00:00Olá, estamos aqui em Pedra Azul, no Pedra Azul Summit, evento da Rede Gazeta.
00:04E ao meu lado, Bruno Funchal, ex-secretário da Fazenda do Espírito Santo,
00:08ex-secretário do Tesouro Nacional e agora à frente da Asset do Bradesco.
00:12Bruno, como é que você viu a fala do presidente Lula ontem sobre o teto,
00:20o teto não, sobre o cumprimento da meta de gasto, que o Haddad queria que fosse zero
00:25e ele já falou que não vai ser zero.
00:26Como é que isso mexe no mercado? Como é que isso mexe na economia?
00:30Óbvio, essa discussão é de meta, é uma das discussões mais relevantes do país
00:34que a gente tem nesse momento, para trazer credibilidade.
00:40Então, quando a gente fala do fiscal, talvez seja um dos maiores desafios nossos,
00:45ele tem que ver, o governo fez um avanço bom em relação ao novo arcabouço,
00:50que substituiu o teto, trouxe um compromisso de meta,
00:54mas para você conseguir ancorar as expectativas de trazer credibilidade,
00:59e isso acaba se refletindo em juros, em menos juros, é preciso seguir o arcabouço.
01:04Quando o presidente fala em mudar a meta, ele já traz um pouco de dúvida em relação ao cumprimento do
01:11arcabouço.
01:12E aquela credibilidade, o grande benefício, um dos grandes benefícios do arcabouço fiscal e da meta,
01:18você começa a se perder.
01:19E quando você perde essa credibilidade, isso vai se refletir em mais juros.
01:24Então, o econômico reflete em mais juros, projetos que antes eram viáveis, passam a ser inviáveis,
01:29você tem menos investimento e você pode comprometer uma parte do crescimento.
01:33Então, assim, em poucas palavras, é que comprometeu o crescimento da economia.
01:37A gente vai ter um crescimento, parece dado já esse ano, de 3 e alguma coisinha,
01:42no início do ano a previsão era até de 1 e 1 em alguma coisa.
01:45Como é que você está vendo para o ano que vem?
01:47Como é que você via até quinta-feira e como é que você passou a ver a partir da fala
01:50do presidente Lula?
01:52A gente pode, vamos pensar de forma estrutural, né?
01:57Muitos do mercado projetavam um crescimento abaixo de 1 para esse ano e está vindo próximo de 3.
02:02Esse erro dos agentes de mercado, de projeção, vem acontecendo há algum tempo.
02:07Acho que é o quarto ano seguido que vem errando muito para baixo.
02:10Ou seja, o mercado fala que é meio, que é 1 e vem 2, 3, 3,5.
02:15E acho que isso é resultado de uma série de reformas.
02:17O Brasil tem, de fato, mudado, tem melhorado institucionalmente.
02:21Cabe a nós continuar com esse avanço.
02:23Então, quando a gente fala da meta, ter a meta e cumprir a meta é um avanço.
02:28Não cumprir prejudica.
02:30A gente estava falando agora de reforma tributária.
02:32Avançar na reforma tributária ajuda.
02:34Então, tudo isso são ações que podem ajudar, tanto para o ano que vem como para os próximos anos, a
02:40crescer.
02:40Então, eu sou otimista nesse sentido.
02:43É seguir num caminho de construção e de reformas.
02:46Para fechar, Bruno, a sua visão...
02:49Você deu um pouco desse tom agora na sua resposta final.
02:52A sua visão sobre a economia brasileira no médio e longo prazo continua sendo, então, otimista?
02:58Eu tenho otimismo, vendo os últimos 25 anos.
03:03Acho que desde o plano real, acho que vem de uma constituição muito positiva de reformas.
03:07Nessa visão de longo prazo, apesar dos ciclos, é positivo, mas não é fácil.
03:11Então, a gente tem que continuar avançando com debates difíceis.
03:13Essa tributária é um debate difícil.
03:15Controle de gastos é outro debate difícil, mas a gente tem que avançar.
03:18E a gente está sujeito também a um ciclo global.
03:21Então, acho que a gente pode começar a entrar num ciclo positivo, apesar do ano com muito ruído.
03:27Acho que a política monetária americana tem dificultado um pouco o nosso avanço.
03:34Mas acho que a gente pode entrar num momento bom quando todo mundo começar a cair juros.
03:38E a gente tem que estar bem posicionado para esse momento.
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