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  • há 6 horas
Veja como é um churrasco raiz na fazenda do cantor nativista em São Borja, do abate ao fogo de chão em uma hora e meia.

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Transcrição
00:00Eu sou um gaúcho que tenho tudo na vida, sou um índio taura e ando de chapéu tapeado.
00:06Tenho a mulher que eu achi na caprichosa, cavalo gordo, bençando o lombo e delgado.
00:12De madrugada eu levanto o cantar do galo, bato o sissão e faço um mate bem cunhudo.
00:20Ali que eu vejo que um índio bem a cavalo, com chinê e rancho se torna dono do mundo.
00:27Isso é um shot que eu fiz lá no Itacurubi, de acordo com esse momento que nós estamos aqui.
00:32São momentos de alegria, né?
00:42Quando eu chego aqui, por exemplo, aqui fora, eu deixo de ser um cantor.
00:45Eu volto a levantar de madrugada, abrir uma carne como abria para uma torpeada e comer lá no fundo da
00:51invernada, no campo.
00:53Eu volto a viver esse mundo, nem que seja um dia.
00:56Me ajuda a viver.
00:59As nossas origens, elas fazem parte de nós.
01:02Nós precisamos estar no nosso eixo.
01:04E o nosso eixo faz parte da nossa cultura, das coisas nossas.
01:08Eu acho que isso tem que ser mantido vivo.
01:11Porque os jovens vão precisar depois de tudo isso.
01:14E quem vai deixar para eles, somos nós.
01:23Já vai para o espeto já.
01:24Por isso que eu estou tirando esse lado primeiro.
01:26Porque o certo seria virar ela, tirar o couro primeiro do outro lado.
01:28Eu vou tirar primeiro agora para não perder tempo com a boia.
01:31Primeiro você tira o matambri, já o nome está escrito mata-fome.
01:34Matambri quer dizer mata-âmbri.
01:36Por que ele mata-fome?
01:37Porque ele é cinco minutos e ele está assado.
01:39Então enquanto estão canhando, o matambri está sendo assado e já estão aperitivando na canhada.
01:44A costela é o segundo que sai, porque é mais fácil também de assar ela inteira.
01:48Já vai assando a costela, vai matando a fome da tropa.
01:56É uma vida que você vai, né?
01:58Uma vida que vai para te alimentar.
01:59Então tu tem que saber respeitar isso.
02:01Tu tem que aproveitar o máximo dela.
02:03Porque ela está deixando de viver para te alimentar.
02:07É um animal.
02:09Mas é uma vida.
02:11Como uma árvore que tu derruba.
02:12Eu até estou fazendo um verso agora, uma música nova.
02:15Que é justamente isso.
02:16Eu quero cortar uma madeira de machado e derrubar ela com o suor da minha testa.
02:20Para me valorizar a árvore quando cai.
02:22Então se eu tivesse sacrifício para derrubar, eu vou aos poucos aprendendo a valorizar a árvore que vai deitar.
02:32São culturas diferentes, eu diria, né?
02:34Os argentinos e uruguaios e as fronteiras do Rio Grande do Sul se acostumaram a fazer nas trempes, nas parrijas.
02:41E o Rio Grande do Sul, por questões culturais, também se acostumou a fazer mais no espeto, nas tropeadas, nas
02:50camperiadas e nas churrasqueiras que foram se formando ao longo dos anos.
02:54O Rio Grande do Sul é o que nós trazemos lá.
02:56Legenda Adriana Zanotto
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