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O Podcast Divirta-se desta semana recebe dois integrantes do grupo Malungo. Flávia Ellen e Leo Lana foram até a mesa do Divirta-se para falar da estreia do álbum "Costura', álbum de MPB com pegadas de forró.
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NotíciasTranscrição
00:03Olá, seja bem-vindo ao Divirta-se, o seu podcast de cultura do Jornal Estado de Minas.
00:08Hoje a gente vai falar de forró e coisas parecidas com forró.
00:13Mas antes queria apresentar novamente o Lucas Landa.
00:16Fala, estamos aqui na mesa, tudo bem?
00:18Beleza, bom demais.
00:19Animado aí?
00:20Bastante, demais, bom demais.
00:22Então queria apresentar agora a banda Malungo, o grupo Malungo, Flávia Ellen e Léo.
00:30Sejam bem-vindos à mesa do Divirta-se, pessoal.
00:32Prazer enorme estar aqui com vocês.
00:34Então eu queria que vocês já contassem o que é Malungo, de onde que vem esse nome,
00:38pra gente começar depois a falar de música.
00:41Malungo significa camarada, do idioma Kikongo, né?
00:45A família Bantu.
00:47E acho que a pegada nossa é bem esse lugar aí mesmo, de ser camarada, de ser acolhedor,
00:52de ser companheiro, de ser amigo.
00:55Malungo é pra quem quiser chegar.
00:56E ser Malungo também, ou seja, todos nós, né?
00:59Legal, é só ser camarada, né?
01:01Exatamente.
01:02E como que começou essa banda, né?
01:04A gente tava falando um pouquinho, vocês dois tinham carreiras próprias e tal,
01:08mas também tocam juntos há muito tempo.
01:11Quando que vocês decidiram fazer essa banda?
01:13De onde que veio essa ideia?
01:16Olha, no meio da pandemia a gente recebeu um convite, eu e o Léo, pra fazer um evento,
01:21uma live, né?
01:21No caso.
01:23E aí a gente tinha passado o som, tava lá esperando chegar a hora,
01:26e eu virei pra ele e falei assim, cara, eu tinha muita vontade de misturar música mineira e nordestina
01:31num bloco de carnaval.
01:32E aí comecei a falar das minhas ideias, ele ficou todo arrepiado e falei assim,
01:34cara, vamos fazer isso.
01:36Aí guardou essa parte, né?
01:38Aí fui, escrevi projeto pro bloco de carnaval e não acontecia.
01:41A gente não sabia por que que tava travado, assim.
01:44Aí eu falei assim, ah, vou deixar isso pra lá, deixa em banho-maria, um dia acontece.
01:48E aí chegou em 2024, eu cheguei pro Léo e falei assim, ô, vamos fazer uma banda de forró?
01:53A gente é forrozeiro desde sempre, assim, vamos fazer, pelo menos a gente vai se divertir.
01:58Aí ele, ah, vamos fazer.
01:59Aí começamos a ensaiar, de repente a gente começou a colocar maracatu no repertório,
02:05colocava Milton Nascimento no repertório, falei com ele, ó, acho que esse negócio tá virando outra coisa,
02:10não vai ser só forró, não.
02:11Forró tá aqui, a sanfona tá aqui, mas eu acho que vão vir outras coisas.
02:15É, tocamos até Wanderly, assim, e tudo pode ser forró, né?
02:20O Rastapé já falava isso, acho que tem um disco que tudo é forró, né?
02:23Tem um disco que tudo é forró.
02:24E aí a gente transformava tudo em meio que uma linguagem do forró por causa da sanfona,
02:28a zabumba é o nosso instrumento principal junto com a percuteria.
02:32Mas a minha ideia principal ainda residia naquele lugar do bloco de carnaval.
02:36Eu queria que a percussão fosse estrela da festa.
02:39Mas quando chegou a sanfona, eu falei assim, ó, tem duas estrelas na festa, né?
02:42E tudo bem, só que a gente começou a fazer esse projeto e viu que não era uma banda de
02:47forró.
02:47E aí nasceu o Malungo.
02:48Foi isso que aconteceu.
02:50Agora, como é que funciona essa mistura de percussão, vamos colocar assim, né?
02:56Porque o forró, se a gente pega ali o baião, o shot, é muito tum, tum, tá, tum.
03:02O shot já é uma coisa mais...
03:04E você pega música mineira, já é uma outra coisa.
03:08Você pega música africana, então...
03:09É mais diferente.
03:11São construções rítmicas diferentes.
03:12Exatamente.
03:13Como juntar tudo e não ficar um forró-bodó, né?
03:17De onde surgiu o forró.
03:18É legal você falar isso porque quando você fala que tem essa coisa da africanidade, né?
03:25Ela vem forte em ambas as coisas que você acabou de dizer.
03:29Tanto no tambor mineiro, quanto na linguagem que traz aí o baião, essa célula da...
03:39Essa palma de samba de roda, você tá num samba, o pessoal de repente tá batendo essa célula.
03:43A gente chama de clave, né?
03:44E olha como é que é interessante.
03:45Essa clave cabe lá no samba de roda, mas se você puxar ela num baião, se você puxar ela, ela
03:50cabe também.
03:51E se de repente estiver rolando um Congo, um Osambique, a gente puxar um canto, a gente puxar essa palma,
03:56essa célula, ela também dialoga.
03:59Então, vamos dizer assim que essa talvez seja a clave brasileira, como tem a clave cubana, como tem as...
04:06As, vamos dizer assim, as células do jazz norte-americano, do pop norte-americano, que já tem umas coisas que
04:11são bem cravadas ali, né?
04:13Que já se identificam.
04:14Podemos dizer que isso é a nossa clave também e ela dialoga com tudo isso, né?
04:18A música africana, ela é muito linda, os países são independentes, mas eles estão super interligados ali.
04:25E tudo isso veio pra cá, né?
04:27Tudo isso chegou aqui e se misturou.
04:30Então, quando você fala do forró a bodó, vamos dizer que já houve lá atrás, o primeiro, né?
04:35Forró a bodó na chegada desses povos, tanto povo africano que chegou no Brasil, especificamente em Minas,
04:40ou os que chegaram em Pernambuco, que estiveram em outras partes do país.
04:44Então, é tipo, pegando o que você tá falando e pegando o que vocês falaram do...
04:49Gente, agora eu esqueci, do Estaca Zero, que falou que tudo é forró.
04:52Não, é...
04:53Rastapé.
04:53O Rastapé.
04:54Então, de fato, tudo dá pra fazer forró.
04:58Inclusive, esse disco deles é maravilhoso, porque eles pegam canções da MPB.
05:03Coisas que, de repente, posso dizer assim, você não...
05:07Naquela época não associaria, já é um disco antigo, né?
05:10Deve ter quase 20 anos.
05:11Você não associaria ao forró.
05:15Mas tem, inclusive, tem até de nardo, tem umas coisas ali, mas é isso, tudo é forró.
05:21A possibilidade onde você tem umas abombas, uma sanfona, um triângulo, que vamos dizer assim,
05:24que é essa santíssima trindade do forró de raiz, que vinha ali em Luiz Gonzaga,
05:30e de antes, já acontecia ali de forma informal, não sem ser popularizado, né?
05:35Vamos dizer assim, que o Luiz foi talvez o primeiro popstar, né?
05:40Aquele cara que veio pro sudeste, trazendo e tudo mais, já tinha.
05:44A gente tinha lá o tambor, o triângulo, o de vergalhão, né?
05:47Aquela sanfona de oito baixos, o chamado pé de bode ali.
05:52O próprio manuário, né?
05:54Exatamente, uma coisa já acontecia, né?
05:56Então, tendo ali essa santíssima trindade, você tem capacidade de fazer tudo.
05:59É uma formação até bem versátil e assertiva, né?
06:04Você tem o agudo do triângulo, o grave, o swing, a força do grave das abombas,
06:11com ainda a baqueta de baixo ali, o bacalhau, que faz um contraponto rítico bacana.
06:15E a sanfona, que você consegue fazer os baixos, as melodias, é um instrumento maravilhoso.
06:20Então, assim, é perfeito essa formação, né?
06:23Aulas do diretor musical do maluco.
06:25Meu Deus, aulas.
06:27Não, é isso que a gente tá buscando, tá tudo bem.
06:30Eu queria que vocês contassem um pouquinho da vida pregressa da banda, assim, né?
06:34No caso, você também já toca aqui em Belo Horizonte há muito tempo, vocês dois.
06:38Conta um pouquinho aí, cada um.
06:40Os dois tocaram juntos antes, eles estavam comentando antes aqui.
06:43Já tocavam, mas tinham uma vida própria aí, musical.
06:47Conta aí pra nós, como é que foi isso, assim?
06:49Como é que você começou na música, Flávia?
06:51Ô, gente, eu formei em Direito, né?
06:53Na Federal, em 2012.
06:55Tem dúvida aqui.
06:56E, assim, foi uma escolha pessoal muito consciente.
07:00Porque na época em que eu prestei vestibular, ou seja, né?
07:04Só de ter falado vestibular aqui já entreguei, né?
07:06Não existia o curso de música popular na UFMG.
07:09Que veio aparecer em 2009.
07:11Eu tava no meio da faculdade, cogitei largar o direito pra ir pro curso de música popular.
07:15E falei assim, vou continuar aqui, esse curso vai me dar uma base cognitiva mesmo, assim, de conhecimento do mundo
07:23que eu acho que eu preciso.
07:24Fiquei lá no direito.
07:25Só que, assim que eu me formei no colégio, eu já sabia que eu ia seguir uma carreira musical.
07:32Teve um episódio no colégio que foi eu tocando pra colegas, uns 300 colegas, que era o tanto de gente
07:36que tinha no terceiro ano.
07:38Eu cantei uma canção autoral minha.
07:39Eu já era compositora desde os 14 anos.
07:41Legal.
07:42E as pessoas cantaram.
07:43Sabe aqueles MP3 que circulava?
07:45Nos negocinhos de MP3, assim, pequenininho?
07:47Pois é.
07:48E essa música tava circulando no voz e violão que alguém me gravou com um gravadorzinho vagabundo, assim, de iPod,
07:53né?
07:54E aí as pessoas cantaram a minha música e eu olhei aqui e falei assim, ó, esse negócio aqui é
07:58legal.
07:58Essa sensação aqui é muito divertida.
08:00E ali eu sabia que eu ia fazer música.
08:02Então eu saí do colégio em 2006, entrei na faculdade e em 2007 eu conheci o Léo e o Cleitinho,
08:08que é um parceiro nosso também dessa época,
08:10que foram os dois caras que já estavam formados na UENG, estavam topando super projetos, assim,
08:15e o Cleitinho tinha me falado assim, vamos fazer o seu trabalho autoral, suas composições são boas, você é uma
08:20compositora jovem, porém boa.
08:22E eles me lapidaram, eles me colocaram, me inseriram no mercado musical profissional.
08:27Isso foi em 2007, eu tinha...
08:28Você caiu também, por aí?
08:30Eu tinha 18 anos, assim.
08:33Quando a gente começou eu ainda não tinha completado 18, então eu chegava nos lugares com autorização dos meus pais,
08:38ou então meu pai ia, né?
08:40Então a gente começou ali fazendo as minhas músicas, eu já era uma compositora muito jovem, porém habilidosa com as
08:47palavras e com as melodias,
08:49apesar de não ter conhecimento musical teórico nenhum.
08:51Eu sempre fui intuitiva no violão e no canto, né?
08:54E depois, claro, comecei a me capacitar, fiz muitas aulas de canto, nunca fiz aula de violão, me recuso.
09:01E a partir dali eles estiveram sempre comigo, desde 2007 os dois estão comigo.
09:05E aí a gente gravou o meu primeiro EP em 2015, aí vieram alguns singles, gravei disco em 2019,
09:11e tive 15 anos de carreira autoral.
09:15Toquei em festivais, a gente tocou em São João Del Rey, tocamos em...
09:18Minha cidade.
09:19É mesmo?
09:20São João Del Rey.
09:21Cidade boa, cidade boa.
09:23Toquei no Inverno Cultural da UFSJ, fomos para São José dos Campos, tocamos lá no festival de música que tinha,
09:29então a gente circulou muito com o trabalho autoral, mas eu tinha uma sensação de que sempre faltava alguma coisa.
09:34E aí, né, com muitos processos analíticos, terapia, etc., eu cheguei à confusão que eu tenho um perfil muito melhor
09:42de banda,
09:42e não de carreira solo, que eu sou uma... não sou uma estrela que gosta de brilhar sozinha.
09:47E aí, quando veio a possibilidade de fazer uma banda e que o Malungo surgiu, eu falei assim, nossa, era
09:53isso.
09:54Então, assim, toda uma trajetória, a sensação que eu tenho hoje é uma trajetória preparando para uma banda, que é
10:01o Malungo.
10:01Antes de passar para o Léo, eu só queria saber, assim, como foi isso aos 14 anos, ou antes, você
10:06compôs?
10:06Estava lá, sua família já era uma família mais musical e tal, como é que foi esse processo, assim?
10:12Deixa eu só complementar, era forró que você compunha?
10:15Não, nunca, nunca compus, mentira, nunca é muita coisa, mas eu comecei compondo músicas que a gente chama de MPB,
10:22e uma MPB clássica, porque as minhas referências eram da MPB clássica.
10:27A minha maior referência, desde que eu nasci, era a Marisa Monte, né?
10:31Então, assim, eu olhava para ela e achava que ela era a maior referência que eu podia ter de composição,
10:35de tudo, assim.
10:36Então, eu escutava muito e, na época, quando você começa, você tenta reproduzir, porque você tem pouco repertório, né?
10:42Eu tinha 14 anos.
10:43Então, eu comecei compondo uma MPB clássica.
10:47E aí, pegando esse gancho, sim, eu venho de uma família musical, mas não musical profissionalmente.
10:52Meu pai é um cara que teve banda de baile no interior de Minas Gerais, mas no interior que nós
10:56estamos falando de 10 mil pessoas.
10:57Então, o interior do interior, né?
11:00Ele canta super bem, muito afinado, toca violão.
11:02Eu tive muitos primos ao meu redor, assim, no crescimento, que tocavam violão também.
11:06E eu tive um tio, que é o irmão mais novo da minha mãe, que ficava tocando blues para mim
11:12quando eu era neném.
11:13E ele morava com minha mãe na época, então ele meninava tocando blues.
11:16Que foi o que resultou no disco, no meu disco de 2019, tem muitas influências de blues.
11:22Guitarras, arranjos, arranjos de sopro.
11:25Então, eu brinco que eu fui revirando a minha vida de compositora todo nesse disco de 2019.
11:31Que traz as influências da MPB tradicional, traz uma MPB mais jovem e também traz essa influência de blues que
11:37veio totalmente do meu tio.
11:39Então, assim, é uma miscelânea de influências.
11:42Só que no meio disso tudo eu era forrozeira, né?
11:44De ir nos forrós de Belo Horizonte.
11:46Eu aprendi a dançar forró no recreio do colégio, com os meus colegas.
11:50Alguns músicos, outros não.
11:51Outros da arte cênica, assim.
11:54E quando você frequenta muito forró, inevitavelmente, para a gente que é compositor, a gente está sempre recebendo novos insumos.
12:00E aí eu compus um ou dois forrós, mas nada muito forró, forró, assim, não.
12:05Até porque eu não tinha contato com quem tocava sanfona.
12:07Que é um instrumento de músicos raros, assim.
12:10Eles têm agenda pior que de presidente da república.
12:12É, outro povo doido.
12:14E aí foi essa construção, assim.
12:17E quando eu cheguei, quando a gente resolveu fazer o Malunga, eu já cheguei para o Léo com a proposta.
12:22Nossa, eu tenho alguns forrós aqui e tal, a gente pode trabalhar.
12:25Só que imediatamente, quando essa chave virou, eu falei assim, então vou compor forró.
12:29E aí o Cleitinho voltou.
12:30O Cleitinho, ele se afastou da carreira musical dele.
12:33E aí ele voltou com essa proposta de uma melodia de uma música que está no disco atual.
12:36Então, assim, a vida deu muitas voltas, sabe?
12:40Que eu brinco que foi um espiral para cima, assim.
12:42Que foi me misturando até a gente chegar no momento que a gente está hoje.
12:46E você, Léo?
12:47Ô, rapaz, eu era pequenininho lá no Barreiro.
12:51Sou da região do Barreiro, né?
12:54Aqui em Belo Horizonte.
12:56E meu primeiro contato com a música foi na igreja, com um jovem periférico.
13:02Em 1989, bem menino, 92 ali, já estava mais aventureiro.
13:09Troquei com os artistas ligados à igreja católica, os popstars, né?
13:15Vamos dizer assim, os padres popstars.
13:17Na época estava surgindo aí, né?
13:18Só ouvia falar do Padre Zezinho naquela época.
13:20Nossa!
13:21E aí estava chegando, o Fábio de Mello ainda era Fábio de Mello.
13:25Era religioso.
13:26Nem tinha entrado no seminário ainda.
13:28Pouco, olha só, cara.
13:29É, não, já entendeu, cara.
13:31É, mas é bem isso, né?
13:33Então, assim, meu primeiro contato com a música foi ali.
13:35Depois com bandas marciais, né?
13:37Tocando em banda de, a famosa banda de Corito, né?
13:40Também tive uma experiência ali.
13:42Foi quando os meus primeiros contatos com a leitura musical, com a escrita, estudando saxofone.
13:46Mas não dei sequência.
13:47A banda fechou, eu tive que entregar o sax naquela saga, né?
13:50Quando você não tem a grana para poder investir ali naquela situação.
13:53Enfim, e aí dali eu fui calopando nas noites de Belo Horizonte.
13:57Belo Horizonte teve um período aí nos anos 90 até meados da primeira década de 2000 ali,
14:03que tínhamos muitas casas noturnas, né?
14:05Com casas com banda tocando, né?
14:08Casa de show.
14:09A gente pode ficar enumerando aqui várias que fechavam, que acabaram e que empregavam muita gente.
14:13A gente conhecia muitos músicos que tinham carteira assinada, né?
14:16Tinha uma nova camponesa mesmo, que é uma casa antiga aqui em Belo Horizonte.
14:19Músicos que tinham carteira assinada lá.
14:21Elite, nova camponesa, tulipão, cangue-candeia, mineiríssimo.
14:26Eu vou ficar aqui enumerando um monte de casas que acabavam.
14:29E eram casas que as pessoas iam.
14:30O fato de eu lembrar dessas casas, né?
14:32A gente que entrega um pouco a minha idade também.
14:35Tá entregando.
14:36Então, assim, eu tinha essa esfervescência.
14:38Então, eu toquei muito nesses lugares, né?
14:40Eu frequentei esse tipo de casa.
14:42E que foi a minha escola na noite de Belo Horizonte, assim.
14:46Depois me enverdei por outros projetos e, enfim.
14:50Cleito me traz, fui pra faculdade.
14:52Me tornei educador, na verdade, com 20 anos.
14:54Eu tava dando aula em projetos sociais.
14:55Então, eu rodei por muitos projetos sociais na região metropolitana.
14:58Dando aula pra meninada, ensinando percussão, ensinando tambor e, enfim.
15:04Ensinando música.
15:05E aí, reencontro o Cleito, que também é um camarada que vem do rolê da igreja também.
15:11Já tínhamos desvencilhado aí desse processo, né?
15:15Dessa fase.
15:16E aí, nos reencontramos e ele vira pra mim assim.
15:18Ô, Leozinho, Leozinho, tem uma menina ali que tá talentosa pra caramba.
15:22Menina boa de serviço.
15:23Tá precisando de uma percussa pra poder dar uma engrossada no caldo.
15:26Aí, chego lá, essa pirralha tava lá.
15:28Ah, entendeu?
15:29Vambora, Cleito.
15:29Vamos fazer.
15:30Chego, conheci essa menina.
15:31Tímida pra caramba.
15:32A vozinha pequenininha.
15:34O pai dela com o braço cruzado.
15:37Espeditão, né?
15:37Espeditão lá na sala, assim, com o sargentão, assim, de olho.
15:40Sai da minha casa, tá?
15:42Só podia ser na casa dela.
15:43E chegava e ficava lá, assim, de olho.
15:45Errado não tava, né?
15:45Hoje é lógico.
15:47Hoje é uma família, né?
15:49Eu os adotei como pai, mãe e minha irmã mais nova.
15:52Enfim, a gente...
15:53A coisa vem fluindo, né?
15:55Vem acontecendo.
15:56E é isso.
15:56Como ela fala, o espiral.
15:57E a gente foi rodando, cada um pra um canto.
15:59Tivemos essa fase, eu gravei o primeiro EP.
16:01Quando fui pra gravar o disco, eu tava com o neném pequeno, eu tenho uma filha.
16:07Aí já não deu pra poder ficar mais perto, assim, nesse período.
16:10E nos reencontramos agora, recente.
16:11Enfim, assim, o cosmos sempre conspira pra que estejamos perto de alguma forma, assim,
16:17né?
16:18E aí...
16:18Que fofo, gente.
16:20Eu sou madrinha da filha dele, gente.
16:21Ela é madrinha da minha filha.
16:23Não tem como não fazer música junto com essa menina.
16:28Qual que é a formação atual?
16:30Atual não, né?
16:31A formação da banda, do grupo, né?
16:33Nós temos uma base que é um quarteto, sanfona, eu faço zabumba, Flávia tem e voz, Flávia
16:41e violão e voz.
16:44E temos uma percuteria, é uma batera, na verdade, e ela traz alguns elementos percussivos ali,
16:50tudo mais, pra dar um molho, dar uma enxita, uma engrossada no caldo.
16:54É um quarteto, ele funciona como um quarteto hoje.
16:56E quem faz além de vocês dois?
16:58Então, nós temos lá hoje o Max Ebert, na sanfona, e a Valéria Santos, fazendo essa
17:04percuteria.
17:05Para o show, teremos mais agregados.
17:07Pois é, a gente tá falando aqui, né?
17:09Vocês vão lançar o álbum no próximo fim de semana.
17:14Dá as informações, então, pra gente, pra quem quiser ir, onde que é o show, como
17:19é que é, e o álbum.
17:21Conta tudo.
17:22Ó, a gente lançou o álbum no último dia, 26 de junho.
17:26Se chama Costura, por causa dessa nossa proposta musical, né?
17:29De costurar elementos da música brasileira e elementos da cultura brasileira, não só
17:34da música, né?
17:35Então, já tá em todas as plataformas de música, pra quem quiser escutar.
17:38No YouTube, também, a gente subiu um videozinho com aquele disco completo, pra quem prefere.
17:43Que legal.
17:44E o show de lançamento vai ser no dia 5 de julho, oitavas de final do Jogo do Brasil.
17:49A gente vai transmitir, é óbvio, a gente é muito boleiro na banda.
17:53A gente vai tocar antes, então, a gente toca às 15 horas, o jogo às 17.
17:57Lá no Barzenho, que fica lá na Lagoinha, é um gastropub cultural, assim, bem bacana o espaço.
18:03Tem mesa pra quem quer sentar, comer, pra quem quiser ficar em pé, dançando, que é a nossa proposta
18:10de show também, tem bastante espaço.
18:12E os ingressos já estão à venda, no Simpla.
18:15Vai ter ingresso na portaria também.
18:18Então, faltam poucos dias, estamos ansiosos pra lançar esse disco.
18:22Disco também entrega idade, né?
18:24Estamos ansiosos pra lançar ao vivo esse álbum, com um repertório que traz as nossas referências musicais.
18:31Então, a gente traz muitas releituras, porque, se nascemos agora, temos poucas músicas, né?
18:35São só, acho que, seis músicas autorais.
18:38E o resto vai ser releitura.
18:40Então, a gente vai ter releitura dos artistas baianos, dos artistas pernambucanos, dos artistas mineiros.
18:46Que essa é a nossa proposta.
18:48Tem hora que a gente até coça, né?
18:49Que tem muita coisa boa no Rio, São Paulo, Porto Alegre.
18:53Mas a gente vai se manter fiel a essa proposta de fazer Minas e Nordeste musicalmente.
18:58E nas partes das composições também.
19:00Então, é isso.
19:01E, Eris, dá pra considerar como um álbum de forró ou nem tanto?
19:07Olha, se a gente quisesse prender um rótulo, como as plataformas de música pedem,
19:14eu coloquei lá como nova MPB e forró como gêneros predominantes.
19:18Mas eu prefiro que cada um escute e apenas sinta.
19:21Pra gente, o que importa é, eu acho que você vai escutar e eu acho que você vai querer, pelo
19:26menos, mexer o ombrinho, sabe?
19:27Até nas músicas mais calmas você vai ficar com o ombrinho assim.
19:30Então, a proposta do Malungo é essa, sabe?
19:33É trazer uma festa do Brasil, assim.
19:35Um puro suco de Brasil, sabe?
19:37E como que foi feito esse set-list?
19:42Como que vocês foram propondo?
19:44Que tal essa?
19:45Que tal aquela?
19:46Que tal artista XYZ?
19:47Quais foram os parâmetros aí que atraíram vocês pra gravar?
19:52Então, as autorais...
19:54É aquela velha...
19:55Vamos pôr na mesa o que a gente tem, né?
19:57Eu não...
19:58Primeiro, eu não sou cantor.
20:01Sou um percussionista, sou um baterista que agora estou virando canário.
20:06Cara, que trampo.
20:07Isso é outra história.
20:09Mas, assim...
20:10E muito menos compositor, né?
20:12E eu trabalho com educação infantil.
20:14Então, assim, eu arrisco umas canetadas, umas escritas, né?
20:17Para esse segmento, para a criança.
20:19Então, tem quase que um disco lá na gaveta, assim, de coisas interessantes que às vezes surge no pátio da
20:25escola.
20:25É bem próspero, né?
20:26É.
20:27Isso para a criança hoje em dia.
20:28É uma coisa que vai bem.
20:30E aí eu...
20:31Mas, tá lá aguardado e, enfim...
20:33E aí um dia eu estava na quadra, a gente já estava nesse processo, os meninos da escola tiveram uma...
20:39Foram fazer uma outra atividade.
20:40Eu tive um horário vago, assim.
20:41Peguei o violão, sentei na quadra, tinha uns meninos brincando e eu comecei a arriscar uns acordes.
20:46E aí veio uma melodia, algumas palavras, algumas coisas...
20:50Daí a pouco...
20:52Um texto gigantesco, né?
20:54Foi uma música enorme, que ainda está grandona, assim, mas era linda.
20:57Modéstia à parte.
20:58Aí eu falei, Flávia, tem um negócio aqui.
21:00Vamos ver.
21:01Aí eu levei para a casa da Flávia e a gente...
21:02Não, vamos ajustar.
21:03Ajustamos algumas coisas.
21:04Então, é uma música que dá...
21:05Que recebe o nome da banda, né?
21:06Isso se chama Malumco.
21:08E é um convite.
21:09Quando ela fala da festa, essa música, por exemplo, ela é para ela.
21:11É um convite à festa.
21:13Ela é...
21:13Vem para a festa, vem dançar, sabe?
21:16E é uma celebração a toda influência...
21:19Como você, no começo da nossa conversa, traz toda influência africana, né?
21:22Essa manifestação afrodiaspórica mesmo, né?
21:27Isso é puro suco de África, né?
21:30É o que a gente tem no DNA, tá aí.
21:34E aí, enfim...
21:36E depois eu arrisquei uma sofrência.
21:39Um amigo meu me contou uma história.
21:41Eu fui lá e...
21:42Um amigo meu.
21:43Deu uma canetada de uma sofrência.
21:46Pô, ficou legal.
21:47Vamos colocar.
21:47Ela trouxe algumas coisas.
21:48Ela tinha acabado de fazer uma música em parceria com umas duas amigas.
21:51Trouxe a música com o Cleito.
21:54Então, a gente já tínhamos ali um...
21:57Ó, aqui temos algo que identifica.
22:00Que nos mostra aqui.
22:02Tem nossa cara aqui, né?
22:04E aí, pô...
22:04E aí, vamos fazer releituras, né?
22:06Difícil falar de releituras, assim.
22:08Porque eu, por exemplo, eu tenho...
22:10Gil, pra mim, tá lá no Panteão, junto com Milton e Djavan, né?
22:19Então, esses caras, assim, são muito referentes.
22:21E aí, né?
22:21Um mineiro, um pré-mineiro, quase mineiro, né?
22:26Milton e Gil e Djavan, Nordeste ali e tal.
22:29Enfim, como a gente...
22:31Tem essa triangulação de Pernambuco, Bahia e Minas.
22:36Pô, e aí...
22:37Rodamos, rodamos, rodamos.
22:39Ah, pô...
22:39Tem um negócio do Alceu aqui que é interessante.
22:42Uai, bonito isso aqui.
22:44Vamos, vamos, vamos, vamos.
22:45Ah, e aí?
22:46Quem mais?
22:46Pô, a gente curte o Lenine também.
22:48É, nossa, o Lenine, caramba.
22:50Quer falar?
22:51Ah, de repente, a Bahia virou Pernambuco, né, gente?
22:54A gente deixou a Bahia de lado um pouquinho.
22:57E foi assim, ou...
22:58Essas duas aqui, eu acho que trazem a energia pra esse disco, né?
23:01Uma de uma forma muito delicada, que é uma canção do Alceu com Hebert Azuc,
23:05que se chama Pétalas.
23:06Sim, maravilhoso.
23:06Os povozeiros conhecem muito, né?
23:09Mas não é todo mundo que conhece, é uma canção lá do B, do Alceu, digamos assim.
23:14E aí a gente traz, já que sou brasileiro do Lenine, que tem tudo a ver com o disco, né?
23:19E aí tem todo o processo, né?
23:21O nosso álbum foi gravado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc.
23:26Então a gente tinha a proposta de fazer as leituras com pagamento de direitos autorais,
23:29com a transação burocrática toda certinha.
23:33E aí a nossa escolha de não fazer Gil, por exemplo, esbarrou por uma questão de valores,
23:37de orçamento mesmo pra esse projeto.
23:39A gente tem que ser realista também, né?
23:41De não dar passos maiores do que a gente tem.
23:43Então a gente falou assim, vamos tentar negociar aqui com o Alceu, com o Lenine e tal,
23:47e deu super certo.
23:48E aí quando a gente coloca essas músicas no arranjo que a gente pensa,
23:53nossa, parecia que foram feitas pra isso, pra gente fazer essa releitura.
23:57E aí a gente trouxe muito forró nelas.
23:59Na verdade, né, Jacques Souff é uma...
24:01E quando você fala da...
24:02Quando você ouvir Jacques Souff, você vai falar, caramba!
24:05A percussão que ele queria saber como misturava?
24:07A percussão que você queria saber como misturava.
24:08Exato, eu tô tentando imaginar.
24:11Quando você ouviu o Jacques Souff, você vai falar, mas isso é com gado?
24:14Porque o Jacques Souff, o Jacques Souff, né, ele é muito...
24:19É um...
24:20Ciclopada também, ele é Jacques Souff, brasileiro, Jacques Souff.
24:23Tem uns negócios todos...
24:24Você fala assim, gente, como é que isso entra ali?
24:26Pois é, você vai provavelmente escutar uma zabumba, vai escutar congas, vai escutar triângulo,
24:32e aí por um momento você vai achar que a gente tá tocando um forró, parece.
24:37Tem uma viola fazendo um som, tipo, de viola mineira mesmo.
24:41E aí de repente tem um combo de congas e vozes que você fala, uai, mas virou música baiana?
24:46Também, é isso que tá acontecendo.
24:48E no final termina num forrózão.
24:49E no meio disso tudo, a gente abre um espaço, um gap, pra fazer um ritmo de congada mineiro
24:54e fazer um arranjo de vozes.
24:57Inicialmente, quem fazia a voz nesse momento do congada era a Tamara Franklin,
25:00que foi convidada pra fazer o disco, né, com a gente.
25:03Muito boa.
25:03É, foi incrível, assim.
25:05A gente fez essa versão pra virar uma versão de ao vivo.
25:08E aí colocamos as vinhetas só com ela, por uma questão de direitos autorais também.
25:13Foi um ajuste que a gente fez com o Lenine.
25:15Então, o Jacques So é uma música que trouxe, eu acho, todas as influências que a gente precisava mostrar.
25:20Então, ah, qual música que retrata essa mistura de Mineiro, Baiano e Pernambuco?
25:25É, Jacques So.
25:26Então, parece que ela foi feita pra isso.
25:28E os arranjos a gente fez junto, nós como banda, né, na época o sanfoneiro era do Kiko Ribeiro,
25:33que é um talentosíssimo sanfoneiro daqui de BH, incrível, e o Richard Neves,
25:38que todo mundo figura carimbada na música, né, tecladista do Pato Fu, tem o projeto dele solo.
25:43E os arranjos foram todos levados pra esse lugar.
25:45Então, as nossas releituras foram muito bem pensadas,
25:49e a gente ficou muito feliz com o resultado delas, né.
25:52A gente sentiu que a gente realmente, não só interpretou uma música,
25:56mas criou um arranjo novo pra uma música, duas músicas que já eram muito bonitas.
26:00Então, é...
26:01Vou te dar um outro exemplo.
26:03Tem uma música maravilhosa, que é uma letra bela da Elisa Bahia e da Iaia Drummond.
26:10A música, ela tem uma atmosfera de um maracatu pequenininho,
26:15e fica caminhando aquele maracatu em cima de uma zabumba de baião.
26:20Então, vem aquela caixa de baracatu,
26:22e o baião...
26:25E a música do Baila, e só entrega o maracatu no final, aí...
26:31E uma viola.
26:32Legal.
26:33Entendeu?
26:33Então, assim, isso é costura, sabe?
26:36O disco se chama costura por motivos muito óbvios pra gente, claro, né.
26:39Estamos falando aqui da posição de músicos.
26:41Mas, realmente, ele é uma costura, ele é uma coxa de retalhos do Brasil, assim.
26:45Do Brasil que a gente quer retratar, né.
26:47Vamos ser bastante justos, né.
26:49O Brasil que a gente quer retratar, que é Minas e Nordeste,
26:51a gente vem trazendo elementos ali.
26:53Claro que, com muito mais influências mineiras do nosso jeito, né.
26:56A gente não tem a pretensão, né, de fazer um maracatu nação zumbi.
26:59Não.
27:00Não, claro que não.
27:01Nem fazer um Ijechá de Huberto Gil.
27:03Não.
27:03São as nossas referências, né.
27:05Então, a gente, com muito respeito, a gente trouxe pra dentro do disco
27:08essas referências que a gente tem.
27:09Legal, massa.
27:10Agora, uma pergunta que eu queria fazer sobre a cena de BH, né.
27:14Porque me chamou muito a atenção no começo do papo,
27:17quando você falou que queria fazer uma coisa pra tocar no Carnaval.
27:19E no Carnaval, em BH, a gente tem as casas, tem forró.
27:24A gente tava comentando de segunda a segunda, tem forró e tal.
27:26Inclusive, muito antes desse novo Carnaval.
27:29Muito.
27:29Pois é.
27:30Já era rapadaço, né.
27:31É, não, sim, total.
27:32E aí, eu só queria saber assim, o Carnaval, ele é o lugar da experimentação?
27:37Ou nos lugares, onde que dá pra fazer essa experimentação?
27:41Por que pensou no Carnaval, especificamente?
27:44É, eu pensei no Carnaval por gosto pessoal.
27:46Eu sou uma fulian, é, daquelas que choram, sabe?
27:52Eu fico assim, nossa, o Carnaval chegou, graças a Deus, é Carnaval no Brasil.
27:55Então, começou por um gosto pessoal.
27:57Mas, você falando em experimentação, pensando aqui agora,
28:01essa mistura que a gente quis trazer pra um bloco de Carnaval,
28:04eu acho que sim, é mais permissivo.
28:06As pessoas, elas estão abertas a escutar aquilo ali,
28:08porque tudo que elas precisam é um baque tocando,
28:12um tum, tum, pra elas conseguirem pular.
28:14Eu, como fulian, né, e aí eu tô sempre sóbria, né,
28:17eu não bebo álcool e não uso outras substâncias,
28:20então eu tô sempre sóbria.
28:21Então, o que eu vejo é que a euforia toma conta, né, das pessoas,
28:26independente do que tá acontecendo musicalmente.
28:28Então, pra gente que é música, eu acho que é sim uma forma de experimentar,
28:31mas eu, sendo purista também,
28:33de experimentar de uma forma consistente, né,
28:38de entregar qualidade, porque aquilo é um espetáculo.
28:40E a gente, como artista, a gente é o mensageiro da arte.
28:43Então, ainda que seja um Carnaval e seja uma loucura,
28:45a gente precisa entregar um espetáculo legal, cultura legal, sabe?
28:50Então, eu acho que sim, é de experimentação,
28:52que nos permite fazer isso,
28:54mas que a gente tem que fazer isso com qualidade, sabe?
28:57E eu vejo o grande ponto positivo do Carnaval de Belo Horizonte
29:02é a qualidade musical dos blocos, quase todos, né?
29:05Os que estão nascendo, obviamente, vão ganhando corpo,
29:08mas a qualidade musical é imprescindível.
29:12Tanto é que o projeto eu suspeito que não tenha saído,
29:15porque a gente queria começar com essa qualidade musical,
29:18tanto do som que projeta pro público,
29:20quanto da construção, e aí significa pagar bem os músicos,
29:25os ensaios, os estúdios, produzir arranjos legais, né?
29:28Então, o fato de querer começar com essa qualidade,
29:31que é uma característica que eu tenho,
29:32que pode ser boa ou ruim, né?
29:33Às vezes freio alguns projetos,
29:36vem desse lugar de entregar uma coisa consistente no Carnaval.
29:39E o Léo tem uma outra experiência que ele pode falar melhor,
29:42que ele é um músico de Carnaval há muitos anos, né?
29:45Conta aí, Brito.
29:45É, a minha experiência não é uma experiência de bloco, né?
29:51Mas eu toco há um Carnaval, já tem aí seus 30 e poucos anos,
29:59mas sempre pegando estrada.
30:01Então, é mais um trabalho, como se diz, um rolê, né?
30:05É de ir pra palco, pra cidade do interior, né?
30:10E é diferente dessa coisa do bloco no chão, com bateria, né?
30:13E o Carnaval de Belo Horizonte, mesmo, eu não me envolvi tanto com ele,
30:18porque quando tava acontecendo aqui,
30:19eu tava sempre na estrada acompanhando alguém,
30:21fazendo alguma coisa por fora.
30:22E é uma época que a gente, que...
30:24Quem vive da música, quem tá no...
30:28No corre aí, né?
30:30Da música.
30:32É a época que a galera tira, como São João é agora também, né?
30:36Pra turma do forró.
30:39Mas eu penso que é um lugar, se cabe essa experimentação,
30:42isso que a Flávia fala de trazer com qualidade,
30:46é que é a grande premissa da coisa, né?
30:49E cabe a experimentação.
30:51Na mesma medida que tem um grupo que grava um disco
30:54dizendo que tudo é forró,
30:56a gente também pode pensar aqui num bloco que tudo é Carnaval, né?
30:59A gente pode trazer aí uma...
31:01Mas esse tudo como e de que maneira a gente tá chegando, né?
31:06Então, prezar pela qualidade musical...
31:08A gente vai sair daqui e hoje vai ensaiar, né?
31:11Prezar pela...
31:11Tem que estudar, puxa na orelha, sai...
31:14E é muito difícil fazer isso num bloco, né?
31:16Porque você tem uma bateria ali gigantesca,
31:19então você tem que ter todo mundo ensaiando,
31:21porque um que erra ali já...
31:22É uma construção que você tem que fazer com...
31:25Por exemplo, na escola que eu trabalho, montou um bloco.
31:28Um salve aí pra galera do Balão Vermelho.
31:30Ah, que legal. Um salve mesmo.
31:31É, e aí tem um bloco que saiu esse segundo ano que saiu a bateria, né?
31:37O ano passado foi assim, um delusacuda, todo mundo com medo.
31:40Hoje você fala lá no bloco,
31:41vamos tocar na inauguração do poste, vamos embora!
31:44Tá todo mundo afim, né?
31:46Porque viu que dá certo, que funciona,
31:47já criou-se uma conexão, já tem um time que aponta firme,
31:50que tá afim de tocar, de aprender,
31:53que me pergunte aí quando é que vai começar as oficinas,
31:56e vamos aprimorar, a gente quer aprender melhor esse surdo,
31:58esse tamborim, como é que faz isso aqui e tal.
32:00Então, criar essa cultura, essa consciência, né?
32:06Não é só pegar um instrumento e colocar e sair dando pancada pra todo lado.
32:10Não, cara, isso aqui é um surdo, é um instrumento,
32:11ele é tão delicado quase quanto um violino.
32:14Então você vai manusear isso aqui com uma forma legal e tudo mais,
32:18pra você não se prejudicar, pra não estragar o seu instrumento,
32:20pra você fazer música.
32:22Então, até chegar nesse lugar aí,
32:24essa criação de consciência,
32:26e acho que os blocos do Belo Horizonte têm trazido isso.
32:28Isso que o Flávio fala é impressionante.
32:30Um amigo meu, que é dono de loja, ele fala,
32:32cara, é impressionante a quantidade de tambor que a gente tá vendendo.
32:34A quantidade de tambor que a gente tá vendendo.
32:37Já teve uma fase com uma das fábricas aqui de Belo Horizonte,
32:40não tem, acabou, não estão conseguindo fazer,
32:43nem pra manutenção, nem pra...
32:45Porque todo mundo comprando um tamborim,
32:47uma caixa, um surdo e querendo se insurgar.
32:49Surge aí um polo industrial.
32:51Quase, é, mas é meio que isso mesmo, sim.
32:54Se você pegar aí, essa turma trouxer aí o pessoal que é referência aí
32:58do Carnaval de Belo Horizonte, eles vão te falar.
33:00É justamente uma fábrica de mousse, de batuqueiros, cara.
33:04Sim, cara, eu vou te falar,
33:05eu tô envolvido com o Carnaval praticamente desde o início,
33:08porque eu colava com o pessoal da praia, da estação e tal,
33:11e acho massa vocês tratarem com esse respeito,
33:14assim, que realmente lá no início era tudo mais tosco,
33:18mas, assim, passou dois, três anos, eu lembro da galera tá brigando,
33:21assim, gente que às vezes invadiu uma bateria,
33:23tocava muito alto, falou, olha, as pessoas aqui estão estudando
33:26pra tocar isso aqui, eu sei que parece anárquico,
33:30eu sei que parece uma coisa onde tá todo mundo semi-nu,
33:34meio doidão e tal, mas as pessoas estão estudando,
33:37existe, né, um respeito à música, ao que tá sendo proposto.
33:42Alguém me avisou.
33:42E acho que é isso que o Carnaval chegou até agora, né, assim,
33:46com esse crescimento até questionável o tamanho que chegou,
33:50mas, enfim, e aí acho que isso tem tudo a ver com o que você tá falando, né,
33:55que é também ter esse cuidado, assim, de respeitar tanto a canção, né,
34:01as estruturas musicais e rítmicas, quanto o próprio rolê de quem tá fazendo.
34:06Exatamente.
34:07E, assim, a gente respeita tanto, né, Mel,
34:09que a gente lançou o próximo tema do Carnaval de BH agora,
34:12em pleno São João, tem uma canção no álbum que chama Copa Lagoinha,
34:15que eu escrevi com Jessen Orino e Letícia Damares,
34:18que tinha um projeto de dois lados, né,
34:20que a gente escreveu pra participar do festival do Bar do Clube do Museu do Esquina,
34:25do Museu Clube do Esquina.
34:27E aí a gente chegou na final e as pessoas se conectaram com a música
34:31que fala sobre o Carnaval de Belo Horizonte.
34:33Você falou da Praia da Estação, eu cito nominalmente a Praia da Estação.
34:36Eu cito a Truck do Desejo, que é um bloco de amigas, né,
34:39e cito todos os bairros de Belo Horizonte por onde o Carnaval já chegou.
34:42Então, assim, claro que cito o Barreiro, poxa.
34:46Então, a gente, o Marques, que é o nosso sanfoneiro atual,
34:49ele é do Pisa na Fulô, né,
34:51ele falou assim, poxa, essa música aqui é pra subir no Pisa.
34:54Eu falei assim, calma que o nosso sonho não morreu,
34:56mas ao longo do Carnaval é real, assim, né.
34:58De alguma forma, né, pode acontecer.
35:01E essas construções, elas são naturais.
35:02Acho que a gente tem que também ter essa consciência de, às vezes,
35:05até relaxar, porque às vezes a gente fica ansioso, né,
35:08afim de, pô, vamos fazer aí, tal, mas calma.
35:11As coisas vão se ajeitando.
35:13Precisava desse álbum, precisava de maturar algum monte de coisa.
35:16A gente já tem uma bagagem muito bacana que cada um traz, né,
35:19e então, assim, vamos fazer uma banda de forró,
35:22que já não é mais forró,
35:23mas que o pessoal do forró pode vir dançar forró, entende?
35:26Tá, vamos, agora vamos gravar um álbum.
35:29E o que tem nesse álbum?
35:30Porque a gente, sabe, as coisas vão...
35:32É um, como se faz aquele brincadinho de montar,
35:36um quebra-cabeça, né,
35:37e você vai colocando as pecinhas aqui,
35:39daqui a pouco o tentinho de montar.
35:41Eu ia falar, nego.
35:42É, tipo, pô, galera, nossa.
35:45A galera perde a amizade, mas não perde a piada.
35:47É, isso, claro.
35:49Que legal, você sabe que o pessoal,
35:50muitos dos blocos agora estão exportando, né,
35:53tem uns amigos meus que há uns três anos
35:54foram tocar no início do Carnaval de Blocos de Floripa.
35:58Talvez esse pode ser um caminho também,
36:00se aqui já estiver muito cheio.
36:03Bom, a gente pode pedir uma palhinha?
36:05É possível alguma coisa, assim?
36:08Que temos um instrumento guardado,
36:10temos Flávia, ela aí na mesa,
36:14para improvisar alguma coisa aqui?
36:16Dá para fazer, dá para ser com palma, né, inclusive?
36:18Dá, dá, dá para ser com palma.
36:19Então vamos lá, por favor.
36:21Um suquinho aí do malungo.
36:24Um suco de malungo?
36:25Antes de mais nada, eu queria falar
36:27que é essa canção que a gente vai fazer aqui.
36:29Eu e o Léo, a gente fez ela por muitos anos.
36:34Essa canção, eu acho que é de 2014,
36:36e ela entrou nesse álbum agora.
36:37Mesmo eu estando com uma carreira só ativa.
36:40Essa canção, ela precisou de 12 anos para maturar.
36:42Antes a gente fazia só com a tabaca e voz.
36:45E aí eu cheguei e falei assim,
36:46Richard, é hora de colocar essa música no mundo.
36:49O que você acha?
36:50Ele, ah, vou pensar num arranjo e tal.
36:52Aí trouxe a proposta de arranjo,
36:53a gente foi lapidando ela.
36:55E, assim, eu começo o disco e falo,
36:57nossa, essa aqui é a minha preferida,
36:58essa aqui é a minha preferida.
36:59E aí não tem jeito.
37:00Eu sempre volto para Orixás,
37:02que é uma canção que é de uma poetisa,
37:05Rosângela Maluf, que é a letra dela,
37:07e eu fiz a melodia.
37:08E a gente teve o prazer de ter a Júlia Rocha
37:10no disco, gravando essa canção comigo.
37:13Foi especial.
37:13A gente teve a Tamara Franca e a Júlia.
37:16E a gente vai voltar às origens,
37:17que foi como começou,
37:18que é fazendo com palmas.
37:19Legal.
37:19Legal, vamos lá.
37:22Aí, ó, pode ajudar.
37:23A clave aí, ó.
37:27Da cigana duvidei,
37:32Da cartonante também,
37:36Pai de santo bem que falou,
37:38Mas mesmo assim questionei,
37:41Anjo da guarda chamei,
37:43Proteção pedi e invoquei.
37:46Aos querubins perguntei,
37:53Nenhuma resposta encontrei,
37:56E xingue-me e disse que sim,
37:58Ao que o tarô confirmou,
38:00Mãe de santo afirmou,
38:03E nem assim confiei.
38:05Mas quando os buphos cairam,
38:10Mas quando os buds caíram abertos,
38:10Dizendo sim,
38:12Vi que o vento ventava a favor
38:15Pra você e pra mim,
38:17Pra você e pra mim,
38:34Muito bom
38:36É isso
38:36Que privilégio estar aqui
38:39Arrepiado aqui
38:40É por isso, não tem jeito
38:43O Orixás é um negócio
38:46Bom, pra encerrar
38:47A gente faz uma brincadeira que até a gente não tem feito
38:50Né, Lucas?
38:52Que eu pergunto
38:53Algumas perguntinhas e aí vocês respondem
38:55De uma forma concisa
38:57Beleza? Não vou dar muito spoiler
38:59Bate bola
39:01Então, é, bate bola
39:03A Flávia é muito futebolista
39:05Né, eu tenho vários amigos
39:07Do time que eu torço aqui da cidade
39:09Que não preciso nem falar
39:11Qual que é
39:13Que ela conhece todo mundo
39:14Então, satisfação aí
39:16No mês de Copa do Mundo a gente está falando
39:19Então eu queria que você me falasse
39:21Um disco da sua vida
39:25Barulhinho bom da Marisa Monte
39:26E você, Léo?
39:27Ampluga de Gil
39:30Um filme
39:33Bacurau
39:36Um filme
39:43Chegou outro filme
39:45Legal
39:45Olha o livro
39:47É o que chegar primeiro
39:48Essa escolha
39:50É difícil mesmo
39:51É o que chegar primeiro
39:52O melhor filme da sua vida
39:54Desta semana
39:55Não, eu vou de Patrilho
39:58Que legal
39:58Por quê?
40:00Cara, foi um dos primeiros filmes brasileiros
40:02Que eu parei, assim, realmente
40:03Para poder
40:06Contemplar, vamos dizer assim
40:07A cinematografia
40:09Eu falei a palavra certa?
40:10Cinematografia
40:10Eu acabei de inventar agora
40:11É brasileira, assim, saca bicho
40:15E, enfim, acho que foi bem marcante
40:18Teve um outro também aí, ó
40:20O Morfeu
40:22Orfeu
40:22Orfeu com
40:25No cara, eu tenho uma memória
40:26Tem, de peixe
40:28Não, mas tudo bem
40:29Eu também tenho
40:29Quem ganhou o Oscar, né?
40:31É, não
40:31Com o Tony Garrido cantando
40:34É, tem
40:34A canção maravilhosa
40:36Esse é
40:36É das antigas também
40:38Não, legal
40:39Bom, acho que a gente pode encerrar por aqui
40:41Eu gosto de tirar outras coisas, às vezes, um pouco além
40:45Só para a gente ir vendo o perfil também
40:47E quem sabe a gente também
40:49É, não sirva de exemplo
40:51Essa conversa
40:52Para, às vezes, quem também está querendo, né?
40:54O Divirta-se
40:54A gente tenta sempre
40:55Dar um pouco essa
40:56Essa coisa do
40:57Faça você mesmo
40:59Tipo
40:59Sim
41:00Vocês chegaram aqui
41:01Como?
41:01E como fazer alguém
41:03É, que quer
41:04Faria
41:05Então, o que você diria para alguém que quer entrar na música, Flávia?
41:10Posso ser fora da casinha?
41:12Claro
41:12Se organize
41:14Se organize
41:15Como tudo que demanda muita dedicação
41:18Muita resiliência
41:19Quanto mais organizado você estiver, melhor
41:22Você sofre menos
41:23Mesmo
41:24E aí, organização pessoal, financeira, tudo
41:26Claro, né?
41:28Que eu estou falando de uma posição de privilégio
41:30Eu venho de classe média
41:31Eu sou uma mulher branca
41:32Mas
41:33Tem certas organizações
41:35Que não dependem disso
41:36Né?
41:36Desse privilégio
41:37Então, eu acho organização uma coisa fundamental na vida
41:39Assim
41:40E eu sinto que
41:42A classe artística
41:43A gente cai em muitos clichês
41:44Que colocaram para a gente
41:46E que não precisam ser verdade
41:47Né?
41:48A vida louca
41:49Não
41:49Seja organizado
41:50Seja coerente com o que você quer
41:52E
41:54Respeite, né?
41:55O
41:56O seu trabalho
41:57A música
41:58Como a gente falou
41:59Sobre o carnaval
41:59Serve para a música inteira
42:00Claro
42:01É um trabalho
42:01Né?
42:02A gente tem que
42:02Ser remunerado
42:04Cobrar remuneração
42:05Mas se também se comportar como profissional
42:07Né?
42:08Então eu acho que
42:09Organize-se
42:10Legal
42:10Belo conselho, hein?
42:12Organize-se
42:13E que eu preciso levar
42:14É
42:16Eu falo
42:17Galvão
42:17Sentiu
42:19Mas sim
42:20Às vezes a gente
42:21Recebe os conceitos
42:22Que a gente precisa
42:23Não o que a gente está esperando
42:24Léo
42:25Depois de se organizar
42:26Não olhe para o lado
42:28Tenha coragem
42:30Não olhe para o prato do outro
42:31Não
42:31Segue o seu
42:32O seu instinto
42:33A sua intuição
42:33Aquilo que você acredita
42:35A sua verdade
42:35Se você juntar
42:37Essas duas
42:39Ideias
42:39Aí
42:40Você
42:40Acho que você tem
42:41Grandes chances
42:42De
42:43Produzir algo
42:44Que é
42:44Verdadeiro
42:45Né?
42:46Daí para frente
42:47É
42:47Acho que é consequência
42:49Né?
42:49É trabalhar
42:49Trabalhar
42:50Nem que seja a sua verdade
42:52Exato
42:53É
42:53É mais verdadeiro
42:54É sobre isso
42:55É sobre isso
42:56Duas pedradas
42:56É muito bom
42:58Legal demais
42:59É isso
43:00Acho que
43:00Parte do nosso papel
43:02E o que também motiva
43:04A gente de estar aqui
43:05É um pouco isso
43:06Assim
43:06De estar com artistas
43:07Novos e tal
43:08E poder
43:09Passar um pouco
43:11Essas ideias
43:12Que às vezes
43:13São fortes
43:13Para quem
43:15Eventualmente
43:16Vai ter a coragem
43:17De nos ouvir
43:18Né?
43:19Não sei
43:19Quer falar
43:19Eu falo assim
43:21Por experiência própria
43:21Quando eu falo
43:22De não olhar para o lado
43:23E do medo
43:24Isso aí não é um amigo
43:25Já não é mais um amigo
43:26Que me contou
43:27É a real
43:27É de não ter medo
43:29De apostar
43:30De acreditar em você
43:31De trocar você
43:32Estou com essa carta aqui
43:34E eu vou bancar isso aqui
43:35Não
43:36Eu quero fazer
43:36E é isso
43:37Quando você
43:38Tem a organização
43:39E a coragem
43:40Vai com medo mesmo
43:42Vai
43:42Bora lá
43:43Mas
43:44Que
43:44Não escuta não
43:46Porque
43:46O que mais tem
43:48É gente
43:48Para poder virar
43:49Para você
43:49Acho que isso não
43:50Vai fazer direito
43:51Isso é muito comum
43:53Nas artes
43:54De maneira geral
43:54Na cultura
43:55Isso é muito comum
43:55Assim
43:56Que a gente acha
43:57Que o colega
43:59Está arrasando
43:59Mas qual é o caminho
44:00Do colega
44:00Não é qual o caminho
44:01Do colega
44:01Que bom
44:02Que seu colega
44:02Está arrasando
44:03Que bom
44:03Que tem alguém
44:04Trabalhando com cultura
44:05No país
44:06E conseguindo ser sustentável
44:07Com isso
44:08Não
44:08Segue o seu
44:08A sua verdade
44:09Tenha coragem
44:10Organize-se e vai
44:11E até mesmo
44:12Em comparação
44:13Quando você fala
44:13Não olha o prato
44:14Do outro
44:14Exatamente
44:15Você cria um
44:16O que ele está fazendo
44:17É diferente do meu
44:18Será que o meu
44:18Vai dar certo
44:19E outra
44:20A gente está vendo
44:21A capa do Instagram
44:21Das pessoas
44:22Você está vendo
44:23Os tombos
44:24Que cada um tomou
44:24Para chegar até ali
44:25Hoje mais que nunca
44:27Exatamente
44:28Nessa lógica
44:30Dessa aprovação externa
44:31Que as redes sociais
44:32Meio que buscam
44:33E fazem
44:34Todos nós
44:35A buscarem
44:35Mas eu tenho um conselho
44:37Vendo vocês
44:38E a história de vocês
44:39Para o nosso ouvinte
44:41Que é
44:42Encontre a sua galera
44:44Encontre os seus amigos
44:45Que isso também
44:46Faz muita diferença
44:48Sim
44:48Às vezes
44:49Você parece solto
44:51E aí as ideias
44:51Parecem fazer menos sentido
44:53Porque estão só na sua cabeça
44:54E é mais difícil
44:55Pôr para o mundo
44:56Então
44:56Quando você encontra
44:57A sua galera
44:58Alguma coisa
44:59Pode acontecer
45:00Nem que seja inicialmente
45:01Dentro da galera
45:02Sim
45:02E depois vai expandindo
45:04Ali
45:04Até acontecer
45:05E de preferência
45:07Encontre a sua galera
45:08Pessoalmente
45:08Vá no show do Malungo
45:10No domingo
45:10Saia de casa
45:12Encontre as pessoas ao vivo
45:13Sabe
45:14A internet
45:14Ela é uma barreira
45:15Veio aí com muitos louros
45:17Claro
45:18Nos ajuda muito
45:19Mas
45:19Ela tem nos distanciado
45:21As pessoas
45:22Estão saindo pouco
45:23Para ver a rua
45:23Ver a rua é maravilhoso
45:24Ver a rua é inspiradora
45:25Então
45:27Encontre a sua galera
45:28Saia com a sua galera
45:29Vai dar um rolê
45:30Maravilhoso
45:31Maravilhoso
45:32Para seguir vocês
45:33A gente
45:33A agência também
45:35Está na rede social
45:36Quais são os arrobas
45:37Nossa arroba no Instagram
45:39É som de malungo
45:40Malungo
45:41É N-G-O
45:42Não é maluco
45:43Como disse o pessoal
45:45Em situação de rua
45:46Que me perguntou
45:47Que banda é
45:47É ser maluco
45:48É maluco
45:49Um pouco
45:50Mas
45:50Arroba som de malungo
45:52Em todas as redes
45:53Basicamente
45:53No Instagram
45:54No TikTok
45:55A gente chegou lá na rede agora
45:57No YouTube
45:58Se você colocar só malungo
45:59Você já acha
46:00Mas também é
46:01Arroba som de malungo
46:02E nossa agenda
46:04Está principalmente
46:05No nosso Instagram
46:05O próximo show
46:06É o show de lançamento
46:07Do nosso álbum
46:08Dia 5 de julho
46:09Lá no Barzenho
46:10Às 15 horas
46:11Vamos transmitir o Brasil
46:12Se tudo der certo
46:13Ganhando aí
46:14A próxima fase
46:15Em rumo da sexta estrela
46:17E acho que o próximo show
46:19Além desse
46:19É dia 11 de julho
46:20Lá em Nova Lima
46:21Na Feira de Água Limpa
46:23E dia 26 de julho
46:25No Sesc Mercado das Flores
46:27Ali na Feira Ripe
46:28Logo no finalzinho da feira
46:29Acho que a gente começa
46:30Às duas e meia
46:31A feira vai começar a desmontar
46:33Mas a galera da comida
46:33Está ali ainda
46:34E a gente
46:34Aí sim
46:35A gente vai meter um forró
46:36Lá na Feira Ripe
46:37E só a última coisa
46:38Para esse de domingo
46:40Tem que retirar ingresso
46:40Comprar ingresso
46:41Está a venda
46:42Como é que funciona?
46:42Ingressos à venda no Simpla
46:44E o link está lá
46:45Nas nossas redes também
46:46Mas se digitar
46:47Simpla
46:48Lançamento
46:49Costura
46:49Malungo
46:50Acha
46:50Palavras chaves
46:51E também na portaria
46:52Quem chegar lá
46:53Vai comprar o mesmo
46:54Mesmo valor do ingresso
46:55Que já está lá no Simpla
46:56Então só chegar lá no barzinho
46:58Perfeito
46:59Esse barzinho é super legal
47:00Já fui uma vez
47:02É massa
47:02É massa
47:03Essa nova Lagoinha
47:04Está legal
47:05Tem algumas coisas
47:06Mais legais do outras
47:07Mas tem um movimento bacana
47:09Está dando um gás
47:10Ali um suspiro
47:11E todos tem música ao vivo
47:13Ficou uma coisa bem
47:14O Ben se abençoe
47:15Ele também
47:15Lagoinha
47:16Que tem um movimento
47:17A gente já tocou muito lá
47:18Está no cinema lá
47:19O Cine Candéia
47:20Pois é
47:21As pessoas têm que sair na rua
47:23Têm que aproveitar isso
47:24Essa efefecência
47:26Exatamente
47:27Bom, então com essa
47:28Agradeço a presença de vocês
47:30Deixa aí a palavra final
47:32Para a gente poder ir para os finalmentes
47:35Malungue-se
47:36Pode ser isso?
47:37Boa
47:37Malungue-se
47:38Malungue-se
47:39Boa
47:40É isso
47:41Obrigada gente pelo convite
47:43Um prazer estar aqui com vocês
47:44Agradecer toda a equipe do Divirta-se
47:48E é isso
47:49Malungue-se
47:50Malungue-se
47:51Querer estar perto
47:51Por isso que eu estou falando
47:52Sai de casa
47:53A gente quer se divertir juntos
47:55É isso que o Malungue-se quer
47:56A gente
47:57É uma banda de Brasil
47:58Poxa vida
47:59O Brasil é muito rico
47:59A cultura está aí para provar isso
48:01E o futebol também está aí
48:03Futebol é cultura
48:04Faz parte da nossa identidade nacional
48:08Então não menosprezem os esportes brasileiros
48:10Principalmente o futebol
48:12Bangladesh
48:13Bangladesh, Líbano, Índia
48:15O que mais?
48:16O pessoal vibrando gente
48:17Foi um jogo da seleção brasileira
48:19Sabe?
48:19Isso é legal demais
48:20Foi um vídeo maravilhoso
48:21Dele se unindo para jogar um cara
48:22Com a camisa da Argentina no Rio
48:24Por que não?
48:24Desculpa, não sou a favor da violência
48:26Vou beber uma água
48:27Mas achei divertido
48:28E você, Léo
48:29Palavras finais
48:30Primeiramente eu quero agradecer
48:32A vocês do Divirta-se
48:33Pelo convite
48:34Pela oportunidade de estar aqui
48:35Falando um pouco da nossa história
48:37Falando da nossa música
48:38Da nossa cultura
48:40Da nossa idade
48:43E dizer que
48:44Vocês que nos ouvem
48:46São super bem-vindos
48:48No domingo
48:49Conosco
48:51Malungo é festa
48:53E vem para a festa
48:54Todos vocês
48:55É isso né Lucas
48:57Malungo e se
48:59Sigam aí o Divirta-se
49:01A gente tem muita arte aqui
49:02Na playlist
49:03Aqui no Youtube
49:04E no Spotify
49:05Então a gente fala de cinema
49:07Fala de artes plásticas
49:08Fala de fotografia
49:09A gente tem trago até
49:10Repórteres fotográficos
49:12Aqui do Estado de Minas
49:13Para falar de fotografia
49:15Com a gente
49:16Junto com outros convidados
49:18Então o Divirta-se
49:19Também é uma festa
49:21Deixe seu like
49:22Comenta
49:23Todo esse borogodó
49:24Que a gente precisa
49:25E para encerrar
49:26Pedir para a nossa
49:27Diretora Lulu
49:28Querida
49:29Cortar para aquela câmera
49:31Da Elipa
49:31E a gente dá um tchau
49:32Coletivo aqui
49:33Com o pessoal do Malungo
49:34Então até a próxima
49:35Pessoal
49:36Adiós
49:39Adiós
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