Tudo que morre volta em silêncio,
em outro rosto, em novo início.
Nada se perde, tudo retorna,
a morte apenas muda a forma.
O corpo se inclina, flor que não sabe voltar,
as veias arrefecem, o tempo começa a parar.
Nada grita, apenas se apaga o rumor,
como se o mundo exalasse seu próprio ardor.
O céu não consola, apenas observa,
a alma se despede do que conserva.
E no instante em que o olhar se esvazia,
o universo recolhe o que pertencia.
Tudo que morre volta em silêncio,
em outro rosto, em novo início.
Nada se perde, tudo retorna,
a morte apenas muda a forma.
Há um frio doce na esquina do instante,
um calar antigo, quase pensante.
A morte não vem, ela se revela,
é o nome secreto da centelha.
Nenhum grito rompe o que finda,
o fim é raiz, e não ferida.
Morrer é abrir-se como o trigo,
é regressar ao que sempre foi abrigo.
Tudo que morre volta em silêncio,
em outro rosto, em novo início.
Nada se perde, tudo retorna,
a morte apenas muda a forma.
E quando enfim o último som se cala,
a alma, livre, se espalha.
Não há perda, nem dor, nem susto:
há apenas o real, sereno e justo.
O morrer é retorno, é dissolução,
é o movimento puro da criação.
Pois todo adeus é semente que brota,
e cada morte é a vida que volta.
Tudo que morre volta em silêncio,
em outro rosto, em novo início.
Nada se perde, tudo retorna,
a morte apenas muda a forma.
O fim é o verso que o início escreve,
a vida é chama que o vento atreve.
No cair da noite, o ser se escuta,
no fim do corpo, a alma é absoluta.
Tudo termina, mas nada se perde,
a luz recolhe o que o tempo cede.
Na morte, o mundo apenas respira,
e o que se apaga, também inspira.
Tudo que morre volta em silêncio,
em outro rosto, em novo início.
Nada se perde, tudo retorna,
a morte apenas muda a forma.
Tudo que morre volta em silêncio,
em outro rosto, em novo início.
Nada se perde, tudo retorna,
a morte apenas muda a forma.
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Astrikos Katoikos
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