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Na vitrola da loja nenhuma banda parava.
O Marquinho da Equinox fazia cara ruim,
Mesmo assim tocava o disco inteiro,
Talvez porque esquecesse de mim.

Eu decorava cada passagem
Antes de conseguir comprar.
Voltava outra vez no sábado,
Só para tornar a escutar.

Ônibus lotado.
Mochila nas costas.
Moedas contadas no bolso do jeans.
Chuvarada entrando pelas portas
O ingresso dobrado,
A viagem não tinha fim...

Na última fila alguém gritava
O nome da banda sem descansar.
Nem conhecia quem estava ao lado...
Já éramos do mesmo lugar.

Ninguém perguntava sobrenome.
Ninguém queria parecer.
Bastava vestir a mesma roupa preta,
Para se reconhecer.

Se o palco media quatro passos,
Pouco mudava a dimensão.
Cabia um país inteiro
Dentro daquela geração.

Quando a luz desaparecia,
Toda conversa na hora se calava
A caixa soltava o primeiro acorde,
O restante perdia qualquer palavra.

Não existiam telefones
Filmando cada refrão.
Só isqueiros e olhos gravando lembranças
Que até hoje recusam corrosão.

Município de Piau,
Anos oitenta...
Oh, Anos oitenta...

Robertinho do Recife
Cólera, Attomica e ninguém se aguenta.
Dorsal Atlântica e Azul Limão
Naquele tempo nao havia solidão!

Hoje encontro mil cabelos brancos.
Outros já não posso nem abraçar.
Mas quando aquelas bandas começam,
Voltam da morte ao mesmo lugar.

Não por saudade besta.
Nem porque o tempo foi melhor.
É que se aprende, naqueles acordes,
A nunca aceitar ser menor.

Ainda escuto aquela noite
Respirando dentro de mim.
Enquanto um riff abrir caminho,
Ela jamais terá fim...

Não foi apenas Heavy Metal.
Foi uma forma de existir.
E quem levou aquilo nas veias,
Nunca deixou de seguir...

_________________________

Astrikos Katoikos
Copyright ©️ 1994/2020
Todos os Direitos Reservados ®

#astrikoskatoikos #heavymetal #dorsalatlantica #attomica #thrashmetal #anos80 #robertinho #azullimao #viper #colera #Piau #festivalderock

Categoria

🎵
Música
Transcrição
00:27Na vitrola da loja
00:30Nenhuma banda parava
00:32O marquinho da Equinox fazia cara ruim
00:35Mesmo assim tocava o disco inteiro
00:38Talvez porque esquecesse de mim
00:41Eu decorava cada passagem
00:45Antes de conseguir comprar
00:48Voltava outra vez no sábado
00:53Só pra tornar a escutar
01:11Ônibus lotado
01:13Mochila nas costas
01:14Moedas contadas no bolso do jeans
01:18Chuvarado entrando pelas portas
01:21O ingresso dobrado
01:22A viagem não tinha fim
01:25Na última fila alguém gritava
01:28O nome da banda sem descansar
01:31Nem conhecia quem estava ao lado
01:35Já éramos do mesmo lugar
01:41Ninguém perguntava sobrenome
01:45Ninguém que ia aparecer
01:49Bastava vestir a mesma roupa preta
01:53Para se reconhecer
01:56Se o palco media quatro passos
02:00Pouco mudava a dimensão
02:03Cabia um país inteiro
02:07Dentro daquela geração
02:10Barraão
02:13Barraão
02:13Abruha
02:21Abruha
02:22Barraão
02:27Com
02:28Abruha
02:36Barraão
02:39Visite
02:47Quando a luz desaparecia, toda conversa na hora se calava
02:53A caixa soltava o primeiro acorde, o restante perdia qualquer palavra
03:14Não existiam telefones, filmando cada refrão
03:22Só isqueiros e olhos gravando lembranças, que até hoje recusam corrosão
03:30No município de Piau, anos 80, anos 80
03:44Robertinho do Recife, cólera atômica e ninguém se aguenta
03:50Dorsal Atlântica e azul limão, naquele tempo não havia solidão
04:12Hoje encontro mil cabelos brancos, outros já não posso abraçar
04:18Mas quando aquelas bandas começam, voltam da morte ao mesmo lugar
04:26Não por saudade besta, nem porque o tempo foi melhor
04:33É que se aprende naqueles acordes, a nunca aceitar ser menor
04:42Ainda escuto aquela noite respirando dentro de mim
04:49Enquanto um grifo abrir caminho, ela jamais terá fim
05:25Não foi apenas heavy metal, foi uma forma de existir
05:32E quem levou aquilo nas veias, nunca deixou de seguir

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