Corte em formato Shorts do video: Por Que as Ondas de Calor Estão Ficando Cada Vez Mais Mortais no Mundo? Em 2022, uma onda de calor varrendo Europa e Estados Unidos matou mais de 60 mil pessoas em poucos meses. Não foi uma guerra, não foi uma pandemia. Foi o ar quente. E o que assusta não é apenas a intensidade desses eventos, mas a velocidade com que estão se tornando a nova normalidade. Uma onda de calor ocorre quando temperaturas muito acima da média persistem por pelo menos dois ou três dias consecutivos em uma região. Ela se forma quando massas de ar quente ficam presas sob sistemas de alta pressão atmosférica, impedindo a circulação do vento e acumulando calor como uma tampa sobre a superfície. Em agosto de 2003, a Europa enfrentou o que se tornou a maior catástrofe climática moderna do continente. Mais de 70 mil pessoas morreram em semanas. A França sozinha registrou cerca de 15 mil óbitos. O evento expôs a fragilidade de países que nunca precisaram se preparar para calor extremo, e mudou permanentemente as políticas de saúde pública europeias. Países historicamente frios são os mais vulneráveis porque simplesmente não foram construídos para o calor. As casas retêm temperatura, poucos edifícios têm ar-condicionado, a população não reconhece os sinais de insolação e os serviços de saúde não estão preparados para uma demanda repentina por atendimento relacionado ao calor extremo. A OMS e o Painel Climático da ONU confirmam que ondas de calor estão se tornando mais frequentes, mais longas e mais intensas por causa das mudanças climáticas. Desde 1950, a probabilidade de eventos extremos de calor aumentou significativamente. Projeções indicam que, até 2050, o que hoje é raro pode ocorrer a cada dois ou três anos em grande parte do mundo. Cidades como Sevilha, na Espanha, já nomeiam ondas de calor como fazem com furacões, para aumentar a percepção de risco. Países como Grécia e Índia criaram planos nacionais de resposta ao calor. A adaptação é possível e necessária. A questão não é mais se o clima vai mudar, mas se as cidades vão mudar rápido o suficiente para acompanhá-lo.
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