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  • há 6 horas

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Transcrição
00:00Entrevista com o ministro Rogério Schied.
00:03Ministro, como o senhor avalia esse fórum aqui de Lisboa, a importância dele,
00:09o cenário não só nacional, mas como mundial, e também sobre essa recente classificação dos Estados Unidos,
00:15das organizações criminosas como o PCC e o CD, como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos?
00:23O fórum, como o próprio nome indica, é um espaço atualmente dos mais importantes no cenário não só brasileiro, mas
00:34mundial,
00:35do debate sobre temas que estão na pauta do dia.
00:39Para mais uma edição desse fórum de Lisboa, que eu tenho o prazer de estar presente,
00:46certamente um dos temas será a criminalidade organizada.
00:51E essa recente classificação dessas duas facções criminosas no Brasil,
00:58que atuam no Brasil, originalmente no Brasil, mas atualmente em outros países,
01:04é algo realmente impactante.
01:06Eu acredito que isso terá reflexos, talvez, na diminuição do crescimento dessas facções,
01:14que têm se alastradas por vários países já.
01:16Então, acho que é uma sinalização muito clara de uma atuação internacional de refreamento
01:24da expansão dessas duas facções.
01:28Mas sempre há uma preocupação de que, eventualmente, o Brasil possa ter algum tipo de prejuízo
01:36de natureza econômica, por exemplo, em decorrência dessa classificação feita por autoridades norte-americanas.
01:44O senhor acredita que pode afetar a soberania do país?
01:48Não, eu não acredito.
01:50Porque não há nenhum tipo de ligação do narcotráfico, por exemplo, com o governo brasileiro.
02:00O governo brasileiro, pelo contrário, o Estado brasileiro, melhor dizendo,
02:04tem sido muito duro no enfrentamento do crime organizado, especialmente do narcotráfico.
02:10Prova disso é a recente lei que foi aprovada, com um agravamento das sanções,
02:16um tratamento mais rigoroso contra todo tipo de organização criminosa particular,
02:23mas que se beneficiam do tráfico, lavagem de dinheiro, emessa ilegal de ativo,
02:27qualquer tipo de organização.
02:30Mas o senhor acredita que era preciso os Estados Unidos interpretar dessa forma,
02:36classificar dessa forma como organizações terroristas?
02:41Eu, pessoalmente, discordo.
02:43Não vejo essas facções como voltadas no terrorismo,
02:48pelo menos a classificação técnica se dá a atos de terrorismo.
02:53São facções violentas que exercem o domínio territorial
02:58e procuram, claro que por meio da violência, da prática de crimes,
03:04se impor territorialmente e expandir seus negócios para o ferimento de lucros.
03:10Qual a solução para o Brasil conseguir, de fato, combater o narcotráfico?
03:17É muito difícil, não existe uma solução mágica.
03:20Eu vejo que no Brasil há uma peculiaridade que talvez nos distingue de outros países,
03:27que é a quantidade excessiva de armas contrabandeadas.
03:32Especialmente armas de grosso calibre, fuzis, metradoras.
03:37Talvez nenhuma população do mundo hoje tenha em seu poder,
03:42mesmo civis, a quantidade de armas de grosso calibre que existem.
03:49no Brasil em poder, não só das facções criminosas,
03:52mas também de pessoas que, por algum motivo, acabam tendo acesso a essas armas.
03:58É triste, por exemplo, ver adolescentes portando fuzis nas comunidades do Rio de Janeiro
04:05ou em outras periferias.
04:08Isso precisava realmente ser uma prioridade do governo,
04:12porque o armamento pesado, qualquer tipo de armamento,
04:17é um passo inicial para termos uma realidade tão cruel,
04:22um índice de homicídios tão elevado como nós temos no Brasil.
04:26O judiciário consegue dar resposta?
04:28Consegue realmente condenar as pessoas que são levadas a juízo
04:33por porte de armas, por tráfico?
04:37A parcela que chega ao Poder Judiciário normalmente resulta em uma condenação.
04:44Mas isso não resolve nada.
04:47Isso apenas é um sintoma e uma sinalização do Poder Judiciário,
04:53mas que, numa visão global, não altera a realidade dos fatos.
04:59É preciso realmente uma adoção muito firme de políticas públicas
05:05que efetivamente combatem essa questão.
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