00:00Trabalhei, fui diretora durante seis anos dessa escola.
00:03A senhora ouviu?
00:04Não, não ouvi, eu moro aqui perto, moro aqui na próxima rua e a minha vizinha foi lá me avisar.
00:11Eu estava fazendo almoço e ela falou, Magda, corre lá, porque a nossa escola, ela foi coordenadora no meu tempo.
00:17Ela falou da tragédia e aí eu vim e ver minhas amigas, ver minhas colegas saindo de ambulância, ver...
00:24Só notícia triste, sabe?
00:26A senhora conhecia as pessoas que trabalhavam lá?
00:28Sim, várias pessoas, né, então eu vi a professora Sandra, que foi professora de história, minha amiga, né, sendo socorrida
00:37na ambulância,
00:38um tiro na perna, eu vi a professora de química também, que ela é de Santa Cruz, sendo socorrida, eu
00:43vi os alunos, né, e foi uma... muito dolorido.
00:48Então você vê todo o seu empenho por uma causa e vê assim destruído num minuto, né, muito sofrimento.
00:57Ver meus alunos ali sendo socorridos, eu vi a Lara e outras pessoas, então...
01:03Uma aluna lá da Barra do Saí, ela pulou lá do segundo andar, machucou a perna.
01:08Alguns que eu pude ver, né, que não estava podendo ver, não estava podendo ter acesso à escola.
01:12Eu espero que as pessoas comecem a refletir mais sobre a questão da arma, né, eu acho que a arma
01:18é para quem precisa ter arma.
01:20E nesse país o incentivo à utilização de arma foi banalizado, então eu acho que a gente precisa de ter
01:27mais consciência, trabalhar mais os jovens,
01:30se empenhar mais para a gente poder transformar, né, essa situação que está aí.
01:35Eu falo sempre, eu só espero que ele não tenha sido meu aluno, porque eu sempre fui muito dedicada.
01:42Então eu fico pensando, eu espero que ele não tenha sido meu aluno, que ele tenha tido a mensagem que
01:48eu passei na vida dele.