00:02O tombo é da polenta, mas Venda Nova do Imigrante é também a terra do Socol.
00:09A cidade das Montanhas Capixabas mantém viva a tradição em produzir o famoso embutido,
00:15que por lá conquistou até um selo de indicação geográfica.
00:24Dentro desse território de Venda Nova, várias famílias mantiveram essa forma de fazer o Socol
00:29que veio da Itália e encontraram aqui nessa terra um clima perfeito e os fungos ideais
00:35para propular a casca do Socol.
00:36Então o INPI nos concedeu esse selo de indicação geográfica,
00:40mostrando que aqui tem um produto único e ímpar no mundo, não só no Brasil.
00:45A obtenção do IG para o Socol de Venda Nova envolveu também muita pesquisa,
00:51investimento e esforços em várias frentes.
00:54O SEBRAE desempenhou um papel fundamental ao apoiar os produtores locais durante todo o processo.
01:02Este reconhecimento não só valoriza a cultura local,
01:06mas também promove o turismo e valoriza a gastronomia regional.
01:14O sucesso atual do Socol contrasta com a origem dele.
01:19Há décadas produzindo e trabalhando em prol da divulgação do produto,
01:24Leandro Carnielli, pai de Lourenço, conta que até o nome dado era diferente.
01:28Quem nasce primeiro é o Socol, que é a carne do pescoço do suíno.
01:33Na antiguidade os nobres não queriam essa carne.
01:37Aí a pessoa falou assim, mas eu preciso dar um jeito, eu não posso perder essa carne.
01:41Então ele vai, pega esse produto, envolve na própria pele da barriga do suíno,
01:46ele amarrou direito e pendurou o tempo com o sal e a pimenta.
01:50E olha que ele conseguiu ver que não tinha estragado, porque era com pouco sal.
01:55Ele foi descobrir que os fungos faziam a parte principal.
02:01Curou junto, não deixou estragar.
02:03Diante desse experimento, olha, eu vou fazer todo o filé de lombo,
02:08porque o filé de lombo é grande do suíno.
02:11E a portuguesou, que os nossos nonos falavam assim, ó,
02:15sucói.
02:16Mas que caramba, sucói.
02:18Porque eles não conseguiam falar os colos, né?
02:20Aí, socol vem da palavra de o socolo.
02:25No território do Socol de Venda Nova,
02:28sete produtores carregam a indicação geográfica.
02:34Entre eles, a família Lourençon.
02:38A inspeção do Socol era comparada a um lombo dessecado ou uma copa.
02:43Não existia um produto Socol para ser comparado, ter parâmetros, né?
02:47Não existia isso.
02:48Foi uma forma de proteger a nossa receita, né?
02:53Das pessoas saberem que o verdadeiro Socol,
02:56de onde que saiu, é aqui, de Venda Nova do Imigrante.
03:03O então Tiragosto, surrupiado discretamente da dispensa,
03:07virou o carro-chefe do sítio.
03:09O meu pai, ele roubava os da minha avó,
03:13que a minha avó matava os porquinhos,
03:15aí fazia o socol.
03:17Aí ele roubava os da minha avó para comer com os amigos dele.
03:20De pouco em pouco, os amigos foram falando,
03:23Zé, faz para vender, Zé, vamos comprar seu.
03:26E assim, aos pouquinhos, ele foi fazendo.
03:29Comprou 30 peças, se eu não me engano, na época,
03:32para poder começar a fazer como Tiragosto.
03:35Isso, inclusive, na Itália se perdeu,
03:37porque tinha outras formas já de conservação de carne.
03:40Não tinha mais por que fazer o Socol.
03:48Quem vem aqui no nosso agrotorismo consegue saber como que é,
03:52porque consegue vivenciar a experiência aqui da história.
03:55Mas se você olhar assim, só o pacote,
03:57você fala, meu Deus, a gente sabe o tanto de história
03:59que tem por trás daquilo,
04:01quantas gerações que passaram até chegar na gente, né?
04:12Socol, só de venda nova.
04:14Procura o melhor.
04:16É assim, tem que ter o certificado.
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