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O Podcast Divirta-se desta semana recebe o músico Haroldo Bontempo. Haroldo que já compôs ao lado de João Donato, está lançando o seu 3º álbum "Ao vivo em quarteto".
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NotíciasTranscrição
00:00Alguns músicos escolhem um caminho. O nosso convidado aparentemente escolheu vários, do rock psicodélico ao samba até chegando no indie.
00:09E todas essas escolhas levaram ele a compor uma música com o grande João Donato. Roda a vinheta!
00:15Divirta-se! Divirta-se!
00:19Olá! Seja bem-vindo ao Divirta-se, o seu podcast de cultura do jornal Estado de Minas.
00:25Hoje, novamente com o Lucas Lana.
00:27Fala, Otávio! Tudo bem, queridão?
00:30Beleza! Tá animado?
00:31Bastante! Até porque hoje foi a primeira vez que eu conheci pessoalmente o nosso convidado.
00:35Já tinha feito entrevistas por telefone, conversava por WhatsApp, mas nunca tete-a-tete.
00:40Isso é um bom sinal, o fato de você já ter falado com ele antes, não de não ter conhecido.
00:45Mas sinal que ele tem muito para entregar e não é de hoje, né?
00:48Com certeza!
00:49Como vimos aqui na abertura, até com o João Donato ele já compôs, além de ter tocado.
00:55Então, seja bem-vindo ao Divirta-se, aro do Bom Tempo, cara!
00:58Valeu, Haroldo! Obrigadão, velho!
01:00Prazer é não estar aqui.
01:02Prazer é todo nosso.
01:04Lançando o novo álbum agora, seu terceiro álbum.
01:08Conta pra gente desse álbum, o que a pessoa que ainda não ouviu vai chegar lá e vai receber
01:17nessas escolhas diferentes que a gente anunciou que você fez aqui.
01:22O que a pessoa pode esperar?
01:24Pois é, essa, acho que o que a pessoa pode esperar é uma entrega diferente, é um formato
01:33diferente do que eu vim trabalhado, por conta de ser pela primeira vez que eu gravo um álbum
01:39ao vivo.
01:41Ao vivo e em quarteto que chama até, né?
01:44Em quarteto, justamente.
01:45Quem for procurar.
01:45E é justamente uma expansão de algumas músicas minhas, porque é um álbum sem nenhuma música
01:54inédita.
01:55Não tem nenhuma música inédita.
01:57Todas elas são músicas do meu repertório, músicas do meu primeiro, segundo álbum e do
02:02AP, que eu regravei para o formato de quarteto, para passar essa ideia de... essa ideia não,
02:12para passar essa sensação de uma apresentação ao vivo, sem ser aquela coisa polida, que
02:18é o que a gente costuma fazer no estúdio.
02:20E também para brincar, para rearranjar as músicas e...
02:28E é, eu realmente gosto muito da palavra brincar ali, que é brincar com as ideias.
02:36Legal.
02:36Quando que saiu esse álbum?
02:38Já está por agora?
02:40Você está lançando?
02:40Já teve show?
02:41Como é que está essa parte?
02:43Ele saiu no início de julho, dia 3, se eu não me engano.
02:49E estamos ainda esperando uma oportunidade de fazer o show de lançamento, apesar que
02:55a gente fez o lançamento oficial lá no Cine Santa Tereza, porque além de um álbum,
03:02ele também é um filme.
03:05Como assim?
03:06Ele é um filme, ele é um álbum ao vivo, ele foi gravado ao vivo, com plateia e filmado.
03:15filmado por um amigo de longa data meu, que veio se tornar um grande diretor de cinema
03:20daqui de Belo Horizonte, o Júlio Folha, produzido pela minha amiga Vanessa Gomes, que eles filmaram
03:29o show todo e junto com algumas cenas minhas com o pessoal da banda tomando uma lá na Casa
03:38Vorada, e compôs mesmo um média-metragem ali, nos 45 segundos, mostrando as músicas e explorando
03:49algumas coisas ali, a nossa relação individual com a música, questões contemporâneas, a gente
03:55fala de inteligência artificial, enfim, ficou um filmezinho mesmo.
04:01Ah, que legal.
04:02Que bacana.
04:03Agora, uma pergunta que eu gosto de fazer sempre, antes da gente entrar nos pormenores, de toda
04:08a influência e tal, mas que eu gosto de fazer sempre para a galera mais nova da música, que
04:14você faz parte de uma geração, assim como o Will também, o Otávio também, que a gente
04:20já pegou o streaming, assim, né? Por que apostar no álbum, sendo que a geração nossa não
04:31passou pelo disco, aquela coisa de escutar, sentar, escutar todas as faixas e tal?
04:37É, eu pessoalmente, porque eu peguei um respingo. Eu acho que, às vezes até problemático, mas eu
04:48tive acesso ao computador muito cedo, assim, então eu passei pelo ritual ancestral de baixar
04:55a música num emule, de ter uma pastinha no computador, que eu ia lá e eu gostava de
05:03editar e colocar o nome certinho, o ano certinho, a imagem de capa, aí depois que eu cresci um
05:11eu ganhei o iPod, aí eu achava mó barato, porque eu colocava minhas músicas lá, as
05:18minhas músicas eu tinha baixado, né? E tinha a capa tudo certinho.
05:22Mas era um álbum mesmo, assim? Sim, era um álbum, todas as faixas daquele álbum.
05:27Sim, eu sei, eu tive esse negócio, desde novo, eu escutava as músicas no rádio, eu gostava
05:34das músicas, mas aí quando eu descobri, quando eu gostava de uma banda mesmo, eu ia lá e, às
05:40vezes, eu baixava a discografia inteira da banda e ia escutando álbum por álbum.
05:47Então, eu acho que, assim, pessoalmente, pra mim é porque eu gosto de pensar o álbum.
05:58Qual álbum que você lembra de ter colocado no seu iPod, assim, que te marcou?
06:03Vamos já dar uma acelerada. Cita um pra gente, pra eu ver se tinha no meu iPod também.
06:10Todos do Led Zeppelin, sem exceção, mas em especial o Led Zeppelin 4, o Physical Graffiti e o Houses of
06:22the Holy.
06:23Eu gostava muito de The Doors também.
06:27O LA Woman e o People Are Strange.
06:33Todos eu tinha, que coisa.
06:36Além disso, talvez, pelo menos o 4 do Led, com certeza, o outro tô na dúvida se ele era fixo,
06:41porque tinha isso também.
06:42Os iPods, dependendo, eles eram... os iPods até vieram com mais espaço, né?
06:47Mas, inicialmente, a gente tinha aquele MP3zinho, que parecia um pendrive, assim, que seria...
06:53E ele tinha a memória mais restrita no início, não sei se, né, é da época de vocês essa parte,
06:59de ter que você mudava a música com uma chavinha que você apertava, assim.
07:02Sim, sim.
07:03E aí, você tinha que tirar um álbum...
07:04Às vezes a pilha palito até, funcionava por pilha.
07:07A gente tinha que tirar um álbum pra pôr outro e tal, mas tinha aquele, você fala, não, esse aqui,
07:11tipo, álbum Conforto, não vou tirar.
07:14E de música brasileira, tinha algum já nessa época?
07:16Eu gostava muito, tinha o Cabeça Dinossauro.
07:20Ah, fantástico.
07:22Tinha o Menor Abandonado, do Barão Vermelho.
07:26Deixa eu ver qual outro que tinha.
07:31Que eu me lembre, que eu me lembre eram esses.
07:34Além do, como a gente tava falando, do rap, também tinha o...
07:39Nada Como Um Dia Após o Outro Dia, dos Racionais, os dois, né, que é um álbum duplo.
07:46E aquele que eu esqueci o nome, mas é uma coletânea do Sabotage, depois que ele morreu, que lançaram com
07:54os maiores sucessos dele, assim.
07:57Legal.
07:59Aquilo que a gente falou na introdução, tá se fazendo verdade, né?
08:04Exatamente.
08:04Vai de um lugar até outro bem diferente.
08:07Podemos, então, caminhar pro início da carreira dele e contar essa história?
08:11Pois é, a gente sempre pergunta de onde que veio essa veia musical, se a sua família, né, já tinha
08:18essa coisa de produzir música, de ouvir muita música.
08:21E contar a história do seu primeiro instrumento, também, acho que ela diz bastante, né?
08:28Então, eu lembro...
08:31Minha primeira memória musical, assim, foi bem cedo.
08:36Eu tinha o costume de cantar muito com os meus irmãos.
08:39Meus irmãos adoram cantar.
08:41Lá em casa, a gente tem... é uma coisa engraçada, que...
08:45É como... eu enxergo como se fosse um elo quase perdido, assim.
08:51Eu tenho uma avó, que Deus a teme, minha avó, Maria Imaculada, ela era pianista.
08:57Não profissional, o pai dela era um violeiro famoso lá na cidade, em Pompéu, que eu moro hoje.
09:09Mas, eventualmente, ali, eu acredito que minha avó se frustrou com a música, eu não sei exatamente o que aconteceu,
09:16que a coisa não passou pra frente.
09:19Então, meus... minha mãe não... não seguiu com o meu instrumento, nenhum dos meus tios seguiu com o meu instrumento.
09:27E eu e meus irmãos também... não tínhamos muito isso.
09:32A gente gostava de cantar, a gente adorava cantar, mas...
09:35Eu não lembro da gente... não lembro de roda de violão na minha casa.
09:38Vocês cantavam aonde? Sozinhos, na varanda, assim?
09:41Na casa, no carro.
09:43Ouvindo o rádio do carro.
09:45Sertanejo.
09:46Olha só.
09:50Sertanejo, é...
09:52Minha irmã, de uma época, ela gostava dos funk, quando começou...
09:56Aqueles funk proibidos, é um engraçado, assim, a Tati quebra Barracos, etc.
10:04E eu gostava de cantar, gostava daquilo.
10:07Em devido momento, quando eu tinha uns 10 anos, a minha mãe me fez uma pergunta que surgiu do nada.
10:13Ela me perguntou, você quer aprender a tocar violão?
10:15Acho que eu tava jogando muito um joguinho, o Guitar Hero.
10:19Sim, clássico.
10:20E aí, meu irmão, eu tava vendo aquilo, um dia ela perguntou, você quer aprender a tocar violão?
10:25E eu fiquei tipo...
10:27Tá, né? Bom, isso parece ser legal.
10:30A pior das hipóteses é melhorar a minha habilidade aqui no Guitar Hero.
10:35E aí, aquilo despertou um instinto criativo muito...
10:43Aquilo despertou, não. Canalizou um instinto criativo muito forte.
10:48Eu comecei...
10:50Três aulinhas depois que eu comecei a fazer violão, eu já tava tentando fazer uma música própria, inventar uma musiquinha
10:58minha, com aquilo ali que eu fazia.
11:04E aí foi uma grande, grande coisa que eu descobri na minha vida, assim, que...
11:11Essa coisa do fazer música. Eu já era fascinado pela música, pelos artistas, pelos músicos, né?
11:16Ficava vendo os clipes, os vídeos do Led Zeppelin tocando, antigamente. Ficava louco com aquilo.
11:27E, bom, eu descobri na criação ali um afago, uma coisa que me agradava por dentro, assim, e que me
11:36movia muito.
11:37A sua primeira composição, essa que você tava tentando fazer aí, era mais pegada, mais levada pra que lado?
11:44Porque você já escutava de tudo, né? Tinha sabotagem, tinha Led Zeppelin.
11:48Era quase um cover do ACDC.
11:51Ah, é? Gente!
11:53Completamente diferente do que você faz hoje também, né?
11:57Conta pra gente dessa ponte, né? Dessa fase, até virar você, assim, gravar o primeiro álbum.
12:04Por onde começar?
12:05É. Conta aí. Tenta, né? Dar essa...
12:08É um salto na história.
12:10É, eu acho que, assim, a coisa que mais me pegou criança, assim, foi o rock mesmo.
12:16Eu sempre gostava de muita coisa, mas o que eu realmente devorava mesmo era o rock, né?
12:29E aí, quando eu fui ficando adolescente, fui conhecendo uma turma lá no meu colégio, que gostava também, fui conhecendo
12:38o rock moderno, né?
12:39Porque eu gostava das coisas antigas.
12:42E aí, eu fui descobrindo o Arctic Monkeys, os Strokes, os que eram a coisa mais moderna, assim.
12:55O indie rock.
12:56O indie rock.
12:58O indie rock.
12:59É. E aí, desde cedo, assim, eu fiz uma banda bem novinho.
13:06Tinha uma série da Nickelodeon, que era uma banda de crianças, que chamava Naked Brothers Band.
13:13Sim, sim, sim.
13:14É, acho que eu já era velho.
13:16E ele, assim, a coisa era, eram crianças, eram crianças de 10, 200 que tocavam e tal, aí a coisa
13:22girava ao redor daquilo.
13:23E eu via aquilo, e eu tava na idade deles, e eu tava pensando, pô...
13:27Vamos fazer.
13:28Então, por que não, né?
13:30Aí, na época, eu tinha o meu melhor amigo lá, que ele também tocava violão.
13:36Falei, cara, vamos montar uma banda.
13:38E a coisa começou com uma brincadeirinha de criança, e a gente foi, começou a tocar nos lugares, e a
13:44gente começou a...
13:45A gente chamava o turminha pra ir na casa de um, pra ver a gente tocar.
13:50E aí, tudo nessa onda, a gente gostava...
13:53A coisa em comum que a gente gostava era o rock, era o indie, né?
13:59E aí a gente foi nessa, e nisso, nessa caminhada, culminou nos Mineiros da Lua.
14:06Sim, que foi quando, de fato, eu entrei na cena, né?
14:10Eu comecei a...
14:12Foi um projeto musical profissional, né?
14:16Pela primeira vez.
14:19Que foi eu, junto com o Gabriel Elias, com o Diego Dutre, com o Jovem de Piné.
14:25O Gabriel Elias, que veio a fundar o Estúdio Central, que se comentou mais cedo.
14:30Sim.
14:34E aí, é isso.
14:35Isso que eu tô falando, a gente começou a tocar junto no início do ensino médio.
14:40E teve algum momento ali no ensino médio que...
14:46Que eu comecei a prestar atenção na Bossa Nova.
14:49Eu não sei se foi uma aula de literatura.
14:54Que a gente aprende, né?
14:55A gente aprende Vinícius de Moraes, pelo menos na minha escola, a gente aprendeu Vinícius de Moraes.
15:01E aquilo ali me intrigou muito, porque...
15:04Uma pessoa que toca violão, você toca rock, você acha que você tá arrasando.
15:10E você vai pegar uma música de Bossa Nova pra você tocar, você fica desnorteado.
15:14O que que tá acontecendo aqui?
15:16E eu tinha, e até hoje eu tenho um âmago em querer ser um bom instrumentista, assim.
15:21E aí eu fiquei vindo aqui e falei, pô, eu quero aprender isso aqui.
15:27E aí foi uma coisa que, conforme a gente foi evoluindo na banda, cada um ia trazendo seus influências,
15:34cada um ia começando a escutar uma coisa nova e trazendo.
15:37E aí era um pouco do que eu trazia, assim.
15:40Eu tava, os meus estudos pessoais eram na Bossa Nova e depois no samba.
15:46E eu trazia aquilo pro rock, né?
15:50A gente fazia uma rock, uma música mais pesada, com muitos timbres, com muita psicodelia, assim.
15:55E eu gostava de trazer umas harmonias da Bossa.
15:59Que são umas harmonias um pouco menos óbvias, etc.
16:03E aí com o tempo eu fui compondo nesse lugar.
16:08e me vi compondo canções bossa novísticas, samba, da MPB, né?
16:20Por mais que a MPB é um grande cógnito sobre o que de fato é a MPB, né?
16:25A MPB não é verdadeiramente popular, será?
16:28Atualmente não, atualmente não é.
16:31E aí eu me encontrei nesse lugar, assim.
16:34E aí, aí a gente tinha a banda, e aí tinha algumas músicas que eu levava pra banda que o
16:42pessoal não gostava.
16:44Aí, às vezes eu só deixava quieto, às vezes eu resolvia fazer, resolvia terminar a canção e deixar lá.
16:53Tocava pra amigos, sei lá o quê.
16:56Aí, em um devido momento, eu fui tocar em São Paulo.
16:59Eu tava fazendo banda de apoio pra um amigo meu, eu tocava guitarra pra ele, o Arthur Melo.
17:04E a gente ficou na casa de um amigo, de um cara que ele conheceu, que veio se tornar um
17:09amigo nosso.
17:10Em devido momento, eu toquei umas músicas pra ele, e ele falou, cara, eu vou abrir um selo e eu
17:15quero lançar um disco seu.
17:19E eu ouvindo aquilo, assim, eu falo, pô, como não?
17:23Pô, o cara quer lançar uma coisa em mim?
17:26Pô, tem que gravar o disco pra ele, então.
17:28E aí eu lembro que eu tinha, sei lá, 3 mil reais guardados, o contato do Léo Marques da Ilha
17:35do Corvo e um sonho.
17:37Aí eu gravei meu primeiro disco, Músicas pra Travessia, todo nessa pegada, assim, bem brasileiro, né?
17:49E que teve uma resposta super boa e acho que é isso aí.
17:55Chegamos até hoje, assim, de certa forma.
17:59Quer perguntar, ou bem, o assunto?
18:00Não, eu quero perguntar o segundo, sobre o segundo álbum, porque geralmente, sempre pro artista, de modo geral,
18:08quando tem uma recepção positiva do primeiro álbum, vem aquela coisa, nossa, o segundo álbum, como é que vai ser?
18:15Eu tenho que fazer tão bom quanto o primeiro, vem aquela síndrome, aquele negócio.
18:19Como é que foi pra você? Você teve uma recepção positiva do primeiro e pro segundo?
18:23Pro segundo, eu embarquei numa coisa bem pessoal minha, no segundo álbum,
18:31tanto em temática literária, né, quanto na proposta musical.
18:37Como eu falei, o primeiro álbum eu gravei ele do jeito que deu,
18:42então é um álbum que pode ser chamado de lo-fi, assim,
18:47a maioria das músicas é voz e violão, uma ou outra tem uma bateria, tem um tecladinho,
18:52mas é bem mínimo, tal, tal, tal.
18:55Aí o segundo álbum eu já tava assim, ah, pô, quero gastar uma onda.
19:03E aí eu pude aproveitar do momento da pandemia, assim, por mais que, é isso,
19:11na pandemia eu voltei a morar com a minha mãe,
19:15e continuei recebendo o que eu tava recebendo, eu fazia pesquisa na UFMG,
19:21e tava morando com a minha mãe, então, todo o dinheiro que eu tava ganhando, tava guardando.
19:27E aí ali, quando começou, quando a gente começou a poder sair de casa,
19:32eu voltei a frequentar Belo Horizonte, assim, foi justamente pra vir gravar um disco,
19:37onde eu queria explorar mais arranjos.
19:42O primeiro disco foi super mínimo, foi super, é, bem pautado na canção,
19:47e o segundo eu pensei, não, eu quero, agora eu quero gastar uma onda.
19:51E aí fiz um disco bem pessoal, né, na época a gente tava, todo mundo,
19:58a pandemia foi um grande convite em introspecção pra muita gente, né,
20:02Então, foi um álbum onde eu consegui abordar coisas pessoais,
20:07consegui achar um lugar legal pra falar da minha família,
20:13enfim, coisas pessoais.
20:16E aí eu foquei nisso, sem pensar muito na resposta.
20:24Acho que o povo ia gostar.
20:26Mas realmente o que me guiava mais era essa minha vontade que eu tinha, assim,
20:30de, ah, agora eu quero fazer um álbum, um tanto quanto orquestral, né.
20:39E aí foi isso, eu não senti pressão por fazê-lo,
20:45eu tava mais guiado pelo,
20:47pelo minha vontade mesmo, pelo estudo que eu tava querendo fazer.
20:53O segundo é o que leva seu nome, Haroldo Montenho,
20:57e o primeiro, Músicas pra Travessia, né.
21:01Ah não, boa.
21:03E aí agora a gente chega no terceiro, ao vivo, em quarteto, né.
21:09Que banda é essa?
21:11Quem que você arrumou pra tocar com você?
21:13Quem que tá lá?
21:14Eles estão na estrada contigo?
21:16Sim, são...
21:18Então, é um dream team.
21:21Eu montei, é realmente...
21:25Depois que eu gravei o meu segundo disco, o homônimo,
21:29eu ainda tive um lançamento de expressão que foi um EP.
21:32Que é um EP chamado Indie Hippie Retro Brasileiro.
21:35Que nesse EP, que tem cinco musiquinhas só,
21:38que tem a minha parceria com o Donato,
21:42e tem uma parceria com o Dinho Almeida, do Bugarins, também.
21:48E foi a primeira vez que eu trabalhei com o Bemora,
21:51que é baterista.
21:54E no meu segundo disco,
21:57voltando um pouco, se tudo vai fazer sentido,
21:59no meu segundo disco,
22:01todas as linhas de sopro foram assinadas pelo Vinícius Mendes,
22:04que foi uma pessoa que eu conheci casualmente.
22:07Ele me chamou no Instagram,
22:09ele conheceu o meu primeiro disco,
22:12e me chamou no Instagram para elogiar,
22:13e falou, ah, gostei disso, disso, disso.
22:15A gente tem um amigo em comum,
22:17tinha um amigo em comum,
22:18que é o Luca Noaco,
22:23e...
22:25E, poxa, eu gostei muito daquilo.
22:26Uma pessoa que eu não conhecia,
22:28ele veio me elogiar,
22:29e aí quando eu fui ver,
22:31ele já era um mega acadêmico da UFMG, assim.
22:35E quando eu fui fazer o segundo disco,
22:36eu chamei ele para participar,
22:38ele topou, sem pestanejar,
22:41somou muito,
22:42foi, poxa,
22:44um grande amigo mesmo.
22:46E...
22:46E aí depois que eu gravei o...
22:49Depois que eu lancei ambos os discos,
22:51eu comecei a tocar,
22:53fazer algumas formações,
22:54e aí nisso eu chamei a Carol Ramalho,
22:58que eu vi ela tocando com um amigo meu,
23:00o Eliezer Gonçalves,
23:02gostei muito do groove dela,
23:04da presença dela no palco.
23:07E aí no que eu estava pensando,
23:08agora eu quero fazer um disco ao vivo.
23:11Não quero mostrar uma música nova,
23:13eu quero insistir nas minhas músicas,
23:15eu quero redesenhá-las e mostrá-las ao vivo.
23:19Eu pensei ali,
23:20qual formato que vai ser,
23:22eu cheguei nesse formato de quarteto,
23:24que eu julguei ser suficiente.
23:28E eu pensei nessas três pessoas.
23:32O Vinícius,
23:33que já conhece muitas das minhas canções,
23:36e a gente se comunica bem,
23:39assim,
23:40eu admiro muito
23:43tanto os arranjos dele,
23:45quanto os momentos de improviso dele,
23:46que é um grande improvisador.
23:48chamei B. Moura,
23:50que já tinha feito
23:51linha de bateria pra mim,
23:53no meu EP,
23:56e Carol,
23:57com quem eu já tinha tocado antes,
23:59ao vivo,
24:00e gostei muito de tocar com ela.
24:04E aí eu cheguei
24:05nessa seleção
24:07da cena de Belo Horizonte,
24:10que,
24:11modéstia à parte,
24:12eu acho que é um grande time,
24:14e um time pouco óbvio.
24:17Porque é cada um de um contexto.
24:19Sim.
24:20Assim como o time pouco óbvio,
24:22eu acho que só as músicas
24:25são pouco óbvias também,
24:26não é aquela coisa
24:27que você já vai
24:30saber onde aquilo vai terminar,
24:31aquelas melodias fáceis e tal.
24:34E, justamente por isso,
24:37pode causar estranheza
24:38em algumas pessoas.
24:40Você já teve que lidar com crítica,
24:41coisa do tipo,
24:42sim ou não?
24:45Diretamente, não.
24:46crítica, sim.
24:48Como é que você...
24:49É porque assim,
24:50a gente também,
24:51vou contribuir aqui um pouquinho,
24:55como jornalistas,
24:55a gente sempre quer
24:56um pouco assim,
24:57por mais que eu e o Lucas
24:58a gente tenta evitar,
25:00a gente põe,
25:00às vezes,
25:01as pessoas em caixas, né?
25:03E isso é até natural,
25:04porque você vai ouvir uma coisa,
25:05você ouve uma música,
25:06aí você cria uma expectativa,
25:08bom, então,
25:08é essa linha.
25:10Nem sempre.
25:12Onde que você se encaixa
25:13em termos de gênero,
25:14se fosse assim,
25:16para falar,
25:16qual gênero,
25:17hoje,
25:17é esse disco,
25:19vamos pôr,
25:19do ao vivo,
25:21em quarteto,
25:22aí?
25:25Então,
25:29é aquilo, né?
25:30A caixa que eu escolho
25:34é a tal da nova MPB.
25:38Apesar que eu sei
25:39que esse conceito,
25:41ele é leve,
25:42ele é leve não,
25:43ele é leviano.
25:45A turma de São Paulo
25:46não gosta desse termo,
25:49nova MPB,
25:51mas, assim,
25:53eu sinto que é o que representa
25:54mais mesmo,
25:56que é...
25:59é uma nova música brasileira,
26:01de certa forma,
26:02ancorada ali na...
26:07em algumas tradições regionais,
26:09que, no meu caso,
26:11seriam a bossa,
26:12o samba
26:13e o choro.
26:17Esteticamente,
26:19essas são as maiores referências
26:21da minha música.
26:23Apesar que
26:24eu me permito,
26:26e eu acho que
26:27meu passado na psicodelia,
26:29meu passado não,
26:30meu âmago psicodélico,
26:32mantém a coisa
26:35aberta.
26:35Eu não quero fazer
26:36um sambão clássico,
26:38por mais que eu ache lindo.
26:41Eu quero fazer
26:42uma música livre.
26:43Eu quero fazer
26:44uma música livre.
26:48Mas eu acho que
26:49para facilitar a vida
26:50de quem está ouvindo,
26:52sabe?
26:53se alguém...
26:54se a minha família,
26:55por exemplo,
26:55quando eu falo para minha mãe,
26:56quando eu falo para minha irmã,
26:58eu faço nove MPB.
27:00Isso dá um...
27:01as pessoas identificam,
27:03tipo, ah, ok.
27:04Porque MPB,
27:05o pessoal pensa no Caetano,
27:06pensa no Chico,
27:07pensa no Djavan,
27:08no Gil,
27:09na Betânia,
27:09na Gal.
27:12E existe um elo.
27:14Existe um elo.
27:15Até essa maleabilidade
27:17sonora também, né?
27:18Justamente.
27:19O Gil também tocou
27:20de reggae,
27:21a samba...
27:23Rock and Roll.
27:24Justamente.
27:24Que a MPB já é
27:26esse espaço amplo
27:27pra caramba.
27:28Que é uma...
27:30Ah,
27:30que tem uma coisa
27:31da Jovem Guarda,
27:32tem uma coisa
27:33do Tropicalista,
27:34tem uma coisa
27:34da Bossa Nova,
27:35tem uma coisa
27:35do rock estrangeiro.
27:37A MPB é esse grande...
27:39Na época,
27:40era a música popular.
27:42Né?
27:42Na época,
27:43era a coisa
27:44que se vendia.
27:45Hoje,
27:46tem algumas coisas
27:47que são ali
27:48que não estão...
27:49Que, por exemplo,
27:50o sertanejo,
27:51por exemplo,
27:52é uma música
27:52popular brasileira
27:53também hoje em dia.
27:54O funk é uma música...
27:55O rap é uma música
27:57popular brasileira
27:58hoje em dia.
28:00Mas eles não têm
28:04essa associação instantânea
28:06com a MPB antiga.
28:09É porque ela acabou
28:10virando gênero, né?
28:12Exatamente.
28:12O que não era um gênero...
28:13Não é sobre a popularidade
28:14em si.
28:15Exatamente.
28:15É sobre ser um gênero
28:17mesmo que abarca
28:20experimentações,
28:20mas que não é...
28:22Não é sobre ser popular, né?
28:24Sim.
28:24É aquele lugar ali
28:25que habitam esses artistas
28:27que você falou, né?
28:28Justamente.
28:28E a Nova também
28:29tem um pouco essa pegada.
28:30Se a gente pinçar
28:31alguns artistas
28:32para colocar
28:33desde, sei lá,
28:34uma Tulipa Ruiz
28:35até, sei lá,
28:37Metá-Metá,
28:38você citou a galera
28:38de São Paulo.
28:40Se você pensa
28:41esses nomes,
28:42vai ter muita diferença
28:43na sonoridade
28:44de cada um e tal,
28:46mas que abarcam
28:47um pouco essa...
28:49Toda essa variação
28:50de criação,
28:52de experimentação e tal, né?
28:53Justamente.
28:54Aí é aquilo.
28:56Se você pensar
28:57qual categoria
28:57eu me encaixo?
28:58Porra, eu não faço...
28:59Ah, meu Deus.
29:01Eu sei lá.
29:01Não, mas foi legal.
29:02Essa resposta
29:03acho que já deu
29:03um panorama, assim,
29:05de estar dentro
29:06de uma experimentação
29:07que combina
29:09com o que está sendo feito
29:11em tal, tal e tal, né?
29:12Que é aquilo
29:13que eu posso...
29:15Eu faço música
29:16pensando no que eu ouço
29:19e dessa forma psicodélica,
29:22dessa livre expressão ali
29:23que o que eu ouço,
29:24o que eu acho legal,
29:26eu vou e coloco.
29:29E...
29:30Aí eu pego
29:31a maioria da coisa, assim.
29:34Ah, eu ia falar outra coisa,
29:36mas eu perdi o fim da minhada.
29:39A gente interrompe aqui
29:40para dificultar um pouco mesmo,
29:41para ver se você está atento.
29:45Não, mas não esquenta, não.
29:47Eu quero saber...
29:48Deixa eu despontar agora.
29:49Ah, não, lembrei de mim.
29:50Então vai, lembrei.
29:51Então não pergunte.
29:52O que é isso?
29:53Eu não me permito podar
29:55e o que eu ouço e gosto
29:57eu vou lá e coloco.
29:59Então, se eu acho um jeito...
30:01E eu escuto muita coisa,
30:02sabe?
30:04Poxa, hoje em dia
30:06eu não escuto rap
30:06tão rotineiramente, assim.
30:09Mas eu gosto pra caramba.
30:10E funk,
30:11eu adoro funk.
30:13O rock.
30:17Hoje em dia tem o slack rock, né?
30:20Enfim, tem os australianos lá,
30:22o Temin Palo,
30:23o King Gizzard.
30:26E se eu sinto um jeito orgânico
30:29ali de colocar numa criação minha,
30:31eu coloco.
30:34Estou realmente seguindo
30:36uma vozinha
30:40não é muito bem definida, assim.
30:42E meio que tentando me divertir
30:44fazendo música
30:45e permitindo me surpreender
30:48com o resultado.
30:50Pois é.
30:51A gente falou do João Donato, né?
30:52Eu queria que você contasse
30:54essa história
30:54de como você conheceu,
30:56como chegou
30:56até vocês tocarem junto
30:58com o Paul
30:59e se puder também
31:00detalhar um pouco
31:01a história da composição
31:03que vocês fizeram.
31:03Claro.
31:06Então,
31:06o João Donato,
31:07ele juntou
31:09dois caminhos
31:10legais pra mim
31:11porque em devido momento
31:13eu virei produtor de evento.
31:16Quando eu saí do colégio
31:17eu entrei na faculdade
31:18de administração
31:19da UFMG
31:20e a gente tinha bandinha
31:22Mineiros da Lua
31:22e a gente,
31:25especialmente eu,
31:26não tinha muita paciência
31:27pra esperar alguém
31:28convidar a gente
31:29pra tocar em lugar nenhum.
31:31Então,
31:31eu comecei a propor
31:32eventos pras casas.
31:35Eu lembro que na época
31:36uma grande,
31:36um grande mote que eu tinha
31:38grande mote não,
31:39uma grande coisa que eu fazia
31:41que tinha um respaldo ali
31:42eu pegava artistas
31:44que estavam em turnê
31:46e chamava pra vir
31:48pra Belo Horizonte.
31:50especialmente artistas
31:50do Nordeste
31:52que estavam vindo
31:53pra tocar em São Paulo.
31:54Tipo quem?
31:55Tipo,
31:56a primeira foi a Mamed.
31:57É uma banda
31:58do Rio Grande do Norte.
32:00Eles vieram pra São Paulo
32:01pra abrir um show
32:01do Mac Demarco
32:02em 2017.
32:06E eu adorava a Mamed.
32:08Eu escutava ali
32:09e aí eu lembro
32:09que eu vi um post deles
32:10falando
32:11conhece algum produtor
32:12na sua cidade?
32:13Dá um alô na gente.
32:15Aí eu pensei
32:16Ei, eu posso ser
32:18esse produtor nessa cidade?
32:19Caramba, que loucura.
32:20Sem experiência nenhuma.
32:22Muito legal.
32:23Do it yourself.
32:24Do it yourself.
32:25Mas aí você pagava como?
32:26Era bilheteria?
32:28É bilheteria.
32:29Combinou com a casa.
32:29É, combina com a casa.
32:31Algumas vezes
32:32eu tive que botar
32:33uma grana
32:34que eu tinha economizado.
32:35Às vezes eu paguei
32:36pra ver mesmo.
32:37Como eu falei,
32:39desde que eu entrei
32:40na faculdade
32:40muito cedo
32:41eu comecei a fazer estágio,
32:42comecei a fazer pesquisa.
32:44então eu sempre consegui
32:46fazer uma reservinha ali
32:47que ou eu torrava
32:49num evento
32:50ou eu torrava no estúdio.
32:51O curso de administração
32:53deve ter te ajudado também
32:54com isso, né?
32:55Com certeza.
32:55Mas pode continuar, desculpa.
32:57Mas aí eu
32:59conforme eu fui avançando
33:00na música
33:01eu também fui propondo
33:02muitos eventos
33:03e trouxe várias bandas.
33:04Inclusive vários artistas
33:05super legais
33:06tocaram pela primeira vez
33:07aqui em Belo Horizonte
33:08com o meu auxílio
33:10ou muitas vezes
33:10a meu convite.
33:11é o caso do Glutrip
33:15a Sofia Chablau
33:18o irmão Vitor
33:20deixa eu pensar aqui
33:21mas tem uma porção
33:23de gente
33:24mas dessa turma
33:27teve alguns destaques
33:28ali o Tangolomangos
33:29que hoje está fazendo
33:30eles estão circulando
33:31bastante
33:32a primeira vez
33:32eu insisti pra caramba
33:34eles estão vendo
33:34o que vocês estão esperando
33:36pra vir
33:37só vem
33:37tem cama pra todo mundo aqui
33:40e enfim
33:41virei parceiro da Autêntica
33:43virei parceiro da Autêntica
33:45fiz vários projetos lá
33:46e aí quando a Autêntica
33:48saiu daquele
33:49daquela casa menor
33:50na Savasse
33:51para o
33:53pro antigo Lapa
33:55foi lá pro Santa Efigênia
33:57eles subiram um degrau
33:59assim
33:59e eu pensei
34:01e falei
34:01poxa e se eu tentar
34:02uma coisa mais ousada
34:04nessa época
34:05eu estava formando
34:06em administração
34:07quando eu formei
34:09eu recebi
34:10um presente
34:13formatura
34:13da minha família
34:14ali
34:14uma graninha
34:16e eu estava ouvindo
34:18muito o síntese
34:19do lance
34:19do Donato
34:21e do Macalé
34:21e eu pensei
34:23e falei
34:23poxa
34:23vou tentar subir
34:25vou tentar subir
34:26um degrau
34:26aqui
34:28e aí eu produzi
34:29o show do síntese
34:30do lance
34:30em Belo Horizonte
34:31que legal
34:32a Autêntica
34:34abriu as portas
34:35a gente fez
34:37a negociação
34:38ali
34:38e eu realizei
34:40o único produtor
34:41fora do eixo
34:42Rio-São Paulo
34:43que fez um show
34:43do síntese
34:44do lance
34:44eles não tocaram
34:45mais nenhuma
34:46outra cidade
34:47foi difícil
34:48conseguir assim
34:49ou não tanto
34:50o pessoal
34:51não foi acreditado
34:52não porque
34:53eu já conheci
34:53muita gente
34:56e tive vários
34:58facilitadores
34:58assim
34:59tem esse camarada
35:00lá de Goiânia
35:01o Fabrício Nobre
35:02que ele trabalhou
35:04com o Donato
35:04e ele também
35:05trabalhou com o Bulgarins
35:06e eu conheci ele
35:07nessas andanças
35:08assim
35:09e devido ao momento
35:10eu virei pra ele
35:11e falei
35:12cara
35:13como tá funcionando
35:14aí com o Donato
35:15porque ele vendia
35:16show do Donato
35:19aí ele me
35:20aí ele me contou
35:21falou
35:21cara
35:22a Autêntica
35:22já tá conversando
35:23com o Donato
35:24por um outro meio
35:25então fala com eles
35:26aí
35:27eu já era amigo
35:28do pessoal da Autêntica
35:29falei com o pessoal
35:30da Autêntica
35:30ele falou
35:31ah tá isso sim
35:32aí eu virei e falei
35:32pô
35:33quero assumir o evento
35:35e aí fizemos o evento
35:37fiz acontecer
35:39me coloquei pra abrir
35:41eu tava lançando
35:42meu segundo disco
35:43na época
35:44e eu aproveitei
35:45pra fazer o show
35:46de lançamento
35:46do segundo disco
35:49e ali
35:50em algum momento
35:51no
35:52na passagem de som
35:56eu toquei uma música
35:57pro Donato
35:58que era uma música
35:59que não tava pronta
36:01que era uma ideia
36:02que eu tava desenvolvendo
36:03e que era super inspirada
36:05no disco dele
36:06de 73
36:07o Quem é Quem
36:09aí assim
36:10eu
36:12fiquei naquela coisa
36:13mas ali
36:14ele tava indo embora
36:15assim
36:15a gente tava passando som
36:16eu falei
36:16galera
36:17para aí
36:17rapidão
36:17rapidão
36:18e toquei a música
36:18pro Donato
36:19assim
36:19aí beleza
36:20ele bateu palma
36:21curtiu
36:21foi embora
36:21e depois no fim da noite
36:23a Ivone
36:25viúva dele
36:26e era empresária dele
36:27na época
36:27virou pra mim
36:28e falou
36:28cara realmente aquela música
36:30é a cara do Donato
36:31onde que entra o piano
36:32pra ele tocar
36:35aí eu fiquei completamente
36:36sem jeito
36:37assim
36:37eu falei
36:38não
36:40peraí
36:40que história é essa
36:41e aí
36:43aí beleza
36:44terminou o evento
36:45assim
36:46eu fiquei com contato
36:47com todo mundo
36:48e aquilo ficou
36:49na minha cabeça
36:50assim
36:50ela virou
36:51onde que entra
36:51o Pino
36:52é uma possibilidade
36:53entrar o
36:55um piano
36:56do Donato
36:57aí eu escrevi
36:58pra ela
37:02escrevi pra ela
37:03falando
37:03Ivone
37:04aquela música
37:04eu tô pensando
37:05em gravar ela
37:06será que o Donato
37:07quer participar
37:07de alguma forma
37:09dependendo
37:10ele pode fazer
37:10um arranjo
37:11dependendo
37:12ele pode fazer
37:12um piano
37:13aí ela virou
37:14e falou
37:14olha
37:15eu vou mostrar
37:16pra ele
37:17e ele te responde
37:21beleza
37:23aí um dia
37:24eu tô andando
37:24voltando pra casa
37:25aí ela me liga
37:26fala
37:27João quer falar
37:28com você
37:28pô a pressão
37:29caiu
37:32só de que eu tava
37:32chegando em casa
37:33eu nem esperei
37:34chegar
37:34eu já sentei
37:35ali no
37:36na porta
37:37assim
37:39e aí
37:39ele ainda tirou
37:40uma onda
37:41com a minha cara
37:41assim
37:42ele falou
37:42ah eu ouvi
37:43bacana né
37:46e só ele
37:47cantando
37:48a melodia
37:48eu já fiquei
37:48tipo assim
37:49pô velho
37:49é isso
37:51já deu por aqui
37:52amigos
37:52já
37:54ele falou
37:54é legal
37:55aquilo
37:55mas tá faltando
37:56alguma coisa
37:56né
37:57aí eu fiquei
37:58tipo
37:59é né
38:00tá faltando
38:00alguma coisa
38:01só uma ideia
38:01e tal
38:03mas é isso
38:04eu te mandei
38:05pra saber
38:05o que você acha
38:06ele é
38:06eu acho
38:07que tá faltando
38:07alguma coisa
38:08mesmo
38:10e ficou
38:11nisso
38:12e ficou nisso
38:12e eu fiquei
38:13assim
38:13tá aí
38:14é você
38:15é ela
38:16é porque
38:17realmente
38:18é isso
38:19eu queria
38:20era ouvir
38:20de você
38:21né
38:21o que você
38:21tem a dizer
38:22aí ele
38:23é eu tenho
38:23a dizer
38:24que tá faltando
38:25alguma coisa
38:25e aí eu fiquei
38:26em silêncio
38:27aí a gente
38:28ficou uns 20 segundos
38:29em silêncio
38:29e ele falou
38:31eu vou fazer
38:32uma segunda parte
38:36aí você segurou
38:38o choro
38:39e aí
38:40como é que foi
38:41ele mandou
38:42depois
38:42essa segunda parte
38:44cara
38:44eu escrevi a música
38:46pra ele
38:47eu e um amigo meu
38:48o Vitor Dizel
38:48eu não sabia escrever
38:49na época
38:50o Vitor escreveu
38:50pra mim
38:52mandamos pra ele
38:53e a gente
38:54combinou
38:55uma
38:55um encontro
38:57no Rio de Janeiro
38:58no estúdio
38:59do Cassim
39:02e aí ele levou
39:04uma outra parte
39:07como se fosse
39:08um B
39:08eu fiz o A
39:09ele fez o B
39:10aí a gente
39:11se juntou
39:12ele chamou
39:13o pessoal
39:13da banda dele
39:14o Robertinho Silva
39:16o Luiz Alves
39:18que são simplesmente
39:19o Robertinho Silva
39:20e o Luiz Alves
39:21fundaram o Som Imaginário
39:23além de tudo
39:24eu fui gravar uma música
39:26com o Donato
39:27e de quebra
39:27gravei com duas lendas
39:28do Clube da Esquina
39:30além do Ricardo Pont
39:32um puta saxofonista
39:33e o José Arimatéia
39:35um trompetista
39:36de primeira
39:37que o Donato
39:38quis levar
39:39eles pro estúdio
39:41e a gente sentou lá
39:42todo mundo junto
39:43e fez a coisa lá
39:44vamos
39:46o andamento
39:47vai ser qual
39:47vamos repetir
39:48tantas vezes
39:48o que vem primeiro
39:49o que vem depois
39:51e a gente produziu
39:52a música lá
39:53e aí
39:54no final
39:55como é que foi
39:56assim
39:56tipo
39:57acabou
39:57o último take
39:59o Donato tava lá
40:00vocês tipo
40:01falaram
40:02ficou massa
40:03como é que foi
40:03quando vocês foram
40:05ouvir e pronto
40:06o Donato acendeu
40:07um baseado
40:07que não é segredo
40:08pra ninguém
40:08que ele era maconheiro
40:09pra caramba
40:10o Léo Aversa
40:11que tirou foto
40:13da capa do disco
40:15dele com o Macalé
40:16ele que escreveu
40:17no obituário
40:18uma crônica
40:19falando que eles tiraram
40:20aquela foto
40:20chapadaço
40:22telado
40:23e tal
40:23o pessoal brinca
40:25falando que pra esse álbum
40:26eles até
40:27eles orçaram
40:28na planilha do álbum
40:31tem lá
40:31tantas gramas
40:32mas o Donato
40:34na gravação
40:35ele não acendeu
40:36nenhum baseado
40:37na verdade
40:38ele nunca pagou
40:38ele já chegou lá
40:40com o baseado
40:41aceso
40:42tá
40:42vamos deixar esses detalhes
40:44para o pós aqui
40:46mas
40:47e aí
40:47e a música
40:48vocês ouviram
40:49juntos
40:50você teve esse momento
40:51assim
40:51de se entreolharem
40:53e tal
40:53bom
40:54tivemos
40:55a gente
40:55a gente fez
40:56a música
40:58ela saiu do estúdio
40:59pronta
41:00sabe
41:02depois eu optei
41:03por
41:04regravar uns vocais
41:06os meus vocais
41:08mas a gente gravou
41:09a música
41:10eu coloquei uns detalhes
41:11assim
41:11depois
41:14uma tristeza
41:15muito grande
41:16que eu levo
41:16é que ele nunca
41:17ouviu a Master
41:19e nunca vai ouvir
41:20porque ele morreu
41:21foi pouco tempo
41:22depois disso
41:23foram
41:24dois meses
41:25depois
41:25dois ou três meses
41:27depois
41:27então essa foi
41:28efetivamente
41:29a última
41:29composição
41:30que ele participou
41:31diretamente
41:32assim
41:32foi
41:32a última composição
41:34dele que ele gravou
41:35né
41:36às vezes ele fez
41:37alguma outra composição
41:38escreveu
41:39só
41:41participou
41:41de outras gravações
41:42mas
41:43a última gravação
41:44original dele
41:45e qual foi a sua impressão
41:47quando ele trouxe
41:48essa segunda parte
41:49assim
41:49você falou
41:50pô era isso mesmo
41:51que faltava
41:52tal
41:52ou
41:53se isso te surpreendeu
41:54de alguma forma
41:55ou você
41:55também achou
41:56que encaixou
41:57tão perfeito
41:58que
41:58parecia que já tinha
42:00nascido com aquilo
42:01cara
42:01justamente isso
42:03eu cheguei lá
42:04sem esperar nada
42:05sabe
42:05tipo assim
42:06eu acho que eu
42:09acho que aquilo ali
42:09já era tão significativo
42:11pra mim
42:12sabe
42:12que eu
42:13eu lembro que
42:15a gente acabou de gravar
42:16a gente gravou uma vez
42:17aí o Donato
42:19ouviu e falou
42:20tá
42:21tá devagar
42:21tá devagar
42:22vamos acelerar o BPM
42:24beleza
42:24acelerar o BPM
42:25gravamos
42:26e o Donato
42:27virou pra mim
42:27o que você acha
42:28eu falei
42:28cara isso tá perfeito
42:30sabe
42:30aí até ele
42:31ele teve um cuidado
42:32ele foi bem cuidadoso
42:33assim
42:33que ele virou
42:33não mas você gostou mesmo
42:35eu virou e falei
42:36cara
42:37cara
42:38eu queria te perguntar
42:39como é que
42:40era o Donato
42:41né
42:42porque assim
42:42eu nunca cheguei
42:43a conversar com ele
42:44nem nada
42:44mas
42:45eu fiz o obituário dele
42:47e aí eu conversei
42:48com muita gente
42:48ao redor dele
42:50né
42:50e todo mundo falava
42:51que ele era como se fosse
42:52uma criança
42:52da terceira idade
42:54assim
42:54acho que a Joyce
42:55se não me engano
42:56que falou que uma vez
42:56eles estavam no Japão
42:58ele colocou um balão
42:59pra não se perder
43:01e ninguém perder ele
43:02ele ficava andando
43:02pelo Japão
43:03com um balão
43:04assim no braço
43:05então eu queria saber
43:06como é que era o João Donato
43:08que você conheceu
43:09assim
43:09como é que ele
43:09cara eu acho que é isso
43:11eu não conhecia ele tão a fundo
43:14mas essa experiência
43:15mas realmente
43:17ele era uma pessoa
43:19muito espontânea
43:20sabe
43:21que é isso
43:23que tem uma espontaneidade
43:24que remete muito a
43:27um ar de criança mesmo
43:29sabe
43:30ele não tinha pudor
43:32nenhum
43:32de falar
43:33que não gostava
43:34de alguma coisa
43:35sabe
43:36ele
43:36tava muito nem aí
43:38porque a galera
43:39tava achando
43:40ele tava
43:40meio que curtindo
43:42a onda dele
43:42assim
43:43é
43:45as impressões
43:46que eu tenho
43:46do Donato
43:47foram essas
43:48assim
43:48e imagino que receptivo
43:50também né
43:50pelo fato de ter aceitado
43:51fazer uma música
43:52e tal
43:54ou aquela coisa
43:55fechada
43:55eu achei receptivo
43:57eu achei receptivo
43:59mérito da música
44:00também
44:00de alguma forma
44:01pois é
44:01ficamos com essa
44:03isso aí
44:03a Ivone
44:05a viúva dele
44:06me fala
44:07que ele não teria pudor
44:08nenhum de falar
44:09que não gostei
44:10não vou gravar
44:11interessante
44:12bom a gente já tá
44:13recebendo sinais
44:14ali da nossa diretora
44:15que a gente tá chegando
44:16no final
44:17a gente faz uma brincadeira
44:19aqui no Divirtas
44:19que é te perguntar
44:20uma coisa
44:21e se responder
44:21da forma mais sucinta
44:23que você conseguir
44:23beleza
44:24bate bola
44:25mas é aquilo
44:27também se quiser
44:28desembolar um pouquinho
44:29costuma dar respostas boas
44:31nesse momento
44:31então
44:32uma música
44:33que marcou a sua vida
44:39e que pode ser
44:40a música que marcou
44:40a sua vida
44:41essa semana
44:42né
44:42também assim
44:43não precisa ser
44:43nada definitivo
44:44não
44:45não
44:48é
44:50Epitáfio
44:50do Titãs
44:51por quê?
44:53primeira música
44:54que eu lembro
44:55de cantar
44:56e
44:59até hoje
45:02eu sinto
45:03o acaso
45:04me proteger
45:05quando eu ando
45:06distraído
45:06bonito
45:07bonito cara
45:08e uma música sua
45:11favorita
45:11tem?
45:12eu sei que tem aquele clássico
45:14não tem filho favorito
45:15blá blá blá
45:16mas tem alguma
45:17que te pegou assim
45:18e falou
45:18pô
45:18foi massa essa
45:20claro que a do João Donato
45:21tem esse valor
45:22mas
45:23pode ir além
45:24claro
45:24fica à vontade
45:32realmente
45:33as outras
45:34vão ficar com ciúme
45:36então uma assim
45:37que você vai recomendar
45:38que a pessoa ouça
45:39para tentar
45:41conhecer o seu trabalho
45:42é
45:47sustentabilidade
45:48e capitalismo
45:51por quê?
45:52é um poema
45:53musicalizado
45:54que eu fiz
45:55e que
45:59eu acho que é uma ideia
46:00que as pessoas precisam ouvir
46:01e uma coisa
46:03que eu acho
46:03é um tema
46:04que todo mundo
46:05tem que refletir
46:06sobre
46:07não que eu tenha
46:08cuspido verdades lá
46:10mas
46:10eu gosto
46:12eu acho que é
46:14música relevante
46:15uma letra importante
46:17que eu fiz
46:18que eu me orgulho muito
46:19legal
46:20acho que é isso
46:21a gente já
46:22deu quase uma hora
46:23aqui de gravação
46:25queria agradecer
46:26muito legal
46:27deixar um espaço
46:28para você falar
46:29suas redes sociais
46:30onde que as pessoas acham
46:32eu sei que hoje
46:32é tudo
46:33no streaming
46:34mas
46:35olhando para aquela câmera
46:37ali
46:37escondida
46:38atrás dos livros
46:39do Divirta-se
46:40e a agenda também
46:41você contar
46:42suas redes sociais
46:43a agenda
46:44o que as pessoas
46:45podem esperar de você
46:46no futuro
46:47e onde te encontrar
46:49bom
46:49convidar você
46:51espectador do Divirta-se
46:52para conhecer meu trabalho
46:54começa por esse último álbum
46:56que eu lancei
46:57o Ao Vivo em Quarteto
46:58que você pode ouvir
46:59pode assistir
47:01no YouTube
47:02em algum tempo
47:03você poderá
47:04inclusive segurar
47:05esse álbum
47:06em suas mãos
47:08e a conhecer
47:09minhas outras músicas
47:10também
47:11assim como
47:12as músicas
47:13dos meus
47:14dos meus colegas
47:15que gravaram comigo
47:16e toda essa galera
47:18nova de Belo Horizonte
47:19assim
47:19porque apesar de qualquer coisa
47:22eu não sou nada
47:24além de um fruto
47:24do meu meio
47:25assim
47:27e
47:27Belo Horizonte
47:28Minas Gerais
47:29e o Brasil
47:30é
47:31um caldeirão
47:32de música boa
47:34e
47:38música boa
47:39melhora a vida
47:39da gente
47:40com certeza
47:41você está inserido
47:42de alguma forma
47:44nesse
47:45turbilhão
47:46de música boa
47:47que temos
47:47as redes sociais
47:48é
47:49arudo
47:49underline
47:50underline
47:50underline
47:51underline
47:51mas honestamente
47:53eu não estou nem aí
47:54não me faz
47:55pegar o telefone
47:56não
47:57tenta me achar
47:58por sinal de fumaça
48:00coloca uma carta
48:01no oceano
48:02dentro de uma garrafa
48:04joga na lagoa
48:04da população
48:05não mentira
48:05não façam isso
48:07até porque
48:09a garrafa vai
48:10ser corroída
48:12mentira
48:12não estamos aqui
48:13para falar mal
48:14de nenhuma lagoa
48:15mas ao contrário
48:17do arodo
48:17a gente precisa
48:18que você interaja
48:20que você dê like
48:22que você escreva comentários
48:24pode até escrever um comentário
48:26achando um absurdo
48:27que ele não quer
48:28que você pegue o celular
48:29ou não
48:30concordando
48:31porque de fato
48:32a gente está usando
48:33o celular demais
48:34né
48:34bom vamos ficando por aqui
48:36né
48:36aqui no portal
48:37ai
48:38e no divirtes
48:39tem muita coisa
48:40arte
48:40cultura
48:41cinema
48:42teatro
48:43muita coisa mesmo
48:44a gente está
48:45esse ano
48:46semanal
48:47então colabore
48:48deixe o seu like
48:50siga a gente
48:51a gente está no spotify
48:52também
48:53beleza
48:53e vou tirar umas férias
48:56até a gente tem mais um episódio
48:57além desse
48:58que vai ao ar
48:59e aí depois
49:00voltamos em setembro
49:01beleza
49:02é isso
49:03com certeza
49:04valeu demais
49:04otávio
49:05arão
49:05do brigadão
49:06pedir para a nossa diretora
49:07cortar para aquela câmera do meio
49:09para a gente dar aquele tchauzinho
49:11coletivo
49:11que já é tradicional do
49:13divirta-se
49:13valeu
49:14tchau tchau
49:15divirta-se
49:16cultura
49:16advirta-se
49:18e aí
49:21tchau
49:21tchau
49:21tchau
49:22tchau
49:22tchau
49:22A CIDADE NO BRASIL
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