vai ver que a região metropolitana está caindo, o número de casos
11:06ativos, e a região do interior está subindo, numa velocidade que a gente estimou em 1.4 agora.
11:15Pois é, ou seja, 1.4, o que isso representa, professor?
11:23Representa, basicamente, que 10 pessoas contaminadas contaminam outras 14 numa contaminação secundária.
11:32E assim sucessivamente.
11:33O ideal, ou seja, então 1.4, 10 transmitem para 14.
11:37Qual seria o ideal para a gente poder chegar a uma tranquilidade maior e até flexibilizar, voltar à vida normal,
11:46flexibilizar essas determinações de isolamento que foram feitas?
11:52Então, quando essa velocidade é 1, significa que chegou a estabilização, que aí você tem, para de crescer, porque cada
12:00pessoa contamina uma outra e no tempo que isso leva para acontecer, a que foi contaminada se cura e a
12:07outra que está contaminada contamina a outra, então o número não sobe mais, ele fica tipo estável.
12:12Isso se chama estabilização, quando essa velocidade é 1.
12:16Quando essa velocidade é menor do que 1, aí está caindo já.
12:20Então, assim, está caindo, o Espírito Santo como um todo começa a cair.
12:25Agora, a gente viu aí uma fala de que agosto temos o pico, mas isso não quer dizer que, por
12:32exemplo, em agosto a gente não consiga já ter atingido essa taxa de 1, essa queda, né?
12:40É quando a gente atinge o pico, o ápice da doença, é porque a velocidade ali de transmissão chegou bem
12:48próximo de 1, a velocidade instantânea, né?
12:52E aí, a partir daí, a tendência, essa velocidade ficar abaixo de 1, a partir desse momento do pico.
12:59E, professor, é possível a gente fazer uma estimativa aqui no nosso estado, a tendência para os próximos dias, para
13:06os próximos meses, exatamente dos casos?
13:09A gente já consegue ter esse número mais palpável?
13:14Então, Juliano, o que a gente percebe, como eu falei, a gente tem uma população que está exposta, que está
13:20trabalhando, que está circulando no transporte público, que precisa se deslocar, precisa trabalhar.
13:27Essa população exposta, o pico de contaminação dessa população exposta na Grande Vitória, ele já ocorreu.
13:36Só que, quando a gente... aí, pronto, aí a velocidade fica abaixo de 1, provavelmente na próxima semana, você pode
13:43pensar em flexibilizar.
13:45Só que, quando você fala, por exemplo, em abrir escola, você vai colocar uma população que não foi exposta ao
13:50vírus, que não estava na conta anterior, para circular.
13:54É uma nova exposição, né?
13:55Porque essas pessoas confinadas, principalmente crianças, idosos, professores, funcionários públicos,
14:01tem uma gama da população aí que estava... que ficou confinada esse período, seguindo o isolamento.
14:08Então, essa população não chegou a ser exposta ao vírus.
14:13E agora, com uma flexibilização, vai ser.
14:16Isso é que precisa ser planejado para que não haja um novo pico, talvez, maior do que o que ocorreu
14:23anteriormente.
14:24Então, isso precisa ser, primeiro, calculado qual é essa população que não foi exposta,
14:30para saber, comparar com a população que já está imunizada, para saber qual é o tamanho da próxima onda,
14:40ou a gente pode falar uma crista, dependendo do tamanho da população.
14:43Se for pequena, você vai ter só um pico de contaminação pequeno.
14:46Acho que no último inquérito serológico, o governo do estado destacou que mais de 40% das infecções acontecem,
14:54das pessoas, perdão, infectadas, andam de ônibus pelo menos três vezes por semana,
14:59e a maioria até mais do que isso.
15:01Imagina, 40% dos infectados estavam ali dentro do transporte público.
15:06E essa é uma grande preocupação, né, doutora?
15:09Locais de aglomeração, onde pode acontecer uma transmissão muito maior, né?
15:13Sim, essa é a preocupação, né?
15:15Quanto mais pessoas aglomeradas, maior a contaminação.
15:20E o transporte público tem todos os comemorativos para essa aglomeração, né?
15:26Então, a pessoa quer chegar logo em casa, e aí, às vezes, pega um transporte mais cheio, e aí vai.
15:34E olha, pela internet, estou conversando também com o professor da UFES, o Eteréldes Gonçalves Júnior,
15:39que também é o integrante do núcleo de assessoramento técnico ao governo do Estado
15:45nesses assuntos relacionados à Covid-19.
15:49E, professor, a gente falava aqui um pouco dessa possível segunda onda, né?
15:53Porque falando sobre flexibilização, ou seja, uma volta da rotina,
15:58novos casos podem acontecer, podem voltar a acontecer, e de uma forma muito intensa, né?
16:08É, preciso, antes de fazer uma flexibilização, por exemplo, nas escolas e eventos, né?
16:17Com grandes aglomerações, principalmente de jovens que estão confinados,
16:23é importante que se tenha uma medida exata dessa população que está confinada,
16:29nessa população que vai ser exposta e que ainda não está imunizada,
16:33para poder conseguir planejar essa volta com mais segurança.
16:39Professor, eu queria agradecer a sua participação aqui, conversando com a gente pela internet,
16:44as explicações e reforça aqui a orientação também, que não estamos ainda no momento de descansar, né?
16:51Porque os números ainda estão aumentando, mas a gente segue para uma estabilização.
16:57Eu queria deixar só um, também assim, um alerta, um último alerta, que é o seguinte,
17:03quando a gente chega na fase mais aguda da doença, que a gente ainda não chegou,
17:09significa que a gente está na metade do caminho, né?
17:11A gente já subiu a ladeira inteira, mas a gente ainda vai descer toda a ladeira, né?
17:17Então, a descida também é uma fase muito perigosa.
17:21Então, não é momento de relaxar de forma nenhuma.
17:25Professor, muito obrigada, viu, pelas suas orientações.
17:29Um ótimo dia, bom fim de semana para o senhor.