00:19Toda riqueza exige uma miséria, um cálculo frio, uma renúncia total
00:24A mesa farta nasce de disputa, entre escassez, desejo e capital
00:29A safra conhece praga, seca e dívida, o porto conhece descaso e tributação
00:34Quem compra barato celebra a vitória, quem vende barato conhece a exploração
00:50O preço não nasce puro nem neutro, traz contrato, ameaça e tradição
00:54A moeda circula feito sentença, mudando destinos de repartição
01:00No livro ou caixa de cada império, a festa, saque, crédito e traição
01:05A bolsa anuncia a prosperidade, mas cobra pesado o tributo da população
01:10Ciência da fome, faca limpa sobre a mesa, toda abundância guarda a violência presa
01:19Ciência da fome, cifra ambição, mercadoria, nenhuma riqueza admite sua vilania
01:40O mercado promete equilíbrio, mas sangra quando explode usurpação
01:46A fome não cabe dentro da estatística, nem a pobreza aceita a consolação
01:50Cada progresso impõe sacrifício, cada fortuna inventa explicação
01:55A dívida entra pela madrugada e promove o mundo de degradação
02:10Não há teoria sem cadáver oculto, não há riqueza sem contradição
02:16Quem chama a virtude, a própria cobiça, vende moral por acumulação
02:21Ciência da fome, cifra ambição, mercadoria, nenhuma riqueza admite sua vilania
03:01Toda riqueza exige uma miséria, um cálculo frio, uma renúncia total
03:06A mesa farta nasce de disputa, entre escassez, desejo e capital
03:36E aí
03:37A mesa farta nasce de disputa, entre escassez, desejo e capital