00:00A Cúpula da Amazônia, convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
00:03chegou ao final nesta quarta-feira.
00:05Ela vinha sendo tratada como um palco para projetar ao mundo
00:08a liderança do presidente brasileiro na área ambiental.
00:10Mas apesar de o governo brasileiro ter conseguido reunir líderes
00:13dos oito países da região, o evento terminou alvo de alguns poucos elogios
00:17e muitas críticas de ambientalistas e movimentos sociais.
00:20Isso aconteceu porque, apesar de os países terem conseguido
00:23algum consenso em determinados assuntos,
00:25eles não conseguiram chegar a acordos em torno de dois pontos considerados cruciais.
00:30Uma meta comum de desmatamento zero para os países da Amazônia
00:33e o fim da exploração de petróleo na região amazônica.
00:36Eu sou o Leandro Prazeres, correspondente da BBC News Brasil
00:39e vim aqui para Belém, capital do estado do Pará, para acompanhar essa cúpula.
00:43Neste vídeo eu vou mostrar em três pontos como o evento criado
00:46para ampliar a influência de Lula na área ambiental
00:48acabou alvo de críticas de ambientalistas.
00:50A Cúpula da Amazônia foi idealizada por Lula
00:52antes mesmo de ele assumir o seu terceiro mandato.
00:55O evento que aconteceu nesta semana tinha o objetivo de reunir
00:58os chefes de estado de oito países da região amazônica.
01:01No final, apenas quatro deles vieram pessoalmente.
01:04Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia.
01:06Nas semanas que antecederam o evento, havia a expectativa de que durante a reunião
01:10os países conseguissem formar uma espécie de bloco coeso
01:13para participar de negociações internacionais na área ambiental,
01:16como a 28ª Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP28,
01:20que vai acontecer no final do ano nos Emirados Árabes Unidos.
01:23As Conferências do Clima são eventos que acontecem anualmente
01:26em que países do mundo inteiro tentam chegar a acordos
01:29para reduzir a velocidade do processo de mudança climática
01:32produzida pela ação humana.
01:34O próprio presidente Lula chegou a falar em entrevistas
01:36que queria uma posição única dos países da região.
01:39Aqui a ideia básica é a gente sair daqui preparado
01:42para, de forma unificada, todos os países que têm floresta
01:47ter uma posição comum nos Emirados Árabes, na COP28,
01:52e a gente mudar a discussão.
01:55Especialistas com quem eu conversei disseram que a expectativa com o evento
01:58era de que Lula conseguisse cacifar o Brasil
02:00como uma espécie de porta-voz informal dos países ricos em florestas tropicais.
02:05Olha o que o secretário-executivo da ONG, Observatório do Clima,
02:08Márcio Astrine, me disse.
02:09Abre aspas.
02:11A novidade deste novo governo Lula é que houve um entendimento
02:14de que a pauta ambiental é aquela na qual o Brasil consegue falar mais alto.
02:18Fecha aspas.
02:19Ao fim da cúpula, os países da região amazônica
02:21divulgaram uma declaração com mais de 100 parágrafos,
02:24com uma série de compromissos na área ambiental como
02:26a criação de uma espécie de painel científico amazônico sobre mudanças climáticas,
02:31o estabelecimento de uma aliança para o combate ao desmatamento,
02:34a criação de um centro de combate a crimes ambientais.
02:37Um dos principais pontos do acordo no grupo
02:39foi a cobrança de aproximadamente 100 bilhões de dólares
02:42que os países ricos prometeram em 2015 como parte do Acordo de Paris.
02:46Mas, apesar disso, a posição unificada esperada por Lula
02:49não veio em pontos considerados importantes pelos ambientalistas.
02:52O estabelecimento de metas comuns para o desmatamento zero
02:55e a exploração de petróleo na Amazônia.
02:57São esses também os pontos que geraram mais críticas dos ambientalistas,
03:01como a gente vai ver agora.
03:02Um dos pontos que mais causou frustração entre os ambientalistas
03:05foi o fato de que a declaração final da cúpula
03:07não trouxe nenhum tipo de compromisso concreto
03:09para que todos os países da região
03:11chegassem a uma meta comum de desmatamento zero na Amazônia.
03:14Países como o Brasil e a Colômbia
03:16têm a meta de zerar o desmatamento na região até 2030
03:19e havia a expectativa de que os demais países da região
03:22pudessem aderir a esse objetivo,
03:24mas a esperada meta conjunta não saiu.
03:26No lugar desse compromisso,
03:28os países prometeram promover o combate ao desmatamento,
03:30mas reconhecendo as metas nacionais estabelecidas por cada país.
03:34Funcionários do governo brasileiro com quem eu conversei aqui em Belém
03:37disseram que os países como Bolívia e Guiana
03:40teriam feito pressão para que a declaração não estabelecesse uma meta comum
03:43para todas as nações da região.
03:45E ambientalistas criticaram a ausência da meta comum.
03:48Em nota, o WWF elogiou o fato de que a declaração
03:51reconhece o risco de a Amazônia chegar ao ponto de não retorno.
03:54Por outro lado, o diretor executivo da ONG,
03:57Maurício Voivodic, criticou o posicionamento em relação ao desmatamento.
04:01Olha o que diz um trecho da nota, abre aspas.
04:03É necessário que se adotem medidas concretas, robustas,
04:06que sejam capazes de eliminar o desmatamento o mais rápido possível, fecha aspas.
04:11Eu perguntei ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira,
04:14se a falta de uma meta comum não atrapalhava o objetivo do Brasil
04:17de que os países da região chegassem à COP28 unidos.
04:20Olha o que ele me respondeu.
04:22Não vai separar a região e houve acordo no final,
04:25houve entendimento sobre essa questão de desmatamento.
04:29O Márcio Astrine, do Observatório do Clima,
04:32também lamentou a falta de uma meta comum.
04:34Ele disse, abre aspas,
04:36a meta de desmatamento zero colocaria esse documento em outro nível,
04:40mas isso não aconteceu.
04:41A explicação para isso é que temos países vivendo momentos políticos diferentes.
04:45O Brasil é um grande produtor global de commodities
04:47e assumir uma meta como essa tem impacto nos negócios do país lá fora.
04:51Com outros países, as pressões são diferentes, fecha aspas.
04:55Nos dias que antecederam a cúpula,
04:56movimentos sociais fizeram manifestações pedindo o fim das práticas,
04:59da exploração de petróleo na Amazônia
05:00e a redução global da utilização de combustíveis fósseis.
05:03Eles são apontados como os principais responsáveis
05:05pelas emissões de gases do efeito estufa
05:07que causam as mudanças climáticas.
05:09Apesar da tentativa do governo brasileiro
05:11enfocar a declaração da cúpula no aspecto florestal,
05:14a exploração de petróleo na Amazônia
05:15acabou incluída no documento assinado pelos países.
05:18Nesse documento, os países dizem que vão, abre aspas,
05:21iniciaram um diálogo entre os estados-partes
05:23para a sustentabilidade de setores tais como
05:25a mineração e hidrocarbonetos na região amazônica, fecha aspas.
05:30Para ambientalistas, no entanto, os termos da declaração foram insuficientes.
05:33O tema é delicado para os países ricos em reservas de petróleo,
05:36como Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e Equador.
05:40Do outro lado, a Colômbia vem defendendo o fim da exploração de petróleo na Amazônia.
05:43Em seu discurso durante a cúpula, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro,
05:47voltou a criticar a atividade.
05:48Ele chamou as apostas em novas fontes de combustíveis fósseis de negacionismo.
05:53As direitas têm essa fonte de escape muito fácil através do negacionismo,
06:00através de negar a ciência.
06:02E para os progressistas é muito difícil.
06:05Então isso gera outros tipos de negacionismo,
06:09que é, vamos postergar as decisões.
06:12O ministro Mauro Vieira evitou criticar a declaração do presidente colombiano.
06:16Olha o que ele disse ao ser questionado sobre o assunto.
06:18Nós não temos uma posição diferente.
06:21A posição é convergente e cada país terá que seguir um ritmo e um passo que tiver ao seu alcance.
06:29Há muitos países do mundo em que ainda tem uma matriz energética
06:33totalmente dependente do carvão e de combustíveis fósseis.
06:39A ONG Greenpeace criticou a falta de compromisso comum dos países em torno do petróleo.
06:44Isso é o que diz a nota da organização.
06:46Abre aspas.
06:47Fato é que o Brasil e os demais países perderam uma chance de colocar em prática
06:51ações que respondam à altura aos alertas da ciência.
06:55A queima de combustíveis fósseis é responsável pelo agravamento da crise climática.
06:59Fecha aspas.
07:00Bom, eu vou ficando por aqui.
07:02Espero que vocês tenham gostado do vídeo.
07:03Não se esqueçam de dar o seu like e deixar os comentários por aqui.
07:06E continuem acompanhando a nossa cobertura aqui no YouTube,
07:09nas redes sociais e no site bbcbrasil.com.
07:12Obrigado e até mais.
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