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  • há 2 dias
Todo ano, em janeiro, chega a cobrança do IPVA. A maioria dos brasileiros paga sem questionar, mas poucos sabem que esse imposto tem uma história que começa muito antes do carro existir, passa por carruagens europeias e chegou ao Brasil por um caminho bem mais tortuoso do que parece. Os primeiros impostos sobre veículos surgiram na Europa ainda no século XVII, quando carruagens puxadas por cavalos já eram taxadas como símbolo de riqueza. Com a chegada do automóvel, no final do século XIX, governos perceberam rapidamente que aquelas máquinas barulhentas precisavam financiar as estradas que usavam. No Brasil, o primeiro automóvel chegou em 1893, importado por Henrique Santos Dumont, pai do aviador Alberto Santos Dumont. Logo nas décadas seguintes, com o crescimento da frota, o governo federal começou a cobrar taxas sobre veículos para custear a expansão das rodovias, que se tornavam cada vez mais essenciais para o país. Durante décadas, o imposto federal chamado Taxa Rodoviária Única, a TRU, era quem regulava essa cobrança. Em 1985, com a redemocratização e a reorganização do pacto federativo, o Brasil transferiu essa competência para os estados, criando oficialmente o IPVA. A mudança deu autonomia fiscal às unidades da federação e aumentou a arrecadação regional. Outros países adotam modelos bem diferentes. Na Alemanha, o imposto considera o volume do motor e as emissões de CO2. No Reino Unido, carros mais poluentes pagam mais. Em alguns países escandinavos, o peso do veículo é o critério principal. Cada modelo reflete uma escolha política sobre o que o governo quer incentivar ou desestimular. Hoje, o IPVA financia saúde, educação e infraestrutura nos estados. O debate sobre reformá-lo volta com frequência justamente porque a base de cálculo, o valor de mercado do carro, gera distorções. Seja qual for o modelo escolhido, a questão central continua a mesma: quem tem carro deve contribuir, mas como calcular isso de forma justa?
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