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  • há 2 meses
Munidas de um copo d'água, um raminho verde e muita fé: conheça histórias de benzedeiras de Porto Alegre e Região Metropolitana que seguem empregando os seus saberes ancestrais para ajudar a quem precisa

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Transcrição
00:00É uma coisa que vem do nada.
00:01A gente não procura, não pede.
00:04Simplesmente dá aquela vontade de tu fazer.
00:07Tu faz, tu se sente bem.
00:09Para benzer, eu uso a tesoura, o copo d'água e o arruda dentro.
00:14A benzedeira, eu chamo de uma guardiã ancestral.
00:27Nós lidamos com partes energéticas, porque cada um tem a sua energia.
00:33Então, tem pessoas que elas conseguem absorver mais do que o outro.
00:39Então, através da oração, que ela é sagrada, que ela sempre existiu,
00:43a partir do momento que tu pense elevando ao sagrado,
00:47nós já estamos fazendo uma oração.
00:49E isso aí faz com que combata muitas vezes a parte da negatividade das pessoas.
00:54E a nossa fé é o que nos eleva às sensações, às realizações e à nossa proteção também.
01:02Através da sua oração, acolhimento, da fé e das plantas medicinais,
01:09elas trazem essa rezo, essa questão de ficar ali vendendo.
01:16Eu não peço sabedoria, porque eu não sou santa, eu não sou, como é que se diz, eu não sou
01:23profeta.
01:24Eu sou uma filha de Deus.
01:25Eu quero a inteligência para poder ajudar.
01:29Porque é Deus em ação.
01:31É o poder de Deus que manda tudo.
01:37Primeiro eu faço as minhas orações.
01:41Não faço firmamentos nenhum, porque a oração vem automática sobre o meu pensamento.
01:47E conforme ela vem, eu vou falando, vou transmitindo para a pessoa.
01:51Peço que a pessoa também relaxe, porque não pode estar ansioso, tem que estar calmo.
01:57Todos os males, todas as energias negativas, todos os maus estares,
02:02todas as dores, pontadas, pragas, raivas, invejas, ou de grande perturbação que possa vir sobre Deus.
02:09E aprendi com a minha mãe.
02:10Aprendi desde os 12, desde os 11 anos.
02:13Mamãe pedia para mim benzer criança.
02:16E passado o tempo, eu dei uma paradinha, depois continuei de novo.
02:20Mas nunca fui fugindo desses costumes.
02:23Porque ela também fazia uma certa cobrança também para mim.
02:27Tinha o meu pai, era benzedor também.
02:30Então eu venho de uma família, eu venho de uma ética.
02:33Onde eu possa seguir a mesma, o mesmo cruzamento.
02:37Os saberes ancestrais, veio da minha família, né?
02:41Do materno.
02:42Então meu avô reinou do Geraldo da Silva.
02:45Ele faleceu com 110 anos.
02:48Na época eu tinha 6 anos quando ele faleceu.
02:50Ele passou o dom dele pra minha mãe.
02:53E a minha mãe passou pra mim, né?
02:55Mas que eu aprendi mais a potência do benzimento.
03:00Que eu convivi mais com a minha avó.
03:02Que é Maria Glória Geraldo da Silva.
03:05Ela era benzedeira e parteira.
03:07Então eu aprendi muito com ela.
03:14Sete aninhos eu tinha.
03:16Quando eu comecei a benzer.
03:18E foi a coisa mais boa.
03:19E foi a minha mãe que me ensinou.
03:22Aí nesse dia que a mãe não estava em casa,
03:25aí o meu patrão pediu pra mim benzer.
03:29Aí desde aquele dia eu não parei nunca mais.
03:38A gente tem que pedir tudo que é coisa boa.
03:41Eu não sei explicar direito em alemão.
03:43Eu sei só benzer.
03:44Em alemão?
03:45Só em alemão.
03:48Brasileiro não.
03:49Se fosse eu falar em brasileiro, eu ensinava ela.
03:54Quando a gente vê que as pessoas se sentem bem.
03:57Oh meu Deus, que maravilha.
04:00E tem coisa melhor, a sensação melhor.
04:03Tem pessoa que eu benzo de dor e nunca mais.
04:09A benzedura é o complemento.
04:11Porque automaticamente, se nós virmos o lado espiritual,
04:15cuide o físico também.
04:17Sempre digo, não tá bom.
04:19Tá meio traumatizado.
04:21Tô estressado.
04:23Ai, eu tenho problema de depressão.
04:24O médico sempre será a pessoa ideal pra indicar.
04:28E a benzedura é um complemento.
04:31De preferência, o médico.
04:34Depois a benzedura.
04:35E aqui enche, enche.
04:37As pessoas que estavam desenganadas, o médico.
04:41A gente levantou tudo.
04:43Lá dentro do hospital, lá na Umbra.
04:46Lá eu chegava a fazer fila no quarto.
04:49Pra mim, bebê.
04:51Que eu benzo sem cobrar nada.
04:54Dá o que tu quer.
04:55Se o menininho deu cinco pila.
05:00Deu?
05:00Deu de coração.
05:01É pra senhora de coração.
05:02Que Deus te abençoe.
05:05Colaboração.
05:05A palavra que eu aprendi é a colaboração.
05:08Você não vai mais encontrar somente aquela avózinha,
05:12aquela benzedera velhinha.
05:15Mas sim, tu vai encontrar uma benzedera de nova geração,
05:18que é do tempo moderno.
05:20Que pode benzer à distância.
05:23Pode ser feito o benzimento em um local específico.
05:27e dizendo que os benzimentos não têm vínculo religioso.
05:32A gente não fica cansado.
05:33Só quando a pessoa está muito carregada,
05:36aí eu fico tonta.
05:38Chego a cair nos campos.
05:40Mas daqui a pouco passo.
05:42A gente se limpa e passo.
05:45É muito bom.
05:47Deus me livre.
05:58Que Deus leve o mal da pessoa,
06:02dependendo do mal da pessoa,
06:04que leve para o fundo do mar morto,
06:07para o deserto salgado,
06:08onde não existe vida.
06:10E que fique lá em nome de Jesus.
06:14E eu, para mim, acho que é isso
06:18que, naquela hora, o anjo diz amém.
06:22E eu vejo que eu preciso levar isso da minha civilidade.
06:27Então, eu acredito que todos que têm essa missão,
06:33eu acredito que é uma missão.
06:34E eu acho que é bem importante.
06:36E daí, como a gente vai fazer para levar essa missão?
06:40A gente tem que levar com leveza.
06:42E a importância que eu acho do benzimento
06:45é tu levar o amor e a fé
06:49que foi passado dos teus ancestrais.
06:52Porque eu sempre digo,
06:53quem bence, acaba sendo abençoado.
06:57Ô, Jesus! Ô, Glória!
06:59Já me vejo com 100 anos benzendo.
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