00:00Senhor Edalmo, o que te levou a vir para a rua para poder pedir o que comer, a ajuda de
00:08outras pessoas?
00:09Tá bom, eu venho pedir serviço, mas a situação está feia lá no barraco.
00:14E eu tenho que estar pedindo ajuda de comida também, ou serviço, não tem ideia.
00:18Eu não posso estar comprando também, eu faço qualquer coisa.
00:22O senhor está desempregado?
00:24Está há oito meses já.
00:25E o que o senhor tem pedido aqui nas ruas?
00:28Serviço.
00:30Serviço, alimento para mim, meus filhotes.
00:32O senhor tem filhos?
00:33Tem cinco.
00:34O senhor estava emocionado, agora há pouco. Por que o senhor se emocionou?
00:40Vendo a situação passar, eu acho que ele é duro.
00:44A situação está boa.
00:46Qual a profissão do senhor?
00:48Pintor.
00:49E o senhor trabalhava com emprego fixo?
00:52Trabalhava.
00:54E o senhor...
00:55Pintura não, na pintura não. Na pintura eu fazia bico.
00:58Mas é direto o serviço.
01:00E o senhor tem conseguido trabalhar de forma autônoma, ultimamente?
01:06Conseguido alguns trabalhos temporários?
01:08Ultimamente eu não estou tendo, não.
01:11E a situação realmente está difícil, meu Dalmo?
01:13Está difícil, pessoal.
01:14Está difícil mesmo.
01:15E como tem sido a ajuda das pessoas aqui no semáforo?
01:19Mais ou menos.
01:20De vez em quando eles trazem alguma coisinha para levar para casa, dá um trocadinho que
01:24eu comprei até um gás dentro de casa.
01:27E o que o senhor pensa para o futuro?
01:29Eu penso em estar trabalhando para ajudar meus filhos, cuidar dos meus filhos, dar o que comer eles.
01:37Como que as pessoas podem te ajudar, senhor Dalmo?
01:41Doando um alimento ou se não me dando serviço para me trabalhar.
01:45Qualquer serviço, capinau quintal, roçava, qualquer coisa eu faço.
01:49Só no mês com eletricidade.
01:51Mas o resto, qualquer coisa.
01:53O senhor faz de tudo para os seus filhos?
01:56Menos robal, né?
01:57Nunca roubei na minha vida.
01:59Menos robal no rodo do mundo.
02:01Porque esse vício pareceu...
02:03Fui caro.