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O podcast Divirta-se dessa semana recebe 'Sara Não tem Nome', artista mineira divulgando o novo projeto em colaboração com outros músicos mineiros, o 'Desastros'.
Saiba mais:
https://www.em.com.br/cultura/2025/10/7267135-artista-deve-se-comprometer-com-a-propria-verdade-diz-sara-nao-tem-nome.html
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NotíciasTranscrição
00:00Divirta-se! Divirta-se! Divirta-se! Cultura! Divirta-se!
00:04Olá! Seja bem-vindo ao Divirta-se, o seu podcast de cultura do jornal Estado de Minas.
00:09Eu tô aqui com o Lucas Lana, repórter de cultura do Estado de Minas.
00:12Fala, Andá! Beleza? Bom demais!
00:14Animado pra falar do Desastros hoje.
00:17Muito, muito! Um projeto super bacana aí.
00:19A gente tá aqui com a Sara Não Tem Nome, né?
00:23E ela veio representando esse novo projeto que envolve vários artistas aqui de Belo Horizonte
00:29e que moram em São Paulo ou não.
00:32Então, Sara, seja bem-vinda ao Divirta-se. A gente tá muito feliz de te receber.
00:36Obrigada! Tô muito contente de estar aqui também.
00:39Que bom! Então, vamos começar falando um pouco desse projeto, né?
00:42Você tem uma carreira solo interessante também, que a gente vai falar em algum momento.
00:46Mas queria que você falasse um pouquinho dos Desastros, por favor.
00:50Sim! Então, os Desastros foi uma junção meio inusitada.
00:56Se eu não me engano, em 2019, eu conheci o Bernardo Bauer e eu já tinha um projeto com a Julia Balford,
01:04que se chama Tarda. Projeto banda, audiovisual, várias experimentações.
01:09E aí a gente se conheceu e foi aquele match musical automático.
01:14Ele tava pra gravar o último álbum dele, O Pássaro Cão.
01:17E aí ele mostrou as músicas e tal, eu meio que já me convidei pra gravar uma música dele,
01:22tipo, dando palpite, tipo, por que você não faz isso e tal?
01:24E ele, ah, você não quer gravar? Não vem dando uma embora.
01:27Aí começamos a fazer música e nesse primeiro dia que a gente fez uma música,
01:30a gente combinou de todo encontro fazer uma música.
01:32Tipo, a gente chega e não vai embora antes de terminar essa música.
01:36E aí a gente fez quatro músicas e aí ficamos nessa,
01:39ah, vamos gravar, vamos fazer um EPzinho, alguma coisa e tal.
01:42E aí foi passando os anos, foi, acho que ano passado, retrasado,
01:46teve um projeto da Paulo Gustavo.
01:49E eu falei, não, galera, vamos ver se a gente faz, né?
01:51Pega um projeto pequeno, às vezes a gente consegue gravar esse EP.
01:54E aí a gente aprovou e a gente começou a gravar e deu vontade de fazer músicas novas.
02:00Quando viu, a gente tava fazendo um monte de música, falou, vamos fazer um álbum.
02:03Aí a gente tinha convidado o Pedro Randan,
02:06que é de um projeto que os meninos tinham juntos, a banda Moons.
02:09E aí ele animou, entrou.
02:11E aí foi virando uma coisa assim, meio banda,
02:14porque antes era uma coisa assim, meio, ah, um projeto que a gente vai lançar,
02:17mas é um projeto paralelo, né?
02:19Aí depois a gente falou, não, galera, isso aqui tem que ser uma banda,
02:22a gente tá curtindo criar junto, vamos se jogar nisso.
02:26Aí meio que nasceu o Desastros também por conta da temática que foi surgindo no álbum.
02:33Porque a gente foi fazendo as músicas e depois viu que tinha uma coisa meio cósmica,
02:37intergaláctica, muito sintetizadores.
02:40E era uma coisa que não era muito a cara dos projetos solos,
02:44apesar da gente ter, né, trazes, referências e tal, tinha uma coisa muito específica.
02:49E aí a gente foi vendo tipo, ah, é uma música que se chama Via Láctea,
02:52a outra Buraco Negro, a outra Anos Luz, a outra Estrela Mãe.
02:55A gente falou, não, galera, é um negócio meio...
02:57É, e aí o Desastros veio com essa brincadeira também de astro, né?
03:02Da coisa, ah, o artista que é um astro, que brilha, que é especial.
03:06E a gente ficou numa coisa, a gente é tudo errado, sabe?
03:09A gente é tipo, tá todo mundo velho, todo mundo louco,
03:12todo mundo, ninguém é exemplo de nada.
03:14E aí o Desastros veio nesse lugar, assim, de algo que dá errado, né?
03:18Que cai, né? Tipo assim, na Terra, que é estrondoso, que...
03:23Enfim, tinha um pouco dessa brincadeira e também porque o álbum tem um pouco desse humor
03:27de tipo assim, essa sensação de, poxa, a gente tá meio que num pós-apocalipse,
03:31a Terra tá com data contada, já tá tipo os bilionários já querendo mandar coisa pra Marte,
03:37já tá tipo, vamos abandonar isso aqui, vocês que se ferrem aí, fazer bunker e tal.
03:42E aí a gente entrou numa coisa meio nessa, tipo, como trazer isso num lugar sério
03:46e ao mesmo tempo meio maluco, meio tragicômico e ao mesmo tempo essa coisa que é do mistério
03:52do universo, que a gente não entende direito, né?
03:54O tamanho, o que que é, a influência dos planetas.
03:57E aí foi meio que isso, como juntar essa loucura toda e levar pra arte, né?
04:01Assim, então, acho que em resumo é um pouco isso.
04:04Você falou de match musical, como que é isso?
04:07Explica melhor, assim, em termos de estilos, né?
04:10Você tem o seu estilo que é bem próprio e essa galera também.
04:13Como que fez, como é que você sentiu isso, assim, que bateu nessa parte da música especificamente, cara?
04:22Eu acho que com o Bernardo a gente tem uma coisa muito forte que é da canção, do folk,
04:29a forma que a gente cria, assim, de trazer uma coisa do bruto, do violão,
04:33de uma escrita também, que eu acho que fala muito do nosso cotidiano,
04:39que tem uma sensibilidade conectada com a natureza, com o dia a dia.
04:42Tem uma coisa, acho que, filosófica e política forte no trabalho.
04:46Então, isso aí pra gente, acho que já foi uma coisa que a gente viu que tinha em comum.
04:52O Bernardo até participou da situação, ele cantou a música que eu falo sobre mineração e montanha,
04:57uma coisa meio até religiosa, né?
04:59Que eu coloco uns sinos de igreja, que eu falei que eu queria trazer a tal da mineridade, né?
05:04Que as pessoas brincam, ah, esse som mineiro, essa referência mineira, principalmente fora, né?
05:08Tem uma visão, assim, de uma coisa, esse estigma, clube da esquina, sertanejo, um povo pacato.
05:14Ouro preto, ouro preto, religião diamantina, o trem passando pelas montanhas.
05:20E aí, tipo, peraí, que não é bem assim, não.
05:22Peraí, que tem também, mas a gente que tá vindo agora, principalmente, tá trazendo um outro olhar, né?
05:27Tipo, a coisa meio que desandou, não é tão assim, os trenzinhos do Milton Nascimento, não.
05:33Legal e tudo, né? Sem desmerecer de forma alguma, mas, assim, coisas aconteceram no meio desse caminho, né?
05:39E aí, a gente tem, assim, a necessidade de colocar, né?
05:42O Bernardo de Brumadinho, ou de Contagem.
05:44É todo um contexto, assim, de degradação, né?
05:48De violência, de distopia, que a gente, quanto artista, a gente acha isso muito importante de ser colocado.
05:56Então, acho que isso foi a coisa principal, não só com ele, mas com a banda toda, de, tipo,
05:59ah, galera, também tá a ver com o lugar do desastre, tipo, a gente tem que falar de coisa que tá dando errado,
06:04de, tipo, falar de tudo que a gente acha que tem que ser dito, e, às vezes, a gente não tá vendo, principalmente na música,
06:10que, às vezes, as pessoas tão só falando de coisas que são muito palatáveis, tipo, vira uma coisa muito publicitária,
06:16muito, ai, animador de festa, sabe?
06:19E tudo bem, né?
06:20Quem quer ser palhaço, que seja palhaço.
06:22Mas, assim, a gente falou, poxa, eu acho que dá pra ir um pouco além, né?
06:26Dá pra gente trazer mais complexidade, e essa sensação de, poxa, é até um dever, né?
06:32A gente acha que tem essa visão do artista, é claro que não todos, né?
06:35Cada um tem sua trajetória, suas escolhas, mas pra gente é muito necessário tentar sensibilizar as pessoas
06:42pra coisas que a gente acha importante, não só uma musiquinha pra animar um churrasco ou uma festa,
06:48que, claro, que é importante, mas, assim, não é só isso.
06:50E a gente fica vendo que é muito difícil fazer uma coisa que é fora disso, né?
06:53As pessoas geralmente ficam assim, não, não, pra que a gente vai ouvir isso?
06:57Pra que eu ia mexer com isso?
06:57Não vende produto, marca nenhuma quer falar.
07:00E aí a gente é até meio punk nesse lugar de, tipo, ah, não é, a gente não vai aceitar isso calado,
07:04a gente vai cair atirando, né?
07:05Que seja que ninguém escute ou que meia dúzia de pessoas escutem, mas, assim, a gente vai fazer isso porque a gente acredita nisso.
07:13Cara, isso é muito doido, porque eu concordo totalmente, eu acho que, pô, você tem um microfone na mão,
07:18você vai falar, vai só animar a galera, pula aí, eu acho assim, poxa, né, vão apontar o dedo e falar o que precisa.
07:26E dá pra fazer isso de maneira, assim, sem ser muito rebuscada também.
07:30Por exemplo, na situação, que aí eu trabalho solo seu, mas o Pare Pra Eu Descer, é uma música que só tem ali dois versos,
07:38mas, assim, você condensa uma porrada de problema ali dentro, né?
07:42Essa, como é que você percebe isso no fazer música, assim, de, pô, não preciso escrever uma letra do tamanho dessa mesa aqui,
07:50eu consigo resumir tudo, às vezes, num verso.
07:53É, essa coisa que pode ser, às vezes, considerada militante também.
07:56Qual que é a preocupação, assim, de também não ficar panfletário, alguma coisa, assim, também?
08:03Eu acho que, no meu trabalho como um todo, tem uma coisa muito tragicômica.
08:09Sim.
08:10Então, eu acho que as pessoas, às vezes, levam muito pro nonsense, tem o primeiro lugar, assim,
08:14eu acho que, desde quando eu comecei, as pessoas, ah, é um negócio nonsense, louco, lo-fi,
08:18acho que eu sou só louca, entendeu?
08:19Eu sou, ah, ela tá jogando um monte de loucura lá e nada faz sentido.
08:22Aí você fala, peraí, gente, calma, vamos, né, não é assim também.
08:26Claro que tem coisas que, às vezes, não são literais, mas se você pega pra ver,
08:30tipo, tem uma pesquisa, tem vivência, tem referência, não é só, tipo, ah, vou fazer de doida.
08:35É uma poesia aberta, mas não é escancarada, né?
08:38É, tipo assim, tem uma conexão com a realidade, com as coisas, mas, às vezes, é só não ser,
08:42tipo, igual você disse, panfletário.
08:44Vou fazer lá a música, né, o party, que é num ônibus, que é um caos, que é carnaval,
08:48quando as pessoas têm que usar máscara.
08:49E é, tipo, todo mundo em surto, ao mesmo tempo é engraçado.
08:52E, pra mim, isso é uma coisa muito, é, a minha sensação de Brasil e também desse lugar de, tipo,
08:59ah, tem que ter o artista, tem que ter a coisa da brasilidade, tem que ter...
09:02E aí eu sempre fiquei, o que é essa brasilidade, né?
09:04O que é uma pessoa esquisita, branca, vampira, de contagem, tipo, como é que eu vou, sabe?
09:11As pessoas olham e falam assim, você não é daqui, mas eu sou daqui.
09:13Tipo, eu tô vivendo isso aqui, a minha história tá aqui.
09:15E eu não quero também fazer um papel de tentar encaixar num perfil de música ou de personagem, né?
09:23Essas coisas da gente, às vezes, ter que entrar em algumas caixinhas pra poder ser vendável,
09:27pro festival te chamar ou pra alguém falar do seu trabalho.
09:30E aí eu falei, poxa, mesmo que seja, às vezes, difícil,
09:34eu acho que quem parar pra olhar e tentar entender vai ver que é uma conexão,
09:38que tem coisas a serem ditas ali.
09:42Então, pra mim, eu acho que esse lugar do tipo, falar de coisas sérias,
09:45de um jeito que, às vezes, parece que não é tão sério,
09:48costuma facilitar um pouco, sabe?
09:53A chegada, pelo menos.
09:55Nesse álbum mesmo, né?
09:56Começa com uma marchinha de carnaval party,
09:58aí depois tem lá ponto final que parece tipo um cemitério,
10:01com as trombetas do apocalipse,
10:03aí parque industrial com cavalo correndo, com tiroteio, com...
10:08Tipo assim, é meio que tudo isso junto, né?
10:10Não tem que ser também, ah, é um álbum de rock, é um álbum de MPV.
10:13Ou seja, gente, é um álbum de música.
10:14Tipo, pra mim é como se fosse um filme, assim.
10:16Ele tem vários momentos do filme.
10:18Tem um momento que é mais animado, tem um momento que é mais triste,
10:20tem um momento que é mais falado, tem um momento que é mais caótico.
10:23Então, eu tenho um pensamento muito do cinema também.
10:25Acho que por eu vir das artes visuais e do cinema,
10:28isso pra mim é mais assim, como que eu vou contar uma história num álbum?
10:32Não tipo assim, ah, tudo tem que ser rock,
10:34tudo tem que ser sertanejo, tudo tem que ser...
10:37É tipo, como que eu vou comunicar uma mensagem da melhor maneira possível?
10:41E aí, independente, pode ser uma marchinha, pode ser uma canção,
10:44pode ser sino de igreja batendo com o canto gregoriano.
10:49Enfim, né?
10:49Eu não gosto de me colocar essas barreiras.
10:51Mesmo eu sabendo que muitas vezes é prejudicial,
10:53porque você vai lá nas playlists de stream,
10:55e eles dizem, ah, mas aí onde é que nós vamos botar isso?
10:57Não tem.
10:58Ah, mas aí fulano, como é que vai tal coisa?
11:00Então, tem um lugar meio difícil, que é chato, né?
11:03Porque você fica sendo meio, ah, essa pessoa é difícil de rotular.
11:08Até no jornalismo, eu imagino que é uma questão também.
11:11Pô, é...
11:11Mas, ao mesmo tempo, você fica, poxa, mas a gente vai ter que se diminuir,
11:15o pessoal que vai ter que...
11:16Exatamente, o outro que se vire, né?
11:18Pô, a gente tá mais se esforçando aqui, arrancando a víscera,
11:21fazendo as tripas coração,
11:23pra passar uma verdade no mundo só de mentirada, né?
11:25Só de piscina cheia de ratos, como diz o Cazuza,
11:28e aí a galera vai, ah, difícil demais, tô com preguiça.
11:31E aí você fala, pô, aí não dá, né?
11:32E aí, como é que...
11:34Como sobrevive nesse...
11:37Assim, sendo assim, nesse meio, assim?
11:38Porque, querendo ou não, é a sua profissão?
11:41É uma boa pergunta!
11:43Ela tá tentando descobrir.
11:44É, eu falo, ah, como vivem aqueles, tipo, aqueles Globo Repórteros?
11:47É o que come, o que come.
11:48Onde moram, com quem se relacionam?
11:52Eu acho que tem um lugar...
11:53Aí entra pra que um lugar...
11:54Mas você já tá conseguindo, já tem quanto tempo de carreira, já?
11:56Eu dei...
11:56É...
11:58Já tem, eu fiz 33, foi segunda-feira foi o meu aniversário.
12:02Pô, parabéns!
12:03Parabéns!
12:03Não, a minha cabeça tá toda branca, porém, é, tipo assim, é passar...
12:07Vamos pular esse assunto aí.
12:09É, é, tipo assim, não é fácil, mas...
12:12Eu sinto que, talvez até seja uma visão um pouco até, sei lá, mística, esotérica,
12:18não sei, que tem algumas pessoas que...
12:21Não romantizando dificuldade, pobreza, complicações, né, essa precariedade da arte, mas que, às vezes, a gente tenha quase que fosse uma sina, assim, parece que você, às vezes, até tenta ir pra um outro caminho, mas a vida vai te jogando, seja aos trancos e barrancos, é um negócio que, às vezes, você não consegue estar longe, seja difícil, levando portada na cara, e não sei o que que acontece.
12:43Não tô falando que todo artista é assim, eu acho que tem um perfil de artistas, de pessoas que criam, que se ela não tá envolvida de alguma maneira ali, a vida não acontece, sabe, enlouquece, fica frustrado, o negócio dá todo errado.
12:56E isso eu acho que, desde jovem, ó, desde mais nova, eu percebi isso, assim, que quando eu era adolescente, eu era adolescente muito melancólica, muito...
13:06Eu achei que eu ia morrer logo, assim, falei, ah, daqui a pouco eu tô morrendo mesmo.
13:09Um dos 27, né?
13:1127?
13:1127?
13:11Eu tava assim, eu ia nem passar dos 20, aquela coisa meio adolescente suicida, meio barra pesada.
13:20Então, eu falava assim, ah, vou fazer o que eu quiser, daqui a pouco eu tô morrendo mesmo, pra que que eu vou ficar preocupando lá longe, sabe?
13:26E tal, não vou preocupar muito lá longe.
13:28Aí, até hoje, eu tô meio assim, ah, não vamos preocupar muito lá longe, o mundo tá pra acabar a qualquer hora mesmo, tá tudo meio aí.
13:34Então, acho que tem uma coisa desse, um desvairio, que, às vezes, é ruim, né?
13:40Porque é uma instabilidade muito grande, mas, em outros momentos, é feio que, assim, poxa, eu não vou conseguir levar uma vida normal.
13:46Tipo, nem as pessoas que se propõem a isso conseguem, tá todo mundo surtando aí.
13:50Ainda mais eu, que já sei que já não dá certo, aí eu vou me, não vou, assim, tipo, vou espernear, eu vou fazer o que puder, vou cair atirando, pode ser que dê errado, que morra tentando, mas morra tentando.
14:00E é isso, e é a vida, e, tipo, eu acho que, pra mim, tem uma visão um pouco de um desapego, sabe, assim, que eu acho que a gente tem que trabalhar pra conseguir lidar com isso.
14:09Acho que quem quer muita estrutura e muita certeza não dá conta, aí vai fazer outra coisa, ouvir um hobby, enfim, né, não julgando, acho que cada um sabe do que consegue, do que a vida fornece.
14:20Mas eu, na minha experiência pessoal, é, tipo, assim, mil loucuras, estripulias e formas de tentar fazer o que eu acredito acontecer.
14:29Pois é, eu queria saber, então, disso, assim, como que a adolescente melancólica, que não via muita perspectiva na vida, se tornou uma artista, se tinha influências musicais na sua família, foi incentivada, sei lá, a tocar instrumentos, a ouvir coisas diferentes.
14:48Conta um pouquinho dessa sua história, antes do Sara Não Tem Nome mesmo.
14:52Sim. Então, desde criança, eu gostava muito de arte, de música, mas não vem de uma família que, o Sara Não Tem Nome, inclusive, vem disso, né, de não ser de uma família conhecida, de não ser nepo baby, de não ter, tipo, ah, o tio que fulano que vai apresentar a música não sei aonde, de ser uma coisa, assim, da família, ela fala, não, mas como assim, você vai fazer arte?
15:12Tipo, esse negócio não dá dinheiro, não dá nada, a gente tá fudido aqui, e, né, aí, mas por isso mesmo, eu já tô fudida, é pior que eu vou dar, entendeu?
15:21Não sei se talvez eu ficar, e se eu ficar pior também, pelo menos eu tô fazendo o que eu gosto.
15:25E eu fui percebendo isso, que às vezes as pessoas, quando elas têm certas estruturas, tipo isso, sei lá, você tá numa família burguesa, você tá numa família que tem uma construção,
15:33aí ela fala, pô, você não vai fazer isso, você vai seguir uma carreira da família, você vai ser, sei lá, médico, advogado, às vezes a sua família vai até poder te ajudar, mas vai falar, não, eu não vou pôr dinheiro pro meu filho fazer,
15:42fazer música, fazer arte, já vi vários amigos que teriam toda oportunidade, e meio que já foi meio boicotado pela família, e na minha família foi o contrário, tipo,
15:50ah, a gente não pode fazer nada, mas se der errado também, a gente já tá fudido mesmo, vai lá, vai lá, vai lá, faz seus corres, tipo assim, dá seu jeito, né, se não der também,
16:00e eu acho que eu peguei também o momento da política no Brasil, que foi um momento que a gente ainda tava sonhando que teria um Brasil,
16:10que o negócio ia deslanchar de pré-sal, e todo mundo entrando em universidade, tipo, eu sou a primeira pessoa da minha família
16:17entrar numa universidade, meu pai, minha mãe, até quarta, quinta série, sabe, então era aquela coisa, pô, quem sabe, será que é agora,
16:23será que é agora que o Brasil, agora não foi, agora vai, agora vai, não foi, mas estamos aí, né, então teve esse momento de tipo assim,
16:31não, vai rolar, a galera tá fora do eixo, a galera viaja no Brasil, tipo, festival de cinema, tipo, tinham coisas como perspectiva rolando,
16:40tudo bem que não foi se desenhando, né, de outras formas no meio do caminho, mas quando você já entrou pro negócio também,
16:46você fala, pô, já tô aqui, né, muita gente vai saindo, porque vê, não, isso aqui é roubada, e quem é os que dá a escola,
16:52a gente brinca que é a escola Bispo do Rosário, aí, uns amigos, que é a coisa do artista que tem a sina, que as vozes, né,
16:57de tipo, você não tem sossego, se você não fizer, você não consegue existir, e aí você vai, você se estrubica no caminho,
17:05alguns vão dar umas sortes aí, vai, né, acontecem coisas aí de tipo, ai, tem uma grana, estoura alguma coisa,
17:13mas é isso, é uma coisa meio loteria, né, assim, tem gente que faz muitas concessões, e aí, porque não dá conta,
17:20fala, não, vou abrir mão, eu queria ser menos punk, talvez eu fosse mais feliz, talvez a minha vida fosse melhor,
17:25se eu fosse uma pessoa mais aberta a jogos, né, assim, é, como é que eu posso dizer, adaptações, né,
17:34assim, pra ser mais palatável, pra ser mais aceito, mas, sei lá, acho que cada um tem que ir de acordo com a sua consciência também, né.
17:42Mas como é que você fez a primeira música, digamos assim, como é que, o dia que você sentou pra fazer?
17:46Desculpa, antes disso, porque você vem das artes visuais, como é que você migra pra música, e aí, passa a compor e tal?
17:53Então, pra mim, sempre foi tudo meio junto, assim, é, quando eu era adolescente, eu tava na escola,
17:59e eu, tipo, não me identificava de jeito nenhum, porque era uma lógica muito, de insensibilidade,
18:07de não esperar nada da gente, era, tipo, tinha uma matéria que a gente tinha, que era comunicação gerencial,
18:13tipo, ensinar você a se comportar numa entrevista de trabalho, a escola era pra preparar operário pra contagem, sabe,
18:19era, tipo, trabalhar nas lojas, no shopping, no, tipo assim, ensinar você até como corta o cabelo,
18:24e aí eu falei, gente, o que que é isso? Tipo, era horrível, eu não tenho nada a ver com isso aqui,
18:27era preparar robozinho, todo mundo de uniforme, e, tipo, não dá, assim, isso não é pra mim.
18:33E aí eu fui vendo que, realmente, achando alguns, ah, tinha curso de teatro numa ONG, não sei o quê,
18:39tipo, curso de audiovisual, não sei aonde, e aí procurando essas coisas, assim, pra tentar ver, né,
18:47como que eu ia conseguir fazer o que eu acreditava, e aí foi indo ao mesmo tempo,
18:53tipo, ah, comecei a tocar violão, meu pai tinha um violão velho em casa, e aí ficava tocando,
18:58e eu já gostava muito de tocar o que eu criava, tipo, ah, não quero ficar só tocando o que todo mundo já tocou,
19:04eu quero tocar as coisas que vêm na minha cabeça, mesmo que seja ruim, que ninguém goste,
19:08de eu tinha essa necessidade de, tipo, falar o que eu sinto, não que todo mundo toca toda hora, sabe,
19:14e aí foi vindo meio que junto, porque no teatro também tem uma coisa da performance, né, do corpo,
19:19e você aprendeu a usar sua voz, e aí tocando violão, pegando cifra na internet,
19:23aí depois as artes visuais vieram, porque eu já gostava muito de fazer vídeo e foto,
19:28coisa podre de celular mesmo, mas essa coisa do faça você mesmo, que a gente tava comentando,
19:32de, poxa, eu vou esperar vir alguém pra fazer alguma coisa, eu não vou fazer nada,
19:35eu vou ficar jogada aqui no meio da rua, tipo, eu tenho que fazer, eu tenho que aprender a fazer as coisas
19:40pra que as coisas aconteçam, né, eu não posso esperar cair do céu, então foi uma coisa meio assim,
19:46e eu entrei nas artes visuais na faculdade, porque música era, tipo, música erudita,
19:50eu falei, não vou fazer música erudita, não tinha MPB, cinema era cinema de animação,
19:54eu falei, não vou fazer cinema de animação, teatro, eu também falei, poxa, não é teatro em si,
20:01porque eu já tô com um trabalho muito voltado pra minha pesquisa artística, que tem música,
20:06que tem performance, mas teatro, eu não vou topar, porque eu já tinha feito também teatro na adolescência,
20:10assim, teatro é uma coisa muito ingrata, porque é um monte de louco passando perrengue,
20:15enfiando 20 pessoas num carro pra fazer uma peça não sei aonde, pra umas crianças lá do hospital,
20:19da outra cidade, aí cada um ganha uma coxinha, um refrigerante, e aí eu falei, não, peraí,
20:24que eu não sei se é isso não.
20:25E artes visuais eu achei muito fantástico de ver, tipo assim, tem artista que pensa,
20:30um artista colocou cocô na lata, merda de artista, e aquilo ali, todo mundo que estuda arte
20:36vai ver aquilo no livro, é vendido por milhões, tipo assim, o lugar do artista visual de poder zoar tudo
20:42e falar de tudo, às vezes de maneiras sérias, às vezes de maneiras cômicas, às vezes nada com nada,
20:47tipo, esse lugar que meio que perverte as situações, né, que tá ali, que as pessoas às vezes não entendem,
20:54mas que ao mesmo tempo sensibiliza as pessoas, eu achava aquilo muito incrível, assim,
20:58de um rolo de papel higiênico, alguém botar aquilo lá na parede, um negócio, nossa,
21:02a banana, a casa da banana.
21:04Claro, que muitas pilantragens, muitos jogos, muitos jogos comerciais,
21:09mas tem coisas que realmente, né, você pega um do chão, você pega arte conceitual,
21:13que a galera fala, ah, é só um vaso sanitário na galeria,
21:18fala, não, não é bem assim, não é, tem coisa por trás aí, se você for pegar, não é assim.
21:22Então, isso me fascinava, assim, esse lugar muito que as artes visuais trazem de um conceito,
21:27de um pensamento.
21:29E aí eu falei, não, vou pra lá, porque eu acho que lá talvez eu tenha um pouco mais de espaço
21:32de confluir tudo, meu trabalho com cinema, com foto, com performance, com música.
21:38Em certa medida foi possível, em outras não, mas eu acho que isso em todas as áreas, né,
21:42que a caretícia é tremenda, assim, o conservadorismo não é porque é arte que não tem, né,
21:46inclusive, às vezes é até contrário, por incrível que pareça.
21:50Mas aí foi isso, eu fui entendendo também, né, o que que eu tinha que fazer pra isso,
21:56pra formar numa faculdade, o que que não, o que eu tinha que fazer porque eu acreditava.
22:01É sempre essa tentativa desse equilíbrio, né, assim, que é muito difícil,
22:05muitas vezes a gente não consegue.
22:06Eu acho que eu sou uma pessoa, nesse sentido, que já fui muito bélica,
22:09hoje eu tô tentando ser mais tranquila um pouco.
22:13O Sarah não tem nome veio disso também, desse incômodo, né,
22:17de, tipo, como que eu vou estar nesse ambiente que não é feito pra mim, né,
22:21de certa forma, assim, não é um ambiente natural, mas que eu vou...
22:25Uma provocação total, né?
22:26Uma provocação total, né?
22:28É, porque já não tem nem obra ainda.
22:30As pessoas ficam, mas o que que é isso?
22:31É uma pessoa, é um coletivo, como que não tem nome?
22:33Já é um nome, chama Sarah.
22:34Então eu já queria que com isso já trouxesse alguma reflexão, uma confusão, né?
22:39E aí depois as obras vão complementando isso, né, de alguma forma.
22:44Legal.
22:45Cara, que doido.
22:45E agora, o que que você escutava?
22:47Porque, assim, igual você falou, tem de tudo no...
22:51E eu lembro que eu já vi uma vez também, acho que era um programa, não sei o que que era,
22:55você tocando Inesita Barroso.
22:58Eu disse, gente, Sarah com Inesita, que coisa louca, assim, dois universos.
23:03E eu queria saber o que que você...
23:05Quais universos você transitava na música?
23:07E até hoje ainda transita, assim.
23:08Foi engraçado esse negócio da Inesita, porque a Inesita não gostava de rock e guitarra de jeito nenhum.
23:14Aí eu fui e falei, ela já...
23:16Ela deve estar se revirando o túmulo lá, falando, o pessoal pegando aqui as minhas versões de moda de viola, as coisas, e tacando guitarra.
23:23Mas foi meio que uma brincadeira também, né?
23:25Porque tem essas visões, às vezes, muito enraizadas, né?
23:29De tipo, ah, isso é música tal.
23:31O conservadorismo que você acabou de falar, né?
23:33Gente, o que que é o rock hoje em dia?
23:35É, o rock reaça, o roqueiro reaça, né?
23:37Eu não imaginaria.
23:38Eu não imaginava um negócio desse.
23:40É, também não.
23:41Tipo assim...
23:42Pessoal que curtia Ramones, punk e tal.
23:44O Pink Floyd, quando teve o show aqui no Mineirão do...
23:47Roger Waters.
23:48Pessoal, não.
23:49Mas tem muita política na música.
23:50Eu falo, meu Deus, gente, você não passou da primeira capa do livro.
23:53Você não abriu esse livro.
23:54Não, é que é isso.
23:55Então, é um negócio meio doido, né?
23:58Total, total.
23:59Mas, ao mesmo tempo, é bonito você pensar, né?
24:01Que, às vezes, a música, a arte pega as pessoas em lugares que elas nem sabem o que
24:04que é.
24:04Nem é racional.
24:05Nem é tipo, ah, li, entendi.
24:07A mensagem é essa.
24:08Isso é bonito também, né?
24:10Passa os poros.
24:11É um ritmo.
24:11Mas não é frustrante, não, pra artista?
24:12Também, claro.
24:13Você vê assim, né?
24:14E fala, pô, que é isso?
24:15Não era isso, né?
24:15Não era isso, né?
24:15Fascista, eu gosto do meu tempo.
24:17Mas, ao mesmo tempo, você pensa assim, nossa, o poder da arte, ele é tão tremendo, igual
24:21o Evangelho, ele é tão tremendo o poder da arte, que ele atravessa o espírito.
24:26Tipo assim, você pensa, pô, o negócio é totalmente contra a ideologia dessa pessoa, mas a pessoa
24:30escuta isso, se sensibiliza, vai, é fã, é contra e, ao mesmo tempo, tá lá, porque
24:35o negócio mexe um negócio nela que ela tem um embate, mas ela vai.
24:40Isso eu acho bonito, assim, mesmo que pro artista seja uma frustração.
24:44Eu mesmo já tive isso, gente.
24:45Ai, a voz dela é tão bonita, pena que as letras, tipo assim, ai, sua voz é tão
24:50suave, por que você tá cantando, xingando essas coisas?
24:53Tipo, você podia cantar uma coisa mais fofa, menina fofa, dessa?
24:56Tipo assim...
24:57Você não sabe se agradeço, se pergunta...
24:59É, é fã ou hater, né?
25:00Aquele negócio.
25:01Exatamente.
25:02Então, você fica assim, pois é, meu pai, eu lembro que tinha coisa engraçada quando
25:05eu comecei a tocar, que eu fiz, fazia música, eu lembro quando eu fiz o Ômega 3 lá
25:09atrás, falando do peixe morto na praia de Minas Gerais, que já tinha toda uma
25:13melancolia, essa coisa de, tipo...
25:16Ah, querer falar de um lugar, né?
25:18Que não era isso que a gente falou no começo, das montanhas, de Minas e tal.
25:22E meu pai falou, Sara, mas por que você não faz umas coisas tipo a Paula Fernandes?
25:27Umas coisas assim, você não viu como é que ela tá fazendo sucesso?
25:30Aí eu falei, não, pai, eu não sei se eu nasci pra fazer sucesso, então não.
25:33Porque eu não consigo fazer isso, não é, não dá, não, pelo menos não agora, não,
25:39não sei se...
25:40Eu espero que não nunca.
25:41Porque também vai que eu envelheço e viro, viro, viro, se eu só quero isso.
25:45É, é mesmo.
25:46Não quero que aconteça, mas...
25:48Sei lá, é isso, né?
25:49Eu acho que, às vezes, tem pessoas que gostam de agradar.
25:53E não que eu não goste de me sentir aceita, né?
25:55Não é aquela coisa, ah, você é pessoa louca, quero que as pessoas não gostem de mim.
25:59Mas é tipo, poxa, você tem que ter um compromisso com a sua verdade, com as coisas que você acredita.
26:03Porque se nem você acredita nas suas coisas, quem que vai acreditar?
26:06Você tem que bancar alguma coisa, né?
26:07Ainda mais, acho que entra uma questão de gênero também, de classe, de várias coisas da minha história.
26:11Eu fico assim, pô, eu vou me sujeitar a ser só mais uma menininha fingindo que tá tudo beleza,
26:17enganando as pessoas, usando a minha arte, do meu talento, do meu que for que eu tenha, né, de sensibilidade,
26:23pra só enganar as pessoas?
26:24Tipo, eu vim no mundo pra isso, só pra fazer as pessoas consumirem e se jogarem em coisas que são fúteis.
26:30Tipo, eu não acho isso certo.
26:31Eu não gosto quando eu sinto que alguém tá fazendo isso comigo.
26:34Por que eu vou fazer isso com alguém, sabe?
26:35Isso não é, não é legal.
26:37Tipo, eu não admiro esse tipo de pessoa.
26:39Então, pra mim, isso é um pressuposto pra tudo, sabe?
26:41Não é ser tipo, ah, paladino da moral, da ética.
26:44Tipo, isso é o mínimo, sabe?
26:46Isso é o básico.
26:47Hoje em dia é o mínimo.
26:48O pessoal já acha que, ah, fulano de tal, esse artista...
26:51Diferenciado.
26:53Diferenciado.
26:53Quando a pessoa foi lá e falou, tipo, sei lá...
26:55Não engane os outros.
26:56Não, é que não mate as pessoas, assim, no meio da rua com uma facada.
27:00Radical.
27:00Esse artista é radical.
27:01Ele tem coragem.
27:03Ele tem coragem de ir nas ruas e peitar.
27:05Eu falo, gente, o mundo acabou.
27:07O mundo acabou.
27:08Total.
27:09Não tá, né?
27:10Eu fico, às vezes, acho que é eu que enlouqueci.
27:13Mas não, né?
27:13Ou então eu também.
27:15Eu acho que é tipo aquele livro do...
27:18Como é que é o nome?
27:19Que é tipo, ele começa...
27:20O Alienista.
27:21Ah, não acho assim, assim.
27:22Vai botando todo mundo lá.
27:23Ah, fulano tá doido.
27:24No final ele que é o...
27:25No final tá todo mundo lá dentro.
27:27E o doido é ele.
27:28E o doido é ele.
27:29Tipo, isso mesmo.
27:30O spoiler do Alienista.
27:32Ah, do spoiler.
27:32Se você não leu esse livro que tem...
27:34Ah, mas é muito bom.
27:35Mas leia o Alienista.
27:37É, não.
27:37Eu já li.
27:38É massa mesmo.
27:40Então vamos falar dos desastros.
27:42As próximas coisas que estão pra acontecer.
27:45O meu diretor ali já tá sinalizando que a gente tem que encaminhar pro fim.
27:49Hoje o papo tá um pouco corrido.
27:51Desculpa, gente.
27:51Eu vou empolgando.
27:52Não, é ótimo.
27:53A gente adora.
27:54É bem massa essas respostas.
27:56Parecem caóticas, mas são profundas de uma forma muito massa.
27:59Pior coisa é pessoa lacônica.
28:01Que aí você responde sim.
28:02Não.
28:03Talvez.
28:04É.
28:05É, a gente é a favor da empolgação de alguma forma.
28:09Mesmo que seja caótica ou contestadora.
28:12Enfim.
28:14Conta pra gente dos desastros.
28:15Quando vai sair esse álbum.
28:17Quando que vai estar no Spotify.
28:19Quando que talvez tenha um show.
28:20Se é que já tem.
28:22Conta pra gente aí os próximos passos desse projeto.
28:24Massa.
28:25Então, a gente vai...
28:27No dia 1º de outubro tem um lançamento.
28:29Do Estrela Mãe.
28:31Que é um single.
28:31Já saiu o primeiro single.
28:32Que é o Desastres.
28:34Desastres dos Desastres.
28:36E no dia 20 vai sair o primeiro álbum.
28:38Dia 20 de outubro.
28:40E a gente tá fazendo visualizer.
28:44Videoclipe.
28:44Tô pensando nessa parte visual também.
28:46Tem um show que vai ser aqui em BH.
28:48Que é 14 de novembro.
28:50Acho que vai ser na central.
28:51Ainda não tem exato as informações.
28:53Mas a gente vai soltar nas nossas redes também.
28:55E acho que...
28:57Que resumindo.
28:59É isso, assim.
29:00Esses principais lançamentos são esses.
29:0320 o álbum.
29:04E um o single.
29:06E o seu, né?
29:08Do Sado Nossam.
29:09Tem mais coisa que a gente pode esperar por vir?
29:12Tem esse ano algumas coisas ainda pra sair.
29:14Tá fazendo 10 anos do álbum Ômega 3.
29:16Meu primeiro álbum.
29:17Aí lancei uma session especial.
29:19Tô preparando tipo uma...
29:20Uma turnezinha assim.
29:22Com coisas do show.
29:23Umas outras versões.
29:26Aí vai sair um clipe do Situação.
29:28É tudo meio...
29:28Minhas coisas meio caóticas, né?
29:29Uma coisa lá, outra aqui.
29:31Vai funcionando meio assim.
29:33Mas tá pra sair.
29:34E eu tô preparando o próximo álbum.
29:36Que aí deve sair ano que vem.
29:38Que vai ser já uma outra onda.
29:39Meio gótico, eletrônico, pós-punk.
29:43A gente brinca que é triste com tesão.
29:44Pós-punk meio vampiresco.
29:47Acho que tem a ver com essa fase agora que eu tô em São Paulo.
29:49Ser uma coisa mais obscura, mais gótica, mais eletrônica também.
29:53Pra eu não ficar tão refém de banda grande.
29:55Porque, né?
29:56Tem sido um momento muito difícil de levar a banda pros lugares.
30:00Então, de ser uma versão um pouco mais resumida.
30:02E aí é você que vai produzindo essas paradas eletrônicas e tal.
30:06Vai pegando.
30:07Como é que é esse processo de criação aí?
30:09Sim, esse começo tem sido assim.
30:12Eu tenho feito a pré-produção das músicas.
30:15Muita coisa em controlador.
30:17Vai pegando os timbres.
30:18Vou colocando as letras.
30:20E aí depois, quando eu já entendo o que é de cada música.
30:22Às vezes chamo as pessoas pra gravar.
30:25Participação.
30:25E aí vai encaixando, né?
30:27O que é de...
30:28O que faz sentido.
30:29A situação foi um álbum muito maluco.
30:32Porque anos, aí pandemia.
30:34Aí estúdio.
30:35Aí é marchinha.
30:37Aí é música tal.
30:37Então, foi um processo um pouco mais complexo.
30:41Mas foi bom que teve...
30:42Eu consegui aprovar um projeto, né?
30:44Então, não foi feito tudo na raça.
30:45Porque quando é tudo na raça, aí...
30:47Meu Deus do céu.
30:48Aí esse novo eu tô querendo fazer.
30:50Eu nunca fiz.
30:50Porque eu nunca tive...
30:52Acho que estímulo suficiente pra isso.
30:53Que é fazer crowdfunding.
30:54Porque você tem que ficar lá.
30:56Pelo amor de Deus, gente.
30:57Me dê 15 reais.
30:58Me dá 15 reais.
30:59Eu nunca te pedi nada.
31:01Tipo, eu podia estar matando, roubando.
31:02Tô pedindo.
31:03Aí eu sempre falava.
31:03Gente, eu não vou aguentar sofrer mais essa rejeição.
31:06Eu fico...
31:07Eu tenho isso também.
31:08Eu fico pensando.
31:08Gente, se eu fizesse...
31:09Se eu não conseguisse atingir a meta.
31:10Eu fico assim.
31:11Nossa.
31:12Fracassei.
31:13Nossa.
31:13Aí eu fiquei...
31:13Mas hoje em dia, eu acho que depois de tanta trollitada que a gente tomou nesses últimos anos.
31:17Eu vou falar assim.
31:18Ah.
31:18Mais um pra minha coleção.
31:19Vou ficar lá.
31:21Igual um pombo caído.
31:22Uns dias.
31:23Mas se der errado, eu falo.
31:24Pô.
31:25Tô tentando.
31:26E tudo.
31:26Depois a galera fala que não tem música esquisita.
31:28Eu falo.
31:28Eu tô aqui.
31:29Eu tô aqui.
31:30Tô tentando fazer.
31:31E aí é isso.
31:32Acho que eu tô com um pouco mais de coragem de arriscar algumas coisas.
31:36Porque tem momento também que é cansativo demais.
31:38Parece que sempre você tem que estar lá.
31:40Ai, gente.
31:41Vamos lá.
31:42Tipo assim.
31:43Tem uma hora que você fica.
31:43Nossa.
31:44Eu só quero ficar um pouco mais de boa.
31:46Mas tô nesse...
31:48Acho que eu dei mais essa nova guinada de tipo.
31:50Vamos lá.
31:50Vamos de novo.
31:51Que não dá pra...
31:53Ah, não dá pra...
31:53Não dá pra gente se entregar.
31:55Acho que tem que...
31:56Enquanto a gente estiver em pé, né?
31:58Estiver vivo.
31:59É isso.
31:59É luta mesmo.
32:01Muito legal.
32:03Eu não esperava que a gente ia trazer lições quase de autoajuda aqui para o Aventa do Divirtas.
32:09Se você não tá atento, ela tá dando lições importantes aqui.
32:13De autoaceitação, de coisa da vida, de como encarar a criação.
32:20E isso tem muito valor mesmo.
32:23Adorei essas respostas, essas últimas.
32:26Achei que realmente tem muito pra levar aqui quem estiver ouvindo a gente.
32:30E a gente espera que você continue assim, autêntica e ao mesmo tempo com esse caos rico.
32:37E que nas próximos lançamentos volte aqui no Divirtas, né?
32:41Com o pessoal, seja com o Desar, seja no seu projeto pessoal.
32:45Então, eu queria te agradecer.
32:46Mais alguma coisa?
32:47Não.
32:47A gente já tá...
32:48Obrigado mesmo.
32:48É, o diretor já tá ali com a faca na mão pra gente cortar aqui.
32:53Mas aí eu queria deixar, então, um espacinho pra suas palavras finais e divulgar, sei lá,
32:57as redes sociais, essas coisas.
32:59Ai, ótimo.
33:00Tô muito feliz de estar aqui com vocês.
33:02Muito grata também de ter esse espaço, né?
33:04Pra contar um pouco.
33:06Porque às vezes as pessoas não entendem muito bem.
33:07É tudo meio misterioso, né?
33:09Então, é bom as pessoas verem que não, né?
33:12Que as coisas são mais simples, né?
33:15São conversáveis.
33:16Tá todo mundo querendo trocar, né?
33:18Querendo aprender junto, se sensibilizar.
33:21Não é distante, né?
33:22Da realidade.
33:23Então, tô bem feliz de estar aqui.
33:26E pra quem quiser, né?
33:27Ver tudo isso que eu falei, entender melhor, né?
33:30Só procurar lá nas redes de desastros.
33:33Sarah não tem nome.
33:34Acho que não tem outros.
33:35Vai ser fácil de achar.
33:36E é isso, assim, né?
33:38Quem puder acompanhar e dar uma força.
33:41Não catar isso que eu vou fazer.
33:43É bom.
33:43É.
33:44Mas é isso.
33:45Qualquer apoio, né?
33:46Eu recebo, às vezes, umas mensagens, assim,
33:47que valem mais do que qualquer coisa.
33:49Assim, de tipo, nossa,
33:51tava passando uma fase difícil.
33:52Eu ouvi sua música.
33:53Fulano morreu.
33:54Geralmente as pessoas me escutam em momentos difíceis.
33:57E eu acho isso tão bonito.
33:58Eu falo, ah...
33:58Mas é legal.
33:59É verdade.
33:59Porque muita gente fica, ah, te ouvi no bar.
34:01Te ouvi não sei o quê.
34:02Momentos felizes e alegria.
34:03Eu falo, poxa, mas você tá num momento difícil com a pessoa.
34:05Não é qualquer coisa, né?
34:06É.
34:06A pessoa morreu.
34:07A outra tá fodida lá na casa dela com depressão.
34:10E falou, nossa, Sara, você me ajudou.
34:11Tava no fundo do poço.
34:12Aí aquelas coisas meio,
34:13se a Sara saiu do buraco, eu vou sair também.
34:16Falei, é isso.
34:16É motivacional, né?
34:18Se ela deu conta, ela vai dar conta também.
34:20Então, isso me deixa feliz também.
34:22Porque a gente sente que, né?
34:24Que seja mínimo o que a gente tá fazendo.
34:27Tipo, é válido, sabe?
34:28Então, isso pra mim já vale todo o esforço.
34:32É, se conseguir chegar em uma pessoa ali, né?
34:35Em algum momento especial.
34:36A gente até, de certa forma, no jornalismo, a gente também tenta ter um pouco essa abordagem.
34:41Claro que são outras questões de audiência e tudo.
34:45Mas, por um lado, especialmente na cultura, né?
34:48A gente sempre tenta fazer uma coisa que seja minimamente profunda.
34:52E que, se não chegar em milhares, mas atingir um ou outro ali, já é legal.
34:57Acho que essa é a grande lição que você tá trazendo aqui.
35:00Motivacional, dessa vez.
35:03Adorei.
35:04Muito bom.
35:04É isso.
35:05Obrigado mais uma vez, Silvio.
35:06Valeu demais.
35:07E ansioso pelo próximo disco de música eletrônica.
35:10Acabou de falar que Globo tem.
35:12É, não me coloque numa caixinha.
35:14Aí a gente põe ela na caixinha da autoajuda eletrônica.
35:17Autoajuda eletrônica.
35:17Autoajuda eletrônica.
35:17Autoajuda eletrônica.
35:19Bom.
35:21Infelizmente, a gente tem que terminar, né?
35:23A Sara, ótima.
35:25A gente poderia ter ficado mais um tempo aqui.
35:28Deixa aqui no seu comentário.
35:29Você já conhecia ela?
35:30Se conheceu?
35:31O que você achou?
35:33Depois a gente troca com ela essas mensagens.
35:36Vai estar aqui no Portalai.
35:37O Portalai, a gente, eu e o Lucas, a gente tá fazendo essa nova temporada do Divirta-se.
35:41Tem cinema, tem música, tem um leque de coisas que você pode ter acesso aqui no Portalai.
35:50E aí, é isso.
35:51A gente vai ficando por aqui.
35:53Deixe seu like.
35:54E para notícias de Minas e do mundo, é em.com.br.
35:58Valeu.
35:59Divirta-se.
35:59Divirta-se.
36:00Cultura.
36:01Divirta-se.
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