- há 8 horas
Geraldo Luzia de Oliveira Júnior, o Juninho, afirmou que recebeu o diagnóstico schwannoma vestibular em fevereiro deste ano.
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NotíciasTranscrição
00:04Olá, estamos começando mais um estúdio Tribuna Online, eu sou Camila Lima e hoje nós estamos
00:10recebendo o empresário Geraldo Luzia Júnior, o Juninho, ex-prefeito de Cariacica, que vai contar
00:17um pouquinho sobre uma situação que ele tem atravessado e uma cirurgia que ele vai passar
00:23nos próximos dias em São Paulo. Olá Juninho, muito obrigada pela sua presença aqui no estúdio.
00:30Nós queríamos que você começasse a falar um pouquinho dos sintomas que você teve. A doença seria
00:37chivanoma vestibular, pelo que a médica nos falou, um nome um pouco complicado, e eu queria que você
00:42explicasse exatamente o que você sentiu, como que foi chegar nesse diagnóstico. Bem, na realidade é assim,
00:49é um tumor benigno, mas complexo de certa forma, principalmente porque envolve os nervos e isso
00:58provoca algumas, algumas mudanças no seu hábito do dia a dia. Mas como começou isso,
01:06que é importante a gente entender, como nós chegamos a essa causa? Foi simplesmente por conta
01:11de cera no ouvido. Então, limpar a cera, sempre eu procurando ela para poder limpar, porque eu ficava
01:17surdo por conta de cera nos dois ouvidos e produzindo muita cera. Então, a primeira vez foi assim, se não
01:23me
01:23engano, 2021, 2022. Isso acontece comigo desde adolescente, tá? Só que você vai levando, vai levando e depois de
01:29determinada idade, tudo fica mais complexo. Então, não sei se foi 2021, 2022, eu procurei ela para poder fazer
01:38limpeza do ouvido. Depois voltei de novo, 2023. E aí, com essa sequência, ela virou e falou assim,
01:47vamos fazer uma ressonância só para tirar algumas dúvidas. Aí eu fiquei curioso. Eu falei, doutor, mas por que
01:55que está me pedindo a ressonância? É só limpar o ouvido e eu saio ouvindo bem, consigo ouvir muito bem
01:59depois. Você limpava e ouvia bem, depois da limpeza. Ouvia bem. Agora, muita cera saía, né? E ela falava assim,
02:05dos dois ouvidos. E ela falava assim, ó, você tem que voltar a cada três meses, quatro meses,
02:11porque isso, você tem a característica de produzir muita cera. Até então, tudo bem. Mas, quando chegou
02:16dessa segunda, terceira vez aí, com essa sequência, ela pediu esse exame. Eu perguntei a ela, falou, não,
02:24só para tirar algumas dúvidas mesmo e tal. Aquilo não me desceu muito bem, mas eu fiz o exame.
02:29Ela te pediu quando? Foi em 2024. Final de 2024, eu fiz o exame.
02:35Mas eu estava num momento mais crítico da doença da Nabila. E aí, a atenção era toda voltada
02:41para ela. E aí, eu tentei marcar com a doutora Natália. Ela não tinha agenda para as próximas
02:46semanas. E isso veio. Aí veio Natal, veio Ano Novo, férias. E isso passou. E minha vida seguiu com
02:54Nabila. E aconteceu tudo que todo mundo já sabe. Aí eu também me desliguei disso e segui minha vida.
03:02Quando chegou no outubro do ano passado, voltou de novo. Cera me incomodou. Eu comecei a ficar surdo,
03:10de novo, dos dois ouvidos. E eu sentia que esse ouvido direito, ele... Eu fui perdendo mais a audição e
03:18não
03:18voltava. Depois que limpava com a cera, pedi tirar a cera, não voltava com a mesma... com a mesma
03:24intensidade que o esquerdo. Aí foi quando eu consegui marcar com ela de novo, no final do ano. E ela
03:31me...
03:32Marcaram para mim dia 2 de fevereiro desse ano. Cheguei lá dia 2 de fevereiro, resolvi levar o exame de
03:38final de 2024. Quando eu entrego na mão dela, ela se olhou o exame e falou, não doutora, não olhei.
03:44Eu trouxe
03:44até para você ver isso daí. Você falou que era só para você tirar algumas dúvidas. Ela e o laudo?
03:49Eu falei, não sei.
03:50O laudo... Ela deixou ver. Ela falou, ó, você está com tumor do lado direito. Falei, é mesmo? Ela... É.
03:57E aí, vamos investigar isso daí? Fizemos todos os exames de novo. 15 dias depois, sei lá, 15 de fevereiro,
04:06dia 17,
04:07identificou que é o chuanoma vestibulares, um tumor benigno, mas que causa alguns danos. E ela começou a
04:15perguntar se eu não estava sentindo sintomas. Convulsão, dor de cabeça, desequilíbrio. E eu falei, ó, desequilíbrio
04:22continua. E aí, resgatei que em 2020, eu comecei a sentir isso. Eu era prefeito ainda. E um dia,
04:28levantando da cama, na Bila, o que que houve? Eu me desequilibrei. Falei, não sei, fiquei tonto, não estou
04:32conseguindo andar. E a gente achou que fosse labirintite. E isso começou a ter com mais
04:37frequência na minha vida, inclusive. E aí, eu falei, ó, chegou a idade, essas coisas aparecem, essas coisas
04:42chegam. Então, a cera já era comum, o desequilíbrio não. Mas aí, a gente achou que fosse labirintite.
04:50E hoje, eu entendo que o tumor já estava se manifestando.
04:53Em 2020, então, quando você começou a sentir os primeiros sintomas ali de desequilíbrio.
04:59Zumbido, você não sentiu? Porque eles falam que é um dos sintomas.
05:03Também, ela também perguntava pro zumbido. Raramente zumbido. Hoje, que eu não estou ouvindo
05:08mais do lado direito, se coloca um som muito alto, assim, dá tipo um estampido, aí fica no ouvido.
05:15Mas, fora isso, não fica. Não estava sentindo dor de cabeça, assim,
05:20nas últimas semanas, que eu comecei a sentir um pouco mais.
05:24O desequilíbrio, de vez em quando, acontece com muita constância.
05:27E eu vou fazer atividade física, mesmo meio desequilibrada.
05:30Eu vou correndo, vou fazendo.
05:32Porque eu sou insistente com as coisas.
05:35Você falou sobre essa questão de... Você passou um momento delicado, né?
05:39Como a gente sabe, faz um ano, né? Que você perdeu a anabila, um câncer de mama.
05:44Câncer de mama metastático, já.
05:46E como que foi quando você recebeu esse diagnóstico de tumor?
05:49Por mais que a gente fale assim, né? É benigno, mas o nome tumor.
05:53Isso aí.
05:54Como foi receber essa notícia?
05:55É assim, foi um impacto, porque vem um filme rapidamente na sua cabeça.
06:00E, além disso, a gente que tem uma certa instrução, a gente para pra pensar e fala,
06:04peraí, ele é benigno no primeiro momento, mas nós vamos ter que fazer os outros exames,
06:09além disso, porque quem disse que eu não tenho outras partes do corpo?
06:12Quem disse que não pode virar maligno?
06:14Quem disse? Tem uma série de, né?
06:16De quem? De cis também.
06:17Isso aí, cis, é.
06:18E aí, na minha conversa, por exemplo, com o Neuro em São Paulo, ele disse que só
06:23havia um caso até hoje de benigno virar maligno por conta do tratamento que foi feito.
06:27Então, e até um paciente estrangeiro que estava tratando na Alemanha e estava vindo
06:33para o Brasil para tratar com ele.
06:34Porque o empresário que estava mudando para o Brasil não chegou aqui, 15 dias morreu.
06:40Então, assim, tem uma série de situações que se a gente olhar a literatura nua e crua,
06:46é benigno, são com essas características, mas existem algumas exceções, em algumas
06:52situações, e aí tudo isso veio à minha cabeça mesmo, no primeiro momento, e depois
06:57você vai tentando digerir isso, mas algumas sombras ficam para você.
07:02E agora eu estou naquela fase, fazer logo a cirurgia para ver o pós, como é que a gente
07:06vai se comportar.
07:07E você falou da perda da audição, né?
07:09Do ouvido direito.
07:10É, perdi.
07:11Você perdeu toda a audição?
07:13Perdi totalmente, totalmente.
07:13Mas foi agora, nesse processo de descoberta, ou quando você chegou na doutora, Natália,
07:17você já havia perdido?
07:18De um ano para cá, assim, de um ano e meio para cá, isso foi acontecendo, foi acontecendo
07:22e perdi.
07:24E com a cirurgia, te deram alguma expectativa, esperança?
07:28De audição, não.
07:29Não consegue, não consegue.
07:30O que eles conseguem é manter, da forma que você entra na cirurgia, 50% dos casos
07:36eles conseguem manter, os outros 50% não conseguem.
07:39Então, nesse caso, o meu, como não estou ouvindo, vai ser do mesmo jeito.
07:42Entendi.
07:43Juninho, eu queria que você falasse um pouco dessa expectativa para a cirurgia, né?
07:47Você viaja amanhã, é isso?
07:49Amanhã.
07:49Para São Paulo, a cirurgia está marcada para...
07:51Sete horas da manhã, eu tenho que chegar três horas antes do hospital, tudo isso chegou
07:54agora mesmo para mim.
07:55É tudo amanhã?
07:55Não.
07:56A cirurgia...
07:57É sete horas da manhã, na sexta-feira.
07:59Na sexta-feira.
08:00É.
08:00Como que está a sua expectativa?
08:02Você já sabe como vai ser esse procedimento?
08:04Você vai estar acordado?
08:05Como que vai ser?
08:06Você já tem?
08:07Não, assim, até onde eu sei também, tá, Camila?
08:11Anestesia geral, é porque abre a cabeça, né?
08:15No mínimo, quatro horas e meia de cirurgia.
08:18Uma equipe vai precisar separar os nervos do tumor para que o...
08:25O neuro consiga, né?
08:30Acho que o nome certo pode ser subtrair ou retirada, né?
08:34A retirada do tumor.
08:36Então, por isso que precisa dessas duas equipes.
08:40Depois da cirurgia, eu vou ficar dois dias na UTI e mais quatro no quarto.
08:48Depois eles me liberam para ir para um apartamento, para um local em São Paulo.
08:52E aí a gente já tem o local, o meu irmão vai comigo.
08:55Nós vamos ficar quinze dias em São Paulo, próximo deles.
08:59Então, quando se fala tudo isso, você para para pensar.
09:01Se fosse uma coisa simples, não ia precisar ficar todo mundo me esperando quinze dias lá.
09:06Né?
09:06Eu voltaria antes.
09:07Depois dos quinze dias, se tudo correr bem, eles me liberam para voltar para o Espírito Santo.
09:11E eu fico trinta dias sem poder trabalhar, ter coisas forçadas, né?
09:17E aí vai nisso, vai atividade física, olhar o que se alimenta e tal, tudo isso junto.
09:22É o que eu sei até agora.
09:24E o que eu pedi?
09:25Pedi a minha médica, que está tratando do meu caso, especificamente a doutora Natália,
09:30que ela pudesse estar junto na cirurgia.
09:32Então, ela está junto na cirurgia.
09:35Por que eu tomei a decisão de fazer em São Paulo?
09:37Primeiro, porque essa equipe, ela faz esse tipo de cirurgia há trinta anos.
09:42Então, isso me dá um certo alento.
09:45Uma segurança, uma tranquilidade.
09:45Exatamente, um certo alento.
09:47E segundo, que nas minhas consultas presenciais com eles, eu me senti muito seguro.
09:54Agora, aqui tem gente capacitada, no Espírito Santo tem, poderia ser feita aqui, poderia,
09:59mas eu optei em seguir e ouvir outros profissionais e, pelas minhas relações, eu optei em fazer com as equipes
10:09do Sírio-Libanês.
10:10Entendi.
10:11E o que você espera?
10:13Eles falaram de alguma possibilidade de sequela?
10:15Sim.
10:16O que pode acontecer?
10:18Eu, desde o primeiro momento, a doutora Natália, ela é muito pedagógica, né?
10:22Então, ela falava comigo, você leu sobre isso?
10:25Eu falei, não, doutora, não li.
10:26Segunda vez que eu voltei nela, você leu sobre isso?
10:28Eu falei, doutora, eu vou ler, se vocês é que sabem o que vão fazer e tal.
10:31Mas aí, eu comecei a ler, comecei a pesquisar e comecei a fazer perguntas também.
10:35Então, uma delas é, se eu terei sequelas?
10:37Sim.
10:39Que tipo de sequelas?
10:40Aí, ela falou, ó, face, com certeza.
10:46Temporária ou permanente?
10:47Ela, ó, você vai fazer as consultas mais à frente com a equipe em São Paulo, que vão poder te
10:52dizer melhor.
10:53Então, com o neuro em São Paulo, terei sequela, sim, facial, mas será temporária.
10:59Em até dois anos, eu recupero todas as sequelas, segundo o médico.
11:05A outra que eu terei, que eu só descobri em São Paulo, é a deglutição.
11:09Então, pra engolir e pra falar.
11:12Então, eu vou ficar prejudicado nisso.
11:13Em até dois anos, eu recupero isso.
11:17Outra coisa a mais eu posso ter?
11:19Posso ter dor de cabeça, porque o outro seria surdez.
11:21E aí, já tô surdo.
11:22Então, esse daí já caiu por terra.
11:26E aí, pras outras questões, é que eu também vou ficar sabendo.
11:30Ou eles vão me falar lá agora, momentos antes da cirurgia, ou eu só vou saber depois da cirurgia.
11:35Mas, pode ter, não significa...
11:38Não, terei, só que será temporário.
11:39Entendi.
11:40Não é permanente.
11:41No caso, então, você vai precisar fazer terapia com fonaudiólogo, tudo isso, né?
11:45Isso é o que eles me disseram.
11:47Eu, sim, eu tô muito confiante, entendeu?
11:51Primeiro, pela minha temência a Deus.
11:54Segundo, porque eu sempre fui assim.
11:55Eu sempre lutei muito com as coisas, sempre.
11:58Nada veio pra mim de mão beijada.
12:00Nada, nada, nada nessa vida.
12:01Então, assim, eu vou, eu vou, na minha cabeça, eu vou chegar lá, vou fazer cirurgia,
12:05vou sair sem sequelas e vou ficar o tempo que eles exigem que eu fique e venho.
12:09Mas, a gente não pode também achar que é tudo lindo e maravilhoso, né?
12:12Durante esse processo, o que mais te assustou, Juninho?
12:15O que mais me assustou foi essa possibilidade de só ir sabendo das coisas de pouco a pouco.
12:21Porque eu passei isso com a Nabila.
12:23E depois eu não ter como reagir, dependendo do que, das sequelas,
12:30eu não ter como reagir.
12:32E aí, eu tomei algumas providências.
12:34Uma delas foi a possibilidade de voltar com candidatura esse ano.
12:40Eu já fui tirando tudo isso de conversas,
12:43pra não dar esperança a ninguém, e muito menos pra mim, né?
12:46Você tinha, então, essa...
12:48Não tinha, Camila, mas você é muito provocado.
12:50Você sai da política, mas ela não sai de você.
12:52Então, muita gente te provoca.
12:53Então, e eu não tinha muita coisa pra responder,
12:55você fala assim, não, gente, eu não quero.
12:57Acho que eu já contribuí.
12:58Vou tocar, vou continuar aqui no privado e vou continuar colaborando com a política
13:02e tal, mas nos bastidores.
13:03Eu tinha sempre esse argumento.
13:05Mas aí, depois vem por questões de causas.
13:07Poxa, mas você não acha que tem gente que precisa da sua participação?
13:10Você não acha que você pode contribuir em tal lugar,
13:14em tal esfera, em tal não sei o quê?
13:16E aí, você vai ficando meio sem argumento.
13:17Com a descoberta do tumor, eu fui muito claro.
13:22Gente, primeiro eu vou cuidar da minha saúde.
13:23E aí, vamos tocar.
13:24E eu vou continuar contribuindo nos bastidores.
13:27Então, assim, isso foi uma coisa.
13:29Me deu algo palpável.
13:31Segunda coisa, dependendo da sequela, eu vou continuar trabalhando,
13:35não vou continuar trabalhando, como é que eu vou sustentar a minha família
13:38e as pessoas que dependem de mim?
13:41Então, isso é uma coisa que eu ainda tenho dúvida.
13:43Como é que vai ser?
13:47E, por último, são filmes que vêm à cabeça de situações recentes
13:53e de situações que você acaba se envolvendo indiretamente e tal,
13:57com questão da doença chamada tumor.
14:00Sim, tumor.
14:01Você tem quantos filhos, Juninho?
14:03Eu tenho três meninas.
14:04Três meninas.
14:05E como que foi pra elas, pra sua família, né?
14:07Você chegar e contar sobre o seu diagnóstico?
14:10Chamila, eu tomei alguns cuidados.
14:12Eu não contei pra ninguém, pra ninguém, até passar carnaval, férias.
14:20Eu, por exemplo, a primeira vez que eu fui aos Estados Unidos
14:22foi agora com as minhas filhas, não contei nada pra ninguém.
14:24Lá você já sabia, então?
14:25Já sabia de tudo.
14:27Já sabia de tudo.
14:27A gente tem uma festa que acontece sempre em abril,
14:33dos primos e parentes.
14:35E aí vem gente de tudo quanto é lugar.
14:37Tem um primo nosso, que é o grande motivador disso,
14:38que vem dos Estados Unidos.
14:40Eu não falei nada.
14:41É com algumas dificuldades, inclusive, pra poder me equilibrar.
14:44Fui e joguei um pouco a pelada com eles,
14:47sem ninguém saber.
14:48Esperei passar tudo isso.
14:50E um dia, eu chamei todo mundo pra comer uma pizza.
14:53E aí fui pra casa da minha mãe,
14:54e aí estavam as minhas filhas todas, todo mundo.
14:56Eu falei, ó, antes da gente comer,
14:58eu quero dar uma notícia a vocês.
14:59Ó, vou falar logo que é benigno,
15:01que papai tá tranquilo, e tal, tal, tal, tal.
15:04Mas papai vai ter que fazer uma cirurgia na cabeça, tá bom?
15:07E aí fui nessa linha,
15:09como se estivesse falando com criança.
15:10E aí foi impacto, inicialmente.
15:13Mas não falei a mentira.
15:14E falei no momento em que não atrapalhei a vida de ninguém.
15:18Todo mundo brincou, todo mundo festejou.
15:20Você guardou esse diagnóstico?
15:21Ninguém, nenhum amigo?
15:22Ninguém, sabe?
15:23Nem seu irmão que vai te acompanhar?
15:24Nem meu irmão.
15:25Nessa hora só que eu falei,
15:26pedi a minha mãe que eu ia falar com meu irmão no dia seguinte,
15:29porque ele não pôde estar.
15:30Mas minha mãe já falou antes.
15:31Aí eu tive que falar por telefone,
15:33tive que, desculpa,
15:34tive que antecipar tudo.
15:39Mas foi assim.
15:40E depois fui comunicando a algumas pessoas,
15:42de certa forma,
15:43e tomei a decisão agora,
15:46essa semana,
15:47de fazer,
15:48tornar público,
15:51porque eu fiquei com um pouco de receio
15:53de como é que eu vou aparecer
15:54a partir de sábado,
15:56a partir de domingo,
15:56e as pessoas me olharem
15:58e ninguém entender nada
15:59e como é que eu vou explicar.
16:00Então, agora já estou explicando antes.
16:02Se me ver com o rosto paralisado,
16:04é a cirurgia.
16:05Se me ver sem conseguir falar e tal,
16:07é a cirurgia.
16:09Então, é isso.
16:10Mas essa questão das sequelas
16:12que você pode ter,
16:14não...
16:14Tem algum risco de interferir em movimentos?
16:17Eles falaram sobre isso
16:18por ser na cabeça, no crânio?
16:19Olha só, Camila.
16:20Ninguém me disse isso,
16:21mas eu te faço...
16:22Eu te coloco pra refletir
16:23uma coisa que eu tô refletindo.
16:25Se o crescimento do tumor
16:27me deixa desequilibrado,
16:28quem diz que ele não tá ali próximo
16:30a algo assim
16:31e que a cirurgia pode me deixar
16:33desequilibrado por algum momento?
16:35Se fosse algo assim
16:37que não trouxesse tanto...
16:40Tanto cuidado,
16:43por que eu ficar dois dias na UTI?
16:45Então, tem algumas coisas
16:46que eu ainda tô em dúvida.
16:47Te confesso.
16:48Mas, vamos lá.
16:49Confiante.
16:50Muito confiante.
16:51Porque, assim,
16:52primeiro porque eu tenho
16:53essa predisposição.
16:54Sempre tive na minha vida de atleta.
16:56Quem me acompanhou
16:57sabe como é que era
16:58o meu condicionamento.
16:59Quem me viu jogar
17:00sabe como é que era
17:01a minha característica.
17:03E isso eu trouxe pra vida também.
17:05Então, vamos firme.
17:07Acreditando em Deus,
17:07pedindo a Deus o seguinte.
17:09Deus, faça com que os médicos
17:10não errem na mão e tal,
17:12porque é no microscópio.
17:14Então, não erre.
17:15E me dê
17:16todo o discernimento
17:18do mundo pra eu fazer também
17:19a condução certa
17:20pós-cirurgia.
17:21Juninho, eu tava lendo
17:22sobre a doença
17:23e vi que existem
17:25outras formas de tratamento.
17:26Por exemplo,
17:26uma recepção
17:27que eles podem fazer.
17:28Isso, a radioscirurgia.
17:30Isso.
17:30No seu caso,
17:31não era uma possibilidade, né?
17:33Tinha de ser a retirada mesmo.
17:35Olha só,
17:35uma das coisas
17:36que o médico tratou comigo,
17:37ele didaticamente,
17:39o doutor Marcos,
17:41de São Paulo,
17:42o neuro,
17:42virou e falou assim,
17:43até 45 anos,
17:44é cirurgia como a sua.
17:46É uma cirurgia abrindo.
17:49De 65 anos acima,
17:52é radioscirurgia,
17:53que seria essa proposta, né?
17:56Uma espécie de dissecação e tal.
17:58Você viu que você tá no meio do caminho, né?
18:00Eu falei,
18:00sim, senhor,
18:01eu tô no meio do caminho.
18:02Aí foi quando ele contou a história
18:03de que esse paciente,
18:05que o benigno virou maligno,
18:08foi dessa forma,
18:09porque há uma retração
18:11no crescimento do tumor
18:13e ele fica anos ali,
18:16daquele mesmo tamanho,
18:17a pessoa vai viver 10, 20 anos e tal.
18:20E aí,
18:21é num caso
18:22pra pacientes
18:23que estão com a idade avançada
18:25ou tem um tipo de comorbidade
18:26que não tem condição de fazer.
18:28Então, ele falou,
18:29foi o único caso
18:30que eu vi na minha vida toda,
18:32em todos esses meus anos de medicina,
18:34mas aconteceu.
18:35Então,
18:36é mais um motivo
18:36pra você ter opção
18:38de um dos dois,
18:39mas falando que
18:40eu prefiro tirar o tumor.
18:43Durante esse tempo
18:44que você recebeu,
18:45que foi em fevereiro,
18:46o diagnóstico,
18:47houve algum tipo de tratamento
18:49que você fez até agora
18:50ou você tem feito
18:51só os preparativos mesmo
18:53pra cirurgia?
18:54Bem,
18:54nenhum tratamento orientado.
18:57O que eu fiz?
18:58Eu já perdi 6 quilos.
19:00Comecei a fazer
19:01atividade física
19:02com mais frequência,
19:03tiro um tempinho
19:04e vou fazer.
19:04Dia que eu tô tonto,
19:05eu faço.
19:06Dia que eu não tô tonto,
19:07eu faço do mesmo jeito.
19:07Tonto assim,
19:09desequilibrado, né?
19:12E olhando um pouco mais
19:13o que como ou não.
19:15E eu tenho um médico particular
19:16que, além de tudo,
19:17é meu sócio,
19:18meu amigo,
19:18é um cardiologista,
19:19doutor Sávio Campos.
19:21Ele me apoia muito
19:23em muita coisa
19:23e a gente consegue,
19:24porque a gente se fala
19:24praticamente toda hora
19:25e ele é um estudioso.
19:27Então,
19:27ele me acompanha muito
19:29e o que eu fiz
19:30foi nessa linha.
19:31Aí fiz teste ergométrico,
19:34aí fui olhar
19:35uma série de coisas
19:36que eu precisaria,
19:37que eu sabia
19:38que em algum momento
19:38eu iria precisar.
19:40E agora eu fiz
19:41o pré-operatório,
19:42aí fiz tudo,
19:43eletro e tal,
19:43mas seguindo
19:44o que os médicos solicitaram.
19:46Mas eu,
19:48anteriormente,
19:48eu já vinha fazendo
19:49até porque eu sou
19:49educador físico, né?
19:50Sim.
19:51Juninho,
19:53quais são os seus medos
19:54neste momento?
19:55O principal medo
19:57é não continuar
19:59com as mesmas condições
20:01funcionais
20:02pra tocar a minha vida.
20:04Você tá com quantos anos?
20:0555.
20:0655 anos.
20:07É, mas mês que vem
20:07eu faço 56.
20:08Isso aí,
20:09vamos comemorar!
20:10Se Deus quiser,
20:11se Deus quiser.
20:11Então, assim,
20:13esse é o principal medo.
20:15Aí você vai me perguntar
20:15por quê?
20:16Porque eu acho
20:16que eu ainda posso
20:17ajudar muita gente.
20:19Se eu tivesse
20:20tudo isso garantido,
20:21eu não tenho medo
20:22da morte.
20:23Não tenho.
20:24Isso já tá resolvido
20:25em mim,
20:25porque tudo que eu faço,
20:27eu faço com intensidade
20:28e tento sempre
20:29não prejudicar ninguém.
20:30O tempo inteiro
20:31eu tento fazer o bem.
20:32Se eu consigo,
20:33ótimo.
20:34Se eu não consigo,
20:35eu tento rever
20:35pra gente poder melhorar.
20:37Então, assim,
20:38isso em mim
20:39tá resolvido.
20:40Então, o meu medo
20:41é de um...
20:41O meu único medo
20:42hoje é esse.
20:43Eu não poder
20:44finalizar algumas coisas
20:46que eu acho
20:46que eu tenho que finalizar,
20:47principalmente pra minha família,
20:48pras minhas filhas,
20:50as duas que são menores,
20:52é a minha grande preocupação.
20:53Durante esse ano
20:54que passou,
20:552024,
20:57início de 2025
20:58que você viveu,
20:59todos aqueles momentos
21:00com a Anabila,
21:00da doença,
21:01o que você aprendeu
21:03com ela
21:03que hoje você tem
21:05colocado isso
21:06diante dessa possibilidade
21:08de alguma sequela
21:10ou diante
21:11da cirurgia
21:12que você vai fazer?
21:13Eu tô evitando
21:14de falar muito, né?
21:15Porque
21:35olha só.
21:41Aprender com Nabila.
21:43você não faz ideia
21:46do que é você
21:47ficar ao lado
21:47de uma pessoa
21:48quase que 24 horas
21:53e você vê
21:53aquela pessoa bonita,
21:56ativa,
21:59passar a ficar
22:00do seu lado
22:11delirando
22:12por conta
22:14era muito medicamento.
22:17Era muito medicamento.
22:20O que é indicado
22:22por uma pessoa
22:23que tá sofrendo
22:23com muita dor
22:25de morfina
22:262%.
22:292 miligramas, né?
22:312 miligramas, não sei o que lá.
22:34Nabila era 24.
22:37E ela sentia dor.
22:41E a gente, às vezes,
22:47tinha que fingir
22:48que eu não tava sentindo
22:50até os pais dela
22:50irem embora.
22:52Depois comigo
22:53ela desmoronava.
22:56e a gente fazia
22:57de tudo,
22:58fazia de tudo,
22:59tudo.
22:59Era gelo,
23:00era compressa.
23:02Era ficar apertando
23:03o braço dela
23:04até ela dormir
23:05porque a compressão
23:06do tumor
23:09afetou
23:11o músculo
23:14que se chama
23:14de bráquio radial.
23:17E doía muito
23:18o braço dela,
23:19mas muito,
23:19se eu não fazia ideia
23:20e ela ficava
23:21desse meu lado sempre.
23:25hoje eu não consigo
23:26dormir na cama,
23:28não consigo
23:28um monte de coisa
23:29e ela faz ideia.
23:37E aí?
23:41Desculpa o desabafo.
23:43E aí?
23:45Você aprende,
23:46entendeu?
23:46Você aprende
23:47que se tiver que fazer
23:48algo por alguém,
23:49faça enquanto tá vivo.
23:51faça enquanto tá próximo,
23:52não deixa pra fazer depois.
23:53Não,
23:53não tenha vergonha.
23:55Não tenha vergonha.
23:57Eu fui aprendendo
23:57com a vida.
23:58Eu não dava um beijo
23:59no meu pai.
24:00Aquela coisa de machismo
24:02como eu fui criado.
24:04Depois de um tempo
24:04eu passei a dar beijo
24:05no meu pai
24:05e hoje eu dou beijo
24:06ao rosto de qualquer homem
24:07quando eu tô cumprimentando
24:08que seja meu amigo,
24:09que seja próximo.
24:12e assim,
24:13e eu tentei fazer
24:14tudo que eu podia fazer
24:15por ela em vida.
24:16Então você vai aprendendo
24:17a se doar também.
24:19E isso eu fui aprendendo
24:20com ela.
24:21Outra coisa,
24:22a força de vontade dela
24:23de viver.
24:24Ela,
24:25ela às vezes
24:26tava sentindo dor,
24:27mas ela saía comigo
24:28em algumas coisas.
24:30Fazia de tudo
24:31pras pessoas
24:32não perceberem
24:32o que ela tava sofrendo.
24:36Ela sempre deu catequese
24:38na igreja.
24:40Então assim,
24:40ela tentou manter
24:41enquanto pôde isso.
24:44Então você vai aprendendo
24:46a se doar pelo próximo.
24:49Então assim,
24:49foram coisas que
24:50eu fui vendo nela
24:52e fui entendendo.
24:54E a última coisa assim,
24:56é que você sempre precisa
24:57de alguém.
24:58Se não é agora,
24:59lá na frente você vai precisar.
25:00A gente não pode fazer
25:02nada sozinho, né?
25:02Não.
25:03E assim,
25:04e o que você planta aqui
25:05você vai colher lá na frente.
25:06Então assim,
25:08foi um pouco isso.
25:10Juninho,
25:10pra gente finalizar,
25:11eu acho que é muito importante
25:12você abrir
25:14a questão, né?
25:15Da doença,
25:16do que você vai passar.
25:17Principalmente porque
25:18muitas vezes
25:18as pessoas ignoram
25:19até mesmo sintomas,
25:20como você mesmo falou, né?
25:21Lá em 2020
25:22você começou a sentir
25:23uma tontura,
25:24tinha a questão da cera.
25:25E eu queria que você
25:26deixasse uma mensagem, né?
25:28É uma doença que,
25:29como eu falei,
25:29eu não conhecia.
25:30Você também disse
25:31que não conhecia.
25:32É um nome complexo,
25:33mas eu queria que você
25:34pudesse deixar uma mensagem
25:35pra quem vai nos assistir,
25:36pra quem vai ler a entrevista,
25:38falando, né,
25:38dessa questão
25:39de buscar ajuda,
25:41de prestar atenção
25:42no corpo também, né?
25:43Exatamente.
25:44Eu acho que você já começou
25:45a dar a dica.
25:46Eu tive duas preocupações
25:49no momento de tornar público.
25:51O primeiro
25:52é pra que as pessoas
25:53não estranhassem
25:55a hora que me vissem
25:56de uma outra forma.
25:58Porque tem essa possibilidade,
25:59né, fisicamente.
26:00E aí,
26:01o que que houve?
26:01O que que foi?
26:03Então,
26:04pras pessoas saberem
26:05que o que eu tô passando,
26:06é possível passar,
26:08qualquer pessoa
26:08pode passar por isso.
26:09Então,
26:10não tem nenhum super-homem,
26:11não tem nada.
26:12Porque as pessoas
26:12me veem fisicamente
26:13muito bem,
26:14gosto de fazer
26:15atividade física,
26:16meu histórico é esse,
26:17nunca fumei,
26:18nunca provei nada
26:20de álcool,
26:20nem tipo,
26:21ah, vinho,
26:22shampoo,
26:22nunca.
26:22e tô passando por isso.
26:24Então,
26:25é o primeiro recado
26:27é que isso pode acontecer
26:28com qualquer pessoa.
26:29O segundo
26:30é que não ignorem
26:33sintomas,
26:34não façam,
26:37não faça
26:38automedicação,
26:40não faça o autodiagnóstico,
26:42por mais que tenha o Google,
26:43por mais que tenha tudo aí
26:44pra você pesquisar e tal,
26:45não vá nessa vibe,
26:47ah, mas Juninho,
26:47eu tenho dificuldade
26:48de marcar
26:49com especialista,
26:50eu tenho dificuldade
26:51com aquilo outro,
26:52a dificuldade que você tiver,
26:54quando tiver a oportunidade,
26:56toque no assunto,
26:58tente,
26:58porque a gente nunca sabe
27:02o que pode estar
27:03por trás daquela dorzinha,
27:04o que pode estar
27:05por trás daquela cera
27:06no ouvido,
27:07o que pode estar
27:08por trás daquela tontura,
27:09aquele desequilíbrio,
27:11e hoje eu sei
27:12que pode ter
27:13um monte de coisas
27:13como o
27:15chuanoma vestibulares
27:17que a gente acaba aprendendo,
27:18né?
27:18Sim.
27:19Juninho,
27:19eu quero te agradecer
27:20por você ter
27:21vindo até aqui,
27:23né?
27:23A sua cirurgia,
27:25que você possa ter
27:25uma cirurgia abençoada,
27:27né?
27:27Como você falou,
27:28confiando em Deus,
27:29sabendo que os médicos
27:30vão estar ali
27:30fazendo o melhor,
27:31e a gente espera você
27:33de volta pra contar
27:34sobre a sua recuperação,
27:36comemorar seu aniversário,
27:38e muita vida,
27:39muita saúde pra você,
27:41tá bom?
27:41A gente vai estar aqui
27:42torcendo por você.
27:43Muito obrigada.
27:44E vamos nos ver,
27:45se Deus quiser.
27:45Amém.
27:47Esta entrevista
27:48está disponível
27:48no nosso Jornal
27:49à Tribuna,
27:50no Portal Tribuna Online,
27:51no nosso canal
27:52do YouTube
27:53e nos principais
27:54tocadores de podcast.
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