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  • há 2 dias
No interior do Paraná, a família Almeida encontra fotos antigas que passam a mudar sozinhas, revelando detalhes impossíveis e a presença de um homem desconhecido. Durante a tempestade, Lúcia desce ao porão e descobre uma porta escondida, arranhões vindos de dentro e uma foto dela mesma diante da porta, enquanto a maçaneta começa a girar.


No interior do Paraná, a família Almeida tinha uma casa antiga que parecia respirar madeira molhada e segredo.

Dona Cida jurava que tudo ali rangia diferente quando ia chover.

Seu marido, seu Anselmo, era do tipo que ria do medo dos outros.

Já Lúcia, a filha mais velha, tinha olhos de quem desconfiava até do silêncio.

Foi num sábado cinzento que eles desceram ao porão atrás de mantas velhas e encontraram uma caixa de papelão amarelada, fechada por fita ressecada.

Dentro havia fotos antigas que ninguém lembrava de ter guardado.

Todas mostravam a mesma casa, do mesmo ângulo, mas algo errava em cada imagem.

Numa, havia uma janela extra no andar de cima. Noutra, um homem parado no quintal, de chapéu escuro, olhando direto para a câmera. Em outra, a cerca era nova. Na seguinte, a cerca sumia e o quintal parecia maior.

Lúcia passou o dedo por uma foto e sentiu um arrepio.

No verso, uma data escrita à mão não batia com nenhuma lembrança da família.

Seu Anselmo deu de ombros, dizendo que devia ser coisa de parente esquecido.

Mas Dona Cida, pálida, confessou que aquelas fotos não estavam ali na semana anterior.

A chuva veio à noite como se o céu tivesse rasgado.

O telhado estalava, o vento batia nas janelas, e a casa parecia encolher.

Foi então que Lúcia percebeu a primeira mudança. A foto da sala, que antes tinha só três cadeiras, agora mostrava quatro. Uma delas estava virada de lado, como se alguém tivesse acabado de se levantar.

Ela chamou os pais. Em segundos, outra foto mudou. O homem do quintal apareceu mais perto da varanda. Na imagem seguinte, o rosto dele tinha ganhado detalhe demais, como se a câmera estivesse sendo forçada a lembrar. Os olhos eram fundos, úmidos, e a boca parecia presa no meio de uma palavra.

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Pessoas
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