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Lá das bandas de Maceió,
veio um cabra aperreado,
de chapéu de palha torto,
com o bornal atravessado.
Disse: "Oxente! Eu vou-me embora,
pra essas terras do luar,
pois se eu volto pro meu pago,
nem me deixam mais passar!"

Veio cedo pro Rio Grande,
vendo o sol nascer no cais,
trouxe um canto de aboio
e uns causos fenomenais.
Mas conserva um grande medo
que lhe aperta o coração:
"Em Maceió tão querendo
me botar numa prisão!"

Ê Zé Codó, conte direito,
que danado aconteceu?
"Foi sem jeito, minha gente,
nem eu sei como se deu!
Se eu voltar lá pras Alagoas,
ai de mim, meu camarada,
vão prender minha alma num coco,
numa noite enluarada!"

Tudo teve seu começo
na venda do Remansão,
Valdomiro era o dono,
cabra bom de opinião.
Tinha bolo de macaxeira,
rapadura e mungunzá,
e um café forte danado
pra sujeito acordar.

Já no fim daquela prosa,
num domingo de calor,
vinha um povo dando risada
pelas terras do Agenor
Zé Codó saiu ligeiro,
feito pinto no terreiro,
esbarrou no Tião Feiticeiro
sem saber do paradeiro!

Foi um "ôxe!" de três léguas,
um estrondo no balcão,
os óculos do Tião
se acabaram pelo chão.
Cada lente foi pr'um lado,
feito estrela no sertão,
e o feiticeiro bradou alto:
"Cabra sem reparação!"

Tião bateu na madeira,
fez um risco no balcão:
"Tu me paga esses óculos,
ou conheça a maldição!
Já preparei um coco seco,
dos graúdos do quintal,
pra guardar tua alma arisca
num feitiço sem igual!"

Zé Codó ficou mais branco
que tapioca no fogão,
largou prato, largou rede,
largou bode e caminhão.
Pegou rumo do Sudeste
sem olhar pra direção:
"Só me paro quando o Cristo
me acalmar o coração!"

Ê Zé Codó, fique quieto,
que ninguém vai lhe pegar!
"Desse jeito eu me aquieto,
mas não volto pro meu lar!
Pois conheço o tal Tião,
cabra forte no rojão,
quando espirra, faz promessa,
quando zanga, faz maldição"

Hoje mora na Lapa velha,
já tomou gosto do lugar,
vive falando pros amigos:
"Nunca mais vou regressar!
No Nordeste mora a graça,
minha terra é um primor,
mas Tião quando se invoca
Pesa mais do que trator!"

Se alguém vier de Alagoas
lhe trazendo um coqueiral,
Zé Codó muda de rua
numa carreira triunfal.
Pois jurou diante da cruz,
sem fazer confusão:
"Minha alma fica comigo,
e o coco fica vazio lá com Tião!"

Oiii segura esse coco Zé Codó
Que eu não volto mais pro Maceió
Oiii segura esse coco Zé Codó
Que eu não volto mais pro Maceió
Oiii segura esse coco Zé Codó
Que eu não volto mais pro Maceió

_________________________

Astrikos Katoikos
Copyright ©️ 1997
Todos os Direitos Reservados ®

https://youtube.com/shorts/CDxd3c7tsGA?is=UkwDo41n0-n4bYeG

#astrikoskatoikos #maldicao #maceio #forrozão

Categoria

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Música
Transcrição
00:07Lá das bandas de Maceió
00:09Vem um cabra aperreado
00:12De chapéu de palha torto
00:14Com bornau atravessado
00:16Disse Oxente eu vou-me embora
00:19Pra essas terras do luar
00:21Pois se eu volto pro meu pago
00:23Nem me deixam mais passar
00:30Veio cedo pro Rio Grande
00:32Vendo o sol nascer no cais
00:34Trouxe um canto de aboio
00:37E uns causos fenomenais
00:39Mas conserva um grande medo
00:42Que lhe aperta o coração
00:44Em Maceió tão querendo
00:47Me botar numa prisão
00:50Reza, Codó, conte direito
00:53Que danado aconteceu
00:55Foi sem jeito, minha gente
00:58Nem eu sei como se deu
01:01Se eu voltar lá pras alagoas
01:04Ai de mim, meu camarada
01:06Vão prender minha alma num coco
01:08Numa noite em Luarada
01:11Tudo teve seu começo
01:15Na vendado remansão
01:17Valdomiro era o dono
01:20Cabra bom de opinião
01:22Tinha bolo de macaxeira
01:25Rapadura e mungunza
01:26E um café forte e danado
01:30Pra sujeito acordar
01:32Já no fim daquela prosa
01:36Num domingo de calor
01:38Vinha um povo dando risada
01:41Pelas terras do Agenor
01:43Zé Codó saiu ligeiro
01:46Feito pinto no terreiro
01:48Esbarrou no tião feiticeiro
01:51Sem saber do paradeiro
01:53Foi um hoxe de três léguas
01:57Um estrondo no balcão
01:59Os óculos do tião
02:02Se acabaram pelo chão
02:04Cada lente foi pra um lado
02:07Feito estrela no sertão
02:09E o feiticeiro brado alto
02:12Cabra sem reparação
02:25Tião bateu na madeira
02:28Fez um risco no balcão
02:31Tu me paga esses óculos
02:33Ou conheça a maldição
02:35Já preparei um coco seco
02:38Dos graúdos do quintal
02:40Pra guardar tua alma risca
02:43Num feitiço sem igual
02:46Zé Codó ficou mais branco
02:50Que tapioca no fogão
02:52Largou prato, largou rede
02:54Largou bode e caminhão
02:57Pegou rumo do sudeste
03:00Sem olhar pra direção
03:02Só me paro quando Cristo
03:04Me acalmar o coração
03:08Ei Zé Codó fique quieto
03:11Que ninguém vai lhe pegar
03:13Desse jeito eu me aquieto
03:16Mas não volto pro meu lar
03:18Pois conheço tal tião
03:21Cabra forte no rojão
03:23Quando espirra faz promessa
03:26Quando zanga faz maldição
03:30Hoje mora na Lapa Velha
03:33Já tomou gosto do lugar
03:35Vive falando pros amigos
03:38Nunca mais vou regressar
03:40No nordeste mora a graça
03:43Minha terra é um primor
03:45Mas tião quando se invoca
03:48Pesa mais do que tratou
03:57Se alguém vier de Alagoas
04:01Lhe trazendo um coqueirão
04:03Zé Codó muda de rua
04:05Numa carreira triunfal
04:07Pois jurou diante da cruz
04:09Sem fazer confusão
04:11Minha alma fica comigo
04:14E o coco fica vazio
04:16Lá com tião
04:19Pois seguro esse corpo Zé Codó
04:23Que eu não volto mais pro Maceió
04:27Pois seguro esse corpo Zé Codó
04:31Que eu não volto mais pro Maceió
04:34Pois seguro esse corpo Zé Codó
04:39Que eu não volto mais pro Maceió
04:42Que eu não volto mais pro Maceió
04:45Que eu não volto mais pro Maceió
04:48Que eu não volto mais pro Maceió
04:48Que eu não volto mais pro Maceió
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