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  • há 3 horas
Curta documentário que registra o reencontro emocionante de Chico César com suas origens e destaca o impacto cultural e social que a música ainda exerce. O projeto marca um momento especial na trajetória do artista, celebrando seu legado e a vitalidade contínua de sua obra por meio de uma colaboração internacional e criativa com Jake Savona e o Xeque Mate Estúdios.

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Curta
Transcrição
00:08.
00:12Meu nome é Emerina Telvina Gonçalves da Silva.
00:18Sou irmã de Chico César.
00:20Maria de Fátima, sou irmã de Chico César.
00:23Ele é o Cartier.
00:25Eu sou o pai de Chico César.
00:27E Chico César, a minha esposa é essa senhora aqui.
00:33E a mãe de Chico César.
00:37Chico César toda vida foi um bom menino, estudioso, que me deu trabalho.
00:42Somos a família de Chico César.
01:11César sempre foi uma pessoa muito tranquila.
01:14Como era o caçula, a gente também paparicava muito.
01:17E aí morava no sítio e vinha estudar aqui na cidade, né?
01:21Aqui em Catolé.
01:23E muitas vezes quando a gente voltava, uma pegava embaixo do braço dele,
01:27outra no outro.
01:27Ele ficava meio que pendurado, porque ele era tão pequeno
01:30que a gente era quem levava ele pra poder ir mais rápido.
01:35Sítio Anjos do Povo, que é o lugar que eu nasci, né?
01:38E me criei, assim, até os oito anos de idade.
01:43Lá era tudo sem energia, sem água encanada.
01:49Ia buscar água no Cacimbão.
01:52As minhas irmãs, eu também e tudo.
01:55E a luz era a luz de lamparina, né?
01:58O meu pai a vida inteira teve a nossa casa comandada pela minha mãe junto com a minha tia.
02:05E ele, quando a gente já morava na cidade, já tinha a casa da cidade,
02:10e um belo dia ele chega em casa e diz, olha,
02:12eu vendi a casa lá do Rancho do Povo por 300 reais.
02:17Aí de manhã ele vendeu por 300 reais, minhas irmãs foram tentar comprar,
02:21devolver o dinheiro ao cara que tinha comprado,
02:23aí ele não pede, ah não, é 1.200 agora.
02:26Aí no outro dia, daqui a dois dias já era 3.000
02:29e a gente nunca conseguiu ter essa casa de volta.
02:32Nessa aqui. Mas ela tá bem transformada, né?
02:35Não era esse tijolo, era um tijolinho.
02:39Não, era um tijolinho, aquele tijolo tradicional.
02:41Essa réplica da casa onde Chico César morou quando criança
02:44foi feita com base em fotografias e descrição.
02:48A própria irmã Chico César, Emerina, fez a descrição, desenhou.
02:53Então ela tá fidedigna ao local onde eles moravam, né?
02:59É mais solteira e eu ainda tenho que ir.
03:03E aí, Francisco César, como é que vai?
03:05Tudo bom?
03:06Tudo bom?
03:06Tudo bom, graças a Deus.
03:07Que alegria, rapaz.
03:08Tudo bem?
03:10Eu conheci Chico César desde pequeno, eu gosto muito dele.
03:13É o nosso cantor da terra e a gente não vai deixar de prestigiar uma pessoa dessa, né?
03:19Uma coisa que a gente admira muito, eu e todo mundo, é porque ele não abandonou a raiz.
03:27Vem sempre por aqui, tá sempre... tem um pézinho dele, um tantinho dele em alguma coisa, né?
03:32Porque Chico é um artista conhecido no Brasil e no mundo.
03:35E quando ele vem pra cá e diz, ah, eu tô aqui com minha gente, você é dos meus, eu
03:42vim daqui.
03:43Essas pessoas se identificam com Chico César, se identificam com a música.
03:48Ter um conterrâneo que leva o nome de Católia do Rocha pra tão longe é motivo de orgulho.
03:53É um de nós, esse um de nós pra mim é muito aconchegante, sabe?
03:57Me faz me sentir que eu tô num caminho bom, um caminho de coerência, assim, com a minha história, com
04:06o meu comecinho, assim, sabe?
04:08Aí eu venho aqui e renovo esse vínculo, que na verdade nunca se rompeu, né?
04:27Eu sou uma professora de música, né?
04:28Ima Herací é a minha primeira professora de música, né?
04:30Ela foi minha professora de várias coisas, mas foi principalmente de música.
04:34Trouxe o ensino da música pra todos os alunos, assim.
04:41Foi uma época que Catolé ficou infestado de flautas e amarra.
04:46Aquela flautinha numa sacolinha amarela, assim, né?
04:49Debaixo dos pés de aguaroba, você passava na cidade, tinha sempre alguém tocando Asa Branca, Mulher Rendeira, né?
04:59Love's Blue, que é uma música...
05:06A irmã Herací já desenvolvia um trabalho sócio-educativo que chamava Projeto Gente Que Canta.
05:14Daí Chico César quis unir esses talentos deles dois pra proporcionar a outras crianças oportunidades como as que ele recebeu.
05:27E criaram o Instituto Cultural Casa do Beradeiro.
05:31É aquela sementinha que plantamos lá atrás, né?
05:35Tá conseguindo aglutinar, juntar.
05:37Mesmo que não sejam coisas que sujam daqui, mas que acabam desaguando, passando por aqui também, sabe?
05:44Isso é...
05:45Me dá muito...
05:47Muita esperança e ânimo de falar, não, poxa, plantamos no lugar certo, a semente certa e ela brotou.
05:56Foi um violão com bastante defeito, a gente deixou ele novinho, zerado.
06:01Já teve muita profissão, mas o único que eu amei foi o trabalho da Luteria.
06:05Passou mais de 50 alunos já na Luteria.
06:11Saíram jovens que estão nas principais orquestras do estado, né?
06:16Na Sinfônica, na Sinfônica Jovem, na Orquestra de Campinas.
06:20Muitos jovens estão na Universidade de Música.
06:24Alguns se tornaram professores do PRIMA, que é o Programa de Inclusão Através da Música e das Artes.
06:30A nossa orquestra tem se apresentado aqui, em outras cidades, na capital, em outros estados.
06:37Virou um trabalho e também uma expressão, porque eles são muito inspirados na música armorial.
06:44Eles levam isso com muita alegria, assim, né?
06:47E é muito lindo ver porque eles assumem esse aspecto armorial, que é, como se fossem, vamos dizer assim,
06:52a música erudita do Nordeste do Brasil, do sertão do Brasil.
07:13Mamá África traz para o dia a dia do brasileiro e da brasileira uma coisa que, na época e até
07:20hoje,
07:21não está presente assim no dia a dia das pessoas, né? Que é pensar a realidade da mulher negra.
07:25A música que retrata a mãe, né? Que cuida de seus filhos.
07:30Aquela mulher descriminalizada, perseguida, aquela mulher com mãe solo, que vive a vida, seu trabalho, para cuidar de criança só.
07:38Representa a minha mãe. Porque quando ele cantou, representa a minha mãe.
07:51Somos um país negro, de maioria preta. Sinto que cada vez mais as pessoas se assumem como tal.
08:00Isso traz a África que existe em nós. O Brasil todo tem uma presença africana muito forte, né?
08:07E que precisa assumir essa presença africana em suas políticas.
08:14Não apenas na arte, na dança, na música, no cinema, mas fazer isso para a vida, né?
08:20Onde a gente quiser enxergar uma potência transformadora, muito positiva para o Brasil,
08:28nós temos que olhar para a população preta e os indígenas.
08:33É isso que vai renovar positivamente as forças criativas do Brasil.
08:42Mamá África, a minha mãe é mãe solteira.
08:47I was in Brazil for the first time a year ago.
08:49And I met some friends and asked them, what's your favorite Brazilian reggae song?
08:53And people kept saying, Mamá África, check it out by Chico César.
08:56So I did check out the song and I really liked.
09:00And then in about six months time, I just met all the right people and all the things came together.
09:05And I was able to meet with Chico and I played him a new instrumental version that I'd made of
09:10the song.
09:11And he really liked and the rest is history.
09:13I got some different musicians in the studio.
09:16First, I began with some Jamaicans I work with, the guitarist and drummer.
09:19And then I found some musicians in Brazil that I really liked.
09:24Japa from Baiana System played a lot of the percussion on this new version.
09:28And then I got Natch Rodriguez from Bella Horizonte on the Berenbao and strings and vocals.
09:33And yeah, it came together really, really nice.
09:35It's a much heavier version.
09:37It's very true to the original, but it's much heavier with a strong bass and modern production feel.
09:43I think people are going to love it.
09:44I already knew the work of Mr. Savona.
09:47I've been a few years ago.
09:49I'm a fan of Cuban music.
09:51So, in this, I came in this research and discovered the sound of him.
09:54And by the way, two years ago, I was in the Bahia.
09:58And then they said, you have to meet this guy.
10:00He goes to Cuba every year.
10:01I started to talk with Gringo there.
10:03And then he said, no, my project is Mr. Savona.
10:06Then we called him to go to Belo Horizonte.
10:09He took it in BH, in an event that we did.
10:11And then we started to imagine the idea of this project that he did with Cuba and Jamaica.
10:17To Brazil, and to some artists that we work together, at Checkmate.
10:23And then, the second time he came to Brazil, he said,
10:25He said, I dreamt that I was with you on the show of Chico Cesar.
10:29And he was playing a song, a song of Mama Africa, that I made with him.
10:35I said, that's it.
10:36He dreamt, right, my friend?
10:38I met Savona at the festival of Jurema after the Universe.
10:41We talked about it and we got contacted.
10:43And he sent me a message asking if I knew of someone who knew Chico Cesar.
10:48I said, I know.
10:49I was in São Paulo at the time.
10:53I presented the two.
10:54After that, Chico took part of the project.
10:56At first I wanted to make the version of Mama Africa, the version of Jake.
11:02And then the project was taking other proportions,
11:06like this of the coming to record the clip here.
11:22This is very diverse.
11:24We have many different characteristics of music around the country,
11:30that they connect with our own history.
11:34The music afrodiaspórica.
11:36The music that Chico does have to do with the folia that happens here in the region.
11:42So, Mama Africa,
11:43in addition to carrying very nitidamente in the words,
11:47this place, also in our imagination,
11:50about Africa and about our ancestrality,
11:52it speaks of a place that is very Brazilian,
11:54in the sense that he was born here in this territory.
11:57I'm a fan of Chico,
11:59of many years already,
12:00since the 90s,
12:01when I was born here.
12:03This figure started from a invitation from Checkmate
12:06to be able to create a piece from zero,
12:09a piece personalized for Chico,
12:11something that related to the first clip of Mama Africa,
12:14that brought these references of pieces built with manuality,
12:19that brought these references also from the desert,
12:21the land of their land.
12:22A partir of this, I did a research on the territory of the Paraíba,
12:25the topography,
12:27the morons,
12:28all the densities of this wonderful state
12:31to create abstract forms
12:33and make this application
12:34in the figurine more lyrics.
12:37The Mama Africa means,
12:39for me,
12:40resistance.
12:41It represents a little
12:43cliquinho
12:43do brasileiro,
12:45de cada brasileiro.
12:53Hoje, uma moça
12:55me escreveu
12:56na rede social
12:57e disse,
12:58olha,
12:59eu sinto muito orgulho
13:00de usar o meu cabelo
13:02como o cabelo que você usava
13:03no clipe de Mama Africa,
13:05porque isso
13:06é como eu me vejo,
13:08é como eu me sinto
13:09eu mesma, né?
13:13Eu compus Mama Africa
13:15andando na rua,
13:16no bairro de Santo Amaro.
13:18Eu morava lá em São Paulo
13:20e estava indo buscar uma irmã
13:21que se chama Emerina
13:22no aeroporto de Congonhas.
13:25Acho que estava um pouco ansioso,
13:27aí acordei mais cedo,
13:28ela chegaram no voo tipo onze da manhã,
13:30umas sete assim,
13:32eu já estava acordado.
13:34Aí pensei, bom, se eu voltar a dormir,
13:36perigo eu perder a hora de ir buscá-la.
13:39Se eu for de ônibus
13:40ou de táxi,
13:42eu vou chegar cedo demais,
13:43então eu vou a pé.
13:44Então, nisso de ir a pé,
13:46fui vendo as mulheres
13:47que estavam saindo do trabalho noturno,
13:50chegando no trabalho mais...
13:54o trabalho da manhã assim,
13:56mais cedo e tal, né?
13:57Com as suas sacolas,
13:58a sua movimentação,
13:59e eu comecei a cantarolar,
14:02veio essa inspiração, né?
14:04Mama Africa,
14:05minha mãe, a mãe solteira.
14:06E a música veio toda,
14:08né?
14:08Na minha cabeça.
14:09Ela chegou
14:11e começou a dar notícia
14:13de catolé, né?
14:14Ah, meu pai tá assim,
14:16mãe tá assado.
14:17E eu só com a música na cabeça,
14:19mal prestando atenção
14:20no que ela estava falando, né?
14:21Ah, tio fulano morreu,
14:23aí eu só dizia massa.
14:26E eu com a música na cabeça, né?
14:28Aí quando a gente pegou o táxi
14:29que chegou em casa,
14:30eu comecei a perguntar
14:31tudo que ela tinha dito, né?
14:32E tio fulano,
14:33ela falou que ele morreu,
14:34você disse massa.
14:36Achei estranho, né?
14:37E pá,
14:38eu já disse que o pai tá assim,
14:39tá assado de mãe,
14:40já disse tudo.
14:40Mas eu só fui fazer as perguntas
14:42quando cheguei em casa
14:43e liguei o gravador
14:44e cantei a música primeiro
14:46do jeito que estava na minha cabeça
14:47sem violão,
14:49depois peguei o violão
14:49e já saí tocando, né?
14:51Então, pra mim,
14:53Mama Africa é um paralelo
14:54entre o dia a dia das mulheres
14:58que tem dupla e, às vezes,
15:00tripla jornada de trabalho,
15:01as mulheres em geral,
15:02não necessariamente as mulheres pretas, né?
15:05O continente africano,
15:06que na minha visão
15:07é um continente mulher, né?
15:10É uma mãe para o mundo, né?
15:13Explorada por um sistema imperialista,
15:17como as mulheres são exploradas
15:19por um sistema misógino e patriarcal, né?
15:23Então, as mulheres do mundo
15:27estão sob um tipo de domínio
15:29que, no paralelo que eu faço,
15:32é um domínio parecido
15:34com o domínio que a África teve.
15:36É um continente que dá tudo
15:37e não recebe quase nada.
15:57Música
15:59Ohhhh, oi, oi, oi!
16:02O相ar com a África do Jardim
16:08Além de trabalhar
16:10como em pagodeira
16:12e nas casas da Bahia
16:14Mama a África tem
16:17tanto que fazer
16:19Além de cuidar neném Além de fazer temquim
16:25Filhinho tem que entender Manáfrica vai que vem
16:30Mas não se afasta de você Manáfrica
16:35A minha mãe é mãe solteira E tem que fazer mamadeira
16:43Todo dia, além de trabalhar Como em pacoteira e nas casas balia
16:51Quando mamã sai de casa Seus filhos, seu lotons, vão rolar o maior jazz
16:56Mamã tem calor nos pés Mamã precisa de paz
17:02Mamã não quer brincar mais
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