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#AGrandeFamília

Créditos: Rede Globo de Televisão

Categoria

🎈
Diversão
Transcrição
00:00Meu irmão, vai ficar muito baixo.
00:01Ô, colega, galera, vocês não tinham lugar pra fazer essa bagunça não, hein?
00:05Pô, fica frio, meu irmão, se tua mãe chegar, a gente diz que tá fazendo biscoito.
00:08Qual o problema?
00:10A receita era da minha avó.
00:14Tua avó fazia biscoito de bagulho?
00:17Eee, peraí, peraí, peraí, peraí, que parada é essa?
00:19E, é, bagulho, bagulho, bagulho?
00:22Fica frio, meu irmão.
00:23Vai provar um biscoito que tu nunca comeu na tua vida.
00:27Vocês estão mal?
00:30Eca, ruim pra cacete.
00:32Na próxima vez a gente chama tua avó pra ajudar.
00:35Oh, desculpa atrapalhar a farra das cozinheiras, mas eu tô achando melhor a gente limpar essa bagunça
00:39e jogar essa parada fora, antes que a minha mãe chegue das compras, valeu?
00:42Prova frio, meu irmão.
00:43Oi, meu irmão.
00:47Oi, meu irmão.
00:48Oi, meu irmão.
00:48Oi, meu irmão.
00:51Oi, meu irmão.
00:54Oi, meu irmão.
00:56Oi, meu irmão.
00:57Oi, meu irmão.
00:57E aí, o que que eles tão fazendo?
00:59Nada, nada.
00:59Tamo fazendo nada, irmão.
01:00É, quer dizer, tamo, tamo fazendo biscoito.
01:03Biscoito.
01:03Ah, tamo fazendo biscoito?
01:05Anã Maria Braga.
01:06É.
01:07Qual dos dois é o Louro José?
01:08É ele.
01:09Tinho.
01:10Para de acordar.
01:12Tinho.
01:12Filho, meu filho, que bonitinho.
01:14Você tá aprendendo a cozinhar?
01:16Ah, fazendo biscoitinho, Tuco.
01:18Dá um que eu quero...
01:19Não, não, não, tá muito ruim, muito ruim, mas...
01:23Vamos pro ensaio, vamos botar pro ensaio, vambora, vambora.
01:27Calma aí, vai, que isso?
01:28Vê lá onde pisa, ô molequeada, estraviada, que parece uma...
01:33Que isso? Um cigarro?
01:35Não, é meu, é meu, é meu, é meu, é meu, é meu.
01:38Pelo amor de Deus, meu filho, não tô acreditando, Tuco, esse cigarro é seu?
01:41Não, não, é meu, dona Nenê.
01:44Mentira, mentira, você tá falando isso só pra proteger o Tuco.
01:46Ô meu filho, você não sabe que isso aqui é errado, Tuco.
01:49Tuco, você não sabe que isso aqui faz mal?
01:52Meu Deus, depois você vai ficar viciado, que nem o seu avô.
01:55Não, é que é mentira, mentira.
01:56Eu fumo há 40 anos, nunca me viciei.
02:00Ah, nisso, minha filha, você lembrou de trazer o cigarrinho pro papai?
02:03Lembrei.
02:04Ah, bom.
02:04Lembrei, lembrei e não trouxe de propósito.
02:08Não, papai, o senhor fica deixando esses cigarros espalhados aí pela casa,
02:11e aí o Tuco fica pegando pra fumar.
02:13Né, cigarro, esse cigarro não é meu, não.
02:14Você é um cigarro vagabundo, não tem nem filtro.
02:17É, ô mãe, valeu a bronca, viu?
02:19Você tá certíssima.
02:20Olha, eu prometo que do meu bolso nunca vai sair um centavo
02:24pra sustentar a indústria tabagista.
02:28Inclusive, me dá aqui pra jogar fora.
02:29Não, não, não, não, não, não.
02:32Quem vai jogar isso no lixo sou eu.
02:33Ah, Tuco, se eu deixar com você, você vai fumar, né, gracinha?
02:37E depois você quer o quê?
02:38Quer ficar aí que nem o teu avô, que não consegue largar o vício, é isso?
02:41Não admita essas inverdades comigo.
02:43Como que não consegue largar?
02:45Não diga uma inverdade dessas.
02:47Ah, imagina, eu paro de fumar a hora que quiser.
02:50Eu já parei cinco vezes, você testemunha disso.
02:53Ah, agora, por exemplo, eu estou sem cigarro.
02:55Qual é o problema?
02:56Não tem problema nenhum, porque eu não sou viciado.
02:58Eu não sou viciado.
03:00É que, por causa de um cigarrinho à tua,
03:03pensa que eu vou ficar fazendo questão.
03:05Imagina, não sou viciado.
03:08O diabo desse cara é engraçado.
03:11Ele não tem começo, não tem fim.
03:17Aparece.
03:24O que é isso, seu Floreno?
03:25O que é o que?
03:25O que é que o senhor arrumou esse negócio aí, barra pesada?
03:27O que é isso?
03:28O que é isso, seu Floreno?
03:29Eu peguei aqui na lixinha.
03:29Deixa eu ver isso aqui.
03:30Mas estava limpinho, isso é verdade.
03:32Seu Floreno, eu sei muito bem onde é que o senhor arrumou isso.
03:33Vira para lá, seu Floreno, deixa eu ver uma coisa aqui.
03:35O que é isso?
03:36O que é isso?
03:37Esse cigarro não é meu, não é?
03:40Isso é no tuco.
03:41Esconde.
03:41O senhor está viciando, seu Floreno.
03:42Seu próprio neto.
03:43O senhor vai ser preso.
03:45Seu chincheiro da terceira idade.
03:47Esconde isso, tio.
03:48Esconde.
03:48Antes que a mamãe veja isso, amor de Deus.
03:50Antes que eu veja, o quê?
03:52Isso aqui, dona Neném, um cigarro de maconha.
03:54É o quê?
03:56Maconha.
04:00Rua!
04:01Rua!
04:01Pode sair.
04:02Pode sair.
04:03Rua!
04:05Rua!
04:05Rua!
04:05Vagabundo.
04:07Vagabundo, desculpa.
04:08Vagabundo.
04:09O que está acontecendo aqui?
04:10Você acha que pode me fazer de boba, né, Tuco?
04:12Você faz um biscoitinho para a mamãe ver e pelas minhas costas você fica fumando esse...
04:19Essa...
04:19Meu Deus do céu, eu não tenho nem coragem de dizer o nome.
04:22Meu Deus do céu, Tuco.
04:24Tuco, meu filho, o que aconteceu?
04:27Ai, eu te dei, eu te dei amor, eu te dei educação, eu te dei tudo, tudo, até a primeira
04:33comunhão
04:33você fez, Tuco.
04:36E agora eu descubro que você é um...
04:38Que você é um...
04:40Maconheiro.
04:41Agostinho.
04:41Não se mete, Agostinho.
04:43Meu filho, é por causa dessa porcaria aqui que você não estuda direito, Tuco.
04:48Você já podia estar na faculdade.
04:49Mãezinha, eu não fumo isso, eu não fumo.
04:52Não minta pra mim, Tuco.
04:54Meu filho, Tuquinho, você vai jurar, você vai prometer, você vai jurar que nunca mais
05:00na vida você vai fumar essa porcaria de novo, Tuco.
05:03Mas mãe, eu estou te dizendo que eu não fumo isso, e mesmo que eu fumasse, eu já sou
05:06maior de idade, eu já posso decidir o que eu quero, não é?
05:08Também já pode, Tuco, ser preso.
05:10Não se mete, Agostinho.
05:12Não, não, nenê, é porque fumar maconha é crime.
05:13No Brasil, porque na Holanda já foi até liberado, né, vende loja e tudo.
05:16É, mas na Holanda também é permitido casamento entre homossexuais.
05:19Não é por isso que você agora vai querer beijar o homem na boca, é, é, é, é.
05:22Para, para, para, para, para, para, para, para, para, para lá, ele já está tomado
05:25e é pela droga.
05:27Não se mete, Agostinho.
05:28Olha aqui, Tuco, quando você morar na sua casa, que você não estiver sozinho, você,
05:32ó, você pode fazer o que quiser, o que bem entender, tá?
05:35Agora aqui na minha casa, ninguém fuma maconha, tá?
05:39E você se comporta direito, ou então eu vou contar tudo pro seu pai.
05:43Ô mãe, eu não fumo maconha, mãe, eu não fumo maconha.
05:47Então eu vou contar pro seu pai que você não fuma maconha.
05:50Tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá legal, tá, olha, não vou meter o poposão
05:53na história, tudo bem?
05:59Olha, eu tenho minhas convicções, se vocês não gostarem, tudo bem, eu tenho outras,
06:03mas pra mim a pessoa que tem problema com drogas, pô, é vagabundo.
06:06Ah, Tinho, você vai me desculpar, eu acho que o Tuco não é vagabundo porque fuma,
06:10ele é vagabundo porque ele gosta.
06:11É, começa vagabundo, acaba marginal.
06:15Logo, logo tá aí assaltando pra comprar droga.
06:17Ah, não, gente, olha, tudo bem, eu concordo, não é legal pra ele.
06:21Agora, nem todo mundo que fuma vira marginal.
06:23Como é que você sabe? Você também fuma?
06:25Tinho, claro que não.
06:27Acontece que, poxa, acho que vocês estão exagerando, você veja, o vovô também fuma,
06:30cigarro, um maço por dia. E cigarro também é droga, tá escrito lá no maço, mata.
06:36É, meu bem, mas o meu cigarro não dá vontade de sair gritando pelado pela rua, não.
06:42Ah, vô, do Tuco também não, né?
06:44Ó, vocês vão me desculpar, mas maconha não dá esse tipo de onda, não.
06:47Que isso? Que isso? Bebê, ó, peraí, você também, eu quero saber.
06:50Não, Tinho.
06:50Quer saber se eu casar com uma viciada?
06:52Só que não, Agostinho.
06:53Boa noite, família.
06:55Oi, pai.
06:56Boa noite, Leneu.
06:57Você primeiro.
06:59Aconteceu alguma coisa?
07:00Não.
07:01Imagina, Leneu, não aconteceu nada, não.
07:04Não, não aconteceu nada, não, imagina.
07:05Principalmente não aconteceu nada com o Tuco.
07:07Bom, achei que tá na minha hora, eu vou ralar.
07:15Que cara é essa, Leneu?
07:18Aconteceu alguma coisa com o Tuco?
07:19Tudo bem.
07:20Pode deixar aqui, vou adivinhar.
07:22Não aconteceu nada.
07:24Aconteceu, Leneu.
07:26Aconteceu e foi muito grave.
07:30Eu descobri que o Tuco anda...
07:37...comendo biscoito escondido antes do jantar.
07:40E daí?
07:42Daí que ele sabe que ele não pode comer biscoito.
07:45Que eu tenho horror a gente que come biscoito.
07:47E mesmo assim, ele comeu biscoito.
07:50Leneu, pelo amor de Deus, qual é o problema do Tuco comer biscoito?
07:54Ele não é mais uma criança.
07:55Não, é criança.
07:56É sim.
07:57Ele é criança sim, tá, Leneu?
07:58E ó, me deixo em paz que eu tenho que preparar o jantar, tá?
08:01Aliás, eu cheguei do supermercado e não consegui nem guardar as compras.
08:04Eu não sei que horas eu vou preparar esse jantar.
08:06Aliás, eu não sei nem se eu vou preparar esse jantar.
08:12Já vai, já vai.
08:15Ô, Beixola, entra.
08:17Obrigado, senhor Floriano.
08:17Que cara é essa?
08:19Será que finalmente a saúde pública fechou aquela pastelaria?
08:23Ah, senhor Floriano, Leneu, desculpa chegar assim de repente, mas eu tô com problema.
08:28Tá todo mundo com problema hoje, Beixola.
08:30Quer um biscoito?
08:31Não, não posso nem pensar em comida.
08:33O Mário tá doente.
08:34Mário?
08:35Que Mário?
08:36O meu gato de estimação.
08:38E você tem um gato de estimação?
08:40Tem.
08:41Um monte de pulga que fica lá dormindo em cima dos pastéis.
08:45Olha aqui, senhor Floriano.
08:46Fala em mal do Mário, viu?
08:47Ele é um gato sim, mas ele é como se fosse meu filho.
08:50O meu filho querido.
08:51Calma, Beixola.
08:53Calma.
08:54Senta aí.
08:57Me conta o que foi que aconteceu.
09:00Ele deve ter comido alguma coisa que fez mal a ele, Leneu.
09:03Com certeza algum daqueles pastéis que você vende para os desavisados.
09:12Desculpa, Beixola.
09:13Pergou, por favor.
09:15Modesto, hein?
09:17Continua, Beixola.
09:18É verdade que ele come pastel.
09:20Mas, por exemplo, se uma pessoa deixa um napolitano pela metade, o que eu vou fazer?
09:24Jogar fora comida é pecado, né?
09:26Matar gato também é.
09:34Meu, você está achando graça do sofrimento do meu gato?
09:41Não, Beixola, de jeito nenhum.
09:46De jeito nenhum, Beixola.
09:50Qual foi a última coisa que ele comeu?
09:53Ele comeu um pastel de queijo com camarão.
09:56Quer dizer, ele só comeu o camarão, né?
09:58O queijo ele não quis.
10:00É, é um animal de sorte.
10:02Eu já comi cinco vezes esse pastel.
10:04Nunca achei um camarão.
10:14Desculpa.
10:18Eu estou me sentindo meio estranho, sabe?
10:20É?
10:21Eu acho que foi uma perda de tempo ter vindo até aqui.
10:26Não, meu Deus.
10:27Pessoal, pessoal, pelo amor de Deus.
10:30Não me interprete mal.
10:35O seu gato, ele deve estar apenas com um distúrbio passageiro.
10:42Eu vim para o casamento.
10:44E fala, Goethe.
10:45Morreu a fechadeira?
10:46Se até amanhã...
10:50Inil?
10:53Se até amanhã ele não melhorar, Beixola,
10:57você traz ele daqui que ele está mesmo.
11:02E você acha que ele vai ficar bom, Inil?
11:04Não sei.
11:05Ele não sei, não, Beixola.
11:08Mas eu estou me sentindo esquisito.
11:21Tuco, desliga essa porcaria.
11:23Vem cantar.
11:24Vovô, o Tuco está aqui, ó.
11:26Ué, quem é que está escutando essa música tão alto?
11:30Você está bem, Inil?
11:32Engraçada.
11:34Eu uso essa música desde criança.
11:38Mas é como se eu tivesse ouvido pela primeira vez.
11:42Vocês estão ouvindo a pulsação do baixo?
11:45Nenê, ó, a pulsação do baixo está ótima.
11:48A minha pulsação já está aumentando muito, entendeu?
11:52Pelo amor de Deus, desliga essa porcaria.
11:54Seu Flor.
11:56Ah, seu Flor.
12:02Sempre eu conheci mau humor divino.
12:06Divino, hein, seu Flor?
12:09Eu gosto muito do senhor, viu, seu Flor?
12:12Pai?
12:13Muito, muito.
12:14Pai, você bebeu.
12:16Quem bebeu?
12:19Quem bebeu?
12:22Bebeu, bebeu, bebeu, bebeu.
12:23Ô, Lineu, Lineu, ó, se você não está bem, quer sentar aqui e comer, você está precisando comer.
12:31Melhor mesmo.
12:32Estou com a maior fome.
12:36Engraçada.
12:37Eu me entupi de biscoito.
12:40Biscoito?
12:41Que biscoito?
12:42Tem coisa interessante que o senhor fala.
12:46Desculpe, eu só falo biscoito.
12:49Então, seu Flor.
12:52Biscoito.
12:54Biscoito.
12:56Duas vezes, coito.
13:03A língua portuguesa é o maior pará.
13:07Não é?
13:08Olha só.
13:09Associar uma coisa tão ingênua como o biscoito a sexo.
13:15Biscoito.
13:16Que coisa.
13:19Mas não é extraordinário?
13:22Não é estranho?
13:24Não é?
13:25Estranho é esse seu comportamento.
13:29Nenê, minha filha, você me desculpe, mas eu vou jantar lá no Bençola, sabe?
13:36Não leva mal, mas aqui em casa está difícil.
13:46Muito engraçado, muito engraçado.
13:50Muito engraçado.
14:09E lequinho antes do jantar, tá?
14:11Com licença.
14:12Vamos embora, Bebela.
14:13Que mau humor é esse?
14:15Pergunta para o Tuco.
14:16Ele sabe.
14:17E, ó, pergunta também o que isso aqui estava fazendo no bolso dele.
14:30Você fumou isso, Tuco?
14:33Eu não.
14:35É...
14:37Mas...
14:38Você fumou.
14:53Como é que pode dar biscoito de maconha para o próprio pai?
15:00O sujeito drogado é capaz de matar, roubar, sequestrar e devorar sozinho uma lata de leite condensado.
15:09O que é isso, Lineu?
15:11Você nunca foi de doce.
15:14Tuco, você não deu aquele cigarro para o seu pai, não, né?
15:18Que cigarro?
15:19Esse aqui, Lineu.
15:21Quase que eu dei uma tragada nisso, ó.
15:24É...
15:24Pô, Pusão, me dá isso aqui.
15:25Me dá esse bagulho que eu vou jogar fora.
15:26Eu juro.
15:27Eu juro que eu vou jogar fora.
15:31Isso aqui vai ficar comigo, Tuco.
15:35E quando eu recupero o meu juízo, nós vamos ter uma conversa muito séria.
15:41Tuco.
15:42Ai, meu Deus do céu.
15:45Como é que desliga isso?
15:48Lineu!
15:49Lineu!
15:50Agora é uma emergência!
15:51O Mário piorou!
15:53O Mário?
15:54Que Mário?
15:55Meu, por favor.
15:56Você tem que salvar o meu Mário.
15:58Ele tá péssimo.
16:00Bem, senhora, sinceramente, acho melhor eu deixar essa consulta pra amanhã, né?
16:05Pô, Pô, Pusão, vamos nessa.
16:07Tu não tá em condição de cuidar desse gato.
16:08Não, não, nem pensar!
16:11Um veterinário não pode deixar um animal doente sem atendimento.
16:15Opa, errei o ato.
16:17Ah, ele deve estar sofrendo muito.
16:21Ele não está sentindo nada.
16:23Ah, então ele tá bem?
16:25Ele não está sentindo nada porque está morto.
16:32O meu gatinho está morto.
16:37O Mário!
16:40Calma, beixola.
16:41É só um gato.
16:42Calma, beixola, Lineu.
16:44Você tem certeza disso?
16:46Ora, seu Floriano, eu sou um veterinário.
16:48Eu só não saberia se um gato está morto se eu estivesse doido.
16:52Mas, Pô, Pusão, você tá doido.
16:54E agora o que eu vou fazer com o meu gatinho?
16:59Beixola, faz qualquer coisa.
17:01Só não faça recheio de pastel, pelo amor de Deus.
17:05Seu insensível!
17:07Você pensa que ele não é uma pessoa que eu tenho estima por ele?
17:12O meu gatinho querido!
17:13Calma aí, beixola.
17:15É só um gato, gente.
17:16Pra você!
17:17Porque não é você que recebe...
17:21O calor nos pés, quando eu tô dormindo, ele todo encolhidinho.
17:26Não é pra você que ele olha e fica miando baixinho pra pedir um pedacinho de pastel.
17:35Lineu, olha, você é veterinário.
17:39Um homem que gosta dos bichos.
17:43Faz o favor pra mim.
17:46Enterra o Mário.
17:47Eu não vou ter coragem.
17:50Pô, Bêncio.
17:51Você acha que o Ninho vai fazer uma besteira dessa?
17:54Só se ele estivesse doido.
17:55Mas ele tá doido, Vô.
17:57Tudo bem, Bêncio?
18:00Eu e o Tuco vamos enterrar o gato pra você.
18:04Viu?
18:05Não falei?
18:07Não falei?
18:09Não falei?
18:10Não falei?
18:11Não falei?
18:11Não falei?
18:12Não falei?
18:13Não falei?
18:15Não falei?
18:16Não falei?
18:22Vem só lá.
18:24Vem só lá.
18:27Vem só lá.
18:28Acorda, homem.
18:29Esse sofá é o único lugar que eu tenho pra dormir, Vem só lá.
18:31Pai, o que o Vem só lá tá fazendo na sua cama?
18:34Certo, isso é que não é, graças a Deus.
18:36É, eu dei um calmante pra esse danado e o infeliz apagou.
18:40Eu tô com tanto problema com o Tuco que eu não vou nem perguntar o que que tá acontecendo.
18:45Ô, pai, me dá um calmante, me dá?
18:47É, filho, não tem, o último que eu tinha, tem pro Beissola.
18:50Pro Beissola?
18:51Ai, meu Deus do céu, eu descubro que meu filho usa droga e não posso nem ter a droga de
18:55um calmante.
18:56Ai, mãe, relaxa. Não tem calmante, toma um copo de água com açúcar.
19:00Ah, que remédio, né, Bebel?
19:02Ah, Bebel, você enche a geladeira de bebida pro Agostinho e não deixa nenhum lugarzinho pra uma água.
19:09Ah, mãe, o Agostinho rala a semana inteira naquele táxi.
19:12Ele tem o direito de tomar um golinho no fim de semana pra relaxar.
19:17Só de imaginar, meu Deus do céu, aqueles dois marginais horrendos
19:23influenciando meu filho pra experimentar essas porcarias.
19:26Ah, mãe, o Tuco, influenciado pelo cabelo e pelo pentelho,
19:29fala sério, né, mãe?
19:31O Tuco fuma maconha porque ele quer.
19:33Não, Bebel, não, Bebel, de jeito nenhum.
19:35O Tuco não sabe o que tá fazendo.
19:37Meu Deus, por que que um rapaz de família,
19:40criado com todo carinho,
19:42por que queria, queria experimentar uma porcaria dessas, Bebel?
19:45Não, o neném dizem que é pra relaxar, ué.
19:49Quer relaxar, dorme.
19:51Precisa fumar maconha pra relaxar?
19:53Bom, deve ser pelo mesmo motivo que você precisa de um calmantezinho, né?
19:57E que o Agostinho precisa tomar um golinho no fim de semana.
20:00Vamos com calma.
20:02Porque o meu marido bebe um pouquinho no fim de semana,
20:05isso quer dizer que ele é um alcoólatra?
20:07É, não é não.
20:08E o meu remedinho também não é droga.
20:12Por que que é vendido em drogaria?
20:14Tá, pai, é droga, mas não é droga.
20:17Tá certo, neném.
20:18De você eu não posso falar nada, não.
20:20Você só toma mesmo o remedinho quando tá muito nervosa.
20:23Mas tem gente, tem muita gente que é viciada em calmante, sabia?
20:28É, e você que é viciado em cigarro?
20:31Eu não sou viciado.
20:32Fumo 40 anos, nunca me viciei.
20:34Ah, avô, essa piada não tem mais graça não, tá?
20:36Você pensa que eu não vejo você aí pela casa o dia todo catando guimba, babada, no cinzeiro?
20:41O que você tem com isso?
20:42Você tem com isso o quê?
20:43O que você tem com isso?
20:44Se a guimba é minha, a guimba é minha, a baba é minha,
20:47eu não tenho mais cigarro, eu cato a minha guimba mesmo.
20:49Qual é o problema?
20:49Olha, acho que aqui ninguém pode falar de ninguém, sabe?
20:53Todo mundo tem seu viciozinho.
20:55É, não, isso é verdade.
20:56Mas fique sabendo uma coisa.
20:58Você, de todos, é que tem a pior dependência.
21:02Qual, avô?
21:05Dependência do Agostinho.
21:08Aquilo é droga pesada.
21:15Aí, Popozão, vamos desovar logo esse gato que esse lugar aqui é mó sujeira.
21:19Não, não, Turco, não.
21:20Não, Turco, eu tô gostando de cavar, sabe?
21:24Ó, Turco, o homem devia trabalhar mais a terra, Turco.
21:27Esse contato com a terra é fundamental, sabe?
21:32Fortalece a gente.
21:33Vou te falar, viu, Popozão?
21:34Tu doidão, tu é chato pra cacete, hein?
21:36Cala a boca!
21:37Já falei pra você parar de falar.
21:39Eu não falei, isso aí foi um miado.
21:41Então para de miar, ué.
21:42Temia, gato.
21:45O gato tá vivo.
21:48Milagre!
21:49Milagre, milagre.
21:51Milagre.
21:52Milagre!
21:53Milagre!
21:54O Mário tá vivo?
21:56Milagre.
21:56Milagre.
21:59Milagre.
22:00Milagre.
22:01Milagre.
22:02Milagre.
22:03Turco.
22:06Milagre.
22:07Milagre.
22:07Eu ia derrando bicho vivo.
22:09Milagre.
22:10Se alguém souber disso, vai ser o meu fim.
22:13É o fim da minha carreira, Turco.
22:16Já imaginou?
22:18Veterinário drogado comete erro médico.
22:21Quem é que tá drogado aí, ô cidadão?
22:22Ih, cara, meu, mas ficou.
22:25Não, ninguém fez nada aqui, não.
22:27Ninguém tá fazendo nada.
22:28Documentos.
22:29É.
22:30Documentos?
22:30É, documentos.
22:32Documentos.
22:32Eu ia ver.
22:33Eu ia ver o que é.
22:36Documentos aqui.
22:40Isso aqui é maconha?
22:41Não.
22:42É, é.
22:43Jogue isso fora que se faz mal danado, hein?
22:44É, não, não.
22:46Na verdade, a gente tá aqui pra enterrar um Mário, coitado.
22:50Mário?
22:50Que Mário?
22:51Aquele que te deu um crel atrás do armário.
23:07Isso era hora de zoar com o cara do guarda?
23:09Custava se controlar?
23:10Se controlar como?
23:12Ô, Turco, eu tô sob efeito de entorpecente.
23:16Nossa, eu responsável.
23:18Poupazão, fica tranquilo que o Agostinho tá chegando aí.
23:20Ele vai te liberar dessa história, viu?
23:22Aquele descartulificado.
23:24Que isso, pô, Linê?
23:25Essa maneira de receber o cara que vai te libertar.
23:27Ô, Linê, fica tranquilo, cara.
23:29Ó, esse delegado, ele é meu amigo aí de infância.
23:31Fica tranquilo.
23:32Vou resolver isso aí pra gente na base da amizade.
23:35Teixeira!
23:36Não é o meu Teixeira ali, mano?
23:38Teixeira!
23:40Pois é, Agostinho.
23:44Uma coisa que me revolta, rapaz.
23:46Mas que me revolta.
23:47É policial corrupto.
23:48É, muito bom.
23:49Ah, mas eu penso assim também que o nível salarial é muito baixo, né?
23:52Então não se pode incriminar também porque o cara quer ganhar um pouquinho a mais.
23:55Também busca entender, né?
23:58Não, não tem desculpa.
23:59Não tem desculpa.
24:00É por causa de uma meia dúzia de policiais corruptos.
24:03A polícia leva toda a fama, rapaz.
24:05Não pode o negócio.
24:05As pessoas esquecem, você tá entendendo?
24:08As pessoas esquecem...
24:10Eu penso assim que...
24:11Pegou?
24:12Pequena naranja!
24:13É verba, né?
24:14O problema disso é verba.
24:17Tem que ter mais verba, né?
24:19Falando em verba, meu sogro aí, né?
24:21Vamos ver esse negócio do meu sogro aí.
24:23O veterinário maconheiro, né?
24:25Mas aquilo é maconha, rapaz.
24:26Maconha é da grossa, hein?
24:29Nenão, vai que não.
24:30É uma palha, aquele teatro de fumar.
24:32Aquilo é uma palhazinha que ele fuma.
24:34Pode soltar aí, tranquilamente.
24:36Tem grilo...
24:37Opa, caiu um dinheiro aí.
24:38Caiu...
24:38Caiu um dinheirinho aí.
24:40É, caiu.
24:40É seu, né?
24:41Meu?
24:42É.
24:43Não, acho que não.
24:44Não, acho que tava aí.
24:44Não, esse dinheiro é seu, Magostinho.
24:46Eu vi quando caiu.
24:47Imagina, esse dinheiro é primeiro aqui.
24:50Esse dinheiro é teu, Magostinho.
24:51Pega aí.
24:52Tu pega esse dinheiro que eu fiz e eu que nem vi.
24:55É.
24:56E aqui, 100 mil reto, vai ver?
24:58Porra, botando a banca do caramba, hein?
25:00100 mil reto, vai ver?
25:01Aqui, 150, viu não?
25:02Olha lá.
25:03Tá aí o dinheiro.
25:03Vamos lá, soltar meu celular, vai.
25:05Tá lá na mola, porra.
25:06Tá o dinheiro aí.
25:06Ô, Agostinho, não faz isso, não.
25:08Pera aí, rapaz.
25:09Pera aí, rapaz.
25:10Não quero ir pra lá, não, cara.
25:11Não quero ir pra lá.
25:12Pera aí, rapaz.
25:13Ô, Teixeira.
25:13Ô, Teixeira.
25:14Teixeira, tu não pode me prender aqui com esse bando de marginais, porra.
25:19Falei marginais no sentido de revolucionário.
25:21Você não tem pessoas que não estão tanto para melhorar a sociedade.
25:24Ô, Turco, Turco.
25:24Turco, compra lá uma mariola pra mim, Turco.
25:26Eu ainda tô com vontade danada de comer doce.
25:29Tá proibido, pô, poção.
25:30Ontem teve briga aí na cela e o delegado cortou a comida de genal.
25:32Meu Deus.
25:36Hum, não dou um centavo na vida desse gato aí.
25:47O meu gatinho morreu.
25:51Teco, como é que eu vou viver sem o meu gatinho?
25:55Ai, calma.
25:56Olha, bebê.
25:57Calma, pessoal.
25:58Tão um pouquinho aí de chazinho de camomila pra acalmar.
26:00Ai, eu tô tão nervoso que eu tô comendo biscoito.
26:04Pode comer.
26:07Ô, Turco.
26:09Ô, meu filho, você não saiu com o teu pai? Cadê ele?
26:11É o popozão?
26:13É.
26:14Ele...
26:16Ele...
26:18Ele tá preso lá na delegacia.
26:20Preso?
26:21Preso?
26:22Mas você deixou ele lá sozinho?
26:24Não, não, não.
26:24Ele não tá sozinho, não.
26:25O Agostinho foi preso junto com ele.
26:27Ai, meu Deus do céu.
26:27Eu tenho que ir até lá.
26:28Eu vou até lá.
26:29Mas eu não contei nada pra Bebel.
26:31De repente, até ela acordar, o Agostinho e o Linneu já estão aqui de novo.
26:34Não, minha filha.
26:35Nenê.
26:36Espera aí.
26:36Você não pode ir lá sozinha.
26:37Não, não, não.
26:39Nós temos que procurar um advogado.
26:41O que é advogado, papai?
26:42Como é que eu vou arrumar um advogado nessa hora?
26:44O Bençola.
26:45Ele não era advogado antes de abrir a lojinha de pastel?
26:47O Bençola?
26:49Ih!
26:51Aquele não é o biscoito que o Turco fez?
26:54Meu Deus.
26:55Oh.
26:56Ai, joga e chara
26:59Oh, gente, vem cá.
27:05Aqui.
27:07Oh, ó aqui.
27:07Oh, senhor delegado.
27:09Oh, senhor delegado.
27:10Eu sou a mulher do Linneu.
27:11E esse aqui é, é o meu, é o, é o, é o, é o meu advogado, o doutor Abelardo.
27:19Beissola. Muito prazer. Meu nome é Beissola.
27:23Olha, eu tenho uma pastelaria, qualquer coisa que eu precisar é só pedir.
27:26Eu também faço o serviço de dry-flu.
27:29Cada vez que eu falo essa palavra dry-flu, eu cuspo na...
27:32O que é isso?
27:33Quem é que trouxe esse maluco pra cá?
27:35Senta aqui, senta aí.
27:38Sabe o que é, senhor delegado?
27:39O meu marido, ele é veterinário.
27:42Ele é um fiscal sanitário.
27:45Ele é uma pessoa correta.
27:46Foi ele que enterrou o Mário.
27:50Mário? Que Mário é esse, rapaz?
27:52O Mário?
27:53O Mário é quase...
27:57É meu falecido, ele...
27:59É quase um...
28:02Beissola, Beissola, se controla.
28:04Beissola, se controla, Beissola, se controla.
28:06O meu Deus, eu lembrei...
28:08Eu lembrei dele no Mário.
28:11Chega, Beissola, chega.
28:13Beissola, chega.
28:14Chega, engorda o senhor.
28:15Pessoal, engole o senhor.
28:17Engorda o senhor.
28:18Sabe o que é, senhor delegado?
28:20É que o meu advogado, ele perdeu um ente querido.
28:23E aí ele teve que tomar uns remédios, né?
28:25Mas o Linneu, pelo amor de Deus, o Linneu é uma pessoa que nunca fez nada de errado.
28:30Nunca.
28:31Ô, Tiel!
28:32Ô, Tiel!
28:33Senhor delegado.
28:34Traz os dois aí, o maconheiro, o maconheiro veterinário e o Agostinho.
28:38Sim, senhor.
28:39Nós vamos tirar sua historinha limpa, né?
28:41Sabe que, senhor delegado, o Linneu, ele não pode ficar preso só porque ele...
28:45É porque ele comeu, assim, uns biscoitinhos de maconha.
28:49Biscoitinhos de maconha?
28:50É, é que o meu filho fez, o Tuco.
28:53É o Tuco que fez.
28:54E o Tuco também anda fumando maconha.
28:57Ah, ah!
28:57Mas sabe como é que é?
28:58São os amigos, né?
29:01Jovens, jovens de hoje, né?
29:03Agora, o pior é o meu pai.
29:04O meu pai, o meu pai, ele não consegue deixar de fumar.
29:08O pai fuma?
29:09É.
29:09Ele diz que há 40 anos que ele fuma e que ele nunca se viciou.
29:14Agora, eu também não posso falar nada, né?
29:17Porque eu também, de vez em quando, eu tomo umas coisinhas, assim, né?
29:22Pra relaxar, né?
29:24Relaxar, né?
29:25Agora, a minha filha, a Bebel, ela não usa nada.
29:28Nada, nada, nada.
29:29Agora, quando o Agostinho, que é o marido dela, né?
29:32Quando ele quer tomar alguma coisa e tal, aí ele pede pra Bebel, que aí é a Bebel que vai
29:37comprar.
29:37Minha senhora, com uma família dessa, tu não vai precisar, né, de um advogado, é pra mais de 10, hein?
29:41Olha, olha aqui, escuta aqui.
29:45Eu exijo a presença do meu cliente agora, senão eu vou reclamar no Ministério Público, viu?
29:51Eu vou no Planalto Petral, viu?
29:53Eu vou...
29:56Eu acho que eu vou, mãe, é que eu tô passando mal.
29:59Não, não, não, senta aí.
29:59Senta aí, pessoal.
30:01Não, menina, eu acho que eu vou golfar.
30:03Ah, não vai.
30:04Não vai golfar nada.
30:05Não vai, não me mata de vergonha.
30:07Não me mata de vergonha.
30:10Menina!
30:10Menina!
30:11Menina, pessoal.
30:12Mário!
30:13Olha a bagunça, olha a bagunça, hein?
30:16Olha a bagunça aí.
30:18Aí, eu peguei, tava louco, né?
30:21Doutor Peixeira, não.
30:22Doutor Peixeira.
30:23Pra você, doutor Peixeira.
30:27Não parou com essa bagunça.
30:29Mário, Mário, Mário, o papai tava...
30:35Um papai tá passando mal.
30:40Mas o que é isso, rapaz? Na minha mesa.
30:43Bota todo mundo aqui na rua.
30:44Bota na rua, senão eu vou botar em banho, hein?
30:46Não bota em banho, hein?
30:48Esse maluco, rapaz, rapaz.
30:50Esse maluco, rapaz.
30:52Vai jogar estragou meu pão de queijo, meu irmão?
30:54Tu é maluco, rapaz?
30:56Tu é maluco, meu irmão?
30:57O que é tu, rapaz?
30:58Botou meu pão de queijo.
30:59Vocês acham que o cara é maluco, rapaz.
31:01Eu achei que a mamãe e o papai vão matar.
31:03Ao tuco, mas até agora não houve nem um tiro.
31:06Eles podem estar degolando, né, o maconheiro?
31:08Degola!
31:10Eu não fumo maconha, cacete!
31:12Não fala assim com o seu pai?
31:14Não se meta, nenê.
31:15Não fala assim comigo, hein?
31:17Desculpa, desculpa.
31:18Olha, eu juro, eu juro que eu nunca fumei maconha na minha vida.
31:21Eu já até tive vontade, mas eu nunca fumei.
31:23Nós acreditamos em você, meu filho.
31:25Nós quem?
31:27Eu não acredito.
31:28Mãe, olha mãe, esse biscoito, isso aqui, isso foi ideia dos meus amigos.
31:33Eu não estou botando a culpa neles.
31:35Eu acho até que, no fundo, eu sabia o que eles estavam fazendo.
31:40Mas olha, pode jogar fora.
31:41Pode jogar tudo fora.
31:42Ninguém vai jogar nada fora.
31:44Ô, nenê, você vai deixar o seu filho continuar se drogando?
31:47Ô, nenê.
31:48O Tuco viu o que aconteceu com a gente por causa disso.
31:51Eu fui um irresponsável com o gato do Beissola, quase matei você de preocupação e ainda fui preso.
31:56O que adianta a gente confiscar essa droga se o Tuco e os amigos podem comprar mais em qualquer lugar
31:59da cidade?
32:01Quem tem que decidir o que fazer com isso é o Tuco.
32:05Toma, meu filho.
32:07Por nós, você para imediatamente e essa droga não entra mais aqui nessa casa.
32:12Mas a decisão de parar tem que ser sua.
32:15Parar o quê, pai?
32:16Se eu nem comecei, será que é tão difícil vocês acreditarem em mim?
32:19Nós acreditamos em você, meu filho.
32:21Lineu, para de falar por mim, tá?
32:23Pô, mãe, você não acredita no seu filho?
32:27Tuco, meu filho, a sua mãe tem razão de ficar com medo.
32:33Nós sempre acreditamos em você, Tuco, mas essa confusão toda deixou seu pai e sua mãe muito inseguros, meu filho.
32:39E o que vocês querem que eu faça?
32:41Nós queremos que você reconquiste a confiança que temos em você, Tuco.
32:45Só isso.
32:46A chance está nas suas mãos.
33:01Será que ele foi?
33:06Você ouviu isso?
33:08Ele foi ao banheiro?
33:09Sim.
33:10Deve ter ido fazer um outro cigarrinho para entregar para os amigos.
33:13Se ele fizer uma coisa dessa, eu mato ele de pancada, neném.
33:16Onde é que está o pai liberal que acredita nas decisões do filho?
33:21Você acha que eu não tenho medo também, é?
33:24Você acha que é fácil fazer essa banca toda?
33:34Pronto.
33:35Está resolvido.
33:37O único problema que essa droga pode dar para vocês agora é...
33:40se entupir o cano de esgoto.
33:48E então, como é que é?
33:49Vamos botar esse vagabundo aí na rua?
33:51Pô, Agostinho, você já deveria saber que aqui nessa casa nós não temos o hábito
33:55de botar vagabundos na rua, né?
33:59Vamos dormir, neném.
33:59Boa noite.
34:00Boa noite.
34:01Pô, mas eu vou te falar ali, né?
34:02É muito mole, cara.
34:03Você é filho meu, tinha botado na rua na hora, maconhado.
34:06Pá, pra rua.
34:07Está entendendo?
34:08Sujeito é maconhado, fica largado aí, não faz mais nada, não trabalha.
34:10Fica só vivendo a exploração dos outros.
34:12Que isso?
34:13Igualzinho você, né?
34:15Ai, gente, por favor, não é a hora, tá?
34:16Bebel, eu sei por que o senhor Floriano está defendendo o túclo aqui, ó.
34:19Tem aquele negócio?
34:20Gostou, né?
34:20Velho xixeiro.
34:22Boa noite, seus malas.
34:23Colher, não querendo.
34:24Se eu pegar o senhor esfumação da casa aqui, o senhor vai ver, eu chamo ele a polícia.
34:28Polícia?
34:28Se baixar a polícia nesta casa, quem vai andar de camburão é você, que vai andar na janelinha.
34:34Ah, o senhor vai ver, o que é isso?
34:36Socorro, estão me levando, você na janelinha.
34:38Eu vou lhe falar, não sei como é que o senhor foi se entregar na casa, você não tem vergonha,
34:40não?
34:40Eu não sei como é que deixaram você sair do xadrez.
34:43O senhor começa na maconha, acaba na cocaína, amanhã está no homossexualismo, tá?
34:49O caminho da droga é esse.
34:51É.
34:52Um homem desse, sai do xadrez.
34:54Vou lhe falar, se eu posso falar com o círculo nessa vez.
34:59Eu não tomei a hora, depois da maconha, do socaína, em culpa da cocaína, depois do socaína.
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