Em algum lugar do mundo, uma garagem guarda o último exemplar de uma linhagem que começou nas pistas de corrida e terminou com 777 cavalos e quase 330 quilômetros por hora. O McLaren 788HS é o ponto final de uma era. Mas para entender o que isso significa, é preciso voltar ao começo. Bruce McLaren tinha apenas 22 anos quando se tornou o vencedor mais jovem de um Grande Prêmio de Fórmula 1, em 1959. Nascido na Nova Zelândia, ele fundou sua própria equipe em 1963 com uma convicção simples: carros de corrida deveriam ser construídos por quem entende de corrida. Essa ideia mudaria a história do automobilismo para sempre. Nas décadas seguintes, a McLaren se tornou uma das equipes mais vitoriosas da Fórmula 1. Com Ayrton Senna ao volante, a equipe conquistou três títulos mundiais consecutivos entre 1988 e 1990. Senna e a McLaren formaram uma das parcerias mais dominantes que o esporte já viu, vencendo corridas com uma regularidade que parecia impossível. A transição para os carros de rua começou com o McLaren F1, lançado em 1992. Ele foi o carro mais rápido do mundo por anos, com motor central e três lugares. A partir daí, a marca passou a produzir supercars para civis, mantendo a mesma filosofia das pistas: leveza extrema, precisão e desempenho acima de tudo. O que torna esses carros tecnicamente extraordinários é a obsessão com o peso. A McLaren usa fibra de carbono em praticamente tudo, incluindo o chassi monocoque. O resultado são carros que pesam menos de 1.300 quilogramas com motores biturbo de alta potência, uma combinação que entrega aceleração e resposta que poucos veículos no mundo conseguem igualar. O fim da linhagem do 720S, selado pelo 788HS, não é apenas o encerramento de um modelo. É o fechamento de um capítulo que conecta as pistas dos anos 1960 às garagens dos colecionadores de hoje. A McLaren nasceu da coragem de um piloto que acreditava poder construir algo melhor. Esse espírito, ao menos, não tem data de aposentadoria.
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