00:00O ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos Batista Júnior, afirmou em entrevista à Folha de São Paulo
00:06que no final de 2022 houve risco iminente de uma ruptura institucional no Brasil.
00:13Ele narra detalhes desse episódio em um livro chamado
00:15Eu Disse Não! Uma Trincheira Antigolpista, que será lançado no próximo mês, em setembro.
00:23Vamos ver o que disse aí o ex-comandante da FAB, a gente tem um trecho,
00:26alguns trechos já foram publicados, desde o início do mês já estão sendo publicados alguns trechos desse livro aí
00:32do ex-comandante da FAB, que foi um daqueles comandantes, um daqueles chefes das Forças Armadas
00:40que disseram para o Bolsonaro que não iam seguir ali com o plano que estava parecendo se armar.
00:47Olha, vou abrir aspas, achei que haveria risco iminente de golpe.
00:52As Forças Armadas são muito grandes, eu não sabia qual era a posição do almirantado.
00:58Eu sabia a posição do almirante Garnier, que era o comandante da Marinha,
01:01e segundo ele, era favorável a um golpe de Estado.
01:06Ele também sabia a posição do alto comando da Aeronáutica,
01:09mas as pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes militares.
01:13E ele segue falando aí, eu temia por uma ruptura entre tropas, ou seja,
01:18alguma iniciativa que não estivesse alinhada com a decisão do general Freire Gomes,
01:24principalmente porque o exército tem uma capilaridade muito grande, fecha aspas.
01:30Bem, a gente tratou muito disso na época que as investigações sobre essa questão foram publicadas,
01:37esses comandantes das Forças Armadas, esses dois que eram contra o movimento que estava se arregimentando ali
01:45na cúpula do governo Bolsonaro.
01:47Eles até foram morte para uma capa da revista Cruzoé que a gente deu,
01:52com os detalhes da investigação, na qual eles diziam que chegaram ali a ser aliciados,
01:57de alguma forma sutil, para saber se continuaria,
02:00se eles estavam imbuídos aí numa vontade de reagir à reação,
02:07ou à decisão, à promulgação lá do resultado da eleição que deu o Lula como vitorioso.
02:13Wilson, esse livro ser lançado agora em setembro,
02:16como é que você acha que vai pegar para a eleição desse ano?
02:20Vai ser usado politicamente, fato, né?
02:24Porque tem de fato esse calcanhar de Aquiles na campanha do Flávio Bolsonaro,
02:27embora toda a história, a trama golpista não tenha sido responsabilidade dele,
02:34tenha sido, tenha tido como o protagonista o Jair Bolsonaro e não o Flávio Bolsonaro,
02:39mas isso vai ser, obviamente, que vai ser utilizado politicamente até pela turma do PT,
02:44e que o PT vai tentar colar a imagem aí de golpista no Flávio Bolsonaro.
02:49De novo, acontece mais ou menos nessa história o que acontecia no caso lá do Lulinha,
02:55quer dizer, os personagens que orbitam as campanhas,
02:59eles vão ser mais importantes do que os personagens,
03:02do que os protagonistas da campanha.
03:04E aí, Rudolf, é muito complicado, porque a gente, ao invés de, vamos perder aí três,
03:08um mês e meio, vai falando sobre questão do,
03:14sobre questões relacionadas à responsabilidade de A ou B na campanha de A ou B.
03:21O Brasil vai perder uma oportunidade de discutir país, vai perder uma oportunidade
03:25para discutir infraestrutura, saúde, educação, porque o debate vai se resumir a isso.
03:30Quem é amigo de quem? Quem tem relação com quem?
03:33Quem é, quem tem uma relação promíscua com A ou com B?
03:38Quem, sabe, quem desvia mais? A ou B?
03:42Quem desvia menos? C ou D?
03:44Então, assim, vai ser uma campanha muito pequena, sabe,
03:48e que ela vai ser pequena por essas questões periféricas.
03:51Agora, o depoimento do ex-comandante da FAB,
03:55ele de fato é um depoimento consistente, não é novidade,
04:01não é nenhuma novidade, como você já falou, Rudolfo,
04:04mas mostra muito os bastidores do que aconteceu naquele final de 2022.
04:102022, não é, quer dizer, isso é muito, isso prova muito
04:16essa, esse, esse embrólio, né, vivido pelo Brasil naquele, naquele período.
04:21Então, Rudolfo, eu acho que o Brasil realmente poderia ter avançado um pouco mais,
04:25acho que o Brasil, foi uma pena a gente ter vivido esse episódio,
04:29e vai ser uma pena essa campanha, porque essa é uma campanha de novo,
04:32é que ela vai se ater a questões muito periféricas,
04:36e o Brasil não vai conseguir discutir um projeto de país,
04:40e vamos de novo, para mais quatro anos,
04:42você não vai ter uma discussão de projeto de país,
04:44e aí é até complicado, né, porque é até bom para esses candidatos que estão aí,
04:48porque se você não discute o projeto de país, você não tem como cobrá-los.
04:51Ah, você prometeu um projeto de país e não entregou?
04:53O cara fala, não, não prometi nada,
04:55eu só estou aqui porque você não quis votar no outro, no adversário.
05:01Assim, é complicado.
05:02E o Wilson, assim, não é novidade isso,
05:04agora, ele nunca tinha sido tão contundente quanto ele é nesse conteúdo aí, né,
05:08porque ele fala na iminência de golpe.
05:12O depoimento que ele deu para a Polícia Federal era muito mais sutil, né,
05:16ele dizia que sentia ali, eu não usava palavras tão diretas, né,
05:21e aí ele já até deu entrevistas aí, já falou,
05:25antecipando o que é o lançamento desse livro,
05:26e ele disse, né, ao explicar por que que decidiu lançar esse livro aí,
05:33é porque ele ficou incomodado, entre outras coisas aí,
05:35com algumas pesquisas que saíram sobre o assunto depois da eleição do Lula,
05:40que indicavam que tinha uma parte relevante da população,
05:43cerca de um terço,
05:45que achavam que o Lula não merecia ter sido eleito,
05:48que teve alguma coisa errada naquela eleição.
05:50E a gente já falou muito sobre a eleição de 2022 aqui,
05:53o problema, eu acho que as urnas eletrônicas,
05:56elas viraram um símbolo,
05:58mas de fato a eleição foi problemática também por conta
06:02muito da atuação do ministro Alexandre de Moraes,
06:05que me parece que alimentou as suspeitas de boa parte do eleitorado,
06:10que aliás é o que está acontecendo de novo nessa eleição,
06:12na eleição desse ano também está acontecendo isso,
06:15quando o Alexandre de Moraes despachou lá sobre o vídeo de Iá do Bolsonaro,
06:19e ele menciona a campanha do Flávio,
06:22ele botou um dedo na eleição que ele não deveria ter colocado,
06:24porque ele não está no TSE.
06:25Então tem também esse pedaço aí de atuação do STF,
06:30e a gente fala muito aqui do STF porque é isso,
06:32o STF é tratado por aí como se fosse esse elemento
06:36que salvou a democracia brasileira,
06:38e que tudo que ele faz é bom.
06:40Não é assim, o STF faz parte do problema,
06:42e deveria estar tratando do problema,
06:44mas eles resistem muito a isso,
06:46a isso, os ministros mais destacados aí,
06:50mais dispostos do STF,
06:53que são o Alexandre de Moraes, o Dilma Mendes,
06:55Dias Toffoli, e agora também o Flávio Dino mais recentemente,
06:59a conduta deles não exatamente colabora
07:02para a institucionalidade,
07:05ou para acalmar os ânimos no país,
07:07eles acabam botando fogo, não é, Wilson?
07:11É, exatamente, agora, você tocou num ponto, Rodolfo,
07:14que eu confesso que eu não tinha pensado antes
07:15e comecei a refletir agora durante o teu comentário.
07:19Me incomoda quando um comandante da FAB,
07:23ele em depoimento fala uma coisa,
07:26e em livro fala outra.
07:28Eu acho que o momento que ele deveria ter falado,
07:31de forma muito contundente,
07:32era durante a investigação da trama,
07:35da suposta trama golpista.
07:37Então, eu acho que também tem uma questão aí
07:40que é também muito fácil você falar num livro
07:42sem maiores consequências,
07:44e inicialmente você pega leve,
07:46quer dizer, que você pega leve num processo
07:48em que você tem que dizer toda a verdade,
07:51e fora do processo você abre a boca,
07:54você começa a ser um pouco mais contundente,
07:56isso também é algo para a gente também colocar um pouco no...
07:59também colocar, levantar um pouquinho
08:02a orelha da desconfiança.
08:03Agora, também tem isso, né, Rodolfo?
08:04Eu falava assim, eu conversava ontem com uma fonte
08:06sobre essa questão do 8 de janeiro,
08:08o Supremo aproveitou esse 8 de janeiro
08:11para se empoderar de vez.
08:12Então, esse assunto, ele tem relação com o assunto passado,
08:16que também tem relação com a questão do Lulinha.
08:19Então, assim, você vê hoje
08:20que existem alguns integrantes do Supremo
08:23que passam por cima de regras básicas do direito penal.
08:26Não vou dizer quais aqui, você é inteligente,
08:29você sabe de quais eu estou falando.
08:32Então, assim, só que isso ocorreu por quê?
08:35Porque houve uma concessão tácita
08:38de uma parte da elite intelectual,
08:42uma parte da elite da mídia,
08:43da elite mais poderosa da mídia,
08:45que quase parece que a gente concedeu,
08:47olha aqui, entregou uma chave
08:48para uma ala do Supremo fazer
08:51o que achar melhor em nome da democracia,
08:54da defesa da democracia.
08:57Só que no momento em que você
08:58dá esse subterfúgio para alguns integrantes,
09:01e esse subterfúgio, ele é utilizado
09:04de uma forma equivocada,
09:06você não colabora com a democracia,
09:09você ajuda a destruí-la por dentro.
09:12Por isso que eu sempre cito aquele livro
09:14Como as Democracias Morrem,
09:15que é exatamente esse o exemplo.
09:17O Como as Democracias Morrem,
09:19ele parte justamente dessa premissa.
09:20Quando você tem um desequilíbrio
09:23no sistema de freios e contrapesos,
09:25em que algum personagem,
09:27quer ser executivo, legislativo ou judiciário,
09:29se empodera,
09:31e a partir daí subverte
09:32a ordem natural das coisas,
09:34você tem a queda,
09:36você tem a fissão dos troncos,
09:40dos pilares da democracia por dentro.
09:43E isso é mais grave do que um estado clássico de golpe,
09:46como a gente lê nos livros de história.
09:48E vai ficar mesmo essa perspectiva, Wilson,
09:50de que talvez,
09:51se o ex-comandante da FAB
09:52tivesse sido mais direto,
09:54mais perimptório no depoimento da PF,
09:56talvez esse processo não tivesse sido
09:59tão tumultuado assim.
10:00Porque ficou ainda uma dúvida,
10:01será que,
10:02se ele tivesse sido mais direto ali,
10:05mais enfático no depoimento da Polícia Federal,
10:07talvez restassem hoje menos dúvidas
10:09para boa parte da população.
10:10Até quando você vai deixar
10:12que criem narrativas
10:13para esconder a verdade de você?
10:15Bombardeio diário de informações,
10:17o barulho das redes sociais
10:19e as minhas verdades
10:20só servem para uma coisa,
10:22te confundir.
10:23Mas o jogo político real
10:24acontece nos bastidores.
10:27Mas existe um lugar
10:28que não baixa a cabeça,
10:30onde a velocidade da notícia
10:32em tempo real
10:33de um antagonista
10:34se une à investigação profunda,
10:36sem amarras,
10:37da revista Cruzoé.
10:39Nós vigiamos quem está no poder.
10:42Não importa o partido.
10:45Assinar o nosso combo
10:46significa ter na palma da sua mão
10:49os bastidores de Brasília
10:50em tempo real,
10:52análises de quem conhece
10:54o jogo político por dentro
10:55e grandes reportagens
10:57que a imprensa tradicional
10:58muitas vezes prefere não mostrar.
11:03E hoje,
11:04você não precisa escolher
11:05entre a agilidade e a profundidade.
11:09Preparamos uma condição exclusiva
11:11para o nosso público do YouTube.
11:12Um combo promocional
11:14imperdível
11:15para você garantir
11:16o acesso total
11:17ao antagonista
11:18e a Cruzoé
11:18por um valor
11:19que cabe no seu bolso.
11:20Não seja apenas
11:21mais um espectador da história.
11:23Faça parte do jornalismo
11:25que incomoda os poderosos
11:26e defende a sua liberdade.
11:28Clique no link
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11:30ou aponte a câmera
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11:33Assine o combo agora
11:34e mude sua forma
11:35de ver o Brasil.
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