- há 5 semanas
Videocast da coluna se aprofunda na decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de aumentar a tarifa de importação sobre os produtos do Brasil
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NotíciasTranscrição
00:05Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição de Papo de Valor e essa é uma edição extra,
00:11uma edição extraordinária. O presidente Donald Trump dos Estados Unidos anunciou nessa
00:16quarta-feira, 9 de julho, uma taxação generalizada de 50% em cima dos produtos brasileiros exportados,
00:24todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Onde é que isso vai dar?
00:30Por isso convidei aqui Rafael Furlanete, que é sócio da XP, diretor da FEBRABAN,
00:36Federação Brasileira de Bancos, presidente da Associação Nacional das Corretoras de Valores
00:41e colunista de A Gazeta, para a gente tentar fazer uma análise, olhar um pouquinho para frente
00:46do que vem por aí. Furlanete, muito obrigado por ter vindo aqui e espero que a gente consiga
00:54pelo menos explicar um pouquinho desse caminho das pedras. Seja bem-vindo.
00:58Muito obrigado, Apto. Muito obrigado, meus conterrâneos. É sempre uma honra contribuir
01:03aqui com o seu podcast e esse bate-papo com nossos amigos. Espero poder elucidar algumas
01:08dúvidas e a gente sair desse bate-papo muito maior do que entramos.
01:11Taxação de 50% de todas as importações brasileiras por parte dos Estados Unidos. A carta do Trump
01:18fala em déficit comercial, que não é uma realidade no caso do Brasil com os Estados Unidos,
01:24das altas tarifas cobradas pelo Brasil, que é um fato, o Brasil de fato é protecionista,
01:29mas é com todos. E, por fim, fala de uma suposta e uma suposta perseguição contra o ex-presidente
01:35Bolsonaro. O que você achou, Furlanete, de todo esse pacote?
01:41Ábido, eu vou me ater aqui do ponto de vista econômico, que é onde eu domino bem, e vou
01:50analisar isso ao ponto da economia capixaba, porque é mais relevante ainda. Quando você olha a relação
01:58comercial do Brasil com os Estados Unidos, os Estados Unidos é o segundo maior destino,
02:04ele é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Então, ele responde a 12% das exportações
02:12brasileiras. Se você for fazer uma conta de qual é o impacto da relação comercial entre Brasil e
02:21Estados Unidos, o impacto no nosso produto interno bruto, que é o que mede a produção no
02:28da nossa nação, ele é relativamente baixo, porque a gente fez uma conta e isso daria em torno ali de
02:372%.
02:39Só que, quando você vai para alguns setores da economia, quando você vai na microeconomia,
02:47quer olhar setor para setor, aí sim você tem um impacto mais relevante. E, de acordo com o setor,
02:55você tem ou não a possibilidade de ter um plano B para esses mercados. Por exemplo, nos itens de
03:02exportação do Brasil, o produto mais relevante é o petróleo. O petróleo é um mercado global,
03:08você consegue, de alguma forma, escoar o petróleo para outro mercado. Então, eu acredito que na parte
03:16do petróleo, que para o Espírito Santo também é importante, isso talvez a gente não terá um grande
03:22impacto que o petróleo vai encontrar outros mercados. Quando você vai para a questão do
03:28minério de ferro, que ele passa pelo Espírito Santo também, terminal da Vale, eu acredito que o impacto
03:35vai ser menos relevante também, porque o minério de ferro, produto global, ele, de alguma forma,
03:42ele acha outros mercados e ele consegue ali, de alguma forma ou outra, você ter um efeito
03:51menor, né? Porque você vai procurar outro mercado que compra minério de ferro. Quando
03:58você vai para a celulose, né? No nosso estado, lá tem o nosso município de Aracruz, e Aracruz
04:07hoje é a Suzano que está lá. Hoje a Suzano é uma das empresas brasileiras mais afetadas,
04:14porque boa parte da celulose e do papel que a Suzano exporta vai para os Estados Unidos. Então,
04:22você tem um impacto aí um pouco mais relevante de uma empresa que está no nosso estado. Mas no caso
04:28da celulose, mesmo sendo, por ser uma commodity global, você também consegue ter ali planos Bs,
04:36de você exportar para outro país, exportar para outro mercado. O custo da celulose brasileira,
04:45da Suzano, ele, quando você compara em relação à concorrência, né? Outros países, ele é muito
04:53competitivo, a gente tem um dos menores custos de produção de celulose do mundo, então, pela
04:59mudança de terra, pela produtividade do eucalipto. Então, ali você consegue ter um plano B e você vai
05:07ser, de alguma forma, menos afetado. Quando você vai para aviões, por exemplo, você tem um problema.
05:16Boa parte dos aviões da Embraer, parte desses aviões, ele é feito aqui em Gavião Peixoto,
05:23que é onde tem a fábrica da Embraer, ou ali em São José dos Campos, e principalmente os jatos executivos,
05:29que a Embraer vende, eles são finalizados nos Estados Unidos. Se tem uma coisa complicada de
05:36mexer, é numa produção de avião. Você não consegue mudar, do dia para a noite, uma fábrica de avião de
05:42local. É tudo um planejamento, é tudo uma programação. Tem um link aí mais, né?
05:48Então, nesse caso... Esse link do acabamento, né?
05:51É, você tem um impacto maior, porque você não consegue fechar uma fábrica de avião aqui e abrir lá fora.
05:56Aliás, o mundo, ele tem um déficit de produção de avião muito grande, né? Você tem dois grandes
06:04players de avião, que é a Boeing Airbus, de avião grande. Você tem um terceiro, que é a Embraer, que
06:09é avião de
06:10médio porte, avião militar e jatos executivos, onde a Embraer vai muito bem. Então, no caso da Embraer,
06:18vai ser mais afetada, porque é difícil você ter plano B. Aí, vamos voltar aqui para o Espírito Santo.
06:26Quando você tem uma bobina de aço feita aqui no Espírito Santo, que ela é muito específica para o mercado
06:34americano,
06:35aí você tem um problema. Porque essa bobina de aço, talvez, ela não vai encontrar outro mercado.
06:42Ou se encontrar, vai ser em outro preço. E você tem um impacto relevante para uma empresa que está no
06:51Espírito Santo.
06:52Mas, mais que isso, e é o que me preocupa, são esses fornecedores capixabas de empresas multinacionais,
07:01que vão ter um impacto, sim, caso essas tarifas que estão programadas para 1º de agosto sejam implementadas.
07:13Quer outro dado? Você olha o café. O café está com preço alto.
07:21E eu fico feliz, porque sou de São Gabriel da Palha e a economia lá, a cafeeira, é muito forte.
07:27O café, você tem um problema de oferta de café global, né?
07:32Boa parte do café ofertado no mundo, ele é feito por pequenos cafeicultores.
07:39Então, você não consegue, do dia para a noite, aumentar investimento, colocar mais produção.
07:44Então, o café brasileiro, o café capixaba, ele chegará mais caro para o americano.
07:51É importante a gente explicar, hábito, o que é esse enxergar mais caro.
07:58Nós estamos aí no nosso estado.
07:59Tem a terceira ponte que liga Vitória à Vila Velha.
08:03Na época que tinha pedágio para você pagar, você pagava um pedágio para sair de Vitória para ir para Vila
08:10Velha.
08:11E o contrário verdadeiro, para ir de Vila Velha para chegar em Vitória.
08:15Se esse pedágio fica mais caro, o teu custo de atravessar a ponte, ele é maior.
08:21Então, se as tarifas ficam mais elevadas, o custo de você mandar um produto lá para fora é maior.
08:29Quer ver outra coisa que é muito preocupante?
08:32Estava olhando os dados.
08:3480%, 80% da exportação de rochas capixabas vão para o mercado americano.
08:43Como é que você desenvolve mercado do dia para a noite?
08:46Como é que você cadastra comprador?
08:49Como é que você faz risco de crédito?
08:52Como é que você faz planejamento logístico disso?
08:56Você tem uma indústria, que é uma indústria que emprega muito, paga muito imposto no estado do Espírito Santo,
09:00que é o setor de rocha ornamental, que aí também, talvez, você terá um problema maior.
09:06Por que eu falo talvez?
09:09Porque tem muita água para rolar debaixo dessa ponte ainda.
09:14O estilo de negociação do governo americano, ele tem sido assim.
09:20E não foi só com o Brasil, foram com vários países mundo afora.
09:25O exemplo da China.
09:26Lembra que teve a escalada de taxas comerciais na China?
09:29Começou em 50%, 100%, 150%, até que eles chegaram em um acordo.
09:37Então, esse é um processo que vai envolver muita diplomacia, vai envolver colocar a bola no chão,
09:44vai envolver um trabalho muito intenso de ambos os lados,
09:49a fim de que a gente chegue em um acordo que seja bom para o povo brasileiro,
09:54que seja bom para o povo americano.
09:56Então, é um processo de muito diálogo.
10:00O Brasil é um país continental.
10:04Ele negociou todos os seus limites territoriais sem nenhuma guerra.
10:10O Barão de Rio Branco foi quem negociou esses limites.
10:13E tem uma tradição histórica de diplomacia, uma tradição histórica de diálogo,
10:20que, neste momento, espero que a gente faça uso,
10:26que a gente consiga sair mais forte do que entramos nessa discussão.
10:32Fula, você fez essa análise, levando em consideração, claro,
10:38o início da taxação no dia 1º de agosto, que é a previsão.
10:42Aí você concluiu a sua análise falando do caminho de saída.
10:48Então, você acredita que o caminho de saída é pela diplomacia,
10:53não é pelo enfrentamento ou por qualquer outra forma?
10:57O Ábido, você tem algum histórico da negociação dos Estados Unidos com outros países?
11:06Isso é um histórico no qual o enfrentamento não deu resultado.
11:12Então, com base no histórico de negociações que a gente viu
11:17nos últimos meses da nova postura comercial americana,
11:23o diálogo tem sido mais resolutivo do que o conflito.
11:29Então, com base nisso que eu te afirmei que o diálogo,
11:34e eu acredito nisso, pessoa do diálogo que sou e você me conhece,
11:39que sempre é a melhor maneira da gente chegar a um acordo.
11:45Entendi.
11:46Outra coisa, Fula, eu estava olhando até aqui a Bolsa e o dólar.
11:52A expectativa hoje, a Bolsa está caindo, o dólar está subindo,
11:56mas a expectativa que a gente se tinha ontem era de algo muito mais forte.
12:03A Bolsa desabando, o dólar subindo muito forte,
12:06o que você tem agora é um dólar subindo um pouquinho,
12:090,9 nesse momento, e a Bolsa caindo 0,67.
12:14Você acredita que o mercado está apostando nessas idas e vindas do Trump,
12:20como você colocou, que na undécima hora ali...
12:26Existe até um ditado nos Estados Unidos e no mercado financeiro
12:31que você tem que esperar um pouco do que o Trump fala
12:39para aquilo que vai acontecer.
12:43Então, está naquele momento de reflexão.
12:46Então, é um momento de bastante calma.
12:49No primeiro governo Trump, você também teve uma série de ruídos,
12:54e não estou falando de acordos comerciais,
12:56estou falando de outros tipos de ruídos,
12:58que quanto mais distante você ficava desses ruídos,
13:02melhor você conseguia fazer uma gestão de investimentos.
13:05Então, é um momento no qual a gente tem que esperar um pouco.
13:11O que eu gosto sempre de falar para o empresário capixaba
13:15é que momentos como esse nos fazem refletir um pouco
13:21sobre o nosso próprio negócio.
13:23Nunca é bom ficar na mão de um só mercado.
13:26Nunca é bom ficar na mão de um só fornecedor,
13:30de um só cliente.
13:32Então, nesse momento, a gente tem que olhar para dentro de casa
13:35e pensar no nicho que a minha empresa trabalha,
13:40aqui no Estado do Espírito Santo.
13:41Será que não tem outro mercado para eu desenvolver?
13:45Será que não tem outra forma de atuar?
13:49Porque o empresário, às vezes, ele se acostuma
13:52com aquela rota que ele está atuando, com aquele mercado,
13:56ele está tudo programadinho para fazer aquilo.
13:59E na gestão de risco, na gestão empresarial,
14:03é muito importante, Álvaro, a gente pensar
14:06em situações como a que estão acontecendo agora.
14:10Não estou falando que é momento de desesperar,
14:13mas é o momento, sim, da gente...
14:16Refletir e aprender a lição.
14:17Refletir e aprender uma lição.
14:19Coisas como essa, que a gente fala,
14:22podem acontecer.
14:23A vida do empresário brasileiro é aquela
14:25que você está andando no meio da rua
14:27e, do nada, cai uma bigorna na sua cabeça,
14:30igual o desenho animado.
14:32É mais ou menos o que aconteceu ontem, né?
14:33É uma bigorna na cabeça.
14:35Caiu uma bigorna na cabeça.
14:37Qual a lição que eu vou ter?
14:39Vou olhar um pouco mais para cima?
14:41Vou andar um pouco mais desconfiado?
14:43É do jogo.
14:44Entendi.
14:45Entendi.
14:46Interessante você falar dessa questão das lições.
14:50Quando você fala disso,
14:52eu estava pegando a lista.
14:55Você pega, por exemplo,
14:55você falou do setor de rocha,
14:56que é bastante dependente dos Estados Unidos.
14:59Você pega também, por exemplo,
15:01a Kia, Suzana especificamente,
15:03mais de 50% da produção vai para os Estados Unidos.
15:05Então, é importante aquela coisa
15:07de não colocar todos os ovos numa cesta só, né?
15:10Isso, Álvaro.
15:11E sempre refletir
15:12o quão esse mercado precisa do meu produto,
15:17o quão o meu produto
15:19pode ser quase que insubstituível
15:23para esse tipo de cliente.
15:25Então, por exemplo,
15:29a celulose da Suzano
15:30pode ser alocada para outro mercado.
15:34Você consegue mudar a chavinha?
15:36Agora, um tipo de rocha ornamental
15:39que vai para um determinado produto lá fora,
15:43um determinado tipo de prédio
15:45ou de shopping,
15:47como que você realoca?
15:49Porque no caso de rocha ornamental,
15:52você tem que,
15:53você entende muito bem,
15:54você tem que abrir cartas de crédito,
15:57você tem que desenvolver um todo mercado
15:59que você demora um pouco mais de tempo.
16:02No caso do café,
16:05que é uma cultura tropical,
16:09mesmo nessa confusão toda,
16:11a gente talvez tenha que
16:14se preocupar um pouco menos
16:17que o café,
16:18o mundo precisa do nosso café.
16:22você não vai conseguir ter o Vietnã
16:24para suprir todo o café do mundo
16:26ou a Colômbia.
16:28Nosso café é relevante
16:29no mercado global.
16:31Então, talvez aí a gente tenha
16:33um pouco mais
16:34de flexibilidade
16:36para poder redirecionar o produto.
16:39Então, esses momentos,
16:41como empresário,
16:43é sempre importante a gente refletir
16:45o quanto também o meu cliente
16:48depende de mim.
16:49porque, às vezes,
16:51você é importante
16:52para o seu cliente
16:54e ele é importante para você.
16:57Vou dar um exemplo de confecção.
16:59Sou de São Gabriel da Palha.
17:01Tenho inúmeras confecções
17:03em São Gabriel e em Colatina.
17:05E tenho orgulho
17:06de ser de uma família
17:09que foi pioneira na confecção
17:11nesse município.
17:13Por vezes,
17:14você ter um cliente muito relevante
17:17é bom.
17:19porque você é importante
17:20para ele
17:21e ele é importante para você.
17:23Então, fica uma relação
17:25mais equilibrada.
17:26Mas aí, eu, enquanto empresário,
17:29eu tenho que saber.
17:29Em algum momento,
17:30esse cliente pode quebrar.
17:31Em algum momento,
17:32esse cliente pode ter
17:33outra dificuldade.
17:35Então, o que eu vou fazer
17:36enquanto empresário?
17:37Eu vou me preparar
17:38para o pior.
17:39Eu vou ter uma posição de caixa
17:41na minha companhia
17:42um pouco mais relevante.
17:44eu vou ter já
17:45um plano B engatilhado.
17:47Então,
17:50esses questionamentos
17:51que a gente se faz
17:52para esses momentos,
17:54eles são importantes,
17:55hábito.
17:56Porque
17:57o tal do risco de cauda,
17:59quando você acha
18:01que isso não pode acontecer,
18:03às vezes acontece.
18:05E para isso,
18:06a gente tem que estar
18:07muito seguro
18:08na nossa gestão
18:10de risco,
18:11na nossa gestão
18:12empresarial, hábito.
18:15Rafael Furlanetti,
18:16última pergunta.
18:18Só entrando
18:19um pouquinho
18:20na política,
18:21mas eu preciso
18:22fazer a pergunta.
18:23O debate sobre as eleições,
18:24o debate que eu falo,
18:25a discussão
18:26sobre as eleições de 2026
18:27já vinha esquentando
18:28um pouco.
18:29O que você acha
18:31do impacto
18:33dessa entrada abrupta
18:34do Trump no jogo?
18:35Já dá para analisar
18:36alguma coisa?
18:37Hábito,
18:38é cedo ainda
18:38para a gente poder
18:39fazer esse tipo
18:40de análise.
18:40Eu conversei
18:41com diversas correntes,
18:43escutei diversas opiniões,
18:46é cedo porque a gente
18:47não sabe o desdobramento
18:49do que vai acontecer
18:51nos próximos dias.
18:54O que eu,
18:55enquanto analista
18:57de mercado,
18:58olho,
18:59é que no Brasil
19:00se antecipou
19:02um cenário eleitoral.
19:04E quando você se antecipa
19:05um cenário eleitoral,
19:07hábito,
19:09coisas importantes
19:10ficam em segundo plano.
19:13Por exemplo,
19:14você discutir
19:14a eficiência do Estado,
19:16uma reforma administrativa.
19:19Todo mundo
19:20sabe que o mundo evoluiu
19:22e todo mundo sabe
19:24que o Estado,
19:25a gestão pública,
19:26não evoluiu
19:27na mesma velocidade.
19:29Está na hora
19:30da gente debater isso.
19:31do lado fiscal,
19:33todas as vinculações
19:35que existem no Brasil,
19:37hábito,
19:38a cada um real
19:39que move o salário mínimo,
19:41o impacto
19:42nas contas públicas
19:43é de quase
19:44400 milhões de reais,
19:46porque existe
19:47uma série
19:47de benefícios
19:49atrelados
19:50à vinculação
19:51do mínimo.
19:51a minha mãe
19:53é servidora pública,
19:54se aposentou,
19:56aí no Estado do Espírito Santo
19:58foi professora,
20:00servidor público,
20:02ele tem um bônus
20:03de produtividade.
20:04Agora,
20:06você sabia
20:06se você for um servidor
20:07público na inativa,
20:09se o servidor
20:10da público
20:11que está trabalhando,
20:12está ralando,
20:14ganhar um bônus
20:15de produtividade,
20:16isso automaticamente
20:17se estende
20:18a você
20:18que está inativo?
20:20Faz sentido
20:20uma pessoa
20:21na inativa
20:22ganhar um bônus
20:23de produtividade?
20:25Acredito que não.
20:27Temos que discutir isso.
20:29Você hoje
20:30se aposenta
20:31no Brasil
20:32pagando
20:32mês a mês
20:34a sua aposentadoria,
20:36o seu INSS.
20:38Existe no Brasil
20:40o BPC,
20:42Benefício
20:42de Prestação
20:43Continuada.
20:46Hoje,
20:47boa parte
20:48desse BPC,
20:4925%,
20:50eles são dados
20:53por meio
20:53de decisão judicial.
20:55Então,
20:55a pessoa
20:56que se aposentou
20:57pagando a vida
20:58toda,
21:00às vezes,
21:01de forma
21:01fraude lenta
21:02a outra pessoa
21:03consegue com
21:04o BPC
21:05ganhar a mesma coisa
21:07do que a pessoa
21:08que trabalhou a vida
21:09toda.
21:10Faz sentido isso?
21:12Temos que discutir.
21:14Existe no Brasil
21:16hoje
21:16a dedução
21:17de despesas
21:18médicas,
21:19que é importante,
21:21que ao deduzir
21:22despesa médica
21:24do seu imposto
21:24de renda,
21:25gera um efeito
21:26positivo
21:26de você pegar
21:27a nota fiscal
21:28no médio,
21:29igual a nota fiscal
21:30que tem,
21:31nota fiscal paulista
21:32aqui em São Paulo,
21:33ou a Capixaba,
21:36você consegue
21:37gerar ali
21:38freios e contrapesos
21:39para formalizar
21:40mais a economia.
21:42Agora,
21:43sabe quanto
21:43que custa
21:44essa conta
21:45para o Brasil?
21:4630 bilhões
21:47de reais.
21:49Será que não tem
21:49que ter um teto
21:50para algum tipo
21:51de procedimento?
21:52Por exemplo,
21:53o cara vai fazer
21:53uma cirurgia plástica,
21:55estética.
21:56Será que ele tem
21:57que ter a dedução
21:58100% disso?
21:59Será que não tem
21:59que ter um limite?
22:01Quer ver outra coisa?
22:03Na década de 90
22:05foi criado,
22:06quando você
22:06faz 65 anos,
22:09você dobra
22:10sua faixa
22:11de isenção
22:11de imposto de renda.
22:13Então,
22:13você fez 65 anos.
22:15você passa
22:16a pagar
22:16menos imposto.
22:18Você conta
22:19com o seu
22:1930 bilhões
22:20de reais.
22:22Num mundo
22:23onde as pessoas
22:23estão vendo mais,
22:24será que
22:24não faz sentido
22:26ter uma escada
22:26nisso?
22:27Então,
22:28o Brasil
22:28é cheio
22:30de distorções
22:31que precisam
22:32ser debatidas
22:33de forma séria,
22:34de forma técnica,
22:36que o debate
22:37eleitoral
22:38antecipado
22:38inviabiliza
22:39toda essa discussão.
22:41E aí,
22:42a gente fica
22:43tampando o sol
22:43com a peneira.
22:44Aumenta
22:45que o IOF
22:46tenta cobrar
22:47mais imposto
22:48ali do João,
22:50do Francisco,
22:52mas
22:53o carrapato
22:54está ficando
22:55maior que o boi.
22:56A carga
22:57tributária
22:58do Brasil
22:58é uma das maiores
22:59do mundo,
23:01é uma das maiores
23:02entre os países
23:03emergentes.
23:04Não tem como
23:05mais fazer
23:07ajuste fiscal
23:07no Brasil
23:08aumentando o imposto.
23:10Nós temos
23:10que discutir
23:11a qualidade
23:12o gasto público,
23:13temos que discutir
23:15desvinculação
23:15de receita,
23:17saúde,
23:17educação,
23:18está dentro
23:18do mesmo bolo,
23:19o gestor público
23:20tem um pouquinho
23:21de maleabilidade.
23:22Hoje,
23:2395% do orçamento
23:24público
23:25é engessado.
23:26Então,
23:27reflexões como essas,
23:28que são importantes
23:29para o longo prazo
23:30do país,
23:32um cenário
23:33no qual
23:35a eleição
23:36foi antecipada,
23:37eles são
23:38muito pouco feitos
23:39ou sequer
23:40são feitos.
23:42E aí,
23:42a gente acaba
23:43vivendo no Brasil,
23:45onde o crescimento
23:46é um roo de galinha
23:47e quem mais sofre
23:49com isso
23:49é quem mais precisa,
23:51porque a maior
23:52justiça social
23:54que qualquer governante
23:55pode fazer
23:56é fazer com que
23:57o país cresça
23:58de forma sustentável,
24:00porque dessa forma
24:01todos vão ganhar.
24:03Então,
24:04eu olho com muita
24:04preocupação
24:05que a gente esteja
24:06nesse momento
24:07deixando de debater
24:08temas importantíssimos
24:10para o Estado brasileiro.
24:12Rafael Fulente,
24:12e nada melhor
24:13do que uma crise
24:14para você debater
24:14esse tipo de coisa,
24:15porque o Brasil
24:16está vivendo
24:17há muito tempo
24:18com várias crises.
24:19Os últimos,
24:20vamos colocar,
24:2115 anos,
24:2310 anos,
24:24foram de crises
24:24sucessivas.
24:25Tudo bem que fizemos
24:27algumas reformas,
24:28mas, de fato,
24:29a reforma administrativa
24:30que você está defendendo
24:31não saiu do papel.
24:33Tem muito interesse
24:34envolvido
24:35e tem que ter coragem
24:35para enfrentar,
24:36inclusive para enfrentar
24:38o debate.
24:39Fulanete,
24:40sócio da XP,
24:41diretor da Federação
24:41Brasileira de Bancos,
24:43presidente da ANCOR,
24:43que é a Associação Nacional
24:45das Corretoras de Valores
24:46e colunista de Gazeta.
24:48Muito obrigado
24:49pela participação
24:50mais uma vez
24:51aqui no Papo de Valor.
24:52Obrigado
24:52por você ter aceitado
24:53o convite
24:53que eu te fiz.
24:54Precisamos conversar
24:55sobre essa situação
24:57Brasil-Estados Unidos.
24:59Último recado
25:00para o nosso ouvinte,
25:02nosso empreendedor
25:03Capixaba.
25:04Sabe aquilo
25:05que eu falei
25:05da vida do empreendedor
25:07que é você andar
25:08no meio da rua
25:09e cai uma bigorna
25:10na cabeça?
25:11Por isso que a gente
25:11tem que ficar atento
25:12olhando para cima.
25:14Pode ser que essa bigorna
25:15caia no seu pezinho,
25:16não te machuque.
25:18Pode ser.
25:19Mas pense naquilo
25:20que eu falei.
25:21Olha o seu negócio
25:22de forma estratégica.
25:24Como que ele pode
25:25estar blindado
25:25às situações?
25:27Como que a gente
25:27está passando
25:28neste momento?
25:29É um momento
25:30de reflexão,
25:31de olhar para dentro
25:32da casa,
25:32de pensar grande
25:34e jamais existir.
25:36Até porque
25:36esse Estado
25:37do Espírito Santo
25:38foi feito por imigrantes
25:40muito corajosos,
25:41chegaram aqui
25:41com a mão na frente
25:42e o outro atrás
25:43e transformaram
25:44esse Estado
25:44na beleza que é.
25:46Então,
25:46usem isso
25:47como um alerta,
25:49continuem trabalhando,
25:50se informem bastante
25:51e leiam
25:52nossa coluna
25:53na Gazeta.
25:54Foi um prazer
25:54estar contigo,
25:55é sempre bom
25:56aqui contribuir
25:57com o nosso
25:58ouvinte,
25:59o nosso amigo,
26:00o nosso conterrano
26:01no Capixaba.
26:01Valeu,
26:02Fulanete,
26:02muito obrigado,
26:03um grande abraço.
26:04Um abraço,
26:05gente,
26:05tchau,
26:05tchau.
26:06E você,
26:07muito obrigado
26:07por me acompanhar
26:09de novo aqui
26:10no Papo de Valor.
26:11Até a próxima.
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