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O morro desce em cascata de telha e tijolo
Na pele da terra, um corte, um consolo
A vida pendurada no varal do abismo
Onde o sol se deita sem nenhum cinismo

O esgoto que corre e desenha a calçada
E a moça arrumada que vai pra noitada
Bordando o destino na sola do pé
O Rio é castigo, o morro é a fé.

Ahh, minha gente, que a história esculpe
Se lá na praia têm medo, no morro, desculpe...
O céu lá de baixo é o mesmo de cá
Mas no morro o sereno tem mais que chorar
A lua é um brinco na orelha da madrugada
As estrelas descansam de cada porrada.

O barraco suplíca à Nossa Senhora da Esperança
No meio do fogo cruzado baila a criança
E a bala perdida que busca um peito
Não se importa com ninguém, não quer ter direito

Uma caixa de som relembra um samba antigo
Que fala de amor, que esquece o perigo
A dona de casa que acende vela pro santo
Limpa a poeira e enxuga o seu canto
Onde a miséria espreita a janela
A poesia renasce da favela.

É um labirinto de becos e tramas
Lugar do operário que esquece os seus dramas
Mistura o suor com a água da chuva
A mão calejada não carece de luva

O morro é um palácio de corda e de vento
Que guarda o segredo do sofrimento
E quando a cidade maravilhosa acende a sua luz
O morro apaga o peso da cruz.

Ahh, minha gente, que a história esculpe
Se lá na praia têm medo, no morro, desculpe...
O céu lá de baixo é o mesmo de cá
Mas no morro o sereno tem mais que chorar
A lua é um brinco na orelha da madrugada
As estrelas descansam de cada porrada.

E o Rio assiste, calado e covarde
A beleza que queima na boca da tarde
O morro é poesia que a duros espinhos resiste
O quadro mais lindo e o samba mais triste.

Ahh, minha gente, que a história esculpe
Se lá na praia têm medo, no morro, desculpe...
O céu lá de baixo é o mesmo de cá
Mas no morro o sereno tem mais que chorar
A lua é um brinco na orelha da madrugada
As estrelas descansam de cada porrada.

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Astrikos Katoikos
Copyright ©️ 2009
Todos os Direitos Reservados ®

#astrikoskatoikos #riodejaneiro #punkrock #favela

Categoria

🎵
Música
Transcrição
00:18O morro desce em cascata de telha e tijolo
00:21Na pele da terra um corte, um consolo
00:23A vida pendurada no varal do abismo
00:26Onde o sol se deita sem nenhum cinismo
00:28O esgoto que corre desenha a calçada
00:31E a moça arrumada que vai pra noitada
00:33Abordando o destino na sola do pé
00:36O rio é castigo, o humor é a fé
00:40Minha gente, que a história esculpe
00:43Se lá na praia tem medo no morro, desculpe
00:48O céu lá de baixo é o mesmo de cá
00:50Mas no morro sereno tem mais que chorar
00:53A lua é um brinco na orelha da madrugada
00:56As estrelas descansam de cada porrada
01:17O barraco suplica Nossa Senhora da Esperança
01:21No meio do fogo cruzado baila a criança
01:23E a bala perdida que busca um peito
01:25Não se importa com ninguém, não quer ter direito
01:28Uma caixa de som relembra um samba antigo
01:30Que fala de amor, que esquece o perigo
01:33A dona de casa que acende vela pro santo
01:35Limpa a poeira e enxuga o seu canto
01:38Onde a miséria espreita a janela
01:41A poesia renasce da favela
02:12É um labirinto de becos e tramas
02:15Lugar do operário que esquece os seus dramas
02:17Mistura o suor com a água da chuva
02:20A mão calejada não carece de luva
02:22O morro é um palácio de corda e de vento
02:25Que guarda o segredo do sofrimento
02:27E quando a cidade maravilhosa acende a sua luz
02:30O morro apaga o peso da cruz
02:33Ah, minha gente, que a história esculpe
02:37Se lá na praia tem medo no morro
02:40Desculpe
02:42O céu lá de baixo é o mesmo de cá
02:44Mas no morro sereno tem mais que chorar
02:47A lua é um brinco na orelha da madrugada
02:50As estrelas descansam de cada porrada
03:11Que o rio assiste calado e covarde
03:16A beleza que queima na boca da tarde
03:20O morro é poesia que adora os espinhos resiste
03:26O quadro mais lindo e o samba mais triste
03:35Ah, minha gente, que a história esculpe
03:39Se lá na praia tem medo no morro
03:42Desculpe
03:44O céu lá de baixo é o mesmo de cá
03:46Mas no morro sereno tem mais que chorar
03:49A lua é um brinco na orelha da madrugada
03:52As estrelas descansam de cada porrada
03:54A lua é um brinco na orelha da madrugada
04:24O morro desce em cascata de telha e tijolo
04:30Na pele da terra um corte, um consolo
04:35A vida pendurada no varal do abismo
04:41Onde o sol se deita sem nenhum cinismo
04:46O esgoto que corre desenha a calçada
04:51E a moça arrumada que vai pra noitada
04:57Bordando o destino na sala do pé
05:01O rio é castigo, o morro é a fé
05:07Ah, minha gente, que a história esculpe
05:09Se lá na praia tem medo no morro
05:11Desculpe
05:12O céu lá de baixo é o mesmo de cá
05:14Mas no morro sereno tem mais que chorar
05:17A lua é um brinco na orelha da madrugada
05:20As estrelas descansam de cada porrada
05:37Um barraco suplica a Nossa Senhora da Esperança
05:41No meio do fogo cruzado baila a criança
05:47E a bala perdida que busca um peito
05:51Não se importa com ninguém
05:54Não quer ter direito
05:57Uma caixa de som relembra um samba antigo
06:02Que fala de amor, te esquece o perigo
06:08A dona de casa que acende vela pro santo
06:13Limpa a poeira e enxuga o seu canto
06:17Onde a miséria espreita a janela
06:21A poesia renasce da favela
06:49É um labirinto de becos e tramas
06:52Lugar do operário que esquece seus dramas
06:54Mas mistura o suor com a água da chuva
06:57A mão calejada não carece de luva
06:59O morro é um palácio de corda e de vento
07:02Que guarda o segredo do sofrimento
07:05E quando a cidade maravilhosa acende a sua luz
07:08O morro apaga o peso da cruz
07:10A minha gente quer a história e esculpe
07:12Se lá na praia tem medo no morro, desculpe
07:15O céu lá de baixo é o mesmo de cá
07:17Mas no morro o sereno tem mais que chorar
07:20A lua é um brinco na orelha da madrugada
07:22As estrelas descansam de cada porrada
07:25E o rio assiste calado e covarde
07:45A beleza que queima na boca da tarde
07:50O morro é poesia que a duros espinhos resiste
07:54O quadro mais lindo e o samba mais triste
08:01A minha gente quer a história e esculpe
08:03Se lá na praia tem medo no morro, desculpe
08:06O céu lá de baixo é o mesmo de cá
08:08Mas no morro o sereno tem mais que chorar
08:11A lua é um brinco na orelha da madrugada
08:13As estrelas descansam de cada porrada
08:15A lua é um brinco no morro
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