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O Conselho Regional de Medicina (CRM) julga, nesta segunda-feira (1º/6), o cirurgião torácico Augusto Cezar Sales e o anestesista Cesar Collyer, acusados de cometerem erros médicos que levaram à morte do jovem Bernardo Cavalleiro de Macedo, de 23 anos. O caso aconteceu em 2023 e, desde então, a família da vítima luta por justiça. Roberto e Odete Macedo, o pai e a madrasta de Bernardo, pedem a cassação do registro profissional dos médicos. Para eles, se Salles e Collyer “tivessem agido com humanidade”, o rapaz ainda estaria vivo.
Reportagem: Saul Anjos
Imagens: Igor Mota | O Liberal
Reportagem: Saul Anjos
Imagens: Igor Mota | O Liberal
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NotíciasTranscrição
00:00Ele foi diagnosticado com tuberculose pleural.
00:02Foi feita a função, ele tinha um derrame pleural.
00:07O derrame pleural é na pleura.
00:10E essa foi feita a drenagem, esse líquido foi feita a biópsia e o diagnóstico foi de tuberculose.
00:16Ele foi medicado, ele foi inscrito no programa de tratamento,
00:20que é um programa público, é um programa que é fácil e rápido.
00:25É uma doença que tem índice de cura de 100%.
00:29É uma doença que tratava e curava medicamentosamente.
00:34Após esse episódio, isso daí aconteceu no Unimed Prime.
00:39Após esse episódio lá, desse tratamento dele, ele já estava em casa,
00:43já estava bem, não tinha mais nada, não tinha dor, não tinha febre, não tinha mal-estar, nada.
00:49O médico que fez a drenagem na Unimed marcou uma consulta,
00:54uma reunida particular de Belém, uma consulta de acompanhamento.
00:57E por deferência a ele até, porque nós achamos que ele tinha feito um bom atendimento,
01:02ele tinha, nós achamos que ele já de nosso governado, estava tratado, estava em casa.
01:06Nós fomos a essa consulta.
01:08E nessa consulta, nós fomos convocidos a fazer um procedimento chamado pleurocopia.
01:13Nós não sabíamos que o procedimento era esse.
01:15E o médico nos explicou.
01:17Ele nos explicou dessa forma, que era um procedimento urgente,
01:21um procedimento impressionista e um procedimento de baixo risco.
01:25Nós sabemos que todo procedimento médico tem risco.
01:28Mas que era um procedimento de baixo risco, porque ele era um procedimento rápido
01:33e um procedimento que usaria uma anestesia, anestesia peridural, com cheirinho.
01:39E depois nós viemos descobrir que não era nada disso.
01:45Primeiro, não é urgente.
01:49A pleurocopia é um exame eletivo.
01:52Segundo, você decide se faz ou não.
01:55Não precisava fazer.
01:56Se quisesse não fazer, podia não ter feito.
02:00E o pior de tudo é que é um exame de risco, porque exige a intubação do paciente.
02:06Então, o Bernardo foi dado entrada com ele para fazer um procedimento que ele não precisava,
02:12um procedimento que não era urgente, um procedimento eletivo, pela urgência,
02:19para fazer anestesia geral, sem nenhum uso, sem nenhum cuidado.
02:25Não foi feito pré-operatório, não foi feito avaliação anestésica, não foi feito risco cirúrgico.
02:31E o Bernardo foi intubado sem saber que seria intubado.
02:34E a família também não sabia que ele foi intubado.
02:37Durante esse procedimento, aconteceu o pior.
02:41Porque além desse descaso, um descaso enorme com a vida dele do Bernardo,
02:46porque ele poderia ter tido um choque na cidade, poderia ter tido uma parada cardíaca ou qualquer coisa,
02:51porque ele não sabia se o Bernardo tinha ou não,
02:54que eles mutilaram o Bernardo na mesa.
02:57Eles rasgaram a traqueia dele e perfuraram o pulmão.
03:01E essas leisões foram que levaram o Bernardo para a UTI.
03:06Depois que terminou o procedimento, o procedimento estava previsto para 50 minutos.
03:10A mãe estava esperando o quarto, o protocolo seria,
03:14terminou o procedimento, ele voltaria para o apartamento com a mãe,
03:17ficaria em observação e receberia a aula.
03:19Era o que nós esperávamos.
03:21Levou 5 horas, os 50 minutos tiraram 5 horas,
03:25e ele saiu direto para a UTI.
03:27A mãe foi proibida de dizer, impedida de dizer,
03:31e disseram que o procedimento seria esse.
03:34Que não tinha acontecido nada errado,
03:35nós não conseguimos falar com os médicos, tá?
03:37A equipe do hospital deu essa informação.
03:40Se o Bernardo foi levado para a UTI, acompanhado apenas do maquete,
03:45os médicos não acompanharam,
03:46o prontuário que foi apresentado para dar entrada na UTI
03:50não relatava nenhuma percorrência durante o procedimento,
03:54mas na entrada do procedimento, logo no recebimento,
03:58foi feito uns anos, um raiz fixo.
04:01A médica que recebeu, ela anota no prontuário que ela tenta contato com os médicos,
04:06sem sucesso, e ela entrevista o Bernardo.
04:10São coisas assim que eu não sei nem explicar.
04:12Ela entrevista um jovem que acabou de sair de uma anestesia geral,
04:17que foi levado para a UTI,
04:19que não estava agendado, ou seja,
04:21não era o procedimento esperado.
04:24Ele não estava previsto aí da lei de prontuário.
04:27Pegou todo mundo de surpresa.
04:28O que é que ele está fazendo aqui?
04:29Ela perguntou para ele, de cá, anotado no prontuário.
04:32O que é que tinha acontecido?
04:33Por que ele estava lá?
04:36Isso é assustador.
04:37Literalmente, assustador.
04:38Completamente, assustador.
04:39Porque isso daí selou o que iria acontecer depois.
04:43Ela não deveria ter recebido o Bernardo.
04:45Ela deveria ter chamado.
04:47Não, o médico devia explicar por que está havendo prontuário.
04:49O que aconteceu?
04:51Não era o procedimento de poder.
04:53Mas não fez.
04:55Não soube ler o exame.
04:57Esse exame que foi feito, esse AIX,
05:00ele já testava um pneu no meio de astúma.
05:03A gente vai aprendendo palavras difíceis,
05:06a meio de astúma, infelizmente, da pior maneira.
05:09O pneu no meio de astúma é a arte dentro da casidade.
05:14Fora onde deveria estar o ar.
05:16Ele já estava cumprindo os órgãos do Bernardo.
05:18Esse AIX estava lá porque ele tinha sido mutilado.
05:22Porque ele tinha sofrido lesões na vida respiratória e no pulmão.
05:26Então o AIX estava vazando.
05:28E já chegou lá nessa condição.
05:30Já chegou inchado, já chegou com o AIX dentro dele.
05:35Foi um pneu no meio de astúma que o exame comprovado.
05:38Na madrugada, houve a falta de médicos, tá?
05:41A falta de plantão.
05:43O médico que assumiu, não fez nada.
05:47No relatório do prontuário dele, ele sofreu o relatório anterior da ANSETA que estava lá.
05:53E por volta da notável no prontuário, por volta de duas e poucas da manhã, o quadro agravou.
05:57Porque continua entrando ar.
05:59Todo esse tempo o ar entrando, o ar entrando, não fez nada.
06:02O ar entrando.
06:03Ele relata no prontuário que o Bernardo tinha sangue na via respiratória.
06:09A única forma de você ter sangue na via respiratória é um ferimento.
06:13Você não tem sangue.
06:14Você tem sangue, entendeu?
06:15Não, o sangue está dentro e não fica do lado de fora.
06:17Então, o médico deveria ter visto que a presença do sangue era errada.
06:22Mas mesmo assim, ele não entendeu.
06:24Você fez um novo raiz-x.
06:26Esse raiz-x, ele já mostra o pneu no meio de astúma, que era pequeno ainda, pouco ar,
06:31e já completamente grande, enorme, já acertando e comprometendo a vida do Bernardo.
06:39E o médico tomou a decisão que ele não poderia tomar nunca.
06:42Ele resolveu entubar o Bernardo pela segunda vez.
06:46Ele anota no prontuário que a quadra gravava, ele não conseguia encontrar,
06:52e ele, acho que no nervosismo, na madrugada, sem nenhuma informação,
06:55a firma teve pensado, contado com os outros médicos, sem sucesso.
06:58Ele entubou de novo.
07:01Quando você entuba, você começa mecanicamente a colocar ar dentro do paciente.
07:06Então, essa compressão mecânica, o que é que ela fez?
07:08Ela forçou o ar.
07:09Se o ar já estava passando para dentro do corpo,
07:13normalmente, com a pressão, entrou mais ar.
07:16E o Bernardo perdeu a vida.
07:19O Bernardo faleceu naquele momento, com o corpo muito inchado,
07:24com a pressão que foi feita no coração dele,
07:28e teve uma parada cada vez que ele tirou a toa.
07:30E foi que ele perdeu a vida.
07:34Eu fui chamado no hospital, eu cheguei lá no hospital,
07:385 horas da manhã me ligaram, 5 horas da manhã me ligaram,
07:395 horas da manhã, 5 horas da manhã, eu já estava lá.
07:42Não aceitei, porque ele disse que era, olha, aconteceu uma fatalidade.
07:45O Bernardo faleceu.
07:47O Bernardo, eu era um jovem saudável,
07:50excetuando essa situação da tuberculose pleural.
07:54Um jovem com quase 2 metros de altura,
07:56um jovem que não tinha vício,
07:58não tinha comorbidade,
07:59o braço já deu, não tinha nenhuma comorbidade.
08:02Eu não aceitei aquela posição
08:04e fui ver o corpo.
08:07Quando eu vi o corpo, foi óbvio,
08:09ver o filho morto,
08:10que já é um peso muito grande, né?
08:13Mas eu vi o filho morto da forma que ele estava,
08:17ele estava quase irreconhecível.
08:19O Bernardo estava tão inchado
08:20que parecia um filme de descrição científica.
08:23O rosto dele enorme,
08:25o pescoço aqui,
08:28quase não reconhecia o filme.
08:30E eu não aceitei,
08:32eu disse, não, não tem como fazer isso aqui.
08:34Eu saímos lá do hospital,
08:35do hospital mais longe,
08:37fui até a delegacia
08:38e nós fizemos um
08:40boletim de ocorrência
08:41e pedindo o serviço de edificação de óbvio.
08:44O Bernardo foi levado para o INEB,
08:48onde ele estagiava.
08:50E por estagiar lá,
08:52os MECOS,
08:54a equipe do INEB,
08:56permitiu que ele entrasse.
08:58Porque o Bernardo faleceu
08:59quando teve uma greve em 2003,
09:01eles fizeram um pequeno incluído
09:02na porta do INEB.
09:04Eles não estavam recebendo,
09:06não estavam fazendo nenhum procedimento
09:08durante essa greve.
09:10mas eles abriram a exceção
09:12porque o Bernardo era da casa.
09:14E o Bernardo foi levado para lá,
09:16eu depois estive lá,
09:18conversei com todas as pessoas do INEB.
09:21Uma experiência, assim,
09:22para mim,
09:23doida,
09:24mas ao mesmo tempo gratificante,
09:26porque todos gostavam do Bernardo.
09:28Todos tinham histórias alegres e felizes
09:31para contar do Bernardo,
09:32porque o Bernardo era uma pessoa alegre e feliz.
09:33Então, eu quero que...
09:34Essa lembrança que eu tenho dele
09:36é uma lembrança difícil,
09:37a alegria e a felicidade.
09:40E lá,
09:42a médica perita
09:45que fez a necropsia,
09:47que me deu um abraço,
09:48disse que eu conhecia o Bernardo,
09:50que estava sempre lá,
09:51que eles eram os órgãos alegres,
09:53os órgãos felizes,
09:54que estava sempre com humor.
09:56Mas, infelizmente,
09:57ela tinha uma má notícia
09:57para dar para a gente.
09:59E que ela ia colocar a morte
10:01como suspeita,
10:02porque ela tinha identificado
10:04lacerações das vírgulas respiratórias,
10:06palavras que ela usou,
10:08e a perfuração do pulmão.
10:09E que ela tinha feito
10:11mais de mil fotos,
10:12palavras dela também.
10:13E que essas fotos
10:15vão ser úteis para nós,
10:16porque nós teríamos
10:17uma batalha pela frente.
10:19E eu agradeci
10:20de tudo.
10:22E ela disse...
10:25Ela fez um...
10:27o pulmão,
10:27tem todo o marcado
10:28para a gente,
10:29a polina,
10:31e depois,
10:32a polina.
10:34E ele...
10:36a...
10:37disse que ia fazer
10:38um laudo bem,
10:39um laudo bem pensado,
10:41bem trabalhado.
10:42E esse laudo
10:43demorou muito a sair.
10:45Nós pedimos
10:45as fotos
10:46que ela tinha visto
10:47que não fez.
10:47Ela disse que queria
10:48ter reto de lutar
10:50formalmente,
10:51nós reto de lutar formalmente,
10:52foi negado,
10:54o ano que não
10:54teve a formação fez,
10:56depois foi dito
10:56que não.
10:57tinha uma foto,
10:58porque ela não tinha
10:58feito nenhuma foto,
10:59não tinha registro
11:02da netoficia.
11:04O que por si só
11:05já é um absurdo.
11:06Você imagina,
11:07você tem um corpo
11:08de uma morte suspeita
11:09dentro de um hospital,
11:10que ela mesmo disse
11:11que é uma morte suspeita,
11:12ela não tem registro
11:13de fotografia nenhum.
11:15Só isso aqui,
11:16para mim,
11:16já é criminoso.
11:17Já é um crime,
11:19não ter feito registro.
11:20Isso, para mim,
11:21já é um crime.
11:23E passou mais tempo,
11:24até que finalmente
11:26saiu o laudo.
11:29E esse laudo,
11:30que foi uma surpresa
11:33enorme para nós,
11:35atribuía a morte de Bernardo
11:37à Covid-19.
11:40O Bernardo,
11:41ele propôs,
11:42do falecimento,
11:43foi feito o janeiro de Covid,
11:44ele estava com vírus.
11:47só que assintomático,
11:48não tinha nenhuma...
11:51Ele foi andando,
11:53ele chegou no hospital,
11:54foi ele que fez
11:55todo o procedimento.
11:55Nós entramos,
11:56nós chegamos no hospital
11:57Amazônia,
11:57entramos pela frente,
11:58fomos orientados
11:59a dar a volta
11:59e entrar pela urgência.
12:02Quem fez todo o procedimento
12:03lá foi ele.
12:04O plano era dele,
12:05era adulto,
12:05ele chegou lá,
12:06ele sentou,
12:06ele preencheu,
12:07ele fez...
12:07Não tinha nada,
12:08não estava com dor,
12:09não estava com mal-estar,
12:11não estava com nada.
12:12Ele fez tudo normal.
12:14Ele entrou,
12:14não tinha absolutamente nada,
12:16nem imaginava
12:17que ele poderia estar com isso.
12:19E era vacinado,
12:20já tinha tomado
12:21todas as vacinas.
12:23E nós ficamos sem entender
12:24o que tinha acontecido.
12:27Porque esse laudo de M.L.
12:29ele contradizia
12:30já o que nós já sabíamos.
12:32Nós já sabíamos
12:33que ele tinha chegado
12:34mutilado,
12:36até pela informação
12:37das próprias feridas.
12:39E nós já sabíamos
12:40que ele tinha sangue
12:42nas respiratórias
12:42pela anotação
12:43do pontuário
12:43dos médicos
12:44da UTI.
12:45Nós já sabíamos
12:46que os raízes
12:48atestavam
12:48que não me negastim
12:49que a única forma
12:50de ter aquilo
12:51seria essa,
12:52não tinha outra maneira.
12:53Então,
12:54por que aquele laudo
12:55dizia isso?
12:57Aí nós descobrimos
12:58que a médica,
12:59na realidade,
13:00não era perita,
13:01não era apenas médica,
13:02era anestesista,
13:05sócia
13:05e amiga pessoal
13:07do anestesista,
13:08no caso.
13:10Ela era amiga pessoal
13:11e sócia,
13:12que são empresas ruins
13:13para fazer serviços ruins.
13:16Isso para nós
13:17foi assim,
13:19terror.
13:21Porque nós vimos
13:22que é uma estrutura
13:23muito grande
13:23de proteção.
13:25O Hospital Amazônia,
13:27quando nós pedimos
13:28a documentação
13:29depois da corrida,
13:30ele se negou a entregar.
13:32Nós tivemos que entrar
13:33na justiça,
13:34na contratão
13:34dos advogados
13:35para requisitar,
13:36para entrar
13:37com a ação
13:37de produção
13:37de documentos
13:38na justiça.
13:40E o Hospital Amazônia,
13:43mesmo com a ordem judicial,
13:45escondeu documentos,
13:47escondeu informações.
13:50O Hospital Amazônia
13:51foi condenado
13:51nessa ação
13:52por litigância
13:53de um processo.
13:55Então,
13:55você vê que tem uma rede
13:57para proteger.
14:00É uma situação difícil,
14:01é uma luta desigual.
14:04E,
14:05depois de tudo isso,
14:07nós tivemos,
14:10além da dor,
14:11da perda,
14:12de perder o Bernardo,
14:14ver que,
14:15mesmo tendo acontecido
14:16tudo errado,
14:17nós teríamos que lutar
14:18contra um monstro maior.
14:22graças a Deus,
14:23o Conselho Regional
14:24de Medicina
14:25recebeu a denúncia
14:26por unanimidade.
14:29Eles vão ser julgados
14:30agora,
14:30nesta segunda-feira,
14:31a primeira e segunda.
14:33O que o CRM julga
14:35são crimes,
14:36ou crimes não,
14:37são violações
14:38de ética,
14:40violações éticas
14:41profissionais.
14:43Entendeu?
14:44É o que
14:45eles vão julgar.
14:47Eles não fazem,
14:48não vai ser julgado
14:49o crime,
14:51a morte,
14:52o homicídio,
14:52alguma coisa.
14:53E o que
14:54o CRM está dizendo?
14:56O fato de que eles,
14:58durante o procedimento,
15:00eles não anotaram
15:01os templados,
15:02as informações,
15:03e não levaram
15:05o paciente
15:06para a UTI,
15:07para passar
15:08para a equipe
15:08e o que tinha acontecido.
15:10Se esses médicos
15:11tivessem ajudos
15:12com humanidade,
15:14tivessem sido
15:15médicos de verdade,
15:17o Bernardo estaria justo.
15:18o Bernardo não precisava
15:20ter morrido.
15:21Eles poderiam ter
15:22consertado
15:23o erro dele.
15:25Eles poderiam ter...
15:26Acontece.
15:27Médico é um
15:28ser humano
15:29como um outro qualquer.
15:30É possível errar.
15:35mas você pode responder
15:36pelo seu erro.
15:37Você pode assumir
15:39o seu erro,
15:39você pode
15:42consertar o seu erro.
15:43E eles tiveram
15:44oportunidade de fazer isso.
15:45Eles poderiam ter feito isso
15:46na própria mesa de cirurgia.
15:48Eles poderiam ter feito isso
15:50informando a UTI
15:50que tinha acontecido.
15:52Eles poderiam ter feito
15:53em vários momentos.
15:54Mas eles optaram
15:55eles poderiam
15:57se omitir,
15:58esconder,
15:59para proteger
16:00a si mesmo.
16:01Não se importaram
16:02o que poderia acontecer
16:03com o Bernardo.
16:04Talvez achando,
16:05olha,
16:05um jovem grande,
16:08saudável.
16:08Ah, não vai acontecer
16:09nada,
16:10a gente fez,
16:10mas vai se recuperar,
16:12não vai ter nenhum problema.
16:13Eles foram para casa
16:14e não desaram o celular.
16:16Eles não foram na UTI
16:17e não atenderam
16:18as negações dos colegas.
16:20Eles omitiram
16:21completamente.
16:21e o Servino
16:23está ajudando isso.
16:24E isso é uma fase
16:25ético-profissional grave.
16:28E a gente espera
16:29que o Conselho Regional
16:30de Medicina
16:30tenha responsabilidade
16:32que eu ature
16:34com imparcialidade
16:35e condena.
16:37E a gente espera
16:38que essa condenação
16:39saia
16:39com a cassação
16:41do registro profissional dele.
16:43Além do processo
16:45ético-profissional,
16:46eles também estão
16:47respondendo criminalmente.
16:50Então,
16:51o Ministério Público
16:53passou por cima,
16:54literalmente,
16:55do laudo.
16:56Porque o laudo
16:57de M.E.
16:57era de verdadeiro
16:59um absurdo.
17:00O laudo de M.E.
17:00era um absurdo.
17:01O laudo de M.E.
17:02como eu falei,
17:03é contra a vista
17:03tudo o que foi encontrado,
17:05tudo o que está lá
17:06material,
17:07as provas materiales.
17:08Então,
17:09a situação
17:09de provas materiales
17:10com raiz-fil,
17:14os prontuários
17:15e os próprios
17:16depoimentos
17:16das pessoas.
17:17Então,
17:18aquele laudo
17:19o Ministério Público
17:21não considerou.
17:22Ele já foi impugnado,
17:24a gente está
17:24em andamento com isso.
17:27E a gente espera agora
17:29que realmente
17:30a gente consiga
17:31a justiça
17:33para o Bernardo,
17:34mas não apenas
17:34para o Bernardo.
17:35a gente precisa
17:37mudar a medicina.
17:38A medicina
17:39precisa ser olhada
17:40como ela era
17:40olhada na época
17:41do meu pai.
17:42Meu pai era médico,
17:44o avô do Bernardo.
17:46O meu pai
17:46foi homenageado
17:47recentemente
17:48com o nome
17:48do hospital
17:49da Augusto Montenegro.
17:51O hospital
17:52do pronto-socorro
17:53Roberto Macedo
17:54era avô do Bernardo.
17:55Meu pai
17:56que eu sou,
17:56Roberto Macedo.
17:57Então,
17:58nós temos
17:58uma convigência
17:59muito próxima
18:00com a medicina.
18:00A medicina
18:01que a gente conviveu
18:02é uma medicina ética.
18:04Uma medicina
18:05que tem vocação,
18:07que tem chamamento,
18:08que tem doação,
18:08que tem entrega,
18:09que tem amor.
18:11Essa medicina
18:12precisa ser resgatada.
18:14O que esses médicos
18:15mostraram
18:16é uma medicina
18:17fria,
18:18desumana,
18:19descantilista.
18:21Eu já fiz
18:22esse pensamento
18:23e me dá vontade
18:24até de chorar
18:24quando eu faço isso.
18:26Quanto valeu
18:27a vida do meu filho?
18:28Esse médico
18:29desviou o meu filho
18:30para aquele hospital
18:31para fazer
18:32esse procedimento
18:32nele
18:33porque ele ia usar
18:34o aparelho dele,
18:35que ele era sócio
18:36do hospital Amazônia
18:37e que ele ia
18:38fúmido.
18:38E a única coisa
18:39que ele diz de verdade
18:40do documento dele lá
18:41para o delegado
18:42é isso,
18:43que ele é dono
18:43do aparelho.
18:45E eu queria saber
18:45essa fraude
18:46que ele cometeu
18:47no plano de saúde,
18:48quanto ele ganhou?
18:50R$ 1.000,00?
18:50R$ 5.000,00?
18:51R$ 1.000,00?
18:52R$ 3.000,00?
18:53R$ 3.000,00?
18:53Foi isso que valeu
18:53a vida
18:54que eu sei para ele.
18:56A medicina não é isso.
18:58A medicina
18:59tem que ser revista.
19:00O valor da medicina
19:01tem que ser resgatado.
19:03Esse vai ser
19:04o significado
19:05da morte do Bernardo.
19:06Se a gente
19:07volta a ter
19:08e volta a poder
19:08confiar nos médicos.
19:10A gente tem
19:10uma página na internet
19:11e essa página
19:13na internet
19:13as pessoas criticam
19:14muitos médicos.
19:15Eu conheço
19:15muitos médicos.
19:16Eu tenho irmão médico,
19:17eu tenho primos médicos,
19:19tios médicos,
19:20sobrinhos médicos.
19:21Não é real.
19:23Não é a classe médica.
19:25São alguns
19:26maus profissionais
19:27que estão realmente
19:28dando um mau novo,
19:29uma fama ruim
19:31para a medicina.
19:32E esses maus médicos,
19:34o Conselho Regional
19:35precisa retirar
19:36dos quadros.
19:37Precisa mostrar
19:38para a sociedade
19:38que eles não têm espaço
19:40dentro do Conselho Regional
19:41de Medicina
19:42para médicos
19:42que tenham
19:43esse tipo de postura
19:44e esse tipo de atitude.
19:46Então,
19:47é isso que a gente
19:48espera,
19:49que a morte do Bernardo
19:50não seja em vão
19:51e que dê
19:52as consequências
19:53e que tenha
19:54no futuro
19:55a melhor atualidade
19:58da medicina.
19:59Ele era
20:01assim.
20:03Essa foto aqui
20:04era o Bernardo.
20:07Eu acho que ele
20:08muito parecia
20:08com a minha filha,
20:09Lívia.
20:11Então, ele era assim,
20:12ele era fofinho,
20:14ele era
20:14mesmo,
20:15carinhoso.
20:17O Bernardo
20:17foi muito carismático,
20:19muito feliz
20:20e
20:22alegria.
20:24E
20:24eu tinha
20:25um amigo
20:26e eu tenho
20:27esse amigo.
20:28O Bernardo
20:29fez aula de dança
20:29comigo.
20:30O Bernardo
20:31estudava inglês,
20:32estudava espanhol.
20:33Eu ia buscar o Bernardo
20:34na casa dele.
20:35Eu estava
20:35o Bernardo.
20:37Buscava o Bernardo.
20:39O Bernardo
20:40fazia aula de dança
20:42comigo,
20:42fazia carinha
20:43com ele.
20:44Então, assim,
20:45foi um bom amigo,
20:46foi um filho.
20:47E um pai,
20:48minha mamãe,
20:49assim,
20:49se pudesse.
20:50Mas vai comer o dança,
20:51eu se trouxe.
20:53e que não está
20:54o senhor
20:54daqui,
20:55muito cruel,
20:56tudo que aconteceu
20:57com Bernardo.
20:59Tudo.
21:01O Bernardo
21:01tinha seis anos
21:02quando me deu,
21:03quando fazia essa.
21:06Ele era a tia
21:07Maria Ordex.
21:09Ele não conseguia
21:09falar de tia
21:10a seis anos,
21:11ele não conseguia
21:12falar meu nome.
21:13Falava,
21:14me chamava de
21:14Maria Ordex.
21:21e que eu guardo
21:23também as lembranças
21:24e as minhas dadas.
21:25O Bernardo
21:25era aluno
21:27de matemática,
21:28ele sempre foi
21:29das áreas
21:29das exatas.
21:30Então, matemática,
21:31química,
21:32física,
21:33que pra mim
21:33era uma matéria
21:35que foi muito
21:35difícil
21:36quando ele
21:37participava
21:37de Olimpíadas.
21:38Ganhava,
21:39tirava
21:41notão,
21:42nove, dez,
21:43nessas matérias.
21:44O Bernardo
21:45participou
21:45do sub-dia sério,
21:49jogos de escola,
21:50então aqui,
21:51jogos internos,
21:52então aqui
21:54eu guardava
21:55todas as lembranças.
21:57Uma coisa assim
21:58muito interessante,
21:59essa camisa aqui,
22:01eu tinha uma viagem,
22:03acho que foi em 2012,
22:042011,
22:06eu trouxe pro Bernardo,
22:07o Bernardo tinha a coleção
22:08de camisas de futebol,
22:09nacional e internacional.
22:11Então, toda viagem
22:12que eu fazia,
22:13eu trazia de lembrança,
22:14que era as camisas
22:15que o Bernardo me fez isso.
22:17E essa eu trouxe pra ele
22:18em Bambuinho,
22:19onde o Dodo,
22:19eu não recordo.
22:20E eu tinha uma camisa igual
22:22e ele também tinha uma camisa.
22:25E a gente era
22:27Barcelona,
22:28Real Madrid,
22:29a gente torcia
22:29com todos os times
22:30da Espanha,
22:32que era só na Espanha,
22:33então a gente
22:33falou disso,
22:34da torcida que nem eu sou
22:35pra essa daqui agora,
22:37que ela é Flamingo,
22:38que eu botar fogo,
22:39e essa coisa do
22:40eu sou para Sandu,
22:42ela também é,
22:43então acho que essa coisa
22:44do futebol,
22:44se a gente tem muito presente
22:45na nossa relação.
22:47E quando o Bernardo faleceu,
22:5015 dias antes
22:50do Bernardo faleceu,
22:52o Bernardo veio aqui
22:53e trouxe a namorada
22:54que eu conheci.
22:55E ele disse pra mim,
22:56a senhora quer essa camisa,
22:58essa camisa não dá,
23:00mas o Ninho,
23:01a senhora quer essa camisa?
23:02Ele disse,
23:03quero,
23:03claro,
23:04vou usar pra malhar,
23:05claro que eu quero essa camisa,
23:06eu não tenho mais a outra camisa
23:07que eu tinha de par com ele.
23:09E eu vou usar pra malhar,
23:11claro,
23:12só não dei tão lindinho
23:13essa camisa,
23:13eu disse,
23:14eu não vou dar,
23:14eu vou ficar com a camisa,
23:16porque o Dodo
23:16já não faleceu.
23:18Então,
23:19essa camisa,
23:20eu nunca vou me desfazer
23:20dessa camisa,
23:21essa camisa vai ser guardada
23:22nessa caixinha de recordação
23:24do Bernardo.
23:26Essa foto eu também gosto bastante,
23:28nós ganhamos de presente
23:29esse cachorro.
23:31Na época,
23:32ele tinha aqui
23:34oito anos,
23:35o Bernardo era que nem o Oliva,
23:36um menino grancho,
23:37fortinho assim,
23:38o Oliva tem seis anos,
23:40e o Bernardo aqui
23:41já tinha oito.
23:43E esse cachorro
23:44era a fuchuca dele,
23:46andava pra cima e pra baixo
23:48com esse cachorro,
23:49jogando aí
23:50de uma cunhada,
23:50o cachorro.
23:52o cachorro era tudo
23:53pra nós,
23:54assim como o Bernardo
23:55foi tudo,
23:56minha vida do Bernardo
23:56foi antes.
23:58O Bernardo fez,
23:59o pai dele se apaixonar
24:00por mim,
24:01eu me apaixonava
24:01assim,
24:02mas foi,
24:03fomos casadas
24:04há 20 anos,
24:07foi o primeiro ensaio
24:09de maternidade,
24:10foi o meu primeiro cuidado
24:12com alguém,
24:13foi uma preparação,
24:16uma preparação matou,
24:18e muito respeito
24:20por essa relação,
24:22eu queria tudo,
24:23eu fazia tudo,
24:24eu queria tudo,
24:25eu queria estar aqui,
24:26até ele,
24:27de volta.
24:31Desculpa,
24:34desculpa,
24:35não queria chorar,
24:37mas nunca choro.
24:45o Bernardo foi um presente
24:46na minha vida,
24:51e hoje a gente tem
24:52a origem,
24:53que é tudo pra gente
24:54também,
24:58que teve a oportunidade
24:59de conhecer irmãos,
25:01de conviver com irmãos,
25:03de estar próxima com a minha vida.
25:05A Bernardo,
25:06quando adoeceu,
25:07voltou pra cá,
25:09são os últimos dias,
25:11ainda passou um dia
25:12conosco,
25:12parece que foi uma
25:13despedida.
25:16Desculpa,
25:17gente,
25:20foi muito cruel,
25:21foi o meu marido,
25:22muito feliz.
25:23amém.
25:26Amém.
25:27Amém.
25:28Legenda Adriana Zanotto
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