- há 2 dias
A remuneração do conteúdo jornalístico por plataformas digitais, o avanço da inteligência artificial e os riscos da desinformação estiveram no centro da entrevista concedida por Marcelo Rech ao Grupo Liberal. Na avaliação do presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), empresas de tecnologia devem remunerar veículos de imprensa pelo uso de conteúdos jornalísticos e pelo papel desempenhado pelo jornalismo profissional no combate às fake news, em um cenário que, segundo ele, ameaça a sustentabilidade econômica da mídia e impõe novos desafios à democracia e à liberdade de imprensa no Brasil.
Repórter: Jéssica Nascimento
Repórter: Jéssica Nascimento
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, seguidores de Oliberal, sou Jéssica Nascimento, repórter de política e economia,
00:04e hoje nós vamos entrevistar Marcelo Hesch, presidente executivo da ANJ,
00:09Associação Nacional de Jornais.
00:11Muito obrigada pela entrevista, presidente, a gente agradece a sua disponibilidade e a sua escolha.
00:18Prazer é meu.
00:20Presidente, começando a nossa entrevista, a primeira pergunta que a gente gostaria de fazer
00:25diz respeito a um tema que já foi debatido, já esteve em debate nacional,
00:30hoje esfriou mais, mas ainda é um tema relevante ser discutido.
00:34Por que é necessária, na sua opinião, a remuneração de conteúdo jornalístico por plataformas digitais no Brasil?
00:41Nós podemos fazer uma seguinte analogia.
00:47As empresas, as grandes plataformas de tecnologia, no seu processo de produção,
00:54ou no seu processo de distribuição, no seu modelo de negócios,
00:57mesmo que involuntariamente, ou de forma secundária,
01:01elas produzem uma chamada poluição social,
01:04que é caracterizada por esse discurso de ódio,
01:09pela difusão de desinformação,
01:11e que causa, essa poluição social,
01:14causa muitos males para a sociedade,
01:17na erosão das democracias,
01:19as próprias relações entre as pessoas são afetadas,
01:21há uma perda, digamos assim, de confiança e confiabilidade no processo de decisão,
01:28porque você já não sabe mais o que é verdade e o que não é verdade,
01:32e aí entram os veículos de comunicação,
01:34os veículos jornalísticos e os jornalistas, em geral,
01:38fazendo uma atividade de despoluição
01:42desta sujeira social, digamos, produzida pelas plataformas.
01:46Muitas vezes, como eu digo, não porque elas pretendem produzir,
01:52mas pessoas que têm interesses secundários,
01:54ganham dinheiro com desinformação, com as fake news,
01:57ganham poder econômico, ganham projeção política,
02:02se valem desses mecanismos para, enfim,
02:05difundir a sua mensagem e, com isso, obter alguns ganhos,
02:08nem sempre legítimos.
02:10Então, os veículos de comunicação, os jornalistas,
02:13eles fazem a despoluição,
02:15ou parte desta despoluição social,
02:17fazendo a verificação de informações,
02:20se certificando se aquilo que foi divulgado é verdade,
02:23em que medida aquilo é verdade, qual é o contexto.
02:26Então, assim, esse é um trabalho
02:28que, assim como uma indústria joga o seu resíduo
02:33num rio e polui aquele rio,
02:36quem despolui aquele rio,
02:38ou quem ajuda a despoluir aquele rio,
02:40nada mais justo que poluidor pague pela limpeza,
02:44ou pelo menos por parte do trabalho de limpeza
02:46daquela poluição.
02:48Então, a lógica é essa.
02:49Eu até nem entro na questão,
02:51poderíamos entrar adicionalmente na questão
02:53de uso de conteúdos, direitos autorais,
02:56de propriedade intelectual.
02:57Só que o grande trabalho de despoluição
03:01feito pelo jornalismo social,
03:02esse, sim, tem que ser remunerado por quem polui.
03:05Sem dúvida, presidente.
03:07Como a associação avalia o debate
03:09sobre esse assunto no Brasil?
03:11E quais avanços, na sua opinião,
03:13já foram observados em outros países
03:14em relação a esse tema?
03:16A monetização, o pagamento das portais jornalísticos
03:19pelas empresas de tecnologia?
03:23Nós estamos ainda engatinhando
03:25nesse processo no Brasil.
03:27Essa é uma discussão bem avançada na Europa,
03:30no Canadá, na Austrália,
03:32na Indonésia, até na Índia.
03:34O Brasil ainda,
03:37por razões políticas,
03:39muito provavelmente,
03:40tem muita dificuldade de avançar
03:41nesse tema no Congresso Nacional.
03:43Nós chegamos perto de aprovar
03:45uma legislação que era chamada
03:47a Lei das Fake News,
03:48o Projeto 2630,
03:50mas houve um lobby muito intenso
03:52das plataformas de Big Tech,
03:53inclusive utilizando-se de fake news,
03:56dizendo que o objetivo era censurar,
03:58era a Lei da Censura.
03:59O que, na verdade, pelo contrário,
04:02se há alguma atividade que combate a censura
04:05e, desde sempre, sofre com a censura,
04:08com as tentativas de censura,
04:10são os veículos de comunicação,
04:12são os jornalistas.
04:14E, na verdade, ali se estabelecia
04:16alguns conceitos para uma possível
04:21futura negociação entre plataformas
04:23e veículos de comunicação
04:24para ver essa remuneração.
04:26Mas, na Austrália, por exemplo,
04:28a Austrália tem o processo,
04:31digamos, a lei mais antiga,
04:32ela é de 2021, tem cinco anos já,
04:35em que ela estabelece
04:37a obrigatoriedade de negociação
04:39entre plataformas e veículos de comunicação.
04:43E, caso não haja acordo,
04:47um órgão do governo,
04:49que é o órgão que estabelece
04:50a concorrência entre as empresas
04:54na Austrália definiria o valor.
04:56Até hoje não foi necessário
04:58nenhuma vez definir o valor.
04:59E há uma grande transferência
05:01de recursos para os veículos
05:06de comunicação,
05:07grandes, pequenos e médios,
05:09inclusive muitos de nicho,
05:10muitos de pequenas localidades
05:12que voltaram a ter jornalismo profissional,
05:16porque um dos efeitos colaterais
05:18dessa erosão, digamos assim,
05:20da sustentabilidade dos meios
05:22de comunicação, é o surgimento
05:24dos chamados desertos de notícias.
05:26Vastas regiões de muitos países,
05:29de quase todos os países,
05:30já não tem mais jornalismo profissional,
05:32já não tem mais um veículo
05:34de comunicação que faça essa atividade
05:36de certificação, de verificação
05:38de realidade.
05:39E aí, nesse vácuo, entra de tudo.
05:42Entra o que eu chamo de, digamos,
05:43os bandoleiros digitais,
05:45que se valem da inexistência
05:47do jornalismo profissional como barreira
05:49para vender, vender versões,
05:53fazer até um estelionato digital,
05:55muitas vezes contra políticos
05:57e empresários locais,
05:59como se fosse um bandoleiro mesmo.
06:01Então, assim, isso tem riscos
06:03muito grandes para a democracia,
06:05para a convivência,
06:06fora que um veículo local,
06:08um veículo é fundamental
06:11para falar da cultura local,
06:13da economia local,
06:14ou da política local,
06:15e falar isso com qualidade,
06:19tratar desses temas
06:20que mais ninguém trata
06:21com atenção devida
06:24que tem um veículo
06:25de comunicação local.
06:26Então, um dos efeitos preocupantes
06:28é a perda do jornalismo local
06:29e que na Austrália
06:30está sendo recuperado.
06:33Felizmente,
06:35dezenas e dezenas
06:36de jornalistas estão sendo contratados
06:38para poder ocupar essas vagas
06:40que voltaram
06:41depois desse processo de negociação
06:43está estabelecido.
06:44No Brasil,
06:45nós ainda estamos engatinhando
06:47e a situação tende a se agravar
06:49no mundo e no Brasil
06:50com o surgimento
06:51da inteligência artificial.
06:53Com certeza.
06:55Recentemente,
06:55o plenário do Conselho Administrativo
06:57de Defesa Econômica,
06:59o CAD,
07:00decidiu aprofundar
07:01a investigação
07:02sobre o uso
07:02de conteúdo jornalístico
07:04pelo Google
07:04sem remunerar
07:05veículos de mídia.
07:07Qual a expectativa
07:08em relação a isso?
07:09Olha,
07:10essa é uma decisão
07:10muito importante,
07:11uma decisão histórica,
07:12muito positiva
07:13por parte do CAD,
07:15o nosso organismo brasileiro
07:17que rege,
07:19digamos,
07:19a competição
07:21entre as organizações
07:23e evita o surgimento
07:24de cartéis,
07:26o uso de abuso
07:27de poder econômico,
07:28coisas do gênero.
07:29E isso é uma ação
07:31que estava há nove,
07:32desde 2019,
07:33portanto,
07:34há quase sete anos,
07:36no CAD,
07:36na época,
07:37pelo uso
07:38dos conteúdos
07:39dos jornais
07:42pelo mecanismo
07:43de busca
07:44do Google.
07:46O uso de resumos
07:48das notícias
07:50pelo Google.
07:51e numa série
07:53de idas e vindas
07:54ao longo desses anos,
07:56o CAD finalmente
07:57julgou há poucos dias
07:59que vai sim
08:01abrir um processo
08:04administrativo
08:05para investigar
08:06o uso
08:08desses conteúdos
08:09jornalísticos
08:10pelo Google.
08:11E agora,
08:12com uma grande novidade,
08:14o uso
08:14dos conteúdos
08:16jornalísticos
08:16pela inteligência artificial,
08:19que tornou ainda
08:20muito mais grave
08:21a questão
08:22da sobrevivência,
08:24da sustentabilidade
08:25dos veículos
08:26de comunicação,
08:27porque,
08:28e não é só o Google,
08:29isso é importante dizer
08:30que o Google
08:31tem lá o Gemini,
08:32que é a sua plataforma
08:34de A,
08:35mas nós temos
08:36a OpenAI,
08:37tem o Cloud,
08:38tem o Perplexity,
08:39tem o DeepSeek,
08:40tem o Grok,
08:41enfim,
08:41tem uma série
08:42de plataformas
08:44que capturaram
08:45e continuam
08:46capturando
08:48as matérias,
08:49as colunas,
08:50as notícias,
08:52as reportagens
08:53feitas pelos veículos
08:54de comunicação
08:54a um custo
08:55muito alto
08:56e que oferecem
08:58uma resposta,
09:00digamos assim,
09:01aos usuários
09:01sem que haja necessidade
09:04de se ir,
09:05muitas vezes,
09:05ao site,
09:06de se ir à fonte
09:08da origem
09:08da notícia,
09:10que é um veículo
09:11de comunicação,
09:11um jornalista,
09:12e oferecem isso
09:14sem nenhuma
09:16remuneração
09:17sem pagar por isso.
09:18Então,
09:18como se tivesse
09:19invadido
09:20a casa das pessoas,
09:22eles entraram
09:23nos sites,
09:24muitos deles
09:26protegidos
09:26por barreiras
09:27de assinatura,
09:29capturaram
09:30todos os conteúdos
09:31digitais,
09:31levaram
09:32para alimentar,
09:33para treinar
09:34os seus modelos
09:35e agora
09:36oferecem
09:36respostas
09:38sem pagar
09:39nada
09:40a quem produziu
09:41aquele conteúdo.
09:42Então,
09:42isso aí
09:42tem um nome,
09:43isso é uma pirataria,
09:44no mínimo,
09:45para não dizer
09:45que é furto.
09:46Então,
09:47nós esperamos
09:48que isso seja
09:50regularizado,
09:51regulado,
09:52que não haja
09:54necessidade
09:54de haver
09:55incontáveis
09:56processos judiciais
09:57de reparação.
09:59Nós acreditamos
10:00que o melhor processo
10:00é que haja um acordo
10:02entre as plataformas
10:03e os veículos
10:04de comunicação
10:05para que haja
10:06um uso
10:07autorizado
10:08nesses conteúdos,
10:09um interesse
10:10das três partes,
10:12das próprias
10:13plataformas
10:14de inteligência
10:14artificial,
10:15dos veículos
10:16de comunicação
10:17com seus jornalistas
10:18e principalmente
10:19do público
10:19para poder ter
10:20um produto
10:22qualificado,
10:23preciso,
10:24com mais qualidade
10:26do que as alucinações
10:27que nós vemos
10:28hoje aí
10:28e pelo uso
10:31totalmente irregular
10:32de muitos conteúdos.
10:34Excelente.
10:35Como a ANJ
10:36avalia o cenário
10:37econômico
10:38da imprensa brasileira
10:39diante da migração
10:40de receitas
10:41publicitárias
10:42para plataformas
10:43digitais?
10:45Os jornais,
10:47de uma forma geral,
10:50eles estavam
10:50ou estiveram
10:52entre os primeiros
10:53segmentos da sociedade,
10:55segmentos econômicos
10:56a serem disruptados,
10:58a sofrerem
10:58a disrupção
10:59da internet.
10:59Lá em 1995,
11:0296,
11:03há três décadas,
11:04quando surgiu
11:04a internet comercial
11:05no Brasil.
11:06Lembro que
11:07um dos primeiros,
11:12digamos,
11:13segmentos
11:13que a internet
11:14devorou
11:15e não poderia
11:16ser diferente mesmo
11:17eram os classificados
11:18dos jornais.
11:19Os classificados
11:21representavam
11:22muitas vezes
11:22a parte do lucro
11:25dos jornais
11:25que era revestido
11:26em qualidade,
11:27em jornalismo,
11:28em viagens,
11:29coberturas, etc.,
11:30em melhoria,
11:31compra de equipamentos.
11:33E isso,
11:34ao longo dos anos,
11:35foi sendo,
11:37foi desaparecendo.
11:39Então,
11:39mas o fato
11:41dos jornais
11:41terem sido disruptados
11:43há três décadas,
11:44ou começarem a ser disruptados
11:45há três décadas,
11:45permitiu
11:46que os jornais
11:47se adaptassem,
11:48muito antes
11:49que outros setores
11:50que só agora
11:51estão sofrendo
11:52a disrupção
11:52da inteligência artificial.
11:54Então,
11:54houve realmente
11:55uma perda
11:57muito significativa
11:58de receitas.
12:00Todos os veículos
12:01de comunicação
12:01do planeta,
12:02no Brasil,
12:03não é diferente,
12:03houve muito fechamento
12:05de jornais,
12:07de outros veículos,
12:08revistas, etc.,
12:09grupos inteiros
12:10sofreram muito
12:12com a internet,
12:14mas,
12:14em contrapartida,
12:15outros jornais,
12:17outros grupos
12:17surgiram
12:18ou se adaptaram
12:21para esse novo mundo,
12:22entendendo
12:23que o jornal
12:25há muito
12:26deixou de ser
12:27um produto
12:27apenas impresso.
12:29Muitos jornais
12:30hoje
12:31sequer têm
12:31uma edição impressa.
12:33Nós estamos gravando
12:34aqui uma entrevista
12:36em vídeo,
12:37em áudio e vídeo,
12:38que vai ser apresentada
12:41num site digital,
12:42em plataformas digitais,
12:44que há 30 anos
12:45não podia se imaginar.
12:46Quando a gente
12:47entrevistava alguém
12:48para o jornal,
12:48era para sair
12:49na edição impressa.
12:50E hoje,
12:51as formas
12:52de distribuição,
12:54a maneira
12:55que os jornais
12:56apuram,
12:58editam
12:58e distribuem
12:59informação,
13:00ela é uma forma
13:01que atende
13:02às necessidades
13:02do usuário
13:03ao longo
13:04das suas conveniências
13:06do dia a dia.
13:07Às vezes,
13:08pode ser impresso,
13:09às vezes,
13:10pode ser um texto
13:12extenso
13:13para ser lido à noite,
13:14pode ser uma notícia
13:15curta
13:15numa rede social,
13:17numa fila de elevador
13:18e assim por diante.
13:19Então,
13:19os jornais
13:20hoje,
13:20eles são,
13:21como eu digo,
13:21usinas de informação
13:22que produzem
13:24informação 360 graus,
13:2524 horas por dia,
13:277 dias por semana.
13:29Sem dúvida.
13:31Quais são
13:31os principais desafios
13:33financeiros
13:34enfrentados
13:35pelos jornais regionais,
13:36especialmente os da Amazônia,
13:38para manter sustentabilidade
13:40e independência editorial?
13:42Eu acho que é
13:44um grande desafio
13:47e aqui vai
13:47um grande chamamento
13:49aos empresários,
13:51aos anunciantes locais
13:52de entenderem
13:54que um veículo
13:55de comunicação local
13:56não é apenas
13:57um negócio econômico
13:59que precisa
14:00da sustentabilidade,
14:01do apoio econômico
14:02para sobreviver.
14:03Ele é uma fonte
14:05fundamental
14:06de identidade
14:07e de relevância
14:09da comunidade.
14:10quando uma cidade,
14:12quando uma região,
14:13quando um Estado
14:14perde um jornal,
14:16ela perde relevância,
14:17ela perde uma voz,
14:18não só para discutir
14:21as suas questões
14:22de fundo
14:22entre si,
14:24entre as diferentes
14:25bolhas,
14:26muitas vezes,
14:26de opinião,
14:27aproximando
14:28e furando
14:29essas bolhas
14:30para que as muitas
14:31partes dialoguem
14:33e se conheçam,
14:35e com isso
14:35chegam a denominadores
14:36e a decisões comuns,
14:38mas também
14:39de levar
14:39essas reivindicações,
14:41essas grandes questões
14:41para fora da cidade,
14:43para fora da região,
14:44para fora do Estado.
14:48É óbvio
14:49que países,
14:51cidades
14:52que têm veículos
14:52de comunicação forte
14:54têm muito mais presença,
14:55têm muito mais relevância
14:57onde isso não acontece.
15:00Não é a rede social
15:01que vai fazer
15:02a defesa da comunidade,
15:03não é a rede social
15:04que vai fazer a defesa,
15:05não é a influenciadora
15:06que está a serviço
15:07de uma causa
15:09meramente econômica,
15:10muitas vezes,
15:11criando conteúdo
15:12específico
15:13para ganhar audiência
15:14e apenas vender
15:17um produto
15:17sem nenhum compromisso
15:18com a comunidade,
15:19que vai vender
15:20essa causa
15:22do Estado,
15:23vai promover
15:23a discussão profunda
15:25com diferentes visões,
15:26plural,
15:28para que se equacione
15:29determinadas questões
15:31que são
15:32sempre
15:33muito peculiares
15:35de cada cidade,
15:36de cada região,
15:36de cada Estado.
15:37Então,
15:38este é uma questão
15:39muito importante,
15:40é importante que toda
15:41comunidade,
15:43empresários,
15:44usuários,
15:45assinantes,
15:46a população em geral
15:47entenda que a relevância
15:49de um veículo
15:49de comunicação local
15:51é um espelho
15:53da relevância
15:54daquela cidade,
15:55daquela região,
15:56daquele Estado.
15:57Quando isso não acontece,
15:58todo mundo perde.
16:00Então,
16:01apoiar economicamente,
16:03apoiar com assinatura,
16:04apoiar com anúncios,
16:06um veículo
16:07de comunicação local,
16:09é fundamental
16:10para ajudar
16:11a desenvolver
16:11a própria região.
16:13Excelente,
16:14presidente.
16:15De que forma
16:16a ANJ
16:16tem atuado
16:17para defender
16:18os veículos
16:19jornalísticos
16:20frente ao avanço
16:21da desinformação
16:22e a concorrência
16:24com grandes empresas
16:25de tecnologia?
16:26Nós temos
16:28sempre atuado
16:30em vários fóruns,
16:31desde os fóruns
16:32institucionais,
16:33no caso de Congresso,
16:35STF,
16:36Poder Executivo,
16:38dentro e fora
16:39do Brasil,
16:40na defesa
16:41da relevância,
16:43aí no caso
16:43dos jornais
16:44e da comunicação
16:45profissional
16:45e do jornalismo
16:46profissional
16:47para a sociedade,
16:48para a democracia.
16:50Se não tiver
16:51informação
16:52crível,
16:53confiável,
16:54verificada,
16:55que é o que
16:56os jornais fazem,
16:59o processo
16:59de decisão
17:00das pessoas,
17:01seja para tomar
17:02uma decisão
17:03de comprar
17:03um imóvel,
17:05que é uma decisão
17:06importantíssima,
17:07que a pessoa
17:08vai anexar
17:09a vida dela
17:09por décadas
17:10à frente,
17:11seja uma decisão
17:12eleitoral,
17:13na escolha
17:14de um candidato
17:15ou qualquer
17:16processo decisório,
17:17vai ser afetada
17:20muitas vezes
17:21por versões,
17:22manipulações
17:25unilaterais.
17:25Então, assim,
17:26nenhum jornal
17:27no mundo
17:28está imune
17:29a erros,
17:30a cometer
17:32uma falha
17:33de informação,
17:34mas eu costumo
17:36dizer o seguinte,
17:36nós não estamos
17:37no ramo do erro,
17:38nós estamos
17:39no ramo do acerto.
17:40Assim como os médicos,
17:42por exemplo,
17:43podem até
17:44fazer um diagnóstico
17:51errado e depois,
17:52enfim,
17:52isso ser consertado,
17:56os médicos
17:56não estão
17:57no ramo do erro,
17:58estão no ramo do acerto,
17:59ninguém procura um médico
18:00porque ele erra muito,
18:02as pessoas procuram um médico
18:03porque ele acerta muito,
18:04é a mesma coisa
18:06com os jornais
18:07e com o jornalismo profissional,
18:08nós estamos no ramo do acerto,
18:10então, assim,
18:11ninguém aqui ganha a vida
18:12errando
18:13ou gerando desinformação,
18:15nós ganhamos a vida,
18:17nós fazemos a nossa causa,
18:18a nossa vida,
18:19a nossa razão
18:20de existência
18:21como negócio
18:23e como classes profissionais
18:27acertar,
18:29retratar a realidade
18:30ou o mais próximo possível
18:31da realidade
18:32para que isso tenha
18:33uma relevância,
18:35tenha um significado
18:35para as pessoas
18:36e para as comunidades.
18:38Então,
18:38essa defesa
18:40dos veículos
18:41de comunicação
18:43e da imprensa
18:44de uma forma geral
18:46como elemento central
18:48para a democracia,
18:49para a estabilidade
18:50da sociedade,
18:50para a estabilidade
18:51da economia
18:53é fundamental.
18:54Um mundo
18:55em que o jornalismo
18:57não exista
18:57ou que ele esteja
18:58de tal forma degradado
18:59é um mundo sujeito
19:00a toda sorte
19:01de rumores,
19:02boatos
19:03que podem levar
19:04a corridas bancárias,
19:06levar a guerras,
19:07levar a uma destruição
19:08entre as sociedades
19:09porque não haverá
19:10quem fará
19:11a verificação.
19:12Há quem dizer
19:13isso é verdade,
19:14não é verdade,
19:15isso aqui é exagero,
19:15isso aqui é mentira,
19:16isso aqui está impreciso
19:18e assim por diante.
19:19Então,
19:20a atividade jornalística
19:22é essencial
19:23para a sanidade mental
19:25do planeta
19:25e das próprias comunidades.
19:28Excelente.
19:29Na sua avaliação,
19:30quais são hoje
19:31as maiores ameaças
19:32institucionais
19:33à liberdade de imprensa
19:35no Brasil?
19:37Eu acho que
19:39a grande ameaça
19:40que nós temos
19:41é cultural no Brasil.
19:44Nós estamos vivendo
19:45um momento difícil,
19:47um momento,
19:48digamos que,
19:50não é um momento
19:52de liberdade
19:52plena de expressão
19:53no Brasil,
19:54porque tem um inquérito
19:56das fake news
19:57que se arrasta
19:58há muitos anos
20:00no Congresso
20:00e que,
20:01uma decisão
20:03unilateral,
20:03monocrática,
20:04que é um ministro
20:05pode determinar
20:07a censura
20:08ou determinar
20:09a exclusão,
20:10a remoção
20:10de conteúdos
20:11que,
20:12muitas vezes,
20:13não se entende
20:14nem por que
20:14a razão.
20:16Mas o Brasil,
20:17acho que a grande ameaça
20:18é a questão cultural
20:19sobre liberdade
20:20de expressão no Brasil.
20:21Liberdade de expressão
20:22não é apenas
20:23o direito
20:24de eu me manifestar
20:27livremente,
20:27é o direito
20:28de quem eu discordo,
20:30muitas vezes,
20:30que eu possa discordar
20:32profundamente
20:32de se manifestar
20:34livremente.
20:35E nós,
20:35no Brasil,
20:37incorremos
20:37numa circunstância
20:40em que achar
20:41que apenas
20:41o meu direito
20:42é válido,
20:43quando o outro
20:43se manifesta,
20:45muitas vezes,
20:46de maneira,
20:46até pode ser agressiva,
20:48pode ser
20:50inapropriada,
20:51nós tendemos,
20:52não digo todo mundo,
20:54mas muitos tendem
20:55a exigir
20:56o silenciamento
20:57daquela voz
20:58contrária.
20:59isso não é
20:59liberdade de expressão.
21:01Liberdade de expressão
21:03vem lá
21:03do luminismo
21:05naquele famoso
21:07dizer
21:08atribuído
21:09a Voltaire,
21:09dizer,
21:10eu não concordo
21:11com uma palavra
21:11do que dizes,
21:12mas defenderei
21:13até a morte
21:13o direito
21:14de dizê-los.
21:16Ou seja,
21:17eu não concordo
21:18contigo,
21:18mas eu defendo
21:19o teu direito
21:20de afirmar isso.
21:21Isso é um princípio
21:22luminista
21:23de mais de 300 anos
21:25que deveria estar
21:26em vigor
21:26plenamente
21:27no Brasil hoje.
21:28E a liberdade de imprensa
21:29é a mesma coisa.
21:30Liberdade de imprensa,
21:31a liberdade de expressão,
21:33a gente pode dizer
21:34que é uma liberdade
21:34do indivíduo
21:35e a liberdade de imprensa
21:36é a liberdade
21:37dos jornalistas,
21:38da imprensa
21:39de uma forma geral
21:40de exercerem
21:41livremente
21:42a difusão
21:43da informação
21:44sem sofrer
21:45intimidações,
21:46sem sofrer censura.
21:47E nós,
21:48hoje no Brasil,
21:49sofremos
21:49tanto intimidações
21:50como censura
21:51e até agressões,
21:54especialmente
21:55nas regiões
21:56mais remotas
21:57do Brasil
21:57muitos jornalistas
21:59radialistas
22:00sofrem agressões,
22:01sofrem violências
22:02e a violência
22:04física
22:05é um problema,
22:06mas nós temos
22:06uma violência moral
22:07que atinge
22:09especialmente
22:09as jornalistas
22:10mulheres
22:10que é o chamado
22:12assédio digital,
22:13assédio judicial
22:14em que são
22:14ações coordenadas
22:16para intimidar
22:17os profissionais
22:18e principalmente
22:19as profissionais
22:20no sentido
22:21de eliminar
22:22o mensageiro.
22:23as pessoas
22:24inconformes
22:25com a mensagem
22:27acabam
22:28promovendo
22:28uma agressão
22:31coordenada
22:32contra aquela
22:33pessoa
22:33que revela
22:34uma informação.
22:35Nós vimos
22:36isso acontecer,
22:37ainda vemos
22:38as revelações
22:39sobre o caso
22:40do Banco Master
22:41em que a jornalista
22:43Malu Gaspar
22:44do Globo
22:45fez uma série
22:46de revelações
22:47especialmente
22:47sobre o contrato
22:48da família
22:50do ministro
22:50Alexandre de Moraes
22:51e sofreu
22:51agressões brutais
22:54na internet
22:55de forma digital
22:56porque ela tinha
22:57revelado
22:57essa informação
22:58que se mostrou
22:58como a gente vê
22:59verídica
23:00sem contestação.
23:01Então,
23:02essa intimidação
23:04essa é uma forma
23:05de tentativa
23:06de silenciamento
23:07contra a imprensa
23:08que não tem nada a ver
23:09com a liberdade
23:11de expressão
23:11ou com a defesa
23:12da democracia
23:13que nós sempre
23:14batalhamos no Brasil.
23:16Sem dúvida.
23:17Presidente,
23:17para finalizar
23:18a nossa entrevista,
23:20como você enxerga
23:21a relação
23:21entre jornalismo
23:22profissional
23:23e inteligência artificial
23:25tanto em oportunidades
23:26quanto em riscos?
23:28É,
23:29esse é um paradoxo
23:30muito interessante
23:31porque,
23:31de um lado,
23:33a inteligência artificial
23:34ela permite
23:36para os jornalistas
23:37e para veículos
23:38de comunicação
23:39a liberação
23:41de uma série
23:41de atividades
23:42repetitivas
23:44ou que não
23:44produzem,
23:46digamos,
23:46um benefício
23:48benefício direto
23:49à atividade jornalística.
23:50Por exemplo,
23:51tradução
23:52ou a degravação
23:54de uma entrevista.
23:55Nós estamos aqui
23:55falando,
23:56nós dois,
23:57antigamente
23:57a pessoa tinha que
23:58sentar na frente
23:59de um gravador
24:00e frase a frase,
24:01palavra a palavra,
24:03que a gente chamava
24:04de decupando
24:04ou degravando
24:05aquela informação.
24:07Hoje,
24:07isso é feito
24:08automaticamente.
24:09Na televisão,
24:10por exemplo,
24:10a gente tinha que
24:11entrar numa cabine
24:12de edição
24:12e degravar
24:13toda uma entrevista.
24:15Hoje,
24:15o computador
24:16faz isso
24:16automaticamente
24:17enquanto a pessoa
24:17está falando,
24:18já vai saindo
24:18a transcrição,
24:19facilita muito
24:20o processo
24:22de edição,
24:23acelera muito
24:24e simplifica
24:24muito o processo.
24:25Então,
24:26esse aspecto
24:27da inteligência
24:27artificial
24:28a serviço
24:30da melhoria,
24:31da velocidade
24:32do jornalismo
24:33é extremamente
24:33positivo.
24:34Mas o grande
24:35risco
24:35é esta invasão
24:37nos direitos
24:38de autor,
24:38na propriedade
24:39intelectual
24:40dos veículos
24:40de comunicação
24:41e dos jornalistas.
24:43eu não posso
24:44concordar,
24:45não posso aceitar
24:46que tudo aquilo
24:47que eu escrevi
24:47ou que eu produzi
24:48ao longo
24:49da minha vida
24:49seja capturado
24:50por uma empresa
24:51que vai comercializar
24:53esse conteúdo
24:54sem que eu
24:55tenha os meus direitos
24:56respeitados.
24:56Isso é básico.
24:58É básico
24:59na convivência
25:00social.
25:01Os direitos
25:02de propriedade,
25:04no caso,
25:05a minha propriedade,
25:06como a de qualquer
25:07jornalista,
25:08é a propriedade
25:08intelectual,
25:09tem que ser
25:09respeitada.
25:10Se a propriedade
25:11física tem que ser
25:12respeitada,
25:13a propriedade
25:13intelectual também
25:14tem que ser
25:14respeitada.
25:15É isso que nós
25:15defendemos.
25:16Não pode ninguém
25:17se adonar
25:17de conteúdos
25:19de terceiros
25:20para produzir
25:20o seu modelo
25:21de negócio.
25:22Este risco,
25:23esta captura
25:25desses conteúdos
25:26sem a devida
25:27autorização
25:28e sem a devida
25:30remuneração,
25:30ela coloca em risco,
25:32sim,
25:32o jornalismo profissional
25:33como nenhuma
25:33outra atividade
25:35antes.
25:37Muito mais
25:37do que o próprio
25:38surgimento da internet,
25:40muito mais
25:41do que qualquer
25:42outra atividade
25:43econômica.
25:44Então,
25:44nós esperamos
25:46que isso
25:47venha a ser
25:49resolvido,
25:49equacionado,
25:50não é só o Brasil
25:51que vai ter que resolver
25:52isso,
25:52isso é uma questão
25:52mundial,
25:53mas o Brasil
25:54não pode ficar
25:55para trás.
25:55Nós estamos
25:56vendo que agora
25:56o CAD,
25:57como já falamos,
25:59decidiu fazer
26:00uma investigação
26:01profunda
26:01que coloca
26:02o nosso
26:04organismo
26:04de antitrânsito
26:07no Brasil
26:07em linha
26:08com os melhores
26:10organizações
26:11equivalentes
26:11do mundo
26:12na discussão
26:13e numa possível
26:15regularização,
26:16regulação
26:17desta relação
26:18que é essencial,
26:19como eu digo,
26:20não apenas para os
26:20veículos de comunicação,
26:21é essencial para as sociedades,
26:22para a democracia.
26:24Sem dúvida,
26:25presidente,
26:26essa foi a nossa
26:27entrevista com o
26:28Marcelo Hesch,
26:29presidente executivo
26:30da NJ,
26:31Associação Nacional
26:31de Jornais.
26:32Mais uma vez,
26:33muito obrigada,
26:33presidente,
26:34pela sua disponibilidade,
26:35pela sua escolha
26:36de estar hoje
26:37com a gente.
26:37É um prazer.
26:40Obrigada,
26:40presidente.
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