00:01Há dois meses os caminhões estão assim, parados.
00:04Dois meses já com os caminhões parados, entendeu?
00:07E as dívidas chegando, entendeu?
00:09E eu tô já no desespero.
00:11E a cobrança, as cobranças não param.
00:16Caminhoneiro há mais de 30 anos seu, Jair, já rodou muito.
00:19Criou a família com o dinheiro dos fretes.
00:21Mas com essa pandemia, já não sabe o que fazer.
00:24Muito antes da epidemia, entendeu?
00:26O trabalho já não era muito bom, entendeu?
00:29Então agora, depois que veio a epidemia, praticamente a gente parou.
00:35Ele é o chamado caminhoneiro autônomo, como muitos que rodam pelo nosso estado.
00:40Mais de 2 mil, segundo o levantamento do sindicato.
00:43Funciona assim, eles ganham por frete.
00:45Se rodar, recebe. Se não rodar, nada feito.
00:48Essa semana foi uma só.
00:50Uma viagem?
00:51Isso aí.
00:52Normalmente só fazia quantas?
00:54No normal, a gente faz duas, três viagens por dia.
00:57Por dia?
00:57Por dia.
01:00Seu José diz que o problema é que tem muito caminhoneiro e pouco serviço.
01:04O trabalho sumiu, ele desapareceu.
01:06Tem um monte de caminhoneiro.
01:08É o que mais tem.
01:09É caminhão.
01:10Só não tem trabalho.
01:11Só não tem trabalho mais.
01:12O trabalho sumiu.
01:15É na estrada que eles ganham a vida.
01:19Passam horas, dias, semanas e até meses dentro da boléia de um caminhão, longe de casa, longe da família.
01:27São muitos os desafios dessa profissão.
01:30Desafios que aparecem ainda mais durante a pandemia do novo coronavírus.
01:37O sindicato dos caminhoneiros diz que com pouco trabalho, muitos passam dificuldade nesse momento.
01:42Aí, um ajuda o outro, com doações de cestas básicas.
01:46Os próprios companheiros, caminhoneiros, autônomos, se sensibilizavam com os pedidos que eu fazia através dos grupos,
01:53para nós fazermos doações às famílias necessitadas.
01:59Além da saudade, eles reclamam da falta de serviço, do valor do frete, que não compensa, do preço do combustível.
02:05Está difícil ser caminhoneiro.
02:07Vandinho desistiu da estrada.
02:09Na época que a gente trabalhava, levantava 4 horas da manhã, tinha prazer de trabalhar.
02:15Chegava em casa 8 horas da noite, dava gosto.
02:18Hoje, você só vê motorista, cabisbaixo.
02:21O motorista, você olha assim, que não tem o dinheiro para levar o sustento para dentro da casa da sua
02:25família.
02:28O senhor Nilson reclama também da violência, da falta de segurança nas rodovias.
02:32O senhor tem coragem de pegar a estrada de novo?
02:35Agora não tem mais, não.
02:36Não tem mais coragem?
02:37Não tem mais, não.
02:38Meu filho estava viajando até poucos dias, foi resolver, parou também por causa disso.
02:42Não quer mais mexer com o caminhão também?
02:43Não quer mais também, não.
02:45Por causa do perigo?
02:46Por causa do perigo.
02:49Caminhoneiro há quase 50 anos, ele é daqueles apaixonados pela estrada.
02:54Já rodou o país todo e foi até para o exterior, dirigindo o caminhão.
02:58Outros tempos...
03:00Já fui lá na Argentina, já fui na divisa do Paraguai, ali, Bolívia, entendeu?
03:05Tudo com caminhão.
03:10Saudade, né?
03:11Mas calma, a gente vai superar tudo isso.
03:13O senhor e todos os outros vão voltar a rodar pelas estradas da vida.
03:17No dia 30 de junho se comemora o dia do caminhoneiro.
03:20Então fica aqui a nossa homenagem a todos vocês que movimentam a economia, deixam suas
03:25famílias em casa para transportar e abastecer mercados, comércios, empresas, a vida de todos nós.
03:32O caminhoneiro hoje, a importância dele é 100%.
03:35Aonde que chega o seu arroz?
03:37Em cima de quê?
03:38Em cima do caminhão.
03:39Aonde chega o seu feijão?
03:40Em cima do caminhão.
03:42Aonde que chega a sua carne?
03:45Em cima do caminhão.
03:46O remédio.
03:47O remédio, tudo em cima do caminhão.
03:49Em nome de Jesus, eu quero que acabe logo, entendeu?
03:51Para a gente viver mais em paz, entendeu?
03:53E voltar para a estrada.
03:55E voltar para a estrada, voltar a trabalhar normal.
03:57Deus quiser.
03:58E voltar para a estrada.