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Transcrição
00:05Olá pessoal, seja bem-vindo mais uma vez ao nosso curso de viola caipira, a viola de 10 cordas.
00:13Nessa aula eu separei para você um documentário em que a gente vai assistir um pouco mais sobre a essência
00:20da música rancheira,
00:22da música sertaneja, alguns clássicos imortais que sempre fizeram parte desse cenário.
00:29Você vai saber um pouco como esses clássicos surgiram e na palavra de grandes artistas, qual é a diferença que
00:36ele causa no cenário da nossa música.
00:39Ok? Então vamos lá!
01:27Música
01:38Música
01:49Música
02:12A história da música sertaneja começa em Tietê, no ano de 1929.
02:17Foi aqui que o caipira e compositor Cornélio Pires abriu as portas para a produção do gênero no Brasil.
02:25Moda de viola paulista
02:26Música
02:27Música
02:32Rapazinho inteligente
02:33Uma coisa que ele fez na vida, que ele foi muito corajoso, ele queria gravar de qualquer jeito.
02:421929, imagina, então ele gravou, conseguiu gravar a música caipira, mas aí para distribuir, para vender, então ele encheu o
02:52porta-malas do carro de disco e vendia, ele foi mesmo o precursor dessa música que a gente está ouvindo
03:00hoje.
03:00A música caipira, ela está sempre atrelada a algum ritual, alguma ritualística dessa comunidade, tá?
03:07Ela nunca é solta.
03:11Agora, essa música caipira, a partir de 1929, ela passa a ser apropriada pela indústria fonográfica.
03:18Então, nesse momento, há a mudança de música caipira para música sertaneja.
03:24Ela passa a não mais representar e nem funcionar como viés de comunicação com o sagrado, por exemplo, que era
03:35o caso das folhas de reis, e nem como canto de trabalho, ela passa a ser um produto.
03:42O primeiro grande sucesso foi Tristeza do Jeca, composta em 1918 por Angelino de Oliveira, só foi eternizado em 1937
03:51na Voz de Paraguaçu.
03:52Eu era criança e cantava tunico, eram 40 versos que usavam histórias, não era moda, era história.
04:03Outras tinham 50 até 100 versos, tinha que parar no meio, tomar café, depois continuar.
04:12Então, Tristeza do Jeca, desde criança, nós canta ela e deixamos em três versos falando tudo.
04:22Nesses versos tão sinceros, minha bela, meu amor, pra você quero contar o meu sofrer e a minha dor.
04:42Eu sou como um sabiá, quando canta é só tristeza, desde o lugar onde ele está.
04:57A gente já conhecia, com o repertório de Tomic Tinoco, a gente já conhecia bastante coisa do repertório deles,
05:05e como esse disco tinha várias participações.
05:09E o Tristeza do Jeca foi Christine Ralph.
05:12Então, ela foi escolhida por isso, uma música que tinha uma história bonita, uma música muito forte,
05:19que já tinha uma representatividade muito grande no gênero sertanejo,
05:23e que pudesse ser dividida entre duas duplas cantando.
05:26E ela cabia bem dentro do que a gente queria, a nível de som, né?
05:31A sonoridade que a gente estava buscando pra esse disco, o Tristeza do Jeca caiu como uma luva.
05:37Por que a música antigamente era mais dramática, fulano matou ciclano por causa de amor?
05:42Porque isso existia.
05:44As pessoas se matavam mesmo, o cara era traído, ele pegava um revólver, ia lá, matava a mulher, matava o
05:49cara.
05:50E as duplas, os autores, os compositores, escreviam essas histórias.
05:54Hoje isso existe também, mas é muito diferente, muito pouco.
05:58A gente está falando, de repente, você lembra da música que a gente também gravou nesse disco,
06:01dos grandes clássicos aí?
06:03Cabocla Tereza.
06:04Que é uma tragédia, mas é uma música romântica.
06:06Como é a tristeza do Jeca, né?
06:10Há tempo eu fiz um ranchinho
06:15Pra mim acabou clamorar
06:19Pois era ali nosso ninho
06:26Bem longe desse lugar
06:30E muito tempo passou
06:34Pensando em ser tão feliz
06:38Mas a Tereza adotou
06:42Felicidade não quis
06:47Em 35 eu devia ter 6 anos, 7 anos, claro.
06:52Eu já escutava e cantava.
06:54Então meu avô mandou vir um violão e um tal de Luiz Bonetti, que era o celesteiro da cidade.
07:00Chegou ele lá e cantou essa música com a boca Tereza com o meu avô.
07:06E eu gravei na mente e cantava também, um molequinho que cantava.
07:11Então o Trau Toros, o rádio, o dia inteiro tocava a música que ele gravava.
07:16Era João Pacífico, Raul Torres e Florencio, sendo Raul Torres e Florencio que cantavam e tocavam e o João Pacífico
07:24compondo as músicas e as letras.
07:26A contribuição maior que eu vejo do Raul Torres e do João Pacífico foi a criação da toada histórica, que
07:35é a velha toada, que já há muito tempo está na música brasileira.
07:40E eles colocam uma narrativa que precede o tema da música.
07:48Um outro compositor de destaque é Ted Vieira.
07:51A cidade em que nasceu, Itapetininga, em São Paulo, foi fonte de inspiração.
07:57Em 1955, junto com o Luizinho, da dupla Luizinho e Limeira, compôs um dos clássicos da música setaneja.
08:04O Menino da Porteira teve que cantar em todo o show, todo esse meu 73 anos de carreira.
08:13A música raiz, a matéria-prima é a vida do campo, da roça.
08:25Todos os enredos vêm de boiada, de família, de trabalho.
08:32Toda vez que eu viajava pela estrada de ourofim, que longe eu avistava a figura de um menino.
08:44Que corria da porteira, depois vinha me pedindo, toque o berrante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindo.
08:53E a gente já cantou muito nos shows do Menino da Porteira, a gente sempre adora cantar.
08:58Eu acho que a poesia e o contexto dessa música, ela traz também uma coisa marcante da música setaneja,
09:08que é aquela questão do... que a visão ético-moral é ao mesmo tempo sensível.
09:16Eu acho que essa coisa humana, que toca o espírito, que toca a alma, sensibiliza as pessoas.
09:23O Menino da Porteira é muito mais do que um clássico.
09:26É uma forma de você reativar a sua sensibilidade.
09:29Você tinha até meados de 1950, grande parte da população ainda vivia na zona rural.
09:37A partir de 1950, a urbanização tem uma aceleração muito grande.
09:42Essa mudança do rural para o urbano faz com que pessoas que tinham contato com uma realidade
09:52cheguem na cidade e se deparem com outro panorama.
09:57O Saudades da Minha Terra é uma autobiografia de alguém que tentou algo melhor na vida
10:01e viu que tudo que ele procurou lá fora ele já tinha.
10:04Que é o cara que mora na fazenda, uma família, e de repente acha que se ele mudar para a
10:10cidade vai ser melhor.
10:11Aí ele chega, ele se dá com um monte de gente maluca no ponto de vista dele,
10:16porque lá no campo tudo é calmo.
10:18O cara está acostumado a ver passarinhos, vaca, boi e essas coisas.
10:22Aí ele chega, é barulho de carro e daqui a pouco a influência da televisão.
10:26De que me adianta viver na cidade, se a felicidade não me acompanhar.
10:32Adeus Paulistinha do meu coração, lá para o meu sertão eu quero voltar.
10:39Vira a madrugada quando a passarada, fazendo alvorada começa a cantar.
10:45Com satisfação arrei o burrão, cortando estradão saio a galopar.
10:54A saudade, ela vem do interior para o grande centro.
10:59E saudade da minha terra foi uma coisa...
11:02O Goiá teve uma felicidade muito grande juntamente com o Belmonte e compor essa canção.
11:08A melodia é boa, simples e bem caboclona e...
11:13Por isso que fácil de cantar é que todos, né?
11:18Até uma criança.
11:19A partir da década de 40, uma enormidade de ritmos começam a chegar no Brasil,
11:27vindos de outros, dos mais diversos lugares.
11:29Esses ritmos, essas sonoridades, foram sendo absorvidas pela música brasileira,
11:35inclusive pela música, pela música sertaneja.
11:40A rancheira mexicana chega com muita força também.
11:44Visto uma gravação quase antológica da dupla Milionário José Rico, A Estrada da Vida,
11:52que é uma rancheira mexicana, tem inclusive aquelas cornetinhas.
12:01Com dois milhões de discos vendidos, a dupla foi a primeira a levar a música sertaneja para fora do país.
12:08Além disso, Estrada da Vida virou um filme de mesmo nome.
12:12A composição de José Rico marcou a década de 70.
12:25É uma música simples, um palavreado simples, porque o que é simples é bom.
12:31A música, como diz aí, ela sendo boa, é a gente, por exemplo, igual nós também.
12:36Nós temos também, escolhemos às vezes a música que dá certo no nosso estilo,
12:41Então acho que ele tem que achar o estilo da música certinho que dá para a gente transmitir o que
12:47a gente está cantando.
12:48Nesta longa estrada da vida, esse instrumento é bem.
12:53Vou correndo e não posso parar, na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar.
13:21Além de ser uma autobiografia, acredito eu, do próprio compositor, falando das coisas que acontecem na vida da gente,
13:29também conta a estrada de mais ou menos todo mundo, né, que todo mundo tem a sua estrada da vida,
13:35todo mundo tem os seus momentos de glória, os seus momentos de perder, de ganhar, e de chegar ao final
13:40e de morrer, entendeu?
13:42A gente vivia muito ali na cidade de São José do Rio Preto, em 1976, 75, 77, a gente fazia
13:50muito show.
13:51No circo, né, né, pro circo.
13:53E o povo, o povo do interior, onde a gente se frequentava, tinha um ditado.
14:01Tudo para eles era, ô, 60 dias apaixonados, todo mundo falava isso, 60 dias apaixonados, 60 dias apaixonados.
14:05Aí nós começamos a pensar, poxa, vamos fazer uma música assim.
14:09E nós encomendamos a música.
14:11Tinha um artista de circo, a gente cantava nesse circo, um menino lá, chamado Constantino Mendes.
14:18Aí nós falamos pra ele, Constantino, a gente queria uma música chamada 60 dias apaixonados.
14:23Ele falou, eu vou fazer essa música.
14:25E fez.
14:26Entregamos pro Darcy Rossi, que já era um compositor, e ele escreveu.
14:31Ele fez a... ele terminou, ele aproveitou aquela ideia, nós contamos um ditado e tal, e trouxemos já o início
14:38da música.
14:39E ele finalizou, e foi assim que nasceu a música, 60 dias apaixonados.
14:42Viajando pra Mato, gostou, apareci dando um tabuato, mas conheci uma morena que me deixou amarrado.
14:53Deixei a vida pequena, por Deus confesso, desconsolvado.
14:58Não dei jeito de ser, bebendo pra esquecer, esquecer das minhas apaixonados.
15:04A gente gravou porque nos emociona a música, pela emoção que a gente tem.
15:09Ela nos leva pra, sabe, pra quando a gente foi criado, a gente gravava no interior de Minas, a gente
15:13ouvia aquilo no meio do campo.
15:15Então, como o Vitor disse, a gente gravou porque é a música que tá na nossa veia artística.
15:21Agora, como a gente dá cor ao que a gente faz, a gente dá cor ao nosso som, fazendo a
15:26produção e os arranjos,
15:27nós a modificamos, fizemos do nosso jeito e a expressamos da nossa forma.
15:33E depois disso, os próprios titãozinhos chororó, em pessoa, onde nós nos encontramos, eles disseram
15:39Foi incrível a cor que vocês deram a 60 dias apaixonados de uma forma original
15:45e sem fazer com que a música perdesse a sua essência intrínsecamente sertaneja.
15:50Segundo o Clube dos Independentes de Barretos, a cada ano são realizados aproximadamente 1.200 rodeios,
15:58que atraem 24 milhões de pessoas.
16:01Só a festa do peão de boiadeiro de Barretos movimenta na região cerca de 200 milhões de reais.
16:08O papel do marketing tem uma função importante, e não só na música sertaneja, na música popular brasileira no geral.
16:18Um papel importante que a gente pode colocar é justamente o do titãzinho chororó,
16:24que eles fizeram a vendagem de um milhão de cópias.
16:26O Brasil, quando ele passa por essa mudança de eixo agrário para o eixo urbano,
16:39é num momento em que está ocorrendo uma transformação muito grande em nível ocidental.
16:45Um dos efeitos dessa globalização, onde a tendência é uniformizar culturalmente a população,
16:57é com a chegada do que é de fora, a tendência é olhar para o que é de dentro.
17:03O titãzinho chororó vieram com evidências e outras músicas.
17:07O deserto de Camargo, o centro também na mesma época, o Leandro Leonardo, outros nomes que a gente...
17:11Christian Ralf, Gênero Giovanni, vários que a gente estava começando a cantar, a gente escutava muito.
17:18Escutamos até hoje.
17:19Mas foram caras que realmente renovaram, e também fizeram uma coisa importante,
17:23que foi abrir portas para a música sertaneja.
17:28A composição é de 1914.
17:31Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco chegaram a disputar nos tribunais a autoria da obra.
17:37A versão original é uma poesia com 14 estrofes, mas que até hoje não foi gravada na íntegra.
17:44No entanto, Luar do Sertão é considerada o hino da música caipira e sertaneja.
17:50Cada cidade não escuro, não tem a mesma saudade do luar lá do sertão.
18:00Não há, oh gente, oh não, luar como esse do sertão.
18:09Não há, oh gente, oh não, luar como esse do sertão.
18:31Não há, oh não, luar como esse do sertão.
18:53Eu acho que é a força jovem, falando da música sertaneja.
18:58Eu sou suspeito de falar, mas se eu fosse o professor, eu daria de nota a ideia.
19:04E digo assim para vocês de campina,
19:11Olá pessoal, eu sou o Daniel D'Arezzo, professor de música aqui do canal do YouTube.
19:18Bom, eu estou aqui para falar com você que se você gosta, se você apoia essa ideia de videoaulas online,
19:25se você se beneficia, inscreva-se no canal para você receber sempre as atualizações.
19:31Clica aí embaixo na página, se você estiver vendo esse vídeo pelo YouTube.
19:35Clique em curtir para você promover aí a difusão cultural,
19:39para que várias pessoas tenham acesso ao vídeo.
19:42Compartilhe com os amigos, né, pessoas que gostam de música também.
19:47Isso fortalece o canal e faz com que a gente continue a postar aulas de qualidade aí para você.
19:52Lembrando também que é importante, você que é usuário,
19:56observar a descrição dos vídeos,
19:58onde nós, produtores de vídeo aqui na internet,
20:01costumamos colocar informações importantes que você pode acessar com um único clique.
20:08Então é bem importante você observar a descrição dos vídeos aí.
20:13Bom, eu vou ficando por aqui.
20:15Eu espero que você tenha gostado desse vídeo, né,
20:18e vamos continuar aí os nossos estudos de música online.
20:22Ok?
20:23Eu aguardo o seu comentário aí nos vídeos,
20:26e é junto com você que a gente cria um canal de qualidade
20:30para poder ensinar a música aí.
20:32Eu sou o Daniel D'Arezzo e até a próxima.
20:34Tchau, tchau!
20:35Tchau, tchau!
21:09Tchau, tchau!
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