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  • há 4 horas
Distúrbio faz com que indivíduos realizem atividades motoras complexas enquanto dormem, sem guardar qualquer lembrança dos episódios ao acordar.
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Transcrição
00:00Você conhece alguém que é sonâmbulo?
00:02Dá só uma olhada nas crises que essa moça tem durante praticamente todas as noites.
00:08Roda um trechinho aí pra gente ouvir.
00:13Bebeu água? Tá com sede?
00:17Olha, olha, olha, olha, água mineral. Água mineral. Água mineral.
00:22Olha, olha, olha, olha, água mineral.
00:26Gente, é engraçado. É assustador.
00:30É curioso. Será que isso é possível?
00:34A gente sabe, né, que tem gente que fala ali uma frase ou outra, anda um pouco pela casa, levanta
00:39da cama.
00:39Mas nesse nível aí, vamos entender o que está por trás desse tipo de comportamento?
00:45Doutora Roberta Couto, pneumologista, especialista em sono, também está aqui com a gente.
00:50Bom dia, doutora Roberta.
00:52Bom dia, Bruno.
00:52E aí, já vamos tentar entender.
00:55É possível a pessoa chegar naquele nível ali de sonambulismo?
00:59Eu fiquei muito assustada. Parece que aquela mulher está possuída.
01:02É assustador, né?
01:03Muito.
01:03É engraçado, é assustador, mas pra eles que vivem, não sei se deve ser tão fácil ou não, né?
01:08Pois é.
01:09Mas é possível. É possível.
01:11A grande maioria são comportamentos mais simples, né?
01:14As pessoas sabem muito que ela que senta, levanta, anda um pouquinho pela casa.
01:19Mas esses comportamentos mais complexos, eles podem acontecer.
01:23Pois é. O que acontece no cérebro da pessoa quando ela tem uma crise de sonambulismo?
01:29Acontece uma discrepância.
01:32Umas áreas do cérebro estão em estado acordado e outras dormindo.
01:37Então, a pessoa executa esses movimentos, mas ela não lembra de nada, porque áreas do cérebro ainda estão adormecidas.
01:46O sonambulismo, ele acontece na fase mais profunda do sono.
01:50É o sono que a gente chama de sono de ondas lentas.
01:53Então, a pessoa executa, faz essas atividades, mas ela não tem recordação de nada no dia seguinte.
02:00Gente, vamos ver mais um trechinho? Essa moça, ela tá viralizando ali nas redes sociais.
02:05E é engraçado a gente ver o esposo, né? A pessoa que tá ali, o companheiro dela junto também, acaba
02:10sofrendo, né?
02:11Vamos ver, roda aí.
02:14Vem pra caixa você também. Vem.
02:18Ela lascou, nega.
02:19Foi tudo.
02:20Ela tá dentro da geladeira. Tem que pegar um negócio, dá pra poder fritar no meio.
02:24Não morreu, viu?
02:26Na geladeira?
02:27É.
02:28E se que é na geladeira, nega?
02:29Tá arranhando.
02:31Ontem é onde você vai, eu vou barrendo.
02:33Eu vou barrendo, eu vou barrendo, eu vou barrendo, eu vou barrendo, eu vou barrendo, eu vou barrendo, eu vou
02:38barrendo, eu vou barrendo, eu vou barrendo, eu vou barrendo.
02:39Ontem é onde você vai, eu vou barrendo.
02:42Tá, tá bom, né?
02:45Doutora Roberta, que desespero.
02:47E o que a gente tem que fazer?
02:48A gente vê ali o companheiro dela tentando acalmar, né?
02:51Até responde ali uma coisa que ela fala.
02:53Mas pra pessoa que convive com alguém assim, ou não nesse nível, né gente?
02:58Que esse nível aí é o hard.
02:59O que a pessoa tem que fazer?
03:01Qual que é a orientação?
03:02Tem aquele mito antigo, né?
03:04Que não pode acordar a pessoa com sonambulismo ou dar um susto pro sonambulismo desaparecer, mas isso não é fato.
03:11Pelo fato dela estar dormindo, na cabeça dela ela tá dormindo, se ela tá na cozinha e você acorda, ela
03:19não vai compreender o que que tá acontecendo.
03:21Então, dependendo da forma como as pessoas acordam, a pessoa se assusta mesmo, porque na cabeça dela ela tá dormindo.
03:27Então, o que você pode fazer é só conduzindo devagarzinho, vai, vamos, vamos pra cama, vem.
03:33Tem uns vídeos que ele faz isso, vamos, vamos, vamos, tem que ir, vamos dormir.
03:38Que é isso que tem que ser feito, sabe?
03:40Assim, você não precisa acordar, porque a pessoa não vai lembrar, no outro dia você conta.
03:44Mas, na hora que o episódio estiver acontecendo, só a calma, a pessoa fala, não, tá bom.
03:50Você vê que ele concorda com ela, ele vai, vamos, vamos, vamos dormindo.
03:52E é isso que tem que fazer.
03:54E a gente viu ali até um trechinho, a gente sabe que em criança também é muito comum, né?
04:01Muito mais comum em criança do que em adulto.
04:03Do que em adulto. O que que justificaria?
04:06Seria a mesma explicação no caso das crianças?
04:09É a mesma explicação, mas por que que ele é mais comum em criança?
04:11Porque o cérebro ainda tá em formação, tá imaturo, vamos dizer assim.
04:16Então, é mais comum a gente ter essas áreas acordadas e dormindo.
04:22Então, é muito mais prevalente na infância.
04:25Na adolescência, a gente tem uma redução significativa.
04:29E alguns casos persistem até a vida adulta.
04:32Chama a atenção aquele que nunca teve e que passa a ter na vida adulta.
04:36Aí você tem que tentar identificar se tem algum fator que tá desencadeando, né?
04:40Alguma coisa que esteja levando esses episódios.
04:43Tem algum gatilho, doutora Roberta, assim, um sono agitado ou muito sono?
04:50Tem gente que fala, ai, quando eu tô muito cansada, eu tenho, falo à noite.
04:54O que que pode ser o gatilho pra uma crise?
04:57A causa do sonobulismo, ela não é muito bem estabelecida.
05:01Acredita-se que tem algum componente genético.
05:04Você escuta famílias que, ah, eu tenho, meus filhos têm.
05:08A família é sonâmbula, assim, o marido, a esposa e os filhos.
05:12Então, imagina, a casa de madrugada deve ser uma...
05:15Loucura.
05:16Uma aventura.
05:17Eu tenho medo.
05:20Mas, é...
05:21Eu me perdi o que que isso tinha...
05:23Eu tinha perguntado o que que seria o gatilho.
05:26Ah, o gatilho.
05:26Isso.
05:26A gente fala, quando eu tô muito cansada, eu falo à noite.
05:30Isso, tem gatilho, sim.
05:31O cansaço, a privação de sono é um gatilho importante.
05:35É um estresse físico ou até mesmo emocional, quando você tá passando por uma fase mais agitada,
05:41pode ter mais esses episódios.
05:43Tem algumas medicações que podem desencadear.
05:45Então, eu falo que é sempre importante.
05:48Tenta ver se você identifica alguma coisa repetida nos episódios que você tem.
05:57Algumas medicações, álcool pode desencadear também.
06:01São algumas situações que podem aumentar o risco da pessoa ter os episódios.
06:06A gente pode dizer que a gente tá passando aí por uma epidemia de, não só o sonambulismo,
06:12mas de outros distúrbios do sono?
06:14Porque, assim, é mexendo no celular antes de dormir, assistindo televisão, dormindo pouquíssimo,
06:20às vezes alimentação antes também.
06:22Tudo isso pode influenciar?
06:24Com certeza.
06:25Imagina, pra gente entrar no sono, o cérebro tem que ir diminuindo, ir desacelerando.
06:31Então, você tá ali assistindo vídeo, assistindo alguma coisa no celular.
06:36Não é só o efeito da luz.
06:38A luz atrapalha o sono?
06:39Com certeza.
06:40Mas o conteúdo também, o seu cérebro ainda tá processando aquilo tudo que você tá assistindo
06:45e, de repente, você fala, dorme.
06:47Então, as pessoas têm dificuldade pra iniciar o sono.
06:49Elas estão processando aquelas informações.
06:51O sono fica mais agitado.
06:53Então, com certeza, o estilo de vida que a gente tá levando tá piorando.
06:58A qualidade do nosso sono em todos os aspectos.
07:00Além do sonambulismo, o que é muito comum a gente ver relacionado ao distúrbio do sono hoje?
07:05O distúrbio do sono mais prevalente que tem é a privação crônica.
07:10São as pessoas que não se permitem, elas não dão oportunidade pro sono.
07:15Seja porque estão conectadas, porque...
07:18Eu tenho um livro que foi, acho que o primeiro livro que eu li quando eu tava estudando sono,
07:22que chama Ladrões de Sono.
07:25Várias coisas que a gente faz no nosso dia, a gente vai roubando um tempinho do nosso sono.
07:30Então, por exemplo, eu quero fazer um concurso.
07:33Eu vou reduzir o meu tempo de sono porque eu quero estudar até mais tarde.
07:36Eu quero fazer exercício.
07:37Então, eu vou acordar uma horinha mais cedo porque eu quero...
07:40Eu comprei um pet, eu vou dormir uma hora mais tarde porque eu tenho que levar pra passear.
07:44Então, várias coisas, a gente vai roubando horas do sono e a gente não tá priorizando o sono.
07:50E as consequências chegam, né?
07:52Com certeza.
07:53A pessoa pode...
07:55Quais são os riscos, doutora, de uma crise de insônia?
07:58Por exemplo, quando a pessoa levanta, sai andando, né, assim, pela casa.
08:04Isso pode representar algum risco pra saúde dela?
08:07Ou quando a pessoa tem uma crise mais forte, de gritar, de falar.
08:10Isso quer dizer alguma coisa sobre a saúde dela?
08:13Nem sempre as pessoas vão ter consequências no dia seguinte no sentido de sonolência.
08:17Porque o sono foi agitado.
08:19Porque, teoricamente, na prática, na verdade, ela tá tendo o sono de ondas lentas dela.
08:26Então, assim...
08:26Tá dormindo, né?
08:27É, exatamente.
08:28Então, não necessariamente ela vai ter sonolência no dia seguinte.
08:32Quem dorme junto, que tem mais.
08:33É, porque a pessoa não consegue dormir.
08:35Não dorme, né?
08:36Não dorme.
08:36Mas os riscos são decorrentes dos episódios.
08:40Então, a gente tem muitas orientações que dá pra família do sonâmbulo pra evitar
08:45que ocorra algum acidente durante os episódios, né?
08:48E tem tratamento?
08:50Porque é um sofrimento pra todo mundo.
08:52Vamos combinar, dependendo ali do nível.
08:54Nem todo caso de sonambulismo precisa de tratamento.
08:57Quando os episódios são esporádicos, são coisas que não atrapalham a dinâmica familiar, não precisa.
09:07Você identifica os fatores que estão desencadeando os episódios e tenta evitar.
09:12O sono regular, todo dia dormir, acordar no mesmo horário, são coisas que você pode fazer.
09:17Agora, quando os episódios estão muito frequentes ou as pessoas ficam, às vezes, envergonhadas,
09:22tem outros tipos de comportamento durante o sono que as pessoas, às vezes, se envergonham do que tá acontecendo.
09:28Quando tá colocando a pessoa em risco, aí vale a pena um tratamento.
09:31A gente recebeu uma mensagem aqui, da Júlia, que ela falou que não é o sonambulismo que atrapalha o sono
09:39dela,
09:39é o ronco do marido.
09:40É muito pior do que essas crises da moça dos vídeos.
09:44Ronco é outra questão também.
09:45E é muito mais prevalente do que o sonambulismo, né?
09:48A gente acabou falando da privação de sono e não citei os outros.
09:51A insônia é muito mais prevalente do que o sonambulismo.
09:54A apneia do sono e o ronco, isso tudo realmente...
09:56A apneia é perigoso, né?
09:57Atrapalha muito mais o sono, né?
10:00Mas o sonambulismo é o que traz mais curiosidade, porque é diferente, né?
10:05Você vê...
10:06E muitas pessoas perguntaram nesse vídeo se isso é real ou se é uma encenação para...
10:13A gente acaba achando, né?
10:15Porque são muitos episódios.
10:16Assim, eu digo que o que eu posso dizer é que episódios, assim, são possíveis.
10:22Mas se...
10:23Pra afirmar que todos esses episódios são sonambulismo,
10:26só se a gente registrar o sono com as ondas cerebrais mostrando que está em sono
10:33e um vídeo mostrando que os episódios estão acontecendo.
10:35Então, assim, não dá pra gente só olhando um vídeo dizer
10:38isso é verdadeiramente ou não.
10:41Sim.
10:41O que eu posso dizer é que é possível.
10:43É possível.
10:44Qual que seria a dica principal pra gente encerrar, doutora Roberta?
10:47Quem tá sofrendo aqui, a nossa amiga colocou essa questão do ronco
10:51ou com o episódio do sonambulismo, tem vergonha.
10:53Às vezes nem sabe que tem tratamento, né?
10:56É possível melhorar essa qualidade de sono, de vida.
10:59Com certeza.
11:01Uma coisa que é importante que a gente não pode deixar de lembrar é
11:03as pessoas têm que cuidarem da casa.
11:05Tipo assim, se tem um sonâmbulo em casa,
11:08é deixar portas e janelas trancadas.
11:11Gaveta de faca, né?
11:12De outros objetos.
11:13Cuidado com esses objetos.
11:15Tirar objetos da casa pra pessoa, se tiver escada,
11:19colocar alguma coisa pra pessoa não descer,
11:22não dormir na cama de cima da beliche.
11:24Tem várias coisas que precisam ser cuidadas
11:26pra pessoa não se machucar durante o sono.
11:29E fazer o tratamento se estiver atrapalhando,
11:33se a pessoa estiver tendo alguma consequência ruim.
11:35Com certeza.
11:36E a pessoa que tem ronco também,
11:39ou que o marido ronca ou que a esposa ronca.
11:41Identificar se é só ronco ou se está associada à apneia.
11:45Não normalizar o ronco.
11:46Roncar não é normal.
11:48A gente precisa identificar, tratar.
11:51Tudo tem tratamento e precisa ser
11:53pra poder ter um sono melhor e, consequentemente, um dia melhor.
11:57Com certeza.
11:58Doutora Roberta Couto, médica, pneumologia,
12:01especialista em sono, falando um pouco aí
12:03sobre insônia, a qualidade do nosso sono geral.
12:06Obrigada, doutora Roberta.
12:08Eu que agradeço a oportunidade.
12:09Até a próxima.
12:09Valeu.
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