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  • há 4 semanas

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00:01Em março de 2021, início de março, na segunda quinzena de março, teve uma chuva muito forte.
00:10E aí, lá onde ele mora, ele sempre teve enderanças de comunidade, então na parte de baixo do bairro teve
00:19um alagamento.
00:20Então as pessoas perderam as casas, perderam os móveis, enfim, foi uma catástrofe que aconteceu ali embaixo.
00:27E aí meu pai foi ajudar, então ele ajudou braço, com dinheiro, com tempo, foi levar comida, então nesse período
00:37ele contraiu a Covid.
00:41Aí naquela semana ele ajudou, na segunda semana, na segunda-feira, né, que já veio a segunda semana, ele começou
00:49com sintomas, com aquela dor de cabeça, o corpo mais debilitado.
00:55Ficado, um pouco de febre, e ali, naquela semana ele foi piorando.
01:01Aí já na terceira semana, que foi na semana do dia 20, né, do finalzinho ali, a última semana de
01:06março, ele já começou com um sinal de pneumonia.
01:10E aí, aquilo que era pequeno, foi aumentando, aumentando, aumentando.
01:15E aí no dia 24 de março, ele fez uma tomografia, e a gente viu que ele estava com 40
01:21% do pulmão já tomado.
01:22E estava piorando, e nisso ele estava muito, muito, muito cansado.
01:27E aí a gente, minha irmã, mais o meu cunhado, levaram ele para o UPA, da Serra, e ele já
01:33entrou de cadeira de rodas.
01:35Porque ele já não conseguia andar, não estava conseguindo comer, estava...
01:38E naquele momento, também tinha um grande pânico, né, então quando você já desconfiava que você estava de Covid,
01:45que demorou ainda sair o teste dele, que era difícil também de fazer teste, você já ficava com o seu
01:50psicológico muito abalado.
01:51E nesse momento, ele que sempre foi muito forte, teve essa queda, né, essa preocupação.
01:57E aí eu acho que juntou tudo, ele meio que desmoronou.
02:00E aí naquela quarta-feira, dia 24 de março, eu acho, ele internou no UPA, a minha irmã deixou ele
02:08lá, já sabendo que a situação dele não era boa.
02:11E aí na madrugada de quinta-feira, ele já foi entubado.
02:15Minha irmã deixou ele lá, veio para casa, ele foi entubado ali.
02:18E aí quando a gente chegou na... quando ela chegou lá na quinta-feira, ela já soube que ele tinha
02:22sido entubado,
02:23e que ele precisava de uma UTI urgente.
02:25Não tinha UTI, inclusive tinham outras pessoas do bairro também internadas ali naquela UPA,
02:31que veio a óbito, inclusive.
02:34E a gente ficou naquela luta esperando por uma vaga, né, e surgiu essa vaga.
02:40Ele internou na quarta, na quinta foi entubado no UPA, na sexta, nas três horas da manhã da sexta-feira,
02:46ele conseguiu chegar no Jaime, ficou aqui no quinto andar.
02:51E aí ele já veio entubado, inconsciente, e assim ele permaneceu por um tempo.
03:00Como eu falei assim, tinha um pânico muito grande, né, a gente não esperava, sempre via ele muito forte,
03:11e naquele momento eu achava que se ele chegasse a contrair a doença, eu jurava, jurava que ele...
03:18Eu falava pra ele, falava, pai, cuidado, porque a mamãe é mais frágil, então se você pega, você vai ficar
03:23bem,
03:23mas a mamãe pode não aguentar.
03:25E ele falava, não, não tem medo não, vai dar tudo certo.
03:28E ele também sempre muito confiante.
03:29Então quando eu vi que ele entubou, que ele precisou de UTI, ali eu já entrei em pânico.
03:34Ali eu já não conseguia mais fazer nada, a não ser chorar, né,
03:37Então já entrei em pânico porque parecia que era uma sentença, né,
03:42de algo que de repente tudo desmoronou, tudo acabou.
03:45Então foi esse sentimento assim de pânico, de caos.
03:51E aí ele ficou aqui no quinto andar entubado por uns dois meses.
03:55Ele entrou em março e ele só desceu quando ele começou a melhorar mesmo, um pouco mais, em junho.
04:03Então no início de junho ele desceu, aí ele já desceu já tirando um pouco daquele sedativo, né.
04:08Porque no começo, enquanto ele estava, ele permaneceu por muito tempo, ainda uns quatro meses entubado,
04:15até tirar e começar o processo do desmame, né.
04:18Mas os primeiros dois meses que ele ficou no quinto andar aqui do Jaime,
04:21ele ficou totalmente entubado e tinha muita sedação.
04:24Tomava muita sedação, porque ele brigava muito com o ventilador.
04:27Então era o momento de ele deixar o pulmão dele descansar e o ventilador trabalhar por ele, mas ele não
04:34deixava.
04:35E aí eles tinham que dar muita sedação pra ele.
04:37Quando ele desceu no início de junho, aí ele já saiu, já tirou um pouco da sedação.
04:43Mas em compensação também ele estava completamente paralisado.
04:46Então ele não tinha nenhum reflexo de espirro, de tosse.
04:49Então ele continuou ainda entubado, já com tracheostomia.
04:54E aí ele só foi mesmo tirar a tracheostomia em agosto.
04:59Que aí ele começou a comer comida, conseguiu tirar a tracheostomia, ficou no BIPAP,
05:06ficou no oxigênio pelo nariz.
05:09E aí, enfim, no final de agosto que isso aconteceu.
05:13E aí em setembro ele teve alta daquilo Jaime.
05:15Você teve acesso a UTI, né?
05:18Tive.
05:19Em todas as UTIs.
05:20Você lembra da primeira vez que você viu o seu pai?
05:24Você teve estudo?
05:26Você comentou com o meu outro meio lixado?
05:29Você lembra da sensação que você teve?
05:32Lembro.
05:34Eu entrei na UTI e antes de...
05:38Era reto e tinha um cantinho.
05:42Quando eu entrei eu já vi aquele cenário de guerra, né?
05:45Muita gente entubada, sedada, muitas pessoas.
05:48E aí a enfermeira me parou e falou assim,
05:50seu pai não está se entregando a sedação.
05:54Então você vai ver ele com algodão nos olhos.
05:57E aí quando você vê alguém com algodão nos olhos, remete muito à morte, né?
06:01Então ali eu levei um choque.
06:03Porque ele já estava 40 dias sem ver, sem ouvir a voz, né?
06:08Sem falar, sem saber direito como que estava.
06:11E aí quando eu entrei, que eu vi ele com o algodão, eu tive um choque muito grande.
06:16Eu só lembro de pensar que eu não podia desmaiar porque eu tinha medo de cair em cima dele e
06:19piorar.
06:20Então eu falava, se controla comigo mesmo.
06:22Se controla, você não pode desmaiar aqui.
06:25E aí eu tentei me segurar, me segurar, me segurar muito.
06:28Mas uma enfermeira insistiu para eu ter uma interação com ele também na época.
06:32E aí eu falei, ele está completamente sedado, ele vai me escutar.
06:37E ela falou, conversa com ele.
06:39Aí quando eu conversei com ele, ele mexeu os olhos.
06:44Aí eu falei assim, olha, eu fiquei desesperada, né?
06:46Falei assim, ele tem que estar sedado, ele não está sedado, ele está se mexendo.
06:50E aí ela tirou a bandana ali, ele tentou olhar para mim, mas ele também não se mexia.
06:55Tentou olhar para mim, eu conversei com ele.
06:56Mas assim, foi tão chocante, foi tão surreal, que eu não aguentei.
07:03Eu desmaiei, mas eu me joguei para trás e desmaiei na UTI.
07:09Realmente foi...
07:10Eu nunca imaginei ver meu pai nessa situação.
07:13Nunca imaginei.
07:18No começo, quando ele chegou aqui, no início de março, ele era grave, mas ele não era o mais grave.
07:27Mas com uma semana, ele já se tornou mais grave da UTI.
07:32E aí a gente não podia chegar perto, a gente não podia falar.
07:35Houveram vários momentos que a conversa era de...
07:38Fica atenta no telefone, porque possivelmente ele vai entrar em óbito, ele vai morrer.
07:46E aí a gente ia para casa, ficava horrorizado, esperando uma ligação.
07:53Nada mais, não conseguia fazer nada mais, além de esperar uma ligação no hospital.
07:59Então, foram os piores dias da minha vida.
08:02Foram os piores dias da minha vida.
08:06E aí, tinha dias, né, a UTI...
08:09O médico sempre falou com a gente, né, na UTI nada se mantém.
08:14Sempre tem uma alteração.
08:16Nunca é igual.
08:18Todo dia é diferente.
08:19Então, tinha dia que a gente saía daqui que ele estava bem se recuperando e tinha dia que ele caía
08:23muito.
08:24Então, era essa oscilação, assim, de quadro, deixou a gente bem desorientado, sabe?
08:34Não saber também, né, meu Deus, o que vai acontecer amanhã quando eu chegar lá?
08:37Será que ele vai estar vivo?
08:39Será que ele vai estar vivo ainda quando eu chegar lá?
08:41E aí, quando, às vezes, precisava fazer algum procedimento, né, ele teve...
08:45Não podia se mexer, então teve escara.
08:49Escara na sacral, teve exposição óssea, teve morte de osso, né, osteonecrose.
08:55Então, esporadicamente, ele tinha que descer para o centro cirúrgico para fazer uma raspagem, para tirar tecido necrosado.
09:01Então, o hospital ligava.
09:02A gente não esperava, o hospital ligava, a gente pronto.
09:07Morreu.
09:07Então, a gente já atendia o telefone, assim, mudo, calado, já esperando o pior, sabe?
09:12E aí, cada dia que...
09:16Por mais que ele estivesse ruim, mas saber que ele estava vivo, a gente falava assim...
09:21Ele está tentando, ele quer voltar.
09:23Então, vamos continuar aqui emanando força para ele.
09:26Então, assim, em todos os momentos, era sempre muito presente.
09:31Não tinha um dia que a gente não via no hospital.
09:33Não tinha um dia que a gente não via no hospital.
09:35Não tinha um dia que a gente não tentava contato com o médico.
09:37E aí, por isso que esse vínculo que a gente teve com as técnicas, né, com a Cris, com as
09:46outras pessoas, com a Michelle, enfim, com outras pessoas também que nos ajudaram,
09:49foi muito importante.
09:51Porque quando a gente, por alguma situação, não conseguia ter informações, a gente conseguia trombar com elas e saber...
10:01Não, ele está bem, está vivo, está aqui.
10:03Aí, a gente já respirava de novo.
10:06Porque enquanto...
10:07Foi um trato, né?
10:08Enquanto ele estiver lá, a gente não vai perder a esperança.
10:11E isso que nos manteve vivo.
10:14Vou até te dizer isso, assim, foi essa esperança que manteve a gente vivo mesmo.
10:17Porque eu apoio, né, tanto da minha mãe, do meu irmão, da minha irmã, todo mundo, um apoiando o outro.
10:24Porque foi a maior angústia da minha vida.
10:29A maior angústia da minha vida.
10:31Enquanto você estava vendo essa angústia, seu pai estava lutando pela vida dele.
10:36Você falou que você teve sonhos, seu João, quando eu estava estudado?
10:40Fala um pouquinho.
10:41Não entendi.
10:42Você teve sonhos?
10:43Você estava contando os seus sonhos?
10:44Sonhos, sonhos, muitos sonhos.
10:44O que você sonhou?
10:45Eu vivi o outro lado da vida, né?
10:48Na realidade, eu vivi o outro lado da vida.
10:50Eu vivi com outras pessoas, eu vivi fora do Brasil.
10:54Eu, para mim, eu estava internado em São Paulo, ao mesmo tempo eu estava numa cidade fora do Brasil,
11:02Eu sonhei que eu estava até voando, tipo um disco voador, e eles falaram que ele ia cair e eu
11:07soltei antes dele cair.
11:11Minha perna, eu acho que quando eles mexiam de machucado que tinha em mim, eu sonhei que eu estava perdendo
11:16uma perna, entendeu?
11:17Por causa do salto que eu tive, foi muito sonho.
11:20O sonho que eu falei, que eu estava no mato, eu sonhei comigo andando, andarindo, entendeu?
11:26Me conto um pouco mais, você não vai cair.
11:29E aqui eu via, às vezes eu aparecia com o hospital que eu estava, eu estava próximo a uma rodoviária
11:38e via gente, amigo meu, descer e subir e ir embora, parece que trabalhava fora do Brasil e chegava, né?
11:47E eu querendo que eles me vissem, querendo chamar, mas não tinha voz, né? Não tinha voz.
11:52Eu falei, se eu falasse, ia ser tão bom, vai ser tão fácil para mim, mas eu não falava, né?
11:58Então aquilo ali foi um sacrifício para mim, foi muito difícil, mas superei, dei a volta por cima daquilo tudo,
12:08né?
12:09E aí eu venho melhorando cada vez mais, cada vez mais, e chegava gente no hospital que me conhecia, que
12:16é muita gente que trabalha e que a gente tem um convívio lá fora, né?
12:21E chegava todo mundo encapado ali, você não conhecia ninguém, só o rosto, ou aliás, só o olho, né?
12:27E aí eu pedia para tirar...
12:36Aqui parece que eu tinha na minha frente um óculos dos mais fortes que existiam, parecia que eu estava assim,
12:44aquilo estava tudo muito longe, tudo muito difícil de eu enxergar.
12:49Sonhei muito com as minhas meninas, com a família e...
12:55Para mim não foi fácil não, foi mais sonho ruim do que bom.
13:00Mas o bom superou, ajudou eu a superar essa vida que está aí de novo, nesse milagre vivo, então é
13:08aquilo que eu falei, só gratidão mesmo.
13:11Aquilo que eu falei para você também, que eu vi o médico no jornal de vocês falando que quem tem
13:15fé ajuda a sua cura.
13:18E eu acredito, ali eu consegui botar mais fé.
13:21Mas eu já sou de uma pessoa, de uma família bem religiosa, né?
13:25Então eu...
13:27Tanto que quando ele acordou mesmo, em junho, ele ainda estava para customizado, né?
13:32Então ele não conseguia conversar muito.
13:35E a gente sempre vinha, insistia muito para entrar na UTI.
13:38A gente já era chata nisso.
13:41E aí a gente conversava com ele, né?
13:45Tentava explicar, e eu perguntava, pai, você sabe por que você está aqui?
13:47Sabe onde você está?
13:48E ele só fazia que não.
13:50E aí a gente foi situando ele, né?
13:52Explicando que ele tinha pego Covid, que ele estava no hospital, que ele estava no Jaime,
13:58aonde que era o Jaime, quem eram as pessoas que estavam com ele,
14:01que ele estava indo muito bem, que era para ele continuar do jeito que ele estava,
14:06continuar forte, a gente estava esperando ele voltar para casa,
14:09que ele podia voltar do jeito que ele pudesse.
14:13Falava, pai, você pode voltar do jeito que você puder, você volta.
14:17O que você precisar, a gente vai fazer.
14:20E aí a gente fez isso.
14:22A gente construiu, na parte de baixo da casa, um quarto com banheiro,
14:27porque não tinha como levar ele para o segundo andar, para ele conseguir ver a rua,
14:30porque se ficar um dia sem ver a rua, passar mal,
14:34então a gente fez isso.
14:36E aí a gente conseguiu levar ele para casa,
14:38foi totalmente paralisado, sem nenhuma força,
14:43e a gente dava banho, levava para o banheiro, dava comida na boca,
14:46a gente entupiu ele de comida.
14:48Tudo que ele comia, que ele ficou meses sem comer, a gente deu.
14:52E a gente deu todo o suporte.
14:54Mas assim, em todo momento, acho que isso de fato é importante, sabe?
14:58Em todo momento levar essa positividade, né?
15:00De que está dando certo, continua.
15:03Você tem total apoio aqui, quando você voltar.
15:06E aí eu vou para casa e só mimamos ele até ele conseguir se reerguer.
15:25Mostrou, acho que mostrou para mim que a vida é muito instável.
15:32E que a gente tem que aproveitar as pessoas e o que é bom agora.
15:38Amanhã pode não dar tempo mais.
15:41Por mais que você pense que tem tempo, talvez você não tenha.
15:47Então acho que valorizar mais as pessoas,
15:50valorizar as pessoas que te trazem coisas positivas,
15:54que te apoiam, que estão do seu lado,
15:58é importante, sabe?
16:00Então acho que é isso, assim.
16:02É viver cada dia e aproveitar.
16:04E eu falo muito isso com ele.
16:05Eu falo, para de trabalhar um pouco.
16:06Vai sair, vai aproveitar a sua vida,
16:09sua segunda chance.
16:10Aproveita que você está aqui.
16:14Sai, brinca, se diverte.
16:17Com consciência, com responsabilidade.
16:20Porque a vida, de fato, é passageira.
16:23É isso ou não?
16:24Não, com certeza, sem dúvida.
16:26A gente tem que...
16:28Aquilo que eu falei, o que pode fazer hoje não deixa para amanhã.
16:31Amanhã é outro dia, né?
16:32Só Deus permite que amanhã a gente pode comunicar um ao outro.
16:37Mas no meu sonho também,
16:38Deus pediu para mim fazer mais do que eu faço, entendeu?
16:41Eu já gosto de fazer o bem.
16:43Eu só pratico o bem.
16:45E eu tenho um trabalho que agora deu uma reduzida.
16:48Mas eu entrava em 1.200 casas por mês.
16:52E você vê muita gente que precisa.
16:55Que precisa.
16:56Então, no meu sonho,
16:58Deus pediu que eu faça isso mais e mais.
17:00E eu estou lutando para isso acontecer.
17:03E o que eu posso fazer,
17:04eu faço aquilo que eu falei lá atrás.
17:08Fazer.
17:09É melhor você puder fazer
17:11e ter para fazer do que está recebendo, entendeu?
17:13E fazer com amor.
17:15Tudo que for fazer, faz com amor.
17:16Não deixa fazer por obrigação, não.
17:19Sente, Deus vai tocar para fazer.
17:22Então, é isso.
17:25No meu sonho, tudo isso aconteceu também.
17:27Eu entrei em muitos lugares
17:28que tinha muita gente idoso precisando de ajuda.
17:32E eu tenho encontrado, né?
17:34Mas é tipo uma área que for só para idoso mesmo, né?
17:37Gente que, às vezes, não tem como um locomover da cama
17:40para pegar alguma coisa.
17:42Eu achava que eu ia ficar acamado
17:44e tinha que ter as coisas tudo pendurado
17:47para me puxar, para me beber, para me comer.
17:51Eu achava que eu já tinha um quarto em casa,
17:53tipo um quarto de enfermaria, né?
17:56Então, tudo isso foi sonho meu.
17:59E se eu for contar, vai vir a noite toda aqui.
18:02Porque foi seis meses e os seis meses
18:05foi praticamente...
18:06Quando eu acordei, quando eu estava acordado, legal, né?
18:10Estava vendo gente chegar, sair, troca de turno.
18:13Mas quando eu estava dormindo, eu vivi só sonhando.
18:16Viajando.
18:23Sempre.
18:25Antes, não muito.
18:26Mas depois da Covid, mais, assim.
18:29Você sempre fala pra ele, por exemplo, eu te amo, pai?
18:31Sempre.
18:32Falou hoje.
18:33Eu te amo.
18:35Eu também.
18:36É a minha vida, né?
18:37É a minha vida, é a minha família, né?
18:39É a minha vida, é a minha família.
18:41Acho que é por isso que eu estou aqui de volta.
18:44Obrigado por tudo que vocês estão falando.
18:46Obrigado por mim.
18:49Nós estamos aí tudo junto de novo, né?
18:51Valorizando cada minuto da nossa vida.
18:54Isso é muito importante, né?
18:56É.
18:56A gente está dando um bom dia de manhã, né?
18:59Está cada um no bairro, mas a gente não esquece de estar comunicando.
19:03Eu sinto vontade de ir, pego o carro à noite e vou pra lá.
19:06Depois de oito horas, nove horas, eu estou visitando a casa de uma e de outra.
19:10Isso pra mim é muito gratificante.
19:13Fico muito feliz.
19:14Tá bom?
19:15É, Júlia.
19:20É muito gratificante.
19:24Ixi, isso aí é um chulézinho.
19:27Desgruda não.
19:29Domingo eu estava lá, lá de casa.
19:31Dá um abraço, meu pai.
19:33Te amo também.
19:35Obrigado por tudo que fez por mim, que contribuiu, né?
19:40E o pessoal do Júlia, tá bom?
19:43Que atendeu muito vocês.
19:46Obrigado por tudo.
19:47Que Deus abençoa.
19:48E vamos continuar essa parceria de pai, filho, família.
19:52Isso pra mim é a coisa mais importante.
19:53O que mais eu queria era uma família apegada desse jeito.
19:56E agora eu vi que, além do que eu queria, Deus me deu.
20:02Pessoal que brigou, chorou, chorou, chorou e pediu.
20:06E Deus ouviu.
20:07Os pedidos, aquilo que eu falei, esticou, né?
20:09Eu acho que Deus não aguentou tanto o pedido chegar nele.
20:13Eu também acho.
20:13Deixa eu voltar com esse homem logo.
20:15Porque senão não vou ficar em paz, não.
20:18Não vou ficar quieto, não.
20:19E é isso.
20:20Só tenho que agradecer mesmo.
20:21Obrigado por tudo, tá bom?
20:22Pra você, pra você, pra esposa.
20:26O Ricardo, meu filho.
20:28Um abraço pra todo mundo.
20:29Deus abençoa.
20:31Forte abraço de coração.
20:33Obrigado.
20:34Acho que, de fato, ter a família unida faz muita diferença.
20:36Porque o dia que uma não aguentava, a outra segurava as pontas.
20:41E aí, acho que se eu não tivesse ela, ou se eu não existisse na vida dela também,
20:46a gente não ia aguentar, não.
20:47Fala um pouquinho.
20:48Se você pudesse dar uma mensagem, seu pai se não diria pra um momento das famílias que perderam as pessoas.
20:56Para as famílias que perderam as pessoas?
20:59Você falaria que você não te perderam as pessoas.
21:03É difícil.
21:04Ele faz umas perguntas difíceis, né?
21:09Muito filosófico.
21:11Eu diria que...
21:14Eu conheci muitas pessoas aqui, né?
21:16Então, assim, eu criei vínculos.
21:17Tem pessoas que eu tenho contato até hoje.
21:19E que, infelizmente, faleceram.
21:23Então, assim, eu diria pra não perder a fé na vida.
21:26Pra continuar vivendo.
21:29Tô pensando em pessoa específica, então...
21:32Eu diria pra essas pessoas pra não perderem fé na vida.
21:36Pra continuar vivendo.
21:38Pra encontrar novos sentidos.
21:40Pra encontrar novos amores.
21:41Pra encontrar pessoas que agreguem, né?
21:47Se cuidar, né?
21:48Enfim, fazer o que gosta.
21:50Pra que consiga suportar essa falta.
21:54Porque, olhando pra trás, se meu pai tivesse morrido,
21:59eu...
22:00Eu não sei, assim, o que...
22:04O que teria sido de mim, o que teria sido da minha família.
22:09Então, se...
22:12Desculpa.
22:14Fala pra ela.
22:15Ela fala, não.
22:15Ela fala.
22:24Calma.
22:25Tudo bem.
22:28Mas eu acho que é isso, assim, mesmo, sabe?
22:30Pode?
22:31Eu queria pegar esse gancho aí, diferente, um pouquinho.
22:35Levar pra mais família.
22:37Que teve um caso igual o meu, né?
22:39Que é um amigo, um parente.
22:42Que, às vezes, tá de cabeça baixa, né?
22:44Igual eu tive uma enfermeira que fez tratamento comigo em casa.
22:47Eu ouvi ela falando com a família.
22:48A maioria que eu tô cuidando,
22:50pegou Covid, estão com depressão.
22:52E eu não deixei ela chegar em mim.
22:54Então, eu sou muito preparado.
22:55Os problemas que chegam até mim,
22:57eu atropelar ele.
22:58Eu ser maior do que ele.
22:58E eu consegui ser, até aqui dentro do Jaime, né?
23:01Que eu fiquei seis meses.
23:02E der essa volta por cima, né?
23:04E que eles confiam no taco deles e da família.
23:09Tem que ter força de vontade de gente, né?
23:11Eu tenho um ali que cobrou muito de mim isso aí.
23:14E é a crise, né?
23:16Então, é o seguinte.
23:17Em casa eu não fui diferente, né?
23:19Então, eu quero que isso aí chegue mais pessoas.
23:22Que, às vezes, tá ali de cabeça baixa.
23:23Que tá com depressão.
23:25Não consegue trabalhar.
23:27Ou foi pro lado errado, né?
23:29Que volte.
23:30Vai pra real que ele tinha antes, né?
23:31Continua de pé, porque eu tô bem.
23:34E já tô na rua ajudando muita gente.
23:36Muita gente.
23:37Já ajudei minha comunidade.
23:39Já ajudei a minha família.
23:42Dê a volta por cima.
23:44Quando diz o outro.
23:45Sou novinho de novo.
23:47Sou novinho de novo.
23:49Preparado.
23:50Só gratidão.
23:52Só gratidão.
23:53Levanta a cabeça.
23:55E vamos agradecer.
23:57E vamos viver.
23:57Vamos viver a vida, né?
23:59Sou muito feliz.
24:02Vou fazer a palavra.
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