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  • há 4 horas
De artesãs a massoterapeutas, vítimas de relacionamentos abusivos conquistam independência financeira e paz para criar os filhos longe de agressores.
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Transcrição
00:00Recomeçar é difícil, mas não é impossível.
00:03Vamos acompanhar agora histórias de mulheres que deixaram os relacionamentos tóxicos para trás.
00:09E isso com apoio profissional e psicológico.
00:13O rosto coberto pela penumbra se resguarda de uma história que só ganhou luz quando enxergou o amor próprio.
00:21A autônoma deu um basta relação marcada por brigas, isolamento social e vergonha pública.
00:28Às vezes a gente estava num lugar que se eu olhasse para o lado é porque eu estava olhando para
00:33alguém.
00:33Então assim, isso não é uma coisa normal, né?
00:35Eu não podia ter um amigo e eu tenho muitos amigos, tanto homens quanto mulheres, quanto, né?
00:40E eu não podia falar com ninguém.
00:42Até que as coisas foram evoluindo em uma briga por conta de uma pessoa que veio me cumprimentar e eu
00:50apresentei.
00:50Ele me pegou pelo braço com força e meu braço ficou até marcado, ficou roxo.
00:55E aí eu falei que eu não iria me permitir isso e que a partir daquele dia a gente não
00:59tinha mais nada.
01:00Eu me perseguia, ia na porta do meu trabalho, ia na porta do meu prédio.
01:05Ficava olhando as redes sociais dos meus amigos para saber onde que eu estava.
01:08Eu tive que acionar a família e falar que se eles não dessem um jeito eu ia ter que dar
01:13parte dele da polícia, né?
01:15No Brasil, uma mulher é assassinada por razões de gênero praticamente todos os dias.
01:22Às vezes um grito ou simplesmente diz, oh, mas ela está tão mal vestida hoje, a comida dela não é
01:27boa.
01:28Então vai fazendo aquele movimento.
01:30Já temos uma puxada de cabelo, um grito e a mulher ainda às vezes não identificou que aquele homem que
01:38ela ama sim é capaz de matá-la a qualquer momento.
01:41Por trás dos números, existem vidas interrompidas e vidas que conseguiram recomeçar.
01:48E é justamente nesse recomeço que essa história muda de direção.
01:54Depois de romper um relacionamento abusivo, Ediane chegou nessa casa acreditando que não era capaz de recomeçar.
02:02Hoje, aprende crochê.
02:04Artesã transforma linhas em renda e autoestima em independência.
02:09Eu ficava trancada em casa, eu não saía.
02:14Eu não gostava de me arrumar, não queria contato muito com a minha mãe.
02:19A professora me deu coragem para sair para o mundo.
02:23Agora eu consigo me arrumar.
02:25Eu uso acessórios, vestidos longos, estou me produzindo, fui comprar roupas novas e eu estou me enxergando no espelho.
02:36Ediane é uma das centenas de mulheres atendidas pelas casas da mulher empreendedora da Serra.
02:43Além do acolhimento psicológico e jurídico, elas aprendem uma profissão, porque romper o ciclo da violência também passa pela autonomia
02:52financeira.
02:52A violência psicológica, por exemplo, tira da mulher a autoestima.
02:57E muitas vezes, por não ter autonomia financeira, ela acaba permanecendo naquele ciclo, porque ela não se sente fortalecida.
03:05Então a gente vem com uma rede de proteção bem robusta para que ela se sinta realmente acolhida.
03:11Foi assim também com Jociele.
03:13Depois de 10 anos em um relacionamento abusivo, ela encontrou apoio para reconstruir a vida.
03:20Recebe aluguel social, fez cursos, hoje trabalha como massoterapeuta.
03:25Mais do que uma profissão, ela recuperou a paz.
03:29Já me sinto muito em paz, porque eu não conseguia raciocinar mais nada.
03:33Eu me sentia muitas vezes inútil.
03:35Eu nunca sabia qual seria a reação da pessoa.
03:38Tanto que hoje eu tento trabalhar pela internet, que é um meio que eu consegui por conta dos meus filhos
03:45e ficar com eles.
03:46E creio que Deus já tenha abençoado, porque eu me sinto em paz hoje, sabe?
03:51Para prosseguir mesmo e cuidar dos meus filhos.
03:53A violência tenta convencer mulheres de que estão sozinhas.
03:57Mas as histórias que acabamos de contar mostram que há um caminho possível para recomeçar.
04:04Há pessoas, instituições preparadas para quebrar o silêncio.
04:10E o pedido de ajuda pode estar na palma da mão.
04:15A mulher, quando ela está nessa situação, ela precisa continuar buscando a rede de apoio.
04:19Se ela foi na família e não deu certo, segunda, que é apontada que é a igreja, a igreja mandou
04:25orar,
04:25porque diz que o homem está com o diabo no corpo.
04:27Ela não deve se ater a isso, porque sim, ela está na iminência de ser assassinada.
04:32Então, ela deve procurar uma delegacia, se ela se sentir constrangida.
04:37Ela pode fazer um boletim de ocorrência online, a gente sempre orienta que é mais fácil, não tem constrangimento.
04:43Ela pode e deve também entrar pelo Clique Elas, a Defensoria Pública,
04:47e ali ela conseguir pedir uma medida protetiva se ela está se sentindo ameaçada.
04:52E o nosso aplicativo Fordan, que tem tudo isso junto, na palma da mão,
04:56que ela pode acessar, está disponível também para ela poder baixar e utilizar.
05:00E sobre a saúde pública, sim, toda mulher nessa situação precisa buscar um atendimento psicológico
05:07para ela entender que ela está sofrendo violência e precisa, e consegue sair do relacionamento abusivo.
05:24É possível, né?
05:26Não vamos nos calar, denuncie.
05:28E você, mulher que passa por isso, busque ajuda e, olha, você tem uma vida aí para frente.
05:33E aí
05:34E aí
05:37Obrigado.
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