Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 semanas
Ebis Grossmann, 74 anos, é uma das ex-pacientes da Colônia de Itanhenga, uma “cidade” construída em Cariacica para internar compulsoriamente pessoas diagnosticadas com hanseníase no Espírito Santo.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Vem dormir, vem. Vem cá, vem cá dormir. Vem cá, não há tanto tempo. Vem dormir, vem. Vem.
00:13Eu cheguei, logo eu melhorei, casei, tive a primeira filha, depois tive a segunda.
00:21Aí eu já estava bem, aí comecei a trabalhar na Folha de Prasterapia.
00:26Trabalhei 13 anos e era serviço, tá? Era serviço de escravo e não ganhava praticamente nada.
00:36Era 25% de um salário.
00:42Todo mundo tinha preconceito, né? De chegar perto, de a gente passar perto das pessoas.
00:49As pessoas se afastavam. Na igreja, tinha o banco só da igreja, só pra nós.
00:56A água, a gente tinha que levar a canequinha de casa, pra tomar água na igreja, porque não podia usar
01:03a mesma caneca dos outros.
01:06E na escola era a mesma coisa, era tudo separadinho.
01:21Eu internei no tempo do compulsório.
01:24Era experiência de remédio, da cava na gente, o remédio era obrigado a tomar, dava um efeito colesterol, quase morria.
01:32Morria, mas tinha que tomar, e a separação mesmo.
01:39Muita gente muito de lado, né? Sem mão, sem pena.
01:43Eu achava que a doença deles não era a mesma da minha.
01:46Então eu tinha medo.
01:49Casamento, tinha que casar ali, porque não tinha, não podia namorar outro rapaz, que não fosse interno.
01:58Tinha que casar ali, pra poder, né?
02:04Às vezes, melhorar, né?
02:05A situação, sair.
02:07Eu casei, tive duas filhas, e elas foram por isso que andaram.
02:12Depois de um ano, eles traziam até no portão, porque o portão era fechado.
02:18A gente via pelo portão, elas de um lado e a gente do outro.
02:21Era tanta criança que vinha, eu não sabia qual que era a minha.
02:26Eles pegavam a criança e levantavam, quem é mãe de fulano?
02:31Aí, quem que é mãe de fulano?
02:33Aí, a gente sabia o nome, que a gente tinha dado o nome, né?
02:36Tinha certidão, tinha tudo, né?
02:43No dia 12, era dia das mães.
02:46Aí, eles tinham liberado elas pra vir passar o dia das mães comigo,
02:50porque eu já não tava mais dentro do hospital.
02:53Eu já tava aqui.
02:55Então, quando foi no dia das mães, elas vieram, já vieram, não falavam nada comigo, não.
03:02Então, já vieram com as roupinhas, bolsa de roupa, trouxeram.
03:06Eles trouxeram aqui e falaram, ó, elas vão ficar, não vão voltar mais.
03:09E qual que foi pra senhora?
03:11O maior presente.
03:16Esperou muito por esse momento, né?
03:19Sete anos.
03:24Os discípulos aproximaram-se e acordaram, dizendo,
03:28Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo.
03:34Muita gente nova que morreu, porque os hospitais não aceitavam.
03:40Lá fora.
03:42Fazia o tratamento que tinha condições aqui, né?
03:45O que não tinha, não ia.
03:47Mas, eu sobrevivi.
03:51Tô aqui.

Recomendado